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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Países Baixos: trabalhos de casa são feitos na sala de aula para evitar utilização da Inteligência Artificial

Numa escola de Almedo, nos Países Baixos, um professor decidiu que os alunos tem de fazer os trabalhos de casa durante as aulas, depois de perceber que muitos recorriam à Inteligência Artificial (IA) para responder às tarefas.

Há alunos que usam a IA apenas como apoio, mas outros introduzem as tarefas da escolas nestas ferramentas e entregam as repostas geradas.

A realização dos trabalhos de casa durante as aulas reduz o tempo disponível para outras matérias, mas permite limitar o recurso à IA.

Especialistas alertam que a utilização destas tecnologias pode resultar em notas mais altas, sem representar uma maior aprendizagem. Estudos indiciam que os alunos aprendem menos quando deixam estas ferramentas realizar as tarefas por eles.

O governo neerlandês ainda não definiu orientações claras sobre o uso de Inteligência Artificial no ensino, o que leva as escolas a procurar as próprias soluções.

Fonte: SIC Notícias por indicação de Livresco

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Regresso às aulas: 12 ferramentas com IA que os estudantes deviam conhecer

Com o novo ano letivo a aproximar-se, há ferramentas com IA que vale a pena anotar para integrar, caso seja necessário, na rotina dos estudantes.

Não se trata de deixar a tecnologia fazer os trabalhos, mas de encontrar formas de a utilizar como apoio, poupando tempo em algumas tarefas e tornando o estudo mais interativo.

Pesquisa e trabalhos académicos

A Perplexity é uma alternativa interessante aos motores de pesquisa tradicionais. Permite colocar uma questão em linguagem natural e obter uma resposta acompanhada pelas fontes consultadas.

O modo Research consegue fazer várias pesquisas, analisar fontes e produzir um relatório mais completo, o que pode ser útil numa primeira fase de investigação.

Para um estudante, a grande vantagem está na possibilidade de passar rapidamente de uma pergunta para um conjunto de fontes que podem depois ser verificadas. Continua a ser importante consultar as fontes originais antes de utilizar qualquer informação num trabalho.


A Consensus é especialmente interessante para estudantes universitários. A ferramenta está orientada para a pesquisa de literatura científica, permitindo procurar respostas com base em estudos publicados, em vez de depender apenas de resultados gerais da Internet.

Pode ser útil quando é necessário perceber rapidamente o que a investigação diz sobre determinado tema, encontrar estudos relevantes ou começar a estruturar uma pesquisa académica.

#3 - Elicit

A Elicit segue uma abordagem semelhante, mas procura funcionar como um assistente de investigação. Pode ajudar a encontrar artigos relevantes, organizar informação e analisar literatura científica, sendo mais interessante à medida que os trabalhos escolares dão lugar a trabalhos académicos mais aprofundados.

A plataforma apresenta-se como uma ferramenta de investigação científica utilizada por centenas de milhares de investigadores, sendo útil quando o problema já não é simplesmente encontrar informação, mas perceber quais são os estudos mais relevantes e como se relacionam entre si.


A SciSpace é outra ferramenta pensada para investigação académica e permite pesquisar artigos, fazer revisões de literatura e conversar com documentos PDF. Também disponibiliza ferramentas para extrair informação, gerar citações e trabalhar sobre artigos científicos.

Pode ser uma boa ajuda quando um artigo científico parece demasiado complexo à primeira leitura. Em vez de substituir a leitura, permite explorar o documento, esclarecer conceitos e localizar mais rapidamente a informação relevante.


Estudar a partir dos próprios materiais

A StudyFetch é uma das ferramentas mais interessantes para transformar materiais de estudo em conteúdos de revisão. O estudante pode carregar PDF, apresentações, notas ou até um link para uma aula no YouTube e gerar notas, flashcards, questionários ou um plano de estudo a partir desse material.

A vantagem está em trabalhar sobre aquilo que o estudante já tem. Em vez de começar com uma página em branco, é possível pegar nos materiais de uma disciplina e transformá-los em diferentes formas de estudo.

#6 - Gizmo

A Gizmo aposta especialmente nos flashcards e nos questionários. Pode importar PDF, notas, vídeos do YouTube ou até gravações de aulas e transformá-los automaticamente em cartões de estudo. Depois, utiliza repetição espaçada para ajudar a rever a matéria ao longo do tempo.

Também inclui um tutor de IA que pode explicar os conteúdos passo a passo e gerar perguntas com base no material importado. Para quem tem de memorizar muita informação, pode ser uma alternativa interessante aos tradicionais apontamentos.


A Khanmigo é a proposta da Khan Academy para utilizar IA como tutor. Em vez de se limitar a apresentar uma resposta, a ferramenta procura orientar o estudante durante o processo de aprendizagem, ajudando-o a chegar à solução.

Esta abordagem é particularmente interessante para matemática, ciências e outras disciplinas em que perceber o raciocínio é tão importante como chegar ao resultado final.

Escrita e apresentações

A DeepL Write funciona como um assistente de escrita baseado em IA. Permite colar um texto e receber sugestões para melhorar gramática, ortografia e pontuação, além de alternativas para palavras e frases e diferentes níveis de formalidade. Também suporta português.

Para estudantes, pode ser útil na revisão final de trabalhos, especialmente quando já existe um texto escrito e o objetivo é torná-lo mais claro e correto sem alterar completamente a sua estrutura.


A Grammarly é outra ferramenta de apoio à escrita, particularmente interessante para quem produz trabalhos em inglês. Além da correção, oferece sugestões relacionadas com clareza, tom e reformulação de frases.

Pode ser útil para estudantes universitários que precisam de escrever regularmente em inglês, seja para trabalhos, relatórios, apresentações ou candidaturas.

#10 - Gamma

A Gamma permite transformar uma ideia ou conjunto de conteúdos numa apresentação. A IA pode gerar slides e organizar texto, imagens e outros elementos, que depois podem ser editados pelo utilizador.

É uma forma rápida de criar uma primeira estrutura para uma apresentação. Ainda assim, convém tratar o resultado como um ponto de partida e adaptar o conteúdo ao trabalho, em vez de apresentar diretamente aquilo que a ferramenta gerar.

#11 - Napkin AI

A Napkin AI segue uma abordagem diferente e pode ser interessante para apresentações. A partir de texto, consegue criar diagramas, fluxogramas, mapas mentais, infografias e outros elementos visuais.

