quinta-feira, 30 de junho de 2011

I Encontro de Escolas de Referência

O Agrupamento de Escolas Quinta de Marrocos - Escola de Referência para o Ensino Bilingue de Alunos Surdos de Lisboa vai organizar o “I Encontro de Escolas de Referência” no dia 9 de Julho de 2011, a realizar no Pavilhão do Conhecimento no Parque das Nações, em Lisboa.                      
Trata-se da realização do primeiro Encontro de Escolas de Referência de todo o território Nacional, convidando-se todos os interessados em participar  bem como na divulgação/mostra e venda de produtos e eventuais projectos, seminários e eventos  organizados que incluam docentes e técnicos das Escolas de Referência.
Em caso de necessidade de informação adicional, contactar a Organização do Encontro: Fátima Silva (T/ 91 988 03 66) ou Isabel Galhardo (T/ 91 943 84 19) ou para e-mail: encontroerebas@gmail.com.
Programa do encontro aqui
Ficha de inscrição aqui

quarta-feira, 29 de junho de 2011

II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial

Dando continuidade às iniciativas de anos anteriores, o Agrupamento de Escolas de Maximinos e a Escola Secundária Carlos Amarante, escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão do distrito de Braga, vão realizar nos dias 8 e 9 de Julho de 2011 o II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial.
Com este evento pretendemos criar um espaço de partilha e de reflexão aberto a toda a comunidade, contribuir para a construção de práticas educativas que respeitem a diversidade e promover a colaboração entre todos aqueles que a seu cargo têm esta responsabilidade.

Programa: descarregue aqui
Inscrição no Seminário: faça a sua inscrição aqui
Caso não consiga aceder à inscrição, obtenha o acrobate reader aqui

A Formação associada ao II Seminário Ibérico tem o seguinte calendário:

Dia 6 de Julho: das 14:30h às 17: 30h (3 horas)
Dia 8 e 9 de Julho: II Seminário Ibérico (9 horas)
Dia 11 de Julho: das 9:30h às 12:30h (3 horas)


Nota: a turma será constituída por 30 formandos e será dada prioridade aos docentes do AE Maximinos.

A inscrição na Formação deverá ser efectuada aqui

Enriquecendo o vocabulário

De palavras se faz a nossa linguagem. Através dela nos referimos ao mundo e refletimos sobre ele. A partir da linguagem se estrutura o nosso pensamento. O enriquecimento do vocabulário é, por conseguinte, de grande importância. Os pais podem promover atividades, no quotidiano da família, adequadas à idade e às características dos filhos, que contribuam para esse fim. Aqui ficam algumas sugestões:
1. Utilização frequente de novas palavras, inseridas num contexto que permita à criança a compreensão do seu significado.
2. Lotos, dominós e outros jogos envolvendo palavras, que podem ser adquiridos com facilidade.
3. Sopas de letras, palavras cruzadas e outros jogos idênticos, que são publicados não só em jornais, mas também em revistas adequadas a diversos níveis etários.
4. Aquisição e leitura de livros. A leitura começará por ser feita pelos pais para os filhos, quando estes são pequenos, podendo depois ser feita em conjunto e, mais tarde, pela criança/pelo jovem individualmente.
5. Oferta de um dicionário e realização de atividades/jogos envolvendo a sua utilização.
6. Produção de um dicionário ilustrado sobre áreas temáticas de particular agrado da criança.
7. Utilização do dicionário de sinónimos do Word,no computador. 
8. Pesquisa, no dicionário, de palavras novas surgidas nos textos de estudo e seleção do significado mais adequado.
9. Jogo: ver quem indica mais palavras da mesma família. Ex.: palavras da família de "mar" - marinheiro, marítimo, maresia, amarar.
10. Jogo: ver quem indica mais palavras pertencentes a uma determinada área vocabular. Ex.: área vocabular em torno de 'mar' - barco, peixe, maré, praia, rocha, pesca.
11. Pesquisa de sinónimos e produção de frases e situações em que estas possam ser utilizadas. Ex.: "banzado, admirado, estupefacto" - fazer uma frase com cada palavra e contar uma pequena história em que a utilização da palavra selecionada seja a mais adequada.
De carácter mais lúdico ou mais relacionadas com o estudo formal, as atividades propostas são apenas exemplos de formas de enriquecimento do vocabulário, que podem contribuir ainda para desenvolver o gosto e a curiosidade por aprender e o rigor na utilização das palavras mais adequadas à expressão de cada ideia no contexto em que ela tem de ser expressa. As sugestões apresentadas podem ser igualmente uma fonte de inspiração para outras atividades.
Armanda Zenhas

