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terça-feira, 20 de maio de 2025

A análise de escrita por IA pode detetar precocemente a dislexia e a disgrafia

Poderá vir a ser um bálsamo para a falta de terapeutas da fala e ocupacionais a nível nacional, que desempenham um papel fundamental no diagnóstico da dislexia e da disgrafia.

“A deteção precoce destas perturbações do desenvolvimento neurológico é extremamente importante para garantir que as crianças recebam a ajuda de que necessitam antes que isso tenha um impacto negativo na sua aprendizagem e no seu desenvolvimento socio-emocional.

“O nosso objetivo final é simplificar e melhorar o rastreio precoce da dislexia e disgrafia e tornar estas ferramentas mais amplamente disponíveis, especialmente em áreas carenciadas”, diz o autor correspondente do estudo, Venu Govindaraju, PhD, SUNY Distinguished Professor no Departamento de Ciência e Engenharia Informática da UB.

O trabalho faz parte do National AI Institute for Exceptional Education, que é uma organização de investigação liderada pela UB que desenvolve sistemas de IA que identificam e ajudam crianças pequenas com distúrbios de processamento da fala e da linguagem.

Baseia-se em trabalhos anteriores de reconhecimento de escrita à mão

Décadas atrás, Govindaraju e os seus colegas fizeram um trabalho inovador empregando aprendizagem de máquina, processamento de linguagem natural e outras formas de IA para analisar a caligrafia, um avanço que o Serviço Postal dos EUA e outras organizações ainda usam para automatizar a classificação de correspondência.

O novo estudo propõe uma estrutura e metodologias semelhantes para identificar problemas de ortografia, má formação de letras, problemas de organização da escrita e outros indicadores de dislexia e disgrafia.

O objetivo é desenvolver a investigação anterior, que se centrou mais na utilização da IA para detetar a disgrafia (a menos comum das duas doenças), porque provoca diferenças físicas facilmente observáveis na caligrafia de uma criança.

A dislexia é mais difícil de detetar desta forma porque se centra mais na leitura e na fala, embora certos comportamentos como a ortografia ofereçam pistas.

O estudo refere ainda que existe uma escassez de exemplos de caligrafia de crianças para treinar modelos de IA.

Recolha de amostras de alunos do ensino básico e secundário

Para enfrentar estes desafios, uma equipa de cientistas informáticos da UB, liderada por Govindaraju, reuniu informações de professores, terapeutas da fala e da linguagem e terapeutas ocupacionais para ajudar a garantir que os modelos de IA que estão a desenvolver são viáveis na sala de aula e noutros contextos.

“É extremamente importante examinar estas questões e construir ferramentas melhoradas por IA, do ponto de vista dos utilizadores finais”, afirma a coautora do estudo, Sahana Rangasrinivasan, uma estudante de doutoramento do Departamento de Ciência e Engenharia Informática da UB.

A equipa também fez parceria com o coautor do estudo Abbie Olszewski, PhD, professor associado em estudos de alfabetização na Universidade de Nevada, Reno, que co-desenvolveu a Lista de Verificação de Indicadores Comportamentais de Disgrafia e Dislexia (DDBIC) para identificar sintomas que se sobrepõem entre dislexia e disgrafia.

A equipa recolheu amostras de escrita em papel e tablet de alunos do jardim de infância ao 5º ano de uma escola primária de Reno. Esta parte do estudo foi aprovada por um conselho de ética e os dados foram tornados anónimos para proteger a privacidade dos alunos.

Utilizarão estes dados para validar a ferramenta DDBIC, que se centra em 17 sinais comportamentais que ocorrem antes, durante e depois da escrita; treinar modelos de IA para completar o processo de rastreio DDBIC; e comparar a eficácia dos modelos em comparação com as pessoas que administram o teste.