Isto pode ser útil quando um trabalho tem muita informação que precisa de ser explicada visualmente. Os elementos gerados podem depois ser personalizados e exportados para formatos como PowerPoint, PDF, PNG ou SVG.

Aulas e gravações
#12 - Otter.ai

A Otter.ai é uma ferramenta de transcrição que pode transformar gravações de voz em texto pesquisável. Para um estudante universitário, pode ser interessante em entrevistas, reuniões de grupo ou outros contextos em que seja necessário consultar posteriormente aquilo que foi dito.

Pode também ajudar a transformar uma gravação numa base de apontamentos. Importa lembrar que gravar aulas ou outras pessoas exige atenção às regras da instituição e ao consentimento dos envolvidos. A tecnologia pode facilitar o processo, mas não elimina essas responsabilidades.

Ferramentas com IA não são um substituto, são um auxiliar

Estas ferramentas com IA mostram como a tecnologia pode entrar em diferentes momentos da vida académica, desde a pesquisa inicial até à preparação para um exame ou à criação de uma apresentação.

O mais importante continua a ser saber utilizá-las com espírito crítico. Uma resposta gerada por IA pode conter erros, uma síntese pode omitir informação importante e uma apresentação automática pode não refletir aquilo que o estudante realmente aprendeu.

Usada como apoio, e não como substituto do trabalho, a tecnologia pode tornar o estudo mais organizado, interativo e eficiente. Neste regresso às aulas, conhecer estas ferramentas com IA pode ser quase tão importante como escolher o portátil, o tablet ou o monitor certos.

Fonte: pplware por indicação de Livresco

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

As 7 melhores apps grátis para estudar em 2026

Seja para estruturar apontamentos, memorizar conteúdos ou manter a disciplina no dia a dia, a tecnologia certa pode transformar o teu rendimento académico. Como é evidente, nenhuma aplicação faz o trabalho de fundo por ti, mas estas ferramentas funcionam como excelentes aliadas para simplificar o processo, gerir o tempo e eliminar distrações.

Para te ajudar neste ano letivo, selecionámos as 7 melhores apps para estudar em 2026 que deves experimentar. Vê abaixo as melhores opções para gestão de notas, foco, flashcards e organização da rotina.

Caso procures mais automação e um apoio mais inteligente, consulta também o nosso guia com as melhores ferramentas de IA para estudar.
1. Quizlet


O Quizlet é conhecido por transformar o estudo numa experiência mais divertida e envolvente. A ideia é simples: criar flashcards com termos, definições e conceitos para memorizar de forma rápida e prática.

Podes desenvolver os teus próprios cartões ou explorar uma biblioteca com mais de 500 milhões de listas criadas por estudantes e professores. Ainda é possível transformar os cartões em jogos interativos ou testes de sala de aula e utilizar o modo Aprender com repetição espaçada e correção inteligente.

2. Khan Academy


A Khan Academy é um projeto sem fins lucrativos que oferece milhares de vídeos, exercícios e artigos de forma totalmente gratuita. Pode ser acedida no computador, tablet ou smartphone, estando disponível em português, inglês e várias outras línguas.

A plataforma permite que estudes ao teu próprio ritmo ou que acompanhes o que estás a aprender na escola. Podes realizar exercícios e testes com respostas imediatas, além de receber dicas passo a passo sempre que precisares. A tecnologia reconhece os conhecimentos que já adquiriste e sugere conteúdos para reforçar o que ainda não está consolidado.

3. Habitica


Se cumprir tarefas parece monótono, o Habitica pode ser a solução. Com uma interface gamificada, cada utilizador cria um avatar que ganha moedas e experiência à medida que conclui atividades, e pode gastar essas recompensas em acessórios virtuais.

A aplicação divide-se em três áreas: hábitos, tarefas diárias e lista de pendentes. É possível definir prazos, mas há um desafio: se não cumprires, o teu avatar perde experiência ou até morre. O Habitica está disponível gratuitamente e tem também um plano para equipas por 9 € por mês.

4. Todoist


O Todoist é uma das apps mais conhecidas para gestão de tarefas. Com uma interface simples e intuitiva, permite criar atividades, definir prazos, prioridades e até subtarefas para projetos mais complexos.

Entre as suas funcionalidades estão notificações inteligentes, integração com Google Calendar e Dropbox, e diferentes modos de visualização como lista, calendário ou painel.

5. Notion


O Notion segue um caminho diferente: é uma plataforma versátil e totalmente personalizável que combina notas, calendários, lembretes e bases de dados. É perfeito para quem gosta de estruturar a informação à sua maneira e centralizar tudo num só espaço.

A aplicação é gratuita e conta com uma comunidade muito ativa que partilha templates para diversos usos. Entre eles, há calendários de estudo, planners de tarefas e até sistemas completos para organização de projetos académicos.

6. Forest


O Forest leva o conceito de concentração para outro nível, transformando-o num jogo. Quanto mais tempo passares focado e longe do smartphone, maior será a tua árvore virtual. Ao longo do tempo, vais construindo uma floresta que funciona como motivação visual para continuares sem distrações.

O sucesso da app fala por si: foi eleita Melhor Aplicação do Ano no Google Play em 2015 e 2016, conta com mais de 6 milhões de utilizadores pagantes e já plantou mais de 1 milhão de árvores reais graças aos utilizadores.

7. Focus@Will


Para quem precisa de um fundo musical que ajude a entrar no ritmo de estudo, o Focus@Will oferece playlists cientificamente otimizadas para aumentar a concentração.

A plataforma permite personalizar o som para o teu perfil cognitivo, escolhendo canal, imagens de fundo, som inicial e até a duração da sessão.

O catálogo é exclusivo, as faixas foram editadas para remover elementos que possam distrair, e há um teste gratuito de 7 dias para experimentar todos os recursos.

Fonte: 4gnews por indicação de Livresco

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Mais ecrã, melhor raciocínio? Estudo de oito anos desafia dogma digital na adolescência

Investigadores finlandeses acompanharam, ao longo de oito anos, centenas de jovens dos 8 aos 16 anos e concluíram que o tempo passado em frente aos ecrãs está associado a um melhor processamento cognitivo, foi divulgado esta segunda-feira, 17 de agosto, no site da revista Science Daily . O segredo, garantem, não está nas horas gastas, mas naquilo que se faz com elas.

Numa altura em que o discurso público e as diretrizes de saúde tendem a encarar os dispositivos digitais como os principais vilões do desenvolvimento infantil, o estudo da Universidade de Jyväskylä e da Universidade da Finlândia Oriental, acaba de introduzir uma nuance científica de peso.