terça-feira, 28 de junho de 2011

Tempo de balanços e de compromissos

Começo por uma história que presenciei há 3 dias. Uma aluna de Mestrado em Educação Especial estava à espera que a prova de discussão da sua dissertação começasse. Eu, que era para o efeito presidente do júri da prova, cheguei um pouco mais cedo e encontrei-a sentada a enrolar papéis de seda amarelos. Espera-se que um candidato – por norma nervoso – ocupe o seu tempo de várias maneiras mas aquela intrigou-me… Perguntei “Esse trabalho manual é para reduzir o stress?”. “Não – respondeu a candidata – estou a enrolar as rifas para o encontro de angariação de fundos para a unidade de multideficiência do meu agrupamento”.
E logo esta história me lembrou os diferentes mundos em que se move o professor de Educação Especial: o mundo da militância, da “missão”, o mundo da profissão tal como é definida, o mundo académico, o mundo das famílias, etc. Navegar em todos estes mundos com regras e éticas distintas, é, sem dúvida, necessário ainda que não necessariamente útil. Passo a explicar: são tarefas que é preciso fazer e que se o professor de Educação Especial não fizer ninguém vai fazer apesar de serem essenciais. Mas é verdade também que quando se faz um coisa não se pode fazer outra e, se é verdade que é pedido muito voluntarismo e trabalho “extra-curricular” ao professor, pode-se perguntar “O que é que ele, por fazer estas tarefas, deixa de fazer?”
Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo e ao princípio de outro. Tempo de balanços e de compromissos. Começamos a ouvir “para o ano eu vou…”, “para o ano eu não vou…” Um novo ano é sempre uma oportunidade de nos aproximarmos do que gostaríamos de fazer e de ser como profissionais. Gostaria em nome da Direcção da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, de desejar a todas e todos umas férias repousantes e que os compromissos que vão assumir sejam melhores (mais úteis, justos e generosos) do que os que assumiram o ano passado. É assim o nosso caminho.
A nossa Associação continua firme no seu compromisso de contribuir para que os professores sejam ouvidos e respeitados. E representamos os professores para atingir a qualidade de educação dos alunos com necessidades educativas especiais, esses sim a razão de ser de toda a nossa formação, empenho e profissionalidade.
Até breve!
David Rodrigues
Presidente da Pin-ANDEE
Editorial da  2ª newsletter do mês de Junho da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial  (PIN-ANDEE)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

1º Encontro Tecnologias na Educação Especial

O grupo de Educação Especial do Agrupamento de Escolas de Santa Iria, em Tomar, vai realizar o “1º Encontro Tecnologias na Educação Especial“, no dia 30 de Junho, entre as 10:00h e as 15:30h, no Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar.

Este evento tem o apoio de várias entidades, nomeadamente da Cnotinfor que também estará presente no evento para proferir uma comunicação sobre “Tecnologia e Inclusão no Ensino Especial“.
Nessa comunicação será dado destaque à utilização dos Símbolos para a Literacia da Widgit (SLW), como um valioso auxiliar na Comunicação Aumentativa e Alternativa, na dislexia e na aprendizagem em geral.
Os mais de 10.000 símbolos SLW foram objeto de estudo durante vários anos com o objetivo de atender a públicos muito diversificados.
Destacamos algumas das suas características:
•poucos detalhes de modo a reduzir a confusão visual;
•coerência e consistência entre as diversas categorias de símbolos;
•edifícios, salas ou divisões, lojas, pessoas e profissões, família, pronomes, preposições…
•marcadores gramaticais opcionais para auxiliar escritores e leitores;
•símbolos coloridos e a preto e branco;
•simbolização automática inteligente…

Esse evento conta ainda com a comunicação Ideias práticas do grupo EB 2/3 de Santa Iria e CRI de Tomar; o encontro será enriquecido com a presença do engenheiro Luís Figueiredo do IP da Guarda e do CRTIC de Santarém.
 
