quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Óculos com IA funcionam como cão-guia tecnológico para pessoas cegas

Uns óculos desenvolvidos pela empresa romena .lumen, liderada pelo engenheiro Cornel Amariei, recorrem à inteligência artificial para orientar pessoas cegas e foram distinguidos com um Prémio de Inovação na CES 2026.

O engenheiro Cornel Amariei, presidente e CEO da empresa .lumen, apresentou na feira tecnológica CES 2026 uns óculos concebidos para ajudar pessoas cegas a deslocarem-se de forma autónoma.

O dispositivo é colocado na cabeça e desempenha funções semelhantes às de um cão-guia. Em vez de puxar fisicamente a pessoa para evitar obstáculos, utiliza tecnologia para orientar os movimentos.

“Construímos um carro autónomo, mas não um que anda na estrada. É um que usamos na cabeça para nos guiar. Chamamos-lhe óculos para cegos e eles reproduzem, de forma eficaz, aquilo que um cão-guia faz. Se um cão-guia puxa a mão da pessoa para evitar obstáculos, nós fazemos o mesmo, mas estamos na cabeça e puxamos a cabeça através da tecnologia", explicou Amariei à Reuters.

Inteligência artificial sem Internet

Os óculos recorrem a inteligência artificial para interpretar o ambiente em tempo real. A tecnologia permite identificar superfícies seguras, reconhecer objetos à volta do utilizador, perceber se a pessoa está num espaço interior ou exterior e orientar a navegação.

“Tem uma grande quantidade de IA. Usamo-la para compreender o que é uma superfície segura, os objetos que nos rodeiam e como podemos interagir com eles. Tudo isso é feito no próprio dispositivo, sem necessidade de ligação à Internet”, sublinha o responsável.

Segundo a empresa, esta tecnologia já permitiu que pessoas cegas realizassem atividades que nunca tinham feito sozinhas, como fazer compras num supermercado ou caminhar de forma autónoma em percursos desconhecidos.

“A primeira vez que vi uma pessoa cega a navegar num dos nossos sistemas e a fazer algo que nunca tinha feito antes foi espantoso. Houve algumas lágrimas”, recordou Amariei.

Prémio de Inovação na CES 2026

A empresa .lumen foi distinguida com o Prémio de Inovação CES 2026 por este produto, que procura colmatar uma lacuna sentida por muitas pessoas cegas, sobretudo em contextos onde o acesso a cães-guia é limitado.

Para Amariei, trata-se de uma missão pessoal. É a única pessoa da família sem deficiência e diz ter percebido, desde cedo, a escassez de recursos disponíveis, o que o levou a procurar soluções tecnológicas.

A .lumen está atualmente a trabalhar em encomendas no Leste da Europa e ambiciona entrar no mercado norte-americano.

Fonte: SIC Notícias, com vídeo

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Como as brincadeiras sensoriais ajudam os alunos da pré-escola a desenvolver a autorregulação

Como professora numa sala de aula pré-escolar com crianças de idades diferentes (dos 2,9 aos 5 anos), acho sempre interessante ver como a dinâmica da sala muda no outono. Este ano, o nosso novo grupo de alunos era mais novo e, para várias crianças, era a primeira experiência num ambiente escolar. Um dos maiores desafios tem sido apoiar as crianças que têm dificuldade em lidar com emoções fortes, como frustração ou raiva. Por exemplo, quando uma torre de blocos é acidentalmente derrubada, isso pode rapidamente levar a empurrões, agressões físicas ou choro. Quando esse tipo de desregulação ocorre, pode ser difícil para as crianças recuperarem o controlo do seu sistema nervoso e se acalmarem, concentrarem ou comunicarem as suas necessidades a um professor de forma produtiva.

Além de estratégias de acalmia bem estabelecidas, como respiração profunda, modelagem de comportamentos positivos e redirecionamento, o meu co-professor e eu temo-nos apoiado fortemente em experiências sensoriais como forma de prevenir a escalada emocional e apoiar as crianças durante momentos de desregulação. Normalmente, renovamos os materiais da nossa mesa sensorial todas as sextas-feiras para nos alinharmos com o tema do currículo seguinte. No entanto, também retiramos a mesa de água ou enchemos tabuleiros com areia de improviso, se parecer que certas crianças se beneficiariam de trabalhar com esses materiais naquele momento.

Aqui estão alguns exemplos de experiências sensoriais que podem ser facilmente adaptadas e implementadas em outras salas de aula da pré-escola para promover a autorregulação e a calma.

Brincadeiras com água para relaxar

Parece tão simples, mas as crianças em idade pré-escolar são naturalmente atraídas por brincadeiras com água. As brincadeiras com água dão às crianças a oportunidade de envolver os seus sentidos enquanto despejam, espirram ou apertam esponjas. Se estou a preparar brincadeiras com água para um grupo maior (quatro alunos cabem confortavelmente na mesa sensorial), certifico-me de que há uma toalha por perto para limpar rapidamente os derrames. Também ofereço quatro ferramentas iguais (por exemplo, funis) para minimizar a espera ou o conflito.

Se estou a preparar brincadeiras com água para uma ou duas crianças que precisam relaxar, uso uma banheira de mesa com apenas alguns utensílios. Coloco água morna na banheira, algumas gotas de detergente e alguns copos medidores. Colocar a banheira sobre a mesa define limites claros para onde a brincadeira com água ocorre, reduz derramamentos no chão e permite que eu me sente e ajude a regular as emoções de uma criança que está chateada. Despejar a água de um recipiente para outro permite que a criança relaxe, se recompõe e lida com as suas emoções para evitar uma birra maior.

