sexta-feira, 12 de junho de 2026

Caderno de apoio ao ensino da escrita

As dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita são comuns e esperadas, ao contrário do que se pensa. Se abordadas no momento certo, estas dificuldades podem ser ultrapassadas. É, por isso, fundamental que a intervenção seja tão atempada, intensiva, sistemática e estruturada quanto possível. Foi desta premissa que nasceu o AaZ — Ler Melhor, Saber Mais, programa da Iniciativa Educação que, desde 2019, ajuda crianças do 1.º e 2.º anos de escolaridade com dificuldades na alfabetização básica a desenvolver as suas capacidades de leitura e escrita.

Através do programa AaZ — Ler Melhor, Saber Mais, a Iniciativa Educação disponibiliza materiais de apoio ao ensino da leitura direccionados essencialmente a professores do 1.º ciclo, que são de acesso livre e gratuito. Trata-se de textos que resumem os resultados da investigação mais recente sobre vários temas relacionados com a leitura e com a escrita.

Este caderno é parte de uma série que agrega, por categoria, esse textos. Nesta edição, estão reunidos os textos relacionados com o ensino da escrita, que foram publicados até Fevereiro de 2026.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Alunos e docentes de quatro escolas ibéricas lançam manual na área da demência

Um manual que dá a conhecer atividades que ajudam a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências, elaborado por alunos e professores de quatro escolas ibéricas, foi lançado em Évora, integrado num projeto europeu. Intitulado “Mind in action” (Mente em ação, em português), o manual resultou do projeto RealWorld Dementia Training Tool (Ferramenta de [...]

Um manual que dá a conhecer atividades que ajudam a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências, elaborado por alunos e professores de quatro escolas ibéricas, foi lançado em Évora, integrado num projeto europeu.

Intitulado “Mind in action” (Mente em ação, em português), o manual resultou do projeto RealWorld Dementia Training Tool (Ferramenta de Treino para a Demência no Mundo Real, em português), desenvolvido no âmbito do programa Erasmus+ e financiado pela Comissão Europeia.

O projeto juntou alunos e professores dos cursos de técnico de apoio psicossocial das escolas Técnica Psicossocial de Lisboa e Secundária Severim Faria, em Évora, e dos institutos Salvador Seguí e Montserrat Roig, de Barcelona, em Espanha.

Com esta iniciativa, pretendeu-se “criar um recurso” para “disponibilizar atividades e ações que diminuam o grau de declínio cognitivo de pessoas com demências”, explicou hoje à agência Lusa o coordenador do projeto, Eduardo Rodrigues.

Segundo o também professor da Escola Técnica de Apoio Psicossocial de Lisboa, os alunos envolvidos, com a ajuda dos docentes, conceberam atividades e exercícios com vista a prevenir ou a diminuir o declínio cognitivo de pessoas com demências.

“Contratámos peritos para dar mais consistência às ideias dos alunos, que, apesar de muito boas, eram atividades em bruto e careciam de validação técnica”, assinalou.

E, depois, continuou, as ações foram testadas em vários contextos em Portugal e em Espanha.

O responsável indicou que o livro foca as “diferentes áreas cognitivas que vão ficando comprometidas” durante um processo ligado à demência.

E apresenta exercícios de estimulação de memória e ações relacionadas com a perceção e a localização, acrescentou.

Uma das atividades sugeridas, exemplificou, é “um jogo de classificação de imagens” para “trabalhar a perceção”, em que são disponibilizadas imagens e os utentes têm que as identificar e classificar por categoria.

“Estão duas peças de fruta e uma chave numa caixa e o utente tem que identificar qual é a que não faz sentido estar na caixa”, especificou.

De acordo com o coordenador, o manual vai ser disponibilizado em formato digital e físico aos interessados, através da página na Internet do projeto, a lançar brevemente.

O projeto envolveu cerca de 300 alunos, entre os 15 e os 19 anos, dos cursos profissionais de técnico de apoio psicossocial ministrados nas quatro escolas.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

quarta-feira, 10 de junho de 2026

“Onde antes se deram passos na educação, dão-se agora passos na inclusão”

A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo inaugurou oficialmente o Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) em Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha. Em funcionamento há cerca de três meses, o novo equipamento promove a aprendizagem, o desenvolvimento de competências pessoais e sociais e a empregabilidade de pessoas com deficiência.

A secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, que esteve presente na cerimónia, sublinhou o simbolismo particular da origem deste projeto. “Nasceu da remodelação de uma antiga escola primária, onde antes se deram os primeiros passos na educação das crianças, dão-se agora passos seguros na inclusão, na capacitação e no desenvolvimento ao longo de toda a vida”, afirmou.

Fonte: Alto Minho por indicação de Livresco

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os alunos são mesmo capazes de aprender sozinhos?

A ideia de que deixar os alunos descobrirem ou aprenderem por si produz neles uma aprendizagem profunda foi sempre tentadora, mas assenta numa visão ingénua e idealizada do funcionamento cognitivo. A autoaprendizagem pode resultar numa aprendizagem significativa desde que o aluno já disponha de bases sólidas, estruturadas sobretudo num ensino explícito. O ensino explícito estrutura, clarifica, orienta e facilita a compreensão. O paradoxo é que, para ser mais fácil desenvolver no aluno uma aprendizagem independente, é preciso que o professor lhe prepare cuidadosamente o terreno, em vez de o deixar entregue à sorte. Uma sequência pedagógica bem planificada e apoiada no ensino explícito é a diferença entre a confusão improdutiva e a verdadeira compreensão. O exemplo da Morningside Academy deixa-nos convictos de que a autoaprendizagem é mais eficaz quando constituir o culminar da rigorosa planificação de um processo de ensino explícito.


Quando a autoaprendizagem entra demasiado cedo no processo, surgem demasiados obstáculos simultâneos, que provocam um grau de confusão nos alunos que torna a aprendizagem improvável, senão mesmo impossível (Kirschner, Sweller, & Clark, 2006). Sem uma estrutura clara, os alunos têm ao mesmo tempo de analisar a situação, formular hipóteses, testar ideias e memorizar conceitos novos. Esta acumulação de exigências provoca uma sobrecarga cognitiva. Em contrapartida, o ensino explícito fornece aos alunos, gradualmente e logo de início, os referentes que ainda lhes faltam para poderem direcionar a atenção, concretizar os objetivos, clarificar as etapas a seguir e adotar as melhores estratégias. Ao reduzir, por via de um processo progressivo de ensino, a sobrecarga cognitiva, o ensino explícito diminui bastante o elevado risco de fracasso. Sem ele, os alunos partem de intuições erradas, constroem conceções imprecisas e, na ausência de feedback imediato, deixam que se instalem e cristalizem erros de compreensão.

O ensino explícito é uma poderosa alavanca para desenvolver conhecimentos e habilidades estáveis. Apresentar os conceitos de forma clara, planear as melhores abordagens, dar uma variedade de exemplos (e contraexemplos) e oferecer uma prática guiada, com feedback constante, não corresponde a um ensino mecânico ou estereotipado. É, pelo contrário, uma abordagem pedagógica verdadeiramente atenta aos alunos, pois permite ajustar e estruturar a aprendizagem (Gauthier & Bissonnette, 2024). Esta abordagem começa por lhes dar os instrumentos cognitivos necessários para poderem abordar depois tarefas mais complexas. De facto, o ensino explícito, ao automatizar certas operações de base, dá espaço à mente dos alunos para resolução de problemas mais avançados. O feedback que é dado neste contexto vai corrigindo as incompreensões antes que estas se enraízem. Com este apoio indispensável, o ensino explícito vai dando, pouco a pouco, maior autonomia ao aluno e prepara-o para uma autoaprendizagem de qualidade.

Criar condições preliminares para o aluno poder aprender sozinho exige uma cuidadosa planificação do professor (Johnson & Street, 2020). A primeira etapa consiste em estabelecer fundações sólidas: clarificar o vocabulário, as regras, os conceitos essenciais e as abordagens esperadas. Tudo isto assenta num ensino explícito. Segue-se a prática orientada, característica central do ensino explícito, durante a qual os exercícios progressivos e o feedback levam a estabilizar o conhecimento e a interiorizar a prática. A variedade de exemplos e contraexemplos é também princípio fundamental do ensino explícito, pois permite evitar falsas generalizações. Conforme o aluno vai mostrando dominar cada tema, o professor pode ir reduzindo o apoio prestado. Este processo de desancoragem, ou de afastamento do professor, associado ao ensino explícito facilita a entrada do aluno num processo de autoaprendizagem. A revisão e a consolidação permitem automatizar os conhecimentos adquiridos. Outras tarefas de revisão, um pouco diferentes das anteriores, permitem então que o aluno comece a aprender sozinho. Este momento de autoaprendizagem ganha força quanto mais se basear num ensino explícito rigoroso e planificado de antemão.

