segunda-feira, 15 de junho de 2026

Quando o respeito desaparece da escola, perdem os professores a autoridade para ensinar e perdem os alunos a segurança necessária para aprender

A minha filha terminou o ensino secundário no dia 5 de junho e a última frase dita por ela foi: “Finalmente acabou!” Esta frase simples, ouvida por muitos pais no final de cada ano letivo, tem múltiplas interpretações. No meu caso particular, aquelas palavras tiveram um significado diferente. Não representavam apenas o fim dos testes, dos concertos ou da rotina escolar. Representavam o encerramento, pelo menos por agora, de um sofrimento que se prolongou durante anos.

Li recentemente um artigo de opinião publicado no site da revista VISÃO, intitulado “Quando a escola perde autoridade“, que alertava para a crescente perda de autoridade dos professores, para a banalização da indisciplina e para a necessidade de recuperar uma cultura de respeito dentro das escolas. Concordo com as preocupações apresentadas. Nenhuma escola pode cumprir a sua missão quando os professores deixam de ser respeitados, quando os funcionários são igualmente desvalorizados ou quando o comportamento de alguns compromete o direito de aprender da maioria.

Há, no entanto, uma outra realidade, menos visível e menos discutida, que também merece atenção. Existem alunos que vivem a escola como um espaço de exclusão, humilhação silenciosa e sofrimento emocional. Ao longo dos últimos oito anos, acompanhei de perto o impacto que pequenas atitudes podem ter na vida de uma jovem. Não falo dos episódios graves de bullying que chegam às notícias ou das agressões que chocam momentaneamente a opinião pública. Falo dos olhares de desprezo, da exclusão dos grupos de trabalho, dos comentários depreciativos, das palavras que parecem insignificantes para quem as diz, mas que deixam marcas profundas em quem as recebe. Falo dos alunos que entram diariamente na escola sem se sentirem verdadeiramente integrados, que regressam a casa emocionalmente exaustos e que, muitas vezes, aprendem a sobreviver quando apenas deveriam estar preocupados em aprender.

Tal como o artigo refere que uma escola sem respeito prejudica os professores, também é verdade que uma escola sem respeito prejudica os seus alunos mais vulneráveis. Quando os limites desaparecem, quando determinados comportamentos são relativizados ou quando os sinais de sofrimento passam despercebidos, todos perdem. Perdem os professores, perdem os funcionários, perdem os alunos e perde a própria escola.

Durante anos ouvimos falar de inclusão. Mas a inclusão não se resume a discursos, projetos ou documentos. Constrói-se diariamente nas relações entre alunos, na forma como os adultos observam, escutam e intervêm, e na capacidade de reconhecer que o sofrimento emocional também é uma forma de violência, cujas consequências podem acompanhar um jovem durante muito tempo. Quando os alertas são dados repetidamente, quando os alunos e as famílias procuram ajuda e quando são sugeridas medidas concretas, a escola deve ter a capacidade de escutar e a disponibilidade para refletir sobre o que pode ser melhorado.

Nem sempre é possível resolver todos os problemas, mas é sempre possível reconhecer que eles existem. As escolas não se devem limitar à disciplina formal. Não basta sancionar comportamentos inadequados. A aplicação de medidas disciplinares pode ser necessária, mas dificilmente produz mudanças duradouras quando não é acompanhada de reflexão, diálogo e responsabilização. É necessário promover uma verdadeira cultura de inclusão, pertença e respeito mútuo. É necessário criar espaços de diálogo, escuta e responsabilização. É necessário ajudar os jovens a compreender que as suas ações têm consequências reais na vida dos outros. Que a liberdade implica responsabilidade e a convivência exige respeito. Desenvolver a empatia é crucial no atual sistema educativo.

A educação formal tem muito a ganhar quando dialoga com as metodologias da educação não formal, valorizando competências como a empatia, a cooperação, a participação e a resolução pacífica de conflitos.

