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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Associação pede acompanhamento na saúde e educação para pessoas com Síndrome de Asperger


A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) defendeu hoje um acompanhamento frequente e integrado na saúde e na educação, alertando que sem o apoio necessário as pessoas com a perturbação ficam dependentes para toda a vida.

“O Estado devia pensar que se investisse como deve ser nestas pessoas, elas nunca seriam um "peso", com subsídios e com problemas mentais e com problemas de desemprego e com problemas de depressões, quer para a pessoa em si, quer para as famílias”, disse à Lusa a presidente da APSA, Piedade Líbano Monteiro, a propósito do dia internacional da Síndrome de Asperger, que se assinala na quarta-feira.

Em Portugal existem mais de 40.000 pessoas com a Síndrome de Asperger, segundo a associação.

Piedade Líbano Monteiro referiu que as pessoas com Síndrome de Asperger têm grandes dificuldades em interagir com outras pessoas e acabam por se isolar, destacando que sem o acompanhamento necessário ficam dependentes porque não sabem gerir dinheiro, não sabem de que médicos precisam, criam vícios, entre outros problemas.

A presidente da APSA, que tem 398 associados, lembrou que os portadores da síndrome não reagem bem às mudanças, sendo que sem os apoios que precisam, muitos acabam por não querer sair de casa, não conseguem arranjar um emprego sozinhos ou se o fazem nunca é de forma duradoura e defendeu a necessidade de diagnósticos precoces, apoios para terapias mais frequentes e consistentes, referindo que terapias quinzenais ou mensais são insuficientes.

Piedade Líbano Monteiro disse que é necessário que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tenha uma parte virada para as necessidades educativas especiais, com equipas capazes de trabalhar em todas as áreas, quando os pais levam os filhos ao centro de saúde, por exemplo.

Em relação à educação, a presidente da APSA alertou que a maioria dos professores não tem formação para ensinar alunos com autismo, sendo que a Síndrome de Asperger é uma perturbação do espetro do autismo.

“No curso de educação, devia haver não uns mesinhos a trabalhar o autismo, nem um ano a trabalhar e a estudar o autismo, é muito mais do que isso” disse Piedade Líbano Monteiro, indicando que não se refere apenas ao autismo, mas também a outros programas de necessidades especiais ou para pessoas com deficiência.

A responsável referiu também que os subsídios não cobrem “nem de longe nem de perto as necessidades que as famílias têm com um filho com esta problemática”, indicando que muitos também precisam de comprar medicamentos por terem doenças como perturbação bipolar, entre outras.

A presidente da APSA afirmou que os apoios e as respostas da Segurança Social estão “muito aquém” e sublinhou que os apoios devem estar disponíveis em todo o país, inclusive nos arquipélagos, "porque uma pessoa com deficiência não pode viver só em Lisboa para ter apoios”.

Segundo Piedade Líbano Monteiro, a incompreensão das especificidades por parte da Segurança Social também se verifica nos requisitos exigidos para a APSA ser uma IPSS, como uma sala precisar de ser maior para a quantidade de associados que a associação tem.

“Eu já expliquei por todos os meios à Segurança Social que eu nunca tenho os jovens todos nesta casa (associação)”, disse, indicando que os beneficiários têm acompanhamentos diferentes na APSA.

A APSA é uma associação sem fins lucrativos dedicada ao apoio e integração social das pessoas com Síndrome de Asperger criada em 2003 por pais com filhos portadores da Síndrome de Asperger.

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Rapariga de 9 anos com autismo tem um QI superior ao de Albert Einstein e Stephen Hawking

Uma jovem natural da Cidade do México está a desfazer de forma espetacular as ideias erradas generalizadas sobre indivíduos com perturbações do desenvolvimento, provando as suas incríveis capacidades intelectuais... tudo isto com apenas 9 anos de idade. Adhara Pérez Sánchez já se tornou conhecida nos círculos académicos com um impressionante QI de 162. De acordo com a PEOPLE, esta pontuação é ligeiramente superior à de Albert Einstein e Stephen Hawking, ambos com um QI estimado em 160. A jovem Pérez já se formou no ensino médio e está atualmente no processo de obtenção de dois diplomas - um em engenharia de sistemas e outro em matemática.

Em declarações ao Yucatan Times, Pérez - a quem foi diagnosticada a síndrome de Asperger, uma perturbação do desenvolvimento que se inclui no espetro do autismo e que pode causar dificuldades nas interações sociais - revelou que era “ridicularizada na escola”. Os outros alunos intimidavam a rapariga, chamando-lhe nomes como “esquisita” e “estranha” devido à sua condição. “Vi que a Adhara estava a brincar numa casinha e fecharam-na. E começaram a gritar: 'Esquisita, esquisita!'”, disse a mãe, Nallely Sanchez, ao jornal. E depois começaram a bater na casinha. Então eu disse, não quero que ela sofra”.

Sanchez revelou que a filha entrou numa depressão “muito profunda” e que, apesar de ser uma jovem aluna brilhante, já não queria ir à escola. Os professores informaram os pais de que Pérez dormia nas aulas e demonstrava uma aparente falta de interesse. Consciente da inteligência invulgar da criança em casa, Sanchez apercebeu-se de que o plano educativo atual não era o mais adequado para a sua filha e procurou terapia para Pérez. Este foi um ponto de viragem importante para a família, pois conseguiram identificar o QI extremamente elevado da menina e procurar um ambiente de aprendizagem que se adaptasse às suas capacidades únicas.

Isso ajudou Pérez a florescer nos estudos e ela terminou o ensino fundamental aos 5 anos, o ensino médio aos 6 e o ensino médio aos 8. De acordo com o KNSD, ela está atualmente na Universidad CNCI - uma universidade no México - onde estuda engenharia de sistemas e matemática. Mesmo enquanto fazia malabarismos com os estudos, a criança génio arranjou tempo para escrever um livro sobre as suas experiências com um título que se traduz aproximadamente como “Não Desista” em inglês e foi até incluída na lista das 100 Mulheres Mais Poderosas do México da Forbes México.