Areia para a atenção plena

Temos uma grande caixa de areia na minha escola, onde as crianças podem passar o tempo a recolher, despejar e mover areia. Também enchemos frequentemente a nossa mesa sensorial com areia e fornecemos tabuleiros individuais para que as crianças possam explorar a areia dentro da sala de aula regularmente. Brincar com areia incentiva as crianças a estarem em sintonia com o que vêem e sentem, o que torna essa experiência naturalmente consciente. A areia também é uma substância indulgente — se cometer um «erro» ao trabalhar com ela, pode alisá-la e começar de novo. Essa liberdade de criar, apagar e tentar novamente apoia a regulação emocional e o pensamento flexível.

Ao trabalhar com bandejas de areia, é uma ótima ideia definir expectativas claras para que as crianças usem os materiais com segurança. Lembramos-lhes de manter a areia na bandeja e de usar as pás «baixo e devagar» na caixa de areia. Se as crianças não usarem os materiais de forma responsável, guardamos as bandejas individuais e as reintroduzimos em outro momento.

Entrada tátil com fita adesiva

Esticar fita adesiva sobre a mesa sensorial dá às crianças a oportunidade de fazer pontes com formas de espuma. Os meus alunos gostam da sensação tátil de rasgar a fita e colar as formas nela. A fita adesiva é uma ótima escolha porque é fácil de rasgar e não danifica nenhuma superfície da sala de aula. Mostro às crianças como usar a fita de forma intencional para minimizar o desperdício e maximizar a área disponível para construir pontes.

Nesta atividade, elas usaram a sua função executiva para colocar a fita em linhas que fizessem sentido para os seus projetos de pontes. Algumas optaram por colocar o lado adesivo da fita voltado para cima, enquanto outras preferiram o lado adesivo voltado para baixo. Foi interessante observar a variedade de formas de pontes que surgiram a partir dessas abordagens. Além de oferecer uma experiência de brincadeira inovadora, essa configuração também proporcionou momentos de co-regulação. Modelei formas intencionais de usar a fita para esta atividade, e as crianças imitaram o meu ritmo lento e tom calmo. A facilidade de uso e o prazer das crianças tornam esta uma opção de destaque para brincadeiras sensoriais.

Trabalhar com ferramentas adequadas ao desenvolvimento

Durante uma semana recente com o tema construção, descobri que muitos dos meus alunos adoram explorar ferramentas reais e materiais para trabalhar madeira. Ter um conjunto de chaves de fendas é um ótimo investimento, pois permite que as crianças trabalhem com segurança e de forma independente, com o mínimo de frustração.

Para uma criança que gosta de ferramentas e está a começar a mostrar sinais de desregulação, oferecer-lhe um conjunto de manipulação para trabalhar madeira pode ser uma boa maneira de evitar que comportamentos negativos se agravem. O trabalho com madeira proporciona movimentos repetitivos e rítmicos (apertar e desapertar um parafuso) que podem levar a um estado mais focado e centrado. Usar ferramentas adequadas ao desenvolvimento também ajuda as crianças a sentirem-se bem-sucedidas, e passar tempo com itens que têm metal e madeira reais dá-lhes um estímulo propriocetivo que muitas vezes tem um efeito calmante.

Se achar que uma criança está demasiado desregulada para usar materiais manipuláveis para marcenaria com segurança, tente primeiro outras estratégias para acalmá-la e volte a esta experiência sensorial quando tiver a certeza de que a criança está pronta para usar os materiais para o fim a que se destinam.

O foco comum cria conexão

Ao planear oportunidades sensoriais intencionais para os meus alunos da pré-escola, aprendi que as brincadeiras sensoriais, em geral, criam um foco comum que pode fortalecer as conexões entre alunos e professores na sala de aula. Ao ajudar uma criança a mover formas ou letras num quadro luminoso, posso descobrir a sua cor favorita ou o que ela gosta de comer no café da manhã. Martelar tees de golfe em massa de modelar com uma criança pode me ajudar a descobrir como ela gosta de passar o tempo nos fins de semana.

Ao trabalhar ao lado das crianças nesses momentos, os professores podem ajudar os seus alunos a se sentirem seguros, apoiados e conectados na sala de aula.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: Edupia por indicação de Livresco

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

"Qualificar as Práticas em Creche com o Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna"

Esta publicação nasce do trabalho de equipas educativas que, em processo de investigação-ação em comunidade de prática, aprofundam o modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna (MEM) em contextos de 0-3 anos, num diálogo com as Orientações Pedagógicas para Creche, em que afirmam a creche como um espaço de aprendizagem, de cultura e de relação.

Este documento partilha vozes, imagens e exemplos de práticas que ajudam a pensar o que significa ser educador de infância e equipa educativa em creche e revela-se um excelente contributo para pensar a qualidade das práticas em creche, que valoriza a participação, a cooperação e a reflexão.

Todos os dias, nas creches, se vivem pequenas histórias de descoberta, de relação, de cuidado, de aprendizagens. É nesse quotidiano, aparentemente simples, que se constrói a qualidade educativa. Como defendem as Orientações Pedagógicas para Creche (OPC), a qualidade constrói-se nas interações quotidianas, nas intenções e nas decisões pedagógicas que se tomam em equipa.

