Mostrar mensagens com a etiqueta TIC e alunos com NEE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TIC e alunos com NEE. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Mais ecrã, melhor raciocínio? Estudo de oito anos desafia dogma digital na adolescência

Investigadores finlandeses acompanharam, ao longo de oito anos, centenas de jovens dos 8 aos 16 anos e concluíram que o tempo passado em frente aos ecrãs está associado a um melhor processamento cognitivo, foi divulgado esta segunda-feira, 17 de agosto, no site da revista Science Daily . O segredo, garantem, não está nas horas gastas, mas naquilo que se faz com elas.

Numa altura em que o discurso público e as diretrizes de saúde tendem a encarar os dispositivos digitais como os principais vilões do desenvolvimento infantil, o estudo da Universidade de Jyväskylä e da Universidade da Finlândia Oriental, acaba de introduzir uma nuance científica de peso.

Ao acompanhar 260 crianças (124 raparigas e 136 rapazes) desde o início da escolaridade até à adolescência (cerca dos 15,8 anos), a equipa de investigadores descobriu que os jovens que acumularam maior tempo de ecrã desde a infância demonstraram, em média, um melhor processamento cognitivo na adolescência.

Os resultados, integrados no consagrado estudo longitudinal PANIC (Physical Activity and Nutrition in Children) e publicados na revista científica Pediatric Exercise Science, contrariam a ideia generalizada de que o consumo de tecnologia é inerentemente prejudicial ao cérebro em crescimento.

A qualidade da atividade supera a quantidade de horas

Para avaliar o impacto real dos hábitos digitais e motores, os investigadores cruzaram questionários detalhados com sensores combinados de frequência cardíaca e movimento, medindo o desempenho mental através da bateria de testes neuropsicológicos CogState (que avalia parâmetros como atenção, memória de trabalho e capacidade de aprendizagem).

A explicação para a vantagem cognitiva observada reside no tipo de envolvimento que os ecrãs proporcionam. Quando os dispositivos são utilizados para pesquisa, jogos estratégicos, criação de conteúdos, resolução de problemas ou comunicação ativa, o cérebro é desafiado e estimulado de forma contínua.

"Os resultados sugerem que o tempo de ecrã pode apoiar o processamento cognitivo de crianças e adolescentes. Presumivelmente, o ponto essencial prende-se com o tipo de atividades que realizam durante esse tempo. Pais e professores devem incentivar o uso de dispositivos de formas que promovam o pensamento ativo, a resolução de problemas, a criatividade e a aprendizagem", sublinha Petri Jalanko, investigador doutorando na Universidade de Jyväskylä e autor principal do estudo.

Jalanko sintetiza a mensagem central: o objetivo não deve ser a demonização ou a restrição cega, mas sim a procura de um equilíbrio saudável entre o movimento físico e o uso digital estimulante.

O enigma do exercício físico: raparigas e rapazes respondem de forma diferente

O estudo debruçou-se igualmente sobre os efeitos da atividade física e do sedentarismo, revelando padrões surpreendentes e diferenciados consoante o género. No caso das raparigas, uma maior acumulação de atividade física de intensidade ligeira desde a infância revelou-se benéfica para a memória de trabalho na adolescência. Já entre os rapazes, foi a prática regular de atividade física orientada e supervisionada – como modalidades desportivas com treinador – que demonstrou uma associação positiva com essa mesma capacidade cognitiva.

Por outro lado, a análise ao exercício físico não-supervisionado revelou um padrão inesperado: níveis mais baixos de exercício livre autorreportado surgiram associados a um melhor processamento cognitivo.

Curiosamente, as medições brutas de movimento e sedentarismo obtidas pelos sensores corporais não demonstraram correlação direta com a cognição. Este dado reforça a tese dos cientistas: o impacto neurológico depende do conteúdo da atividade – tanto mental, como física – e não apenas do gasto calórico ou da postura corporal.

Associação não é causalidade: o apelo ao bom senso

Apesar da relevância dos dados recolhidos ao longo de quase uma década de acompanhamento, os autores sublinham que se trata de um estudo observacional que identifica associações estatísticas, e não uma relação de causalidade direta.

Fatores paralelos – como o contexto socioeconómico, a curiosidade intelectual inata da criança ou o acompanhamento familiar – podem influenciar tanto a preferência por atividades digitais complexas, como o bom desempenho nos testes de raciocínio.

O estudo finlandês deixa, ainda assim, um contributo decisivo para o debate educativo contemporâneo: substituir o pânico moral em torno dos ecrãs por uma literacia digital exigente e ativa é o caminho mais eficaz para preparar os jovens para o futuro.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Centro de Recursos TIC para a Educação Especial apresenta Livro Multiformato

Foi apresentada pelo Centro de Recursos TIC para a Educação Especial (CRTIC) da Guarda, sediado na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, a adaptação da obra de Maria Goretti Caldeira “O Gafanhoto Arco-Íris”.

Um livro adaptado a várias modalidades de acesso à leitura, nomeadamente braille, pictogramas, letra ampliada, audiodescrição e Língua Gestual Portuguesa (LGP), com orientação e edição do CRID do Instituto Politécnico de Leiria.

A obra conta a história de Jordan, um gafanhoto muito especial que, ao longo da sua jornada, descobre importantes lições de vida com a ajuda dos seus amigos.

Este projeto pedagógico foi desenvolvido com o objetivo de responder à diversidade de perfis de aprendizagem dos alunos, integrando múltiplas formas de acesso à informação.

Trata-se de um recurso inclusivo que pretende garantir que todos os alunos, independentemente das suas necessidades, possam aceder ao conteúdo de forma equitativa e significativa. A sessão de apresentação contou com parceiros institucionais, comunidade educativa e público em geral, permitindo dar a conhecer o processo de desenvolvimento do livro, as suas potencialidades pedagógicas e o impacto esperado na promoção de práticas educativas mais inclusivas.

Fonte: O Interior por indicação de Livresco

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os ecrãs estão a desaparecer rapidamente das escolas, embora alguns alunos com deficiência dependam deles

CONCORD, Califórnia — Soraya Martin, aluna do 9.º ano, é uma adolescente alegre e sociável que descobriu recentemente uma nova paixão.

«Sou uma escritora muito criativa, adoro escrever histórias por diversão», afirma.

As histórias surgem naturalmente para Soraya, mas a leitura e a escrita não. Isso deve-se ao facto de ela ter dislexia. «A nível académico, a escola sempre foi um grande desafio para mim.»

Então, no último ano letivo, ela começou a usar uma tecnologia que lhe permite fazer várias coisas: ditar os seus textos em vez de os escrever, ouvir livros em vez de os ler numa página e tirar fotos das notas no quadro.

Isso mudou tudo. Em vez de se preocupar se uma palavra está escrita corretamente, Soraya descobriu que, com a função de conversão de voz em texto integrada no seu portátil escolar, pode simplesmente deixar as palavras fluírem da sua mente para a boca.

«Comecei a ter notas realmente boas», diz ela. «Fez-me sentir que… não sou burra, tenho tanto para dizer e isso fez-me pensar: “Eu consigo fazer isto, consigo ir à escola e consigo ser boa nisso.”»

Isto, diz a sua mãe, Heather Martin, é o tipo de promessa que os ecrãs representam para alunos como a sua filha — alunos que ela teme que estejam a ser esquecidos na reação nacional contra os ecrãs nas escolas. Os ecrãs são cada vez mais culpados por atrapalharem a aprendizagem dos alunos: mais de 30 estados proibiram os telemóveis nas escolas. Alguns estados foram mais longe com propostas ou políticas para remover totalmente ecrãs como computadores portáteis e tablets das salas de aula. No final de maio, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA emitiu um aviso do cirurgião-geral sobre os «malefícios do uso de ecrãs», citando os seus efeitos na saúde das crianças e nos resultados escolares.

Grande parte da tendência de afastar as crianças dos ecrãs nas escolas tem vindo dos pais, que receiam que a utilização dos ecrãs esteja a prejudicar a aprendizagem dos seus filhos — um argumento que Heather Martin ouve na sua própria comunidade em Concord, a cerca de 50 km a nordeste de São Francisco. Ela partilha algumas dessas preocupações, mas afirma: «Em nenhuma altura, durante a conversa, se falou sobre crianças com deficiência, a não ser quando eu abordei o assunto com os outros pais.»

Os defensores desta causa receiam que esses alunos também estejam a ser excluídos do debate nacional.

As propostas de políticas relativas ao tempo de ecrã são frequentemente «um instrumento pouco preciso»

Os alunos com deficiência representam uma percentagem em rápido crescimento do total de alunos neste país — são mais de 8 milhões. Muitos dependem de tecnologias de apoio para superar o dia letivo, incluindo para tomar notas, ler e escrever. Por exemplo, os alunos cegos e com baixa visão podem utilizar software de leitura de ecrã ou de ampliação para ler. Outros, como a Soraya, utilizam conversão de voz em texto e audiolivros.

Estados como o Alabama, o Tennessee e o Utah já têm leis que limitam o uso de ecrãs, com entrada em vigor já em julho.

«A minha preocupação é que esse é um prazo muito curto para que isto aconteça», afirma Lindsay Jones, diretora executiva do Center for Applied Special Technology (CAST), uma organização sem fins lucrativos de investigação em educação que se dedica a tornar os ambientes de aprendizagem acessíveis.

Jones salienta que algumas destas leis preveem exceções às restrições relativas aos ecrãs para alunos com deficiência — muitas vezes, uma linha no texto menciona a tecnologia de apoio. Mas ela afirma que isso deve ser o mínimo indispensável e receia que muitas propostas políticas sejam «um instrumento muito pouco preciso».

«A ação foi tão rápida que, neste verão, deixámos os nossos educadores e as nossas comunidades de pessoas com deficiência a tentar perceber o que se passa», afirma ela. Talvez com mais tempo e com a contribuição das pessoas com deficiência, as políticas protegessem melhor os seus direitos, acrescenta Jones.