O trabalho coloca a tónica na IA para o bem público

O estudo descreve como os modelos da equipa podem ser utilizados para:
  • Detetar dificuldades motoras através da análise da velocidade de escrita, da pressão e dos movimentos da caneta.
  • Examinar os aspetos visuais da escrita à mão, incluindo o tamanho e o espaçamento das letras.
  • Converter a escrita manual em texto, detetando erros ortográficos, inversões de letras e outros erros.
  • Identificar problemas cognitivos mais profundos com base na gramática, no vocabulário e noutros fatores.
Por fim, aborda uma ferramenta que combina todos estes modelos, resume as suas conclusões e fornece uma avaliação abrangente.

“Este trabalho, que está em curso, mostra como a IA pode ser utilizada para o bem público, fornecendo ferramentas e serviços às pessoas que mais precisam”, afirma a coautora do estudo, Sumi Suresh, doutorada, uma académica visitante da UB.

Outros co-autores incluem Bharat Jayarman, PhD, diretor do Instituto Amrita de Investigação Avançada e professor emérito do Departamento de Informática e Engenharia da UB; e Srirangaraj Setlur, investigador principal do Centro de Biometria e Sensores Unificados da UB.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: Neuro Sciences New por indicação de Livresco

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Disgrafia

O que é a disgrafia?
A disgrafia é uma condição neurológica em que alguém tem dificuldade em transformar os seus pensamentos em linguagem escrita pela sua idade e capacidade de pensar, apesar da exposição a instrução e educação adequadas. A disgrafia pode apresentar-se com muitos sintomas diferentes em diferentes idades. É considerada uma diferença de aprendizagem.

A escrita é um processo complexo que envolve muitas competências e funções cerebrais, incluindo:
  • Boas capacidades motoras.
  • Perceção espacial (capacidade de perceber o espaço à sua volta).
  • Memória de trabalho (capacidade de segurar e manipular informação na sua mente).
  • Codificação ortográfica (capacidade de formar, armazenar e recordar letras, números e símbolos).
  • Processamento linguístico.
  • Conceptualização.
  • Organização.
Devido a isto, a disgrafia é de certa forma um termo de "pegar tudo" para diagnosticar problemas com a escrita e pode ser difícil de diagnosticar.

A disgrafia aparece geralmente quando as crianças estão a aprender a escrever pela primeira vez. A isto chama-se disgrafia de desenvolvimento. As pessoas também podem desenvolver a disgrafia subitamente após algum tipo de traumatismo craniano ou cerebral. A isto chama-se disgrafia adquirida.

A disgrafia é considerada uma "perturbação de aprendizagem específica" - mais especificamente, uma "perturbação de aprendizagem específica na expressão escrita".

A disgrafia é uma forma de dislexia?
A dislexia e a disgrafia são duas condições neurológicas distintas, embora sejam fáceis de confundir porque partilham sintomas e ocorrem frequentemente em conjunto.

A dislexia é uma diferença de aprendizagem que torna mais difícil para as pessoas aprenderem a ler. Se tiver dislexia, pode ler mais lentamente ou ter dificuldade em reconhecer as palavras. Muitas vezes, as pessoas com dislexia leem a um nível inferior ao esperado. As pessoas com dislexia podem ter dificuldade em dividir as palavras em sons ou em relacionar letras com sons quando leem.

A disgrafia envolve dificuldades com o ato de escrever. As dificuldades podem variar de questões com a escrita física de palavras a questões com a organização e expressão de pensamentos na forma escrita.

A disgrafia é uma forma de autismo?
A disgrafia não é uma forma de perturbação do espectro do autismo (ASD). Embora a disgrafia ocorra normalmente em pessoas com autismo, é possível ter disgrafia sem ter autismo.

A desordem do espectro do autismo é uma condição de desenvolvimento neurológico caracterizada por:
  • Dificuldades nas diferenças de comunicação social.
  • Dificuldades nas interações sociais.
  • Padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos.
  • Problemas sensoriais.
Quem é que a disgrafia afeta?
A disgrafia pode afetar crianças e adultos. Como em muitas condições de desenvolvimento neurológico, a disgrafia é mais comum em crianças a quem foi atribuído um homem à nascença (AMAB) do que em crianças a quem foi atribuído uma mulher à nascença (AFAB).