Um professor não é um animador social, como é referido no artigo, nem um técnico de juventude. A sua missão principal continua a ser ensinar. Mas isso não impede que possa recorrer a estratégias educativas que promovam relações mais saudáveis entre os alunos ou que conte com o apoio de profissionais especializados, como os técnicos de juventude ou mediadores ou animadores sociais, que complementem esse trabalho.

Talvez um dos maiores desafios da escola pública atual esteja menos nos princípios e mais na sua concretização. Poucos discordarão da importância da autoridade, do respeito ou da inclusão. A dificuldade surge quando estes valores têm de ganhar expressão no quotidiano escolar, através de ações concretas, intervenções atempadas e respostas que protejam todos os membros da comunidade educativa. Porque uma escola verdadeiramente inclusiva exige autoridade para proteger, intervir e educar; e uma autoridade verdadeiramente educativa só cumpre plenamente a sua missão quando coloca a dignidade de cada aluno no centro da sua ação.

A escola pública continua a ser um dos maiores instrumentos de igualdade e de transformação social que possuímos. Mas, para cumprir essa missão, tem de ser, antes de tudo, um lugar seguro. Um lugar onde os professores possam ensinar com autoridade e respeito. Um lugar onde nenhum aluno tenha medo de ser quem é. Um lugar onde aprender não signifique resistir. Ninguém deveria ter medo de ir para a escola. Nenhum aluno deveria sentir-se sozinho dentro de uma escola e ninguém merece aprender a viver enquanto tenta sobreviver. A escola deve ser um lugar seguro – de confiança, de respeito, de dignidade, de crescimento e de esperança! Porque, no final, a verdadeira qualidade de uma escola não se mede apenas pelos resultados académicos. Mede-se também pela forma como faz sentir aqueles que todos os dias atravessam os seus portões.

As pessoas vão esquecer o que disseste…, mas nunca esquecerão como as fizeste sentir.” – Maya Angelou. Numa escola, o que fica não são só as notas — são as marcas. Porque ninguém esquece como foi tratado. Assinado: Mãe de uma aluna que terminou o 12º.

Raquel Gandarez

Fonte: Visão por indicação de Livresco

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Caderno de apoio ao ensino da escrita

As dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita são comuns e esperadas, ao contrário do que se pensa. Se abordadas no momento certo, estas dificuldades podem ser ultrapassadas. É, por isso, fundamental que a intervenção seja tão atempada, intensiva, sistemática e estruturada quanto possível. Foi desta premissa que nasceu o AaZ — Ler Melhor, Saber Mais, programa da Iniciativa Educação que, desde 2019, ajuda crianças do 1.º e 2.º anos de escolaridade com dificuldades na alfabetização básica a desenvolver as suas capacidades de leitura e escrita.

Através do programa AaZ — Ler Melhor, Saber Mais, a Iniciativa Educação disponibiliza materiais de apoio ao ensino da leitura direccionados essencialmente a professores do 1.º ciclo, que são de acesso livre e gratuito. Trata-se de textos que resumem os resultados da investigação mais recente sobre vários temas relacionados com a leitura e com a escrita.

Este caderno é parte de uma série que agrega, por categoria, esse textos. Nesta edição, estão reunidos os textos relacionados com o ensino da escrita, que foram publicados até Fevereiro de 2026.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Alunos e docentes de quatro escolas ibéricas lançam manual na área da demência

Um manual que dá a conhecer atividades que ajudam a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências, elaborado por alunos e professores de quatro escolas ibéricas, foi lançado em Évora, integrado num projeto europeu. Intitulado “Mind in action” (Mente em ação, em português), o manual resultou do projeto RealWorld Dementia Training Tool (Ferramenta de [...]

Um manual que dá a conhecer atividades que ajudam a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências, elaborado por alunos e professores de quatro escolas ibéricas, foi lançado em Évora, integrado num projeto europeu.

Intitulado “Mind in action” (Mente em ação, em português), o manual resultou do projeto RealWorld Dementia Training Tool (Ferramenta de Treino para a Demência no Mundo Real, em português), desenvolvido no âmbito do programa Erasmus+ e financiado pela Comissão Europeia.