Para além das preocupações com as proibições de telemóveis e ecrãs a nível estadual e escolar, os defensores das pessoas com deficiência salientam que o reduzido Departamento de Educação dos EUA está muito menos equipado para fazer valer os direitos civis. Esses direitos incluem o acesso a tecnologia de apoio para alunos com deficiência. A administração Trump também adiou recentemente uma regra de acessibilidade digital há muito esperada para instituições públicas, incluindo escolas.

«Para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade»

No liceu da Soraya, no norte da Califórnia, o último ano letivo foi o primeiro em que os telemóveis dos alunos ficaram guardados em bolsas durante todo o dia letivo — tal como acontece em muitas escolas por todo o país. Heather Martin receia que a proibição dos telemóveis possa abrir caminho para uma proibição mais abrangente dos ecrãs na escola da sua filha.

«Um ambiente completamente livre de ecrãs parece que é deitar fora o bebé com a água do banho», diz ela. «Não se trata de comparar “sem ecrãs” com “sem acessibilidade”. E, para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade.»

Enquanto fala sobre a mudança na sua escola, Soraya fica tensa. «Odeio-as», diz ela sobre as bolsas trancadas. Ela diz que o seu telemóvel não é apenas uma distração, é uma rede de segurança para ligar aos pais se tiver um ataque de pânico, por exemplo. E sente-se destacada quando tem de pedir para tirar o telemóvel da bolsa trancada para tomar notas.

O programa educativo individualizado (PEI) de Soraya, um documento legal que descreve as adaptações e modificações que ela deve receber na escola, diz que ela pode usar o telemóvel para tomar notas, juntamente com outras tecnologias de apoio. Mas como a proibição dos telemóveis é recente, os seus professores ainda estão a adaptar-se. Como tem várias aulas e professores diferentes ao longo do dia, ela diz que é fácil que alguns professores não estejam familiarizados com as suas adaptações.

Este é o tipo de «consequência indesejada» que preocupa Jones ao pensar num futuro próximo em que mais escolas se afastem da tecnologia que, segundo ela, tem sido revolucionária para as pessoas com deficiência. Quando a tecnologia é utilizada de forma intencional, afirma ela, pode «na verdade permitir-nos criar ambientes muito mais flexíveis, e esses são realmente necessários para as pessoas com deficiência».

A organização de Jones, a CAST, criou um quadro educativo chamado «Universal Design for Learning» (Desenho Universal para a Aprendizagem), que incentiva os educadores a conceberem as suas salas de aula de forma a ter em conta as diferentes formas como os alunos aprendem. Por exemplo, um professor pode dar uma aula de matemática utilizando blocos, um diagrama e um vídeo para ajudar a transmitir a mesma lição a alunos com diferentes necessidades. Ou talvez a leitura em sala de aula seja disponibilizada como um livro eletrónico, para que os alunos com baixa visão possam ampliar o texto, enquanto aqueles com dislexia podem ouvir.

À medida que as restrições de ecrã se espalham pelas escolas do país, Jones espera que as pessoas com deficiência não sejam esquecidas. «Precisamos de educadores, precisamos de pessoas com deficiência, precisamos de fornecedores de tecnologia de apoio», para dar a sua opinião sobre como essas políticas são implementadas na sala de aula, diz Jones. «Essa será a melhor forma de avançar para que todos alcancem os seus objetivos sem atropelar os direitos das pessoas.»

Para Soraya, o uso deste tipo de ferramentas levou-a a aceitar as suas diferenças de aprendizagem. Na verdade, acabou de concluir uma investigação e de escrever uma série de ensaios que exploram a forma como as pessoas com dislexia aprendem. Pela primeira vez na vida, tem só notas máximas, mas, mais importante ainda, diz que consegue expressar-se de uma forma mais profunda e significativa.

«Tenho muito mais para dizer… Isso fez-me sentir mais confiante em mim mesma.»

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: kpbs por indicação de Livresco

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Inteligência Artificial em Contexto Educativo

O Conselho Nacional de Educação publicou a Recomendação n.º 4/2026, de 21 de maio, sobre a integração da Inteligência Artificial no sistema educativo português.
A recomendação pode ser acedida aqui ou aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Socra funciona como um professor para transformar conversas com IA em sessões de estudo

A IA pode ajudar nos estudos e hoje, além de chatbots como o ChatGPT, Gemini ou Claude, que já têm opções criadas especificamente para estudantes, existem várias ferramentas e plataformas concebidas para orientar o processo de aprendizagem. A Socra faz parte deste universo e propõe uma abordagem baseada no método socrático.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Em vez de ser um “motor de respostas”, a plataforma foi concebida para funcionar como uma espécie de companheiro de pensamento, ajudando os utilizadores a raciocinar, explicar e a desenvolverem novos conhecimentos por si próprios.

Na prática, ao introduzir um tema, dúvida ou problema, a plataforma começa por definir um objetivo claro para a conversa e passa a fazer perguntas que exigem explicações com palavras próprias.

A plataforma organiza-se em torno de duas ferramentas: a Socra AI Tutor, que se foca na aprendizagem, estudo e compreensão de temas complexos; e a SocraDraft, mais orientada para a escrita e organização de ideias.

Na primeira, o objetivo é funcionar como uma sessão de estudo orientada. No final, a conversa é transformada em materiais de estudo estruturados a partir do raciocínio do utilizador durante a sessão. Já na segunda, o método é aplicado à escrita para ajudar a clarificar, organizar e estruturar ideias.

Além de estudantes em preparação para exames ou a estudar temas complexos, a plataforma também pode ser útil para professores, investigadores, escritores ou criadores de conteúdo, afirmam os criadores da plataforma.

A Socra conta com um modo gratuito, bem como modalidades pagas que dão acesso a mais funcionalidades, com preços que começam nos 6 dólares por mês. A plataforma também está disponível como app para Android, a partir da Play Store, e para iOS, através da App Store.

Fonte: Tek Sapo por indicação de Livresco

quinta-feira, 12 de março de 2026

"Ignorar não é opção": Guia ajuda educadores a combater desinformação digital

A plataforma de literacia mediática "Educar no Digital" lançou um guia prático sobre desinformação, defendendo a importância de abordar o tema com crianças e jovens e alertando que ignorá-lo não é opção.

Contactada pela Lusa, a mentora da plataforma de literacia digital "Educar no Digital", Sofia Macedo, considerou que ignorar o problema não é uma opção, uma vez que os mais novos não só consomem informação online como também a partilham nas redes sociais.

"A desinformação faz, hoje, parte do ambiente digital em que vivemos. Ignorá-la não é uma opção. Falar sobre este tema com crianças e jovens é essencial", afirmou.

Segundo Sofia Macedo, distinguir conteúdos verdadeiros de informação manipulada já representa um desafio para adultos e torna-se ainda mais difícil para crianças e adolescentes, que estão numa fase de desenvolvimento do pensamento crítico.

Por isso, defendeu que é fundamental alertar os mais novos para o fenómeno e dar-lhes ferramentas que os ajudem a "navegar pela informação de forma mais consciente e crítica".

Neste sentido, o guia pretende apoiar pais e educadores a compreender melhor a forma como a informação circula nas redes sociais e a promover o diálogo com crianças e jovens sobre o tema.

Compreender "sim", ignorar "não"

Nas plataformas digitais, explicou a responsável, a informação surge frequentemente misturada com entretenimento, opiniões ou publicidade, o que dificulta a identificação do que é efetivamente informação.

Além disso, os algoritmos tendem a reforçar conteúdos semelhantes aos que os utilizadores já consomem, criando "bolhas informativas que acabam por amplificar ideias e visões mais extremadas", afirmou.

Desta forma, a responsável considerou que pais e professores devem procurar compreender o universo digital em que os jovens se movimentam. "É perfeitamente legítimo que um pai ou professor não tenha interesse em ter um perfil nas redes sociais, partilhar imagens no Instagram ou fazer danças no TikTok. Porém, a partir do momento em que os mais novos vivem esses universos, não os podemos ignorar", disse.

Sofia Macedo alertou também para a importância de não desvalorizar a relevância que as redes sociais têm na vida dos jovens. "Quando os adultos ridicularizam ou ignoram isso, perdem uma oportunidade importante de diálogo", referiu.

Estratégias

Entre as estratégias sugeridas está o estímulo ao pensamento crítico através de perguntas simples, como quem publicou determinada informação, com que intenção ou quem pode beneficiar com a sua divulgação.

O guia apontou ainda outras medidas, como o uso de controlos parentais, o adiamento da criação de contas nas redes sociais ou a definição de regras de bem-estar digital em casa.

A responsável alertou igualmente para o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) na criação de conteúdos manipulados. "A IA torna mais fácil criar conteúdos manipulados, como vídeos, imagens ou vozes falsas, que podem parecer extremamente credíveis", afirmou.

Segundo Sofia Macedo, ferramentas que antes exigiam conhecimentos técnicos estão agora acessíveis a qualquer pessoa, o que aumentou a capacidade de produzir e disseminar desinformação em larga escala.

Tecnologias como os chamados "deepfakes" (conteúdo manipulado) podem também ter impactos significativos na forma como as pessoas interpretam acontecimentos, acrescentou.

Assim, o objetivo do guia "Desinformação - Guia Prático para Pais e Professores" é contribuir para um maior diálogo entre famílias, educadores e jovens sobre o fenómeno da desinformação.

Fonte: JN por indicação de Livresco

quinta-feira, 5 de março de 2026

Novas orientações em matéria de educação digital

A Comissão Europeia publicou quatro conjuntos de orientações para ajudar os professores do ensino primário e secundário e os dirigentes escolares a navegar no panorama digital. Estas orientações ajudam as escolas a combater a desinformação, a promover a utilização ética da inteligência artificial, a apoiar o ensino da informática e a melhorar a qualidade dos conteúdos digitais.

