quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Pessoas com Deficiência em Portugal - Indicadores de Direitos Humanos 2019

Completa-se em 2019 uma década sobre a ratificação por Portugal da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD). Que impacto teve afinal a CDPD no nosso país? O Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH) fez esta análise, que apresenta no relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal - Indicadores de Direitos Humanos 2019” divulgado publicamente no dia 13 de dezembro, data em que se realizou o IV Encontro do ODDH – Deficiência, Políticas Públicas e Direitos Humanos, no ISCSP-ULisboa.


Os resultados do relatório “Pessoas com Deficiência em Portugal - Indicadores de Direitos Humanos 2019” da autoria do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ODDH) sugerem que, na última década, se verificou “um quadro de mudança global positiva”, em áreas estruturantes como a educação, o emprego, a proteção social e a discriminação. Porém, também deixa um alerta: há “domínios onde os progressos foram ténues ou mesmo inexistentes”, identificando aspetos a melhorar. 

Na área da educação, os dados disponíveis entre 2010/11 e 2017/18 mostram que, em termos gerais, existiu maior participação, mas escassa afetação de recursos, ou seja, mais alunos com deficiência a frequentar escolas de ensino regular na escolaridade obrigatória (+92%)  e a frequentar o ensino superior (40%). Todavia, no ensino obrigatório, os técnicos/as especialistas dos Centros de Recursos para Inclusão e das escolas para apoiar os estudantes foram reforçados em apenas 8%; e nas universidades, os serviços de apoio disponibilizados a estes/as estudantes mantiveram-se praticamente inalterados.

Na área da formação profissional, entre 2009 e 2018, o cenário foi semelhante: o número de beneficiários/as de medidas específicas de reabilitação profissional quase duplicou, passando de 17 103, em 2009, para 32 452, em 2018. Mas, no mesmo período, a despesa afeta a estas medidas registou uma tendência inversa, com um declínio de 59% (de €78 780 225,05 para €32 412 381,49). Estes dados mostram uma crescente procura dos serviços do IEFP por estas pessoas para ações de qualificação que visam a inserção no mercado de trabalho, porém esta é uma das áreas onde continuam a persistir maiores dificuldades.

Na área do trabalho e emprego, entre 2009 e 2018, o número de desempregados/as com deficiência registados nos Centros de Emprego aumentou 41% (em 2009 eram 8 622, e em 2018 eram 12 135), ao passo que na população em geral reduziu 38%. Nas pessoas com deficiência cresceu sobretudo o desemprego de longa duração, tendência que só entre 2017-2018 se começou a inverter. Porém, no que respeita às colocações profissionais de pessoas com deficiência desempregadas inscritas no IEFP, têm vindo a registar-se melhorias: entre 2009 e 2018registou-se um aumento de 142% no número de colocações (646 em 2009 e 1564 em 2018).

O número de trabalhadores/as com deficiência no setor público e privado também tem crescido ligeiramente. No setor público, entre 2012 e 2018os trabalhadores/as com deficiência cresceram 43% (em 2012 eram 12 320 e em 2018 17 607), representando, em 2018, 2,58% do total de trabalhadores da Administração Pública, permanecendo, no entanto, abaixo da quota de 5% estipulada em 2001 para este setor.

No setor privado, entre 2012 e 2017, constatou-se um crescimento de cerca de 48% de trabalhadores com deficiência nas empresas com mais de 10 trabalhadores/as (em 2012 eram 7 874 e em 2017 eram 11 657), representando, em 2017, 0,52% dos seus recursos humanos. Esta evolução continua, no entanto, a ser sustentada maioritariamente por via das e dos trabalhadores com um grau moderado de incapacidade (≥ 60% < 80%): em 2017, constituíam 71,48% das pessoas com deficiência no setor privado.

Porém, uma análise da evolução do número de pessoas abrangidas pelas medidas Adaptação de Postos de Trabalho e Eliminação de Barreiras Arquitetónicas – fundamentais para facilitar a integração profissional das pessoas com deficiência, proporcionando-lhe o direito às adaptações razoáveis estabelecido na CDPD - revela sérias lacunas na sua implementação: entre 2011 e 2018, esta medida nunca abrangeu mais do que dez pessoas por ano, revelando-se uma medida sem impacto.