Também fez uma apresentação sobre buracos negros num evento organizado pelo Instituto de Arte e Cultura (IMAC) em Tijuana, onde outras crianças ficaram surpreendidas ao ouvi-la falar. “Estou surpreendida porque como é que uma menina pode saber tanto mais do que um adulto? Ela já tem duas carreiras universitárias”, disse Karen Alonso, uma jovem que assistiu à apresentação. Pérez, que quer explorar a astrofísica, espera trabalhar como astronauta na NASA e viajar para Marte no futuro. Ela já foi convidada para estudar astronomia na Universidade do Arizona depois deque a sua história chamou a atenção do presidente da UA, Robert Robbins.

“Fiquei entusiasmado ao ler a sua incrível história na Internet e ao descobrir que a escola dos seus sonhos é a Universidade do Arizona”, escreveu Robbins numa carta a Pérez, relata o Arizona Republic. “Temos muitos programas de ciências espaciais excelentes, terias muitas oportunidades de trabalhar lado a lado com os maiores especialistas do mundo... Tens um futuro brilhante à tua frente e espero receber-te no campus um dia como um Wildcat”. Pérez está agora a aprender inglês para se preparar para esta oportunidade.

Entretanto, a jovem está a trabalhar no desenvolvimento de uma nova pulseira inteligente para ajudar crianças autistas. De acordo com a Vogue México, o dispositivo será capaz de monitorizar as emoções de crianças com capacidades diferentes, antecipando e prevenindo convulsões e outras explosões. “Estou a fazer uma pulseira que mede as emoções das crianças e depois os pais poderão ver que emoções os seus filhos têm, consultando um telemóvel, tablet ou computador”, explicou o jovem génio.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Fonte: scoop upworthy por indicação de Livresco

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

"O que poderá explicar a reação deste jovem é o sofrimento, não a Síndrome de Asperger"

João, o jovem de 18 anos que é estudante de engenharia informática, que vive em Lisboa desde o início do ano letivo, que nasceu numa pequena aldeia da Batalha, e que a Policia Judiciária deteve na quinta-feira desta semana, por suspeita de ter um plano de ataque contra o Bloco B da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que frequentava, arrisca-se a não mais deixar de estar a associado a um "crime de terrorismo" ou até só a uma condição neuropsicológica, Síndrome de Asperger. Esta última associação, porque, segundo se sabe, a mãe terá referido em tribunal que ter sido uma patologia que lhe foi diagnosticada na infância.

Mas três dias passados desde a detenção do jovem, depois de se conhecerem alguns detalhes da investigação - como a Polícia Judiciária ter sido alertada pelo FBI para o facto de um jovem português integrar grupos da Darkweb, que se dedicam ao consumo de imagens de violência extrema, como massacres em escolas - há questões que começam a surgir sobre a dimensão que o caso tomou e o que poderá explicar a atitude do jovem.

Do lado da justiça, a ex-procuradora-geral da República, Cândida de Almeida, já disse "não ser normal nem aconselhável que se divulguem tentativas de ataques evitadas", e que tal divulgação até contraria o protocolo ou os procedimentos normais neste tipo de casos, podendo fomentar o medo na sociedade e levar a um efeito de mimetização.

Do lado da saúde, a psiquiatra Ana Vasconcelos, que tratou e acompanhou o primeiro jovem que em Portugal avançou com um atentado contra uma escola, que ficou conhecido como o caso de Massamá, nos arredores de Lisboa, diz mesmo que não são os rótulos associados à Síndrome de Asperger ou a divulgação do caso que vão ajudar a explicar os causas do sofrimento que este jovem pode ter tido ao longo da vida e as suas atitudes.

Para Ana Vasconcelos, este caso exige que se procure com rigor "as causas do sofrimento do jovem", pedindo: "Não lhe atribuam rótulos". Até porque, explica, a "Síndrome de Asperger já não é uma entidade patológica, saiu há muito desta classificação". Por isso, "não pode ser usada como diagnóstico ou para explicar um caso tão complexo como este".

Neste momento, referiu (...) a pedopsiquiatra, "com tanta verdade e evidência científica que existe para compreendermos casos como este, não podemos começar a julgar de uma forma subjetiva".

Na opinião da médica, "o importante agora é estudar as causas do sofrimento, porque serão estas que nos irão dar pistas compreensivas sobre a reação do jovem e não a Síndrome de Asperger", reforçando mesmo: "Gostava de saber o que é que as pessoas entendem ou sabem sobre Síndrome de Asperger? Porque se fala nela, quando a evidência científica já deixou de falar".

A psiquiatra explica porquê: "O que acontece muitas vezes nestas situações é que estamos perante patologias que, curiosamente, têm a mesma expressão psicológica ou psicopatológica, mas com fundamentos de sofrimento diferentes. Uns casos entram na patologia da bipolaridade e outros no espetro do autismo. O que temos de analisar é se este jovem terá sintomas de bipolaridade juvenil ou de espetro de autismo".

É por isto que defende que o caso que o país ficou a conhecer através da comunicação social esta semana, e devido à dimensão que adquiriu, "terá de ser bem clarificado em vários aspetos, nomeadamente na forma como foi tratado do ponto de vista policial e judicial, como na forma como foi dada a informação".

"São patologias de grande sofrimento psicológico"

(...) Ana Vasconcelos usa até como exemplo o caso do jovem que, em 2013, ficou associado ao ataque à escola de Massamá, e que tratou. "O caso que segui tem contornos idênticos ao que já se sabe deste caso. Na altura foi logo relatado que o jovem tinha Síndrome de Asperger quando tinha era sintomatologia de bipolaridade. Acabou por ser tratado e ficou bem".

Mas o que são patologias de bipolaridade? "São patologias de um grande sofrimento psicológico em que as pessoas têm muita dificuldade na intersubjetividade, sentindo-se excluídos e ostracizados pelos outros", explica. "A certa altura, o cérebro destas pessoas encontra uma solução mágica para resolver um sofrimento e podem passar de uma situação de grande estado depressivo para um estado maníaco". E, geralmente, estas situações estão mais dentro da bipolaridade, que algumas pessoas classificam como patologias da personalidade limite, porque vivem uma realidade dissociada da realidade".