É mais provável que tenha disgrafia se outros membros da família também a tiverem, e a disgrafia é comum em crianças com perturbação do espectro do autismo (ASD) e/ou perturbação do défice de atenção e hiperatividade (ADHD).

Quão comum é a disgrafia?
A disgrafia é comum. Os investigadores estimam que 5% a 20% das pessoas têm disgrafia. O intervalo estimado é grande porque a disgrafia muitas vezes não é diagnosticada ou é mal diagnosticada.

Quais são os sinais de disgrafia?
As pessoas com disgrafia podem ter várias dificuldades diferentes quando se trata de escrever e podem falar mais fácil e fluentemente do que escrevem. Podem ter problemas com:
  • Formação e/ou legibilidade da letra.
  • Tamanho e espaçamento das letras.
  • Ortografia.
  • Coordenação motora fina.
  • Taxa ou velocidade de escrita.
  • Gramática.
  • Composição.
As formas específicas que a disgrafia pode apresentar incluem:
  • Dificuldades de escrita em linha reta.
  • Dificuldades em manter e controlar uma ferramenta de escrita.
  • Escrever cartas em sentido inverso.
  • Dificuldades em recordar a forma como as letras são formadas.
  • Ter dificuldades em saber quando utilizar letras minúsculas ou maiúsculas.
  • Dificuldades em formar frases escritas com a gramática e pontuação corretas.
  • Omitir palavras das frases.
  • Ordenação incorreta de palavras nas frases.
  • Utilização incorreta de verbos e pronomes.
Ter um destes sinais não significa que uma pessoa tenha disgrafia, mas se o seu filho tem dificuldades em aprender as aptidões básicas de escrita que são adequadas à sua idade, deve ser testado para ver se precisa de ajuda específica.

O que causa a disgrafia?
Os cientistas e neurologistas não têm a certeza do que causa a disgrafia de desenvolvimento. A escrita é uma tarefa complexa, e várias áreas do seu cérebro estão envolvidas no processo. Parece haver uma ligação genética, uma vez que a disgrafia corre frequentemente em famílias.

Como é diagnosticada a disgrafia?
O Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais 5ª edição (DSM-5) inclui a disgrafia na categoria "distúrbio específico de aprendizagem", mas não a define como um distúrbio separado e não tem critérios específicos para o diagnóstico. Isto pode tornar a disgrafia difícil - mas não impossível - de diagnosticar.

Semelhante ao processo de avaliação da dislexia, uma avaliação da disgrafia envolve uma cuidadosa consideração da disgrafia do seu filho:
  • Pontos fortes e fracos da aprendizagem.
  • História educacional.
  • A extensão das suas dificuldades de escrita.
  • O tipo de dificuldades de escrita que estão a ter.
  • Que impacto teve a terapia pedagógica orientada (remediação) e o apoio nos seus atuais níveis de sucesso académico.
O diagnóstico de disgrafia é tipicamente feito num ambiente educativo por uma avaliação de equipa, que pode incluir os seguintes especialistas:
  • Terapeutas ocupacionais.
  • Fisioterapeutas.
  • Professores de educação especial.
  • Psicólogos da educação.
  • Terapeutas da fala.
  • Neuropsicólogos.
Quando deve o meu filho ser testado para disgrafia?
Normalmente, os testes iniciais são melhores para diferenças de aprendizagem. O seu filho pode aprender novas estratégias de escrita mais cedo, quando a disgrafia é diagnosticada precocemente. Dependendo de como o seu filho é afetado pela disgrafia, ele pode apresentar sinais da doença logo aos 5 anos de idade ou tão tarde quanto na idade adulta.

Como as exigências da escrita na escola aumentam com a idade, é importante diagnosticar a disgrafia o mais cedo possível. É também importante lembrar que nunca é demasiado tarde para obter um diagnóstico e ajuda.

A escola do seu filho pode recomendar uma avaliação para dificuldades de aprendizagem com um psicólogo educacional certificado. Peça ajuda à administração da escola para encontrar um disponível para si.