Na área da proteção social, registou-se de forma positiva a recente introdução de novas prestações e respostas sociais, mais consonantes com a perspetiva de direitos humanos, como a Prestação Social para a Inclusão e o Modelo de Apoio à Vida Independente. Não obstante, respostas sociais mais convencionais como os Centros de Atividades Ocupacionais e os Lares Residenciais registaram tendências de crescimento, quer em termos do número de equipamentos, quer do número de vagas.

Num domínio também fundamental para a autonomia e inclusão das pessoas com deficiência como é o Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio, a evolução do orçamento anual revela uma quebra acentuada entre 2009 e 2012, certamente por efeito da crise financeira que assolou o país, que apenas é compensada por uma lenta recuperação de 2015 em diante.

Por fim, o relatório também mostra que entre 2009 e 2018, as queixas por discriminação com base na deficiência aumentaram 1 937%passando de 41 para 835 queixas. Este aumento parece traduzir uma maior consciência por parte das pessoas com deficiência e da sua rede relativamente aos seus direitos e mecanismos legais ao seu dispor.

Até 23 de novembro de 2023, O Estado português deverá apresentar ao Comité sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU o seu próximo relatório relativo à implementação da Convenção em Portugal. As questões elencadas no presente relatório sinalizam desde já alguns dos desafios que Portugal ainda enfrenta em matéria de concretização dos direitos humanos das pessoas com deficiência e que importará alcançar até essa data. 

  

6 estratégias para ajudar alunos com dificuldades de aprendizagem

Estratégias não faltam. Truques para ensinar também não. Os professores tentam de tudo para ajudar as crianças na sala de aula. E bem! Afinal, não há um só caminho para aprender! Mas, será que todos resultam, especialmente se estivermos perante um quadro de dificuldades de aprendizagem e de atenção?

A resposta parece óbvia. Não! Há que os conhecer para os saber trilhar convenientemente. Como em tudo na vida, há métodos de ensino mais eficazes do que outros. Saber identificar os mais adequados para cada caso concreto é fundamental. Conheça as 6 estratégias de ensino mais comuns para crianças com dificuldades de aprendizagem e de atenção:

1. Tempo de espera

Também conhecido por "tempo de reflexão". É uma pausa de 3 a 7 segundos que se estabelece depois do professor dizer alguma coisa. Em vez de chamar o primeiro aluno que levanta a mão para responder a uma pergunta, o docente aguarda durante um período necessariamente curto para permitir que as crianças que demoram mais tempo possam refletir melhor sobre o que acabou de ser dito e assim terem oportunidade para reagir em igualdade de circunstâncias. 

Esse tempo de espera é precioso na medida em que permitirá ao aluno com dificuldades de aprendizagem entender de forma mais eficaz a mensagem do professor e pensar melhor na resposta, em vez de dizer a primeira coisa que lhe vem à cabeça. Esta estratégia beneficia, por exemplo, os alunos com Perturbação de Hiperatividade/ Défice de Atenção (PHDA). 

2. Instrução multissensorial 

É uma forma de ensinar cada vez mais recorrente e que envolve mais do que um sentido de cada vez. Um professor pode ajudar a criança a aprender através do toque, do movimento, da visão e da audição. A instrução multissensorial é muito útil para ajudar a superar várias dificuldades:

Dislexia: os professores podem, por exemplo, incentivar os alunos a usar o estalar de dedos para assinalar cada sílaba de uma palavra, ou, por exemplo, desenhar uma palavra no ar usando o braço e os dedos.

Discalculia: a instrução multissensorial também é importante em matemática. Os professores costumam usar ferramentas práticas, como lápis e desenhos. Essas ferramentas ajudam a "ver" conceitos matemáticos, sobretudo aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem para os quais a adição de 2+2 é mais concreta e mais fácil quando envolve, por exemplo, 4 lápis reais. É frequente ouvir alguns professores referirem-se a estas ferramentas como manipulativas. 

Disgrafia: os professores também usam instruções multissensoriais para superar dificuldades de caligrafia. Por exemplo, os alunos usam o sentido do tato quando escrevem em papel "irregular". 