Esta publicação convida-nos a olhar o quotidiano com olhos pedagógicos, tendo por referência os fundamentos teóricos do MEM, que acredita que a educação é uma construção democrática, participada e com sentido, e também em diálogo com as OPC, que nos lembram que a creche é o primeiro contexto educativo da criança e que, enquanto direito da criança e da família, implica a garantia de condições e oportunidades para todas as crianças.

Esta publicação pode ser consultada na página do MEM, encontrando-se também disponível no site da Direção-Geral da Educação, na área da Educação de Infância.

Fonte: DGE por indicação de Livresco

sábado, 10 de janeiro de 2026

O desenvolvimento cerebral sinaliza desafios de leitura muito antes do jardim de infância

Dada a complexidade do processo, é surpreendente que algum ser humano tenha conseguido dominar a capacidade de ler. Embora a linguagem escrita seja antiga — já a utilizamos há cerca de 5.000 anos —, não se trata de uma habilidade inata. Não existe um «centro de leitura» no cérebro; os cérebros humanos não foram concebidos para decifrar automaticamente os símbolos numa página que, juntos, formam a leitura.

No entanto, novas pesquisas mostram que as habilidades necessárias para a leitura começam a desenvolver-se antes do nascimento da criança e que os sinais de dificuldades de leitura podem surgir já aos 18 meses de idade.

«As pessoas não compreendem que as crianças não começam o jardim-de-infância com uma folha em branco», disse Nadine Gaab, professora associada da Escola de Educação de Harvard envolvida na investigação. Aprender a ler «é um longo processo com muitos marcos que se desenrolam ao longo de muitos anos e começa principalmente com a linguagem oral. Anos de desenvolvimento cerebral levam ao ponto em que a instrução formal reúne tudo e permite que elas leiam. O processo começa no útero».

O cérebro humano evoluiu especificamente para a linguagem falada, disse Perri Klass, professora de jornalismo e pediatria da Universidade de Nova Iorque e diretora médica nacional da organização sem fins lucrativos Reach Out and Read. Todas as sociedades em todo o mundo usam a linguagem falada, mas a transição da linguagem falada para a escrita é um grande salto para o cérebro.

Esse salto, disse Klass, exige que o cérebro recorra a estruturas e redes em todas as suas muitas camadas e dobras apenas para reconhecer uma letra numa página, envolvendo as partes do cérebro responsáveis pela visão e pela memória. O cérebro então precisa de se lembrar do som que a letra representa e conectar essa letra com outras para formar sons que se associam à imagem numa página. Finalmente, na velocidade da luz, o cérebro reconhece que essas letras funcionam juntas para dizer «gato».

«Aprender a ler é um desafio para todas as crianças», disse ela. «E para algumas crianças é realmente uma luta. Não é que se desenvolva a linguagem falada e, de repente, se chegue à escola e se desenvolva a linguagem escrita. A linguagem falada e escrita desenvolvem-se juntas desde o nascimento e toda a exposição à linguagem do ambiente — o que ouvem dos pais, se lhes leem, se lhes falam, se alguém lhes canta ou os abraça — está presente. Portanto, é o cérebro que a criança leva para a escola que a ajuda a ter sucesso nesta tarefa impressionante de aprender a ler.»

Klass aponta para a nova pesquisa de Harvard para sublinhar o quão cedo esse «cérebro que a criança leva para a escola» começa a desenvolver-se. Durante anos, a atitude predominante foi a de que uma criança começa a aprender a ler na pré-escola ou no jardim-de-infância. Um estudo longitudinal realizado por Gaab e os seus colegas, utilizando ressonância magnética e uma série de outras avaliações, confirmou que as bases para as competências de leitura começam a desenvolver-se no cérebro da criança desde o nascimento e continuam a construir-se entre a infância e a pré-escola.

«Queríamos ver com que antecedência as trajetórias de desenvolvimento das crianças que mais tarde desenvolvem boas ou más habilidades de leitura divergem, porque isso pode-nos dar uma pista realmente importante sobre quando devemos intervir, bem como quais são alguns dos riscos e fatores de proteção», disse Gaab.

Uma conclusão importante do estudo é que as trajetórias de desenvolvimento de crianças com e sem dificuldades de leitura começam a divergir por volta dos 18 meses e não aos 5 ou 6 anos de idade, como se supunha anteriormente.

No entanto, Gaab disse que atualmente existe uma grande lacuna entre o momento em que as crianças são identificadas como tendo uma deficiência de leitura e o início da intervenção intensiva. Isso é particularmente problemático para crianças diagnosticadas com dislexia, disse ela, acrescentando que os investigadores chamam isso de «paradoxo da dislexia». A maioria dos distritos escolares nos EUA emprega uma abordagem de «esperar pelo fracasso», o que significa que muitas crianças só são identificadas pelo sistema escolar depois de terem falhado em aprender a ler durante um período prolongado — muitas vezes anos —, mesmo que haja evidências de que a intervenção na leitura é mais eficaz quando realizada mais cedo. A experiência do fracasso pode minar a autoestima, disse ela, e levar a taxas mais altas de ansiedade e depressão encontradas em leitores com dificuldades.

O estudo

O estudo, intitulado “Trajetórias longitudinais do desenvolvimento cerebral desde a infância até a idade escolar e sua relação com o desenvolvimento da alfabetização”, é o primeiro a acompanhar o desenvolvimento cerebral desde a infância até as habilidades de alfabetização focadas na infância — uma janela para o desempenho académico posterior.