Ao acompanhar 260 crianças (124 raparigas e 136 rapazes) desde o início da escolaridade até à adolescência (cerca dos 15,8 anos), a equipa de investigadores descobriu que os jovens que acumularam maior tempo de ecrã desde a infância demonstraram, em média, um melhor processamento cognitivo na adolescência.

Os resultados, integrados no consagrado estudo longitudinal PANIC (Physical Activity and Nutrition in Children) e publicados na revista científica Pediatric Exercise Science, contrariam a ideia generalizada de que o consumo de tecnologia é inerentemente prejudicial ao cérebro em crescimento.

A qualidade da atividade supera a quantidade de horas

Para avaliar o impacto real dos hábitos digitais e motores, os investigadores cruzaram questionários detalhados com sensores combinados de frequência cardíaca e movimento, medindo o desempenho mental através da bateria de testes neuropsicológicos CogState (que avalia parâmetros como atenção, memória de trabalho e capacidade de aprendizagem).

A explicação para a vantagem cognitiva observada reside no tipo de envolvimento que os ecrãs proporcionam. Quando os dispositivos são utilizados para pesquisa, jogos estratégicos, criação de conteúdos, resolução de problemas ou comunicação ativa, o cérebro é desafiado e estimulado de forma contínua.

"Os resultados sugerem que o tempo de ecrã pode apoiar o processamento cognitivo de crianças e adolescentes. Presumivelmente, o ponto essencial prende-se com o tipo de atividades que realizam durante esse tempo. Pais e professores devem incentivar o uso de dispositivos de formas que promovam o pensamento ativo, a resolução de problemas, a criatividade e a aprendizagem", sublinha Petri Jalanko, investigador doutorando na Universidade de Jyväskylä e autor principal do estudo.

Jalanko sintetiza a mensagem central: o objetivo não deve ser a demonização ou a restrição cega, mas sim a procura de um equilíbrio saudável entre o movimento físico e o uso digital estimulante.

O enigma do exercício físico: raparigas e rapazes respondem de forma diferente

O estudo debruçou-se igualmente sobre os efeitos da atividade física e do sedentarismo, revelando padrões surpreendentes e diferenciados consoante o género. No caso das raparigas, uma maior acumulação de atividade física de intensidade ligeira desde a infância revelou-se benéfica para a memória de trabalho na adolescência. Já entre os rapazes, foi a prática regular de atividade física orientada e supervisionada – como modalidades desportivas com treinador – que demonstrou uma associação positiva com essa mesma capacidade cognitiva.

Por outro lado, a análise ao exercício físico não-supervisionado revelou um padrão inesperado: níveis mais baixos de exercício livre autorreportado surgiram associados a um melhor processamento cognitivo.

Curiosamente, as medições brutas de movimento e sedentarismo obtidas pelos sensores corporais não demonstraram correlação direta com a cognição. Este dado reforça a tese dos cientistas: o impacto neurológico depende do conteúdo da atividade – tanto mental, como física – e não apenas do gasto calórico ou da postura corporal.

Associação não é causalidade: o apelo ao bom senso

Apesar da relevância dos dados recolhidos ao longo de quase uma década de acompanhamento, os autores sublinham que se trata de um estudo observacional que identifica associações estatísticas, e não uma relação de causalidade direta.

Fatores paralelos – como o contexto socioeconómico, a curiosidade intelectual inata da criança ou o acompanhamento familiar – podem influenciar tanto a preferência por atividades digitais complexas, como o bom desempenho nos testes de raciocínio.

O estudo finlandês deixa, ainda assim, um contributo decisivo para o debate educativo contemporâneo: substituir o pânico moral em torno dos ecrãs por uma literacia digital exigente e ativa é o caminho mais eficaz para preparar os jovens para o futuro.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Centro de Recursos TIC para a Educação Especial apresenta Livro Multiformato

Foi apresentada pelo Centro de Recursos TIC para a Educação Especial (CRTIC) da Guarda, sediado na Escola Secundária Afonso de Albuquerque, a adaptação da obra de Maria Goretti Caldeira “O Gafanhoto Arco-Íris”.

Um livro adaptado a várias modalidades de acesso à leitura, nomeadamente braille, pictogramas, letra ampliada, audiodescrição e Língua Gestual Portuguesa (LGP), com orientação e edição do CRID do Instituto Politécnico de Leiria.

A obra conta a história de Jordan, um gafanhoto muito especial que, ao longo da sua jornada, descobre importantes lições de vida com a ajuda dos seus amigos.

Este projeto pedagógico foi desenvolvido com o objetivo de responder à diversidade de perfis de aprendizagem dos alunos, integrando múltiplas formas de acesso à informação.

Trata-se de um recurso inclusivo que pretende garantir que todos os alunos, independentemente das suas necessidades, possam aceder ao conteúdo de forma equitativa e significativa. A sessão de apresentação contou com parceiros institucionais, comunidade educativa e público em geral, permitindo dar a conhecer o processo de desenvolvimento do livro, as suas potencialidades pedagógicas e o impacto esperado na promoção de práticas educativas mais inclusivas.

Fonte: O Interior por indicação de Livresco

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os ecrãs estão a desaparecer rapidamente das escolas, embora alguns alunos com deficiência dependam deles

CONCORD, Califórnia — Soraya Martin, aluna do 9.º ano, é uma adolescente alegre e sociável que descobriu recentemente uma nova paixão.

«Sou uma escritora muito criativa, adoro escrever histórias por diversão», afirma.

As histórias surgem naturalmente para Soraya, mas a leitura e a escrita não. Isso deve-se ao facto de ela ter dislexia. «A nível académico, a escola sempre foi um grande desafio para mim.»

Então, no último ano letivo, ela começou a usar uma tecnologia que lhe permite fazer várias coisas: ditar os seus textos em vez de os escrever, ouvir livros em vez de os ler numa página e tirar fotos das notas no quadro.

Isso mudou tudo. Em vez de se preocupar se uma palavra está escrita corretamente, Soraya descobriu que, com a função de conversão de voz em texto integrada no seu portátil escolar, pode simplesmente deixar as palavras fluírem da sua mente para a boca.

«Comecei a ter notas realmente boas», diz ela. «Fez-me sentir que… não sou burra, tenho tanto para dizer e isso fez-me pensar: “Eu consigo fazer isto, consigo ir à escola e consigo ser boa nisso.”»