Na matemática, o ensino explícito surge quando se ensinam primeiro as operações necessárias, depois se desenvolve uma prática orientada com feedback e por fim se dão exemplos estruturados, levando o aluno a identificar alguma regularidade na resolução dos problemas. Nas ciências, as experiências orientadas, as discussões estruturadas e a clarificação dos métodos com feedback direcionado são características habituais do ensino explícito, antes de se apresentar ao aluno situações inéditas com o mesmo grau de dificuldade. Nas línguas, o ensino orientado de vocabulário e de estruturas gramaticais é um exemplo claro de ensino explícito, permitindo ao aluno descobrir como combinar todos estes elementos de novas maneiras num exercício de produção escrita.

Assim, não devemos rejeitar a autoaprendizagem. Ela é possível desde que seja o ponto de chegada de um percurso estruturado pelo ensino explícito, e não o ponto de partida (Johnson & Street, 2020). Quando baseado numa planificação adequada e bem preparada, a autoaprendizagem reforça a memória, dá mais motivação e transforma uma simples atividade numa aprendizagem estável e estimulante. O professor tem um papel crucial na aquisição de conhecimento: não é quem diz tudo, mas quem, por via do ensino explícito, estabelece as condições que permitem ao aluno conseguir depois uma compreensão duradoura e profunda, com autonomia.

Clermont GauthierSteve Bissonnette

domingo, 7 de junho de 2026

Adeus, dislexia: eles criaram uma app que é um companheiro de leitura personalizado

Estudantes de mestrado do Instituto Superior Técnico criaram plataforma interactiva que utiliza inteligência artificial para se adaptar em tempo real às necessidades de cada aluno.

Francisco Redondo cresceu a ver a irmã a lutar contra um inimigo anónimo que veio a descobrir chamar-se dislexia. Para impedir que mais estudantes passem pelas mesmas frustrações, Francisco criou uma startup e está a desenvolver uma plataforma digital, uma espécie de companheiro de leitura personalizado, que permite a pais e professores acompanhar o progresso diário dos alunos. (...)

Continuação do texto em Público

Podcast aborda o Desenho Universal para a Aprendizagem

A Universidade da Beira Interior (UBI) lançou o podcast “Transformar pela Inclusão” para convidar a comunidade académica a refletir sobre novas abordagens de ensino e a experimentá-las, com base nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem.

O conteúdo conta com a participação das docentes Carla Fonseca, Cristiana Madureira, Sandra Soares e Tânia Lima. Ao longo da conversa, disponível no canal de YouTube da UBI, as intervenientes partilham as suas experiências no Percurso +Plural, refletindo sobre as mudanças introduzidas nas suas práticas pedagógicas e o impacto observado nos estudantes. Há ainda espaço para discutir a capacidade do ensino superior em acolher a diversidade dos estudantes atuais, bem como para inspirar outros docentes a adotar estas abordagens nas suas práticas.

As quatro docentes participaram no Percurso de Transformação Pedagógica +Plural, ação inserida no quadro de atividades do Consórcio EPIC - Excelência Pedagógica e Inovação em Cocriação, e articulada com as iniciativas do projeto UBI Learning Hub II. Este percurso tem como objetivo promover ambientes de aprendizagem mais inclusivos, acessíveis e inovadores para todos os estudantes, através da aplicação do Desenho Universal para a Aprendizagem.

O podcast integrou a 2.ª Edição do Mês da Inovação Pedagógica, dinamizada pela Vice-Reitoria para o Ensino, Assuntos Académicos e Empregabilidade, através do Gabinete de Inovação Pedagógica. Ao longo de quatro semanas, docentes, técnicos, estudantes da UBI e participantes de outras instituições de ensino superior marcaram presença em diversas sessões em linha que procuraram divulgar os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem e a sua aplicação em sala de aula.

A 2.ª Edição do Mês da Inovação Pedagógica, que decorreu em abril, convidou a comunidade académica a construir um ensino mais inovador, inclusivo e acessível para todos os estudantes, contribuindo para a consolidação da excelência pedagógica na UBI. Assim, o Podcast “Transformar pela Inclusão” surge como um meio de aproximar estas temáticas do público em geral, promovendo a sua compreensão e valorização.