Ao longo de uma década, Gaab e os coautores Ted Turesky, Elizabeth Escalante e Megan Loh realizaram exames de ressonância magnética cerebral em 130 participantes do estudo, a partir dos 3 meses de idade. Metade das crianças apresentava risco de dislexia, com um irmão mais velho ou um ou ambos os pais diagnosticados com dislexia, o que pode aumentar o risco de dificuldades de leitura na criança. Durante o primeiro ano do estudo, os bebés dormiram tranquilamente durante o exame, acomodados na máquina de ressonância magnética com proteção contra ruídos (“Ficámos muito bons a fazer os bebés de outras pessoas adormecerem”, disse Gaab).

Aos 18 meses, os bebés voltaram para outra ecografia, embora «dormir tranquilamente» estivesse a tornar-se uma memória agradável. Quando os bebés se tornaram crianças pequenas, os investigadores fizeram uma pausa, por motivos que qualquer pai de crianças pequenas indisciplinadas pode compreender. As crianças voltaram quando tinham 4 anos e eram mais cooperativas e continuaram a voltar todos os anos até aos 10 anos.

O estudo também avaliou fatores como capacidades cognitivas, ambiente de alfabetização e língua falada em casa. Financiados pelo NIH, os investigadores pretendiam continuar por mais cinco anos e acompanhar os participantes até ao ensino secundário. Embora o pedido de subsídio tivesse recebido uma pontuação financiável no NIH, o financiamento futuro é incerto devido ao cancelamento dos subsídios do NIH à Universidade de Harvard pela administração Trump.

Construindo a arquitetura do cérebro

Os bebés nascem com a matéria-prima necessária para ouvir, ver, mover-se e lembrar-se. As fibras nervosas, ou axónios, que conectam essas regiões cerebrais distintas não crescem automaticamente. Elas são cultivadas pelos ambientes dos bebés. As ressonâncias magnéticas dos participantes quando bebés mostraram cérebros previsivelmente menores, que parecem mais sólidos ou lisos nas imagens. Quando as crianças completaram 5 anos, os exames mostraram uma rede robusta de ramificações dessas fibras nervosas, disse o coautor Turesky.

«O cérebro infantil é muito diferente em comparação com todas as outras fases da vida», disse ele. «Mas se você olhar para o exame de uma criança aos 5 anos e depois aos 10 anos, verá que quase não há mudanças nessas vias. Esses primeiros anos são um período de crescimento muito rápido.»

Embora o cérebro humano permaneça plástico e mutável por toda a vida, disse Turesky, os exames ressaltam que os primeiros anos são os mais intensos para a construção da arquitetura cerebral — um facto que tem implicações políticas importantes para a intervenção precoce e a melhoria dos currículos de alfabetização nas pré-escolas.

Dando-lhes o «que é bom»

Alguns cérebros estão mais bem equipados para construir a estrutura neural que, em última análise, leva à leitura, disse Gaab, e alguns cérebros são menos otimizados, o que significa que essas crianças podem ter dificuldade em ler. Isso não significa que os seus cérebros sejam defeituosos ou que haja algo de gravemente errado com eles.

«Eles são construídos de forma diferente e são otimizados para outras coisas, porque cada cérebro é diferente», disse ela. «Mas isso aponta para a necessidade de uma boa instrução pré-leitura, jogos e bons estímulos de linguagem oral, além de interações no ambiente doméstico e escolar que sabemos que constroem essas conexões. Alguns cérebros simplesmente precisam de mais coisas boas.»

“Chame isso de educação preventiva, assim como medicina preventiva”, disse ela. “Ajude essas crianças a construir essas conexões antes que elas tenham dificuldades e evite que elas precisem consultar um educador especial ou receber um diagnóstico de dislexia.” Um grande número de estudos agora mostra que a intervenção precoce e a prevenção estão levando a melhores resultados para crianças em risco de dislexia, disse Gaab, e a pesquisa levou a algumas mudanças importantes nas políticas voltadas para a identificação e intervenção precoces.

Isso inclui o ensino de competências específicas que podem colmatar a diferença entre leitores proficientes e leitores com dificuldades. Essas competências incluem consciência fonológica, conhecimento das letras e dos sons, nomeação rápida automatizada, vocabulário e compreensão da linguagem oral. Este ensino ocorre naturalmente quando os cuidadores leem em voz alta para os seus filhos. A Reach Out and Read, organização sem fins lucrativos liderada por Klass, tem uma rede de médicos que trabalham diretamente com profissionais de saúde pediátrica para ajudá-los a integrar experiências de leitura em voz alta nas suas interações com os pais e fornece livros adequados ao desenvolvimento para os cuidadores levarem para casa.

«A nossa enorme vantagem na atenção pediátrica primária é que os médicos atendem as crianças repetidamente nos primeiros anos de vida», disse Klass. «Nós atendemo-las na consulta do recém-nascido, na consulta de um mês, na consulta de dois meses... O cronograma está gravado nos nossos corações, então podemos conversar com os pais sobre leitura e alfabetização precoce repetidamente durante os primeiros anos de vida.

“Sabemos que o cérebro em desenvolvimento é moldado principalmente pelas interações com os adultos que cuidam da criança”, disse Klass. “O maravilhoso deste estudo é que ele literalmente analisa a construção do cérebro e afirma muito claramente que não se trata apenas da construção do cérebro, mas das estruturas específicas que permitirão à criança ler.”

