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sexta-feira, 31 de julho de 2026

OFICINA DE ESCRITA BRAILLE “LER COM OS DEDOS”, por Daniel Lança

1 de agosto | 20h00

Local: Feira do Livro de Lagos – Praça do Infante (Espaço de Leitura Inclusiva)
Org.: CM Lagos (Balcão da Inclusão)
Duração: 90 min
Entrada gratuita

No âmbito do Espaço de Leitura Inclusiva da Feira do Livro de Lagos, o Balcão da Inclusão promove a oficina "Ler com os Dedos", uma atividade concebida para proporcionar uma experiência dinâmica, participativa e acessível a pessoas de todas as idades.
Através do contacto direto com o sistema Braille, os participantes terão oportunidade de descobrir como as pessoas com deficiência visual leem e escrevem, promovendo uma maior sensibilização para a inclusão, a acessibilidade e o direito de todos ao acesso à leitura e à informação. Ação dinamizada por Daniel Lança, professor de apoio a crianças e jovens com deficiência visual.

Objetivos
• Dar a conhecer o sistema de leitura e escrita Braille;
• Sensibilizar para a realidade das pessoas com deficiência visual;
• Promover a igualdade de oportunidades no acesso à leitura e à informação;
• Valorizar o Braille como instrumento de comunicação, aprendizagem e autonomia;
• Incentivar o contacto com diferentes formas de leitura acessível.

Fonte: CM de Lagos por indicação de Livresco

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Quase 40% das crianças têm excesso de peso e 44,7% consomem 'fast food'


A prevalência conjunta de excesso de peso e obesidade é mais elevada na Região Autónoma dos Açores, seguindo-se o Norte e a Madeira Os valores mais baixos registam-se na Península de Setúbal e na Grande Lisboa.

Quase quatro em cada 10 crianças entre os cinco e os 14 anos têm excesso de peso ou obesidade em Portugal e 44,7% consomem regularmente refeições rápidas, alimentos ultraprocessados ou refrigerantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE divulga esta segubda-feira, 27 de julho, os resultados do módulo das crianças realizado no 4.º trimestre de 2025, no âmbito do Inquérito Nacional de Saúde, e destaca que quase metade (44,7%) das crianças dos 6 aos 14 anos consomem regularmente refeições ‘fast food’ ou alimentos ultraprocessados.

De acordo com o INE, há 81 mil crianças que consomem refrigerantes açucarados e 49 mil que consomem refeições rápidas ou alimentos ultraprocessados diariamente.

“O consumo deste tipo de alimentos é um hábito diário para 5,3% das crianças dos 6 aos 14 anos, enquanto 7,1% fazem-no entre quatro e seis vezes por semana e 32,3% entre uma e três vezes por semana”, lê-se na nota.

Por outro lado, mais de metade destas crianças (51,1%) só consome estes produtos uma vez por semana e 3,6% não os consomem de todo.

No que diz respeito aos refrigerantes e outras bebidas açucaradas, o INE adianta que se trata de “uma prática diária para 8,9% das crianças dos 6 aos 14 anos e muito frequente (4 e 6 vezes por semana) para 6,2%”.

“A maior parte das crianças, contudo, consome estas bebidas menos de uma vez por semana (33,6%) ou não consome de todo (19,4%)”, ressalva.

Ainda assim, os resultados mostram que o consumo diário de fruta é um hábito para 68,6% das crianças dos 6 aos 14 anos, sobretudo para as crianças dos 6 aos 9 anos (73,3%) e que o consumo regular de proteína animal ou vegetal é uma prática comum para a maioria das crianças destas idades (68,0%).

No entanto, quase quatro em cada 10 crianças dos 5 aos 14 anos tinham excesso de peso ou obesidade, registando-se quase 132 mil crianças obesas (12,9%) e outras 230 mil (22,6%) com excesso de peso.

“Enquanto na categoria de excesso de peso, a prevalência era bastante equilibrada na repartição por sexo e por grupo etário (com proporções entre 22% e 23%), a obesidade registava proporções significativamente mais elevadas no sexo masculino (15,0%) do que no sexo feminino (10,7%) e, especialmente, nas crianças dos 5 aos 9 anos (18,3%)”, refere o INE.

A análise por regiões mostra que a prevalência conjunta de excesso de peso e obesidade é mais elevada na Região Autónoma dos Açores (42,3%), seguindo-se o Norte (40,5%) e a Madeira (40,3%). Os valores mais baixos registam-se na Península de Setúbal (31,2%) e na Grande Lisboa (31,3%).

Globalmente, “92,3% das crianças com menos de 15 anos têm um estado de saúde referido como bom ou muito bom”, e as alergias são a doença que mais afeta as crianças com menos de 15 anos (14,9%), enquanto as perturbações de défice de atenção ou hiperatividade afetam 6,8% e os distúrbios da fala e da comunicação atingem 5,9% das crianças.

Quase duas em cada dez crianças (18,9%) tiveram as suas capacidades para realizar tarefas consideradas habituais para a idade afetadas por doenças ou problemas de saúde e quase metade (44,7%) das crianças entre os 6 e os 14 anos faltaram à escola por motivo de doença.

Há 58 mil crianças cegas e 13 mil com perda de audição.

O módulo das crianças integra pela primeira vez o Inquérito Nacional de Saúde e baseia-se em informação recolhida junto dos responsáveis parentais de menores de 15 anos.

O estudo incidiu sobre uma amostra representativa de 3.907 crianças residentes em Portugal, com dados recolhidos entre setembro e dezembro de 2025 através de entrevistas presenciais, telefónicas e pela Internet.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

sábado, 2 de maio de 2026

Deficiência visual em contexto escolar. Desafios para uma educação verdadeiramente inclusiva

A temática da deficiência visual em educação coloca, de forma particularmente nítida, o desafio de transformar o princípio da igualdade formal em igualdade efetiva de oportunidades. Embora os sistemas educativos contemporâneos assumam, no plano normativo, o direito de todas as crianças a uma educação inclusiva, a realidade mostra que esse direito continua dependente da remoção de barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas e organizacionais.

No caso dos alunos cegos ou com baixa visão, a igualdade não se alcança com soluções uniformes, mas com respostas ajustadas às necessidades individuais.

Do ponto de vista educativo, a deficiência visual não deve ser interpretada como um obstáculo intransponível à aprendizagem, antes como uma condição que exige mediação especializada, acessibilidade e um desenho pedagógico inclusivo. A investigação e a prática institucional têm mostrado que o sucesso escolar destes alunos depende, em grande medida, da disponibilidade de materiais em formatos acessíveis, do uso de tecnologias de apoio e da preparação dos docentes para a diferenciação pedagógica. Sem estas condições, o aluno não fica apenas “menos apoiado”, fica, muitas vezes, objetivamente excluído de partes do currículo, da participação na aula e da vida escolar.

Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 54/2018 reforçou uma visão de educação inclusiva assente no aumento da participação e da aprendizagem de todos os alunos, prevendo estruturas, como equipas multidisciplinares e centros de apoio à aprendizagem. No entanto, a existência de um quadro legal robusto não elimina, por si só, as fragilidades da implementação. Persistem dificuldades na resposta atempada, na produção de recursos acessíveis e na articulação entre escolas, famílias e técnicos especializados, o que compromete a concretização plena do direito à educação. A existência de escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão representa um avanço importante, mas a sua eficácia depende de recursos humanos qualificados e de uma rede funcional e bem articulada.

É, por isso, crucial que a verdadeira igualdade de oportunidades para alunos com deficiência visual exija mais do que integração administrativa. Exige uma escola que compreenda a diversidade como norma, e não como exceção; uma escola que adapte o currículo, os materiais e as práticas, sem reduzir expectativas, mas também sem ignorar as diferenças reais entre os alunos. Só assim se pode afirmar que a inclusão não é um ideal retórico, mas uma experiência educativa concreta, numa perspetiva que a assuma como equitativa e digna.

Sandrina Esteves

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

segunda-feira, 30 de março de 2026

Alunos com cegueira estão a ser deixados para trás nas escolas

As escolas falam em retrocesso e violação do direito à educação das crianças.

Os alunos cegos e com baixa visão estão a ser prejudicados pela falta de professores especializados nas escolas públicas e também atrasos nos manuais escolares e materiais adaptados.

Fonte: RTP com reportagem em vídeo, por indicação de Livresco

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Óculos com IA funcionam como cão-guia tecnológico para pessoas cegas

Uns óculos desenvolvidos pela empresa romena .lumen, liderada pelo engenheiro Cornel Amariei, recorrem à inteligência artificial para orientar pessoas cegas e foram distinguidos com um Prémio de Inovação na CES 2026.

O engenheiro Cornel Amariei, presidente e CEO da empresa .lumen, apresentou na feira tecnológica CES 2026 uns óculos concebidos para ajudar pessoas cegas a deslocarem-se de forma autónoma.

O dispositivo é colocado na cabeça e desempenha funções semelhantes às de um cão-guia. Em vez de puxar fisicamente a pessoa para evitar obstáculos, utiliza tecnologia para orientar os movimentos.

“Construímos um carro autónomo, mas não um que anda na estrada. É um que usamos na cabeça para nos guiar. Chamamos-lhe óculos para cegos e eles reproduzem, de forma eficaz, aquilo que um cão-guia faz. Se um cão-guia puxa a mão da pessoa para evitar obstáculos, nós fazemos o mesmo, mas estamos na cabeça e puxamos a cabeça através da tecnologia", explicou Amariei à Reuters.

Inteligência artificial sem Internet

Os óculos recorrem a inteligência artificial para interpretar o ambiente em tempo real. A tecnologia permite identificar superfícies seguras, reconhecer objetos à volta do utilizador, perceber se a pessoa está num espaço interior ou exterior e orientar a navegação.

“Tem uma grande quantidade de IA. Usamo-la para compreender o que é uma superfície segura, os objetos que nos rodeiam e como podemos interagir com eles. Tudo isso é feito no próprio dispositivo, sem necessidade de ligação à Internet”, sublinha o responsável.

Segundo a empresa, esta tecnologia já permitiu que pessoas cegas realizassem atividades que nunca tinham feito sozinhas, como fazer compras num supermercado ou caminhar de forma autónoma em percursos desconhecidos.

“A primeira vez que vi uma pessoa cega a navegar num dos nossos sistemas e a fazer algo que nunca tinha feito antes foi espantoso. Houve algumas lágrimas”, recordou Amariei.

Prémio de Inovação na CES 2026

A empresa .lumen foi distinguida com o Prémio de Inovação CES 2026 por este produto, que procura colmatar uma lacuna sentida por muitas pessoas cegas, sobretudo em contextos onde o acesso a cães-guia é limitado.

Para Amariei, trata-se de uma missão pessoal. É a única pessoa da família sem deficiência e diz ter percebido, desde cedo, a escassez de recursos disponíveis, o que o levou a procurar soluções tecnológicas.

A .lumen está atualmente a trabalhar em encomendas no Leste da Europa e ambiciona entrar no mercado norte-americano.

Fonte: SIC Notícias, com vídeo

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Webinar “O Braille e a Inteligência Artificial – Oportunidades e Desafios”


O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR), e o Núcleo para o Braille e Meios Complementares de Leitura, convidam para o webinar 'O Braille e a Inteligência Artificial – Oportunidades e Desafios', que terá lugar no dia 15 de janeiro de 2026, via plataforma Zoom, entre as 17:00 e as 18:30 de Portugal Continental, 14:00 e 15:30 de Brasília - Brasil.

Saiba mais informações, AQUI.

Inscreva-se e participe, junte-se a nós nesta reflexão sobre tecnologia, acessibilidade e inclusão!

Faça a sua inscrição. O link de acesso será enviado automaticamente.

Fonte: Recebido por correio eletrónico

sábado, 3 de janeiro de 2026

Cientistas portugueses tornam boxe acessível a pessoas cegas, com realidade virtual

Em Portugal, cerca de 3,5% da população é afectada pela incapacidade de ver, de acordo com os Censos de 2021. Apesar de já existir alguma acessibilidade nos transportes públicos e serviços, ainda há contextos em que estas pessoas se vêem excluídas. Um exemplo disso são as tecnologias de realidade virtual, nas quais a visão é o principal sentido que permite ao utilizador aceder ao mundo digital. Para contrariar este paradigma, uma equipa de investigadores portugueses desenvolveu uma experiência de boxe em realidade virtual adaptada para pessoas cegas. No projecto, participou o ex-campeão nacional de boxe Jorge Pina, que perdeu a visão em 2004 e actualmente é treinador na academia que fundou.“A realidade virtual está a ganhar espaço em múltiplos contextos, mas continua a ser muito centrada na visão”, afirma João Guerreiro, professor do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). O facto de estar muito dependente da visão deve-se à natureza dos headsets, óculos que projectam imagens do ambiente digital, em que o utilizador se move, dando indicações visuais sobre o que ele deve fazer e onde se encontra. “Este papel central da visão acaba por excluir as pessoas cegas de participarem em muitas destas experiências”, realça o investigador. (...)