PHDA: Instruções multissensoriais também podem revelar-se importantes para crianças com diferentes sintomas de Perturbação de Hiperatividade / Défice de Atenção. E isto é especialmente verdadeiro se a estratégia envolver movimento. A obrigatoriedade de a criança ter de se mexer ajuda a gastar o excesso de energia. O movimento também ajudará a focar e a reter mais facilmente novas informações. 

3. Modelar

A maior parte das crianças não aprende simplesmente se lhes dissermos como o fazer. Precisam de mais. Os professores poderão usar uma estratégia chamada "eu faço, nós fazemos, tu fazes" para ensinar ou desenvolver uma determinada competência. Primeiro, o professor mostrará como resolver, por exemplo, um problema de matemática ("eu faço"), depois convidará os alunos a responderem em conjunto ("nós fazemos") e, logo a seguir, as crianças serão chamadas a fazer os exercícios sozinhas ("tu fazes").

Esta estratégia pode ajudar a contornar alguns problemas. Que fique claro: todas as dificuldades de aprendizagem e de atenção, quando devidamente acompanhadas na escola pelos professores, podem ser minimizadas, em benefício dos respetivos alunos. O importante é saber prestar a ajuda correta em cada momento e perceber a fase a partir da qual a criança já estará preparada para realizar o trabalho por conta própria. Como se fosse andar de bicicleta pela primeira vez sem rodinhas. 

4. Organizadores gráficos

São ferramentas visuais que mostram informações ou a relação entre conceitos. Ajudam, também, as crianças a organizar a matéria que aprenderam ou a que precisam de aprender. Os professores usam estas ferramentas para apoiar o processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades. É como se montassem andaimes para a construção de um edifício. 

Existem muitos tipos diferentes de organizadores gráficos, como diagramas de Venn e fluxogramas. Podem ser especialmente úteis para as seguintes dificuldades: 

Discalculia - em matemática os organizadores gráficos podem ajudar as crianças a dividir os exercícios por etapas. Podem ser igualmente utilizados para aprender ou rever conceitos matemáticos. 

Disgrafia- os professores costumam usar organizadores gráficos quando ensinam os alunos a escrever na medida em que permitem organizar ideias. Alguns também oferecem linhas de escrita para ajudar os alunos a expressarem-se corretamente.

Funções Executivas- as crianças com fracas competências executivas podem usar estas ferramentas para organizar informações e planear o seu trabalho. Os organizadores gráficos permitem igualmente sintetizar pensamentos em frases curtas. Esta estratégia permitirá ao aluno identificar mais facilmente a ideia principal de uma determinada matéria na hora de estudar e fazer os apontamentos. 

5. Acompanhamento individual e em pequenos grupos

Uma estratégia recorrente entre os professores é variar o tamanho do grupo de alunos para o qual ensinam. Algumas matérias são lecionadas para toda a turma ao mesmo tempo. Outras surtem mais efeito se fornecidas para um pequeno grupo de crianças, ou até a uma só. Há alunos que precisam de apoio escolar individualizado. Caberá aos professores e à escola avaliarem o perfil dos alunos que precisam dessa ajuda extra e agirem em conformidade. Há cada vez mais escolas a adaptarem as matérias curriculares às necessidades dos alunos.

Essa estratégia pode ser fundamental para: 

Dislexia - na sala de aula os professores procuram juntar no mesmo grupo os alunos com o mesmo nível de dificuldades para que possam beneficiar do mesmo tipo de apoio. As crianças também podem juntar-se porque, por exemplo, partilham o mesmo gosto por determinado livro. 

Discalculia - os professores reúnem um ou mais alunos com discalculia para praticar as competências às quais sentem maiores dificuldades e assim beneficiarem de ajuda extra. 

Disgrafia - em muitas salas de aula, os professores realizam ateliês de escrita e costumam reunir com os alunos individualmente e conversar sobre o seu progresso. Em simultâneo poderão aproveitar a oportunidade para se focarem nas competências específicas de cada criança.

PHDA e Funções Executivas - este tipo de acompanhamento ocorre normalmente em ambientes mais recatados e menos suscetíveis de causar distrações. O professor também pode ajudar os alunos a focar na tarefa e aprender novas competências como a automonotorização. 