Se os médicos conseguirem identificar crianças pequenas que terão mais dificuldade em aprender a ler à medida que crescem, poderão oferecer livros e outros tipos de apoio a essas famílias desde cedo, acrescentou Klass.

“Esperamos que, com os livros que os cuidadores levam para casa, a criança aprenda uma lição motivacional: ‘Gosto de livros. Se levar um livro e o der aos meus pais, eles podem sentar-se e conversar comigo com essa voz’”, disse Klass.

Klass disse que ninguém precisa dizer aos pais para “ensinar” essa ideia aos seus filhos. As crianças vão entender isso se crescerem rodeadas de livros e leitura. Um bebé não quer nem precisa que uma autoridade em alfabetização entre pela porta e lhe ensine a ler, disse Klass. Um bebé quer a voz, a presença e as interações dos seus pais.

O seu bebé quer estar no seu colo a ouvir-te ler. O seu bebé vai adorar livros porque o seu bebé ama-te.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: The 74 por indicação de Livresco

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Webinar “O Braille e a Inteligência Artificial – Oportunidades e Desafios”


O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR), e o Núcleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura, convidam para o webinar 'O Braille e a Inteligência Artificial – Oportunidades e Desafios', que terá lugar no dia 15 de janeiro de 2026, via plataforma Zoom, entre as 17:00 e as 18:30 de Portugal Continental, 14:00 e 15:30 de Brasília - Brasil.

Saiba mais informações, AQUI.

Inscreva-se e participe, junte-se a nós nesta reflexão sobre tecnologia, acessibilidade e inclusão!

Faça a sua inscrição. O link de acesso será enviado automaticamente.

Fonte: Recebido por correio eletrónico

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

«A inteligência artificial nas perturbações do neurodesenvolvimento»


As perturbações do neurodesenvolvimento representam um conjunto heterogéneo de patologias que beneficiam de diagnóstico precoce, avaliação contínua e intervenção especializada. Nos últimos anos, o avanço da inteligência artificial (IA) tem aberto novas possibilidades para melhorar cada uma destas etapas.

Relativamente ao diagnóstico, existem vários modelos de IA baseados em machine learning que conseguem analisar grandes volumes de dados clínicos, escalas de rastreio, padrões de linguagem, voz, expressões faciais e movimentos, sendo que vários estudos recentes demonstram que algoritmos de IA podem identificar sinais precoces de perturbação do espetro do autismo (PEA) a partir de vídeos curtos.

Algumas ferramentas de processamento de linguagem natural conseguem analisar padrões de linguagem e, embora não substituam a avaliação clínica, podem servir como pré-rastreio para o diagnóstico de patologias como a perturbação do desenvolvimento da linguagem, auxiliando na priorização de casos para avaliação especializada.

Aplicações móveis e wearables com IA permitem monitorizar variáveis comportamentais e cognitivas de forma contínua, detetando alterações subtis no padrão de sono, nível de atividade ou desempenho em tarefas de jogo. Estes dados podem complementar a observação clínica, fornecer métricas objetivas e apoiar decisões sobre ajustes terapêuticos.

A IA pode ajudar na adaptação de planos terapêuticos, sugerindo atividades de terapia da fala, terapia ocupacional ou terapia cognitivo-comportamental com base em dados do progresso da criança. Plataformas educativas com algoritmos adaptativos ajustam a dificuldade das tarefas conforme a resposta, promovendo o envolvimento e uma maior motivação da criança.

Por outro lado, chatbots e assistentes virtuais podem fornecer informação validada e adaptada ao nível de literacia da família, apoiar na gestão de rotinas e medicação e facilitar a comunicação entre pais, terapeutas e professores. Na Consulta de Neurodesenvolvimento a IA pode ainda ter um papel fundamental na integração de vários dados clínicos e na redução da burocracia associada à Consulta.

Contudo, apesar de todo este potencial, o uso da IA nas perturbações do neurodesenvolvimento levanta questões importantes, como a validação científica (muitos algoritmos foram treinados com amostras limitadas, não necessariamente representativas da nossa população), assim como é crucial garantir conformidade com normas como o RGPD, sendo fundamental a privacidade e segurança dos dados das “nossas crianças”. Existe ainda o risco de sobredependência tecnológica: a IA deve apoiar e não substituir o nosso juízo clínico.

A IA constitui, portanto, uma ferramenta promissora para otimizar o rastreio, a monitorização e a personalização do cuidado em crianças com perturbações do neurodesenvolvimento.

A integração bem-sucedida dependerá da sua validação robusta, da adequada formação dos profissionais e de um enquadramento ético claro. Para os pediatras do Neurodesenvolvimento é importante conhecer estas ferramentas, criticar ativamente a sua utilidade e saber incorporá-las de forma segura na sua prática clínica, mantendo o foco no cuidado centrado na criança/adolescente e na família.

Daniel Gonçalves

Pediatra do Neurodesenvolvimento, ULS de São João

Fonte: Just News por indicação de Livresco

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Israel é o primeiro médico cigano formado em Portugal

Israel Paródia, reconhecido como o primeiro médico cigano formado em Portugal, iniciou oficialmente a sua atividade profissional no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no início de 2026, dando mais um passo num percurso que tem vindo a assumir um forte simbolismo social e histórico.