O protótipo do jogo, concluído este ano, inclui três modos: treino com saco; treino com um treinador; combate com um adversário. O protótipo foi ainda testado por outras 15 pessoas com deficiência visual, além do pugilista, e a reacção foi positiva. Os resultados da investigação estão documentados num artigo científico que foi apresentado na conferência Factores Humanos em Sistemas Computacionais, promovida pela Associação de Computação e Maquinaria (ACM, na sigla em inglês), entre Abril e Maio de 2025, em Yokohama, no Japão. “Embora trabalhos anteriores tenham investigado aspectos específicos da acessibilidade da realidade virtual, há pouco conhecimento sobre como conceber experiências de realidade virtual completas, ricas em funcionalidades e acessíveis a pessoas cegas”, lê-se no artigo, publicado na biblioteca digital da ACM.

Fonte: Artigo completo em Público com acesso exclusivo


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

ACAPO lança quiz | “Deficiência Visual: verdades ou mitos?”

O Centro de Informação Autárquico ao Consumidor (CIAC

Centro de Informação Autárquico ao Consumidor) informa através da Direção-Geral do Consumidor (DGC), que no âmbito das comemorações do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado a 3 de dezembro, a ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal lançou o desafio “Deficiência Visual: verdades ou mitos?”, um quiz interativo que procura sensibilizar e esclarecer a sociedade sobre a realidade da deficiência visual, combatendo preconceitos e mostrando que, muitas vezes, aquilo que julgamos saber nem sempre corresponde aos factos.

Apesar de ter sido desenvolvido para assinalar esta data, o quiz mantém-se como uma ferramenta permanente de reflexão, aprendizagem e consciencialização, permitindo à ACAPO recolher informação útil e trabalhar esta temática de forma contínua.

A ACAPO convida todos os cidadãos a participar, submeter e partilhar o quiz junto da sua comunidade, contactos e redes sociais, contribuindo para uma sociedade mais informada, inclusiva e empática.

O quiz está disponível aqui.

Fonte: CM Barreiro por indicação de Livresco

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Como Louis Braille revolucionou um sistema de escrita – apesar dos esforços para o deterem

Onde estaríamos sem a escrita? Desde as suas origens há mais de 5.000 anos na antiga Mesopotâmia, a história da escrita ecoa a história da humanidade. Os gregos e os romanos criaram alfabetos únicos, os chineses desenvolveram caracteres complexos e actualmente lemos romances, jornais e publicações nas redes sociais. Um alicerce da civilização humana, a escrita é fundamental para o estado de direito e acumulação de conhecimento e cultura. No entanto, as pessoas cegas só tiveram acesso à escrita no século XIX.

Entre 1824 e 1825, Louis Braille criou um sistema composto por pontos em relevo que poderiam ser lidos com as mãos. Inicialmente ignorada, esta invenção viria a ser adoptada universalmente no século XX, abrindo um novo mundo de aprendizagem para as pessoas com deficiência visual. Num discurso proferido na Sorbonne no centenário da morte de Braille, Helen Keller disse: “Nós, os cegos, temos uma dívida tão grande para com Louis Braille como a humanidade para com Gutenberg.”

Mas houve precedentes. A mudança de atitude anterior ao nascimento de Braille contribuiu para abrir o caminho para a tolerância. A Carta sobre os Cegos, do filósofo Denis Diderot, de 1749, defendeu que as pessoas cegas tinham a mesma capacidade intelectual que as pessoas com visão. As primeiras escolas para cegos abriram em França e Inglaterra no final do século XVIII, mas o sistema de escrita de Braille proporcionou-lhes um meio para interagirem com textos e partituras.

Um acidente transformador

O mais novo de quatro filhos, Braille nasceu em 1809 na aldeia de Coupvray, 35 quilómetros a leste de Paris. O seu pai, Simon-René, era correeiro, uma profissão com elevada procura. A família vivia confortavelmente e também cultivava vinhas para produção de vinho. Luxos como um forno de pão podem ser actualmente vistos na casa da família, transformada no Museu Louis Braille na década de 1950. O ponto central do museu é a reprodução da oficina do pai de Braille, onde ele sofreu o acidente que viria a causar a sua perda de visão, mudando o seu destino – e o rumo da história.

Braille era uma criança curiosa de três anos e esgueirou-se às escondidas para a oficina, para brincar com as ferramentas que via o pai usar. Quando tentou fazer um furo no cabedal com um furador, a ferramenta escorregou e furou-lhe o olho. Este ferimento horrível causou uma infecção que se espalhou para ambos os olhos, deixando-o cego aos cinco anos, uma vez que os antibióticos ainda não tinham sido descobertos.

Um museu desde a década de 1950, a casa de família de Braille foi construída no século XVIII. A oficina, reproduzida no museu (na imagem), conta com a mesa de trabalho original, freios de cavalo e um furador do mesmo tipo que cegou Braille no terrível acidente de infância. Uma placa de mármore afixada no exterior da casa homenageia o inventor com as seguintes palavras: “Ele abriu as portas do conhecimento para todos os que não conseguem ver”.

Um acidente trágico

Os seus pais, consternados, não queriam que o destino do filho ficasse traçado numa época em que as pessoas com deficiência visual eram tratadas como sub-humanas e frequentemente ridicularizadas pela sua deficiência. Nas ruas de França, os cegos desfilavam com trajes ridículos ou resignavam-se a pedir esmola. O ensino público ainda não era obrigatório em França, mas os pais de Braille estavam cientes da importância da alfabetização. Para ajudar o filho, Simon-René pregou pregos para desenhar as formas das letras do alfabeto em painéis e pediu ao abade Jacques Palluy que desse aulas a Braille.

Aos sete anos, Braille já frequentava a escola local, onde era o único aluno cego. O seu professor ficou espantado com sua inteligência e comportamento alegre – características que foram admiradas pelos seus amigos de ao longo de toda a sua vida. Alguns anos mais tarde, Braille obteve uma bolsa de estudo para prosseguir os seus estudos no Instituto Real para os Jovens Cegos, a primeira escola do género e que ainda hoje funciona, sob a designação de Instituto Nacional para os Jovens Cegos, ou INJA. Aos 10 anos, foi o aluno mais novo do instituto.

O mais espantoso de tudo foi que a sua família, que era tão unida, o deixou sair de casa. “A mãe e o pai poderiam facilmente tê-lo mantido na aldeia”, explica Farida Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille. “Iriam escrever o seu destino sem saber.” O apoio da família seria uma constante para Braille e ele regressaria a Coupvray para descansar e recarregar baterias ao longo de toda a sua vida.

Uma oportunidade de aprendizagem

Fundado pelo educador pioneiro Valentin Haüy, o instituto foi inovador na sua metodologia e abordagem. Os alunos aprendiam uma variedade de temas académicos e um ofício manual. Haüy criara uma forma de estampar livros com letras em relevo, que as crianças conseguiam ler com as pontas dos dedos, embora com grande dificuldade. A escola seria a salvação e o fim de Braille, depois foi provavelmente ali que ele contraiu a tuberculose que acabou por matá-lo.