Isto, diz a sua mãe, Heather Martin, é o tipo de promessa que os ecrãs representam para alunos como a sua filha — alunos que ela teme que estejam a ser esquecidos na reação nacional contra os ecrãs nas escolas. Os ecrãs são cada vez mais culpados por atrapalharem a aprendizagem dos alunos: mais de 30 estados proibiram os telemóveis nas escolas. Alguns estados foram mais longe com propostas ou políticas para remover totalmente ecrãs como computadores portáteis e tablets das salas de aula. No final de maio, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA emitiu um aviso do cirurgião-geral sobre os «malefícios do uso de ecrãs», citando os seus efeitos na saúde das crianças e nos resultados escolares.

Grande parte da tendência de afastar as crianças dos ecrãs nas escolas tem vindo dos pais, que receiam que a utilização dos ecrãs esteja a prejudicar a aprendizagem dos seus filhos — um argumento que Heather Martin ouve na sua própria comunidade em Concord, a cerca de 50 km a nordeste de São Francisco. Ela partilha algumas dessas preocupações, mas afirma: «Em nenhuma altura, durante a conversa, se falou sobre crianças com deficiência, a não ser quando eu abordei o assunto com os outros pais.»

Os defensores desta causa receiam que esses alunos também estejam a ser excluídos do debate nacional.

As propostas de políticas relativas ao tempo de ecrã são frequentemente «um instrumento pouco preciso»

Os alunos com deficiência representam uma percentagem em rápido crescimento do total de alunos neste país — são mais de 8 milhões. Muitos dependem de tecnologias de apoio para superar o dia letivo, incluindo para tomar notas, ler e escrever. Por exemplo, os alunos cegos e com baixa visão podem utilizar software de leitura de ecrã ou de ampliação para ler. Outros, como a Soraya, utilizam conversão de voz em texto e audiolivros.

Estados como o Alabama, o Tennessee e o Utah já têm leis que limitam o uso de ecrãs, com entrada em vigor já em julho.

«A minha preocupação é que esse é um prazo muito curto para que isto aconteça», afirma Lindsay Jones, diretora executiva do Center for Applied Special Technology (CAST), uma organização sem fins lucrativos de investigação em educação que se dedica a tornar os ambientes de aprendizagem acessíveis.

Jones salienta que algumas destas leis preveem exceções às restrições relativas aos ecrãs para alunos com deficiência — muitas vezes, uma linha no texto menciona a tecnologia de apoio. Mas ela afirma que isso deve ser o mínimo indispensável e receia que muitas propostas políticas sejam «um instrumento muito pouco preciso».

«A ação foi tão rápida que, neste verão, deixámos os nossos educadores e as nossas comunidades de pessoas com deficiência a tentar perceber o que se passa», afirma ela. Talvez com mais tempo e com a contribuição das pessoas com deficiência, as políticas protegessem melhor os seus direitos, acrescenta Jones.

Para além das preocupações com as proibições de telemóveis e ecrãs a nível estadual e escolar, os defensores das pessoas com deficiência salientam que o reduzido Departamento de Educação dos EUA está muito menos equipado para fazer valer os direitos civis. Esses direitos incluem o acesso a tecnologia de apoio para alunos com deficiência. A administração Trump também adiou recentemente uma regra de acessibilidade digital há muito esperada para instituições públicas, incluindo escolas.

«Para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade»

No liceu da Soraya, no norte da Califórnia, o último ano letivo foi o primeiro em que os telemóveis dos alunos ficaram guardados em bolsas durante todo o dia letivo — tal como acontece em muitas escolas por todo o país. Heather Martin receia que a proibição dos telemóveis possa abrir caminho para uma proibição mais abrangente dos ecrãs na escola da sua filha.

«Um ambiente completamente livre de ecrãs parece que é deitar fora o bebé com a água do banho», diz ela. «Não se trata de comparar “sem ecrãs” com “sem acessibilidade”. E, para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade.»

Enquanto fala sobre a mudança na sua escola, Soraya fica tensa. «Odeio-as», diz ela sobre as bolsas trancadas. Ela diz que o seu telemóvel não é apenas uma distração, é uma rede de segurança para ligar aos pais se tiver um ataque de pânico, por exemplo. E sente-se destacada quando tem de pedir para tirar o telemóvel da bolsa trancada para tomar notas.

O programa educativo individualizado (PEI) de Soraya, um documento legal que descreve as adaptações e modificações que ela deve receber na escola, diz que ela pode usar o telemóvel para tomar notas, juntamente com outras tecnologias de apoio. Mas como a proibição dos telemóveis é recente, os seus professores ainda estão a adaptar-se. Como tem várias aulas e professores diferentes ao longo do dia, ela diz que é fácil que alguns professores não estejam familiarizados com as suas adaptações.

Este é o tipo de «consequência indesejada» que preocupa Jones ao pensar num futuro próximo em que mais escolas se afastem da tecnologia que, segundo ela, tem sido revolucionária para as pessoas com deficiência. Quando a tecnologia é utilizada de forma intencional, afirma ela, pode «na verdade permitir-nos criar ambientes muito mais flexíveis, e esses são realmente necessários para as pessoas com deficiência».

A organização de Jones, a CAST, criou um quadro educativo chamado «Universal Design for Learning» (Desenho Universal para a Aprendizagem), que incentiva os educadores a conceberem as suas salas de aula de forma a ter em conta as diferentes formas como os alunos aprendem. Por exemplo, um professor pode dar uma aula de matemática utilizando blocos, um diagrama e um vídeo para ajudar a transmitir a mesma lição a alunos com diferentes necessidades. Ou talvez a leitura em sala de aula seja disponibilizada como um livro eletrónico, para que os alunos com baixa visão possam ampliar o texto, enquanto aqueles com dislexia podem ouvir.

À medida que as restrições de ecrã se espalham pelas escolas do país, Jones espera que as pessoas com deficiência não sejam esquecidas. «Precisamos de educadores, precisamos de pessoas com deficiência, precisamos de fornecedores de tecnologia de apoio», para dar a sua opinião sobre como essas políticas são implementadas na sala de aula, diz Jones. «Essa será a melhor forma de avançar para que todos alcancem os seus objetivos sem atropelar os direitos das pessoas.»

Para Soraya, o uso deste tipo de ferramentas levou-a a aceitar as suas diferenças de aprendizagem. Na verdade, acabou de concluir uma investigação e de escrever uma série de ensaios que exploram a forma como as pessoas com dislexia aprendem. Pela primeira vez na vida, tem só notas máximas, mas, mais importante ainda, diz que consegue expressar-se de uma forma mais profunda e significativa.

