terça-feira, 26 de janeiro de 2021

ArtWorks Together – Candidaturas até 12 de fevereiro

A ArtWorks lançou um concurso internacional intitulado “ArtWorks Together”, destinado a pessoas com mais de 16 anos, com deficiência de aprendizagem e/ou autismo, que queiram mostrar os seus talentos artísticos. Esta organização artística, com sede em South Yorkshire, Reino Unido, oferece oficinas de artes para adultos com dificuldades de aprendizagem e autismo.

O prazo de inscrição é até ao dia 12 de fevereiro de 2021, através de formulário eletrónico. Consulte AQUI toda a informação (encontra toda a informação mas apenas em inglês).

A ArtWorks convoca artistas de todo o mundo para participar e aceita uma ampla variedade de meios de comunicação, desde desenho e pintura a filmes e performances.

São atribuídos prémios em dinheiro (que podem ser concedidos sob a forma de vouchers) aos vencedores do primeiro, segundo e terceiro lugar. Os trabalhos selecionados serão exibidos na Wentworth Woodhouse em South Yorkshire, bem como numa exibição 3D online que pode ser vista em todo o mundo.

Serão disponibilizadas algumas sessões de Zoom, durante as próximas semanas, que fornecerão mais algumas informações, bem como explicarão o site e o processo de envio, para quem precisar.

Para mais informações, envie um email para: gallery@artworks-sy.co.uk.

Fonte: INR

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Educação ou a guerra civil

No dia 24 de janeiro comemora-se o Dia Internacional da Educação, tendo este dia sido celebrado pela primeira vez em 2019, como forma de assinalar o papel fundamental da Educação para a paz e o desenvolvimento. Passados dois anos, num cenário mundial de pandemia absolutamente catastrófico, com milhões de pessoas a morrer enquanto uns se compadecem e se sacrificam e outros furam confinamentos numa atitude lamentavelmente egocêntrica, faz mais sentido do que nunca pensar e praticar uma Educação que nos resgate da iminência de uma guerra civil e do caos consequente.

Nestes tempos de disforia, de asfixia, de esvaziamento, de paradoxos e perplexidades sem fim, relembro as palavras de Bono Vox na “Vertigo Tour” em Chicago, 2005: “É urgente trazer a humanidade de volta à Terra.” Porque estamos a assistir a um défice de humanidade que nos menoriza, sendo urgente repô-la no centro da vida. E é acima de tudo pela Educação que podemos fazê-lo. Comecemos, pois, por trazer a humanidade de volta à Educação e às escolas. De que forma? Enuncio sete linhas de ação inadiáveis:

1. Educando para a transcendência
Educar deve significar abrir horizontes, fazer ver para além do óbvio. Reconhecer que a verdade é uma construção complexa e exigente dos sujeitos em interação com o mundo, que não cabe dentro de visões espartilhadas da realidade. E as escolas têm de ir para além do imanente, do tangível, das visões redutoras e reducionistas de quem se atém à lógica dominante. Ensinar a pensar. De forma livre e humanizada, dando lugar ao Eu e ao Outro.

2. Promovendo uma cultura do encontro
As escolas são, tantas vezes, lugares de desencontro. Lugares imensamente povoados, mas de uma larga solidão. Lugares de isolamento. Dos alunos que não conseguem aprender e se deixam excluir pelo sistema. Dos que não cabem na forma escolar. Dos professores que não conseguem ensinar e não encontram respostas coletivas para os problemas com que se deparam. Precisamos de uma cultura do encontro que nos permita conhecermo-nos e reconhecermo-nos. Para caminharmos juntos. Porque juntos, sabemos e podemos mais.

3. Praticando uma Educação integral
A escola empobreceu-se. A febre dos exames e dos rankings votou-a a um tecnicismo intelectualista que a tem vindo a centrar na inculcação de conceitos, na transmissão de conteúdos considerados nobres, deixando de parte toda uma paleta de saberes que a escola pode e deve proporcionar. É urgente fazer das escolas e dos territórios onde se inscrevem, oficinas de criatividade, de talentos, colocando em harmonia “as linguagens da mente, do coração e das mãos”.

4. Arriscando os voos que nos alentam
Arriscar ir para além do já sabido, das rotinas paralisantes, das nossas zonas de conforto. Ousar pensar diferente, questionar as nossas pseudo-certezas, experimentar, provocar, implicar. Para podermos ir mais ao encontro dos outros. Que são diferentes de nós e, por isso mesmo, nos desafiam e nos interpelam. Que nos incitam a uma navegação incerta, em todo o seu potencial revelador.