Velocidade de processamento reduzida - os professores podem adaptar o ritmo da instrução, para dar aos alunos o tempo necessário para receber e responder às informações. Poderão definir em simultâneo as prioridades da matéria, para que os alunos tenham tempo para entender os conceitos mais relevantes através do trabalho de grupo.

6. Estratégias de desenho universal para aprendizagem - é um método de ensino que oferece aos alunos diferentes formas de aprender mais flexíveis. Estas estratégias (EDUA) permitem que as crianças aprendam as matérias e se relacionem com elas com maior taxa de sucesso.

PHDA - Para os alunos com défice de atenção é importante que trabalhem em ambientes flexíveis e silenciosos, longe da confusão das salas de aula. 

Funções Executivas - Seguir instruções pode ser difícil para crianças com este tipo de dificuldade. Uma das estratégias aconselhadas passa por fornecer instruções em mais do que um formato. Por exemplo, um professor pode dar instruções em voz alta e escrevê-las no quadro. 

Dislexia - Quando os professores seguem os princípios do EDUA, eles apresentam informações de diferentes maneiras. Por exemplo, em vez de dizerem aos alunos que devem ler um livro, são convidados a ouvir um audiolivro o que facilitará a vida a quem se debate com dificuldades de leitura. 

Disgrafia - Uma das estratégias é oferecer opções de escolha. Crianças com disgrafia podem sentir dificuldades em mostrar o quanto sabem sobre história através de um texto. Mas se mostrarem esses conhecimentos através de uma apresentação oral ou, por exemplo, de uma peça de teatro a tarefa poderá ser mais fácil. 

Privilegie o diálogo permanente com os professores. Conheça todas as estratégias de ensino a que o seu filho é sujeito na escola. Saiba de que forma essas estratégias podem ser usadas com sucesso em casa.

Fonte: SapoLifstyle

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Fórum Europeu da Deficiência e Bolsa de Estudo e-accessibility da Oracle 2019-2020

O Fórum Europeu da Deficiência (FED) e a Oracle (empresa de tecnologia emergente) lançaram a 4ª edição de uma bolsa de estudos para estudantes com deficiência nas áreas de Ciência da Computação, Engenharia da Computação, Experiência do Utilizador ou áreas relacionadas, matriculados numa Universidade da União Europeia, para o ano letivo de 2019-2020.

O Fórum Europeu da Deficiência (FED), criado em 1996, é uma organização abrangente de ONGs de pessoas com deficiência que defende os interesses de mais de 100 milhões de pessoas com deficiência na Europa.

A bolsa de estudos consiste em 6.500 €, a serem concedidos com base num projeto ou pesquisa que será realizada durante o ano académico, tendo em conta projeto ou tese em que as necessidades das pessoas com deficiência, em termos de acessibilidade às TIC (e-Accessibility), sejam levadas em consideração e/ou seja proposta uma solução inovadora para melhorar o seu acesso. O projeto deve ser um componente integrante do programa educacional realizado pelo aluno (por exemplo, trabalho no final do ano ou parte de seu mestrado ou doutoramento). O projeto pode ser uma proposta ou pode já estar em andamento.

As inscrições devem ser enviadas até ao dia 6 de março de 2020, usando o formulário on-line.

Consulte AQUI toda a informação.

Fonte: INR

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Seminário Tecnologias para a Inclusão e Acessibilidade



A DGE vai promover o Seminário Tecnologias para a Inclusão e Acessibilidade, no dia 20 de fevereiro de 2020, no auditório da Escola Secundária Vergílio Ferreira, em Lisboa.

O Seminário tem como objetivo divulgar a atividade da rede de Centros de Recursos TIC (CRTIC), rede prescritora de produtos de apoio do Ministério da Educação, bem como outras iniciativas de parceiros com projetos no âmbito da acessibilidade e inclusão.


O Seminário dirige-se a Diretores de Agrupamentos de Escolas e professores das Equipas Multidisciplinares de Apoio à Educação inclusiva, bem como a professores de Educação Especial e da área das TIC/Informática.

Em paralelo, decorrerá uma Mostra de produtos de apoio e posters produzidos pelos CRTIC.

As inscrições encontram-se abertas até dia 14 de fevereiro,através de formulário.