Esta actividade encontra-se inserida no Projecto "Aprender e Inovar ComTIC".

Poderá ver aqui o Programa da Acção e a Ficha de Inscrição.

Para mais informações envie um mail para: tesouraria@santairia.pt.

Via: Crianças a torto e a Direitos

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Autismo, uma doença de muitas mutações : Estudo publicado na revista Neuron

O autismo não é uma doença única – são muitas doenças. E pode surgir devido a uma panóplia de mutações raras, que não são herdadas do pai ou da mãe, surgem espontaneamente, num mínimo de 250 a 300 pontos do genoma, e afectam o desenvolvimento do sistema nervoso da criança, adiantam três artigos científicos publicados hoje na revista Neuron. Estes tentam avançar também com uma explicação para a desigualdade da doença relativamente aos sexos, ao afectar quatro vezes mais rapazes do que raparigas.
Foram estudadas mil famílias que têm um filho saudável e outro com uma das desordens do espectro do autismo – designação onde cabem muitas doenças diferentes. Esta base de dados foi uma das novidades metodológicas, sublinha um comunicado da Fundação Simons, a instituição americana que a coligiu: a maioria dos estudos feitos até agora concentrou-se em famílias onde mais do que um filho é autista, o que implica uma forte componente hereditária. Se só um dos filhos é autista, a explicação genética é, provavelmente, diferente.
Os cientistas concentraram-se assim na busca das mutações genéticas que surgem espontaneamente nas crianças afectadas. Michael Wigler, do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova Iorque, um dos líderes da equipa de investigadores, tinha desenvolvido a hipótese de que estas mutações podiam estar na origem de pelo menos metade dos casos de desordens do espectro autista. Algo de semelhante acontece com outra doença mental, a esquizofrenia.
Estas mutações de novo, ou espontâneas duplicam, ou então apagam, segmentos de ADN do genoma (pense num romance em que são apagadas aleatoriamente algumas linhas de texto, ou então repetidas outras linhas, um certo número de vezes). Toda a gente tem alguns fragmentos de ADN apagados ou repetidos; mas na maioria dos casos não afecta genes essenciais, nem causa doenças.
Elas e as sinapses
Nestes estudos publicados na Neuron, os cientistas descobriram muitas destas mutações em oito por cento dos irmãos com autismo. Isto quer dizer que as mutações são quatro vezes mais frequentes nos irmãos afectados do que nos saudáveis. Pelo menos 75 das mutações descobertas pareciam prometedoras para a investigação e em seis delas é provável que se façam descobertas interessantes.
Um dos estudos concentrou-se em tentar perceber se estas zonas do genoma sugeriam alguma espécie de coerência, uma rede funcional ou molecular. E, curiosamente, os resultados foram positivos, diz o trabalho coordenado por Dennis Vitkup, da Universidade Columbia, em Nova Iorque. “Esta análise dá uma boa base de sustentação à hipótese de que na origem do autismo esteja a perturbação da formação de sinapses”, escreve a equipa na Neuron.
As sinapses são os pontos de junção que permitem aos neurónios comunicar entre si, trocando sinais químicos ou eléctricos, transmitidos através das suas extensões, axónios e dendrites.
Será que as raparigas são mais resistentes às desordens do espectro do autismo porque “atingem um certo número de marcos de desenvolvimento cognitivo” mais cedo do que os rapazes?, lança a equipa de Wigler na Neuron como hipótese. “Por exemplo, em geral, as meninas dizem as suas primeiras palavras numa idade mais precoce. Um ritmo de desenvolvimento mais rápido poderia reflectir uma robustez que protegesse o sexo feminino”, escrevem.
O autismo é diagnosticado a partir dos três anos de idade e o estudo revelou que, para que as meninas sejam afectadas pelas mutações genéticas espontâneas, estas têm que ser muito maiores e têm que atingir muito mais genes do que no caso dos rapazes (15 genes por mutação em média para elas, dois para eles).
Além disso, quando as mulheres são autistas, é mais provável que tenham uma forma severa da doença. Entre os homens, há mais casos de pessoas que conseguem funcionar relativamente bem em sociedade, apesar de sofrerem de uma desordem que afecta, precisamente, as suas capacidades de relacionamento social.
Williams, no ponto oposto
Uma outra descoberta tem implicações curiosas para o estudo da base genética do nosso cérebro social: algures no braço mais curto do nosso cromossoma 7 fica uma região denominada “7q11.23″ que está associada a uma doença chamada síndrome de Williams, que é o oposto do autismo: faz com que as pessoas se tornem altamente empáticas e sociáveis, extremamente sensíveis ao estado emocional dos outros. Isto, porque naquela região surgiram mutações que fizeram surgir cópias extra do genoma.No caso das mutações detectadas agora, associadas ao síndrome do espectro autista – em que há dificuldade em comunicar com os outros e manter relações sociais, em termos gerais -, faltam segmentos de ADN.
“Esta região do genoma pode tornar-se a Pedra de Roseta para estudar o desenvolvimento do cérebro social”, tal como a célebre pedra serviu para decifrar os hieróglifos egípcios, comentou Matthew State, da Universidade de Yale, outro membro da equipa, citado num comunicado da Fundação Simons.
Mas não é de esperar que deste estudo saia uma “bala mágica”, um medicamento contra o autismo – porque não existe uma doença única, ou um gene único que cause a cause. “A diversidade é tal que um único tratamento visando uma forma específica do autismo pode não ter efeito sobre a maioria dos casos”, explica Michael Wigler, citado pela agência AFP.
“Mas quando os genes com mutações relacionadas com o autismo forem identificados”, disse ainda, pensando numa próxima geração de tecnologia, “poderemos começar a pensar nos problemas específicos de cada criança, e não em tratar vários problemas em conjunto.”
O autismo, que parece estar em crescimento – ou é cada vez mais detectado, provavelmente -, afectando pelo menos um por cento da população, está a assemelhar-se a outra doença da modernidade. “Uma complexidade genética semelhante é aparente em muitos cancros”, sublinha a equipa de Vitkup, que verificou se as mutações ligadas ao autismo teriam alguma coerência funcional.
Por Clara Barata