Que testes serão feitos para diagnosticar a disgrafia?
Não há testes médicos necessários ou disponíveis para diagnosticar a disgrafia. Em vez disso, os prestadores de cuidados de saúde e os especialistas em educação avaliam cuidadosamente as dificuldades de escrita do seu filho para fazer um diagnóstico.

Os prestadores de cuidados de saúde podem utilizar as seguintes avaliações e testes no processo de diagnóstico:
  • Avaliações de caligrafia formalizadas: Estes testes podem ajudar a medir a velocidade e legibilidade da escrita do seu filho.
  • Teste de Desenvolvimento de Beery de Integração Visuomotora (VMI): Este teste ajuda a avaliar até que ponto o seu filho pode integrar as suas capacidades visuais e motoras, o que é necessário para a escrita.
Estes testes não avaliam todos os aspetos possíveis da disgrafia, pelo que a equipa educativa do seu filho irá provavelmente contar com métodos adicionais para diagnosticar a disgrafia. Dependendo do seu filho e das suas diferenças de aprendizagem, poderão ser feitos testes académicos mais minuciosos.

Como é gerida a disgrafia?
Como a disgrafia tem uma vasta gama de sinais e cada pessoa é afectada de forma diferente por ela, a gestão da disgrafia é muito individualizada.

Atualmente, não existem medicamentos para tratar a disgrafia. Em vez disso, as intervenções educativas podem ensinar novas e eficazes formas de escrever.

Em geral, as intervenções educativas podem ser categorizadas pelos seguintes níveis:
  • Alojamento: O seu filho tem acesso ao currículo de educação regular com recursos de apoio ou assistência, sem alterar o conteúdo educacional.
  • Modificação: A escola do seu filho adapta as metas e objectivos do seu filho, assim como fornece serviços para reduzir o efeito da disgrafia. Por exemplo, o seu filho pode ser capaz de dar oralmente respostas a testes em vez de as escrever.
  • Remediação: A escola do seu filho fornece intervenções específicas para diminuir a gravidade da disgrafia.
É importante defender o seu filho e trabalhar com a escola para assegurar que o seu filho receba a educação que merece.

Posso prevenir a disgrafia?
Infelizmente, não se pode prevenir a disgrafia. Mas pode geri-la, encontrando diferentes estratégias para escrever.

O diagnóstico precoce é essencial - fale com o prestador de cuidados de saúde do seu filho se notar quaisquer sinais precoces de disgrafia. Se o seu filho for diagnosticado, trabalhe com a sua escola para desenvolver um plano de educação individualizado (IEP).

Qual é o prognóstico (perspetiva) para a disgrafia?
Quando a disgrafia permanece não diagnosticada, as crianças lutam para ter sucesso na escola.

A escrita é uma habilidade académica importante que tem sido associada ao sucesso académico global.

As crianças que têm dificuldade em escrever são muitas vezes mal rotuladas como desleixadas ou preguiçosas, em vez de serem reconhecidas como tendo um distúrbio de aprendizagem.

Devido a isto, uma criança com disgrafia pode ter problemas de auto-estima ou acreditar que não é inteligente. O apoio positivo de entes queridos e professores pode ajudar uma criança a ultrapassar estes obstáculos.

O que significa viver com disgrafia?
Ter disgrafia significa que escrever é difícil para si, não que seja incapaz ou preguiçoso. Encontrar técnicas para ajudar a gerir a disgrafia é fundamental para uma aprendizagem bem sucedida e para a autoestima. Compreender que ter disgrafia não reflete falta de inteligência.

Como posso ajudar o meu filho com a disgrafia?
Seja um defensor do seu filho. Você e a escola do seu filho podem desenvolver um plano de educação individualizado (IEP). Este documento estabelece expectativas personalizadas e planos de aulas para o seu filho na escola.

Também pode ajudar o seu filho a desenvolver competências de escrita em casa. Experimente as pegas de lápis e outras ferramentas que podem facilitar a escrita. Procure aplicações ou software que possam ajudar com a caligrafia e organizadores gráficos que possam ajudar com tarefas de escrita.

