quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O desenvolvimento desportivo do praticante de Boccia com limitações funcionais. Uma Proposta de Modelo.

Partilho o acesso ao artigo "O desenvolvimento desportivo do praticante de Boccia com limitações funcionais. Uma Proposta de Modelo.", da autorida de Ricardo Chumbinho e publicado na revista Mediações –Revista OnLine da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.

Resumo:

O desporto é uma potente ferramenta de promoção do desenvolvimento pessoal. A afirmação ganha ainda maior relevância quando aplicada a segmentos especiais da população, como é o caso dos indivíduos com deficiência, particularmente os jovens. No sistema educativo português, em que o paradigma de inclusão passa por ter na escola, todos os jovens em idade escolar, os contextos tendem a ser muito heterogéneos e desafiantes. Contudo, limitações funcionais e prognósticos nelas baseados, não devem constituir limitação à ambição e desenvolvimento. Sublinham-se os méritos da competição, da vitória e da derrota, como valores nucleares neste processo, no qual o foco deve ser colocado muito mais nas aspirações e nas capacidades, do que nas limitações. Um modelo de desenvolvimento holístico, assente nestes pressupostos e ajustado a cada contexto específico, tende a mostrar-se de sucesso.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Faltam vagas para alunos com necessidades específicas

Alunos com necessidades específicas estão sem resposta adequada no sistema educativo português por falta de vagas, segundo o Movimento Cidadão Diferente, que escreveu ao Ministério da Educação a pedir soluções para vários casos denunciados por famílias afetadas.

A situação não é nova e já no ano passado o Movimento Cidadão Diferente (MCD) tinha denunciado a exclusão continuada de muitos alunos com necessidades educativas específicas.

A cerca de um mês do arranque do ano letivo 2026/2027, o movimento volta a alertar para as dificuldades de dezenas de famílias no acesso às escolas da sua preferência, apesar do regime de prioridades previsto no regime jurídico da educação inclusiva.

O diploma de 2018 – que em 2027 será substituído por um novo regime, aprovado no final de julho em Conselho de Ministros – prevê que “os alunos com programa educativo individual têm prioridade na matrícula na escola de preferência dos pais”.

No entanto, segundo o MCD, muitos alunos não têm colocação nas escolas indicadas pelas famílias por falta de vagas ou de condições para a sua integração.

“Nenhuma escola pode receber alunos sem dispor dos recursos humanos e materiais indispensáveis para assegurar uma resposta educativa de qualidade”, reconhece o movimento em comunicado, ressalvando que “essa limitação não pode servir de justificação para afastar sistematicamente alunos com necessidades educativas específicas das escolas escolhidas pelas suas famílias”.

Nos últimos dias chegaram ao MCD casos de famílias que se viram obrigadas a aceitar colocações longe de casa ou em escolas diferentes das frequentadas pelos irmãos, situações que comprometem a estabilidade emocional das crianças, além do transtorno que representam para a vida familiar.

Alguns desses casos foram partilhados num e-mail enviado ao secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, a que a Lusa teve acesso e em que o movimento pede soluções urgentes.

Lucas é um dos alunos que, no próximo ano letivo, não conseguirá frequentar a escola escolhida pelos pais, ao contrário das expectativas iniciais.

A transitar para o 2.º ciclo, a família escolheu a Escola Básica e Secundária da Cidadela, em Cascais, pela proximidade a casa e à escola dos irmãos, e por assegurar a continuidade das terapias.

Depois de analisar o programa educativo individual, a escola comunicou aos pais que seria ali que Lucas iria iniciar o próximo ano letivo, mas mais tarde, ao consultar o Portal das Matrículas, a família percebeu que a criança tinha sido, afinal, colocada em outro estabelecimento de ensino.

“Para uma criança com necessidades específicas, isto não pode ser tratado como uma simples alteração administrativa. A previsibilidade, a preparação da transição, a continuidade das terapias, a estabilidade emocional e a organização familiar são fatores que têm de ser considerados”, sublinha o movimento no ‘e-mail’ enviado à tutela.

Outro aluno – uma criança de sete anos com síndrome XYY e programa educativo individual – ainda não sabe onde vai estudar a partir de setembro.

Segundo relata o MCD, o encarregado de educação indicou cinco opções de escola no pedido de matrícula, mas nenhuma tinha vagas, não tendo sido apresentada, entretanto, qualquer alternativa.

Em outro caso, a escola indicada pela família como primeira opção até tinha vaga para o aluno, mas Guilherme acabou por ser prejudicado pelo seu relatório técnico-pedagógico, que prevê a medida de redução de alunos por turma, e, nesse caso, o estabelecimento de ensino não tem condições para recebê-lo.