Até agora, sabe-se que João foi detido no seu quarto, no apartamento que partilha com outros jovens, e onde tinha armas brancas e botijas de gás, que não escondeu a surpresa quando deparou com a polícia e que após ter sido ouvido em tribunal, no Campus da Justiça, por um juiz, foi indiciado pelo crime de terrorismo, ficando com a medida de coação mais grave, prisão preventiva. Sabe-se ainda que João, e como o DN noticiou, usava na Darkweb o nickname de "Psychotic Nerd", que tinha fascínio por tiroteios em massa contra alvos indiscriminados e tiroteios em escolas, e que o plano que teria elaborado era para ser executado em cinco minutos.

Para Ana Vasconcelos, isto pode dizer muito pouco das suas motivações e do seu sofrimento, "o caso tem de ser estudado de forma extremamente prudente, porque a sua atitude tanto pode ser uma situação reativa ao sofrimento, entrando numa atividade de bipolaridade, em que as pessoas têm uma fuga para pensamentos maníacos de controlo do mundo, do poder, o que é muito especifico também da adolescência, ou numa estrutura do espetro autista, com atividade delirante".

"Há o medo coletivo de que a qualquer momento algo vai rebentar"

Em relação à dimensão que o caso tomou a psiquiatra diz mesmo ser uma situação que pode ser explicada com a pandemia. "A pandemia trouxe o pânico das multidões. Podemos ver isso neste caso como nos conflitos nos jogos de futebol ou até nas campanhas eleitorais. Estamos num momento em que há muita tensão emocional, e muito contida pelos confinamentos. As pessoas estão sem objetivos e, portanto, agarram-se a catástrofes que, por vezes, racionalmente, não têm a dimensão que lhe estão a dar. É um escape para um sofrimento coletivo. É o medo coletivo de que a qualquer momento algo vai rebentar".

Sobre a divulgação de um caso que não chegou a acontecer pela própria autoridade policial, Ana Vasconcelos comenta (...) ter dado apoio a investigações, nomeadamente na Alemanha, de situações graves, em que, pela urgência de as detetar e resolver, as autoridades não tinham noção do impacto da informação que era divulgada.

Portanto, "o que me dá ideia é que, por vezes, se esquece o protocolo de como determinada informação deve ser passada para os media e para a população. A própria PJ poderia não ter a noção do impacto das notícias", conclui.

João, de 18 anos, foi ouvido em tribunal na manhã de sexta-feira. Na manhã de sábado, sabia-se que já tinha sido transferido do Estabelecimento Prisional de Lisboa para o Hospital Prisional João de Deus, em Caxias, para ser observado e tratado.

Fonte: DN por indicação de Livresco

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Síndrome de Asperger. O apoio «incansável» aos «incansáveis» da inclusão

Estima-se que mais de 40 mil pessoas sofram de Síndrome de Asperger em Portugal. E se até há uns anos estas pessoas, seus familiares e amigos, tinham de enfrentar o diagnóstico sem ninguém com quem desabafar ou que os ajudasse a entender, hoje a situação é muito diferente. «Culpa» da Associação Portuguesa de SA e de empresas como o Santander.

Depois de enfrentar o diagnóstico na solidão do desconhecimento, Piedade Líbano Monteiro quis evitar que tal continuasse a acontecer em Portugal. Foi desta ideia que nasceu a Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), instituição particular de solidariedade social que por vontade de um grupo de pais viu a luz em Novembro de 2003.

Quase duas décadas depois, a missão da APSA já não é «apenas» apoiar quem é confrontado com a Síndrome de Asperger (SA), mas também o da integração no mercado laboral da pessoa com SA. Tanto num como noutro, já um longo caminho foi percorrido graças à APSA e aos seus parceiros, com particular destaque para o Santander, nomeado como «Empresa Recetiva» pela APSA, tendo contratado recentemente duas pessoas com SA.

A presidente da APSA não tem dúvidas que o papel desempenhado pelo Santander neste campo tem sido «enorme!». Primeiro, pelo voluntarismo com que o banco encarou o desafio, depois pela importância de ter o maior banco em Portugal a enveredar por este caminho, abrindo a porta a que outros o sigam. «O Santander foi dos poucos parceiros que aceitaram connosco este desafio de forma absolutamente positiva e tão natural que o nosso “Programa Empregabilidade” com a entidade simplesmente fluiu e tem sido extraordinário», reflecte Piedade Líbano Monteiro.

«Empresa Recetiva», sociedade mais inclusiva

Sendo a integração laboral das pessoas com SA um dos objectivos da APSA, o Programa Empregabilidade é uma das vertentes em que a associação muito aposta, visando puxar as empresas para as suas responsabilidades sociais neste campo. Este projecto foi recentemente concretizado através de uma carta-compromisso entre as empresas receptivas da APSA, assinada na presença da Secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência, e integra-se com um outro projecto da APSA, o «Casa Grande», oferecendo um «Programa de Empregabilidade» que é o «culminar de todo um treino de competência social e autonomia funcional», que visa dotar as pessoas com SA de autonomia «no seio de uma sociedade que muitas vezes é marcada pelo preconceito».​

É que além das dificuldades oriundas da própria SA, os jovens com SA enfrentam algum preconceito no mercado laboral, algo que obriga a mais «formação, conhecimento e preparação de ambas as partes, para acolher e ser acolhido em contexto de trabalho». Esta é a vertente trabalhada pela «Empresa Recetiva», que aposta na «capacitação dos recursos humanos das empresas» de modo a desmistificar preconceitos e qualquer outra barreira que surja à integração. Só desta forma a pessoa com SA conseguirá evidenciar o seu potencial no contexto laboral.

E é aqui que ganha particular relevância ter o Santander a bordo, já que com um parceiro desta dimensão e importância torna-se mais provável que a sociedade fique cada vez mais bem informada. O Santander, explica Piedade Líbano Monteiro: «é o exemplo de uma parceria plena que tivemos a sorte de concretizar na nossa missão de desmistificar e desbravar caminho no que toca à SA. É um exemplo que levamos sempre connosco para onde quer que vamos».

Até ao momento, a APSA conta com cerca de 25 empresas no seu programa «Empresa Recetiva», registando uma tendência de subida, já que cada vez mais entidades têm procurado a associação no sentido de recrutar pessoas com SA.