5. Abolindo os muros que nos cercam
A escola é um lugar de muros vários onde impera a lógica da divisão e da fragmentação: o currículo dividido em anos, os alunos divididos em turmas, as turmas divididas em salas, o saber dividido em disciplinas, os professores divididos por departamentos e grupos disciplinares, o tempo de aprendizagem dividido em minutos e horas partidos. Rígidos. Inflexíveis. Muros que dificultam a comunicação, a interação e a aprendizagem. Muros que urge abolir, em nome de uma escola efetivamente inclusiva.

6. Aprendendo a aprender
Fazer das escolas verdadeiras comunidades de aprendizagem. Onde o que importa, não só para os alunos, mas para todos os que a habitam, é aprender a aprender. Porque apenas o conhecimento sensível nos pode libertar e emancipar. E tem de ser esse, pois, o foco central das escolas: o de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser, aprender a conviver.

7. Educando para a verdade, para o bem e para o belo
Promover um conhecimento amplo, plural, que que nos resgate dos dogmas e do fanatismo. Educar para a sensibilidade. Educar para os valores. Porque só assim se pode colocar o conhecimento ao serviço das pessoas, da verdade, do bem e do belo. Só assim se pode colocar o conhecimento ao serviço da convivência, da humanização, da liberdade e da dignidade.

Fazer das escolas (e dos territórios) lugares de humanidade. Porque não podemos resignar-nos a uma existência esvaziada de compaixão, dessa capacidade de nos aproximarmos dos outros, sentir o que sentem e compreendê-los. É isto que nos singulariza enquanto humanos. E é disto que não podemos abdicar. Principalmente nos tempos que vivemos. Como paradigmaticamente afirmou Rubem Alves: “Eu proponho, portanto, que o Homem seja definido como uma nova espécie: o homo compassivus. Àqueles a quem falta a compaixão, falta também a qualidade de humanidade. Não são meus irmãos.” Eis o grande desafio da Educação neste tempo caótico.

O título deste artigo é inspirado no título da obra de Philippe Meirieu e Marc Guiraud: L’école ou la guerre civile.

Ilídia Cabral

Fonte: Público por indicação de Livresco

domingo, 24 de janeiro de 2021

“Não há dinheiro que pague dois anos letivos com interrupções nos processos de aprendizagem”

As escolas fecham ao abrigo do “princípio de precaução”, face ao aumento do número de casos da variante mais contagiosa do SARS-CoV-2, explicou ontem o primeiro-ministro, António Costa, numa comunicação ao país. Os 15 dias de interrupção vão ser, todavia, compensados noutro período de férias. Haverá ainda medidas de apoio às famílias semelhantes às que vigoraram durante o primeiro confinamento de 2020.

Na comunicação que fez ao país, ao início da tarde de ontem, o primeiro-ministro garantiu que as escolas não contribuíram para o descontrole da situação pandémica. Elogiou os professores, as direções das escolas e os pais pelos esforços na preparação do novo ano letivo, em setembro. Falou “na frustração” de ter de encerrar os estabelecimentos de ensino e assumiu que a decisão teria “custos” que não poderiam ser compensados. “A interrupção da atividade letiva não é suscetível de compensação, ao contrário do que acontece com a atividade económica. Não há dinheiro que pague dois anos letivos com interrupções nos processos de aprendizagem.”

Antes da decisão de ontem, o primeiro-ministro tinha já assumido em Bruxelas que, se a prevalência da estirpe inglesa fosse relevante, teriam de ser tomadas “medidas perante uma nova realidade”. Mas tinha, igualmente, alertado para os custos sociais do encerramento das escolas.

“Convém não esquecer que todos sabemos hoje qual foi o custo social e no processo de aprendizagem para as crianças do encerramento das escolas no ano passado. E aqui não se trata de compensar as perdas económicas de uma empresa, porque essas são mais ou menos compensáveis - podemos não compensar tudo, e não temos dinheiro infelizmente para compensar a dimensão das perdas que estão a ter -, estamos a falar da formação de uma geração, e este é um dano cujo preço a pagar não é hoje, é um preço que pagaremos longamente ao longo dos próximos anos. Portanto é preciso ter muita serenidade, ter muita calma, recolher informação e tomar as decisões”, declarou.

No primeiro debate sobre política geral do ano, na Assembleia da República, realizado esta terça-feira, António Costa garantia que das 5.400 escolas em Portugal apenas 13 estavam encerradas por causa de surtos de SARS-CoV-2 e que mais de 39 mil alunos estavam em regime de aulas não presencial. O chefe do Executivo respondia à coordenadora do BE, Catarina Martins, que o interpelava sobre a razão pela qual o regime misto não estava já a ser aplicado em muitas escolas, considerando que “há tantos alunos em confinamento e que não têm, neste momento, resposta nenhuma”.