As inscrições serão aceites por ordem de registo até ao limite da capacidade do auditório.

Fonte: DGE

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

É a amostra PISA que está errada ou a realidade que se alterou?

Entre 2015 e 2018, os resultados das escolas privadas no PISA baixaram muitíssimo, uma queda que a todos intrigou dado que os colégios privados, aqueles onde estão os meninos das famílias endinheiradas, continuam no top 10 do ranking de exames nacionais e não haveria nenhuma razão para baixarem os seus desempenhos, que tipicamente estavam bem acima da média nacional e que em 2018 deram em alinhar com as escolas públicas.

Para encontrar uma resposta fez-se uma análise a partir dos dados PISA originais por forma a poder dissecá-los nas suas componentes e encontrar o que escondem os números de modo agregado.

O PISA classifica as escolas em Públicas e Privadas de acordo com a propriedade, esta primeira divisão faz com que nas escolas privadas estejam incluídas:

(1) As escolas de propriedade privada financiadas pelo Estado ou outros (Fundo Social Europeu, associações de empresários, sindicatos):
  • Contratos de Associação – currículo geral administrado por uma escola privada em substituição do Estado, tipicamente localizadas onde a oferta pública é insuficiente para a procura;
  • Escolas Profissionais – vertente profissional com equivalência ao secundário onde a vertente prática é mais acentuada e os currículos teóricos diferentes do ensino secundário geral;
  • Escolas de Cursos de Especialização e Formação (CEF), que foram criadas para ajudar a integrar no meio profissional os alunos que iriam abandonar o sistema, invariavelmente marcados por percursos de insucesso.

(2) As escolas estritamente privadas onde os pais pagam uma mensalidade para garantir o funcionamento da instituição e que seguem o currículo do ensino geral.

Desta forma, torna-se muito claro que temos uma grande diversidade de populações a frequentar o ensino cuja propriedade da escola é privada. No entanto, a intriga não se desvanece, pois esta divisão já existia nas amostras anteriores.

Quando se decompôs as escolas por tipologias de financiamento e ensino tornou-se claro que a composição das escolas privadas se alterou bastante na amostra de 2018.

A percentagem de escolas estritamente privadas diminui mais de 30 pontos percentuais. As escolas onde se oferecem cursos CEF, que eram anteriormente inexistentes no privado, representam agora 11% e o peso do ensino profissional com equivalência ao secundário duplicou. Curiosamente, os contratos de associação mantiveram-se estáveis, e seria expectável que tivessem diminuído (Figura 1), pois o anterior governo terminou com grande parte destes acordos. Por outro lado, a estrutura das escolas públicas manteve-se muito similar entre 2015 e 2018 (Figura 2).


A grande questão que se coloca é compreender se esta alteração resulta de um “azar” ligado à aleatoriedade, ou seja, nesta edição foram sorteadas escolas com características distintas, ou se espelha uma nova realidade em Portugal. Eu suspeito que a segunda hipótese possa ser a verdadeira por dois motivos:
  1. (Re)surgimento dos cursos CEF com apoio dos Fundos Sociais Europeus e apoios governamentais, o que pode ter constituído um incentivo para que mais escolas privadas tenham surgido nesta tipologia, porventura através da mudança de estatuto de Contrato de Associação para escola CEF e Profissional.
  2. Mais alunos a optar por cursos profissionais sem ser por motivos de insucesso no Ensino Básico, estando, por tal, um maior número a frequentar esta via aos 15 anos.

Fica por explicar por que motivo os Contratos de Associação não diminuíram, dado que sabemos que este tipo de acordo está em processo de redução para mínimos históricos.

Como consequência da alteração de estrutura, o ensino privado em Portugal passou a servir populações provenientes de estatutos socioeconómicos muito baixos e alunos com percursos de insucesso ou perfis menos académicos, com desempenhos muito inferiores no PISA.

Ao verificar a evolução dos resultados por tipologia de escola (Figura 3), o que se verifica é a ausência de oscilações. De notar que os alunos que frequentam os CEF (1,2,3) estão muito atrasados no seu percurso escolar e que os alunos dos profissionais, apesar de se situarem no ano equivalente ao 10.º, estão pior preparados para resolver os problemas da vida adulta. De notar que a nível dos cursos profissionais e CEF não existem diferenças entre público e privado, com os alunos a atingirem níveis de competência muito similares.