Inclusão: Um desígnio com várias frentes

Com o crescimento sustentável e inclusivo inscrito na sua forma de estar, o apoio do Santander à APSA integra-se num programa do banco de maior envergadura em prol da inclusão social de pessoas com deficiência. Um programa que conta com parcerias com a Associação Salvador, focado na empregabilidade de pessoas com deficiência motora, ou a Associação Quinta Essência, que promove a integração de pessoas com mais de 16 anos com dificuldades intelectuais e de desenvolvimento, só para citar alguns exemplos.​

Mas além da intervenção directa, o Santander investe igualmente no estudo e pensamento estratégico associado à problemática da integração de pessoas com deficiência, sendo participante activo no Inclusive Community Forum, com quem partilha dados, experiências, sucessos e dificuldades que os seus trabalhadores com deficiência experimental. Foi, aliás, desta forma que o Santander construiu no seio deste fórum um processo de recrutamento inclusivo assumido pelas restantes empresas parceiras.

Um programa de maior envergadura, porém, nem sempre exige parcerias, tendo sempre «pequenas coisas» que fazem grande diferença. O facto da grande maioria dos ATM do Santander terem sistemas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual é uma delas, tal como o facto de o banco exigir aos seus fornecedores o cumprimento de critérios de sustentabilidade, que passam pela inclusão de pessoas com deficiência.

Síndrome de Asperger: O que é? Como se identifica?

A Síndrome de Asperger é uma perturbação neurocomportamental de base genética. Pode ser definida como uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta por alterações sobretudo na interacção social, na comunicação e no comportamento. Embora seja uma disfunção com origem num funcionamento cerebral particular, não existe marcador biológico, pelo que o diagnóstico se baseia num conjunto de critérios comportamentais.

Enquadrada no espectro do autismo, esta é uma condição que afecta o modo como uma pessoa comunica e se relaciona com os outros. Entre as características mais comuns em crianças, jovens ou adultos, destacam-se as dificuldades com relacionamentos sociais, na comunicação, interpretação, na empatia ou a insistência em comportamentos repetitivos, descoordenação motora ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Saiba mais aqui.
20 anos de APSA

Nas últimas duas décadas, a APSA tem apostado muito na «sensibilização, explicação, divulgação, mas principalmente na desdramatização da SA», tanto através de seminários, publicação de livros ou ao assegurar uma presença regular nos média, «falando sem preconceitos e de forma muito positiva sobre a SA».​

Entre os trabalhos desenvolvidos desde a sua criação, a APSA destaca a sua presença em escolas de todos os ciclos de ensino. Mas o projecto mais emblemático, e ligado à «Empresa Recetiva», já que na antecâmara do mesmo, é o «projecto Casa Grande, actual sede da Associação», destaca a presidente da APSA.

Esta foi a primeira resposta social a surgir para jovens adultos com SA e que visa preencher o «grande fosso entre o fim da escolaridade obrigatória e a passagem para a vida activa», apostando na capacitação dos jovens e da «comunidade envolvente para uma integração sustentável na vida activa e no mercado de trabalho», detalha Piedade Líbano Monteiro. O projecto «Casa Grande» apoia hoje, e de forma directa, «cerca de 58 jovens e respectivas famílias», mas o verdadeiro alcance do trabalho desenvolvido pela APSA é difícil de quantificar.

«A cada escola que vamos, cada intervenção pública que temos, cada encontro de pais, tempo de pais, e de cada vez que actuamos na sociedade, estamos de certa forma a apoiar mesmo indirectamente quem muitas vezes não tem coragem de nos pedir ajuda», explica a presidente da APSA. Como exemplo, a responsável destaca «as mais de 500 famílias» que a APSA já ajudou através de um serviço «totalmente gratuito» chamado Tempo de Pais, da responsabilidade da própria Piedade Líbano Monteiro. Um tempo que dedica a que mais ninguém se veja na situação de não ter respostas para as primeiras dúvidas e sobre o que esperar no dia-a-dia com SA. A presidente da APSA, que a seu tempo não encontrou respostas, assegura hoje o seu tempo para que estas cheguem a quem mais precisa.

Fonte: Público

sábado, 28 de março de 2020

As rotinas e as dificuldades de crianças e jovens autistas em quarentena

Um deles tem 6 anos, o outro 17 e o Vasco já é maior de idade. São todos diferentes. Mas têm duas coisas em comum: Uma Perturbação do Espectro do Autismo e estão em quarentena.

Este abraço entre avô e neto, outrora dado com muita frequência, é agora mais raro. Vasco Franco é autista. Uma pandemia – uma coisa estranha para o jovem - veio impedi-lo de ir à escola, à canoagem no rio Lima e à natação, mas tem a sorte de viver no campo com a família. Mesmo em quarentena, sem aulas com professores e colegas na mesma sala e sem hora do recreio, pode respirar o ar puro de uma aldeia do Alto Minho. Nos tempos livres, ajudar o avô na quinta é um dos passatempos preferidos.

Entre revisões de módulos e os trabalhos enviados pelos professores, ocupa o resto dia a andar de bicicleta, a passear na mata ao lado de casa, vai dormindo a sesta e fala com os amigos pela internet. “Estou triste por não ir à escola. Tenho saudades dos meus amigos”, desabafou (...). Até fez uma lista. Eram mais de 20: “São muitos e são bons para mim. Os professores eram bons para mim. As pessoas do norte são boas”.

É feliz na escola há 2 anos. Está no primeiro ano de um curso profissional. Longe dos estabelecimentos de ensino onde sofreu de bullying. Cristina Franco, a mãe de Vasco, contou (...) que na aldeia para onde se mudaram, perto de Viana do Castelo, o filho é tratado como todos os outros jovens. Vasco ganhou liberdade e até já faz amigos na escola, na natação e na canoagem.

“UM NOVO CUMPRIMENTO”

Na conversa de 30 minutos com Vasco, deu para perceber que é divertido, gosta de conversar e de estar com pessoas. Em quase todas as mensagens, falava de amigos e de familiares. Está em casa com a família desde que a escola fechou, há mais de uma semana. Dias antes, já era cauteloso. Passou a cumprimentar os amigos “com o cotovelo e com os pés”, contou. Sabe que está em casa porque “há coronavírus”. É lá que todos os dias procuram novas formas de aprendizagem.