Descubra as diretrizes que incluem cenários de sala de aula, recursos práticos, perguntas de discussão e listas de verificação.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

“Sem literacia digital sólida, o risco não é apenas técnico, mas social”

À medida que as crianças crescem rodeadas por ecrãs e aplicações, a linha entre diversão e risco digital torna-se cada vez mais ténue. Teresa Zagallo, Diretora de Cibersegurança da KPMG Portugal, acredita que o verdadeiro desafio não é ensinar a usar tecnologia, mas sim ensinar a viver com ela.

Em entrevista à Executive Digest, Teresa Zagallo analisa a importância da literacia digital, o papel das empresas tecnológicas, o crescimento da Inteligência Artificial e detalha como o Cyber Day da KPMG procura capacitar crianças, jovens e professores para navegar com segurança no mundo digital.

Estamos a educar crianças para usar tecnologia ou para viver com tecnologia? Qual é a diferença?

Durante muitos anos, o foco esteve sobretudo em ensinar as crianças a usar tecnologia, ferramentas, dispositivos e aplicações. Hoje, esse paradigma é insuficiente. Vivemos num contexto em que a tecnologia está integrada em quase todas as dimensões da nossa vida, pelo que o verdadeiro desafio é educá-las para viver com a tecnologia. A diferença entre estes paradigmas está na intenção, uma vez que usar tecnologia é algo meramente operacional, e viver com tecnologia implica desenvolver pensamento crítico, consciência dos riscos, responsabilidade digital, empatia e capacidade de decisão informada. É esta segunda abordagem que visa preparar crianças e jovens para um mundo digital complexo e em constante mudança.

A rapidez da evolução tecnológica está a criar uma geração mais informada ou apenas mais exposta?

A tecnologia tem o potencial de criar uma geração mais informada, mas sem literacia digital adequada, está sobretudo a criar uma geração mais exposta. O acesso à informação não equivale à sua compreensão, nem à capacidade de distinguir conteúdos fidedignos de desinformação. As crianças e jovens estão hoje mais vulneráveis a riscos como fraude, cyberbullying, exposição excessiva, manipulação de informação e dependência digital, precisamente porque a velocidade da inovação não tem sido acompanhada por uma educação proporcional em segurança e responsabilidade digital.

A literacia digital deveria ser tratada como disciplina autónoma nas escolas?

Idealmente, a literacia digital deveria ser encarada como uma competência transversal, integrada ao longo de todo o percurso escolar. Embora estes conteúdos já estejam hoje presentes no currículo de várias disciplinas e anos de escolaridade, acabam muitas vezes por ser abordados de forma pontual, sem estrutura, pouco aprofundada e sem uma visão verdadeiramente integrada.

Dada a complexidade e a relevância crescente do mundo digital, faz sentido que exista tempo e espaço dedicados a estes temas, garantindo consistência, continuidade e adequação às diferentes idades. Mais do que criar uma disciplina isolada, é essencial assegurar que a literacia digital – incluindo a cibersegurança, a ética digital, o pensamento crítico, a privacidade e a cidadania digital – seja trabalhada de forma estruturada, progressiva e transversal em todo o percurso educativo.

Até que ponto as empresas tecnológicas têm responsabilidade direta na educação digital das crianças?

As empresas tecnológicas têm uma responsabilidade clara e crescente. Não apenas no desenho de produtos mais seguros e transparentes, mas também no apoio ativo à educação digital das comunidades onde operam. Essa responsabilidade não substitui a da escola ou da família, mas deve ser complementar, através de iniciativas de sensibilização, conteúdos educativos acessíveis e colaboração com entidades públicas e privadas para promover ambientes digitais mais seguros.

A inteligência artificial nas mãos de jovens é mais uma oportunidade ou um risco mal compreendido?

A inteligência artificial é, acima de tudo, uma oportunidade, mas que pode tornar-se um risco quando é usada sem enquadramento, espírito crítico ou compreensão dos seus limites. Para os jovens, a IA pode potenciar a criatividade, a aprendizagem e a inclusão. No entanto, sem literacia adequada, existe o risco de dependência, perda de pensamento crítico, uso acrítico da informação e violação de privacidade. O foco deve estar em ensinar como usar IA de forma ética, responsável e consciente.

As profissões do futuro exigirão mais competências técnicas ou mais pensamento crítico e ética digital?

As profissões do futuro exigirão ambos, mas o pensamento crítico, a ética digital e a capacidade de adaptação serão diferenciadores essenciais. As competências técnicas evoluem rapidamente; a capacidade de questionar, interpretar, tomar decisões informadas e agir de forma ética é o que permitirá acompanhar essa evolução. Formar jovens apenas em tecnologia, sem valores e consciência digital, é insuficiente para responder aos desafios futuros.

Em que consiste o Cyber Day da KPMG?

A iniciativa KPMG Global Cyber Day é um programa anual concebido para apoiar as comunidades, educando os jovens sobre a importância da cibersegurança e dos riscos na internet. Inclui apresentações presenciais adaptadas a diferentes faixas etárias, abordando temas como o uso das redes sociais, proteção da identidade online, cyberbullying, jogos online e ciberameaças. O programa foi desenvolvido para crianças e jovens dos 6 aos 16 anos, bem como para professores e pais, reconhecendo o papel fundamental que todos desempenham na educação digital.

Que lacunas mais urgentes em literacia digital identificam hoje nas crianças e jovens portugueses?

Destacam-se lacunas ao nível da proteção da identidade digital, privacidade, reconhecimento de riscos online, pensamento crítico sobre conteúdos e comportamento responsável nas redes sociais. Existe também uma perceção limitada das consequências reais das ações no mundo digital, bem como uma normalização de práticas inseguras que exigem intervenção precoce e contínua.

Que metas concretas gostariam de atingir em termos de impacto real nas escolas?

As metas que definimos vão além de números ou quotas anuais. O foco está no impacto real e sustentável nas comunidades escolares. Esta iniciativa enquadra-se no compromisso global da KPMG 10by30, cujo objetivo é contribuir para a capacitação económica de 10 milhões de jovens desfavorecidos até 2030.

No âmbito do Cyber Day, o contributo passa por capacitar crianças e jovens do ponto de vista do risco digital, dotando-os de conhecimento e ferramentas que lhes permitam navegar no mundo digital de forma mais segura, informada e responsável. Mais do que definir metas quantitativas, o nosso compromisso é chegar progressivamente a mais escolas, crianças e jovens, como temos vindo a fazer ao longo dos últimos anos, assegurando que este conhecimento essencial é acessível a todos. Paralelamente, procuramos envolver professores e pais, de forma a prolongar estas conversas para além da sala de aula e reforçar a mudança de comportamentos no dia a dia.

O que mais a preocupa quando pensa no ambiente digital onde crescerão as próximas gerações?

A maior preocupação é que as próximas gerações cresçam num ambiente digital altamente sofisticado, mas sem as ferramentas e o apoio necessários para o compreender e questionar. Sem literacia digital sólida, o risco não é apenas técnico, mas social: perda de autonomia, normalização de comportamentos abusivos e dificuldade em distinguir o que é seguro, ético e verdadeiro. É por isso essencial agir hoje, de forma estruturada e colaborativa.

Fonte: Executive Digest por indicação de Livresco

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O engenheiro cego ex-Google que criou uma app gratuita para devolver a autonomia a milhares de pessoas


Existem histórias que nos fazem acreditar no poder transformador da tecnologia, e a de Jonathan Santos é, sem dúvida, uma delas. Engenheiro de software com um currículo invejável, que inclui passagens por gigantes como a Google e a Samsung, Jonathan carrega consigo uma particularidade que moldou a sua visão de mundo: é cego. Mas longe de permitir que a deficiência visual fosse uma barreira intransponível, utilizou o seu conhecimento em Inteligência Artificial para criar a Visionauta, uma aplicação gratuita que está a devolver a independência a milhares de pessoas.

O percurso de Jonathan é marcado por uma excelência académica e profissional que desafia preconceitos. Doutorado em Engenharia da Computação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Brasil, o investigador sempre focou a sua carreira no desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade. No seu interior, a motivação para criar a Visionauta não foi apenas académica; foi uma necessidade vital de quem conhece, na primeira pessoa, os desafios de atravessar uma rua, ler uma ementa num restaurante ou identificar uma nota de dinheiro num balcão de pagamento. 

Visionauta: Mais do que uma app, um assistente visual portátil

Lançada recentemente na Google Play Store, a Visionauta funciona como uma espécie de “extensão visual” para quem não pode ver ou tem baixa visão. A aplicação utiliza modelos avançados de IA para interpretar o mundo em tempo real através da câmara do smartphone. Ao contrário de outras soluções mais complexas ou pagas, Jonathan desenhou a Visionauta para ser simples, rápida e, acima de tudo, gratuita. O engenheiro descreve-a frequentemente como “a aplicação que eu próprio gostaria de ter tido”, focando-se na resolução de problemas práticos do quotidiano.

Entre as funcionalidades principais, destaca-se o leitor de textos em voz alta, capaz de interpretar desde documentos oficiais a rótulos de embalagens. A app consegue também identificar moedas como o Real, o Dólar e o Euro e possui uma lupa eletrónica com modos de alto contraste para quem ainda possui visão residual. Mas o verdadeiro “cérebro” da operação é o assistente de IA integrado, que permite ao utilizador fazer perguntas sobre o ambiente ao seu redor, recebendo descrições detalhadas de cenas, objetos e cores.


O nascimento da ideia no mundo académico

A génese da Visionauta ocorreu durante o mestrado de Jonathan em Engenharia da Computação. Sob a orientação dos professores Ismar Frango e Nizam Omar, especialistas em Pensamento Computacional e IA, o projeto ganhou corpo como uma ferramenta de inclusão. Jonathan explica que, no seu interior, a arquitetura da app foi pensada para ser leve, permitindo que corra em smartphones menos potentes, garantindo que a acessibilidade não seja um luxo, mas um direito acessível a todos.