Um caso especial - Cientistas identificam gene vinculado à paralisia cerebral

Uma equipa de investigadores que traçou a sequência genética de dois irmãos gémeos com paralisia cerebral identificou o gene causador do transtorno nas crianças, segundo um estudo publicado na revista Science Translational Medicine. 
A descoberta permitiu oferecer aos irmãos um tratamento efectivo que ameniza os sintomas da doença. 
O menino Noah Berry e a sua irmã, Alexis, foram diagnosticados com paralisia cerebral quando tinham dois anos. Aos quatro, os tratamentos aos quais foram submetidos apresentaram resultados efémeros. 
A paralisia cerebral, um transtorno permanente e não progressivo que afecta a psicomotricidade do paciente e limita a actividade da pessoa, é atribuída a problemas no desenvolvimento cerebral do feto. A doença não tem cura conhecida. 
A incidência do transtorno em países desenvolvidos é de aproximadamente 2 a 2,5 em cada mil nascimentos e não diminuiu nas últimas seis décadas, apesar dos avanços médicos como a monitorização dos sinais vitais dos fetos. 
As crianças herdaram duas cópias do gene SPR que sofreram mutação - uma da mãe e uma do pai. 
In: Ajudas

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Asperger: Será?

É sobretudo o sentimento de estranheza que leva os pais à consulta. São pais que consideram que os seus filhos têm algo de estranho, mas não conseguem definir exatamente o que os torna diferentes. Curiosamente, quando falamos com os filhos também eles partilham este sentimento de que algo os diferencia das outras pessoas. 
Os pediatras, a quem por vezes estes pais pedem ajuda, habitualmente consideram que tudo está bem e não há razão para preocupação. 
Na escola são crianças que apresentam geralmente um bom desempenho académico e, por isso, para os pais é incompreensível que os filhos compreendam perfeitamente raciocínios matemáticos complexos mas desconheçam as regras básicas para fazer amigos. 
Frequentemente estas crianças confundem-se com as que apresentam défice de atenção, pois muito habitualmente parecem viver no mundo da lua. Há já alguns anos atrás, uma mãe relatou-me que, na tentativa de curar o filho de algo que ela própria não entendia muito bem, o levara a Espanha, quando este frequentava o primeiro ciclo de escolaridade, e que lá lhe fizeram uma terapia complexa, cujos fundamentos não consegui perceber. A terapia não surtira os resultados desejados e só quando o filho tinha 14 anos descobriram o que o tornava um pouco mais diferente dos outros, tinha a síndrome de Asperger (SA). 
Tal como qualquer criança ou jovem, os detentores da síndrome apresentam talentos e dificuldades. No entanto, as suas capacidades e lacunas são em áreas muito específicas, pelo facto de o seu cérebro ser muito bom a processar determinado tipo de informação, como, por exemplo, factos e números, e apresentar dificuldade em compreender o que as pessoas pensam, sentem e comunicam.
O facto de cada criança ser diferente de todas as outras leva a que nem sempre se faça um diagnóstico imediato. Recordo-me que andei quase um ano letivo para perceber que uma jovem que estava em acompanhamento apresentava SA. Andava à procura de algo diferente, dado que a preocupação que motivou o seu encaminhamento se prendia com problemas que não eram indiciadores de que esta menina apresentasse a síndrome em questão.