A mãe do jovem confessou que o maior desafio do isolamento social tem sido a alteração de rotinas do Vasco. “Queria que eu ou alguém lhe disséssemos em que dia volta a ser tudo como antes. Pergunta-me várias vezes quando vai poder voltar à escola. Começou também a querer saber o que vai fazer amanhã e depois”, relatou. No entanto, Cristina prefere ver o copo meio cheio. Esta família vai encarar os dias com calma e tranquilidade.

“ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO”

Dias caóticos. É assim que Ana Teresa Fernandes descreve a quarentena com o marido e os dois filhos em casa. Os pais em teletrabalho. Os filhos, Pedro e Joana, em telescola. Num apartamento a tempo inteiro. Todos com prazos a cumprir. A psicóloga tem de dividir o tempo entre o trabalho, as refeições, as tarefas domésticas e o tempo para os filhos. Um deles é autista.

Pedro, de 17 anos, é atleta de natação adaptada. Teve uns “resultados engraçados”, contou a mãe, no último campeonato nacional. Está sem treinos há 3 semanas. Também não tem contacto com os colegas da escola. “A relação com os outros é uma das coisas a que dá importância”, realçou Ana Teresa (...).

Em casa, os pais estão a ajudar Pedro a terminar os trabalhos de alguns módulos do curso profissional. Está a começar a ler e a escrever. Para já, não estão preocupados com este período letivo. No entanto, a mãe do jovem confessou que não sabe como será daqui para a frente. É que Pedro precisa de acompanhamento contínuo da terapeuta.

Segundo Ana Teresa, o jovem de 17 anos tem-se adaptado com “relativa tranquilidade” ao isolamento social. Mas fica mais agitado quando está algum tempo desocupado ou quando os pais, os dois a trabalhar a partir de casa, não lhe dão atenção.

Ana Teresa teme não conseguir continuar a trabalhar, mesmo em teletrabalho, se o cenário se prolongar. “Em casa, o horário de trabalho prolonga-se muitas vezes pela noite dentro, para tentar cumprir prazos”, desabafou. Mas por agora, a principal preocupação é a escola: “Como é que se vai organizar com os alunos com necessidades específicas de educação. Que desafios vai ter para promover a inclusão e o sucesso educativo de todos?”.

“NOTO QUE ELE NÃO ESTÁ FOCADO”

Isabel Pereira fica em casa com os 3 filhos desde o dia 14 de março. O marido sai para trabalhar. Tem um filho de 6 anos que tem Síndrome de Asperger, uma Perturbação do Espectro do Autismo.

Com as atividades suspensas, as manhãs de Daniel são dedicadas às brincadeiras. À tarde, a mãe, sozinha em casa com os filhos e várias tarefas, tenta que o filho faça os trabalhos da escola. A criança recebe os trabalhos enviados pela professora titular da turma. No entanto, Isabel realçou que tem sido difícil: “Principalmente matemática, eu não sou professora, tento ajudar da melhor maneira que posso”. (...) avançou que o filho deixou de ter ajuda da Unidade de Ensino Especial. “Noto que ele não está focado, não está a absorver o que lhe ensino. Bloqueia muito e fica nervoso e ansioso”, explicou. As sessões de psicologia, o acompanhamento em várias especialidades no Hospital de São João, no Porto, e as terapias estão em suspenso. E esta altura de mudança de estação é especialmente complicada para Daniel.

Isabel sente-se professora, psicóloga, terapeuta e mãe. Ao mesmo tempo. Tem sido esse o maior desafio das últimas semanas. Numa altura em que uma pandemia para o país e o mundo, Isabel tenta ajudar o filho. O objetivo é continuar caminho.

Fonte: SIC Notícias por indicação de Livresco

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Dia do Síndrome de Asperger. "Se houvesse vontade política, podiam ser cidadãos fantásticos"

Em Portugal, há cerca de 40 mil pessoas com Síndrome de Asperger. Piedade Monteiro, presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, diz que o apoio estatal melhorou, mas ainda há muito a fazer.

"Na escola, não há os apoios que devia haver, por falta de recursos humanos. Há falta de formação dos professores nesta área, o que impede um fluir de formação e de acompanhamento destas crianças e jovens", lembra Piedade Monteiro.

"Por outro lado, a nível financeiro, há uma grande precariedade, porque os apoios que as famílias têm que dar são caros. Uma criança ou jovem com esta perturbação não pode ter um acompanhamento de treino de competência funcional e social ou de terapia da fala ou de psicologia uma vez por semana ou de quinze em quinze dias... Tem que ser um acompanhamento constante, e isso não acontece no serviço público de saúde", alerta.

A Presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger não tem dúvidas de que o Estado só teria a ganhar se cumprisse a lei e prestasse o devido acompanhamento a quem sofre desta doença.

"Se houvesse vontade política de pôr em ação os meios que existem e o que a lei diz, não só a nível de segurança social, como a nível de saúde e educação. A minha grande pena é que o Serviço Nacional de Saúde não cubra devidamente estes assuntos, que na verdade só trariam benefícios para a sociedade", sublinha. "Os nossos filhos, sendo bem acompanhados e formados, conseguem ser cidadãos fantásticos, que não têm que viver do subsídio do Estado um dia mais tarde."

Greta Thunberg sofre desta perturbação neuro-comportamental e a ativista diz tratar-se de um superpoder. Para Piedade Monteiro, a jovem sueca não mudou em nada a forma como a maioria das pessoas olha para quem sofre do Síndrome de Asperger, porque a sua forma de falar não foi devidamente protegida.

"O comportamento dela não foi entendido como o de uma pessoa com esta disfunção e com estas características. Foi muito relevada a forma agressiva como falou e até despropositada na forma como se dirigiu às várias entidades onde falou e onde esteve. Não foi muito acompanhada. Mas foi o que ela é: uma rapariga com Síndrome de Asperger, determinada e que não foi encaminhada nem protegida de forma a não fazer vacilar as pessoas", repara Piedade Monteiro. "Será que isto é Síndrome de Asperger? Será que é arrogância? De facto, a Síndrome de Asperger tem estas características, mas isto poderia ter sido cuidado de outra forma."

Para assinalar o Dia Internacional do Síndrome de Asperger, a associação vai estar de portas abertas durante todo o dia, para receber aqueles que quiserem visitar o espaço e conversar com todos os que ali passam diariamente.