A estreia na profissão aconteceu logo num turno de urgência de 12 horas, num domingo, cenário que o próprio descreve como exigente e marcado pelo ritmo intenso característico dos serviços de urgência. Numa publicação partilhada a 7 de janeiro, durante a madrugada, Israel registou o momento durante uma breve pausa, sublinhando a mistura de emoções vividas no seu primeiro dia de trabalho enquanto médico.

“Apesar do caos das urgências, que podem ser asfixiantes mesmo para os mais experientes, decidi numa pausa para beber café registar o momento com um sorriso no rosto”, escreveu.

O jovem médico destaca a consciência da responsabilidade que lhe foi confiada e a gratidão por poder estar na linha da frente do cuidado em saúde, mesmo perante a vulnerabilidade e o sofrimento humano.

“Sorrio, apesar de assistir na linha da frente à vulnerabilidade e sofrimento humanos, pois sinto-me grato e um privilegiado por me ter sido entregue esta grande responsabilidade de poder ser luz naquele que é muitas vezes o momento mais sombrio da vida dos doentes e familiares.”

Israel Paródia estudou Medicina pela Nova Medical School e foi bolseiro de mérito da Fundação Calouste Gulbenkian. Tem sido uma voz ativa na promoção da educação inclusiva e da literacia em saúde, desempenhando também funções como assistente pré-graduado de Anatomia e Neurociências e embaixador europeu da Educação Inclusiva.

A experiência vivida no Hospital de Santa Maria reforça, segundo o próprio, a paixão pela profissão que escolheu para a vida.

“É esta dualidade de sentimentos que me faz apaixonar cada vez mais pela medicina a cada dia de trabalho e aprendizagem.”

O início da sua carreira médica surge, assim, não apenas como uma conquista individual, mas como um marco inspirador para a comunidade cigana e para a sociedade portuguesa, evidenciando o papel transformador da educação, da perseverança e do compromisso com o serviço público.

 Fonte: Notícias de Coimbra por indicação de Livresco

Como a Finlândia está a preparar as crianças para um mundo dominado pela IA

A desinformação já não é apenas um problema dos adultos. Com imagens, vídeos e notícias falsas geradas por Inteligência Artificial (IA) a circularem cada vez mais depressa, a Finlândia decidiu agir cedo. Muito cedo. De que forma o país está a preparar as crianças para um mundo dominado pela tecnologia?

Na Finlândia, desde o pré-escolar, as crianças aprendem a questionar o que veem e a distinguir factos de ficção.

Numa estratégia educativa que coloca o país na linha da frente do combate aos deepfakes e às fake news, os mais novos irão aprender, também, a reconhecer conteúdos criados por IA.

Em maio de 2025, circulou pela Internet uma fotografia, criada por IA, com Donald Trump na figura de Papa.

Literacia mediática: "de pequenino se torce o pepino"

Durante décadas, a Finlândia tem sido uma referência no ensino da literacia mediática. Agora, com a proliferação de deepfakes e conteúdos gerados por IA, o país nórdico passou a incluir a literacia em IA nos programas escolares, desde idades tão precoces quanto os três anos.

Na perspetiva do país, o combate à desinformação deverá começar logo no pré-escolar. Por isso, desde há vários anos que os seguintes tópicos são incluídos no currículo escolar:
  • Analisar conteúdos mediáticos;
  • Identificar fontes credíveis;
  • Reconhecer notícias falsas.
O objetivo é claro: formar cidadãos mais críticos, resilientes à propaganda e menos vulneráveis à manipulação da informação.


Desinformação como ameaça à democracia

Este esforço ganhou ainda mais relevância após o aumento das campanhas de desinformação na Europa, intensificadas depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.

A adesão da Finlândia à NATO, em 2023, elevou ainda mais o nível de alerta, apesar de Moscovo negar interferências externas, conforme recordado.

Segundo Kiia Hakkala, especialista pedagógica da cidade de Helsínquia, a literacia mediática é, hoje, uma competência cívica essencial. Além da educação, está diretamente ligada à segurança nacional e à proteção da democracia.


Com a IA, distinguir factos de ficção tem de ser uma competência básica

Numa escola primária em Tapanila, nos arredores de Helsínquia, alunos do quarto ano já aprendem a distinguir factos de ficção. Entre manchetes, imagens e vídeos, os estudantes são incentivados a questionar, analisar e desconfiar.

De acordo com o professor Ville Vanhanen, os alunos já lidam com conceitos de desinformação há vários anos. Agora, contudo, o foco está em identificar sinais visuais e contextuais que possam indicar conteúdos gerados por IA, como imagens artificiais ou vídeos manipulados.


Newspaper Week

Neste cenário de literacia, os meios de comunicação social assumem, também, um papel ativo. Todos os anos é promovida a iniciativa Newspaper Week, que leva jornais e conteúdos noticiosos às escolas.

Em 2024, o diário Helsingin Sanomat lançou o ABC Book of Media Literacy, distribuído a todos os jovens de 15 anos que iniciam o ensino secundário.

Para Jussi Pullinen, editor executivo do jornal, é crucial que os media sejam vistos como fontes de informação verificadas, transparentes e fiáveis, especialmente num contexto de crescente desinformação online.

De facto, a literacia mediática faz parte do sistema educativo finlandês desde a década de 1990 e estende-se, também, aos adultos, com cursos específicos para grupos mais vulneráveis.

Por via destas estratégias, a Finlândia lidera consistentemente o European Media Literacy Index, elaborado entre 2017 e 2023.


