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sábado, 2 de janeiro de 2016

Nova técnica de edição genética pode permitir tratar forma de distrofia muscular

Três estudos independentes sugerem que a nova técnica de edição genética Crispr-Cas9 poderá permitir tratar a distrofia muscular de Duchenne, uma forma rara de distrofia muscular humana. Os trabalhos foram publicados na edição de sexta-feira da revista Science.

A técnica Crispr-Cas9 recorre a um mecanismo do sistema imunitário das bactérias e que, ao ser artificialmente introduzido nas células de mamíferos, incluindo nas células humanas, permite cortar o ADN em locais pré-escolhidos.

A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença hereditária que atinge um rapaz em cerca de cada 3500. É provocada por mutações num gene situado no cromossoma X (que determina o sexo feminino), e as mulheres portadoras do defeito não desenvolvem a doença porque possuem um segundo cromossoma X para compensar. Portanto, apenas os homens, que são XY, adoecem (tal como no caso da hemofilia).

Os doentes, cujas células não fabricam uma proteína chamada distrofina, sofrem uma degenerescência muscular progressiva que acaba por os confinar a uma cadeira de rodas por volta dos 10 anos e condena-os a uma morte prematura, em geral antes dos 30 anos, devido muitas vezes a insuficiência cardíaca. 

O que os autores dos estudos agora publicados fizeram foi demonstrar que, em ratinhos que sofrem de DMD, é possível restituir parcialmente a produção de distrofina introduzindo nas células afetadas um “corretor ortográfico” Crispr-Cas9, cujo alvo é o defeito genético em causa, a bordo de vírus tornados inócuos que funcionam como veículo de entrada nas células.

Essencialmente, o que a “tesoura molecular” Crispr-Cas9 – que os cientistas injetaram diretamente em músculos afetados dos animais – conseguiu fazer foi identificar e remover a parte danificada do gene que codifica a distrofina. Isso permitiu que as células musculares tratadas passassem a fabricar uma quantidade de distrofina, que embora fosse bastante inferior a uma produção normal, era suficiente para restaurar parcialmente a função muscular dos animais doentes, explica a Science em comunicado.

A Crispr-Cas9 tem suscitado preocupação na comunidade científica, tanto do ponto de vista ético como da sua segurança, no que respeita à sua aplicação a gâmetas e embriões humanos (o que os cientistas designam como a manipulação da "linha germinal"), porque isso poderia permitir a geração de bebés “à medida”. Mas os resultados agora publicados nada têm a ver com a manipulação da linha germinal – apenas pretendem corrigir defeitos nas células ditas somáticas (do corpo), correções que não serão transmitidas à descendência do doente.

“A utilização da Crispr-Cas9 para corrigir mutações genéticas nos tecidos afetados de doentes não está em debate. E estes resultados mostram um percurso possível para lá chegar”, diz Charles Gersbach, o líder de um dosestudos, citado no comunicado da Universidade Duke, onde trabalha.

A sua equipa conseguiu introduzir o “corretor” genético nas patas de ratinhos adultos – e também o injetou (a bordo de um vírus, como já referido) no sangue dos animais – constatando, nesta segunda fase, que isso permitia melhorar o estado dos músculos em todo o corpo, incluindo no coração. Em todos os casos, o “corretor” encontrou e cortou a parte defeituosa do gene da distrofina e, a seguir, a maquinaria natural de reparação do ADN das células encarregou-se de juntar de novo as pontas soltas de ADN. Resultado: as células ficaram com um gene mais curto, mas apesar de tudo funcional.

“Ainda temos muito trabalho pela frente para traduzir isto numa terapêutica humana e demonstrar a sua segurança, mas as nossas primeiras experiências são muito entusiasmantes”, diz Gersbach.

Num outro estudo, Chengzu Long, do Centro Médico da Universidade do Texas Sudoeste (EUA) e colegas utilizaram um vírus do mesmo tipo, mas diferente, para fazer o mesmo tipo de experiências – e mostraram ainda que era possível obter resultados promissores injetando o sistema em diversos músculos de ratinhos com DMD poucos dias após a nascença.