Esta ação insere-se na Atividade 4 do projeto UBI Learning Hub II, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do Programa Impulso Mais Digital, promovido pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

Fonte: UBI por indicação de Livresco

sábado, 6 de junho de 2026

Plataforma que traduz em tempo real aulas em português para alunos estrangeiros

Uma plataforma que traduz, em tempo real, as aulas lecionadas em português, foi esta sexta-feira lançada em Óbidos, numa parceria entre a autarquia, o parque tecnológico e as escolas do concelho para facilitar a aprendizagem dos alunos estrangeiros.

A plataforma, denominada “Babel Classroom”, permite ao professor lecionar normalmente em português, enquanto a sua intervenção é automaticamente transcrita e traduzida em tempo real para até quatro idiomas em simultâneo, divulgou esta sexta-feira a Câmara de Óbidos, no distrito de Leiria.

A informação é disponibilizada numa segunda janela visível para os alunos, facilitando o acompanhamento das aulas e promovendo uma participação mais ativa no processo de aprendizagem.

O sistema é o resultado de uma parceria entre o município, o Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, o Parque Tecnológico de Óbidos e uma das empresas ali radicadas, a ImpactWave, e foi “concebido para promover a inclusão de alunos de língua não materna e reforçar a equidade no acesso à aprendizagem”, pode ler-se numa nota da autarquia.

A plataforma “foi desenvolvida a partir de uma necessidade identificada pelos próprios professores, confrontados diariamente com os desafios da integração de alunos recém-chegados ao sistema educativo português”, num contexto de crescente diversidade cultural nas escolas da região Oeste.

De acordo com os dados divulgados pela Câmara de Óbidos, frequentam as escolas da região alunos de cerca de 50 nacionalidades, entre as quais: África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Bangladesh, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Chéquia, Chile, China, Colômbia, Egito, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos da América, Rússia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, México, Moldávia, Nepal, Países Baixos, Paquistão, Polónia, Reino Unido, Roménia, São Tomé e Príncipe, Suécia, Suíça, Ucrânia, Venezuela, Paraguai, Índia, Noruega, Bolívia, República Dominicana, Estónia, Finlândia, Grécia, Japão e Marrocos.

Só no concelho de Óbidos “existem atualmente cerca de 200 alunos das mais diversas geografias, uma realidade que tem colocado novos desafios à integração linguística e ao sucesso educativo”, pode ler-se no mesmo texto.

A solução encontrada para responder às necessidades destes alunos integra funcionalidades de Inteligência Artificial adaptadas ao contexto educativo, permitindo corrigir transcrições, adequar linguisticamente conteúdos e apoiar uma comunicação mais eficaz em sala de aula. É ainda complementada por um equipamento discreto, incluindo microfones Bluetooth com cancelamento de ruído, concebidos para integrar naturalmente a dinâmica pedagógica.

A plataforma foi testada durante três semanas em contexto real por professores do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, em diferentes disciplinas e turmas, permitindo validar o seu potencial como ferramenta de apoio à inclusão, ao acompanhamento pedagógico e que é, simultaneamente, “potenciadora de equidade”, como afirmou o diretor do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, José Santos, na apresentação pública deste projeto.

Desenvolvida para que pudesse ser utilizada por todos os professores em várias turmas, segundo Ricardo Cardoso, CEO da ImpactWave, esta solução tem como grande objetivo “manter o aluno estrangeiro dentro da turma e a turma dentro do programa“.

Esta solução “foi criada de raiz para escalar a nível global, podendo ser, a esta altura, utilizada no mundo inteiro por milhões de alunos”, concluiu o responsável pela empresa.

Fonte: Observador por indicação de Livresco

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Os ecrãs estão a desaparecer rapidamente das escolas, embora alguns alunos com deficiência dependam deles

CONCORD, Califórnia — Soraya Martin, aluna do 9.º ano, é uma adolescente alegre e sociável que descobriu recentemente uma nova paixão.

«Sou uma escritora muito criativa, adoro escrever histórias por diversão», afirma.

As histórias surgem naturalmente para Soraya, mas a leitura e a escrita não. Isso deve-se ao facto de ela ter dislexia. «A nível académico, a escola sempre foi um grande desafio para mim.»

Então, no último ano letivo, ela começou a usar uma tecnologia que lhe permite fazer várias coisas: ditar os seus textos em vez de os escrever, ouvir livros em vez de os ler numa página e tirar fotos das notas no quadro.