O desafio da IA no mundo da informação

O ministro da Educação da Finlândia, Anders Adlercreutz, reconhece que poucos anteciparam um cenário tão complexo. A democracia e as instituições estão cada vez mais expostas a ataques de informação, muitas vezes difíceis de detetar.

Com a rápida evolução das ferramentas de IA, especialistas alertam que distinguir o que é real do que é falso vai tornar se cada vez mais desafiante.

Embora atualmente muitos conteúdos artificiais ainda apresentem falhas visíveis, esse cenário poderá mudar rapidamente.

Como refere Martha Turnbull, do European Centre of Excellence for Countering Hybrid Threats, o verdadeiro desafio surgirá quando a tecnologia atingir um nível de sofisticação muito superior.

Por isso, preparar as novas gerações para esse futuro é, para a Finlândia, uma prioridade absoluta.

Fonte: pplware por indicação de Livresco

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Exposição precoce a ecrãs ligada a alterações cerebrais na adolescência


As crianças expostas a níveis elevados de tempo de ecrã antes dos dois anos de idade apresentaram alterações no desenvolvimento cerebral que foram associadas a uma tomada de decisão mais lenta e a um aumento da ansiedade na adolescência.

Um estudo que acompanha crianças há mais de uma década indica também que a leitura partilhada entre pais e filhos pode contrariar estes efeitos, de acordo com uma publicação na eBioMedicine citada na terça-feira pela agência Efe.

Investigadores do Instituto para o Desenvolvimento Humano e Potencial (A*STAR IHDP) da Universidade Nacional de Singapura utilizaram a imagiologia cerebral em múltiplos momentos para mapear uma possível via biológica desde a exposição a ecrãs na infância até à saúde mental na adolescência.

Este é o primeiro artigo a incorporar medições que abrangem um período tão longo, "destacando as consequências duradouras do tempo de ecrã na infância", destacou a Universidade de Singapura em comunicado.

A infância é um período de rápido desenvolvimento cerebral e de particular sensibilidade às influências ambientais.

Além disso, a quantidade e o tipo de tempo passado em frente aos ecrãs dependem muito da consciencialização e das práticas dos pais e dos encarregados de educação, o que realça a importância da orientação e intervenção precoces.

Os investigadores acompanharam 168 crianças, realizando exames de imagem cerebral aos 4, 5, 6 e 7,5 anos de idade.

Isto permitiu rastrear o desenvolvimento das redes cerebrais ao longo do tempo, em vez de se basear numa única avaliação.

As crianças com maior tempo de ecrã durante a infância apresentaram uma maturação acelerada das redes cerebrais responsáveis pelo processamento visual e pelo controlo cognitivo, o que pode ser atribuído à intensa estimulação sensorial proporcionada pelos ecrãs.

A equipa observou que o tempo de ecrã medido aos três e quatro anos de idade não apresentou os mesmos efeitos, sublinhando o porquê de a infância ser um período particularmente sensível.

"A maturação acelerada ocorre quando certas redes cerebrais se desenvolvem muito rapidamente, geralmente em resposta a adversidades ou outros estímulos", salientou o investigador Huang Pei, um dos autores do estudo.

Durante o desenvolvimento normal, as redes cerebrais especializam-se gradualmente ao longo do tempo, mas nas crianças com elevada exposição a ecrãs, as redes que controlam a visão e a cognição especializaram-se mais rapidamente, antes de desenvolverem as ligações eficientes necessárias para o pensamento complexo.

Isto pode limitar a flexibilidade e a resiliência, tornando a criança menos capaz de se adaptar mais tarde na vida, acrescentou a universidade.

As crianças com estas redes cerebrais alteradas demoraram mais tempo a tomar decisões durante uma tarefa cognitiva aos 8,5 anos de idade, sugerindo uma redução da eficiência ou flexibilidade cognitiva.

As que demoraram mais tempo a tomar decisões também apresentaram níveis mais elevados de sintomas de ansiedade aos 13 anos.

As descobertas sugerem que a exposição a ecrãs na infância pode ter efeitos que se estendem muito para além da primeira infância, moldando o desenvolvimento cerebral e o comportamento anos mais tarde.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

sábado, 3 de janeiro de 2026

Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade virtual

Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital. Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.“A realidade virtual está a ganhar espaço em múltiplos contextos, mas continua a ser muito centrada na visão”, afirma João Guerreiro, professor do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). O facto de estar muito dependente da visão deve-se à natureza dos headsets, óculos que projectam imagens do ambiente digital, em que o utilizador se move, dando indicações visuais sobre o que ele deve fazer e onde se encontra. “Este papel central da visão acaba por excluir as pessoas cegas de participarem em muitas destas experiências”, realça o investigador. (...)

O protótipo do jogo, concluído este ano, inclui três modos: treino com saco; treino com um treinador; combate com um adversário. O protótipo foi ainda testado por outras 15 pessoas com deficiência visual, além do pugilista, e a reacção foi positiva. Os resultados da investigação estão documentados num artigo científico que foi apresentado na conferência Factores Humanos em Sistemas Computacionais, promovida pela Associação de Computação e Maquinaria (ACM, na sigla em inglês), entre Abril e Maio de 2025, em Yokohama, no Japão. “Embora trabalhos anteriores tenham investigado aspectos específicos da acessibilidade da realidade virtual, há pouco conhecimento sobre como conceber experiências de realidade virtual completas, ricas em funcionalidades e acessíveis a pessoas cegas”, lê-se no artigo, publicado na biblioteca digital da ACM.