O projeto juntou alunos e professores dos cursos de técnico de apoio psicossocial das escolas Técnica Psicossocial de Lisboa e Secundária Severim Faria, em Évora, e dos institutos Salvador Seguí e Montserrat Roig, de Barcelona, em Espanha.

Com esta iniciativa, pretendeu-se “criar um recurso” para “disponibilizar atividades e ações que diminuam o grau de declínio cognitivo de pessoas com demências”, explicou hoje à agência Lusa o coordenador do projeto, Eduardo Rodrigues.

Segundo o também professor da Escola Técnica de Apoio Psicossocial de Lisboa, os alunos envolvidos, com a ajuda dos docentes, conceberam atividades e exercícios com vista a prevenir ou a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências.

“Contratámos peritos para dar mais consistência às ideias dos alunos, que, apesar de muito boas, eram atividades em bruto e careciam de validação técnica”, assinalou.

E, depois, continuou, as ações foram testadas em vários contextos em Portugal e em Espanha.

O responsável indicou que o livro foca as “diferentes áreas cognitivas que vão ficando comprometidas” durante um processo ligado à demência.

E apresenta exercícios de estimulação de memória e ações relacionadas com a perceção e a localização, acrescentou.

Uma das atividades sugeridas, exemplificou, é “um jogo de classificação de imagens” para “trabalhar a perceção”, em que são disponibilizadas imagens e os utentes têm que as identificar e classificar por categoria.

“Estão duas peças de fruta e uma chave numa caixa e o utente tem que identificar qual é a que não faz sentido estar na caixa”, especificou.

De acordo com o coordenador, o manual vai ser disponibilizado em formato digital e físico aos interessados, através da página na Internet do projeto, a lançar brevemente.

O projeto envolveu cerca de 300 alunos, entre os 15 e os 19 anos, dos cursos profissionais de técnico de apoio psicossocial ministrados nas quatro escolas.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“Onde antes se deram passos na educação, dão-se agora passos na inclusão”

A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo inaugurou oficialmente o Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) em Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha. Em funcionamento há cerca de três meses, o novo equipamento promove a aprendizagem, o desenvolvimento de competências pessoais e sociais e a empregabilidade de pessoas com deficiência.

A secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, que esteve presente na cerimónia, sublinhou o simbolismo particular da origem deste projeto. “Nasceu da remodelação de uma antiga escola primária, onde antes se deram os primeiros passos na educação das crianças, dão-se agora passos seguros na inclusão, na capacitação e no desenvolvimento ao longo de toda a vida”, afirmou.

Fonte: Alto Minho por indicação de Livresco

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os alunos são mesmo capazes de aprender sozinhos?

A ideia de que deixar os alunos descobrirem ou aprenderem por si produz neles uma aprendizagem profunda foi sempre tentadora, mas assenta numa visão ingénua e idealizada do funcionamento cognitivo. A autoaprendizagem pode resultar numa aprendizagem significativa desde que o aluno já disponha de bases sólidas, estruturadas sobretudo num ensino explícito. O ensino explícito estrutura, clarifica, orienta e facilita a compreensão. O paradoxo é que, para ser mais fácil desenvolver no aluno uma aprendizagem independente, é preciso que o professor lhe prepare cuidadosamente o terreno, em vez de o deixar entregue à sorte. Uma sequência pedagógica bem planificada e apoiada no ensino explícito é a diferença entre a confusão improdutiva e a verdadeira compreensão. O exemplo da Morningside Academy deixa-nos convictos de que a autoaprendizagem é mais eficaz quando constituir o culminar da rigorosa planificação de um processo de ensino explícito.


Quando a autoaprendizagem entra demasiado cedo no processo, surgem demasiados obstáculos simultâneos, que provocam um grau de confusão nos alunos que torna a aprendizagem improvável, senão mesmo impossível (Kirschner, Sweller, & Clark, 2006). Sem uma estrutura clara, os alunos têm ao mesmo tempo de analisar a situação, formular hipóteses, testar ideias e memorizar conceitos novos. Esta acumulação de exigências provoca uma sobrecarga cognitiva. Em contrapartida, o ensino explícito fornece aos alunos, gradualmente e logo de início, os referentes que ainda lhes faltam para poderem direcionar a atenção, concretizar os objetivos, clarificar as etapas a seguir e adotar as melhores estratégias. Ao reduzir, por via de um processo progressivo de ensino, a sobrecarga cognitiva, o ensino explícito diminui bastante o elevado risco de fracasso. Sem ele, os alunos partem de intuições erradas, constroem conceções imprecisas e, na ausência de feedback imediato, deixam que se instalem e cristalizem erros de compreensão.