Isso mudou tudo. Em vez de se preocupar se uma palavra está escrita corretamente, Soraya descobriu que, com a função de conversão de voz em texto integrada no seu portátil escolar, pode simplesmente deixar as palavras fluírem da sua mente para a boca.

«Comecei a ter notas realmente boas», diz ela. «Fez-me sentir que… não sou burra, tenho tanto para dizer e isso fez-me pensar: “Eu consigo fazer isto, consigo ir à escola e consigo ser boa nisso.”»

Isto, diz a sua mãe, Heather Martin, é o tipo de promessa que os ecrãs representam para alunos como a sua filha — alunos que ela teme que estejam a ser esquecidos na reação nacional contra os ecrãs nas escolas. Os ecrãs são cada vez mais culpados por atrapalharem a aprendizagem dos alunos: mais de 30 estados proibiram os telemóveis nas escolas. Alguns estados foram mais longe com propostas ou políticas para remover totalmente ecrãs como computadores portáteis e tablets das salas de aula. No final de maio, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA emitiu um aviso do cirurgião-geral sobre os «malefícios do uso de ecrãs», citando os seus efeitos na saúde das crianças e nos resultados escolares.

Grande parte da tendência de afastar as crianças dos ecrãs nas escolas tem vindo dos pais, que receiam que a utilização dos ecrãs esteja a prejudicar a aprendizagem dos seus filhos — um argumento que Heather Martin ouve na sua própria comunidade em Concord, a cerca de 50 km a nordeste de São Francisco. Ela partilha algumas dessas preocupações, mas afirma: «Em nenhuma altura, durante a conversa, se falou sobre crianças com deficiência, a não ser quando eu abordei o assunto com os outros pais.»

Os defensores desta causa receiam que esses alunos também estejam a ser excluídos do debate nacional.

As propostas de políticas relativas ao tempo de ecrã são frequentemente «um instrumento pouco preciso»

Os alunos com deficiência representam uma percentagem em rápido crescimento do total de alunos neste país — são mais de 8 milhões. Muitos dependem de tecnologias de apoio para superar o dia letivo, incluindo para tomar notas, ler e escrever. Por exemplo, os alunos cegos e com baixa visão podem utilizar software de leitura de ecrã ou de ampliação para ler. Outros, como a Soraya, utilizam conversão de voz em texto e audiolivros.

Estados como o Alabama, o Tennessee e o Utah já têm leis que limitam o uso de ecrãs, com entrada em vigor já em julho.

«A minha preocupação é que esse é um prazo muito curto para que isto aconteça», afirma Lindsay Jones, diretora executiva do Center for Applied Special Technology (CAST), uma organização sem fins lucrativos de investigação em educação que se dedica a tornar os ambientes de aprendizagem acessíveis.

Jones salienta que algumas destas leis preveem exceções às restrições relativas aos ecrãs para alunos com deficiência — muitas vezes, uma linha no texto menciona a tecnologia de apoio. Mas ela afirma que isso deve ser o mínimo indispensável e receia que muitas propostas políticas sejam «um instrumento muito pouco preciso».

«A ação foi tão rápida que, neste verão, deixámos os nossos educadores e as nossas comunidades de pessoas com deficiência a tentar perceber o que se passa», afirma ela. Talvez com mais tempo e com a contribuição das pessoas com deficiência, as políticas protegessem melhor os seus direitos, acrescenta Jones.

Para além das preocupações com as proibições de telemóveis e ecrãs a nível estadual e escolar, os defensores das pessoas com deficiência salientam que o reduzido Departamento de Educação dos EUA está muito menos equipado para fazer valer os direitos civis. Esses direitos incluem o acesso a tecnologia de apoio para alunos com deficiência. A administração Trump também adiou recentemente uma regra de acessibilidade digital há muito esperada para instituições públicas, incluindo escolas.

«Para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade»

No liceu da Soraya, no norte da Califórnia, o último ano letivo foi o primeiro em que os telemóveis dos alunos ficaram guardados em bolsas durante todo o dia letivo — tal como acontece em muitas escolas por todo o país. Heather Martin receia que a proibição dos telemóveis possa abrir caminho para uma proibição mais abrangente dos ecrãs na escola da sua filha.

«Um ambiente completamente livre de ecrãs parece que é deitar fora o bebé com a água do banho», diz ela. «Não se trata de comparar “sem ecrãs” com “sem acessibilidade”. E, para algumas crianças, o ecrã é a sua ferramenta de acessibilidade.»