A experiência adquirida na Google e na Samsung foi fundamental para que Jonathan conseguisse implementar algoritmos de reconhecimento de imagem de alta precisão. No entanto, o seu diferencial não é apenas o código, mas a empatia técnica. Como pessoa cega, ele entende que a latência de um segundo na resposta da IA pode ser a diferença entre a segurança e o perigo ao caminhar numa cidade movimentada. Por isso, a Visionauta foca-se na velocidade de processamento e na clareza do feedback sonoro, adaptado às necessidades reais da comunidade.

Independência e o futuro da acessibilidade digital

O impacto da Visionauta já se faz sentir a nível global. Ao oferecer uma ferramenta que identifica objetos por comando de voz e descreve cenas em tempo real, Jonathan Santos está a fornecer as chaves da autonomia a pessoas que, muitas vezes, dependiam de terceiros para as tarefas mais básicas. Para o engenheiro, o trabalho não termina com o lançamento da app; a investigação contínua em IA é o que permitirá, num futuro próximo, uma integração ainda mais profunda com dispositivos vestíveis e óculos inteligentes.

A história de Jonathan é um lembrete poderoso de que a inclusão digital não deve ser uma funcionalidade secundária no desenvolvimento de software. Pelo contrário, quando o design é feito por quem vive a exclusão, o resultado é uma inovação que beneficia toda a sociedade. A Visionauta é a prova de que a Inteligência Artificial, quando orientada por propósitos humanos e éticos, tem o potencial de ser um dos maiores niveladores sociais da história da humanidade.

Conclusão

Jonathan Santos não é apenas um engenheiro de software brilhante; é um visionário que viu na escuridão a oportunidade de iluminar o caminho de outros. Através da Visionauta, ele transformou o seu conhecimento em liberdade. Disponível na Play Store para Android, a aplicação é hoje um símbolo de resistência e de esperança para a comunidade de deficientes visuais. Em 2026, num mundo cada vez mais dominado por ecrãs, Jonathan recorda-nos que o mais importante é garantir que ninguém fique para trás, independentemente da forma como perceciona o mundo ao seu redor.

Fonte: Android Geek por indicação de Livresco

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

«A inteligência artificial nas perturbações do neurodesenvolvimento»


As perturbações do neurodesenvolvimento representam um conjunto heterogéneo de patologias que beneficiam de diagnóstico precoce, avaliação contínua e intervenção especializada. Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) tem aberto novas possibilidades para melhorar cada uma destas etapas.

Relativamente ao diagnóstico, existem vários modelos de IA baseados em machine learning que conseguem analisar grandes volumes de dados clínicos, escalas de rastreio, padrões de linguagem, voz, expressões faciais e movimentos, sendo que vários estudos recentes demonstram que algoritmos de IA podem identificar sinais precoces de perturbação do espetro do autismo (PEA) a partir de vídeos curtos.

Algumas ferramentas de processamento de linguagem natural conseguem analisar padrões de linguagem e, embora não substituam a avaliação clínica, podem servir como pré-rastreio para o diagnóstico de patologias como a perturbação do desenvolvimento da linguagem, auxiliando na priorização de casos para avaliação especializada.

Aplicações móveis e wearables com IA permitem monitorizar variáveis comportamentais e cognitivas de forma contínua, detetando alterações subtis no padrão de sono, nível de atividade ou desempenho em tarefas de jogo. Estes dados podem complementar a observação clínica, fornecer métricas objetivas e apoiar decisões sobre ajustes terapêuticos.

A IA pode ajudar na adaptação de planos terapêuticos, sugerindo atividades de terapia da fala, terapia ocupacional ou terapia cognitivo-comportamental com base em dados do progresso da criança. Plataformas educativas com algoritmos adaptativos ajustam a dificuldade das tarefas conforme a resposta, promovendo o envolvimento e uma maior motivação da criança.

Por outro lado, chatbots e assistentes virtuais podem fornecer informação validada e adaptada ao nível de literacia da família, apoiar na gestão de rotinas e medicação e facilitar a comunicação entre pais, terapeutas e professores. Na Consulta de Neurodesenvolvimento a IA pode ainda ter um papel fundamental na integração de vários dados clínicos e na redução da burocracia associada à Consulta.

Contudo, apesar de todo este potencial, o uso da IA nas perturbações do neurodesenvolvimento levanta questões importantes, como a validação científica (muitos algoritmos foram treinados com amostras limitadas, não necessariamente representativas da nossa população), assim como é crucial garantir conformidade com normas como o RGPD, sendo fundamental a privacidade e segurança dos dados das “nossas crianças”. Existe ainda o risco de sobredependência tecnológica: a IA deve apoiar e não substituir o nosso juízo clínico.

A IA constitui, portanto, uma ferramenta promissora para otimizar o rastreio, a monitorização e a personalização do cuidado em crianças com perturbações do neurodesenvolvimento.

A integração bem-sucedida dependerá da sua validação robusta, da adequada formação dos profissionais e de um enquadramento ético claro. Para os pediatras do Neurodesenvolvimento é importante conhecer estas ferramentas, criticar ativamente a sua utilidade e saber incorporá-las de forma segura na sua prática clínica, mantendo o foco no cuidado centrado na criança/adolescente e na família.

Daniel Gonçalves

Pediatra do Neurodesenvolvimento, ULS de São João

Fonte: Just News por indicação de Livresco

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Como a Finlândia está a preparar as crianças para um mundo dominado pela IA

A desinformação já não é apenas um problema dos adultos. Com imagens, vídeos e notícias falsas geradas por Inteligência Artificial (IA) a circularem cada vez mais depressa, a Finlândia decidiu agir cedo. Muito cedo. De que forma o país está a preparar as crianças para um mundo dominado pela tecnologia?

Na Finlândia, desde o pré-escolar, as crianças aprendem a questionar o que veem e a distinguir factos de ficção.

Numa estratégia educativa que coloca o país na linha da frente do combate aos deepfakes e às fake news, os mais novos irão aprender, também, a reconhecer conteúdos criados por IA.

Em maio de 2025, circulou pela Internet uma fotografia, criada por IA, com Donald Trump na figura de Papa.

Literacia mediática: "de pequenino se torce o pepino"

Durante décadas, a Finlândia tem sido uma referência no ensino da literacia mediática. Agora, com a proliferação de deepfakes e conteúdos gerados por IA, o país nórdico passou a incluir a literacia em IA nos programas escolares, desde idades tão precoces quanto os três anos.

Na perspetiva do país, o combate à desinformação deverá começar logo no pré-escolar. Por isso, desde há vários anos que os seguintes tópicos são incluídos no currículo escolar:
  • Analisar conteúdos mediáticos;
  • Identificar fontes credíveis;
  • Reconhecer notícias falsas.
O objetivo é claro: formar cidadãos mais críticos, resilientes à propaganda e menos vulneráveis à manipulação da informação.


Desinformação como ameaça à democracia

Este esforço ganhou ainda mais relevância após o aumento das campanhas de desinformação na Europa, intensificadas depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.

A adesão da Finlândia à NATO, em 2023, elevou ainda mais o nível de alerta, apesar de Moscovo negar interferências externas, conforme recordado.

Segundo Kiia Hakkala, especialista pedagógica da cidade de Helsínquia, a literacia mediática é, hoje, uma competência cívica essencial. Além da educação, está diretamente ligada à segurança nacional e à proteção da democracia.


Com a IA, distinguir factos de ficção tem de ser uma competência básica

Numa escola primária em Tapanila, nos arredores de Helsínquia, alunos do quarto ano já aprendem a distinguir factos de ficção. Entre manchetes, imagens e vídeos, os estudantes são incentivados a questionar, analisar e desconfiar.

De acordo com o professor Ville Vanhanen, os alunos já lidam com conceitos de desinformação há vários anos. Agora, contudo, o foco está em identificar sinais visuais e contextuais que possam indicar conteúdos gerados por IA, como imagens artificiais ou vídeos manipulados.


Newspaper Week

Neste cenário de literacia, os meios de comunicação social assumem, também, um papel ativo. Todos os anos é promovida a iniciativa Newspaper Week, que leva jornais e conteúdos noticiosos às escolas.

Em 2024, o diário Helsingin Sanomat lançou o ABC Book of Media Literacy, distribuído a todos os jovens de 15 anos que iniciam o ensino secundário.

Para Jussi Pullinen, editor executivo do jornal, é crucial que os media sejam vistos como fontes de informação verificadas, transparentes e fiáveis, especialmente num contexto de crescente desinformação online.

De facto, a literacia mediática faz parte do sistema educativo finlandês desde a década de 1990 e estende-se, também, aos adultos, com cursos específicos para grupos mais vulneráveis.

Por via destas estratégias, a Finlândia lidera consistentemente o European Media Literacy Index, elaborado entre 2017 e 2023.


O desafio da IA no mundo da informação

O ministro da Educação da Finlândia, Anders Adlercreutz, reconhece que poucos anteciparam um cenário tão complexo. A democracia e as instituições estão cada vez mais expostas a ataques de informação, muitas vezes difíceis de detetar.

Com a rápida evolução das ferramentas de IA, especialistas alertam que distinguir o que é real do que é falso vai tornar se cada vez mais desafiante.

Embora atualmente muitos conteúdos artificiais ainda apresentem falhas visíveis, esse cenário poderá mudar rapidamente.

Como refere Martha Turnbull, do European Centre of Excellence for Countering Hybrid Threats, o verdadeiro desafio surgirá quando a tecnologia atingir um nível de sofisticação muito superior.

Por isso, preparar as novas gerações para esse futuro é, para a Finlândia, uma prioridade absoluta.

Fonte: pplware por indicação de Livresco

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Exposição precoce a ecrãs ligada a alterações cerebrais na adolescência


As crianças expostas a níveis elevados de tempo de ecrã antes dos dois anos de idade apresentaram alterações no desenvolvimento cerebral que foram associadas a uma tomada de decisão mais lenta e a um aumento da ansiedade na adolescência.