“De que serve termos uma legislação de educação inclusiva, medidas de suporte, e prioridades no processo de matrícula se, no momento em que a criança precisa efetivamente de uma escola e de uma resposta adequada, o sistema não consegue garantir essa resposta?”, questiona o movimento.

O movimento alerta ainda para o risco de concentrar os alunos com necessidades educativas específicas em determinados estabelecimentos de ensino, enquanto outros recusam a sua integração.

Dirigindo-se ao secretário de Estado Alexandre Homem Cristo, o MCD pede respostas concretas para que nenhuma criança permaneça sem colocação e apoio aos pais nos casos de inexistência de vagas, para que “nenhuma família seja abandonada a procurar, sozinha, uma solução que compete ao Estado garantir”.

Fonte: Diário de Viseu por indicação de Livresco

Definição dos quadros de zona pedagógica considerados carenciados para o ano letivo de 2026-2027

O Despacho n.º 10024/2026, de 11 de agosto, procede à definição dos quadros de zona pedagógica considerados carenciados, para o ano letivo de 2026-2027, nos termos do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto.

Quadros de zona pedagógica carenciados:


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Regime jurídico dos estudantes com necessidades educativas específicas no ensino superior

A Lei n.º 44/2026, de 10 de agosto, aprova o regime jurídico dos estudantes com necessidades educativas específicas no ensino superior e altera o Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de agosto, que aprova o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais.

O presente regime aplica-se a candidatos e a estudantes do ensino superior inscritos em qualquer modalidade de oferta educativa que, por motivo de perda ou anomalia, congénita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo funções psicológicas, apresentem dificuldades específicas suscetíveis de, em conjugação com fatores do meio, limitar ou dificultar a sua atividade e a sua participação plena em condições de equidade e igualdade com as demais pessoas.

São considerados estudantes com necessidades educativas específicas os seguintes candidatos e estudantes:
a) As pessoas com deficiência física, sensorial ou outra, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 %, devidamente comprovada através de atestado médico de incapacidade multiúso;
b) As pessoas que, não tendo uma incapacidade nos termos da alínea anterior, por motivo de perda ou anomalia, congénita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, incluindo as funções neurológicas e psicológicas, apresentem dificuldades específicas, devidamente comprovadas por peritos na área da educação e da saúde, suscetíveis de, em conjugação com os fatores do meio, limitar ou dificultar a sua atividade e a sua participação plena em condições de equidade e igualdade com as demais pessoas.

sábado, 8 de agosto de 2026

(H)À Educação: Quem disse que todos calçam o mesmo número?

Um estudante abre um livro e as palavras começam a dançar na página. Outro ouve a aula, mas as frases chegam-lhe como peças de um puzzle espalhadas pela mesa. Há ainda quem tenha muitas ideias, mas encontre obstáculos para comunicar. Notam-se diferenças, mas, na realidade, revelam um traço comum a todas as salas de aula: não existem dois estudantes iguais.

A diversidade é uma característica comum, no entanto ainda há contextos educativos em que se oferece um par de sapatos de tamanho único para percorrer os caminhos do conhecimento. Para quem calça esse tamanho, talvez o percurso seja confortável. Outros terão de forçar os pés ou aprender a caminhar com desconforto.

O Desenho Universal para a Aprendizagem é uma abordagem que propõe planear, desde o início, opções flexíveis que permitam a estudantes, com perfis diversos, aceder aos conteúdos, participar e demonstrar o que aprenderam, sem alterar os objetivos, nem reduzir a exigência.

Neste processo, poderão as ferramentas de Inteligência Artificial Generativa ajudar os docentes a criar opções mais flexíveis e acessíveis? A Inteligência Artificial pode apoiar na apresentação dos mesmos conteúdos em diferentes formatos (por exemplo, através do Notebook). Não se trata de facilitar a aprendizagem, mas de oferecer diferentes caminhos para alcançar os mesmos resultados.

Para um estudante com dislexia, um texto extenso pode parecer uma floresta demasiado densa para atravessar. Através de ferramentas, como o KOBI Happy Reading, essa floresta pode ganhar trilhos e é possível acompanhar a leitura em voz alta e adaptar as atividades.

O mesmo pode acontecer com estudantes que apresentam dificuldades auditivas, visuais ou de comunicação. Ferramentas como o NaturalReader ou aplicações de edição de vídeo podem converter texto em voz, gerar legendas e transcrições e apresentar a informação através de diferentes modalidades. Quando é utilizada com intencionalidade pedagógica e supervisão humana, a Inteligência Artificial pode ajudar o docente a ampliar as possibilidades de participação e aprendizagem. Todavia, os materiais gerados ou adaptados por estas ferramentas devem ser verificados quanto à exatidão, aos possíveis enviesamentos, à acessibilidade, à adequação pedagógica e à proteção dos dados dos estudantes.