O ensino explícito é uma poderosa alavanca para desenvolver conhecimentos e habilidades estáveis. Apresentar os conceitos de forma clara, planear as melhores abordagens, dar uma variedade de exemplos (e contraexemplos) e oferecer uma prática guiada, com feedback constante, não corresponde a um ensino mecânico ou estereotipado. É, pelo contrário, uma abordagem pedagógica verdadeiramente atenta aos alunos, pois permite ajustar e estruturar a aprendizagem (Gauthier & Bissonnette, 2024). Esta abordagem começa por lhes dar os instrumentos cognitivos necessários para poderem abordar depois tarefas mais complexas. De facto, o ensino explícito, ao automatizar certas operações de base, dá espaço à mente dos alunos para resolução de problemas mais avançados. O feedback que é dado neste contexto vai corrigindo as incompreensões antes que estas se enraízem. Com este apoio indispensável, o ensino explícito vai dando, pouco a pouco, maior autonomia ao aluno e prepara-o para uma autoaprendizagem de qualidade.

Criar condições preliminares para o aluno poder aprender sozinho exige uma cuidadosa planificação do professor (Johnson & Street, 2020). A primeira etapa consiste em estabelecer fundações sólidas: clarificar o vocabulário, as regras, os conceitos essenciais e as abordagens esperadas. Tudo isto assenta num ensino explícito. Segue-se a prática orientada, característica central do ensino explícito, durante a qual os exercícios progressivos e o feedback levam a estabilizar o conhecimento e a interiorizar a prática. A variedade de exemplos e contraexemplos é também princípio fundamental do ensino explícito, pois permite evitar falsas generalizações. Conforme o aluno vai mostrando dominar cada tema, o professor pode ir reduzindo o apoio prestado. Este processo de desancoragem, ou de afastamento do professor, associado ao ensino explícito facilita a entrada do aluno num processo de autoaprendizagem. A revisão e a consolidação permitem automatizar os conhecimentos adquiridos. Outras tarefas de revisão, um pouco diferentes das anteriores, permitem então que o aluno comece a aprender sozinho. Este momento de autoaprendizagem ganha força quanto mais se basear num ensino explícito rigoroso e planificado de antemão.

Na matemática, o ensino explícito surge quando se ensinam primeiro as operações necessárias, depois se desenvolve uma prática orientada com feedback e por fim se dão exemplos estruturados, levando o aluno a identificar alguma regularidade na resolução dos problemas. Nas ciências, as experiências orientadas, as discussões estruturadas e a clarificação dos métodos com feedback direcionado são características habituais do ensino explícito, antes de se apresentar ao aluno situações inéditas com o mesmo grau de dificuldade. Nas línguas, o ensino orientado de vocabulário e de estruturas gramaticais é um exemplo claro de ensino explícito, permitindo ao aluno descobrir como combinar todos estes elementos de novas maneiras num exercício de produção escrita.

Assim, não devemos rejeitar a autoaprendizagem. Ela é possível desde que seja o ponto de chegada de um percurso estruturado pelo ensino explícito, e não o ponto de partida (Johnson & Street, 2020). Quando baseado numa planificação adequada e bem preparada, a autoaprendizagem reforça a memória, dá mais motivação e transforma uma simples atividade numa aprendizagem estável e estimulante. O professor tem um papel crucial na aquisição de conhecimento: não é quem diz tudo, mas quem, por via do ensino explícito, estabelece as condições que permitem ao aluno conseguir depois uma compreensão duradoura e profunda, com autonomia.