Na minha prática profissional vou constatando que, à volta desta síndrome, há ainda um grande desconhecimento. Por isso, penso que fará algum sentido refletir sobre algumas características destas pessoas, que frequentemente são pensadores originais e que se poderão tornar especialistas nas suas áreas de interesse. Como diria Tony Attwood, um psicólogo australiano com uma grande experiência em SA, o mundo precisa de pessoas com estas características. Penso que o seu raciocínio está correto e que, se compreendermos a forma muito típica de estar dos portadores de SA, os acharemos pessoas deliciosas e encantadoras, sobretudo porque são muito genuínos e sem malícia.
Comecemos pelos talentos. As crianças com SA têm habitualmente muito boa memória e apresentam um largo conhecimento numa área de interesse, por exemplo, clubes de futebol, dinossauros ou vida marinha. A matemática e a informática são frequentemente áreas fortes. Existe um elevado número de pessoas famosas que apresentam muitos traços característicos de SA: Bill Gates e Einstein são dois exemplos muito citados. Na Internet existe uma lista absolutamente fabulosa de personalidades famosas que se suspeita terem SA.
Uma das dificuldades mais acentuadas nestes jovens é a interação social porque apresentam uma grande dificuldade em compreender a linguagem corporal e em saber o que a outra pessoa está a pensar ou a sentir. Recordo-me de, num atendimento com uma pré-adolescente com SA, cujo diagnóstico ainda não estava definido, esta começar a chorar quando lhe pedi para explicar os seus sentimentos. Mais tarde, percebi que as suas lágrimas traduziam a sua frustração por não conseguir dar resposta à tarefa que lhe propus.Ainda agora comecei e já se esgotaram os caracteres permitidos neste espaço! Outras especificidades e sugestões serão apresentadas num próximo artigo.
Adriana Campos

terça-feira, 21 de junho de 2011

Relatório mundial sobre deficiência

Foi lançado, no passado dia 9 de Junho, o primeiro relatório mundial sobre deficiência, produzido conjuntamente pela Organização Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial.
De acordo com este relatório, mais de um bilião de pessoas tem actualmente, no mundo inteiro, alguma forma de deficiência ou incapacidade.
As pessoas com deficiência têm em geral inferiores condições de saúde, mais baixas aquisições escolares, menores oportunidades económicas e mais elevadas taxas de pobreza do que as pessoas sem deficiência. Esta situação deve-se, em larga medida, à falta de serviços à sua disposição e aos múltiplos obstáculos com que se deparam no seu quotidiano.
O relatório apresenta as melhores evidências disponíveis sobre os meios viáveis para superar as barreiras existentes no acesso aos cuidados de saúde, à reabilitação, à educação, ao emprego e aos serviços de apoio, bem como para criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento das pessoas com deficiência ou incapacidade. O relatório termina com um conjunto concreto de acções recomendadas aos governos e seus parceiros.
Este relatório sobre deficiência, pioneiro a nível mundial, dará um contributo significativo para a implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Na zona de intersecção entre a saúde pública, os direitos humanos e o desenvolvimento, o relatório está destinado a tornar-se um recurso indispensável para os decisores políticos, prestadores de serviços, profissionais e defensores das pessoas com deficiência e suas famílias.
Mais informações na página da OMS sobre o relatório.
Pode ainda aceder às versões em inglês quer do Relatório completo quer da versão do Relatório em texto de leitura fácil.
(Brevemente o INR, IP disponibilizará a tradução portuguesa da versão em leitura fácil).
In: INR