As ferramentas digitais apoiadas por Inteligência Artificial podem gerar legendas e transcrições, converter texto em voz e apoiar a adaptação de materiais. A disponibilização de textos, conteúdos áudio, vídeos, infografias ou animações pode reduzir obstáculos e apoiar a compreensão em diferentes situações. Quando os estudantes podem escolher entre formatos coerentes com as suas necessidades, com o contexto e com a natureza da tarefa, ampliam-se as possibilidades de acesso, participação e aprendizagem.

Talvez a verdadeira questão seja: até onde estamos dispostos a redesenhar os ambientes de aprendizagem para permitir que todos os estudantes participem, compreendam e demonstrem o que aprenderam?

Carla Sá, Marisa Maia Machado e Sara Cruz

Fonte: Universidade de Aveiro por indicação de Livresco

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Alterando a Lei de Bases do Sistema Educativo assegurando em todos os níveis de ensino a acessibilidade dos estudantes com necessidades educativas especiais

A Lei n.º 41/2026, de 7 de agosto, assegura em todos os níveis de ensino a acessibilidade dos estudantes com necessidades educativas especiais, alterando a Lei de Bases do Sistema Educativo, aprovada pela Lei n.º 46/86, de 14 de outubro.

As alterações introduzidas consistem em:

São objetivos do ensino superior, para além dos já definidos, garantir o pleno acesso à formação superior e à consequente inserção no mercado de trabalho dos jovens com necessidades educativas específicas.

O Estado deve criar as condições que garantam aos cidadãos a possibilidade de frequentar o ensino superior, de forma a impedir os efeitos discriminatórios decorrentes das desigualdades económicas e regionais, de desvantagens sociais prévias ou de dificuldades acentuadas e persistentes ao nível da comunicação, interação, cognição ou aprendizagem derivadas de necessidades educativas específicas.

A educação especial organiza-se preferencialmente segundo modelos diversificados de integração em estabelecimentos regulares de ensino básico e secundário e nas instituições de ensino superior, tendo em conta as necessidades de atendimento específico, e com apoios de educadores especializados.

Incumbe ao Estado promover e apoiar a educação especial para pessoas com deficiência, independentemente do grau e da natureza da sua incapacidade, bem como do nível de ensino que frequentam.

Os percursos curriculares para jovens com deficiência a frequentar ciclos de estudo nas instituições de ensino superior devem ser adaptados às características de cada tipo e grau de deficiência, devendo estar previstas formas de avaliação adequadas às dificuldades específicas.

Nos estabelecimentos de ensino básico e secundário e nas instituições de ensino superior é assegurada a existência de atividades de acompanhamento e complemento pedagógicos, de modo positivamente diferenciado, a alunos com necessidades educativas específicas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Lista das entidades com acreditação prorrogada como Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) para o ano letivo 2026/2027


O EduQA informa que foi determinada a prorrogação da acreditação dos Centros de Recursos para a Inclusão (CRI), assegurando a continuidade da sua intervenção e a estabilidade das respostas prestadas às escolas, às crianças e aos alunos, às famílias e às comunidades educativas.

Esta decisão enquadra-se no atual processo de revisão do Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, que estabelece o regime jurídico da educação inclusiva. No âmbito desta revisão legislativa, está prevista a criação de um diploma próprio destinado a regular, de forma específica, o funcionamento, a organização, a acreditação e a intervenção dos Centros de Recursos para a Inclusão.

Neste contexto, considerou-se que a abertura de um novo procedimento de candidatura à acreditação dos CRI, antes da aprovação do novo enquadramento normativo, poderia conduzir à aplicação de critérios e requisitos suscetíveis de sofrer alterações num futuro próximo.

Assim, a prorrogação da acreditação permite garantir a continuidade da atividade dos CRI, assegurando simultaneamente a estabilidade do sistema durante o período de transição legislativa e evitando a realização de procedimentos administrativos que poderiam vir a revelar-se desajustados face ao novo regime jurídico.


Fonte: EduQA

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Práticas e Perspetivas Parentais no Brincar das Crianças em Portugal: Um Inquérito Transversal

Partilha-se o acesso ao estudo Práticas e Perspectivas Parentais no Brincar das Crianças em Portugal: Um Inquérito Transversal, publicado recentemente na revista Acta Médica Portuguesa.