O edifício, situado no pólo estudantil de longa data de Paris, o Bairro Latino, era sujo, húmido e desgastado. Até fora utilizado como prisão durante a revolução francesa. No entanto, apesar das más condições e dos castigos, por vezes, severos aplicados às crianças que quebravam as regras, Braille prosperou, fazendo amigos e alcançando a excelência nos estudos. Os professores repararam na sua notável inteligência e qualidade espiritual. O seu amigo Hippolyte Coltat escreveu mais tarde: “a amizade com ele era um dever escrupuloso, bem como um sentimento de ternura. Ele teria sacrificado tudo por ela, o seu tempo, a sua saúde, as suas posses.”

A paixão de Braille pela música nasceu no instituto, onde músicos profissionais davam aulas e os alunos, mostrados a tocar nesta ilustração de 1903, se juntavam à orquestra. Ele ganhou o prémio de violoncelo no seu quinto ano, desenvolveu talento para o piano e inventou um método táctil para ler e escrever música. Enquanto organista, tocou em igrejas de várias paróquias, complementando o seu parco rendimento de professor.

Momento eureka

O catalisador da invenção de Braille deu-se em 1821. O capitão Charles Barbier, oficial de artilharia, criaria um meio de “escrita nocturna” para o exército francês transmitir e executar ordens sob o manto da escuridão. Convencido do seu mérito para as pessoas cegas, Barbier transformou este código de pontos e traços num sistema de base fonética que apresentou aos alunos. Havia falhas linguísticas – a sonografia reduzia a linguagem a sons, por isso a ortografia não era exacta e não havia pontuação –, mas Braille teve uma epifania. Um sistema de pontos seria um método fácil e eficiente para as pessoas com deficiência visual lerem e escreverem.

Ele passou os quatro anos seguintes a trabalhar nesse código. No instituto, fazia directas depois de as aulas terminarem. Mesmo quando estava de férias em Coupvray, os aldeões diziam que viam o rapaz sentado numa colina com um estilete e um papel na mão. Aos 15 anos, conseguiu criar aquela que viria a tornar-se conhecida como a escrita braille. A base do sistema eram células de seis pontos dispostos ao longo de duas colunas e três filas. Cada combinação de pontos em relevo representa uma letra do alfabeto. Era elegante na sua simplicidade e lógica.

Os alunos da escola adoptaram rapidamente o seu uso – permitido oficiosamente pelo director François-René Pignier. Braille reconheceu humildemente a sua dívida para com Barbier no seu livro Processo para Escrever as Palavras, a Música e o Cantochão por meio de Pontos, para Uso dos Cegos e disposto para Eles, publicado em 1829: “Se sublinhámos as vantagens do nosso método em relação ao dele, temos de dizer, em sua homenagem, que foi o seu método que nos deu a nossa ideia.”

A Batalha pelo Braille

Apesar de Pignier ter promovido o braille e endereçado cartas ao governo, o sistema não foi imediatamente aceite. A ordem estabelecida, ditada pelas pessoas com visão, era resistente à mudança e favorecia o uso uniforme de um sistema de escrita.

Braille tornou-se professor no instituto aos 19 anos. Aos 26 anos, foi diagnosticado com tuberculose, tendo passado longas temporadas de convalescença na sua casa em Coupvray. Entretanto, intrigas políticas na escola levaram à saída de Pignier. O seu substituto, Pierre-Armand Dufau, recusou peremptoriamente o uso do braille, chegando a queimar livros e a castigar alunos apanhados a usá-lo.

Braille também desenvolveu o sistema do decaponto, no qual pontos em relevo formam letras do alfabeto latino. O seu amigo Pierre-François-Victor Foucault desenvolveu o rafígrafo, na imagem, para escrever em decaponto. O sistema era complicado, mas Braille utilizou a máquina para escrever cartas, incluindo para a sua “querida mãe”.

Graciosamente, Braille persistiu na sua luta pela aceitação do seu novo sistema de escrita. Uma carta que escreveu a Johann Wilhelm Klein, fundador de uma escola para pessoas cegas em Viena, em 1840, mostra os seus humildes esforços de persuasão ao descrever mais uma invenção, o decaponto, um meio para as pessoas cegas e com visão comunicarem entre si: “Ficaria muito feliz se os meus pequenos métodos pudessem ser úteis para os seus alunos e se este espécimen for, a seus olhos, a prova da elevada consideração que tenho por ser, meu senhor, o seu respeitoso e muito humilde servo, Braille.”

O reconhecimento chegou finalmente em 1844, na inauguração das novas instalações da escola na Boulevard des Invalides. Por esta altura, Dufau já mudara de ideias em relação ao braille, devido à insistência do director adjunto, Joseph Guadet. Após um discurso sobre o sistema de pontos em relevo, os alunos demonstraram o seu uso, transcrevendo e lendo versos. Guadet escreveu mais tarde: “Braille era modesto, demasiado modesto... as pessoas à sua volta não o valorizavam… Talvez tínhamos sido os primeiros a atribuir-lhe o seu merecido lugar aos olhos do público, quer por termos utilizado o seu sistema de forma mais generalizada na nossa instrução musical ou por darmos a conhecer todo o significado da sua invenção.”

Ligando os pontos

Louis Braille não viveu tempo suficiente para assistir àadopção universal do braille. Morreu a 6 de Janeiro de 1852, na companhia do seu irmão e amigos. Nenhum jornal publicou a notícia da morte do homem a quem Jean Roblin, o primeiro curador do Museu Louis Braille, chamou “o apóstolo da luz”. Alunos angariaram dinheiro para o escultor parisiense François Jouffroy fazer um busto em mármore baseado na máscara funerária de Braille.

Em 1878, em Paris, o congresso global para pessoas surdas e cegas propôs uma norma internacional de braille. O braille foi oficialmente adoptado pelas pessoas de expressão inglesa em 1932 e os esforços pós-guerra da UNESCO unificaram adaptações na Índia, em África e no Médio Oriente. É impossível sobrestimar o legado profundo de Braille.

No centenário da sua morte, os feitos de Braille foram finalmente celebrados numa homenagem nacional. O seu corpo foi exumado do cemitério de Coupvray e transferido para o Panteão de Paris, o local de repouso dos grandes cidadãos de França. (As suas mãos permaneceram numa urna decorada com flores de cerâmica na sua sepultura em Coupvray.) O desfile pelas ruas de Paris incluiu centenas de pessoas cegas, de braço dado, algumas com óculos escuros, batendo com bengalas brancas nas pedras da calçada.