«Tenho muito mais para dizer… Isso fez-me sentir mais confiante em mim mesma.»

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: kpbs por indicação de Livresco

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Inteligência Artificial em Contexto Educativo

O Conselho Nacional de Educação publicou a Recomendação n.º 4/2026, de 21 de maio, sobre a integração da Inteligência Artificial no sistema educativo português.
A recomendação pode ser acedida aqui ou aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Socra funciona como um professor para transformar conversas com IA em sessões de estudo

A IA pode ajudar nos estudos e hoje, além de chatbots como o ChatGPT, Gemini ou Claude, que já têm opções criadas especificamente para estudantes, existem várias ferramentas e plataformas concebidas para orientar o processo de aprendizagem. A Socra faz parte deste universo e propõe uma abordagem baseada no método socrático.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Em vez de ser um “motor de respostas”, a plataforma foi concebida para funcionar como uma espécie de companheiro de pensamento, ajudando os utilizadores a raciocinar, explicar e a desenvolverem novos conhecimentos por si próprios.

Na prática, ao introduzir um tema, dúvida ou problema, a plataforma começa por definir um objetivo claro para a conversa e passa a fazer perguntas que exigem explicações com palavras próprias.

A plataforma organiza-se em torno de duas ferramentas: a Socra AI Tutor, que se foca na aprendizagem, estudo e compreensão de temas complexos; e a SocraDraft, mais orientada para a escrita e organização de ideias.

Na primeira, o objetivo é funcionar como uma sessão de estudo orientada. No final, a conversa é transformada em materiais de estudo estruturados a partir do raciocínio do utilizador durante a sessão. Já na segunda, o método é aplicado à escrita para ajudar a clarificar, organizar e estruturar ideias.

Além de estudantes em preparação para exames ou a estudar temas complexos, a plataforma também pode ser útil para professores, investigadores, escritores ou criadores de conteúdo, afirmam os criadores da plataforma.

A Socra conta com um modo gratuito, bem como modalidades pagas que dão acesso a mais funcionalidades, com preços que começam nos 6 dólares por mês. A plataforma também está disponível como app para Android, a partir da Play Store, e para iOS, através da App Store.

Fonte: Tek Sapo por indicação de Livresco

quinta-feira, 12 de março de 2026

"Ignorar não é opção": Guia ajuda educadores a combater desinformação digital

A plataforma de literacia mediática "Educar no Digital" lançou um guia prático sobre desinformação, defendendo a importância de abordar o tema com crianças e jovens e alertando que ignorá-lo não é opção.

Contactada pela Lusa, a mentora da plataforma de literacia digital "Educar no Digital", Sofia Macedo, considerou que ignorar o problema não é uma opção, uma vez que os mais novos não só consomem informação online como também a partilham nas redes sociais.

"A desinformação faz, hoje, parte do ambiente digital em que vivemos. Ignorá-la não é uma opção. Falar sobre este tema com crianças e jovens é essencial", afirmou.

Segundo Sofia Macedo, distinguir conteúdos verdadeiros de informação manipulada já representa um desafio para adultos e torna-se ainda mais difícil para crianças e adolescentes, que estão numa fase de desenvolvimento do pensamento crítico.

Por isso, defendeu que é fundamental alertar os mais novos para o fenómeno e dar-lhes ferramentas que os ajudem a "navegar pela informação de forma mais consciente e crítica".

Neste sentido, o guia pretende apoiar pais e educadores a compreender melhor a forma como a informação circula nas redes sociais e a promover o diálogo com crianças e jovens sobre o tema.

Compreender "sim", ignorar "não"

Nas plataformas digitais, explicou a responsável, a informação surge frequentemente misturada com entretenimento, opiniões ou publicidade, o que dificulta a identificação do que é efetivamente informação.

Além disso, os algoritmos tendem a reforçar conteúdos semelhantes aos que os utilizadores já consomem, criando "bolhas informativas que acabam por amplificar ideias e visões mais extremadas", afirmou.

Desta forma, a responsável considerou que pais e professores devem procurar compreender o universo digital em que os jovens se movimentam. "É perfeitamente legítimo que um pai ou professor não tenha interesse em ter um perfil nas redes sociais, partilhar imagens no Instagram ou fazer danças no TikTok. Porém, a partir do momento em que os mais novos vivem esses universos, não os podemos ignorar", disse.

Sofia Macedo alertou também para a importância de não desvalorizar a relevância que as redes sociais têm na vida dos jovens. "Quando os adultos ridicularizam ou ignoram isso, perdem uma oportunidade importante de diálogo", referiu.

Estratégias

Entre as estratégias sugeridas está o estímulo ao pensamento crítico através de perguntas simples, como quem publicou determinada informação, com que intenção ou quem pode beneficiar com a sua divulgação.

O guia apontou ainda outras medidas, como o uso de controlos parentais, o adiamento da criação de contas nas redes sociais ou a definição de regras de bem-estar digital em casa.

A responsável alertou igualmente para o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) na criação de conteúdos manipulados. "A IA torna mais fácil criar conteúdos manipulados, como vídeos, imagens ou vozes falsas, que podem parecer extremamente credíveis", afirmou.

Segundo Sofia Macedo, ferramentas que antes exigiam conhecimentos técnicos estão agora acessíveis a qualquer pessoa, o que aumentou a capacidade de produzir e disseminar desinformação em larga escala.

Tecnologias como os chamados "deepfakes" (conteúdo manipulado) podem também ter impactos significativos na forma como as pessoas interpretam acontecimentos, acrescentou.

Assim, o objetivo do guia "Desinformação - Guia Prático para Pais e Professores" é contribuir para um maior diálogo entre famílias, educadores e jovens sobre o fenómeno da desinformação.

Fonte: JN por indicação de Livresco

quinta-feira, 5 de março de 2026

Novas orientações em matéria de educação digital

A Comissão Europeia publicou quatro conjuntos de orientações para ajudar os professores do ensino primário e secundário e os dirigentes escolares a navegar no panorama digital. Estas orientações ajudam as escolas a combater a desinformação, a promover a utilização ética da inteligência artificial, a apoiar o ensino da informática e a melhorar a qualidade dos conteúdos digitais.

Descubra as diretrizes que incluem cenários de sala de aula, recursos práticos, perguntas de discussão e listas de verificação.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

“Sem literacia digital sólida, o risco não é apenas técnico, mas social”

À medida que as crianças crescem rodeadas por ecrãs e aplicações, a linha entre diversão e risco digital torna-se cada vez mais ténue. Teresa Zagallo, Diretora de Cibersegurança da KPMG Portugal, acredita que o verdadeiro desafio não é ensinar a usar tecnologia, mas sim ensinar a viver com ela.