Um estudo que acompanha crianças há mais de uma década indica também que a leitura partilhada entre pais e filhos pode contrariar estes efeitos, de acordo com uma publicação na eBioMedicine citada na terça-feira pela agência Efe.

Investigadores do Instituto para o Desenvolvimento Humano e Potencial (A*STAR IHDP) da Universidade Nacional de Singapura utilizaram a imagiologia cerebral em múltiplos momentos para mapear uma possível via biológica desde a exposição a ecrãs na infância até à saúde mental na adolescência.

Este é o primeiro artigo a incorporar medições que abrangem um período tão longo, "destacando as consequências duradouras do tempo de ecrã na infância", destacou a Universidade de Singapura em comunicado.

A infância é um período de rápido desenvolvimento cerebral e de particular sensibilidade às influências ambientais.

Além disso, a quantidade e o tipo de tempo passado em frente aos ecrãs dependem muito da consciencialização e das práticas dos pais e dos encarregados de educação, o que realça a importância da orientação e intervenção precoces.

Os investigadores acompanharam 168 crianças, realizando exames de imagem cerebral aos 4, 5, 6 e 7,5 anos de idade.

Isto permitiu rastrear o desenvolvimento das redes cerebrais ao longo do tempo, em vez de se basear numa única avaliação.

As crianças com maior tempo de ecrã durante a infância apresentaram uma maturação acelerada das redes cerebrais responsáveis pelo processamento visual e pelo controlo cognitivo, o que pode ser atribuído à intensa estimulação sensorial proporcionada pelos ecrãs.

A equipa observou que o tempo de ecrã medido aos três e quatro anos de idade não apresentou os mesmos efeitos, sublinhando o porquê de a infância ser um período particularmente sensível.

"A maturação acelerada ocorre quando certas redes cerebrais se desenvolvem muito rapidamente, geralmente em resposta a adversidades ou outros estímulos", salientou o investigador Huang Pei, um dos autores do estudo.

Durante o desenvolvimento normal, as redes cerebrais especializam-se gradualmente ao longo do tempo, mas nas crianças com elevada exposição a ecrãs, as redes que controlam a visão e a cognição especializaram-se mais rapidamente, antes de desenvolverem as ligações eficientes necessárias para o pensamento complexo.

Isto pode limitar a flexibilidade e a resiliência, tornando a criança menos capaz de se adaptar mais tarde na vida, acrescentou a universidade.

As crianças com estas redes cerebrais alteradas demoraram mais tempo a tomar decisões durante uma tarefa cognitiva aos 8,5 anos de idade, sugerindo uma redução da eficiência ou flexibilidade cognitiva.

As que demoraram mais tempo a tomar decisões também apresentaram níveis mais elevados de sintomas de ansiedade aos 13 anos.

As descobertas sugerem que a exposição a ecrãs na infância pode ter efeitos que se estendem muito para além da primeira infância, moldando o desenvolvimento cerebral e o comportamento anos mais tarde.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

As crianças precisam de competências sociais na era da IA, mas o que isso significa para as escolas?

Nos últimos cinquenta anos, os empregos que proporcionavam os maiores rendimentos concentraram-se cada vez mais no trabalho intelectual, especialmente nas áreas da ciência e da tecnologia.

Agora, com a disseminação da inteligência artificial generativa, isso pode deixar de ser verdade. Os empregadores estão a começar a manifestar a sua intenção de substituir certos empregos de colarinho branco por IA. Isto levanta questões sobre se a economia precisará de tantos trabalhadores criativos e analíticos, como programadores informáticos, ou se apoiará tantos empregos de nível básico na economia do conhecimento.

Essa mudança é importante não apenas para os trabalhadores, mas também para os professores do ensino fundamental e médio, que estão acostumados a preparar os alunos para o trabalho de colarinho branco. As famílias também estão preocupadas com as habilidades que seus filhos precisarão em uma economia impregnada de IA generativa.

Como professor de política educacional que estudou o efeito da IA nos empregos e ex-professor do ensino básico e secundário, acho que a resposta para professores e famílias está em compreender o que a IA não pode — e talvez não venha a poder — fazer.

As ondas anteriores de automatização substituíram trabalhos rotineiros e manuais, aumentando a vantagem salarial dos trabalhos cognitivamente exigentes. Mas a IA generativa é diferente. Ela se destaca na correspondência de padrões de maneiras que lhe permitem simular a codificação, a escrita, o desenho e a análise de dados humanos, deixando os níveis mais baixos dessas profissões vulneráveis à automatização.

Por outro lado, como a sua produção imita padrões em dados existentes, a IA generativa tem mais dificuldade em lidar com tarefas de raciocínio complicadas, muito menos com problemas complexos cujas respostas dependem de muitas incógnitas. Além disso, ela não compreende como os humanos pensam e sentem.

Isso significa que as «competências sociais» – atributos que permitem às pessoas interagir bem com os outros e estar em sintonia com os seus próprios estados emocionais – tendem a estar em ascensão. Isso porque elas são essenciais para resolver problemas complexos e trabalhar com pessoas. Embora competências sociais como conscienciosidade e simpatia sejam consideradas traços de personalidade, pesquisas sugerem que elas são ferramentas emocionais que podem ser ensinadas.

Ensinar a consciência emocional

A boa notícia é que as competências sociais podem ser ensinadas em conjunto com disciplinas tradicionais, como matemática e leitura – áreas pelas quais os professores são responsáveis –, utilizando técnicas que os professores já conhecem.

Por exemplo, os professores costumam pedir aos alunos que entreguem «bilhetes de saída» ao saírem da sala de aula no final de uma aula. Trata-se de breves reflexões ou perguntas escritas sobre os conceitos que os alunos acabaram de aprender.

Os bilhetes de saída também podem ser usados para ajudar os alunos a aprimorar as suas competências emocionais e sociais, juntamente com a sua aprendizagem académica. Na prática, os professores podem dar sugestões que se concentrem em momentos de coragem intelectual, regulação emocional ou compreensão interpessoal, tais como:
  • Escreva sobre uma ocasião em que ajudou alguém hoje.
  • Conte-me sobre alguém que foi gentil consigo hoje. Como essa pessoa foi gentil?
  • Descreva uma ocasião nesta semana em que aprendeu algo que parecia muito difícil. Como conseguiu?
O objetivo da tarefa não é apenas melhorar o humor ou o envolvimento dos alunos, embora esses sejam ótimos resultados secundários. O objetivo é ajudar os alunos a perceberem que as suas respostas emocionais às circunstâncias externas estão sob o seu controlo. Uma maior consciência das suas próprias emoções prediz a capacidade das crianças de gerir a frustração, perceber e antecipar as emoções dos outros e trabalhar harmoniosamente com outras pessoas. Todas essas são habilidades vitais no local de trabalho que provavelmente se tornarão mais valiosas com o surgimento da IA generativa.

Ensinar a resolução de problemas

Os professores também podem pedir aos alunos que pratiquem a resolução de problemas complexos cujas respostas são desconhecidas. Por exemplo, à medida que os alunos do ensino básico aprendem a calcular perímetros, áreas ou volumes, podem trabalhar em grupos para encontrar as medidas de objetos na escola, incluindo itens grandes ou com formas estranhas. Os professores podem incentivar os alunos a refletir não apenas sobre a correção das suas respostas, mas também sobre como eles enquadraram e abordaram cada problema.

A resolução de problemas do mundo real, também conhecida como avaliação autêntica, pode ser ensinada em qualquer disciplina, com exemplos que incluem:
  • Testar as inclinações do solo e os níveis de humidade no terreno da escola e propor soluções de paisagismo.
  • Criar e testar campanhas de vídeo para causas sociais.
  • Reimaginar como a história poderia ter sido diferente se os líderes tivessem feito escolhas diferentes e considerar as implicações políticas para os dias de hoje.
Ensinar as crianças a desvendar a complexidade ajuda-as a compreender a diferença entre procurar respostas nos livros didáticos e testar possibilidades quando a melhor opção é desconhecida. Resolver problemas novos e complexos continuará a confundir a IA, não só porque há muitas etapas e incógnitas, mas também porque a IA carece da nossa compreensão espacial e emocional do mundo. Mesmo a longo prazo, inúmeras variáveis que os humanos compreendem instintivamente serão difíceis de intuir para os computadores.

Protegendo a aprendizagem lenta

A reclamação tecnológica que mais ouço dos professores é que os alunos estão a usar a IA generativa para fazer o trabalho por eles. Isso acontece não porque os alunos sejam enganadores ou mal-intencionados, mas porque os seres humanos são criaturas autorreguladoras. Tomamos atalhos em tarefas que parecem enfadonhas ou muito difíceis, a fim de priorizar tarefas que parecem mais gratificantes.

Mas quando os alunos estão a desenvolver novas competências, delegar o trabalho à IA é um grande erro. Ao tornar as coisas lentas rápidas, a IA prejudica a aprendizagem, porque é necessário esforço para aprender coisas difíceis.

Por esta razão, penso que os professores devem proteger a sala de aula como um local onde as competências básicas são aprendidas lentamente, juntamente com outros alunos. Para muitas aulas, isso significará voltar aos dias antes dos computadores, em que os alunos escreviam os trabalhos à mão ou apresentavam os seus trabalhos oralmente, aprendendo a antecipar e a responder a diferentes pontos de vista. Se os alunos forem autorizados a usar ferramentas digitais de automação, eles devem ser incentivados a refletir sobre como as utilizaram, o que aprenderam com elas e quais habilidades não puderam praticar — como ortografia, divisão longa ou formatação de bibliografia — quando delegaram o trabalho à ferramenta.