A deputada bloquista questionava os motivos por que - uma vez que o Ministério da Educação “tinha preparado” a possibilidade de passar a um regime de ensino misto no início do ano letivo - este regime ainda não tinha sido aplicado. Sobre este assunto, o primeiro-ministro respondia que “esta tipologia só se aplica a turmas” e “não existem turmas em regime misto, uma vez que o que tem acontecido é o isolamento de casos dentro da turma, tendo a escola a responsabilidade de continuar a oferta educativa dos demais alunos dessa turma”.

Autarquias pediam escolas fechadas
A realidade concelhia refletia a situação do país. Esta semana muitas autarquias começaram a avaliar a possibilidade de passar as escolas dos concelhos para o regime de ensino à distância. Caso de Évora, Guarda, Setúbal, Leiria, Viana do Castelo e Vila Real.

Em Viana do Alentejo, Évora, a Proteção Civil tinha, esta quarta-feira, proposto a passagem ao regime de aulas não presencial para todas as turmas do 3.º ciclo e do secundário do concelho. Uma situação despoletada, explicou à Lusa o presidente da câmara, Bernardino Bengalinha Pinto, quando apenas uma turma do 3.º ano de escolaridade da Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa, na sede de concelho, estava em isolamento e segundo informações do agrupamento de escolas, existiam cerca de três dezenas de alunos com contactos de alto risco em isolamento. Há alunos que ainda não frequentaram as aulas desde o início do 2.º período.

A Câmara Municipal de Pinhel também tinha pedido a suspensão das aulas presenciais em todos os ciclos de ensino, por considerar que o vírus de COVID-19 circulava “descontroladamente”. Ora, autorizar a realização das aulas em regime não presencial, desde o pré-escolar ao secundário, determinaria o confinamento obrigatório de 731 alunos, 129 professores e 65 assistentes operacionais do Agrupamento de Escolas de Pinhel, números a que acrescem mais 99 crianças e 21 funcionários do ensino pré-escolar da Santa Casa da Misericórdia de Pinhel”, explicava o presidente da autarquia, Rui Ventura. As atividades letivas presenciais nas escolas de Pinhel já tinham sido suspensas entre 04 e 18 de janeiro.

Também o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Carlos Chaves Monteiro, apelava ao Governo para encerrar as escolas do concelho. O município contabilizava esta semana “doze turmas em isolamento profilático, de todos os níveis escolares, desde o 1.º ciclo do ensino básico ao secundário”, afetando mais de 200 alunos. O presidente da autarquia defendia a suspensão imediata das atividades letivas e a “recalendarização do ano escolar”. “O ano escolar termina em meados de junho mas, interrompendo já as aulas, quando a evolução fosse positiva, poderíamos retomá-lo e estendê-lo até ao dia 31 de julho”, sugeria o autarca.

A Câmara Municipal de Setúbal foi outra das autarquias que, esta semana, tinha solicitado ao Governo que decretasse o fecho imediato das escolas para quebrar as cadeias de transmissão da pandemia. O autarca setubalense, Carlos Rabaçal, afirmava que muitas escolas do concelho estavam com problemas em se organizarem, porque as aulas - devido aos sucessivos casos de infeção de professores, pessoal auxiliar e alunos -, acabam por funcionar de forma intermitente. “A Escola Secundária Lima de Freitas, por exemplo, já tem 45% dos alunos em casa. Mas há problemas semelhantes em quase todas as escolas”, disse.

Com 10,4% dos alunos já em casa, em virtude da pandemia, o presidente da Câmara de Leiria pedia o encerramento das escolas do concelho. “Cada dia que passa é um dia de atraso na necessidade do seu encerramento”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes remetendo para dados que davam conta da existência de 1456 alunos do município que estavam em casa de um total de 14 060. Dito de outro modo: das 668 turmas do concelho, 31 estão em casa. O presidente salientava que estes são indicadores “muito significativos de como a comunidade escolar nesta fase já tem muita gente em casa e que, por isso, é urgente tomar medidas relativamente ao encerramento das escolas”.

Em Viana do Castelo, o presidente da Câmara de Ponte da Barca juntava-se às vozes de autarcas que durante toda a semana tinham apelado ao encerramento das escolas, face ao agravamento da situação epidemiológica na comunidade escolar, com 20 novos casos de infeção pela COVID-19 detetados em dois dias. Em declarações à agência Lusa, Augusto Marinho explicava que o agrupamento de escolas é composto por 1198 alunos, 137 professores e 86 auxiliares de ação educativa e que já esta terça-feira dos 408 testes rápidos à COVID-19 realizados, dez tiveram resultado positivo, todos alunos. Na quarta tinham sido realizados 201 despistes e sido detetados oito alunos e dois professores infetados. A estes acresciam os testes realizados, na semana passada, em 86 auxiliares de ação educativa, tendo sido detetados dois infetados. Mas a contabilidade não se ficava por aqui. Segundo Augusto Marinho, a estes números acrescentavam-se 250 estudantes que já não estavam a ir à escola por se encontrarem em confinamento obrigatório ou isolamento profilático.