Fonte: Artigo completo em Público com acesso exclusivo


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Regra número 1 do psicólogo para pais, imprescindível para ter filhos mais felizes e saudáveis: é «muito simples e não custa nada».


Muitos pais têm dificuldade em aceitar a ideia de dar aos seus filhos acesso a smartphones ou outros dispositivos conectados. Com que idade eles devem receber o primeiro telemóvel ou tablet? Que tipo de controlo parental, se houver, deve ser usado?

Não importa o que você decidir, é preciso seguir uma regra «imperativa» para ajudar os seus filhos a crescerem e se tornarem adultos felizes e bem-sucedidos, diz a psicóloga Jean Twenge: «Nenhum dispositivo eletrónico no quarto durante a noite».

«Essa é uma situação em que não há discussão: “Não precisas desse telemóvel no teu quarto quando deverias estar a dormir. Ponto final. Fim da história. Mic drop. Está resolvido”», diz Twenge, professora de psicologia na San Diego State University, cujo último livro, «10 Rules for Raising Kids in a High-Tech World» (10 regras para criar filhos num mundo de alta tecnologia), foi publicado a 2 de setembro.

Twenge passou grande parte da última década alertando os pais sobre os riscos de dar aos adolescentes acesso ilimitado a smartphones e redes sociais. Ela citou pesquisas que relacionam o uso desses dispositivos a taxas mais elevadas de problemas de saúde mental em adolescentes, incluindo ansiedade e depressão.

Outros especialistas em educação parental e medicina emitiram alertas semelhantes: em 2023, o então Cirurgião-Geral dos EUA, Vivek Murthy, emitiu um aviso alertando que os riscos das redes sociais e dos dispositivos conectados ajudaram a criar «uma crise nacional de saúde mental entre os jovens», por exemplo.

No seu livro, Twenge defende que os pais esperem o máximo possível antes de entregar smartphones aos seus filhos ou permitir que eles acedam a plataformas de redes sociais. Ela recomenda impedir que as crianças entrem nas redes sociais até os 16 anos ou mais e que tenham acesso total ao seu próprio smartphone até que tenham carteira de motorista e sejam capazes de «se locomover de forma independente».

Mas proibir dispositivos nos quartos das crianças durante a noite é a sua regra número 1, devido ao seu potencial para melhorar os seus hábitos de sono, diz ela. Fazer isso é «absolutamente crucial para a saúde física e mental», observa ela no seu livro.

«Se tiver capacidade para seguir totalmente apenas uma regra deste livro, que seja esta», escreve Twenge. «Nenhum dispositivo no quarto durante a noite é muito simples e não custa nada.»

«Não dormir o suficiente é um fator de risco»

Os dispositivos nos quartos podem facilmente reduzir o tempo de sono, seja porque o seu filho adolescente adia o momento de fechar os olhos para continuar a navegar nas redes sociais ou porque os sons das notificações o acordam constantemente, segundo estudos.

Mais de dois terços dos adolescentes inquiridos pela Common Sense Media em 2023 relataram perder horas de sono «às vezes» ou «frequentemente» devido ao uso de telemóveis ou outros dispositivos tarde da noite nos seus quartos. No geral, 77% dos adolescentes não dormem o suficiente, de acordo com dados dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA.

«Não dormir o suficiente é um fator de risco para praticamente tudo o que gostaríamos que os nossos filhos evitassem, desde adoecer até sentir-se deprimido», escreve Twenge no seu livro.

Olhar para ecrãs na cama também está associado a taxas mais elevadas de problemas de saúde mental e física em adultos. Mas hábitos de sono saudáveis são ainda mais importantes para as crianças, porque seus cérebros ainda estão em desenvolvimento. O sono pode ajudar no desenvolvimento cognitivo e na saúde mental, incluindo a capacidade de aprender e regular as emoções — características que elas precisam desenvolver para crescer e se tornar adultos felizes, saudáveis e bem-sucedidos.

“Se você puder fazer apenas uma coisa, [essa regra] pode acabar fazendo a maior diferença”, diz Twenge.

Seja honesto, mas firme.

Qualquer uma das regras de Twenge provavelmente encontrará resistência por parte das crianças, especialmente dos adolescentes que já usam regularmente os seus smartphones e outros dispositivos a qualquer hora do dia, diz ela. É mais fácil implementar e fazer cumprir esse tipo de política comunicando-as aos seus filhos desde cedo, aconselha ela.

Twenge recomenda conversar sobre os perigos dos smartphones — e a necessidade de regras rígidas sobre o seu uso — desde o ensino fundamental. «As crianças estão a adquirir esses dispositivos cada vez mais cedo» e o seu filho pode ter amigos que já usam dispositivos conectados nessa idade, diz ela.

Os pais de crianças mais velhas também podem voltar atrás e estabelecer regras novas e mais rígidas. Foi o que Twenge fez com as suas três filhas adolescentes, depois de inicialmente permitir que usassem os seus computadores portáteis durante a noite, diz ela. Estabelecer regras rígidas retroativamente não é fácil, acrescenta ela: «Os primeiros dias podem ser difíceis e pode ser que tenha algumas portas batidas.»

O seu conselho é ser transparente, mas firme, sobre o seu processo de decisão. «Deve ser honesto com o seu filho [e dizer]: “Olha, cometi um erro. Agora sei mais, aprendi mais e vamos fazer de forma diferente daqui para a frente”», diz Twenge.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: "CNBC make it" por indicação de Livresco