Em entrevista à Executive Digest, Teresa Zagallo analisa a importância da literacia digital, o papel das empresas tecnológicas, o crescimento da Inteligência Artificial e detalha como o Cyber Day da KPMG procura capacitar crianças, jovens e professores para navegar com segurança no mundo digital.

Estamos a educar crianças para usar tecnologia ou para viver com tecnologia? Qual é a diferença?

Durante muitos anos, o foco esteve sobretudo em ensinar as crianças a usar tecnologia, ferramentas, dispositivos e aplicações. Hoje, esse paradigma é insuficiente. Vivemos num contexto em que a tecnologia está integrada em quase todas as dimensões da nossa vida, pelo que o verdadeiro desafio é educá-las para viver com a tecnologia. A diferença entre estes paradigmas está na intenção, uma vez que usar tecnologia é algo meramente operacional, e viver com tecnologia implica desenvolver pensamento crítico, consciência dos riscos, responsabilidade digital, empatia e capacidade de decisão informada. É esta segunda abordagem que visa preparar crianças e jovens para um mundo digital complexo e em constante mudança.

A rapidez da evolução tecnológica está a criar uma geração mais informada ou apenas mais exposta?

A tecnologia tem o potencial de criar uma geração mais informada, mas sem literacia digital adequada, está sobretudo a criar uma geração mais exposta. O acesso à informação não equivale à sua compreensão, nem à capacidade de distinguir conteúdos fidedignos de desinformação. As crianças e jovens estão hoje mais vulneráveis a riscos como fraude, cyberbullying, exposição excessiva, manipulação de informação e dependência digital, precisamente porque a velocidade da inovação não tem sido acompanhada por uma educação proporcional em segurança e responsabilidade digital.

A literacia digital deveria ser tratada como disciplina autónoma nas escolas?

Idealmente, a literacia digital deveria ser encarada como uma competência transversal, integrada ao longo de todo o percurso escolar. Embora estes conteúdos já estejam hoje presentes no currículo de várias disciplinas e anos de escolaridade, acabam muitas vezes por ser abordados de forma pontual, sem estrutura, pouco aprofundada e sem uma visão verdadeiramente integrada.

Dada a complexidade e a relevância crescente do mundo digital, faz sentido que exista tempo e espaço dedicados a estes temas, garantindo consistência, continuidade e adequação às diferentes idades. Mais do que criar uma disciplina isolada, é essencial assegurar que a literacia digital – incluindo a cibersegurança, a ética digital, o pensamento crítico, a privacidade e a cidadania digital – seja trabalhada de forma estruturada, progressiva e transversal em todo o percurso educativo.

Até que ponto as empresas tecnológicas têm responsabilidade direta na educação digital das crianças?

As empresas tecnológicas têm uma responsabilidade clara e crescente. Não apenas no desenho de produtos mais seguros e transparentes, mas também no apoio ativo à educação digital das comunidades onde operam. Essa responsabilidade não substitui a da escola ou da família, mas deve ser complementar, através de iniciativas de sensibilização, conteúdos educativos acessíveis e colaboração com entidades públicas e privadas para promover ambientes digitais mais seguros.

A inteligência artificial nas mãos de jovens é mais uma oportunidade ou um risco mal compreendido?

A inteligência artificial é, acima de tudo, uma oportunidade, mas que pode tornar-se um risco quando é usada sem enquadramento, espírito crítico ou compreensão dos seus limites. Para os jovens, a IA pode potenciar a criatividade, a aprendizagem e a inclusão. No entanto, sem literacia adequada, existe o risco de dependência, perda de pensamento crítico, uso acrítico da informação e violação de privacidade. O foco deve estar em ensinar como usar IA de forma ética, responsável e consciente.

As profissões do futuro exigirão mais competências técnicas ou mais pensamento crítico e ética digital?

As profissões do futuro exigirão ambos, mas o pensamento crítico, a ética digital e a capacidade de adaptação serão diferenciadores essenciais. As competências técnicas evoluem rapidamente; a capacidade de questionar, interpretar, tomar decisões informadas e agir de forma ética é o que permitirá acompanhar essa evolução. Formar jovens apenas em tecnologia, sem valores e consciência digital, é insuficiente para responder aos desafios futuros.

Em que consiste o Cyber Day da KPMG?

A iniciativa KPMG Global Cyber Day é um programa anual concebido para apoiar as comunidades, educando os jovens sobre a importância da cibersegurança e dos riscos na internet. Inclui apresentações presenciais adaptadas a diferentes faixas etárias, abordando temas como o uso das redes sociais, proteção da identidade online, cyberbullying, jogos online e ciberameaças. O programa foi desenvolvido para crianças e jovens dos 6 aos 16 anos, bem como para professores e pais, reconhecendo o papel fundamental que todos desempenham na educação digital.

Que lacunas mais urgentes em literacia digital identificam hoje nas crianças e jovens portugueses?

Destacam-se lacunas ao nível da proteção da identidade digital, privacidade, reconhecimento de riscos online, pensamento crítico sobre conteúdos e comportamento responsável nas redes sociais. Existe também uma perceção limitada das consequências reais das ações no mundo digital, bem como uma normalização de práticas inseguras que exigem intervenção precoce e contínua.

Que metas concretas gostariam de atingir em termos de impacto real nas escolas?

As metas que definimos vão além de números ou quotas anuais. O foco está no impacto real e sustentável nas comunidades escolares. Esta iniciativa enquadra-se no compromisso global da KPMG 10by30, cujo objetivo é contribuir para a capacitação económica de 10 milhões de jovens desfavorecidos até 2030.

No âmbito do Cyber Day, o contributo passa por capacitar crianças e jovens do ponto de vista do risco digital, dotando-os de conhecimento e ferramentas que lhes permitam navegar no mundo digital de forma mais segura, informada e responsável. Mais do que definir metas quantitativas, o nosso compromisso é chegar progressivamente a mais escolas, crianças e jovens, como temos vindo a fazer ao longo dos últimos anos, assegurando que este conhecimento essencial é acessível a todos. Paralelamente, procuramos envolver professores e pais, de forma a prolongar estas conversas para além da sala de aula e reforçar a mudança de comportamentos no dia a dia.

O que mais a preocupa quando pensa no ambiente digital onde crescerão as próximas gerações?