A Câmara de Valpaços, distrito de Vila Real, tinha também solicitado à Direção-Geral da Saúde o encerramento de todas as escolas do concelho. Em Boticas estavam já suspensas as aulas presenciais para os alunos do 3.º ciclo. O Agrupamento de Escolas de Valpaços acolhe cerca de 1200 alunos divididos entre o pré-escolar e o secundário e 335 docentes e não docentes. Segundo a autarquia, o Centro Escolar, com um total de 276 crianças, integrado naquele agrupamento, inspirava maior preocupação, com 19 casos de COVID-19 entre pessoal docente e não docente e duas turmas em isolamento num total de seis casos entre alunos. A Câmara de Valpaços alertava ainda para a “ausência imprevista de assistentes operacionais” que poderia “colocar em causa as condições de acompanhamento, vigilância e segurança dos alunos, bem como a garantia imprescindível de toda a logística inerente à higienização e desinfeção”.

Fonte: Educare

sábado, 23 de janeiro de 2021

“Preocupa-me a saúde mental dos miúdos”

Margarida Gaspar de Matos é psicóloga especializada em jovens, psicoterapeuta e professora catedrática da Universidade de Lisboa na Faculdade de Motricidade Humana.

Faz sentido esta interrupção das aulas durante 15 dias sem recorrer ao ensino à distância? 
Nós estamos mesmo, como dizia Kundera, a viver a vida sem “ensaio geral”. O Governo tentou atrasar o fecho das escolas ao máximo, por se considerar a escola um risco menor , e pelos riscos psicossociais deste encerramento em populações mais vulneráveis ....depois tornou -se inevitável o fecho, mas foi considerado uma interrupção de emergência !

Os privados queriam manter-se a funcionar com ensino à distância mas o Governo proibiu. Por que razão, na sua opinião?
Entendo a relutância dos privados ... mas justamente os privados não tem internamente as iniquidades que há no público ! Da maneira que eu vejo a situação , o Governo está a tentar não criar maiores clivagens entre a população escolar “regular” e todas as crianças com vulnerabilidades ... que existem no serviço público ... o Governo preferiu andar passo a passo ...e certamente se daqui a 15 dias não for possível abrir , haverá ensino a distância! Não se pode comparar as contingências do ensino público e privado ... há muito mais miúdos no público , são uma população muito mais diversa e com muito mais vulnerabilidades . E parece-me que a ideia é criar “cenários” que não facilitem exclusões sociais.

A demora do Governo em fechar as escolas deve-se à ideia de que o ensino à distância prejudica as crianças mais pobres?
O ensino a distância é e será sempre um plano B. A escola é um ecossistema de aprendizagem mas também de socialização e bem estar! O online será sempre um plano B. Este plano B implica computadores , acesso a net, algum apoio em casa, condições em casa para o acesso e a concentração ... as crianças com menor estatuto sócio-económico têm menos frequentemente estas condições em casa. Mas não é só uma questão de pobreza ... há situações de convívio com violência doméstica, problemas de saúde mental dos progenitores, alcoolismo ... por isso tudo o tal plano B perturba (ainda) mais as crianças mais vulneráveis ...

O Governo prometeu que haveria material para que o ensino à distância corresse o melhor possível.. Isso aconteceu?
O primeiro confinamento apanhou (por todo o mundo) as escolas desprevenidas! Aqui em Portugal até se recuperou a “telescola “ uma iniciativa até original na Europa. A questão terrível desta pandemia é que se tem sempre que trabalhar por “cenários “. Daqui por 15 dias talvez (eu tenho pouca expectativa mas...) talvez as escolas tenham as condições de segurança para as aulas voltarem a ser presenciais ... ou no mínimo haverá melhor preparação para uma oferta ampla online. Mas as escolas abrirem presencialmente e mais de metade dos professores estarem em isolamento profiláctico também não é uma boa solução ... 