Clermont GauthierSteve Bissonnette

domingo, 7 de junho de 2026

Adeus, dislexia: eles criaram uma app que é um companheiro de leitura personalizado

Estudantes de mestrado do Instituto Superior Técnico criaram plataforma interactiva que utiliza inteligência artificial para se adaptar em tempo real às necessidades de cada aluno.

Francisco Redondo cresceu a ver a irmã a lutar contra um inimigo anónimo que veio a descobrir chamar-se dislexia. Para impedir que mais estudantes passem pelas mesmas frustrações, Francisco criou uma startup e está a desenvolver uma plataforma digital, uma espécie de companheiro de leitura personalizado, que permite a pais e professores acompanhar o progresso diário dos alunos. (...)

Continuação do texto em Público

Podcast aborda o Desenho Universal para a Aprendizagem

A Universidade da Beira Interior (UBI) lançou o podcast “Transformar pela Inclusão” para convidar a comunidade académica a refletir sobre novas abordagens de ensino e a experimentá-las, com base nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem.

O conteúdo conta com a participação das docentes Carla Fonseca, Cristiana Madureira, Sandra Soares e Tânia Lima. Ao longo da conversa, disponível no canal de YouTube da UBI, as intervenientes partilham as suas experiências no Percurso +Plural, refletindo sobre as mudanças introduzidas nas suas práticas pedagógicas e o impacto observado nos estudantes. Há ainda espaço para discutir a capacidade do ensino superior em acolher a diversidade dos estudantes atuais, bem como para inspirar outros docentes a adotar estas abordagens nas suas práticas.

As quatro docentes participaram no Percurso de Transformação Pedagógica +Plural, ação inserida no quadro de atividades do Consórcio EPIC - Excelência Pedagógica e Inovação em Cocriação, e articulada com as iniciativas do projeto UBI Learning Hub II. Este percurso tem como objetivo promover ambientes de aprendizagem mais inclusivos, acessíveis e inovadores para todos os estudantes, através da aplicação do Desenho Universal para a Aprendizagem.

O podcast integrou a 2.ª Edição do Mês da Inovação Pedagógica, dinamizada pela Vice-Reitoria para o Ensino, Assuntos Académicos e Empregabilidade, através do Gabinete de Inovação Pedagógica. Ao longo de quatro semanas, docentes, técnicos, estudantes da UBI e participantes de outras instituições de ensino superior marcaram presença em diversas sessões em linha que procuraram divulgar os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem e a sua aplicação em sala de aula.

A 2.ª Edição do Mês da Inovação Pedagógica, que decorreu em abril, convidou a comunidade académica a construir um ensino mais inovador, inclusivo e acessível para todos os estudantes, contribuindo para a consolidação da excelência pedagógica na UBI. Assim, o Podcast “Transformar pela Inclusão” surge como um meio de aproximar estas temáticas do público em geral, promovendo a sua compreensão e valorização.

Esta ação insere-se na Atividade 4 do projeto UBI Learning Hub II, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Programa Impulso Mais Digital, promovido pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

Fonte: UBI por indicação de Livresco

sábado, 6 de junho de 2026

Plataforma que traduz em tempo real aulas em português para alunos estrangeiros

Uma plataforma que traduz, em tempo real, as aulas lecionadas em português, foi esta sexta-feira lançada em Óbidos, numa parceria entre a autarquia, o parque tecnológico e as escolas do concelho para facilitar a aprendizagem dos alunos estrangeiros.

A plataforma, denominada “Babel Classroom”, permite ao professor lecionar normalmente em português, enquanto a sua intervenção é automaticamente transcrita e traduzida em tempo real para até quatro idiomas em simultâneo, divulgou esta sexta-feira a Câmara de Óbidos, no distrito de Leiria.

A informação é disponibilizada numa segunda janela visível para os alunos, facilitando o acompanhamento das aulas e promovendo uma participação mais ativa no processo de aprendizagem.

O sistema é o resultado de uma parceria entre o município, o Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, o Parque Tecnológico de Óbidos e uma das empresas ali radicadas, a ImpactWave, e foi “concebido para promover a inclusão de alunos de língua não materna e reforçar a equidade no acesso à aprendizagem”, pode ler-se numa nota da autarquia.