RESUMO
Introdução: Brincar é reconhecido como um direito fundamental e um componente essencial do desenvolvimento saudável. Contudo, os estilos de vida modernos e o uso de meios digitais transformaram os padrões de brincadeira das crianças. O objetivo deste estudo foi descrever as perceções, práticas e limitações das famílias em Portugal relativamente ao brincar e ao brincar entre pais e filhos.
Métodos: Conduziu-se um estudo analítico transversal através de um questionário online distribuído a pais de crianças entre os três e os 10 anos em todo o território nacional. O inquérito abordou dados demográficos, atividades estruturadas, utilização de meios digitais, características gerais do brincar, brincar com os pais e opiniões parentais sobre o brincar. A análise estatística foi desenvolvida com recurso ao SPSS® v.28.0.Resultados: Foram obtidas 4637 respostas válidas. A idade mediana das crianças foi de seis anos, 53% do sexo masculino. Setenta e cinco por cento das crianças participavam em atividades extracurriculares, e a televisão foi o meio digital mais frequentemente utilizado (69%). A duração mais comum de brincar entre pais e filhos durante a semana foi inferior a uma hora (46%) e entre uma a três horas ao fim de semana (43%). Quase metade (46%) referiu brincar enquanto realizava tarefas domésticas. As principais barreiras ao brincar com os filhos foram as tarefas domésticas (87%) e as limitações relacionadas com o trabalho (58%). O tempo de brincar entre pais e filhos durante a semana e fins de semana foi inferior para as crianças com irmãos. Além disso, também se verificou uma duração reduzida do tempo de brincar durante a semana em crianças com atividades extracurriculares. Ser do sexo masculino, viver em ambiente rural e habilitações parentais inferiores associaram-se a mais tempo a brincar no exterior. Os pais atribuíram grande importância ao brincar: 100% concordaram que promove o desenvolvimento, 99% consideraram-no essencial para a socialização e 93% discordaram de que o brincar na escola pudesse substituir o brincar em casa.
Conclusão: Os pais em Portugal reconhecem o papel vital do brincar, mas enfrentam barreiras de tempo e ambientais que limitam as oportunidades de brincadeira livre e de qualidade. Promover momentos de brincadeira com os pais sem distrações e facilitar ambientes seguros para brincar ao ar livre devem ser prioridades nas estratégias pediátricas e de saúde pública.

Fonte inicial no Público por indicação de Livresco

terça-feira, 4 de agosto de 2026

As escolas de Connecticut apostam ainda mais na deteção precoce para melhorar os resultados em leitura

O primeiro passo para resolver um atraso na leitura é reconhecer que ele existe.

Décadas de investigação revelaram que todas as crianças aprendem a ler desenvolvendo as mesmas competências essenciais. Isto aplica-se a crianças com dislexia, a alunos que estão a aprender inglês e àqueles cujo nível de leitura está muito acima do nível da sua série. De acordo com a ciência da leitura, algumas crianças precisam apenas de um ensino mais direcionado e explícito — mais tempo a desenvolver a competência específica de leitura (e há várias) que não está a progredir tão rapidamente.

Mas, para isso, os professores precisam de identificar qual é a competência em falta. É necessário um tipo específico de formação e as ferramentas adequadas — e, até recentemente, muitas escolas de Connecticut careciam de ambas.

Isso começou a mudar com a lei «Right to Read» de 2023, que obriga os distritos a utilizarem programas de alfabetização do jardim de infância ao 3.º ano alinhados com a ciência da leitura. Alguns já estão a observar melhorias na sua capacidade de detetar e abordar os atrasos na leitura.

Ao mesmo tempo, um número crescente de pais procura, por conta própria, avaliar os seus filhos para detetar esses atrasos.

A Southport School — uma escola privada que utiliza um método de ensino baseado na ciência da leitura desde muito antes do programa «Right to Read» — tem vindo a oferecer, há anos, avaliações gratuitas de leitura aos pais de Connecticut através do seu braço de extensão, o Southport CoLAB. Nesta primavera, o CoLAB estabeleceu uma parceria com a Sacred Heart University para expandir a capacidade das avaliações, face à procura em forte crescimento.

«É o dobro do número do ano passado», afirmou Benjamin Powers, diretor executivo da Southport e fundador do CoLAB.

Powers referiu que é muito comum ver crianças com atrasos na leitura passarem despercebidas pela escola até ao 4.º ou 5.º ano. Nessa altura, explicou, é muito mais difícil para elas recuperarem o atraso em relação aos seus colegas. Para piorar a situação, o quarto ano é normalmente a altura em que as crianças começam a «ler para aprender» — o que significa que, se não conseguirem ler, as suas outras áreas de aprendizagem também serão afetadas.

«Do ponto de vista do desenvolvimento, ficamos muito melhor — exponencialmente melhor — se identificarmos estas crianças numa fase precoce», afirmou Powers.

É aí que entram os testes de avaliação da leitura.

Como detetar um atraso na leitura

Powers explicou que o teste de rastreio utilizado pela Southport tem uma duração entre 20 a 30 minutos, dependendo da idade da criança. É realizado num tablet e submete as crianças a atividades que recolhem dados sobre diferentes processos cognitivos — tais como a «nomeação rápida automatizada», que avalia a rapidez com que uma criança consegue recuperar da memória os nomes de uma variedade de objetos familiares.