Fonte: TSF por indicação de Livresco

terça-feira, 19 de novembro de 2019

“PODE SER INGRATA A IDEIA DE QUE A SÍNDROME DE ASPERGER É UM SUPERPODER”

Em Portugal, existem cerca de 40 mil pessoas sinalizadas com Síndrome de Asperger. E muitas existirão que, encaixando no perfil, não sabem que o têm. Sendo uma perturbação neurocomportamental de base genética incluída no espetro do autismo, é a sua forma mais ligeira e funcional e, por isso, mais difícil de diagnosticar. Hoje, há mesmo quem discuta se é uma patologia ou apenas uma forma diferente de ser. A jovem ativista ambiental Greta Thunberg encara-o como um superpoder. E talvez seja, nas circunstâncias certas, como ela própria reconhece. Mas para criar as circunstâncias certas é preciso um diagnóstico e uma intervenção adequada.


Shaun Murphy, o cirurgião da série The Good Doctor e Sheldon Cooper, da Teoria do Big Bang, são duas personagens de ficção com Síndrome de Asperger, ambos geniais, que, cada um à sua maneira, ajudam a perceber como é viver com esta Perturbação do Espetro do Autismo. Para eles e para quem os rodeia. Especula-se que outros génios do passado, e do presente, encaixem no perfil.

Greta Thunberg tem o diagnóstico e sobre este escreveu na rede social Twitter, como resposta aos haters que o usaram para a atacar e diminuir: “Eu tenho Asperger e isso significa que às vezes sou um pouco diferente da norma. E – nas circunstâncias certas – ser diferente é um superpoder. #aspiepower”.

Jornais de todo o mundo puxaram para título “Ter Asperger é um superpoder”. Mas não foi bem isso que a jovem disse. É importante ler as suas palavras com atenção. Ter Arperger faz que seja diferente da norma e nas circunstâncias certas ser diferente é um superpoder. Pode parecer a mesma coisa, mas não é.

“Esta representação pode ser ingrata para as pessoas com Síndrome de Asperger”, diz, no entanto, Patrícia Sousa, psicóloga clínica e diretora técnica da Casa Grande, da APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger.

“Para já porque nem todos são génios e depois porque temos um número infindável de pessoas que se identificam [com o diagnóstico], mas que no dia a dia não sentem a sua diferença como um superpoder e podem entrar num conflito brutal. Estas extrapolações têm um lado negativo”.

A chave estará nas circunstâncias certas. O que Greta Thunberg quereria dizer com essa expressão não podemos adivinhar, mas a verdade é que com a intervenção adequada podem ser criadas as circunstâncias certas para que as diferenças deixem de ser uma limitação e possam até vir a ser uma mais valia.

Com este diagnóstico, há mais de 40 mil pessoas em Portugal, sobretudo rapazes, num rácio de uma rapariga por cada cinco rapazes, em média. No entanto, os especialistas são unânimes em considerar que esta diferença não seria tão grande se o diagnóstico não fosse ainda mais difícil nas raparigas, que têm uma maior capacidade de socialização e adaptação.

“É importante percebermos como funcionam para desconstruirmos alguns preconceitos”

Perturbação neurocomportamental de base genética, a Síndrome de Asperger está incluída no espetro do autismo, classificada como a sua forma mais funcional e ligeira, e deve o seu nome ao psiquiatra austríaco Hans Asperger, que a identificou em meados do século XX.

Os “aspies”, como também são chamados, não têm défice cognitivo, pelo contrário, muitas vezes têm uma inteligência acima da média, mas têm características que os distinguem, comprometendo sobretudo a capacidade de comunicação e relação com os outros, a gestão de comportamentos e o controlo das emoções.

Em traços gerais, têm dificuldade em descodificar a linguagem não verbal e os segundos sentidos da linguagem verbal, o que os torna muito literais; têm dificuldade de estabelecer contacto ocular ou fazem-no de forma desajustada; são muito honestos porque lhes falta filtro, o que os leva muitas vezes a ser interpretados como rudes ou inconvenientes; desenvolvem interesses muito específicos e intensos, que por vezes levam ao extremo, o que os torna muitas vezes rígidos e inflexíveis; têm geralmente um discurso elaborado e peculiar que pode soar estranho ou pedante, sobretudo em crianças; têm dificuldade de entender e expressar emoções; precisam de rotina e previsibilidade; podem ter maior sensibilidade a sons, cheiros, texturas e toque; podem ter algumas dificuldades na coordenação motora.

O diagnóstico nem sempre é fácil e não é fiável antes dos cinco anos, mas quanto mais precoce for, mais bem sucedida será a intervenção, porque, explica a psicóloga Patrícia Sousa, permite “que os aspies sejam melhor entendidos e aceites na família, na escola, na própria sociedade. É importante percebermos como funcionam para desconstruirmos alguns preconceitos”.

“Por exemplo, nas escolas, temos professores muito revoltados – como é que eu o faço olhar para mim, estou a dar a matéria e ele não me está a dar atenção nenhuma. Não olhar, para estas pessoas, não é sinónimo de não dar atenção. É fundamental que os professores conheçam a patologia, para adaptarem a abordagem quando têm uma criança ou jovem Asperger na sua sala. O bullying que os nossos jovens sentem parte não só dos colegas, mas também dos professores”, diz.

E quem diz a escola, diz a casa. Patrícia Sousa recebe muitos pais exaustos e frustrados porque já se privam da vida social e em família porque os filhos aos olhos dos outros não sabem estar ou comportar-se.

“Se tivermos um filho do espetro do autismo e esperarmos que num almoço de família ele vá cumprimentar toda a gente com um beijinho, alguma coisa vai correr mal. Para ele isso é desconfortável e a família alargada tem que estar preparada para não criar um juízo de valor. Mas geralmente cria e isso gera uma entropia brutal nas relações. Temos pais que nos chegam esgotados, desgastados, porque nem a própria família alargada entende. Não são só os aspies que têm dificuldades com a empatia. Também há muita falta de empatia em relação a eles. E se isto acontece nas famílias como é que não há de acontecer nas escolas, na sociedade e no mundo empresarial?”

