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terça-feira, 17 de julho de 2012

Descoberta fundamental para desenvolvimento de terapêuticas eficazes para doenças neurodegenerativas

Um estudo científico na área da biofísica, liderado por investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), em colaboração com a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), pode tornar-se uma peça fundamental no desenvolvimento de novos fármacos para várias doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, Parkinson, ou Paramiloidose (Doença dos Pezinhos).

A importância desta descoberta já foi reconhecida a nível internacional, depois da revista Journal of Biological Chemistry ter considerado o artigo «Paper of the week», isto é, como pertencendo à selecção dos dois por cento melhores artigos que a revista publica num ano.

A equipa de investigadores do ICBAS, em colaboração com o Departamento de Engenharia Química da FEUP, criou um novo modelo biofísico que permite compreender a formação de fibras de amilóide, ou seja, agregados das proteínas que se depositam nos tecidos e que se encontram associadas ao desenvolvimento de patologias como o Alzheimer, Parkinson ou a Paramiloidose, também conhecida como Doença dos Pezinhos.

O desenvolvimento de fármacos para o tratamento destas doenças pode ser feito com base na medição das velocidades (ou cinéticas) de formação destas fibras em laboratório, em condições próximas das que acontecem ‘in vivo’. O trabalho agora publicado apresenta um modelo matemático universal e simples que, de uma forma objetiva e concreta, descreve a sequência de acontecimentos envolvidos na fibrilização e o modo como estes são afetados pela ação de eventuais fármacos.

"Conseguimos descrever todos os passos através de um modelo matemático simples e universal, cuja utilização é facilitada pelo número reduzido de parâmetros envolvidos", explica Pedro Martins, docente e investigador do ICBAS.

E acrescenta: "Este tipo de modelos é muito importante na compreensão de vários fenómenos e em particular para o desenvolvimento de novos medicamentos. Trata-se de uma ferramenta que descreve e prevê o que acontece no caso da formação de fibras de amilóide, na presença ou ausência de inibidores".

O artigo «A generic Crystallization-Like Model that describes the kinetics of amyloid fibril formation» foi publicado no Journal of Biological Chemistry e considerado «Paper of the week». Um reconhecimento internacional, uma vez que coloca o estudo entre os melhores do ano.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Portugueses estudam gene responsável por aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem podem ser desencadeadas por uma mutação de um gene no embrião. Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra está a tentar conhecer melhor os mecanismos da neurofibromatose para ajudar à descoberta de terapias mais eficazes.
Depois de conhecidas as notas do 1.º período, os alunos do básico e do secundário começam hoje o 2.º período escolar, que terminará a 26 de Março. São 12 semanas de aulas só interrompidas pelas férias do Carnaval, de 15 a 17 de Fevereiro.
Segundo estatísticas internacionais, uma em cada quatro mil pessoas sofre de neurofibromatose. No entanto, muitos adultos só sabem que são portadores da doença quando esta é diagnosticada aos filhos, por sinais que aparecem na pele e no corpo, mas também porque as crianças têm problemas escolares.
Uma equipa de investigação, coordenada por Miguel Castelo Branco, da Faculdade de Medicina e do Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem, da Universidade de Coimbra, e em cooperação com a Universidade de Cardiff, em Inglaterra, e com a Rede Nacional de Imagiologia, procura conhecer os mecanismos da doença, para descobrir novas terapias.
"A ideia é perceber o lado genético da doença, o que nos genes leva a determinadas manifestações, mas também tentar perceber o contexto escolar. Interessa-nos saber a origem das dificuldades", declarou o coordenador da investigação. Por isso, a equipa está a acompanhar 30 famílias com a doença, e a mobilizar voluntários não portadores de neurofibromatose - crianças e adultos, entre os 7 e os 16 anos, e os 30 e 40 anos, com o envolvimento do Hospital Pediátrico de Coimbra e da Escola Básica de 2.º e 3.º ciclos Martim de Freitas.
Sendo uma doença frequente e causadora de dificuldades de aprendizagem na escola, faz com que aumente o seu relevo social, pois "estão em jogo factores genéticos, factores do desenvolvimento e factores educacionais", diz Castelo Branco.
A neurofibromatose foi identificada em 1882 mas ainda pouco se sabe sobre as alterações de funcionamento do cérebro que lhe estão associadas. Por exemplo, no modelo animal, os ratinhos têm dificuldades em memorizar, devido a um aumento da actividade dos neurónios inibitórios. Mas, medicando-os melhoram. No entanto, isso não garante que o mesmo se passe no ser humano, revela Castelo Branco, vencedor do Grande Prémio Bial 2008 pelos estudos sobre o cérebro. Por isso, é preciso continuar a investigar.