A plataforma “foi desenvolvida a partir de uma necessidade identificada pelos próprios professores, confrontados diariamente com os desafios da integração de alunos recém-chegados ao sistema educativo português”, num contexto de crescente diversidade cultural nas escolas da região Oeste.

De acordo com os dados divulgados pela Câmara de Óbidos, frequentam as escolas da região alunos de cerca de 50 nacionalidades, entre as quais: África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Chéquia, Chile, China, Colômbia, Egito, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos da América, Rússia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, México, Moldávia, Nepal, Países Baixos, Paquistão, Polónia, Reino Unido, Roménia, São Tomé e Príncipe, Suécia, Suíça, Ucrânia, Venezuela, Paraguai, Índia, Noruega, Bolívia, República Dominicana, Estónia, Finlândia, Grécia, Japão e Marrocos.

Só no concelho de Óbidos “existem atualmente cerca de 200 alunos das mais diversas geografias, uma realidade que tem colocado novos desafios à integração linguística e ao sucesso educativo”, pode ler-se no mesmo texto.

A solução encontrada para responder às necessidades destes alunos integra funcionalidades de Inteligência Artificial adaptadas ao contexto educativo, permitindo corrigir transcrições, adequar linguisticamente conteúdos e apoiar uma comunicação mais eficaz em sala de aula. É ainda complementada por um equipamento discreto, incluindo microfones Bluetooth com cancelamento de ruído, concebidos para integrar naturalmente a dinâmica pedagógica.

A plataforma foi testada durante três semanas em contexto real por professores do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, em diferentes disciplinas e turmas, permitindo validar o seu potencial como ferramenta de apoio à inclusão, ao acompanhamento pedagógico e que é, simultaneamente, “potenciadora de equidade”, como afirmou o diretor do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, José Santos, na apresentação pública deste projeto.

Desenvolvida para que pudesse ser utilizada por todos os professores em várias turmas, segundo Ricardo Cardoso, CEO da ImpactWave, esta solução tem como grande objetivo “manter o aluno estrangeiro dentro da turma e a turma dentro do programa“.

Esta solução “foi criada de raiz para escalar a nível global, podendo ser, a esta altura, utilizada no mundo inteiro por milhões de alunos”, concluiu o responsável pela empresa.

Fonte: Observador por indicação de Livresco

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os ecrãs estão a desaparecer rapidamente das escolas, embora alguns alunos com deficiência dependam deles

CONCORD, Califórnia — Soraya Martin, aluna do 9.º ano, é uma adolescente alegre e sociável que descobriu recentemente uma nova paixão.

«Sou uma escritora muito criativa, adoro escrever histórias por diversão», afirma.

As histórias surgem naturalmente para Soraya, mas a leitura e a escrita não. Isso deve-se ao facto de ela ter dislexia. «A nível académico, a escola sempre foi um grande desafio para mim.»

Então, no último ano letivo, ela começou a usar uma tecnologia que lhe permite fazer várias coisas: ditar os seus textos em vez de os escrever, ouvir livros em vez de os ler numa página e tirar fotos das notas no quadro.

Isso mudou tudo. Em vez de se preocupar se uma palavra está escrita corretamente, Soraya descobriu que, com a função de conversão de voz em texto integrada no seu portátil escolar, pode simplesmente deixar as palavras fluírem da sua mente para a boca.

«Comecei a ter notas realmente boas», diz ela. «Fez-me sentir que… não sou burra, tenho tanto para dizer e isso fez-me pensar: “Eu consigo fazer isto, consigo ir à escola e consigo ser boa nisso.”»

Isto, diz a sua mãe, Heather Martin, é o tipo de promessa que os ecrãs representam para alunos como a sua filha — alunos que ela teme que estejam a ser esquecidos na reação nacional contra os ecrãs nas escolas. Os ecrãs são cada vez mais culpados por atrapalharem a aprendizagem dos alunos: mais de 30 estados proibiram os telemóveis nas escolas. Alguns estados foram mais longe com propostas ou políticas para remover totalmente ecrãs como computadores portáteis e tablets das salas de aula. No final de maio, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA emitiu um aviso do cirurgião-geral sobre os «malefícios do uso de ecrãs», citando os seus efeitos na saúde das crianças e nos resultados escolares.