Devolvida a pergunta, a psicóloga não hesita: “trabalhando com os jovens as suas competências sociais e funcionais e dando a conhecer às famílias, escolas e empresas a patologia, as suas especificidades e as estratégias para lidar com ela. Quem me dera a mim, com alguma brevidade, ter que deixar de falar em inclusão. No dia em que não tenha que falar em inclusão é muito bom sinal, é porque as gerações já desenvolveram naturalmente os comportamentos empáticos necessários para lidar com a diferença, seja ela qual for”, diz Patrícia Sousa, que faz um paralelo com as diferenças culturais.

“Todos nós estamos formatados culturalmente. Se pensarmos numa lista de sentimentos e do procedimento adotado perante cada um deles, nós portugueses, sabemos como os gerimos, mas se passarmos para os nórdicos ou os asiáticos ou até os brasileiros, que são um ‘povo irmão’, percebemos que têm formas de expressão, gestão e até de conceptualização do que é o socialmente correto completamente diferente”.

É nesse sentido, de melhor adaptar o mundo às pessoas com Síndrome de Asperger que sentem essa necessidade e vice-versa, que a APSA e o seu projeto Casa Grande trabalham.

Com uma metodologia de intervenção baseada em modelos cognitivo-comportamentais, adaptados à pessoa com autismo e a cada caso em particular, trabalham-se competências sociais, autonomia, gestão de pensamentos e emoções, “para eles utilizarem o recurso cognitivo, mas fazerem leituras adequadas de forma a reestruturarem o seu autoconceito e a sua autoestima, ou seja, a aceitarem-se como são, mas percebendo que, em determinados contextos, se sabem que não vão tolerar determinadas coisas, também sabem que podem atuar de forma adaptada para minimizar o que lhes é ingrato em termos de sociedade e de relação, que pode ser muito desgastante para eles. E isto é alargado a várias situações do dia a dia. O nosso objetivo não é que deixem de ter os seus interesses e de ser eles próprios, mas o de encontrar zonas de conforto e criar a noção de que os pais, a escola, a empresa, os outros, os entendem”.

“Tenho jeito para várias coisas, mas o que quero é ser atriz”

É isso que Vitória, 20 anos, espera. Olhar sério por detrás do sorriso, toda ela é autoconfiança. Chegou à Casa Grande em julho e nestes três meses já aprendeu “montes de coisas que não sabia”.

“Estou a conseguir desenvolver as minhas competências sociais, a fazer amizades novas, que é uma área em que tenho algumas dificuldades, estou a trabalhar a parte motora, que tem melhorado muito, está a correr muito bem”, diz.

A psicóloga Vera Brandão confirma. “Um aspeto em que a Vitória evoluiu bastante foi na confiança em si própria para poder começar a alargar a rede de amizades, porque quando chegou muitas vezes víamo-la no canto, com o telemóvel, e agora já a vemos mais disponível, mais em interação com os outros”.

Fez o secundário no curso profissional de Comércio, depois, nos dois anos seguintes, fez os exames nacionais para entrar em Direito, mas não conseguiu média. Ainda tentou entrar para a Escola Superior de Teatro e Cinema, mas também não foi bem sucedida, o que conta sem frustração aparente. As pesquisas da mãe trouxeram-na até à Casa Grande, que as reencaminhou para o PIN, um centro de diagnóstico e acompanhamento de perturbações do desenvolvimento infantil, de onde regressou, seis meses depois, com um diagnóstico de Síndrome de Asperger.

Na Casa Grande, espera trabalhar as competências sociais e funcionais que lhe permitam entrar no mercado de trabalho. O que gostaria de fazer? Ser advogada? “Não, isso era antes, eu quero mesmo é ser atriz. Tenho jeito para várias coisas, mas como sei que é difícil encontrar trabalho na minha área, acho que será alguma coisa relacionada com comércio”.

Estar sempre em contacto com as pessoas não a incomoda – “sou muito boa a comunicar em público” -, e até já fez um estágio curricular como rececionista que, diz, correu muito bem. Não significa isto que tenha desistido do seu sonho, a representação, daí que esteja a fazer um curso de teatro na LX Factory. “Estou lá há um ano e dou-me bem com toda a gente. É muito fácil. O meu objetivo mesmo é apanhar carga para depois fazer o curso profissional de teatro, que são três anos e já é mais a sério”.

“O otimismo, excesso de confiança e ingenuidade também são aspetos trabalhados na Casa Grande, no treino de competências sociais”, explica Vera Brandão enquanto Vitória se afasta para tirar a fotografia.

“Foi um bocadinho dos dois: as pessoas adaptaram-se e eu também me adaptei”

Enquanto Vitória é recém-chegada, Pedro Noronha, 32 anos, é veterano. Está na Casa Grande desde o princípio, 2014, e de acordo com Piedade Líbano Monteiro, presidente da direção, é um dos exemplos máximos do trabalho que aqui se faz. “Quando aqui chegou, era um miúdo triste e fechado, mas foi fazendo caminho e em 2015 foi o primeiro jovem a entrar em contexto de empregabilidade, na REN. Fez o seu percurso lá, teve um desempenho fantástico, aos fins de semana já combinava programas com os colegas, e quando terminou o contrato, a despedida foi absolutamente comovente. Depois foi para o Santander, onde teve contratos renovados até passar aos quadros, o que aconteceu no início deste ano”.

O Pedro é um cavalheiro. Percebe-se que uma entrevista não é a coisa mais confortável para ele, mas dispõe-se a vencer o desconforto, com uma delicadeza que disfarça o nervosismo.

Está contente por ter ficado efetivo no banco Santander, onde trabalha como administrativo, e olha as dificuldades da mesma forma que os sucessos, objetivamente. “Fui para o Santander, em 2018 e o trabalho era um pouco diferente do que fazia na REN, que era de arquivo. Mas fui conseguindo uma cada vez maior autonomia nas tarefas. E agora também trabalho em open space e ambientei-me bem a lidar com novos colegas e novas situações. Comecei como estagiário e gostaram do meu trabalho e de mim como pessoa e acabei por ficar efetivo. Fiquei contente”.

Dificuldades? “Ter que lidar com mais pessoas e com várias situações ao mesmo tempo. Quando estava a fazer uma tarefa e vinha alguém e intervinha era um pouco complicado, porque é difícil dar atenção a várias coisas ao mesmo tempo, mas acabou por correr bem. Foi um bocadinho dos dois lados, as pessoas adaptaram-se e eu também me adaptei”.