Contudo, a luta continua 200 anos após a invenção da escrita braille. É uma luta para preservar não só a memória de Louis Braille, tema de surpreendentemente poucas biografias, como o uso do seu sistema na era digital. As crianças com deficiência visual estão, cada vez mais, a aprender com ecrãs e programas de áudio, mas os neurocientistas dizem que a escrita é fundamental para o raciocínio, as ligações cerebrais e a aprendizagem. Os benefícios cognitivos da escrita têm uma importância fundamental. Estudos mostraram que quando uma pessoa cega lê braille através do tato, o córtex visual fica iluminado.

Perante a escassez de professores de braille em todo o mundo, a alfabetização em braille desceu a pique e o seu próprio futuro está em perigo. Saïdi-Hamid, curadora do Museu Louis Braille há quase 17 anos, compara a sua luta para defender o braille com um “combate para defender a própria inteligência”. Sublinhando a “personalidade extraordinária” de Braille, disse Saïdi-Hamid, “ele sempre encarou a sua deficiência como uma força e não como uma limitação”. Tal como Braille lutou durante a sua vida, a luta tem de continuar.

Seis milhões de pessoas usam o braille atualmente. O seu futuro está assegurado num mundo de alta tecnologia. A escrita pode ser facilmente convertida para formatos digitais e pode ser lida e escrita nos ecrãs tácteis de computadores ou tablets. Um utilizador de braille experiente consegue ler 200 palavras por minuto (a maioria das pessoas com visão consegue ler 250). Embora a alfabetização em braille esteja a diminuir, será necessária para um futuro no qual o envelhecimento da população fará aumentar o número de pessoas cegas e com deficiência visual. O seu poder como sistema universal que pode ser utilizado por qualquer pessoa independentemente do seu background linguístico, fez com que o seu criador francês alcançasse o estatuto de herói internacional.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Fonte: National Geographic por indicação de Livresco

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Jovens com deficiência visual exploram tecnologias na Universidade de Aveiro

A Universidade de Aveiro acolhe na terça-feira o “International Camp on Communication and Computers” (ICC), em que jovens com deficiência visual vão explorar tecnologias e desenvolver competências.

Realizado pela primeira vez em Portugal, o Campo Internacional de Comunicação decorre até ao dia 14, no Campus da Universidade de Aveiro, com 80 participantes, oriundos de 12 países da Europa e do Japão.

Organizado pelo Lions Clube Santa Joana Princesa, o campo internacional conta com o apoio de 25 técnicos especialistas e coordenadores, e de dezenas de voluntários.

“O ICC consciencializa jovens com deficiência visual sobre a tecnologia e suas vantagens, as habilidades necessárias em informática, os esforços necessários para aprimorar as suas habilidades técnicas e o nível de flexibilidade e mobilidade, bem como as suas habilidades sociais”, explica a organização em nota sobre o encontro.

O campo de comunicação apoia também os participantes na tomada de decisões sobre o seu futuro educacional e profissional, procurando motivá-los “para uma preparação precoce e aprofundada antes de iniciar a carreira no ensino superior ou no mercado de trabalho”.

“O ICC foi criado para a educação inclusiva e para a aprendizagem ao longo da vida, e um conhecimento profundo na utilização da tecnologia moderna é o pré-requisito fundamental para a inclusão igualitária nos processos educacionais”, salienta a nota.

Destinado a jovens cegos e com deficiência visual, o ICC começou há 30 anos com centros de apoio na Universidade de Linz, na Áustria, e na Universidade de Karlsruhe (TH), na Alemanha.

Ensinar a lidar com situações da vida real com Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e desenvolver as habilidades necessárias são propósitos dos vários workshops ministrados por especialistas.

Os conteúdos “são parcialmente baseados em resultados avaliados com base nas necessidades de ex-participantes e, outra parte, na “vanguarda” da pesquisa e da prática”, explica a nota de imprensa.

Fonte: Observador por indicação de Livresco

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

César Casa Nova: um percurso pela inclusão

Em 2014, César Casa Nova ingressou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), trazendo consigo um sonho e uma determinação inabalável. Surdo e com baixa visão, superou os desafios que encontrou pelo caminho e transformou-os em oportunidades para crescer e inspirar todos ao seu redor.

Tudo começou com a paixão pela Matemática. Encontrou desde logo dificuldades de comunicação que foram barreiras à aprendizagem. “Passei a fazer pedidos de ajudas técnicas para melhorar: de tradução adaptada das intérpretes através da tradução em língua gestual tátil; dos materiais de apoio, tal como um monitor maior para ver bem os programas computacionais nas aulas práticas de Geometria e de outras UCs; de quadros brancos e ampliação de letras/imagens e de mudança de tipos de letras/gráficos nos slides dados pelos professores”, lembra.

No ano letivo em que concluiu o curso, 2020/2021, surgiram novos desafios devido à pandemia Covid-19 e à implementação do Ensino a Distância. Com a ajuda de colegas, técnicos e professores, conseguiu um segundo ecrã para poder acompanhar a intérprete durante as aulas, o que tornou a comunicação mais fácil.


De forma proativa, durante a licenciatura, César ensinou ainda os estudantes e funcionários à sua volta a comunicarem através da Língua Gestual Portuguesa (LGP). O seu trabalho valeu-lhe a o Prémio Cidadania da U.Porto na vertente Humanitária e/ou Solidária, atribuído em 2020.

O jovem natural da Póvoa de Varzim criou também códigos gestuais para serem usados pelas intérpretes de LGP em Matemática e mais tarde os poderem usar para traduzir para outros surdos e surdocegos.

A paixão por aprender levou César Casa Nova a querer saber mais para poder ensinar Matemática aos surdos e surdocegos mais jovens. Por essa razão, entrou no Mestrado em Ensino e Divulgação das Ciências, concluído recentemente com a defesa de dissertação: “Ensino de Matemática e Inclusão: adaptações curriculares para alunos com necessidades educativas especiais”.


(Foto: DR)

Durante o seu percurso académico, participou em atividades dentro e fora de Portugal sobre a surdocegueira, tendo, por exemplo, participado, no âmbito do Programa Erasmus +, num workshop realizado na Bélgica.

César Casa Nova tem tido um papel ativo em investigações sobre a surdez e a comunidade surda e lutado por uma causa que lhe diz muito: “o reconhecimento da existência de Surdocegos em Portugal e a possível/futura entrada deles nas escolas Secundárias e Universidades”, bem como “a necessidade de criar condições para a sua Vida Ativa”.

Para o futuro, sonha com acessibilidade laboral e mais inclusão e promete não baixar os braços. (...)