Grande parte da tendência de afastar as crianças dos ecrãs nas escolas tem vindo dos pais, que receiam que a utilização dos ecrãs esteja a prejudicar a aprendizagem dos seus filhos — um argumento que Heather Martin ouve na sua própria comunidade em Concord, a cerca de 50 km a nordeste de São Francisco. Ela partilha algumas dessas preocupações, mas afirma: «Em nenhuma altura, durante a conversa, se falou sobre crianças com deficiência, a não ser quando eu abordei o assunto com os outros pais.»

Os defensores desta causa receiam que esses alunos também estejam a ser excluídos do debate nacional.

As propostas de políticas relativas ao tempo de ecrã são frequentemente «um instrumento pouco preciso»

Os alunos com deficiência representam uma percentagem em rápido crescimento do total de alunos neste país — são mais de 8 milhões. Muitos dependem de tecnologias de apoio para superar o dia letivo, incluindo para tomar notas, ler e escrever. Por exemplo, os alunos cegos e com baixa visão podem utilizar software de leitura de ecrã ou de ampliação para ler. Outros, como a Soraya, utilizam conversão de voz em texto e audiolivros.

Estados como o Alabama, o Tennessee e o Utah já têm leis que limitam o uso de ecrãs, com entrada em vigor já em julho.

«A minha preocupação é que esse é um prazo muito curto para que isto aconteça», afirma Lindsay Jones, diretora executiva do Center for Applied Special Technology (CAST), uma organização sem fins lucrativos de investigação em educação que se dedica a tornar os ambientes de aprendizagem acessíveis.

Jones salienta que algumas destas leis preveem exceções às restrições relativas aos ecrãs para alunos com deficiência — muitas vezes, uma linha no texto menciona a tecnologia de apoio. Mas ela afirma que isso deve ser o mínimo indispensável e receia que muitas propostas políticas sejam «um instrumento muito pouco preciso».

«A ação foi tão rápida que, neste verão, deixámos os nossos educadores e as nossas comunidades de pessoas com deficiência a tentar perceber o que se passa», afirma ela. Talvez com mais tempo e com a contribuição das pessoas com deficiência, as políticas protegessem melhor os seus direitos, acrescenta Jones.

Para além das preocupações com as proibições de telemóveis e ecrãs a nível estadual e escolar, os defensores das pessoas com deficiência salientam que o reduzido Departamento de Educação dos EUA está muito menos equipado para fazer valer os direitos civis. Esses direitos incluem o acesso a tecnologia de apoio para alunos com deficiência. A administração Trump também adiou recentemente uma regra de acessibilidade digital há muito esperada para instituições públicas, incluindo escolas.

«Para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade»

No liceu da Soraya, no norte da Califórnia, o último ano letivo foi o primeiro em que os telemóveis dos alunos ficaram guardados em bolsas durante todo o dia letivo — tal como acontece em muitas escolas por todo o país. Heather Martin receia que a proibição dos telemóveis possa abrir caminho para uma proibição mais abrangente dos ecrãs na escola da sua filha.

«Um ambiente completamente livre de ecrãs parece que é deitar fora o bebé com a água do banho», diz ela. «Não se trata de comparar “sem ecrãs” com “sem acessibilidade”. E, para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade.»

Enquanto fala sobre a mudança na sua escola, Soraya fica tensa. «Odeio-as», diz ela sobre as bolsas trancadas. Ela diz que o seu telemóvel não é apenas uma distração, é uma rede de segurança para ligar aos pais se tiver um ataque de pânico, por exemplo. E sente-se destacada quando tem de pedir para tirar o telemóvel da bolsa trancada para tomar notas.