Fonte: Cleveland Clinic por indicação de Livresco

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - www.DeepL.com/Translator

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

6 estratégias para ajudar alunos com dificuldades de aprendizagem

Estratégias não faltam. Truques para ensinar também não. Os professores tentam de tudo para ajudar as crianças na sala de aula. E bem! Afinal, não há um só caminho para aprender! Mas, será que todos resultam, especialmente se estivermos perante um quadro de dificuldades de aprendizagem e de atenção?

A resposta parece óbvia. Não! Há que os conhecer para os saber trilhar convenientemente. Como em tudo na vida, há métodos de ensino mais eficazes do que outros. Saber identificar os mais adequados para cada caso concreto é fundamental. Conheça as 6 estratégias de ensino mais comuns para crianças com dificuldades de aprendizagem e de atenção:

1. Tempo de espera

Também conhecido por "tempo de reflexão". É uma pausa de 3 a 7 segundos que se estabelece depois do professor dizer alguma coisa. Em vez de chamar o primeiro aluno que levanta a mão para responder a uma pergunta, o docente aguarda durante um período necessariamente curto para permitir que as crianças que demoram mais tempo possam refletir melhor sobre o que acabou de ser dito e assim terem oportunidade para reagir em igualdade de circunstâncias. 

Esse tempo de espera é precioso na medida em que permitirá ao aluno com dificuldades de aprendizagem entender de forma mais eficaz a mensagem do professor e pensar melhor na resposta, em vez de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça. Esta estratégia beneficia, por exemplo, os alunos com Perturbação de Hiperatividade/ Défice de Atenção (PHDA). 

2. Instrução multissensorial 

É uma forma de ensinar cada vez mais recorrente e que envolve mais do que um sentido de cada vez. Um professor pode ajudar a criança a aprender através do toque, do movimento, da visão e da audição. A instrução multissensorial é muito útil para ajudar a superar várias dificuldades:

Dislexia: os professores podem, por exemplo, incentivar os alunos a usar o estalar de dedos para assinalar cada sílaba de uma palavra, ou, por exemplo, desenhar uma palavra no ar usando o braço e os dedos.

Discalculia: a instrução multissensorial também é importante em matemática. Os professores costumam usar ferramentas práticas, como lápis e desenhos. Essas ferramentas ajudam a "ver" conceitos matemáticos, sobretudo aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem para os quais a adição de 2+2 é mais concreta e mais fácil quando envolve, por exemplo, 4 lápis reais. É frequente ouvir alguns professores referirem-se a estas ferramentas como manipulativas. 

Disgrafia: os professores também usam instruções multissensoriais para superar dificuldades de caligrafia. Por exemplo, os alunos usam o sentido do tato quando escrevem em papel "irregular". 

PHDA: Instruções multissensoriais também podem revelar-se importantes para crianças com diferentes sintomas de Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção. E isto é especialmente verdadeiro se a estratégia envolver movimento. A obrigatoriedade de a criança ter de se mexer ajuda a gastar o excesso de energia. O movimento também ajudará a focar e a reter mais facilmente novas informações. 

3. Modelar

A maior parte das crianças não aprende simplesmente se lhes dissermos como o fazer. Precisam de mais. Os professores poderão usar uma estratégia chamada "eu faço, nós fazemos, tu fazes" para ensinar ou desenvolver uma determinada competência. Primeiro, o professor mostrará como resolver, por exemplo, um problema de matemática ("eu faço"), depois convidará os alunos a responderem em conjunto ("nós fazemos") e, logo a seguir, as crianças serão chamadas a fazer os exercícios sozinhas ("tu fazes").

Esta estratégia pode ajudar a contornar alguns problemas. Que fique claro: todas as dificuldades de aprendizagem e de atenção, quando devidamente acompanhadas na escola pelos professores, podem ser minimizadas, em benefício dos respetivos alunos. O importante é saber prestar a ajuda correta em cada momento e perceber a fase a partir da qual a criança já estará preparada para realizar o trabalho por conta própria. Como se fosse andar de bicicleta pela primeira vez sem rodinhas. 