Consegue prever o que se vai passar nas escolas quando passarem estes 15 dias de “férias"?
Ainda hoje estou a assistir a apresentações de projectos de doutoramento dos nossos alunos! Muitos deles são professores e também estão a achar difícil regressarem logo daqui por 15 dias! São jovens professores e estão confiantes. Referem que as plataformas já são muito mais usadas e professores e alunos estão mais treinados! Neste momento estava a gerar-se tanta “incerteza” que este fecho vai permitir recuperar um registo de “serenidade”, para os miúdos, pais e professores! E o Ministério tem 15 dias para criar cenários e planos de acção para cada um desses cenários! Se tiverem de ir "todos para casa”, temos que considerar a sério as vulnerabilidades de que já falámos! A mim preocupa-me agora e em primeiro lugar, fazer barreira a este aumento terrível da transmissão do vírus! Esta inquietação perturba-nos a todos, é potencialmente letal para todos e a incerteza é difícil de gerir! Em segundo lugar preocupa-me a segurança física, mental e alimentar de algumas crianças para as quais a escola é um cenário de segurança. Dizia-me um miúdo "come-se sempre melhor na escola”. Esta afirmação foi para mim assustadora, até porque do nosso estudo sabemos que em geral os miúdos não gostam mesmo da comida do refeitório da escola... imagine agora miúdos para quem aquela comida terrível é considerada a melhor opção alimentar por alguns.... ainda neste nosso estudo verificamos que há miúdos que referem violência em casa... Uma das coisas a garantir é a segurança alimentar e física/mental. Accionar a distribuição alimentar (está a ser feito) e as comissões de protecção...

Preocupa-me a saúde mental dos miúdos... para além dos miúdos com vulnerabilidades específicas.... há aqui muita carga de incerteza ...de fadiga pandémica, de desesperança, de falhas importantes na socialização própria destas idades... do receio pela saúde física deles e dos familiares ( em especial Covid) do receio pelo futuro da situação profissional dos pais... muita preocupação e incerteza para um período de vida com outras tarefas de desenvolvimento mais desejáveis....

Por fim (apenas em quarto lugar) estou preocupada com as aprendizagens! Este é um assunto muito sério a ser levado muito a sério num futuro muito próximo... mas para mim o mais simples de resolver e o menos urgente! Talvez até venha a ser uma mais-valia, obrigando a uma revisão curricular e didáctica que todos clamam!

Fonte: Público

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Implicações da suspensão das atividades letivas e não letivas

Pela publicação do Decreto n.º 3-C/2021de 22 de janeiro, precede-se à alteração da regulamentação do estado de emergência decretado pelo Presidente da República.

O Decreto n.º 3-C/2021 (cf. artigo 31.º-A) refere que se excetuam à suspensão das atividades letivas e não letivas, sempre que necessário, os apoios terapêuticos prestados nos estabelecimentos de educação especial, nas escolas e pelos Centros de Recursos para a Inclusão, bem como o acolhimento nas unidades integradas nos Centros de Apoio à Aprendizagem, para os alunos para quem foram mobilizadas medidas adicionais, sendo assegurados, salvaguardando-se as orientações das autoridades de saúde.

Neste contexto, procura-se assegurar, sempre que necessário, apenas o apoio terapêutico considerado determinante para o desenvolvimento do aluno e desde que asseguradas as devidas condições de higienização e segurança. Assim, as escolas devem efetuar o levantamento dos alunos que, necessariamente, carecem dos referidos apoios terapêuticos e assegurá-los.

Já foi referido que estes dias de suspensão de atividades letivas e não letivas vão ser compensados ou repostos com alteração do calendário escolar, designadamente no período do Carnaval e da Páscoa e no final do ano letivo. A serem repostos os dias de atividades letivas e não letivas agora suspensos, os alunos veem assegurados os apoios não vitais pelo tempo previsto no início do ano.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Orçamento de Estado para 2021: Principais medidas relativas às Pessoas com Deficiência

O Orçamento de Estado para 2021, publicado pela Lei n.º 75-B/2020, de 31 de dezembro, incluiu várias medidas relativas à promoção dos direitos das Pessoas com Deficiência, em matérias como as acessibilidades físicas e digitais, o apoio ao emprego e formação profissional, o alargamento e requalificação dos equipamentos sociais e o acesso das Pessoas com Deficiência aos serviços públicos.


Fonte: INR

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

“Kit Básico de Saúde Mental”

Tendo em consideração a pertinência da temática, divulga-se informação no âmbito do “Kit Básico de Saúde Mental”, iniciativa integrada no Programa Nacional para a Saúde Mental.

Sessões formativas sobre saúde mental, preparadas pela ManifestaMente (https://www.manifestamente.org/) em conjunto com a Direção-Geral da Saúde – Programa Nacional para a Saúde Mental, encontram-se disponíveis online.

A ManifestaMente é uma iniciativa cidadã pela Saúde Mental empenhada em FALAR e inspirando as pessoas a falar sobre saúde mental, tendo desenvolvido o “Kit Básico de Saúde Mental”.