Por último, em ainda mais uma variante experimental, uma equipa da Universidade de Harvard (EUA), que inclui o conhecido geneticista George Church, obteve resultados muito semelhantes aos dos outros dois estudos.

As próximas etapas deverão consistir, segundo Gersbach, em optimizar o sistema de introdução viral do complexo Crispr-Cas9 nas células, em testar esta potencial terapia genética em animais com formas mais graves de distrofia muscular de Duchenne e em avaliar a sua eficácia e segurança em animais de maior porte, com vista a iniciar, quando for possível, ensaios clínicos em seres humanos.

Fonte: Público

sexta-feira, 3 de julho de 2009

PT Minha Voz

Com a finalidade de proporcionar uma melhor qualidade de vida das pessoas com deficiências neuromotoras graves e utilizadores de comunicação aumentativa a PTComunicações disponibiliza a solução especial PTMinha Voz, contribuindo deste modo para uma melhor inserção social, profissional e escolar destes cidadãos.
Este programa consiste num “Sistema de Teclados no Ecrã”, isto é, um emulador de teclado que pode substituir as funções dum teclado convencional ou rato, através de qualquer dispositivo apontador (trackball, joystick, tracker, etc) ou de qualquer processo de varrimento.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Portugueses com doenças raras serão tratados na UE

Os portugueses com doenças raras vão passar a ser tratados em centros de referência, não só em Portugal mas também noutros países da União Europeia, sempre que se justificar.
De acordo com José Robalo, subdirector-geral da Saúde, o Ministério terá de assumir essa responsabilidade caso não haja capacidade de resposta cá". E dá o exemplo: "Pode não fazer sentido criar centros se houver muito poucos casos. É preferível enviar um doente para outro centro lá fora", diz.
O geneticista Luís Nunes refere que o problema, tal como em todos os casos de mobilidade, está no reembolso dos tratamentos, cuja fórmula tem de ser discutida quando estiver a ser aplicado. (...)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Teste universal de despistagem de doenças genéticas no embrião está a caminho, diz jornal britânico

Cientistas britânicos desenvolveram um teste universal para despistagem de quase todas as doenças genéticas em embriões. O teste MoT, que custará qualquer coisa como 1500 libras (1885 euros) deverá estar disponível no ano que vem, noticiou hoje o jornal "The Times".
Hoje, casais que sejam portadores de genes que podem estar na origem de doenças congénitas podem optar pela fertilização in vitro, para implantar no útero da mãe um embrião saudável. Para isso, os médicos retiram uma única célula ao embrião, quando este está no início do desenvolvimento, e não é mais que uma microscópica bolinha de células, e lêem os seus genes.
O novo teste, diz o "Times", vai aumentar em muito o leque de doenças que podem ser despistadas, e mais rapidamente. Hoje em dia há testes para 350 das doenças de origem genéticos, como a coreia de Huntington, a fibrose quística ou até a doença dos pezinhos. O cientista responsável pelo desenvolvimento deste novo teste é Alan Handyside, que desenvolveu nos anos 80 esta técnica do diagnóstico pré-implantatório.
O próximo passo, diz o diário britânico, será a apresentação de um pedido de autorização à Autoridade para a Fertilização e Embriologia Humana no Reino Unido para poder utilizar esta técnica. A notícia surge, no entanto, num momento algo conturbado no Reino Unido relativamente à manipulação de embriões humanos. A Câmara dos Comuns aprovou esta semana legislação que permitirá criar embriões híbridos, isto é, criados com recurso a um ovócito animal e uma célula humana, através do processo da clonagem terapêutica. O objectivo é ter mais matéria-prima para fazer experiências que conduzam a novos tratamentos para doenças — já que os ovócitos humanos são um bem escasso.
A lei há-de ser votada ainda na Câmara dos Lordes. O primeiro-ministro Gordon Brown, cujo filho mais velho sofre de fibrose quística (que é incurável, leva à morte numa idade jovem, e pode beneficiar com este tipo de investigação), votou favoravelmente esta lei.