4. Organizadores gráficos

São ferramentas visuais que mostram informações ou a relação entre conceitos. Ajudam, também, as crianças a organizar a matéria que aprenderam ou a que precisam de aprender. Os professores usam estas ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades. É como se montassem andaimes para a construção de um edifício. 

Existem muitos tipos diferentes de organizadores gráficos, como diagramas de Venn e fluxogramas. Podem ser especialmente úteis para as seguintes dificuldades: 

Discalculia - em matemática os organizadores gráficos podem ajudar as crianças a dividir os exercícios por etapas. Podem ser igualmente utilizados para aprender ou rever conceitos matemáticos. 

Disgrafia- os professores costumam usar organizadores gráficos quando ensinam os alunos a escrever na medida em que permitem organizar ideias. Alguns também oferecem linhas de escrita para ajudar os alunos a expressarem-se corretamente.

Funções Executivas- as crianças com fracas competências executivas podem usar estas ferramentas para organizar informações e planear o seu trabalho. Os organizadores gráficos permitem igualmente sintetizar pensamentos em frases curtas. Esta estratégia permitirá ao aluno identificar mais facilmente a ideia principal de uma determinada matéria na hora de estudar e fazer os apontamentos. 

5. Acompanhamento individual e em pequenos grupos

Uma estratégia recorrente entre os professores é variar o tamanho do grupo de alunos para o qual ensinam. Algumas matérias são lecionadas para toda a turma ao mesmo tempo. Outras surtem mais efeito se fornecidas para um pequeno grupo de crianças, ou até a uma só. Há alunos que precisam de apoio escolar individualizado. Caberá aos professores e à escola avaliarem o perfil dos alunos que precisam dessa ajuda extra e agirem em conformidade. Há cada vez mais escolas a adaptarem as matérias curriculares às necessidades dos alunos.

Essa estratégia pode ser fundamental para: 

Dislexia - na sala de aula os professores procuram juntar no mesmo grupo os alunos com o mesmo nível de dificuldades para que possam beneficiar do mesmo tipo de apoio. As crianças também podem juntar-se porque, por exemplo, partilham o mesmo gosto por determinado livro. 

Discalculia - os professores reúnem um ou mais alunos com discalculia para praticar as competências às quais sentem maiores dificuldades e assim beneficiarem de ajuda extra. 

Disgrafia - em muitas salas de aula, os professores realizam ateliês de escrita e costumam reunir com os alunos individualmente e conversar sobre o seu progresso. Em simultâneo poderão aproveitar a oportunidade para se focarem nas competências específicas de cada criança.

PHDA e Funções Executivas - este tipo de acompanhamento ocorre normalmente em ambientes mais recatados e menos suscetíveis de causar distrações. O professor também pode ajudar os alunos a focar na tarefa e aprender novas competências como a automonotorização. 

Velocidade de processamento reduzida - os professores podem adaptar o ritmo da instrução, para dar aos alunos o tempo necessário para receber e responder às informações. Poderão definir em simultâneo as prioridades da matéria, para que os alunos tenham tempo para entender os conceitos mais relevantes através do trabalho de grupo.

6. Estratégias de desenho universal para aprendizagem - é um método de ensino que oferece aos alunos diferentes formas de aprender mais flexíveis. Estas estratégias (EDUA) permitem que as crianças aprendam as matérias e se relacionem com elas com maior taxa de sucesso.

PHDA - Para os alunos com défice de atenção é importante que trabalhem em ambientes flexíveis e silenciosos, longe da confusão das salas de aula. 

Funções Executivas - Seguir instruções pode ser difícil para crianças com este tipo de dificuldade. Uma das estratégias aconselhadas passa por fornecer instruções em mais do que um formato. Por exemplo, um professor pode dar instruções em voz alta e escrevê-las no quadro. 

Dislexia - Quando os professores seguem os princípios do EDUA, eles apresentam informações de diferentes maneiras. Por exemplo, em vez de dizerem aos alunos que devem ler um livro, são convidados a ouvir um audiolivro o que facilitará a vida a quem se debate com dificuldades de leitura. 