Os alunos que frequentam as escolas estritamente privadas são os que apresentam desempenho médio mais elevado, à semelhança do que vinha acontecendo em anos anteriores, sem esquecermos que são uma pequena parte da população e que se trata da franja dos privilegiados.

O ensino geral da escola pública tem uma média inferior à dos privados, o que se justifica por ter uma base de alunos muito maior e de grande diversidade socioeconómica e cultural, mas fica equiparado aos Contratos de Associação que servem o mesmo tipo de população, pois estão impedidos de selecionar e a sua frequência é gratuita para as famílias.


O PISA 2018 não trouxe nada de novo a nível dos desempenhos, mas revelou que se pode estar a configurar uma nova tipologia do investimento privado em educação que surge para beneficiar dos apoios europeus e governamentais e ocupar um espaço na formação de alunos com percursos alternativos. Assim sendo, vamo-nos habituar a ouvir sem surpresa que os desempenhos entre público e privado são similares, se educação privada significa cada vez menos ser escola para rico.

Isabel Flores

Fonte: Público

domingo, 19 de janeiro de 2020

Deixar de dar aulas com mais de 60 anos só no pré-escolar e 1.º ciclo

A possibilidade de os professores com mais de 60 anos deixarem de dar aulas para “desempenhar outras atividades”, prevista no Orçamento do Estado de 2020, será apenas aplicada ao pré-escolar e 1.º ciclo, esclareceu o Governo.

O rejuvenescimento da carreira docente e a possibilidade de os professores com mais de 60 anos deixarem de dar aulas para “desempenhar outras atividades” são objetivos enunciados pelo Governo para o Orçamento do Estado de 2020 (OE2020) na Educação.

Numa nota explicativa, publicada esta quinta-feira na página do Parlamento, referente ao OE2020 no que diz respeito ao Ministério da Educação, um dia antes da audição da equipa liderada por Tiago Brandão Rodrigues em sede de especialidade na Assembleia da República, o Executivo recorda o objetivo de rever o modelo de recrutamento de professores, que já tinha sido avançado no programa do Governo.

Além disso, admite ter outros planos para os professores com mais de 60 anos que não passam necessariamente por dar aulas.

Esta sexta-feira, a secretária de Estado da Educação, Susana Amador, esclareceu em declarações à Lusa que esta medida será estudada e que no âmbito da valorização da classe docente existe a possibilidade de os professores em regime de monodocência (existente no pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico) desempenharem outras atividades que garantam o aproveitamento pleno das suas capacidades profissionais.

“O que se pretende é explorar cenários possíveis para encontrar a potenciação das capacidades para que estes professores da monodocência que quando chegam aos 60 anos tem uma redução de cinco horas da sua componente letiva”, disse.

A medida ainda não está calendarizada, mas será implementada ao longo desta legislatura.

Fonte: ZAP por indicação de Livresco

sábado, 18 de janeiro de 2020

Experiência em educação especial: "Aqui, então, foi realmente um choque"

A texto seguinte é um extrato da reportagem do Diário de Notícias intitulada "Quem perdeu foi o país". A história de quem desistiu de ensinar. Nela, é mencionada a experiência provisória de uma docnente em educação especial.

(...) Devagarinho, ano após ano, "aquele bocadinho que passava dentro de uma sala de aula, a fazer o que mais gostava, deixou de compensar o resto", conta. Convicta de que poderia fazer a diferença num lugar onde o plano curricular não fosse "uma prisão", durante dois anos a professora de Matemática ainda experimentou o ensino especial, para o qual se formou entretanto. "Aqui, então, foi realmente um choque", lembra. Carla conta a impotência que sentiu e a pena que teve "daqueles pais", cujos filhos "eram largados ao abandono quando chegavam à escola". Porque "a inclusão nas escolas é uma mentira", as crianças "estão lá, mas não estão incluídas", até porque" não temos tempo para as acompanhar" garante.