A competência social que domina todas as outras

A verdade é que ninguém sabe exatamente o que acontecerá aos trabalhadores numa economia baseada na IA. As pessoas discordam sobre as competências que a IA irá complementar ou substituir. Mas as competências que sustentam a tecnologia moderna, como a matemática e a leitura, provavelmente continuarão a ser importantes, assim como as competências intra e interpessoais que nos tornam distintamente humanos.

Talvez a competência mais importante que as escolas podem ensinar às crianças hoje seja a autoconsciência para priorizar a aprendizagem em vez de atalhos e para evitar delegar o trabalho às máquinas até que elas saibam como fazê-lo sozinhas. Também se tornará ainda mais importante ser capaz de trabalhar com outras pessoas para resolver problemas difíceis.

Uma sociedade habilitada pela IA não será uma sociedade em que os problemas complexos simplesmente desaparecem. Mesmo com a reordenação do mercado de trabalho, acredito que haverá muitas oportunidades para aqueles que sabem trabalhar bem com outras pessoas para enfrentar os grandes desafios que estão por vir.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: The Conversation por indicação de Livresco

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Um guia completo sobre cyberbullying para os pais

Introdução ao cyberbullying

A tecnologia digital está se tornando ubíqua em nossa sociedade. A grande maioria das pessoas agora viajam com pelo menos um dispositivo em seu bolso. Isso tem as suas vantagens, já que as pessoas podem obter acesso a informações em tempo real e também se comunicar com seus contatos sociais e com seus colegas profissionais. Também é útil para receber informações sobre as atividades do dia-a-dia, como tempos de viagem, clima, e localização geológica. E essa moda vai continuar assim enquanto novas tecnologias continuam a se desenvolver.

Segundo uma pesquisa do PEW Research Center datada de 2015, 68% dos americanos possuíam smartphones, e 45% deles possuíam tablets. Não há dúvidas de que este número deve ter crescido. 85% das mães afirmam que elas usam a tecnologia para passar o tempo de seus filhos. 86% das pessoas entre 18 e 29 anos de idade possuem smartphones. Várias crianças e adolescentes terão um smartphone e um tablet, enquanto ainda possuirão acesso a um computador em casa, na escola ou em lan houses. Os dispositivos tecnológicos vieram para ficar, e eles podem ter efeitos positivos ou negativos dependendo de como são usados.

Infelizmente, o acesso prolongado à era digital trouxe uma série de desvantagens. E uma delas foi o aumento de cyberbullying, ou bullying virtual. O acesso 24 horas às tecnologias digitais não é uma vantagem quando essa tecnologia está sendo usada para agredir ou discriminar contra uma pessoa. Isso pode se tornar uma situação horrível quando há crianças sendo agredidas a toda hora, com medo de ligar os seus dispositivos em razão do que elas podem encontrar. O papel dos pais é ficarem atentos aos perigos do acesso prolongado a esses tipos de tecnologia.

O que é cyberbullying?

Talvez seja um pouco complicado trazer uma definição técnica do que é o cyberbullying. Isso pelo fato de que o cyberbullying é geralmente um fenômeno que vai de pessoa em pessoa. O agressor pode não perceber que o que ele ou ela está fazendo é na verdade bullying virtual, e pode até imaginar que tudo não passa de uma piada. E a vítima pode simplesmente ser uma criança mais sensível do que as outras. O cyberbullying, assim como o bullying tradicional, pode ser algo difícil de se entender e de se resolver.

Algumas universidades já trouxeram uma definição simples, afirmando que o cyberbullying é simplesmente uma forma de bullying que ocorre em meios digitais. Esses meios digitais incluem primeiramente os fóruns, as mídias sociais e os serviços de bate-papo. Os agressores virtuais são geralmente pessoas anônimas e podem agredir tanto em grupos quanto individualmente.

O bullying tradicional agora foi para o mundo online, e fez com que os agressores continuassem a sua onda de terror com mais facilidade. O que é ainda mais preocupante é que a criança geralmente não terá mais como se refugiar em casa ou em nenhum outro lugar. Se ela estiver em posse de um dispositivo, não há escapatória. O que inicialmente era um fenômeno isolado agora pode ser levado a qualquer lugar, a qualquer hora, graças à tecnologia.

Atualmente nos Estados Unidos, não existem leis que previnem o cyberbullying. Não há remédio a nível federal, embora vários estados tenham incrementado as leis de bullying para cobrir o bullying virtual. A natureza do cyberbullying pode ser bem difícil de ser resolvida. Ela retrata duas pessoas que são bem jovens e desconhecem as consequências de seus atos, tornando os remédios legais bem inapropriados mesmo quando há casos de cyberbullying. É de responsabilidade da escola fazer o melhor possível para educar as pessoas sobre o cyberbullying e preveni-lo quando possível. Também devem haver restrições para as mídias sociais e outros sites nas escolas. Quando houverem incidências de cyberbullying, todas as escolas devem fazer uma investigação mais a fundo e resolvê-las. Apoio deve ser oferecido aos pais e aos guardiões legais durante este processo.

O cyberbullying pode ser um fenômeno predominante entre crianças de 9 a 14 anos de idade, e de acordo com o Cyber Bully 411, 40% das incidências de cyberbullying ocorrem em serviços de mensagem instantânea, 29% ocorrem em jogos online e 30% ocorrem em sites de mídias sociais. Quando se trata dos vídeo-games, o cyberbullying geralmente não é nada pessoal. Os jogadores mais velhos geralmente abusam o seu linguajar se forem “mortos” por alguém em jogos de tiro ou se outro jogador não atuar de acordo com os princípios publicamente aceitos por esse jogador em particular. Esses jogos geralmente possuem um efeito negativo sobre a personalidade de um indivíduo que os torna mais agressivos, especialmente em jogos de tiro. Já que esse tipo de abuso é geralmente feito de forma verbal através de dispositivos sonoros, não há nenhum registro de suas incidências, e ainda assim, a criança ou o adolescente pode nem sequer conhecer a pessoa. O agressor pode estar localizado em qualquer parte do mundo.
Estatísticas e tendências do cyberbullying




Há algumas estatísticas sobre o cyberbullying que devem ser destacadas, e elas indicam com precisão que este fenômeno está se tornando uma epidemia. É um tipo de preocupação bastante séria que não deve ser ignorada, ou que as crianças podem simplesmente “superar”.
  • 34% dos alunos sofrem com o cyberbullying uma vez em sua vida.
  • As meninas têm o dobro de chances de serem vítimas de cyberbullying.
  • As vítimas do cyberbullying possuem maior risco de depressão, mesmo se comparadas de perto com as vítimas do bullying tradicional.
  • As crianças têm 7 vezes o número de chances de serem vítimas de bullying virtual por conta de seus amigos do que de um estranho.
  • As crianças vítimas de bullying têm 9 vezes o número de chances de se tornarem vítimas de roubo de identidade.
  • 70% dos alunos alegam sofrer bullying frequentemente online.
Os agressores virtuais não usam a internet para encontrar novas vítimas, eles geralmente usam a tecnologia digital para agredir pessoas que eles já estão agredindo em suas escolas. De acordo com uma pesquisa do Warwick, 99% dos alunos já sofrem com o bullying independente das novas tecnologias, enquanto a era digital adicionou apenas um por cento a mais. O que isso realmente indica é que as tecnologias digitais não são o problema. Mas que elas pioram o problema ainda mais do que antes. Se o problema puder ser resolvido na escola, então ele não ocorrerá em casa. As plataformas digitais simplesmente não passam de uma ferramenta para alcançar as vítimas existentes. As estatísticas sobre os adolescentes que são agredidos online e na vida real são bem parecidas. As qualidades mais relatadas como motivo para a agressão dos alunos são a sua aparência (27%), a sua raça (10%), a sua etnia (7%), o seu sexo (7%), suas deficiências (4%), sua religião (4%) e sua orientação sexual (3%) como relatado pelo Centro Nacional de Estatísticas de Educação Americano em 2017.

Outra tendência que continua a ocorrer é que as vítimas de bullying tipicamente crescem e se tornam autores de bullying elas mesmas. As meninas continuam a ter mais chances de relatarem que estão sofrendo bullying virtual. E ainda mais frequente é que o cyberbullying ocorre quando outra pessoa é vista de alguma forma diferente. O contexto cultural da escola pode ser o que influencia na formação dos autores de bullying.

Geralmente, há 4 formas principais de se praticar bullying. Essas são o bullying em mídias sociais, as agressões, o incentivo e a exclusão. O bullying em mídias sociais é o bullying que ocorre em plataformas sociais, como o Facebook ou o Twitter. As agressões são a repetição de ameaças que ocorrem através de diferentes meios, tanto em grupos quanto individualmente. O incentivo é a humilhação e a ridicularização pública contra certos indivíduos, para que outras pessoas vejam, tanto online quanto offline. E a exclusão é quando o indivíduo é ignorado ou não é convidado a eventos sociais. A vítima pode então ser ridicularizada entre esse grupo de pessoas sem que a vítima saiba. O incentivo é a forma mais humilhante e pode traumatizar a criança ou o adolescente por mais tempo que as outras, dependendo da duração da ocorrência. Mas a exclusão pode ser a forma mais difícil de ser denunciada e resolvida, já que ela é quase impossível de ser provada. Por exemplo, alguém pode ser excluído de uma lista de amigos ou não ser convidado a um evento, o que pode não ser exatamente uma agressão por conta da criança ou do aluno.

Por um lado mais positivo, embora a ocorrência de cyberbullying esteja aumentando, o bullying tradicional esteve em queda por vários anos. Embora tenha sido bem mais comum nas décadas anteriores, há um número bem menor de violência física do que no passado. De acordo com o Escritório de Estatísticas de Justiça Americano, os crimes de violência contra os adolescentes chegaram a um mínimo histórico em 2014. Além disso, uma pesquisa realizada pelo Departamento de Educação Primária e Secundária de Massachusetts descobriu que houve uma queda de 22% nas ocorrências de bullying no estado de Massachusetts entre 2003 e 2011. A complicação de denunciar o cyberbullying vem do fato dele ocorrer com mais frequência em serviços de mensagem instantânea. Essas mensagens são encriptadas e pessoais, vindo de serviços como o Facebook Messenger, o WhatsApp, o Line, o WeChat e o Snapchat. Portanto, não há nenhum registro conclusivo a não ser que você ponha as mãos no dispositivo do seu filho e olhe as mensagens, e tire uma foto como evidência. Os e-mails e os comentários públicos são bem mais fáceis de serem documentados.