Este kit disponibiliza gratuitamente uma sessão com a informação essencial sobre saúde mental para a população em geral, nomeadamente:
• o que é saúde mental
• como podemos cuidar da nossa saúde mental
• quais são os sinais de preocupação relativamente à saúde mental
• o que é a doença mental
• quais são os recursos que estão disponíveis se precisarmos de ajuda
• como é que podemos ajudar outras pessoas

Para a realização deste “Kit básico de saúde mental” é necessária a inscrição na plataforma da ManifestaMente.

Fonte: DGE

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Pandemia: efeito na saúde mental de crianças e jovens poderá prolongar-se

 A pandemia mudou rotinas, prioridades e tornou as crianças e os adolescentes mais dependentes das tecnologias. Contudo, entre a quase ausência de atividades desportivas e o fim de convívios entre pares, há "aspetos positivos a retirar" destes meses de "novo normal".


Crianças e adolescentes mais individualistas, com menos atividade desportiva e um maior uso de novas tecnologias são algumas das consequências dos períodos de isolamento social dos últimos meses. Segundo o pedopsiquiatra Nuno Pangaio, "será difícil pedir às crianças que voltem a sentir-se espontâneas e brinquem umas com as outras sem restrições ou medos depois do que lhes estamos a pedir agora". "Os relacionamentos já vêm numa dinâmica de mudança bastante pronunciada. Penso que esse processo tenderá a acelerar bastante com estes anos de pandemia no sentido de maior individualismo em detrimento do grupo e da comunidade", diz o especialista (...), quando questionado sobre a possibilidade de mudanças comportamentais a longo prazo.

Segundo um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, inserido no programa de prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar Mais Contigo, relativo ao ano letivo 2019-2020, 20% das crianças e dos adolescentes têm, pelo menos, uma perturbação mental. No nosso país, quase 31% dos jovens têm sintomas depressivos, a maioria moderados ou graves. O cenário poderá ter-se agravado com o período de quarentena e o isolamento social. "O isolamento é sempre uma contingência nefasta. Pode, em circunstâncias específicas, adiar a resolução de problemas contextuais, mas o isolamento frequente ou persistente é algo que tende sempre a prejudicar a saúde mental das crianças", sublinha Nuno Pangaio.

Atos simples como, por exemplo, festejar um aniversário ou jogar uma partida de futebol deixaram de ser possíveis ou foram condicionados. Inês Cruz assinalou o seu 18.º aniversário em plena quarentena, a 13 de março. A jovem estudante de Gestão, na FEP (Faculdade de Economia da Universidade do Porto) recorda a data com alguma amargura. "Por um lado, estou consciente de que isto não é mais do que uma fase passageira e que daqui a uns tempos voltaremos, gradualmente, às nossas antigas rotinas. No entanto, fico frustrada pelo facto de a pandemia ter ocorrido neste momento marcante da minha vida: 18 anos e transição entre o secundário e a faculdade. Todas as medidas preventivas vieram afetar muito os meus planos e eventos, entre os quais, o cancelamento do baile de finalistas, das festas de 18 anos e da vida académica (festas universitárias e praxe)", explica.

A jovem escolhe a palavra "saudade" como o elemento mais marcante dos últimos meses "muito duros". "O que mais me afetou, ao longo da pandemia, foi a impossibilidade de estar com os meus amigos e familiares quando e como queria. De facto, tivemos de nos adaptar a este novo regime e todos os convívios e festas foram cancelados, levando a que as saudades aumentassem", sublinha. O regime de aulas, essencialmente à distância, também não agrada à caloira que teve de "implementar estratégias de concentração". Ainda assim, consegue destacar "coisas positivas". "Passei mais tempo de qualidade com os meus pais e isso foi muito bom", conclui.

Nuno Pinto Martins, fundador da Academia Educar pela Positiva, também destaca o maior tempo de convívio entre pais e filhos como o grande ganho da pandemia. Contudo, afirma que, "de uma forma geral tanto as crianças como os adolescentes sofreram com esta situação, sobretudo durante o confinamento". "Desde logo pelas mudanças drásticas de rotinas a que a pandemia obrigou. Os mais novos tiveram de lidar com os medos e ansiedades dos pais e dos educadores - perante o natural desconhecimento relativamente ao vírus - e também com novas regras mais rígidas, designadamente na escola, que limitaram os contactos e os afetos. Regras que, muitos deles, não tinham capacidade para entender. Foi igualmente difícil para os adolescentes, sobretudo por serem obrigados a restringir os contactos sociais, numa fase em que o convívio com os pares é essencial para o desenvolvimento da individualidade", explica.