O programa educativo individualizado (PEI) de Soraya, um documento legal que descreve as adaptações e modificações que ela deve receber na escola, diz que ela pode usar o telemóvel para tomar notas, juntamente com outras tecnologias de apoio. Mas como a proibição dos telemóveis é recente, os seus professores ainda estão a adaptar-se. Como tem várias aulas e professores diferentes ao longo do dia, ela diz que é fácil que alguns professores não estejam familiarizados com as suas adaptações.

Este é o tipo de «consequência indesejada» que preocupa Jones ao pensar num futuro próximo em que mais escolas se afastem da tecnologia que, segundo ela, tem sido revolucionária para as pessoas com deficiência. Quando a tecnologia é utilizada de forma intencional, afirma ela, pode «na verdade permitir-nos criar ambientes muito mais flexíveis, e esses são realmente necessários para as pessoas com deficiência».

A organização de Jones, a CAST, criou um quadro educativo chamado «Universal Design for Learning» (Desenho Universal para a Aprendizagem), que incentiva os educadores a conceberem as suas salas de aula de forma a ter em conta as diferentes formas como os alunos aprendem. Por exemplo, um professor pode dar uma aula de matemática utilizando blocos, um diagrama e um vídeo para ajudar a transmitir a mesma lição a alunos com diferentes necessidades. Ou talvez a leitura em sala de aula seja disponibilizada como um livro eletrónico, para que os alunos com baixa visão possam ampliar o texto, enquanto aqueles com dislexia podem ouvir.

À medida que as restrições de ecrã se espalham pelas escolas do país, Jones espera que as pessoas com deficiência não sejam esquecidas. «Precisamos de educadores, precisamos de pessoas com deficiência, precisamos de fornecedores de tecnologia de apoio», para dar a sua opinião sobre como essas políticas são implementadas na sala de aula, diz Jones. «Essa será a melhor forma de avançar para que todos alcancem os seus objetivos sem atropelar os direitos das pessoas.»

Para Soraya, o uso deste tipo de ferramentas levou-a a aceitar as suas diferenças de aprendizagem. Na verdade, acabou de concluir uma investigação e de escrever uma série de ensaios que exploram a forma como as pessoas com dislexia aprendem. Pela primeira vez na vida, tem só notas máximas, mas, mais importante ainda, diz que consegue expressar-se de uma forma mais profunda e significativa.

«Tenho muito mais para dizer… Isso fez-me sentir mais confiante em mim mesma.»

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: kpbs por indicação de Livresco

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Livro ensina a educar para os afetos... sem pressa

“Devagar que Tenho Pressa de Sentir” é um livro que reúne poemas e ilustrações criados pelos alunos que frequentavam o 6.º ano da Escola Básica 2,3 de Mundão no ano letivo anterior, sob a direção e orientação da professora Isilda Monteiro.

A iniciativa teve como mentora a Escola Superior de Saúde de Viseu e enquadra-se nas orientações do Programa Nacional de Saúde Escolar da Direção-Geral da Saúde, promovendo a educação para os afetos e a sexualidade como pilares fundamentais para a construção de relações saudáveis.

Ao longo das sessões educativas realizadas no âmbito do projeto, os alunos tiveram oportunidade de refletir sobre emoções, respeito, empatia e tomada de decisões informadas, desenvolvendo competências socioemocionais essenciais para o seu crescimento pessoal e social.

O resultado é uma obra sensível e inspiradora, onde palavras e desenhos revelam a forma como os jovens percecionam os afetos, os relacionamentos e o respeito pelo outro.

A sessão de apresentação do livro contou com a presença de algumas entidades parceiras e representantes da comunidade, nomeadamente. Para os pais e encarregados de educação e para todos, o resultado final é motivo de orgulho pelo reconhecimento e valorização do trabalho desenvolvido pelos seus filhos.

Mais do que um livro, “Devagar que Tenho Pressa de Sentir” é um convite à reflexão sobre a importância dos afetos, da comunicação e do respeito nas relações humanas. Uma obra construída pelas vozes dos mais jovens, capaz de abrir corações, inspirar leitores e reforçar a importância da educação para a saúde e para a cidadania.

Fonte: Diário de Viseu por indicação de Livresco