No final, o programa produz um «relatório de fácil compreensão para professores e pais» que identifica se a criança em questão apresenta risco de sofrer de algo como a dislexia. Powers explicou que o teste não diagnostica a condição em si; em vez disso, «fornece-nos um indicador precoce para que possamos agir de forma proativa junto da criança, do professor e da família».

Ser proativo, explicou ele, é, em grande parte, uma questão de equilíbrio.

«Algumas crianças precisam simplesmente de muito mais contacto e prática», afirmou ele. «E temos de ser específicos… Por isso, se for uma criança que está realmente com dificuldades em relação a determinados padrões de letras ou relações entre sons e símbolos, queremos garantir que nos concentramos nesses aspetos específicos.»

«Mas», sublinhou ele, «todas as crianças precisam, na verdade, do mesmo tipo de abrangência e sequência para desenvolver a capacidade de leitura.» Algumas podem ter de se esforçar um pouco mais do que outras, mas, no geral, «a grande maioria — a grande maioria — das crianças consegue aprender a ler.»

Através do programa «Right to Read», esse mesmo princípio está agora a ser disseminado por todas as escolas públicas de Connecticut. Embora os testes de triagem que utilizam possam ser mais curtos — a popular avaliação DIBELS, empregada por muitos distritos, demora menos de 10 minutos —, a estratégia é a mesma: orientar cada criança através de uma série de instruções, utilizar os dados para identificar competências específicas que possam estar a ter dificuldade em desenvolver e, em seguida, responder com uma intervenção direcionada.

A superintendente adjunta de Stratford para o pré-escolar ao 6.º ano, Diana DiIorio, explicou como funciona o teste de triagem DIBELS.

«O professor senta-se a sós com a criança. A avaliação é feita num Chromebook. … É muito intuitivo. Basta premir um botão para iniciar, surgem instruções sobre o que perguntar à criança e esta responde no Chromebook de acordo com o que considera ser a resposta correta. Grande parte do processo é cronometrado», afirmou DiIorio.

Antes do programa «Right to Read», afirmou DiIorio, o regime de avaliação de Stratford estava muito mais centrado na compreensão.

«O que nos faltava era o ensino verdadeiramente sistemático e explícito de todas essas competências de consciência fonémica e fonética, que constituem a base e o alicerce» da leitura mais avançada, afirmou.

Consequentemente, explicou DiIorio, acabavam por deixar escapar alunos que chegavam ao jardim de infância já sabendo ler, mas que não possuíam os alicerces necessários para lidar com palavras multissilábicas — uma deficiência que só se tornava evidente quando os alunos se deparavam subitamente com um obstáculo na quarta classe.

A supervisora de Leitura e Artes da Linguagem do Ensino Básico de New Haven, Jennifer Novelli, deu um exemplo de como um professor pode avaliar as crianças mais novas quanto à «fluência na segmentação de fonemas», uma competência que desenvolvem antes de aprenderem efetivamente a ler. A segmentação fonêmica significa decompor os sons individuais dentro das palavras que as crianças ouvem.

«Portanto, se eu disser “mop”, espera-se que a criança pegue nessa palavra e a segmente» nos seus sons distintos, explicou Novelli — sendo estes o som “mm”, o “o” curto e o “p”.

Neste caso, «elas não estão a olhar para as letras. Estamos apenas a testar para garantir que compreendem e sabem como dividir as palavras», explicou Novelli.

A segmentação fonémica, explicou Novelli, insere-se no âmbito da consciência fonológica, que ela descreveu como «uma competência precursora da leitura».

Todas as escolas com as quais o CT Mirror falou afirmaram que realizam avaliações três vezes por ano, sendo que algumas recorrem a outras formas de acompanhamento do progresso entretanto. Os resultados iniciais de dois distritos muito diferentes sugerem que esta medida está a ter impacto.

Em Fairfield, um distrito relativamente abastado — predominantemente branco, com menos de um quinto dos alunos a beneficiar de refeições gratuitas ou a preço reduzido —, 74% dos alunos do jardim de infância no ano letivo de 2023-24 já demonstravam proficiência na leitura. Havia receios de que o novo currículo do distrito, alinhado com a ciência da leitura, e o regime de avaliação (realizado através do Acadience, e não do DIBELS) causassem uma quebra à medida que professores e administradores se fossem adaptando ao novo material, mas aconteceu o contrário: quando esses mesmos alunos terminaram o 1.º ano no ano seguinte, o número tinha subido ligeiramente para 78%.

«É normal esperar quebras durante a implementação. Não as observámos», afirmou Janine Goss, diretora executiva de literacia do pré-escolar ao 12.º ano em Fairfield. Isso aplicou-se a todas as turmas que receberam a nova instrução do programa «Right to Read».