Fonte: Notícias UP por indicação de Livresco

domingo, 5 de janeiro de 2025

Dia Internacional do Braille, um marco na Inclusão das pessoas com deficiência visual

A 4 de janeiro celebra-se o Dia Internacional do Braille, uma data que homenageia este sistema essencial de escrita e leitura para pessoas com deficiência visual. O PESSOAS 2030 junta-se à celebração e reafirma o seu compromisso com a inclusão através dos apoios a medidas que promovem a autonomia e integração das pessoas com deficiência e/ou incapacidade (PCDI).

O impacto da perda da visão vai mais além do que a deficiência visual. Para os 39 milhões de pessoas cegas em todo o mundo e os 253 milhões que têm deficiência visual, a perda de visão geralmente representa uma vida inteira de desigualdades. As pessoas com deficiência visual enfrentam barreiras à educação e no acesso ao emprego.

O Braille, um sistema de escrita tátil inventado em 1824 por Louis Braille, um francês que perdeu a visão em tenra idade, revolucionou a maneira como as pessoas cegas ou com subvisão interagem com o mundo. Composto por células de seis pontos em relevo, o Braille permite a leitura através do toque, abrindo portas para a educação, liberdade de expressão e opinião, acesso à informação e comunicação escrita, bem como para a inclusão social e independência de pessoas cegas ou de baixa visão, conforme refletido nos artigos 21º e 24º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Em novembro de 2018, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu proclamar o dia 4 de janeiro como Dia Mundial do Braille, reconhecendo assim que a promoção dos direitos humanos e liberdades fundamentais, no contexto do acesso à linguagem escrita, é um pré-requisito essencial para a plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas e deficientes visuais.

Através do investimento do Fundo Social Europeu Mais (FSE+) o PESSOAS 2030 promove a inclusão social dos grupos mais vulneráveis, onde se incluem as pessoas com deficiência, e reconhece a importância do Braille na educação e na integração social dos deficientes visuais. O PESSOAS 2030 apoia várias medidas que facilitam o acesso à educação e ao emprego para pessoas com deficiência e/ou incapacidade, incluindo as que são portadoras de deficiência visual. Entre as medidas apoiadas, destacam-se programas de qualificação profissional adaptados e apoios ao emprego deste grupo vulnerável. Apoia também o Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), que promove a não institucionalização e a autonomia de pessoas com deficiência e/ou incapacidade. O programa também investe na capacitação de grupos chave para a inclusão de PCDI e das suas famílias, bem como na qualificação no contexto do Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI), entre outras iniciativas.

A celebração do Dia Nacional do Braille é uma afirmação dos valores de igualdade, acessibilidade e inclusão que o PESSOAS 2030 promove diariamente. Com as políticas que apoia, o programa pretende contribuir ativamente para uma sociedade mais inclusiva e igualitária, onde TODAS AS PESSOAS tenham oportunidades iguais para evoluir.

Fonte: Pessoas2030 por indicação de Livresco

terça-feira, 15 de outubro de 2024

São cada vez mais os cegos “presos” em casa por falta de apoios

Estima-se que existam cerca de 620 mil deficientes visuais em Portugal. A grande maioria viverá em isolamento. Enfrentam ainda muitas outras dificuldades, como a falta de escolas de referência.

Há “milhares pessoas com deficiência visual que vivem fechadas em casa por falta de apoios”, e “esse número não pára de aumentar”, revela Vítor Graça, presidente da Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC). Nesta terça-feira assinala-se o Dia da Bengala Branca, que visa sensibilizar os cidadãos e as instituições para os problemas dos cegos.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), existem em Portugal 620 mil pessoas com deficiência visual. Destas, 590 mil sofrem de baixa visão e 30 mil de cegueira total. (...)

Continuação da notícia em Público.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Miguel Neiva, criador do colorADD: “Uma criança daltónica é, em muitos casos, vítima de bullying. Até por parte do professor”

O colorADD, um sistema de identificação de cores para daltónicos nasceu em Portugal pela mão do designer gráfico português, Miguel Neiva. “Surgiu por ignorância”, confessa, dizendo que todos os anos quando ia ao oftalmologista perguntava se estava a ficar daltónico. “Nunca me disseram que, se não nasci daltónico, nunca o seria.”

Além disso, sempre acreditou que o design tinha a competência e a nobre missão de poder fazer o mundo melhor. “Se alguma vez imaginei o impacto que isto teria — a criação de cinco símbolos e como os que relacionei, não de todo!”, admite, dizendo que a sociedade teve um importante papel também ao ajudar a passar a palavra.

A sua missão é tentar levar o código a oito mil milhões de pessoas porque não sendo uma doença visível, não se sabe onde estão. Para Miguel Neiva somos condescendentes com aquilo que vemos, com o que não vemos, o juízo de valor é muito depreciativo.

Já estão em 2000 escolas e trabalharam diretamente com mais de 50 mil crianças. E, apesar do direito ao código passar por um licenciamento, este é gratuito para a educação. “A educação é um pilar de desenvolvimento. São as crianças que vão fazer o mundo melhor amanhã, por isso a cor tem de chegar a todos.”

Em 2014, Miguel Neiva criou a ColorADD Social, uma associação que tem auxiliado a comunidade educativa, com programas nas escolas que ajudam a entender esta limitação e quais os constrangimentos de um daltónico no dia-a-dia. Inclusivamente possibilitam aos alunos experienciar a visão daltónica através de uns óculos.

Colocar-se no lugar do outro é fundamental para se perceber o seu problema, além de se aprender a viver com a diferença. “Uma criança daltónica é, em muitos casos, vítima de bullying. Até por parte do professor. Não por este querer, mas por não entender porque é que ele pega no lápis vermelho para pintar uma árvore, ou porque não entende um mapa”, exemplifica. Miguel Neiva diz que estes “doentes” não se queixam, principalmente os do sexo masculino — onde a doença é mais incidente, por isso quem com eles convive muitas vezes nem se apercebe que são portadores de daltonismo.

Este é um projeto de inovação social. “A área social tem de fazer parte da economia e acredito que é possível fazer o bem e ganhar dinheiro. Se a sociedade tomar consciência disso não tenho dúvida de que teremos os melhores do mundo a trabalhar do lado do bem.” No entanto, o empreendedor social adverte que não se pode querer que estes negócios se desenvolvam à velocidade de uma start up tecnológica. "Estamos a falar de um setor que tem de desmontar alguns paradigmas culturais, como a sustentabilidade e a independência dos projetos.”

Para Miguel Neiva é fundamental a profissionalização no setor social. “As coisas não podem ser feitas apenas com a emoção e paixão do indivíduo. Temos de encarar tudo isto com profissionalismo”.