De acordo com o Centro de Prevenção de Doenças Americano, 15% dos alunos de colégio sofrem com o bullying virtual e 20% deles sofrem com o bullying na escola. O número de pessoas que já sofreram com o cyberbullying uma vez em suas vidas quase duplicou entre 2007 e 2016, de acordo com o Centro de Pesquisa sobre Cyberbullying.

Como prevenir o cyberbullying



O cyberbullying está se tornando cada vez mais um motivo de preocupação frequente. Felizmente, ele está sendo conscientizado pelo público e alguns passos podem ser seguidos para prevenir que ele ocorra com mais frequência.

O papel do pai é estar conectado com as emoções e os pensamentos do filho ou do adolescente, e perceber se o menor está com depressão ou agindo de forma estranha. Se o seu filho admitir que está sendo vítima de bullying online ou na escola, então isso já é um passo de sorte. A maioria dos adolescentes e das crianças jamais admitem tal coisa para os pais, e as estatísticas demonstram que caso eles venham a admitir, é mais provável que seja para os amigos ou para os irmãos. Os menores do sexo masculino são bem menos prováveis de confiar em alguém para admitir que são vítimas de bullying. Pode haver um número imenso de razões pelas quais a pessoa age de tal maneira mesmo com a exceção do cyberbullying. O primeiro passo sempre deve ser identificar o problema. E quanto mais cedo o problema for identificado e trazido à tona, melhor. Você terá que perguntar ao seu filho se ele sofreu bullying ou foi vítima de agressões. Ou perguntar a um professor, que também tem a responsabilidade de denunciar essas ocorrências na escola, assim que surgirem.

Dependendo da idade da criança ou do adolescente, a melhor medida preventiva a ser tomada talvez seja limitar o acesso às tecnologias o melhor possível. Há um número crescente de evidências científicas que sugerem que as crianças abaixo dos 7 anos de idade não devem ter acesso prolongado a nenhum dispositivo tecnológico. O fato é que esses dispositivos aumentam as ocorrências de cyberbullying, e o mundo online simplesmente não é um lugar que a criança está preparada para visitar. Além disso, há vários efeitos negativos contra a saúde das crianças e dos adolescentes que usam esses dispositivos tecnológicos por períodos de tempo prolongados. Graças à rapidez com a qual a tecnologia se desenvolve e à modernidade dos dispositivos digitais, não houveram estudos a longo prazo sobre as consequências do uso prolongado de smartphones, WiFi, iPads ou outras tecnologias. As crianças mais jovens, principalmente, devem ter uso bastante limitado a tais tecnologias.

Uma forma melhor de limitar o acesso a esses dispositivos é bloquear os sites que podem ser vistos pelo filho ou adolescente. Você pode fazer isso através do seu provedor de Internet, isso quer dizer que todos os dispositivos que você possui em casa serão obrigados a seguir as mesmas regras de restrição e ter tais sites bloqueados. Isso é parecido com as empresas que possuem listas sobre os sites de acesso permitido e também regras sobre o download de tais arquivos e aplicativos. Se você vai comprar um smartphone para o seu filho, há vários aplicativos de controle para os pais que podem ser baixados. O Keepers, por exemplo, é um aplicativo que notifica os pais sobre mensagens suspeitas ou prejudiciais e que também vem com um rastreador para mostrar a localização da criança em tempo real. É realmente bem fácil pôr restrições nos sites que as crianças acessam e prevenir o pior. Porém, há algumas barreiras técnicas ao longo do caminho. Essas restrições podem ser:
  • Usar o controle de pais nos consoles de vídeo-game. Os jogadores geralmente conversam e trocam mensagens nos vídeo-games. Crie uma conta para o seu filho, e limite as pessoas com quem ele pode conversar e fique de olho no conteúdo do jogo.
  • Aprenda a usar os controles de pais de todas as mídias sociais, como o Twitter, o Facebook e o Instagram.
  • Eduque os seus filhos sobre esses controles. É fácil bloquear uma pessoa nas mídias sociais, nos vídeo-games e até mesmo nas chamadas de telefone. Se o seu filho estiver sofrendo agressões online, peça para que ele simplesmente bloqueie o agressor. Os endereços de e-mail também podem ser bloqueados.
  • Se alguém hackear a conta do seu filho ou estiver fingindo ser o seu filho online, você pode alterar a senha ou entrar em contato com o site para denunciar tal ocorrência. Grande parte dos sites principais são realmente bem úteis quando se trata da segurança do seu filho.
Além do cyberbullying, não seria má ideia impor algumas regras para os filhos ou adolescentes quanto ao uso das tecnologias. Essas regras podem ser sobre como salvar as senhas, ter cuidado quando com os contatos pessoais, recusar convites de amigos que não conhecem, não ficar usando o celular de noite, não usar o celular no carro ou no meio de outras tarefas e também não compartilhar o endereço de e-mail, a data de nascimento ou o nome completo tanto online quanto offline. Você também deve dar um bom exemplo para o seu filho ou adolescente. Isso porque eles geralmente seguem os hábitos dos pais. Esses hábitos e exemplos vão ficar gravados na memória deles pelo resto de suas vidas, então é uma boa ideia começar a seguir as melhores práticas de como prevenir tais ocorrências bem cedo.

Uma das melhores formas de garantir a segurança online do seu filho ou adolescente é com o uso de uma boa Rede Virtual Privada (VPN). Essas VPNs agora são bem fáceis de serem instaladas e também têm preço razoável. O que elas fazem é encriptar a conexão de rede, para que os hackers não monitorem o que a criança ou o adolescente está fazendo online. Elas também vão ocultar as informações sobre o seu provedor de Internet para que os seus dados não sejam roubados e vendidos para as organizações comerciais, e também vão proteger as suas informações contra os sites que tentam colher os dados de suas atividades online. Atualmente, há uma grande variedade de VPNs disponíveis para os clientes e todas elas possuem configurações de proteção máxima. Educar o seu filho sobre como usar uma VPN pode ser uma das melhores coisas que você pode fazer para que eles se acostumem com a segurança online, já que isso é uma tecnologia que vai acompanhá-lo durante vários anos. Já foi comprovada por profissionais de segurança como uma das melhores técnicas para se manter seguro e anônimo online. Algumas das melhores VPNs são IPVanish, ExpressVPN, NordVPN e outras.

O que fazer se o seu filho for uma vítima de cyberbullying

O guia a seguir foi feito para os pais que desejam garantir a segurança do seu filho numa ocorrência de cyberbullying. Se o cyberbullying já estiver em ação, então as medidas preventivas são inúteis. Obviamente, ainda é uma boa ideia tomar os dispositivos ou remover o acesso às mídias sociais onde o dano foi causado. Esses passos ainda podem ser úteis.

Mas quando o cyberbullying é frequente, o primeiro passo absoluto é conversar com o filho para garantir que ele está mentalmente, emocionalmente e fisicamente bem. Há algumas dificuldades, e pode ser bom se você levar o filho ou adolescente para comer algo ou para se divertir em um evento. Assim, eles podem conversar mais abertamente, já que é importante descobrir a natureza do próprio cyberbullying. Você também pode aconselhar o seu filho e dizer que ele pode se defender quando a situação é frequente. E o mais importante, aconselhe ele a denunciar o cyberbullying quando isso ocorrer. Em alguns casos, pode ser boa ideia tirar a criança da escola por alguns dias. O bullying e o cyberbullying são situações bem pessoais e os pais, junto com os filhos e os professores, devem trabalhar juntos para conseguir o remédio mais apropriado.

Assim que você juntar o máximo de informações possíveis, o melhor caso será conversar com o professor para entender a situação melhor. Você também pode falar com os pais da outra criança se possível e entrar em um acordo. Isso é um passo muito importante, já que os pais do agressor precisam saber o que o seu filho está fazendo. Será ainda melhor se o pai do agressor tentar impedir que o seu filho acesse as tecnologias digitais, para que ele não continue a fazer tais agressões. Se o professor e/ou os pais não entrarem em um acordo para resolver o problema, então a única outra alternativa pode ser transferir o seu filho a outra instituição.

Além disso, o agressor pode ser facilmente removido dos sites de mídias sociais como um amigo ou contato, já que todos os sites oferecem uma opção de bloquear os contatos, até mesmo os provedores de e-mail. Se você não está recebendo nenhum suporte do professor ou dos pais para resolver o problema, então isso é a única coisa a se fazer. A escola é a origem do cyberbullying. Há ocorrências que são tão prejudiciais à saúde da criança quanto o cyberbullying, que mesmo transferi-la para outra escola se torna uma opção bem melhor do que deixar a situação como está.

Há algumas informações que você pode dividir com o seu filho em caso de bullying. O primeiro passo é garantir que ele saiba que isso é comum e que acontece com várias pessoas diferentes. Certifique-se de lembrar à criança ou ao adolescente de que nada é culpa deles e de que há vários serviços disponíveis para ajudá-los se necessário. Pesquisas mostram que se uma criança acreditar que a culpa é dela, isso acontecerá com mais frequência, e a auto-estima da criança vai se acabar aos poucos. Também é de extrema importância dividir todo o possível do que você faz com o seu filho. Se você organizar uma reunião secreta com as autoridades da escola e a criança descobrir, isso só lhe trará mais problemas.