A maior preocupação é que as próximas gerações cresçam num ambiente digital altamente sofisticado, mas sem as ferramentas e o apoio necessários para o compreender e questionar. Sem literacia digital sólida, o risco não é apenas técnico, mas social: perda de autonomia, normalização de comportamentos abusivos e dificuldade em distinguir o que é seguro, ético e verdadeiro. É por isso essencial agir hoje, de forma estruturada e colaborativa.

Fonte: Executive Digest por indicação de Livresco

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O engenheiro cego ex-Google que criou uma app gratuita para devolver a autonomia a milhares de pessoas


Existem histórias que nos fazem acreditar no poder transformador da tecnologia, e a de Jonathan Santos é, sem dúvida, uma delas. Engenheiro de software com um currículo invejável, que inclui passagens por gigantes como a Google e a Samsung, Jonathan carrega consigo uma particularidade que moldou a sua visão de mundo: é cego. Mas longe de permitir que a deficiência visual fosse uma barreira intransponível, utilizou o seu conhecimento em Inteligência Artificial para criar a Visionauta, uma aplicação gratuita que está a devolver a independência a milhares de pessoas.

O percurso de Jonathan é marcado por uma excelência académica e profissional que desafia preconceitos. Doutorado em Engenharia da Computação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, no Brasil, o investigador sempre focou a sua carreira no desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade. No seu interior, a motivação para criar a Visionauta não foi apenas académica; foi uma necessidade vital de quem conhece, na primeira pessoa, os desafios de atravessar uma rua, ler uma ementa num restaurante ou identificar uma nota de dinheiro num balcão de pagamento. 

Visionauta: Mais do que uma app, um assistente visual portátil

Lançada recentemente na Google Play Store, a Visionauta funciona como uma espécie de “extensão visual” para quem não pode ver ou tem baixa visão. A aplicação utiliza modelos avançados de IA para interpretar o mundo em tempo real através da câmara do smartphone. Ao contrário de outras soluções mais complexas ou pagas, Jonathan desenhou a Visionauta para ser simples, rápida e, acima de tudo, gratuita. O engenheiro descreve-a frequentemente como “a aplicação que eu próprio gostaria de ter tido”, focando-se na resolução de problemas práticos do quotidiano.

Entre as funcionalidades principais, destaca-se o leitor de textos em voz alta, capaz de interpretar desde documentos oficiais a rótulos de embalagens. A app consegue também identificar moedas como o Real, o Dólar e o Euro e possui uma lupa eletrónica com modos de alto contraste para quem ainda possui visão residual. Mas o verdadeiro “cérebro” da operação é o assistente de IA integrado, que permite ao utilizador fazer perguntas sobre o ambiente ao seu redor, recebendo descrições detalhadas de cenas, objetos e cores.


O nascimento da ideia no mundo académico

A génese da Visionauta ocorreu durante o mestrado de Jonathan em Engenharia da Computação. Sob a orientação dos professores Ismar Frango e Nizam Omar, especialistas em Pensamento Computacional e IA, o projeto ganhou corpo como uma ferramenta de inclusão. Jonathan explica que, no seu interior, a arquitetura da app foi pensada para ser leve, permitindo que corra em smartphones menos potentes, garantindo que a acessibilidade não seja um luxo, mas um direito acessível a todos.

A experiência adquirida na Google e na Samsung foi fundamental para que Jonathan conseguisse implementar algoritmos de reconhecimento de imagem de alta precisão. No entanto, o seu diferencial não é apenas o código, mas a empatia técnica. Como pessoa cega, ele entende que a latência de um segundo na resposta da IA pode ser a diferença entre a segurança e o perigo ao caminhar numa cidade movimentada. Por isso, a Visionauta foca-se na velocidade de processamento e na clareza do feedback sonoro, adaptado às necessidades reais da comunidade.

Independência e o futuro da acessibilidade digital

O impacto da Visionauta já se faz sentir a nível global. Ao oferecer uma ferramenta que identifica objetos por comando de voz e descreve cenas em tempo real, Jonathan Santos está a fornecer as chaves da autonomia a pessoas que, muitas vezes, dependiam de terceiros para as tarefas mais básicas. Para o engenheiro, o trabalho não termina com o lançamento da app; a investigação contínua em IA é o que permitirá, num futuro próximo, uma integração ainda mais profunda com dispositivos vestíveis e óculos inteligentes.

A história de Jonathan é um lembrete poderoso de que a inclusão digital não deve ser uma funcionalidade secundária no desenvolvimento de software. Pelo contrário, quando o design é feito por quem vive a exclusão, o resultado é uma inovação que beneficia toda a sociedade. A Visionauta é a prova de que a Inteligência Artificial, quando orientada por propósitos humanos e éticos, tem o potencial de ser um dos maiores niveladores sociais da história da humanidade.

Conclusão

Jonathan Santos não é apenas um engenheiro de software brilhante; é um visionário que viu na escuridão a oportunidade de iluminar o caminho de outros. Através da Visionauta, ele transformou o seu conhecimento em liberdade. Disponível na Play Store para Android, a aplicação é hoje um símbolo de resistência e de esperança para a comunidade de deficientes visuais. Em 2026, num mundo cada vez mais dominado por ecrãs, Jonathan recorda-nos que o mais importante é garantir que ninguém fique para trás, independentemente da forma como perceciona o mundo ao seu redor.

Fonte: Android Geek por indicação de Livresco

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

«A inteligência artificial nas perturbações do neurodesenvolvimento»


As perturbações do neurodesenvolvimento representam um conjunto heterogéneo de patologias que beneficiam de diagnóstico precoce, avaliação contínua e intervenção especializada. Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) tem aberto novas possibilidades para melhorar cada uma destas etapas.

Relativamente ao diagnóstico, existem vários modelos de IA baseados em machine learning que conseguem analisar grandes volumes de dados clínicos, escalas de rastreio, padrões de linguagem, voz, expressões faciais e movimentos, sendo que vários estudos recentes demonstram que algoritmos de IA podem identificar sinais precoces de perturbação do espetro do autismo (PEA) a partir de vídeos curtos.

Algumas ferramentas de processamento de linguagem natural conseguem analisar padrões de linguagem e, embora não substituam a avaliação clínica, podem servir como pré-rastreio para o diagnóstico de patologias como a perturbação do desenvolvimento da linguagem, auxiliando na priorização de casos para avaliação especializada.