O criador do colorADD chegou, em 2015, a recusar investimento de capitais de risco “por não saber o que fazer com aquele dinheiro”. Em 2021, no momento certo, quando se sentiram "preparados” tiveram apoio de fundos para iniciar o processo de internacionalização. Um percurso feito de sucesso, mas quando lhe perguntamos o que ainda falta fazer, Miguel Neiva, responde rápido: “Falta fazer tudo o que falta fazer. É um desafio interessante!”

Oiça aqui o podcast Ser ou Não Ser

Fonte: SIC Notícias por indicação de Livresco

quinta-feira, 14 de março de 2024

"Técnicas Guia no acompanhamento de pessoas com deficiência visual"

Vamos [Bengala Mágica] dinamizar, em parceria com o INR, o curso de formação "Técnicas Guia no acompanhamento de pessoas com deficiência visual" no nosso espaço localizado no Pinhal Novo (relembramos que Pinhal Novo tem acesso direto de Lisboa através de comboio -Fertagus- ou autocarro.

As inscrições decorrem até ao dia 5 de abril e serão aceites pela ordem de entrada (limite de 18 formandos.

Preencher a ficha de inscrição:


Fonte: INR

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Publicação do Ebook “Conceituário Visual de Filosofia”

O Conceituário Visual de Filosofia, desenvolvido ao longo de 2023, ganha nova expressão em formato ebook, onde se reúnem os trinta e sete conceitos disponíveis na plataforma do #EstudoEmCasaApoia sob a forma de recursos educativos digitais, desenvolvidos em DAC (Domínios de Autonomia Curricular) com a disciplina de Filosofia e a disciplina de Desenho A. Este ebook permite aos alunos se apropriarem de conceitos filosóficos e, em simultâneo, explorarem dois elementos plásticos essenciais, a cor e a forma, e assim desenvolverem a literacia visual.

Para tornar este conteúdo mais inclusivo, a apresentação dos conceitos integra o ColorADD - o alfabeto das cores para daltónicos - e, em simultâneo, a sua descrição em Língua Gestual Portuguesa.


Fonte: DGE

sábado, 4 de novembro de 2023

Professores da UMinho lançam livro em braille

Madalena Lira e Jorge Jorge, docentes do Departamento de Física da Escola de Ciências da Universidade do Minho, acabam de lançar o livro “Visão sem segredos” em braille, para promover a inclusão e sensibilizar neste âmbito (...).

Em comunicado, a academia minhota explica que a obra transcreve a edição inicial dos autores publicada pela Contraponto e tem agora a chancela do Centro Professor Albuquerque e Castro (CPAC) – Imprensa Braille da Santa Casa da Misericórdia do Porto.

“Pretendemos ser agentes de promoção da inclusão e de consciencialização da comunidade sobre a importância do braille como meio de comunicação para a plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas e com deficiências visuais”, afirmam os autores e a direção do CPAC, citados no comunicado.

O livro tem seis volumes, tendo contado com a transcrição de Laurinda Mota e a revisão de Álvaro Mateus, sob a coordenação de Nuno Malho.


“Visão sem segredos” visa facilitar a compreensão do sistema visual, clarificar dúvidas do quotidiano e explicar como se pode manter uma visão saudável. Através do recurso a imagens e esquemas simples, procura responder a temas e dúvidas relacionados com a visão, como a miopia, o astigmatismo, o uso correto de lentes de contacto ou o que devemos fazer para proteger os nossos olhos das agressões externas.

O CPAC atua no apoio à deficiência e tem na sua génese a produção de materiais em braille, para tornar acessível a invisuais a informação, a cultura e a literacia.

Madalena Lira e Jorge Jorge são licenciados em Física Aplicada – Ramo Ótica com especialização em Optometria e doutorados em Ciências pela UMinho, onde são professores associados e investigadores do Centro de Física.

Fonte: O MInho por indicação de Livresco

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Madeira adquire dispositivo de leitura para pessoas cegas pioneiro em Portugal

Chama-se Tactonom Reader e é o primeiro equipamento do género vendido em Portugal. Configura um investimento na ordem dos 4.200 – por parte da Secretaria Regional de Educação, através da Direcção Regional de Educação – num aparelho de leitura de imagens tácteis, cuja grande novidade é o sistema de software associado: uma base de dados de imagens tácteis internacional e de acesso gratuito, que permite aos alunos cegos ou com baixa visão ler braille com recurso a áudio.

“Ele tem uma componente de hardware – que é o aparelho onde nós lemos as imagens tácteis – e tem uma base de dados associada, internacional, com milhares de imagens tácteis, cujo conteúdo é carregado para o aparelho, para o aluno poder explorar uma imagem táctil com áudio. Portanto, vai enriquecer a experiência de leitura, ao dar informação descritiva dos elementos que [o aluno cego ou com baixa visão] que está a tactear na imagem”, Aquilino Rodrigues, director técnico da Sertec - Tecnologia Acessível. A empresa nasceu nos anos 1990, fruto do interesse despertado pelo surgimento de sintetizadores de voz para os computadores pessoais e oferece actualmente diversos produtos de apoio às necessidades das pessoas cegas ou com baixa-visão, bem como a outras dificuldades, tais como a dislexia, disfunções neuro-motoras, e mobilidade reduzida.




Aquilino Rodrigues realça que esta possibilidade permite ao aluno “aprender por si próprio e explorar”. “Antes, isso só era possível com a ajuda de alguém (seja do professor ou dos pais) ao lado a descrever imagem”, enfatiza.

A base de dados o Tactonom Reader funciona como uma espécie de Wikipédia, com informação ‘ilimitada’, uma vez que é pública e qualquer pessoa pode actualizá-la.

Por outro lado, este dispositivo – que foi produzido por uma empresa alemã, com sede em Lisboa, que desenvolve software em Portugal – permite criar actividades interactivas. “O aluno não é apenas um utilizador passivo do sistema, no qual está a ouvir conteúdos que alguém produziu. Ele pode interagir com o aparelho, através de actividades que foram definidas pelo professor”, observa o responsável da Sertec, que veio também dar formação aos profissionais da Divisão de Acompanhamento à Surdez e à Cegueira (DASC), onde ficará instalado este primeiro aparelho.

Isto, porque conforme avançou o secretário regional de Educação, Ciência e Tecnologia, na entrega do equipamento à DASC – que decorreu nas instalações daquela divisão da Direcção Regional de Educação – futuramente as escolas Bartolomeu Perestrelo e Francisco Franco serão igualmente dotadas deste sistema.

“Nós temos duas escolas de referência para alunos cegos – a ‘Bartolomeu Perestrelo’, como escola básica, e a ‘Francisco Franco’, como escola secundária – e, obviamente, que no processo evolutivo destes alunos, sem dúvida alguma, fará todo sentido equiparmos também as escolas com esta tecnologia, para que a resposta seja uma resposta já na escola e não apenas no processo de apoio a estes alunos”, avançou Jorge Carvalho.