Disgrafia - Uma das estratégias é oferecer opções de escolha. Crianças com disgrafia podem sentir dificuldades em mostrar o quanto sabem sobre história através de um texto. Mas se mostrarem esses conhecimentos através de uma apresentação oral ou, por exemplo, de uma peça de teatro a tarefa poderá ser mais fácil. 

Privilegie o diálogo permanente com os professores. Conheça todas as estratégias de ensino a que o seu filho é sujeito na escola. Saiba de que forma essas estratégias podem ser usadas com sucesso em casa.

Fonte: SapoLifstyle

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Ajudando os alunos com disgrafia

Embora ainda não exista muita pesquisa sobre disgrafia, existem alguns sinais que se podem observar e algumas táticas baseadas em evidências para ajudar as crianças com essa condição de escrita.


Comparado a outras dificuldades de aprendizagem, como TDAH e dislexia, a disgrafia não é bem conhecida. Mas sabemos que, para crianças com disgrafia, pode constituir um sério obstáculo ao sucesso académico - e as pesquisas sugerem que existem táticas que se podem adotar para ajudar as crianças com a condição a se expressarem.



Analisaram-se várias fontes para este vídeo, incluindo o site do confused.org, "O que é a disgrafia?" pelo National Center for Learning Disabilities; um estudo de 2007 intitulado "Disgrafia: como isso afeta o desempenho de um aluno e o que pode ser feito com isso", de Alyssa L. Crouch e Jennifer J. Jakubecy; e pesquisa de 2015 de Peter Chung e Dilip R. Patel publicado no Jornal Internacional de Saúde da Criança e do Adolescente.

Fonte: Edutopia

Nota: Tradução livre de inglês pelo autor do blog.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

“Tenho aqui um bocadinho de dislexia.”

Disortografia, disgrafa, discalculia, mas especialmente dislexia, são palavras que inundam o vocabulário escolar. É comum ouvir: “É que eu tenho um bocadinho de dislexia”. A verbalização destas “Dis” vem dos professores, vem dos pais, vem dos psicólogos e tornou-se, diria, “viral”. O saco desta temática não tem fim, nem parece ter fundo. Ganha-se muito dinheiro e pior, induz em erro muitas pessoas.

Não me quero alongar nas particularidades desta dificuldade específica de aprendizagem. Deixo dois links onde já tive oportunidade de me debruçar detalhadamente sobre este tema.



Na altura de Estado Novo falava-se na importância de saber ler, escrever e contar. Estes sim eram os três pilares fundamentais no 1.º ciclo. Sem querer, sequer, cair num milímetro que seja na defesa do antigo regime tenho de reafirmar que existe uma urgência latente em fazer regressar um espaço dedicado a, reafirmo, duas bases fundamentais do acesso ao conhecimento e liberdade: leitura e escrita.

Reféns do tempo apertado para cumprir com o programa, responder às metas exigidas, alunos e professores boicotam-se permitindo um avanço em lacunas graves de aprendizagem, consolidação e descoberta de regularidades.

Ao longo do meu percurso em Educação Especial consigo encontrar uma linha exponencial entre os primeiros relatórios que recebi no início da minha profissão e aqueles que recebo agora. Deixou-se de falar em perturbações de linguagem, em faltas de consolidação da leitura e escrita e encravámos o carimbo nas “Dis”. Com um rótulo retirámos responsabilidades, retirámos intervenção e assinamos um atestado de incapacidade onde anulamos à partida o trabalho que pode ser desenvolvido e classificamos como “doença irrecuperável”.

As metas de aprendizagem têm sido um foco de discórdia não reunindo consensos positivos. No meu entender são exigentes e não delegam o espaço necessário à maturação destas competências – base dificultando o acesso à informação. Devido ao aumento da carga letiva, no 1ºciclo, de temas que são novamente abordados no 2ºciclo diminuiu-se o tempo e espaço que deve ser dado ao desenvolvimento destas competências fundamentais. Os resultados são as dificuldades comprovadas nestas áreas ao longo do 2º e 3 ciclo dificultando o acesso à informação de muitos jovens ao mesmo tempo que são rotulados com perturbações do âmbito da leitura e escrita que poderiam ser evitadas e trabalhadas atempadamente.