Ainda que a lei preveja medidas de inclusão escolar, pelo menos 30% dos estabelecimentos de ensino não estão a aplicá-la. Em 2018, o governo substituiu a lei da Educação Especial pela Educação Inclusiva, que passa a ser para todos e não especificamente para estudantes com necessidades especiais. Mas um relatório da Federação Nacional de Educação (FNE), divulgado em dezembro de 2019, mostra que a maioria dos professores e educadores não estão preparados para aplicar o diploma. Em grande parte, confessam, por não terem tempo de preparar os recursos para a sua concretização.

"Deixa-se as crianças à sorte do professor que lhes calha. Porque ou os professores se predispõem a fazer mais do que o programa estipula ou os alunos ficam esquecidos", conta Carla Freitas. Ainda de acordo com o estudo da Fenprof e da FCSH, as respostas dos inquiridos mostram que quanto maior a perceção de criatividade, menor o índice de exaustão emocional. "E os profissionais não estão a encontrar a compensação que idealizavam, seja ela material ou emocional", acrescenta Vítor Godinho, membro do Secretariado Nacional da Fenprof. Atualmente, "a profissão é vista com grande desânimo" e é já "desesperante ver o cenário de apatia nas salas de aula". Por isso, não o surpreende que "a partir do momento em que encontram uma alternativa, melhor ou não retribuída, acabem por sair".

A alternativa chegou para Carla, em 2015: uma oportunidade num parque de festas para crianças. A professora de Matemática queria uma vida diferente, um trabalho mais gratificante, por isso, experimentou. Mas não largou de imediato o ensino: durante uns meses, foi conciliando os dois trabalhos - durante a semana, escola; ao fim de semana, o outro. Ali, "tinha a parte boa com as crianças, que já raramente conseguia ver no ensino". Por isso, acabou mesmo por desistir da profissão e dedicar-se a tempo inteiro ao antigo part-time. (...)

Fonte: DN

Óculos especiais mostram às crianças como é ser daltónico

"Isto é amarelo", "não sei que cor é esta", "parece verde, mas não é", "onde está o vermelho?". Bastou colocar uns óculos especiais que ajudam a ver com os olhos de um daltónico para uma coisa tão simples como colorir um desenho se tornar difícil para os alunos do Centro Escolar de Paredes.

Durante esta semana, o "Programa ColorADD nas Escolas", desenvolvido pela ColorADD Social numa parceria com a Câmara de Paredes, esteve no concelho para sensibilizar os mais de 850 alunos do 4.º ano do Ensino Básico para este problema "sem cura" e com implicações na vida diária, enquanto era realizado um rastreio. Os objetivos passam por prevenir o insucesso e abandono escolar precoce, baixas autoestima e autoconfiança e situações de bullying, entre outros.

"Os daltónicos não trocam as cores, confundem-nas. Daqui a pouco já vão ver como é", prometia Bárbara Santos. Primeiro as crianças fizeram testes para avaliar se tinham ou não daltonismo, ao mesmo tempo aprendiam o "alfabeto das cores", os símbolos que ajudam os daltónicos a perceber de que cor são as coisas.

As crianças foram desafiadas a pintar com uns óculos especiais, identificando as cores dos lápis apenas com a ajuda dos símbolos. Saíram laranjas castanhas e bandeiras nacionais todas vermelhas ou verdes e azuis. "As cores ficam iguais. Ter os símbolos nos lápis ajudou muito. Vou explicar o que aprendi aos meus pais e irmãos", promete Beatriz, de 10 anos. "Para os daltónicos é muito difícil distinguir fazer isso", conta Daniel Pereira, da mesma idade.

No Mundo há 350 milhões de daltónicos, sendo que um em cada 10 homens e uma em cada 200 mulheres têm este problema. O projeto, que tem percorrido o país, já rastreou, desde 2014, mais de 33 mil crianças. Ter esta limitação pode criar muitos constrangimentos, realça Bárbara Santos. "Tivemos um caso de um menino que a professora dizia que era burro porque não conseguia entender um mapa. E ele não conseguia descortinar as cores para fazer a análise. Mesmo não intencional, existe bullying não só por parte dos colegas, mas também por parte dos próprios professores", descreve.

"Aprendemos como é que os meninos que têm daltonismo veem as coisas e como fazem para distinguir as cores".