Em declarações aos jornalistas, o governante manifestou também a convicção de que a aquisição deste equipamento representa “um passo muito significativo” em termos de “inclusão” e “equidade”. “Estes alunos – os cegos e com baixa acuidade visual – passam a estar também muito mais próximos daqueles que são os alunos que, não tendo essa deficiência, têm já acesso a este tipo de equipamento”, sustenta.

“Não temos muitas reservas de que este equipamento vem criar condições para melhorarmos todo o processo de ensino e aprendizagem e, acima de tudo, libertar também os nossos profissionais para uma condição que vem facilitar todo este processo, naquilo que é um princípio que nós pugnamos, que é uma escola inclusiva, que procura responder a todos os alunos”, reforça Jorge Carvalho, frisando que, neste sentido, “tecnologia é Educação”.

Questionado sobre o facto de o primeiro Tactonom Reader do país ser vendido para a Madeira, por iniciativa Direcção Regional de Educação, o recém-empossado secretário regional sublinha que “a Região em termos educativos tem estado sempre na vanguarda da inovação. E, sabendo que existe esta resposta para este tipo de aluno, não podia deixar de concretizar essa mesma realidade e proporcionar os nossos alunos e aos nossos professores aquilo que de melhor neste momento vai acontecendo no mundo da Educação, em termos da Educação Especial”. “Sabemos que a Região foi percursora em muitos aspectos e continua a sê-lo”, rematou.

Na Madeira estão referenciados 41 alunos cegos ou com baixa visão.

Fonte: DNotícias por indicação de Livresco

sábado, 22 de abril de 2023

Lagos convida pessoas com deficiência visual para um roteiro sensorial

Integradas nas iniciativas do Balcão da Inclusão da Câmara Municipal de Lagos, as visitas guiadas decorrerão nos meses de junho e outubro, convidando pessoas com deficiência visual total ou com visão baixa, para descobrir a cidade de Lagos através dos sentidos.

Intitulada “Conhecer Lagos através dos Sons e dos Sabores – Roteiro para a sua Descoberta”, este novo projeto surge no âmbito de iniciativas inclusivas que o município de Lagos tem vindo a realizar.

Aproveitando as valências de que Lagos dispõe nos domínios do património histórico, natural, artístico e gastronómico, a ideia é permitir que cidadãos com deficiência visual de qualquer parte do país possam visitar e desfrutar da cidade de forma digna através de experiências estimulantes para a audição, olfato, paladar e tacto.

Marina e Porto de Lagos, Mercado da Avenida, Praça Luís de Camões, Praça Gil Eanes, Rua Portas de Portugal, Castelo dos Governadores e Praia da Batata são alguns dos locais previstos para estes passeios de lazer, onde os participantes podem apreciar os sons e aromas do mar e da atividade piscatória, tocar nas muralhas e monumentos ou até degustar a tentadora doçaria regional ao mesmo tempo que conhecem mais sobre a História de Lagos.

Gratuitas, com condições de segurança garantidas e conduzidas em português pelo historiador e técnico da Câmara Municipal de Lagos, Artur de Jesus, as visitas serão também acompanhadas por Dina Neto, funcionária da autarquia e também ela uma pessoa com deficiência visual, que tem desenvolvido ações de sensibilização sobre o tema junto dos alunos de 1.º ciclo do concelho de Lagos.

As inscrições já estão abertas e poderão ser feitas através do email balcao.inclusao@cm-lagos.pt. Consoante o número de inscrições, serão formados grupos para datas a agendar nos meses de junho e outubro.

Fonte: Diário Online Região Sul por indicação de Livresco

sexta-feira, 17 de março de 2023

Câmara Municipal de Lagos ensina os mais novos a conhecer o alfabeto Braille

A Câmara Municipal de Lagos, através do Balcão da Inclusão, tem vindo a promover ao longo do mês de março, junto da Escola do Bairro Operário, ações de sensibilização para os alunos de todas as turmas do 1º ciclo, no âmbito de uma escola mais inclusiva, com o intuito de dar a conhecer realidade das pessoas cegas.

A última ação teve lugar hoje, dia 16 de março, e contou com a presença de uma turma de 24 alunos do 1º ano. No total, esta iniciativa, que teve grande sucesso junto da comunidade escolar, chegou a um total de 196 alunos de nove turmas, desta escola do Agrupamento de Escolas Júlio Dantas, do concelho de Lagos.

Palavras ditas, palavras escritas, palavras sentidas. É com as palavras que comunicamos, mas, quando somos cegos e não podemos ler nem escrever com recurso ao sentido da visão, sentimos as palavras com a ponta dos dedos, utilizando o tato. Para tal, usamos o braille, como forma de comunicação escrita.

Para demostrar este modo de sentir as palavras, Dina Neto, uma trabalhadora da Câmara Municipal, que vive esta realidade, tem dado a conhecer como vivem e trabalham as pessoas cegas. De forma lúdica, os alunos conhecem o sistema de escrita tátil braille e a técnica de utilização da bengala branca, assim como outras técnicas e tecnologias de apoio à realização de tarefas do dia-a-dia, mostrando que ter uma incapacidade não é sinónimo de ser desigual e a importância em ajudar os outros.

“Como cozinhas?”; “como distingues o dinheiro?”; “como consegues trabalhar?”, foram apenas algumas das muitas questões colocadas pelos mais pequenos e que não ficaram sem resposta.

“Através desta iniciativa pretendemos dar a conhecer o alfabeto Braille, e o seu inventor, Louis Braille, assim como sensibilizar os mais novos, para as diversas formas que cada um tem de estar e de fazer de acordo com as suas capacidades, mostrando que ter deficiência não é sinónimo de desigualdade” refere a trabalhadora.

“Contamos que, nos próximos meses, esta iniciativa chegue a todas as escolas de 1º ciclo do município”, refere a Vereadora Sara Coelho, com o pelouro da educação e ação social.

Sistema Braille

O Braille é um sistema que foi oficializado em 1852 para possibilitar que, pessoas com deficiência visual, parcial ou total, tivessem acesso à leitura. O sistema é formado por caracteres em relevo que permitem o entendimento por meio do tato.

O sistema recebeu essa nomenclatura em homenagem ao francês Louis Braille, responsável pela criação desse código para cegos. Ele é utilizado em quase todos os países do mundo, sendo uma ferramenta fundamental para a alfabetização das crianças com cegueira.

A 4 de janeiro comemora-se o Dia Mundial do Braille. Este dia é celebrado desde 2019, como forma de consciencializar para a importância da escrita em Braille e para a realização plena dos direitos humanos de pessoas com deficiência visual.

Fonte: CM Lagos por indicação de Livresco