Enquanto fala sobre a mudança na sua escola, Soraya fica tensa. «Odeio-as», diz ela sobre as bolsas trancadas. Ela diz que o seu telemóvel não é apenas uma distração, é uma rede de segurança para ligar aos pais se tiver um ataque de pânico, por exemplo. E sente-se destacada quando tem de pedir para tirar o telemóvel da bolsa trancada para tomar notas.

O programa educativo individualizado (PEI) de Soraya, um documento legal que descreve as adaptações e modificações que ela deve receber na escola, diz que ela pode usar o telemóvel para tomar notas, juntamente com outras tecnologias de apoio. Mas como a proibição dos telemóveis é recente, os seus professores ainda estão a adaptar-se. Como tem várias aulas e professores diferentes ao longo do dia, ela diz que é fácil que alguns professores não estejam familiarizados com as suas adaptações.

Este é o tipo de «consequência indesejada» que preocupa Jones ao pensar num futuro próximo em que mais escolas se afastem da tecnologia que, segundo ela, tem sido revolucionária para as pessoas com deficiência. Quando a tecnologia é utilizada de forma intencional, afirma ela, pode «na verdade permitir-nos criar ambientes muito mais flexíveis, e esses são realmente necessários para as pessoas com deficiência».

A organização de Jones, a CAST, criou um quadro educativo chamado «Universal Design for Learning» (Desenho Universal para a Aprendizagem), que incentiva os educadores a conceberem as suas salas de aula de forma a ter em conta as diferentes formas como os alunos aprendem. Por exemplo, um professor pode dar uma aula de matemática utilizando blocos, um diagrama e um vídeo para ajudar a transmitir a mesma lição a alunos com diferentes necessidades. Ou talvez a leitura em sala de aula seja disponibilizada como um livro eletrónico, para que os alunos com baixa visão possam ampliar o texto, enquanto aqueles com dislexia podem ouvir.

À medida que as restrições de ecrã se espalham pelas escolas do país, Jones espera que as pessoas com deficiência não sejam esquecidas. «Precisamos de educadores, precisamos de pessoas com deficiência, precisamos de fornecedores de tecnologia de apoio», para dar a sua opinião sobre como essas políticas são implementadas na sala de aula, diz Jones. «Essa será a melhor forma de avançar para que todos alcancem os seus objetivos sem atropelar os direitos das pessoas.»

Para Soraya, o uso deste tipo de ferramentas levou-a a aceitar as suas diferenças de aprendizagem. Na verdade, acabou de concluir uma investigação e de escrever uma série de ensaios que exploram a forma como as pessoas com dislexia aprendem. Pela primeira vez na vida, tem só notas máximas, mas, mais importante ainda, diz que consegue expressar-se de uma forma mais profunda e significativa.

«Tenho muito mais para dizer… Isso fez-me sentir mais confiante em mim mesma.»

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: kpbs por indicação de Livresco

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Livro ensina a educar para os afetos... sem pressa

“Devagar que Tenho Pressa de Sentir” é um livro que reúne poemas e ilustrações criados pelos alunos que frequentavam o 6.º ano da Escola Básica 2,3 de Mundão no ano letivo anterior, sob a direção e orientação da professora Isilda Monteiro.

A iniciativa teve como mentora a Escola Superior de Saúde de Viseu e enquadra-se nas orientações do Programa Nacional de Saúde Escolar da Direção-Geral da Saúde, promovendo a educação para os afetos e a sexualidade como pilares fundamentais para a construção de relações saudáveis.

Ao longo das sessões educativas realizadas no âmbito do projeto, os alunos tiveram oportunidade de refletir sobre emoções, respeito, empatia e tomada de decisões informadas, desenvolvendo competências socioemocionais essenciais para o seu crescimento pessoal e social.

O resultado é uma obra sensível e inspiradora, onde palavras e desenhos revelam a forma como os jovens percecionam os afetos, os relacionamentos e o respeito pelo outro.

A sessão de apresentação do livro contou com a presença de algumas entidades parceiras e representantes da comunidade, nomeadamente. Para os pais e encarregados de educação e para todos, o resultado final é motivo de orgulho pelo reconhecimento e valorização do trabalho desenvolvido pelos seus filhos.