Por isso, uma das medidas educativas que continuo a reiterar é refletir e reestruturar as metas de aprendizagem para o 1ºciclo no sentido de atribuir mais espaço à aprendizagem e desenvolvimento das competências essenciais.

Respeitemos as “Dis” e deixemo-las em paz ajudando-as a encontrar o seu espaço. Unamos esforços e poder de reflexão para perceber as dificuldades reais e compreender que em educação nada é preto ou branco e é preciso ler nas entrelinhas e de preferência com tempo.


Fonte: ComRegras

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pais de crianças com dislexia preocupados

Os pais das crianças com dislexia mostram-se preocupados com um possível recuo na legislação que enquadra o apoio a estas crianças, temendo que fiquem relegadas para segundo plano.

Em declarações (...), Eduarda Cabrita, dirigente desta associação, explicou que o relatório do grupo de trabalho sobre educação especial introduz algumas alterações que estão a preocupar os pais das crianças com dificuldades de aprendizagem específicas. A Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas realiza hoje em Lisboa um debate sobre a dislexia, que vai abordar as novidades previstas para a nova legislação do ensino especial.

Dislexia, disgrafia, disortografia e discalculia são as quatro dificuldades de aprendizagem específicas, sendo a dislexia a mais prevalecente.

"Tememos que os nossos filhos, que representam 48% dos alunos da educação especial, sejam relegados para segundo plano. Tememos que venha a significar menos intervenção junto destas crianças", comentou Eduarda Cabrita, adiantando que os alunos com dislexia "vêm sempre na cauda dos apoios".

Da proposta contida no relatório do grupo de trabalho sobre educação especial, os pais contestam o facto de o documento apontar para uma indefinição de conceitos relativamente à dislexia e às outras dificuldades de aprendizagem específicas.

Para a associação é ainda preocupante que o relatório proponha que a avaliação para diagnóstico destes alunos tenha de ser feita por um médico do Serviço Nacional de Saúde (SNS): "O SNS tem meios e recursos humanos para fazer o diagnóstico de todos os alunos?", questionou Eduarda Cabrita.

A associação contesta também a proposta segundo a qual os pais deixam de ser um dos elementos que podem referenciar a criança, solicitando depois um diagnóstico.

No debate que hoje se realiza em Lisboa, e que conta com a participação da ex-ministra da Saúde Ana Jorge, a associação pretende deixar um "olhar realista sobre a (in)visibilidade da dislexia no sistema educativo português".

In: Sol por indicação de Livresco

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dislexia e disgrafia

A Vanessa falou tarde. Brincava muito bem com os amigos, mas só aos quatro anos se começou a perceber o que dizia. Apesar de tudo, aos seis anos de idade, quando entrou para o primeiro ano do ensino primário, lá em Fernão Ferro, a sua linguagem era bem escorreita. Com sete anos feitos, quando chegou ao fim do primeiro ano letivo, a Vanessa não conseguia dizer o som de uma única letra, mesmo das vogais; copiava as palavras do quadro, mas no ditado não era capaz de desenhar uma letra. Nas contas, aí sim, era boa. A professora dizia que ela era atenta, esforçada e muito cumpridora e passou-a de ano. Talvez fosse da imaturidade.... No segundo ano, as dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita mantiveram-se. No final do ano letivo, os pais resolveram consultar um Pediatra do Desenvolvimento que facilmente diagnosticou uma Dislexia e uma Disgrafia. Fez uma avaliação psico-pedagógica e, com base nos resultados desta, foi desenhado um complexo guião de intervenção. Volvidos três meses, a Vanessa já estava a ler, embora de uma forma muito hesitante. A rapariga está toda contente e até já diz que quer vir a ser professora primária…