A situação é muito diferente em New Haven — uma cidade predominantemente negra e latina, onde cerca de três quartos dos alunos beneficiam de refeições gratuitas ou a preço reduzido. Lá, a grande maioria dos alunos já apresenta atrasos substanciais na leitura quando começa a frequentar a escola. Em 2024, por exemplo, 61% dos alunos do 1.º ano estavam «muito abaixo» do nível da série, segundo Novelli.

Mas o programa baseado na ciência da leitura que ela ajudou a implementar teve, ainda assim, um impacto notável: no segundo ano, apenas cerca de 51% continuavam a apresentar resultados «bem abaixo» do nível da série, e a percentagem de alunos dessa coorte a ler ao nível da série ou acima aumentou.

Novelli afirmou que o temido «declínio de verão» — uma diminuição da capacidade de leitura que normalmente ocorre durante as longas férias — também diminuiu.

Há muito espaço para melhorias

Novelli afirmou que uma das razões pelas quais muitas crianças em New Haven continuam atrasadas na leitura é a falta de educação pré-escolar.

«Os nossos alunos que frequentam as nossas pré-escolas na cidade estão, sem dúvida, mais bem preparados e mais aptos no que diz respeito às competências de literacia», afirmou Novelli. «Se conseguíssemos abrir mais salas de aula e ter mais vagas… seria melhor.»

Acrescentou ainda que a diretora de educação infantil de New Haven, que se juntou ao distrito há três anos, implementou «um programa muito sólido de consciência fonémica e fonética» para crianças de 3 e 4 anos.

As crianças que não têm acesso a essa educação precoce — aquelas que começam a escola no jardim de infância e não desenvolveram competências de leitura (em inglês) em casa — têm mais probabilidades de começar em desvantagem. Em teoria, ainda podem recuperar o atraso, mas isso requer um número suficiente de professores com a formação adequada e tempo para implementar as intervenções necessárias.

É aí que reside outro problema.

Embora o Connecticut tenha adotado firmemente a ciência da leitura, pelo menos do jardim de infância ao 3.º ano, poucos professores recém-formados saem da faculdade com as competências necessárias para interpretar e agir com base nos resultados de um teste de triagem. Muitas vezes, cabe a cada distrito formar estes novos contratados — para não falar de todos os professores já em funções a quem nunca foram ensinadas estas competências quando começaram.

DiIorio, de Stratford, afirmou que é aqui que se realiza grande parte do verdadeiro trabalho de converter um distrito à ciência da leitura.

«Passámos todo o ano passado a analisar os dados [dos testes de leitura]», disse DiIorio. «Como analisar os dados e, depois, o que fazer com eles. E, depois, foi todo um outro módulo de planeamento de aulas com base nos dados que tínhamos à nossa frente.»

DiIorio referiu que Stratford fez parte de um dos primeiros grupos a frequentar a formação estadual sobre a ciência da leitura, reunindo-se cerca de uma vez por mês, «cinco ou seis vezes por ano». Desde então, o distrito estabeleceu uma parceria com a HILL for Literacy para formação online, acompanhamento presencial e análise de dados.

O desafio, afirmou DiIorio, é «levar esse conhecimento a todo o distrito».

«Existem oito escolas. Apenas um punhado [de funcionários] participou nessa primeira turma», disse DiIorio.

Goss afirmou que muitos dos seus esforços em Fairfield também se centraram na formação de professores. Sob a sua liderança, Fairfield criou equipas de literacia a nível distrital e de cada estabelecimento de ensino nas suas escolas primárias e secundárias.

Com 200 professores de sala de aula só no ensino básico, «não havia maneira de eu, sozinha, conseguir chegar a todos os professores», explicou Goss.

Ela também elogiou a sua equipa por acolher os novos membros «sob a sua proteção».

«Sentimo-nos muito bem por saber que, apesar de poderem não ter a experiência necessária ao saírem diretamente da faculdade, vão receber esse apoio quando chegarem às nossas escolas», afirmou Goss.

DiIorio afirmou que preparar os novos professores é um desafio que vai muito além da ciência da leitura.

«Eu própria passei por isso», disse DiIorio. «Tenho uma licenciatura em ensino. Ninguém nos ensina como lidar com a gestão dos alunos, com os comportamentos dos alunos, com as competências socioemocionais. A gente vai aprendendo. Aprende-se que as crianças sofrem de traumas. … Mas a formação não existe.»

Há aqui uma questão implícita de equidade. Devido à forma como o Connecticut financia as escolas públicas, as que se situam em municípios mais abastados dispõem, normalmente, de muito mais recursos do que as de cidades como New Haven ou Hartford, onde a base tributária local é muito limitada (o governador Ned Lamont criou este ano uma comissão de peritos para encontrar formas de reformar o sistema). Mais recursos podem significar uma formação mais sólida para os novos contratados.