"Estes símbolos ajudam aos daltónicos. Veem tudo iguale é muito difícil para eles. Se conhecesse um daltónico ia ajudá-lo a comprar roupa".

Fonte: JN, com fotos e vídeo, por indicação de Livresco

SESSENTA E CINCO AGRUPAMENTOS JÁ ESTÃO A “INDISCIPLINAR A ESCOLA”

Sessenta e cinco agrupamentos de escolas de todo o país estão já a trabalhar num dos programas do Plano Nacional das Artes, lançado em junho de 2019, disse (...) o seu comissário, Paulo Pires do Vale.

Ao intervir no 4.º Encludança – Encontro Internacional de Arte e Acessibilidade, que decorre em Viseu, Paulo Pires do Vale referiu que estes agrupamentos se encontram a trabalhar com as medidas propostas pelo programa “Indisciplinar a escola”, que tem como objetivo pensar a cultura de uma forma transdisciplinar.

Se no passado se pensou que a forma de as artes entrarem nas escolas passava por criar mais disciplinas, como Música ou Educação Visual, o Plano Nacional das Artes apresentado em 2019 considera que, por exemplo, “a matemática pode ser trabalhada a partir do teatro e a filosofia através do cinema”, explicou.

Segundo Paulo Pires do Vale, o plano propõe a criação de projetos culturais, que terão um coordenador, “que é uma espécie de programador da escola”.

“Esse projeto cultural tem de partir de uma necessidade, de uma questão que aquele território tem à qual a cultura pode dar uma resposta”, frisou.

O comissário contou que, na zona de Odemira, um dos dramas sentido é o de alunos oriundos da Índia, do Bangladesh e do Paquistão, que “caem na escola sem falar uma palavra de português”.

“Como incluir estes alunos na escola? E como é que o projeto cultural da escola pode ajudar a que isto aconteça?”, questionou.

Outro exemplo que apontou foi o de uma escola de Faro, situada no meio de grandes superfícies comerciais, num local “em que o desperdício alimentar é obvio e visível”.

“Em cada lugar, o que propomos é que se identifique uma questão e como é que culturalmente a dança, a música, o teatro lhe pode responder”, sublinhou.

Outro dos programas é o do “Artista Residente”, que estará na escola não para ser mais um professor, mas “para pensar como é que aí pode continuar a sua prática artística”, respondendo ao que lhe pedem e fazendo propostas.

“Por exemplo, em Armamar, numa parceria do Teatro Viriato e do Plano Nacional das Artes, temos uma artista residente a trabalhar este ano”, exemplificou.

Paulo Pires do Vale disse haver a consciência de que, à medida que os projetos foram crescendo, terão de ser arranjadas novas formas de financiamento.

“Não há forma de financiar, por exemplo, artistas residentes em todas as escolas. São cerca de 800 agrupamentos de escolas no país, não há forma de financiar do ponto de vista central, ou seja, temos que descentralizar”, afirmou.

Nalguns lugares, o objetivo é o de que “seja a própria Câmara Municipal a perceber a valia e a fazer o financiamento ao artista residente”, acrescentou.

Desenvolvido pelas áreas governativas da Cultura e da Educação, o Plano Nacional das Artes tem como objetivo tornar as artes mais acessíveis aos cidadãos, em particular às crianças e aos jovens, através da comunidade educativa, promovendo a participação, fruição e criação cultural, numa lógica de inclusão e aprendizagem ao longo da vida.

Fonte: Jornal do Centro por indicação de Livresco

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Alunos até ao sexto ano com escola das 9 às 17 horas

O princípio da Escola a Tempo Inteiro (ETI) - que permite o prolongamento do horário dos alunos do 1º Ciclo, através das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) - vai ser alargado ao 2º Ciclo.

A intenção não é nova, mas vai avançar no próximo ano letivo, com caráter de experiência-piloto em cerca de dez agrupamentos. O objetivo é generalizar a medida depois de 2022.

O projeto será anunciado hoje pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, na Comissão de Orçamento e Finanças, no âmbito do debate na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2020. A experiência, explicou ao JN fonte do ME, contará com dotação orçamental e fundos comunitários, estando apoiada "num trabalho prévio de auscultação de diferentes serviços da administração educativa e de um conjunto de especialistas".

Fonte: JN