Aplicações móveis e wearables com IA permitem monitorizar variáveis comportamentais e cognitivas de forma contínua, detetando alterações subtis no padrão de sono, nível de atividade ou desempenho em tarefas de jogo. Estes dados podem complementar a observação clínica, fornecer métricas objetivas e apoiar decisões sobre ajustes terapêuticos.

A IA pode ajudar na adaptação de planos terapêuticos, sugerindo atividades de terapia da fala, terapia ocupacional ou terapia cognitivo-comportamental com base em dados do progresso da criança. Plataformas educativas com algoritmos adaptativos ajustam a dificuldade das tarefas conforme a resposta, promovendo o envolvimento e uma maior motivação da criança.

Por outro lado, chatbots e assistentes virtuais podem fornecer informação validada e adaptada ao nível de literacia da família, apoiar na gestão de rotinas e medicação e facilitar a comunicação entre pais, terapeutas e professores. Na Consulta de Neurodesenvolvimento a IA pode ainda ter um papel fundamental na integração de vários dados clínicos e na redução da burocracia associada à Consulta.

Contudo, apesar de todo este potencial, o uso da IA nas perturbações do neurodesenvolvimento levanta questões importantes, como a validação científica (muitos algoritmos foram treinados com amostras limitadas, não necessariamente representativas da nossa população), assim como é crucial garantir conformidade com normas como o RGPD, sendo fundamental a privacidade e segurança dos dados das “nossas crianças”. Existe ainda o risco de sobredependência tecnológica: a IA deve apoiar e não substituir o nosso juízo clínico.

A IA constitui, portanto, uma ferramenta promissora para otimizar o rastreio, a monitorização e a personalização do cuidado em crianças com perturbações do neurodesenvolvimento.

A integração bem-sucedida dependerá da sua validação robusta, da adequada formação dos profissionais e de um enquadramento ético claro. Para os pediatras do Neurodesenvolvimento é importante conhecer estas ferramentas, criticar ativamente a sua utilidade e saber incorporá-las de forma segura na sua prática clínica, mantendo o foco no cuidado centrado na criança/adolescente e na família.

Daniel Gonçalves

Pediatra do Neurodesenvolvimento, ULS de São João

Fonte: Just News por indicação de Livresco

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Como a Finlândia está a preparar as crianças para um mundo dominado pela IA

A desinformação já não é apenas um problema dos adultos. Com imagens, vídeos e notícias falsas geradas por Inteligência Artificial (IA) a circularem cada vez mais depressa, a Finlândia decidiu agir cedo. Muito cedo. De que forma o país está a preparar as crianças para um mundo dominado pela tecnologia?

Na Finlândia, desde o pré-escolar, as crianças aprendem a questionar o que veem e a distinguir factos de ficção.

Numa estratégia educativa que coloca o país na linha da frente do combate aos deepfakes e às fake news, os mais novos irão aprender, também, a reconhecer conteúdos criados por IA.

Em maio de 2025, circulou pela Internet uma fotografia, criada por IA, com Donald Trump na figura de Papa.

Literacia mediática: "de pequenino se torce o pepino"

Durante décadas, a Finlândia tem sido uma referência no ensino da literacia mediática. Agora, com a proliferação de deepfakes e conteúdos gerados por IA, o país nórdico passou a incluir a literacia em IA nos programas escolares, desde idades tão precoces quanto os três anos.

Na perspetiva do país, o combate à desinformação deverá começar logo no pré-escolar. Por isso, desde há vários anos que os seguintes tópicos são incluídos no currículo escolar:
  • Analisar conteúdos mediáticos;
  • Identificar fontes credíveis;
  • Reconhecer notícias falsas.
O objetivo é claro: formar cidadãos mais críticos, resilientes à propaganda e menos vulneráveis à manipulação da informação.


Desinformação como ameaça à democracia

Este esforço ganhou ainda mais relevância após o aumento das campanhas de desinformação na Europa, intensificadas depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.

A adesão da Finlândia à NATO, em 2023, elevou ainda mais o nível de alerta, apesar de Moscovo negar interferências externas, conforme recordado.

Segundo Kiia Hakkala, especialista pedagógica da cidade de Helsínquia, a literacia mediática é, hoje, uma competência cívica essencial. Além da educação, está diretamente ligada à segurança nacional e à proteção da democracia.


Com a IA, distinguir factos de ficção tem de ser uma competência básica

Numa escola primária em Tapanila, nos arredores de Helsínquia, alunos do quarto ano já aprendem a distinguir factos de ficção. Entre manchetes, imagens e vídeos, os estudantes são incentivados a questionar, analisar e desconfiar.

De acordo com o professor Ville Vanhanen, os alunos já lidam com conceitos de desinformação há vários anos. Agora, contudo, o foco está em identificar sinais visuais e contextuais que possam indicar conteúdos gerados por IA, como imagens artificiais ou vídeos manipulados.


Newspaper Week

Neste cenário de literacia, os meios de comunicação social assumem, também, um papel ativo. Todos os anos é promovida a iniciativa Newspaper Week, que leva jornais e conteúdos noticiosos às escolas.

Em 2024, o diário Helsingin Sanomat lançou o ABC Book of Media Literacy, distribuído a todos os jovens de 15 anos que iniciam o ensino secundário.

Para Jussi Pullinen, editor executivo do jornal, é crucial que os media sejam vistos como fontes de informação verificadas, transparentes e fiáveis, especialmente num contexto de crescente desinformação online.

De facto, a literacia mediática faz parte do sistema educativo finlandês desde a década de 1990 e estende-se, também, aos adultos, com cursos específicos para grupos mais vulneráveis.

Por via destas estratégias, a Finlândia lidera consistentemente o European Media Literacy Index, elaborado entre 2017 e 2023.


O desafio da IA no mundo da informação

O ministro da Educação da Finlândia, Anders Adlercreutz, reconhece que poucos anteciparam um cenário tão complexo. A democracia e as instituições estão cada vez mais expostas a ataques de informação, muitas vezes difíceis de detetar.

Com a rápida evolução das ferramentas de IA, especialistas alertam que distinguir o que é real do que é falso vai tornar se cada vez mais desafiante.

Embora atualmente muitos conteúdos artificiais ainda apresentem falhas visíveis, esse cenário poderá mudar rapidamente.

Como refere Martha Turnbull, do European Centre of Excellence for Countering Hybrid Threats, o verdadeiro desafio surgirá quando a tecnologia atingir um nível de sofisticação muito superior.

Por isso, preparar as novas gerações para esse futuro é, para a Finlândia, uma prioridade absoluta.

Fonte: pplware por indicação de Livresco