As novas tecnologias também ganharam mais espaço nas rotinas de crianças e jovens, que "adquiriram mais destreza tecnológica", mas perderam contactos sociais reais. "É sempre difícil tirar conclusões em tempo real dos fenómenos sociais. No entanto, dado o percurso de utilização das tecnologias por parte das crianças e dos jovens portugueses que temos observado nas últimas décadas, estou em crer que este aumento e consequente dependência das tecnologias para as tarefas e rotinas do quotidiano apresentam mais fatores negativos do que positivos, como, por exemplo, a indisponibilidade para tarefas mais sociais e relacionais ou até de momentos de introspeção e planeamento", alerta o pedopsiquiatra Nuno Pangaio.

Pandemia afasta jovens do desporto federado

Diogo Cruz, de 15 anos, atleta de basquetebol da Juvemaia, tinha três treinos por semana antes da pandemia e um ou mais jogos ao fim de semana. Exercita-se, agora, online, uma vez por semana. "Não posso treinar e isso afeta-me bastante", confessa. Apesar de ressalvar "o esforço que as equipas fizeram para manter o espírito desportivo vivo", o adolescente confessa não estar a gerir muito bem "a falta de competição". "Acho que existe um esforço conjunto dos treinadores e staff das equipas, mas como atleta estou triste por não ter treinos presenciais. Entendo as circunstâncias, mas com os cuidados que estávamos a ter deveríamos continuar, pelo menos, os treinos" conclui.

Segundo Nuno Pangaio, "é habitual observar que as crianças, tal como os jovens ou os adultos, sentem a frustração natural da perda temporária das suas atividades preferenciais, desde a brincadeira espontânea do recreio até à saudável competição desportiva individual ou coletiva", até porque, "as atividades supletivas são habitualmente escolhidas pelas crianças e os jovens por lhes serem queridas e aprazíveis e, por isso, a sua relevância é enorme para minimizar o impacto negativo das contingências pandémicas.

Um impacto negativo sentido, também, na rotina das gémeas Alexandra e Catarina Melo, de 14 anos, atletas de voleibol do Vitória Sport Clube, em Guimarães. Antes da pandemia, tinham quatro treinos semanais com a duração de duas horas cada. Passaram a ter um ou dois treinos presenciais. com a duração de um hora e alguns por videoconferência e, agora, voltam a uma paragem total. As irmãs confessam-se "tristes e desmotivadas pela falta de treinos e jogos de competição com outras equipas". Também sentem que não estão "a progredir a nível técnico".

A mãe, Elizabeth Pires, enfermeira, acredita que o problema ultrapassa a falta de treinos e de competição e se sente, também, nas atividades paralelas: "Havia muitos momentos de partilha, lanches e festas de Natal, Carnaval e pequenos retiros em que conheciam outras jovens como elas, de outras localidades, que partilham o gosto pelo voleibol e infelizmente devido à covid, tudo isso ficou em standby. Também Simão Santos, de 12 anos, da Geração Talentos Benfica, de Chaves, já não pode "jogar à bola". "Tinha sido chamado à seleção distrital de sub-12 e o facto de não ter jogos de competição mexeu um pouco com ele", explica a mãe, Marisa Santos.

Os principais desportos coletivos registam, esta época, uma diminuição de 78,4% no número de atletas federados inscritos, mas Simão Santos, apesar de se sentir "triste", não faz parte dessa lista.

António Carlos Rodrigues, Fundador e CEO da empresa ACR"SOCCER, não tem, nos atletas que representa, qualquer desistência. "É normal, pois os nossos atletas já têm contratos de formação com os clubes e aí a ligação é muito mais profunda, mas agora que voltámos à estaca zero, os miúdos quase têm a certeza de que já não dá para salvar a época. A Federação Portuguesa de Futebol tinha arranjado um campeonato para os sub-21 que também foi cancelado. Os miúdos estão muito tristes e os que estão deslocados vão regressar às suas casas e terão aulas à distância. Os clubes já decidiram que será assim para os que estão longe das suas famílias. Para os mais velhos, de 17/18 anos é ainda mais difícil. Já namoram, por exemplo, e já construíram uma vida longe de casa", explica.

António Carlos Rodrigues refere ainda estar a ter "trabalho a dobrar", com " apoio psicológico aos atletas" para o qual não estava preparado. "Isto pode hipotecar o futuro desportivo de muitos atletas. Têm de manter o foco e ter muita resiliência, mas não é fácil quando falamos em crianças e adolescentes", conclui.