As vítimas dizem que o que mais ajuda é simplesmente quando há alguém para ouvi-las. Isso ajuda elas a se desfazerem das emoções reprimidas que podem levar à depressão e à infelicidade. Um bom gesto é lembrar à criança que isso lhe ensinou uma lição valiosa e que agora ela estará mais forte por causa disso.

Lembre-se de salvar e documentar todas as provas possíveis. Isso é uma das vantagens que o cyberbullying oferece comparado ao bullying físico, poder ser mostrado ao professor e aos pais do agressor. As duas crianças terão opiniões bastante diferentes do ocorrido, sendo difícil de saber exatamente o que aconteceu. Tire fotos com o seu celular ou dispositivo móvel e salve todos os dados em uma pasta protegida. Isso é semelhante aos procedimentos de um policial investigando provas incriminadoras. Porém, vale a pena lembrar que o seu objetivo não é fazer “justiça” ou fazer com que a outra criança seja “punida”. Seu objetivo é resolver um conflito e não incentivar o punimento de um “infrator”.

Embora pareça boa ideia simplesmente tomar o celular e bloquear todas as contas possíveis para impedir o cyberbullying, isso geralmente não é a medida mais apropriada. Em primeiro lugar, porque você está punindo a criança ou o adolescente apesar do fato de que ele não tenha feito nada de mal. A partir disso, o seu filho vai imaginar que está sendo punido por não fazer nada e vai permanecer a ideia de que a culpa é dele. Além disso, isso pode não ser muito eficaz, já que a tecnologia digital está por toda parte. E em terceiro lugar, quando um meio social é banido, o problema simplesmente migra para outro lugar. O problema principal precisa ser resolvido. Ele não pode simplesmente desaparecer se for ignorado, e isso não é uma lição boa de se ensinar às crianças e aos adolescentes.

Ademais, nunca é uma boa ideia agir de forma rápida e imprudente. Já que o “agressor” que está postando um comentário prejudicial pode ser na verdade uma vítima de bullying físico em sua escola. O melhor a se fazer é ser direto e claro o máximo possível, reunindo os pais, os professores e as crianças envolvidas para entender melhor o que aconteceu.

Uma outra ideia é estudar algumas das medidas mais eficazes comprovadas por estudos para prevenir e acabar com o bullying e o cyberbullying. Uma dessas estatísticas demonstra que 57% do cyberbullying acaba quando um colega interfere na ação a favor da vítima. Portanto, certifique-se de que a criança possui um grupo de amigos com quem contar, isso pode ser uma boa medida preventiva. Em vários casos, agredir uma certa criança pode ser visto como algo normal, e as crianças que se recusam a participar dessa ação em grupo podem estar com medo de serem vistas da mesma forma, formando um ciclo. Porém, tudo o que leva para quebrar esse ciclo é provar aos outros que o bullying não é nada legal. Os atos dos colegas das vítimas de bullying são geralmente considerados mais úteis do que os dos professores ou dos adultos, até mesmo com as próprias mãos para resolver o conflito. Se os colegas ouvirem a vítima, ajudá-la a fugir, conversar com ela, passar um tempo com ela, distraí-la, falar com um adulto ou pedir para que o agressor pare, isso é visto de forma bastante útil pelos olhos da vítima. Toda pesquisa indica que o pior efeito negativo que o bullying tem sobre as vítimas é fazê-las sentir que estão sozinhas de alguma forma, e qualquer ato de caridade feito por um colega pode ser de ajuda tremenda para acabar com essa imagem de solidão e isolamento. Já os atos que tentam mudar a atitude do agressor são bem menos eficazes do que a interferência de um colega ou de um adulto.

Junto à interferência de um colega, o que pode ser algo bem difícil de ocorrer em caso de bullying, os sistemas de prevenção das escolas podem diminuir as ocorrências de bullying em até 20% a 23%. Portanto, se a sua escola não possuir um sistema disponível, desabafe sobre as suas preocupações e comece a exigir que tal sistema seja implementado. Se você acredita que houveram consequências graves graças ao bullying ou ao cyberbullying, há vários serviços disponíveis que podem ajudar as crianças e os adolescentes, como centros de ajuda e de aconselhamento.

As consequências do bullying

Já foi bastante comprovado que o bullying e o cyberbullying possuem vários efeitos negativos sobre a saúde emocional e mental das vítimas. Aqueles que sofrem com o bullying terão notas mais baixas na escola, e um maior risco de desenvolver ansiedade, insônia e depressão. Terão mais riscos de desenvolver doenças comportamentais mentais e físicas e, além disso, muitos dizem que o bullying possui um efeito negativo sobre a auto-estima das vítimas. As suas relações podem ser destruídas, e tais vítimas possuem o dobro de chances de sofrerem com efeitos negativos sobre a sua saúde. Há uma relação comprovada e preocupante entre o bullying e o desenvolvimento de doenças psicossomáticas. O mais interessante é que o simples ato de presenciar o bullying também possui efeitos negativos comprovados sobre a saúde das testemunhas.

Grupos vulneráveis

Como já mencionado, aqueles que sofrem com o bullying tendem a ser vistos de forma diferente. Embora o bullying seja uma ocorrência isolada, há certos grupos de pessoas que têm mais chances de sofrerem com o bullying do que os outros. Um grupo em especial que se destaca é a comunidade LGBT. Este grupo tem o dobro de chances de sofrer com o bullying se comparado com os outros. Os outros grupos em risco são as pessoas jovens com deficiências físicas ou mentais. Os pais são aconselhados a prestar mais atenção em seus filhos se eles se encaixarem em alguma dessas categorias, e a tomar mais medidas para prevenir o cyberbullying e a incentivar o apoio social entre as outras crianças se possível. Embora esses grupos sejam mais vulneráveis do que os outros, o cyberbullying pode ocorrer independente da personalidade da vítima. As pessoas tímidas, as confiantes, as que vencem concursos de beleza, as celebridades, as obesas, as magras, todas elas podem ser vítimas do cyberbullying.

Vale a pena mencionar que o bullying não se limita apenas a crianças e adolescentes. Uma pesquisa de 2014 nos Estados Unidos destacou que 27% dos trabalhadores americanos fizeram denúncia de bullying no trabalho, embora os adultos tenham menos chances de sofrerem com o bullying online depois disso, por inúmeras razões.

Guia de cyberbullying para os pais – resumo de prevenção

A seguir, está uma lista dos passos a serem seguidos para reduzir o cyberbullying.
  1. Para as crianças mais jovens, limite o acesso a todos os tipos de dispositivos tecnológicos por quanto tempo possível. O acesso prolongado a esses dispositivos pode resultar em efeitos negativos desconhecidos sobre a saúde dos seus filhos.
  2. Implemente um sistema de controle de pais em todos os dispositivos e decida as horas de quando eles podem ser usados. Fique atento às coisas que o seu filho ou adolescente pode estar vendo em jogos de vídeo-game. Os sites para adultos também devem ser restritos na Internet de sua casa.
  3. Certifique-se de que o seu filho possui um grupo de amigos com quem ele pode contar e laços sociais bastante fortes. Você pode fazer isso marcando uma hora para eles brincarem, praticarem esportes, ou fazer qualquer outra atividade. Essa pode ser uma das medidas mais eficazes para prevenir o cyberbullying, já que isso pode minimizar a ideia de que a criança é diferente das outras através de uma atividade onde todo mundo brinca igual. Ter um grupo de amigos também pode prevenir a ocorrência de bullying, que leva à ocorrência de cyberbullying. Isso também aumentará as chances de que alguém intervenha caso o seu filho sofra bullying online ou offline, como comprovado pela grande maioria das pesquisas disponíveis.
  4. Pergunte à escola quais medidas de prevenção contra o bullying e o cyberbullying ela oferece. E se não houver nenhuma, pergunte o por quê.
Guia de cyberbullying para os pais – resumo




Se o seu filho já estiver sofrendo com o cyberbullying, então siga os passos a seguir.
  1. Converse com o seu filho e lhe dê um pouco mais de atenção. Faça com que ele saiba que ele não está fazendo nada de mal.
  2. Ouça com atenção ao seu filho e tente entender a situação. Isso foi comprovado pelas crianças e pelos adolescentes como a medida mais útil. Quanto mais pessoas houverem para conversar com eles, melhor.
  3. Salve o quanto você puder de provas e depois fale com os professores e com os outros pais. Não haja de maneira imprudente, tente entender melhor a situação. Agora que a situação está sendo investigada, ela certamente será resolvida.
  4. Espere algumas semanas até que a situação seja resolvida. Em alguns casos raros, o professor ou o pai do agressor pode não lhe dar apoio. Se este for o caso, então transferir a criança para uma escola diferente pode ser a única opção, além de ser uma medida mais pacífica e proativa de resolver o problema. Há certas coisas que são tão prejudiciais quanto o bullying à saúde e ao bem-estar de uma criança ou de um adolescente.
A solução contra o cyberbullying

Em um mundo onde a tecnologia digital está se tornando cada vez mais predominante, os pais e os guardiões legais têm o dever adicional de prestar atenção nos perigos desse mundo. Isso significa que eles devem ser mais proativos e limitar o acesso aos dispositivos tecnológicos, assim como impor um sistema de controle de pais rígido em todo aparelho tecnológico que possuírem, dependendo da idade e da personalidade do filho ou do aluno em questão. O acesso pode e deve ser limitado, com horas agendadas para o seu uso, e monitorando as coisas que são vistas pelos filhos. Não é uma boa justificativa se sentar e deixar que as crianças ou que os alunos vivam a vida soltos em um mundo cibernético só porque a tecnologia está se tornando cada vez mais ubíqua.

Entretanto, a melhor solução permanece como a de sempre. Uma colaboração participativa entre os pais do agressor e da vítima, tendo a escola atuando como um mediador. Os laços sociais fortes das crianças também são de extrema importância em qualquer comunidade para o bem da saúde mental e emocional dos indivíduos de tais comunidades.

Eric Raue

Fonte: Recebido por correio eletrónico