Mais do que um livro, “Devagar que Tenho Pressa de Sentir” é um convite à reflexão sobre a importância dos afetos, da comunicação e do respeito nas relações humanas. Uma obra construída pelas vozes dos mais jovens, capaz de abrir corações, inspirar leitores e reforçar a importância da educação para a saúde e para a cidadania.

Fonte: Diário de Viseu por indicação de Livresco

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Autistas têm maior probabilidade detransição de género em Portugal (c) O REGIÕES. Reprodução proibida.

Os cidadãos autistas têm maior probabilidade de transição de género face aos indivíduos com desenvolvimento neurológico típico, segundo revelam recentes dados estatísticos internacionais de saúde mental. O fenómeno clínico gera novos desafios pedagógicos nas escolas públicas nacionais.

Esta convergência estatística, que aponta para uma expressão superior a 60 por cento de probabilidade em determinados perfis clínicos, mobiliza equipas médicas especializadas. Contudo, o diagnóstico requer uma triagem diferenciada para evitar confusões com outras manifestações psicológicas.

Segundo informação recolhida junto de especialistas em pedopsiquiatria, as dinâmicas de isolamento social potenciam os dilemas identitários nesta população vulnerável. Desta forma, as instituições escolares procuram adoptar directrizes que garantam o acompanhamento adequado dos alunos.

Factores de saúde mental influenciam identidade dos jovens

A ligação entre a neurodivergência e a incongruência de género exige uma análise detalhada das condições psicopatológicas paralelas dos pacientes. Estudos pioneiros demonstram que esta sobreposição de características carece de uma abordagem médica integrada (George & Stokes, 2017).

Por outro lado, pacientes com perturbação obsessivo-compulsiva e depressão crónica demonstram, com frequência, uma vulnerabilidade acrescida a crises de auto-imagem severas. Investigações europeias confirmam que o sofrimento psicológico agudo nestes grupos despoleta frequentemente dúvidas sobre a identidade (Van Der Miesen et al., 2016).

Dessa forma, a rigidez de pensamento característica do espectro do autismo pode moldar a percepção que o jovem constrói sobre o próprio corpo. Além disso, as crises graves de ansiedade social levam os menores a procurar respostas rápidas para o seu mal-estar noutras esferas existenciais.

Assim, os médicos sublinham a importância de avaliar se a manifestação é um sintoma secundário de instabilidade emocional passageira. A literatura médica internacional alerta para a necessidade de avaliações psicológicas longas e multidisciplinares nestas faixas etárias particulares (Strang et al., 2014).

Por outro lado, o historial clínico de traumas ou a ausência de laços afectivos seguros em casa complicam a distinção diagnóstica definitiva. Torna-se imperativo que as equipas clínicas avaliem o contexto psicossocial completo antes de avançar para qualquer decisão de cariz irreversível.

Família e escola cooperam no suporte psicopedagógico

Entretanto, o equilíbrio emocional dos adolescentes depende directamente da articulação concertada entre os encarregados de educação e os gabinetes de psicologia escolar. O acolhimento compreensivo sem julgamentos precipitados constitui a base para estabilizar o comportamento quotidiano dos estudantes.

De acordo com directrizes clínicas recentes, as respostas de suporte devem focar-se na redução imediata da angústia existencial do menor (Dewinter et al., 2020). Os pais devem manter um diálogo aberto e isento de pressões ideológicas ou familiares directas no ambiente doméstico.

Em paralelo, os professores necessitam de acções de formação contínua para gerir os conflitos e evitar a discriminação nas salas de aula. A partilha de informação entre a comunidade escolar e os terapeutas evita respostas extremas que prejudicam o desenvolvimento da personalidade.

Ainda assim, a intervenção nunca deve queimar etapas essenciais do amadurecimento neurológico natural do indivíduo. Dessa forma, o principal objectivo terapêutico passa por reduzir o sofrimento psicológico e assegurar que a criança cresça num ambiente seguro e protector.

Neste sentido, o papel dos psicólogos educacionais passa por criar pontes de comunicação eficazes entre a habitação familiar e a sala de aula. As escolas portuguesas enfrentam a necessidade de actualizar os seus recursos técnicos para responder a esta realidade com objectividade científica.

Desta forma, os especialistas recomendam prudência absoluta no acompanhamento de casos complexos onde a neurodivergência se cruza com questões de género. O foco principal deve permanecer na promoção da saúde mental global e na protecção activa dos direitos fundamentais da infância. 

Fonte: O Regiões por indicação de Livresco