DiIorio afirmou que também vivenciou isto em primeira mão.

«Comecei num distrito escolar muito abastado, a algumas milhas de distância. A minha formação como nova professora foi muito diferente daquela que recebi quando vim para Stratford como diretora. Foi uma verdadeira revelação… a diferença entre a formação dos novos professores e o que lhes é proporcionado», disse DiIorio.

Novelli afirmou que New Haven dispõe de formadores de literacia em cada edifício para proporcionar desenvolvimento profissional aos professores sobre a ciência da leitura, mas que beneficiaria com a presença de mais especialistas dedicados à intervenção na leitura. Um especialista em intervenção na leitura, explicou ela, passa o dia inteiro a dar aulas em pequenos grupos específicos.

«No ano passado, perdemos dois postos… e já não temos pessoal suficiente», disse Novelli. «Se pudéssemos ter um especialista certificado em intervenção na leitura em cada escola, seria extremamente útil.»

Há uma escassez destes especialistas certificados. Esta questão foi abordada numa reunião realizada em março pela Comissão BERGIN da Assembleia Geral, onde a professora de literacia da Universidade de Connecticut, Rachael Gabriel, partilhou dados que mostram que as chamadas intervenções de Nível 2 (que incluem o ensino em grupos específicos) podem, na verdade, gerar resultados piores para as crianças se forem mal executadas.

«Já havia escassez nesta área [de especialistas em literacia] quando me mudei para o Connecticut há 16 anos, e os programas [para os formar] diminuíram, em vez de crescerem», afirmou Gabriel.

Ela explicou aos membros da comissão que o programa que supervisiona na UConn tem apenas 11 alunos, o que provocou uma exclamação de espanto por parte de um dos ouvintes.

«[Este tipo de formação] é, em grande parte, inacessível. O nosso programa tem a duração de… mais de 18 meses e corresponde a 21 créditos, tal como exigido pelo estado. Por isso, é quase um mestrado», afirmou Gabriel. «É extremamente caro. Assim, pedir a um professor em exercício que diga: “Vou dedicar as minhas noites e os meus fins de semana a isto durante dois anos e pagar entre 30 000 e 40 000 dólares por isso”, é um pedido realmente significativo.»

Entretanto, Powers tem as suas próprias preocupações.

«Se me tivessem perguntado há 10 anos, teria estado otimista em relação ao movimento da ciência da leitura, porque, como sabem, é um movimento importante», afirmou Powers. Mas «quando analiso os resultados em leitura, percebo que, na verdade, não estamos a fazer a diferença».

Ele disse que agora há outra coisa que o mantém acordado à noite: um declínio acentuado na função executiva dos alunos ao longo dos últimos 10 anos, mais ou menos.

«Há dez anos, uma pessoa conseguia concentrar-se no ecrã durante cerca de dois minutos e meio antes de se distrair. Hoje, esse tempo reduziu-se para cerca de 40 segundos», afirmou Powers. «Temos crianças que prestam menos atenção, estão menos concentradas, sabe, simplesmente não conseguem assimilar da mesma forma.»

E a função executiva, disse Powers, está diretamente ligada aos resultados na leitura.

«Quando vou às escolas, especialmente agora, como as do ensino básico (K-5), o que ouço delas é alarmante», disse Powers.

Quanto à razão pela qual a função executiva das crianças está a diminuir, Powers disse que tem algumas ideias.

«Em termos qualitativos, veja bem, quando vão ao supermercado, os pais limitam-se a dar os telemóveis aos filhos para os manter ocupados. Ou mesmo no parque infantil, vê-se pais a empurrar as crianças no baloiço, enquanto olham para o telemóvel», disse Powers. «As crianças simplesmente não têm a mesma exposição à leitura que costumavam ter.»

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: The74 por indicação de Livresco

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Um aluno pode aprender sozinho, mas só depois de explicitamente ensinado!

A ideia de que deixar os alunos descobrirem ou aprenderem por si produz neles uma aprendizagem profunda foi sempre tentadora, mas assenta numa visão ingénua e idealizada do funcionamento cognitivo. A autoaprendizagem pode resultar numa aprendizagem significativa desde que o aluno já disponha de bases sólidas, estruturadas sobretudo num ensino explícito. O ensino explícito estrutura, clarifica, orienta e facilita a compreensão. O paradoxo é que, para ser mais fácil desenvolver no aluno uma aprendizagem independente, é preciso que o professor lhe prepare cuidadosamente o terreno, em vez de o deixar entregue à sorte. Uma sequência pedagógica bem planificada e apoiada no ensino explícito é a diferença entre a confusão improdutiva e a verdadeira compreensão. O exemplo da Morningside Academy deixa-nos convictos de que a autoaprendizagem é mais eficaz quando constituir o culminar da rigorosa planificação de um processo de ensino explícito.