A escola e a iliteracia digital

A escola continua a ser o lugar privilegiado para a divulgação e a utilização didática e crítica das novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Por isso mesmo, torna-se imprescindível que os docentes sejam formados e motivados para uso dessas novas tecnologias, concebendo-as como instrumentos que devem interagir com os projetos pedagógicos a desenvolver com os alunos. 
Todavia, é importante reconhecer que, apesar da assumida necessidade de incluir todas as novas tecnologias no processo educativo, uma boa escola continua a ser o que sempre foi: um espaço em que aprendentes e educadores se encontram, num ambiente que estimula a autoestima e o desenvolvimento pessoal e que oferece janelas de oportunidade para o sucesso num mundo que gira em contraciclo, ao promover o egoísmo, o individualismo e a concorrência desregrada. É que não há nenhuma solução tecnológica que seja capaz de induzir o milagre de transformar um espaço pobre em relações humanas num lugar interessante e adequado para gerar a construção de um cidadão com sólidos valores morais e com uma ética de respeito para com os princípios da democracia e do humanismo. Vivemos num novo milénio que pretende reconfigurar a sociedade, atribuindo-lhe um novo formato centrado em novas formas de receber e transmitir a informação, o que implica uma busca interminável do conhecimento disponível. Para alcançar tal objetivo, imputa-se à escola mais uma responsabilidade: a de contribuir significativamente para que se atinja o que se convencionou designar por analfabetismo digital zero. Para tal, a educação para a utilização das TIC precisa de ser planeada desde o jardim de infância. Sem preconceitos ou desnecessárias coações, sem substituir atabalhoadamente o analógico pelo digital, mas sim reforçando a capacidade cognitiva dos alunos e guiando a descoberta de novos horizontes. Este novo movimento de rutura não deve representar a eliminação ou a fictícia substituição dos meios de comunicação de massa tradicionais. O que há de novo é a necessidade de fazer convergir todos esses meios num processo integral de formação do indivíduo, capacitando-o para descodificar as mensagens que lhe saltam em cada canto e cada esquina da sociedade do conhecimento. Esse movimento deve ser capaz de preparar os jovens para serem leitores críticos e escritores aptos a desenvolver essas competências em qualquer dos meios suportados pelas diferentes tecnologias. Hoje, não basta que o aluno só aprenda a ler e escrever textos na linguagem verbal. É necessário que ele aprenda a "ler" e a "escrever" noutros meios, como o são a rádio, a televisão, os programas de multimédia, os programas de computador, as páginas da Internet e, até, o telemóvel... Por tudo isso, as novas tecnologias da informação e comunicação devem obrigar à alteração dos currículos escolares e a modificação da formação e atuação do professor, que se deve sentir obrigado a atualizar-se em relação às TIC, de forma a acompanhar a dinâmica de obtenção de informação e de transformação desta em conhecimento. Nesse processo, a educação à distância assume-se como um indispensável complemento do ensino presencial, enquanto modelo de comunicação educativa que permite superar distâncias e ampliar o acesso ao conhecimento. Os jovens foram os primeiros a descobrir que as novas tecnologias da informação e da comunicação implicam inúmeras possibilidades de aprender. Para eles há muito que elas deixaram de ter um estatuto de menoridade e de simples auxiliar da apreensão do conhecimento. Os estudantes olham-nas como outras formas de aprender que implicam a mudança dos modos de comunicação e dos modos de interação nos grupos de pares. Importa, pois, ter consciência que este novo mundo facilita o trabalho docente, mas também acrescenta angústia e complica a vida do professor. Este, para além de necessitar possuir um conhecimento específico da área científica que leciona, deverá também ser capaz de identificar nas tecnologias digitais as múltiplas linguagens favorecedoras da apreensão da realidade. Não é fácil, mas é esta a contribuição que as novas tecnologias podem oferecer para a consolidação de um mundo mais solidário, desde que a sociedade o queira integrar de uma forma crítica e eticamente incontestável.
João Ruivo 
In: Educare