Fonte: DN

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Contos de fadas para o bem-estar mental dos mais novos

Os contos de fadas são muito mais do que histórias de encantar, ou peripécias e aventuras criadas e alimentadas pela imaginação. São também bálsamos para a alma e emoções das crianças. Estas histórias são o motor do projeto “Somos o que Brincamos”, mote da campanha promovida pelo Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM) da Direção-Geral da Saúde (DGS), que vai mostrar a importância dos contos de fadas na promoção da saúde mental infantil. O atual contexto, de pandemia e restrições, é relevante.

A ideia é que crianças, dos quatro aos dez anos, brinquem às histórias de encantar, umas com as outras, em família ou com a ajuda de um adulto. Com tudo o que as histórias têm dentro: personagens boas e más, sonhos e dramas, alegrias e conflitos. O projeto quer aumentar a literacia em saúde mental, evitar que contos de fadas se percam, e que se adulterem histórias tradicionais recolhidas por autores como Perrault, Grimm e Andersen.

Crianças e educadores envolvem-se em atividades relacionadas com as histórias dos livros. Encenações, jogos, construção de material pedagógico, tudo o que é possível criar, enquanto se promovem competências socio-emocionais. E os passos são acompanhados por um momento de reflexão e discussão sobre a promoção da saúde mental dos mais novos, um processo orientado por um profissional da área.

O projeto arranca em Évora, no Alentejo, em jardins de infância e escolas do 1.º Ciclo do distrito, por onde circula a maleta pedagógica “Oficina de Histórias Somos o que Brincamos” com um jogo de tabuleiro, cenários, e várias figuras ilustradas que representam personagens dos contos de fadas para brincar ao faz de conta. Há ainda materiais de divulgação, a brochura e o cartaz do projeto, marcadores de livros.

“O conto de fadas constitui um meio facilitador nas angústias inerentes ao crescimento, utilizando as narrativas que o recurso à fantasia possibilita e enquadra. Através dos problemas apresentados e das soluções encontradas, a estrutura dos contos tradicionais oferece respostas para os conflitos inevitáveis das várias fases do desenvolvimento da criança”, refere Conceição Tavares de Almeida, psicóloga e membro do PNSM. “A chave do sucesso dos contos de fadas está no facto de captarem e traduzirem a forma como a criança vê e vivencia o mundo”, sublinha.

O projeto foi desenvolvido com ajuda de contributos de um coletivo de professores universitários na área da literatura de infância, educadores de infância, artistas ilustradores, contadores de histórias, técnicos de saúde mental, crianças, pais e cuidadores.

Esta campanha acontece em parceria com uma livraria do Alentejo, a Fonte de Letras, situada em Évora. A vontade é alargar o projeto a outros lugares do país, sempre com apoio de livrarias locais. “Brincar é para ser levado a sério. E brincar em família aos contos de fadas faz bem à saúde mental”, sublinha a DGS, em comunicado.

Fonte: Educare

domingo, 17 de janeiro de 2021

Guião para Implementação do Plano Individual de Transição – PIT: uma proposta da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger


(clicar na imagem para aceder)

O Ministério da Educação estabeleceu uma parceria com a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) para a elaboração de uma guião de apoio à elaboração e implementação dos Planos Individuais de Transição (PIT).

Nota introdutória 
A transição para a vida pós-escolar é um dos momentos mais significativos no percurso de qualquer jovem, mais ainda para aqueles que necessitam de apoio para a construção de um projeto de vida digno e para o exercício de uma cidadania ativa. 
Reconhecendo a importância da prática das entidades que, no âmbito das suas atribuições, apoiam jovens e respetivas famílias nas ações de transição e de inserção no mercado de trabalho, interessa divulgar as suas experiências na promoção da efetiva inclusão desses jovens na comunidade. 
Com longos anos de atividade no apoio e na integração social das pessoas com síndrome de Asperger, a APSA, através do seu projeto Casa Grande, promove parcerias com Empresas, disponibilizando um Programa Empregabilidade que tem por principais objetivos desenvolver o ganho das competências sociais e de autonomia funcional para a integração e inclusão em contexto profissional e social. A partir da apresentação desse programa, este Guião para a Implementação do PIT, elaborado pela APSA, pretende dar a conhecer a sua experiência no âmbito da transição para a vida pós-escolar, dos jovens que acompanha, e apresentar propostas para a elaboração do plano individual de transição que assentam nesse mesmo projeto (apresentadas no Guião em caixa de fundo verde). 
Assim, deseja-se que este Guião se constitua como um contributo, para as escolas e famílias, no desenvolvimento de transições suaves e eficazes, assentes num modelo flexível e dinâmico que considere as capacidades dos jovens, as suas expectativas, e da família, e garanta a sua participação.

Acesso ao documento aqui.