Quando a autoaprendizagem entra demasiado cedo no processo, surgem demasiados obstáculos simultâneos, que provocam um grau de confusão nos alunos que torna a aprendizagem improvável, senão mesmo impossível (Kirschner, Sweller, & Clark, 2006). Sem uma estrutura clara, os alunos têm ao mesmo tempo de analisar a situação, formular hipóteses, testar ideias e memorizar conceitos novos. Esta acumulação de exigências provoca uma sobrecarga cognitiva. Em contrapartida, o ensino explícito fornece aos alunos, gradualmente e logo de início, os referentes que ainda lhes faltam para poderem direcionar a atenção, concretizar os objetivos, clarificar as etapas a seguir e adotar as melhores estratégias. Ao reduzir, por via de um processo progressivo de ensino, a sobrecarga cognitiva, o ensino explícito diminui bastante o elevado risco de fracasso. Sem ele, os alunos partem de intuições erradas, constroem conceções imprecisas e, na ausência de feedback imediato, deixam que se instalem e cristalizem erros de compreensão.

O ensino explícito é uma poderosa alavanca para desenvolver conhecimentos e habilidades estáveis. Apresentar os conceitos de forma clara, planear as melhores abordagens, dar uma variedade de exemplos (e contraexemplos) e oferecer uma prática guiada, com feedback constante, não corresponde a um ensino mecânico ou estereotipado. É, pelo contrário, uma abordagem pedagógica verdadeiramente atenta aos alunos, pois permite ajustar e estruturar a aprendizagem (Gauthier & Bissonnette, 2024). Esta abordagem começa por lhes dar os instrumentos cognitivos necessários para poderem abordar depois tarefas mais complexas. De facto, o ensino explícito, ao automatizar certas operações de base, dá espaço à mente dos alunos para resolução de problemas mais avançados. O feedback que é dado neste contexto vai corrigindo as incompreensões antes que estas se enraízem. Com este apoio indispensável, o ensino explícito vai dando, pouco a pouco, maior autonomia ao aluno e prepara-o para uma autoaprendizagem de qualidade.

Criar condições preliminares para o aluno poder aprender sozinho exige uma cuidadosa planificação do professor (Johnson & Street, 2020). A primeira etapa consiste em estabelecer fundações sólidas: clarificar o vocabulário, as regras, os conceitos essenciais e as abordagens esperadas. Tudo isto assenta num ensino explícito. Segue-se a prática orientada, característica central do ensino explícito, durante a qual os exercícios progressivos e o feedback levam a estabilizar o conhecimento e a interiorizar a prática. A variedade de exemplos e contraexemplos é também princípio fundamental do ensino explícito, pois permite evitar falsas generalizações. Conforme o aluno vai mostrando dominar cada tema, o professor pode ir reduzindo o apoio prestado. Este processo de desancoragem, ou de afastamento do professor, associado ao ensino explícito facilita a entrada do aluno num processo de autoaprendizagem. A revisão e a consolidação permitem automatizar os conhecimentos adquiridos. Outras tarefas de revisão, um pouco diferentes das anteriores, permitem então que o aluno comece a aprender sozinho. Este momento de autoaprendizagem ganha força quanto mais se basear num ensino explícito rigoroso e planificado de antemão.

Na matemática, o ensino explícito surge quando se ensinam primeiro as operações necessárias, depois se desenvolve uma prática orientada com feedback e por fim se dão exemplos estruturados, levando o aluno a identificar alguma regularidade na resolução dos problemas. Nas ciências, as experiências orientadas, as discussões estruturadas e a clarificação dos métodos com feedback direcionado são características habituais do ensino explícito, antes de se apresentar ao aluno situações inéditas com o mesmo grau de dificuldade. Nas línguas, o ensino orientado de vocabulário e de estruturas gramaticais é um exemplo claro de ensino explícito, permitindo ao aluno descobrir como combinar todos estes elementos de novas maneiras num exercício de produção escrita.

Assim, não devemos rejeitar a autoaprendizagem. Ela é possível desde que seja o ponto de chegada de um percurso estruturado pelo ensino explícito, e não o ponto de partida (Johnson & Street, 2020). Quando baseado numa planificação adequada e bem preparada, a autoaprendizagem reforça a memória, dá mais motivação e transforma uma simples atividade numa aprendizagem estável e estimulante. O professor tem um papel crucial na aquisição de conhecimento: não é quem diz tudo, mas quem, por via do ensino explícito, estabelece as condições que permitem ao aluno conseguir depois uma compreensão duradoura e profunda, com autonomia.

Clermont Gauthier e Steve Bissonnette