O trabalho trouxe-lhe uma autonomia e responsabilidade com que se sente bem e a experiência de estar com outras pessoas e ter que interagir com elas diminuiu a ansiedade que muitas vezes sentia na relação social.

Quando não está a trabalhar, gosta de andar de bicicleta e fazer caminhadas, mas a fotografia e as aves são a sua paixão. Isso e jogos de computador. Se gostaria de fazer dessas paixões profissão? “Seria um bocadinho uma incógnita. Agora, sinto-me bastante empenhado na área em que estou.”

“Como fazer para que a sociedade dê oportunidade a estes jovens, que têm imensas capacidades e qualidades?”

É por isso que luta Piedade Líbano Monteiro, presidente da direção da APSA e mulher com a qual cinco minutos de conversa bastam para perceber que leva tudo à frente. O filho de Piedade tem autismo, mas depois de um longo percurso a dar-lhe as ferramentas para ser feliz, dedicou-se a trabalhar pelo futuro de jovens com Síndrome de Asperger.

“O meu filho nunca terá um emprego, mas é feliz e marca a vida de todos com quem se cruza, e é só isso que eu quero. Agora, tenho que fazer caminho é pelos outros, porque é isso que ele me ensina”, diz já no fim da conversa, que começou pela dificuldade que é os pais terem de se descascar de si próprios enquanto pais, das suas expetativas, dos seus medos, das suas ansiedades e incertezas, “para nunca desistirem e acreditarem sempre naquela criança ou jovem, que é o seu filho e que é um desafio, como todos os filhos, mas um bocadinho maior”.O projeto Casa Grande, da APSA, nasceu da constatação de pais de jovens com Síndrome de Asperger, de que, por vezes, por muito bons alunos que fossem, por mais cursos superiores que pudessem ter, deparavam-se com um “fosso brutal” entre a vida académica e a casa dos pais e a vida ativa e o mercado de trabalho.

“Como fazer para que a sociedade dê oportunidade a estes jovens, que têm imensas capacidades e qualidades, de as usarem e fazerem o seu caminho? Como ajudá-los a integrar-se, à sua maneira, e a terem uma vida q.b. feliz, q.b. funcional, q.b. autónoma, enquanto cidadãos de direitos e de deveres? Foi para dar resposta a estas questões que criámos a Casa Grande. Mas com a noção perfeita de que isto não se faz à paulada. Não estamos aqui para cumprir quotas”.

Neste momento, a fazer caminho com 50 jovens e respetivas famílias, 20 dos quais já em contexto laboral, o trabalho começa por eles e depois passa para as empresas, que também são preparadas para os receber.

“Antes de a empresa receber um jovem nosso, tem uma formação sobre a Síndrome de Asperger e sobre ele e isso é meio caminho andado para as coisas resultarem. Vale mais do que vinte terapias, porque eles começam a sentir-se realizados, começam a baixar os níveis de ansiedade, porque não há tanta exigência de relação, não são só eles que têm que fazer o esforço de se adaptar, e cria-se um mundo mais previsível, que lhes é essencial”, explica a diretora técnica, Patrícia Sousa.

“A empregabilidade nesta área não é colar função e jovem, é muito mais do que isso, é a empresa saber quem vai receber, é haver no meio uma entidade que faça a mediação e veja quais são as funções que calham com as características destas pessoas, quais são as equipas que estão dispostas a abraçar este desafio, não é este obstáculo, é este desafio, e do nosso lado quem são os jovens com a funcionalidade, a experiência e as características para aquele trabalho. Há este namoro antes do casamento e é fundamental porque a frustração ou algo que corra mal para jovens com esta problemática é um trauma que pode ser brutal e que se não for devidamente acompanhado pode fazê-los regredir e fecharem-se em casa, no computador, que são as suas zonas de conforto”, acrescenta Piedade Líbano Monteiro, que, apresenta com orgulho alguns dos casos de sucesso.

“Temos três jovens na Accenture, um em robótica, outro em programação e outro que deteta problemas informáticos e os resolve. Temos o Pedro, de que já lhe falei, no Santander. Temos o Pedro Dias, descobriu aqui o seu talento para desenho e já tem uma loja online de retratos que é um sucesso e está a ganhar dinheiro com isso. Mas queria deixar isto claro: o nosso trabalho não acaba na empregabilidade. O que procuramos é prepará-los para a vida. E para serem felizes.”

Fonte: Life DN

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

"Ser diferente não é doença"

A ativista sueca Greta Thunberg reagiu, esta quarta-feira, a quem a criticou pelo discurso na passada segunda-feira, durante uma cimeira na ONU, em Nova Iorque.

"Tal como devem ter notado, os críticos sempre muito ativos, estão atrás de mim, do meu aspeto, da minha roupa, do meu comportamento e das minhas diferenças. Eles vêm com tudo o que se possa pensar e com teorias da conspiração", escreveu a jovem no Twitter.

"Ser diferente não é uma doença e a ciência atual não são opiniões. Honestamente, não compreendo como que é adultos preferem gastar o seu tempo a gozar com adolescentes e ameaçar crianças por promoverem a ciência", explicou.

Discurso duro na segunda-feira

A jovem ativista sueca Greta Thunberg criticou esta segunda-feira os líderes mundiais pela inação face às alterações climáticas e acusou-os de lhe roubarem os sonhos e a infância. "Vocês deixaram-nos cair. Mas os jovens começam a compreender a vossa traição", disse Greta Thunberg perante vários chefes de Estado, acrescentando: "Se vocês decidiram deixar-nos cair, eu digo-vos: nós nunca vos iremos perdoar. E não deixaremos que vocês se vão embora assim". "O mundo está a acordar e a mudança a chegar, quer vocês gostem ou não. Obrigado", concluiu a jovem, muito aplaudida.

O dramático apelo da jovem ativista Greta Thunberg correu o Mundo e deixou uma marca na cimeira da ONU sobre o clima, segunda-feira, em Nova Iorque. Mas Trump viu algo que mais ninguém viu. "Parece uma rapariga muito feliz, esperançada num brilhante e maravilhoso futuro. Tão bonito de ver", escreveu o presidente dos EUA na conta pessoal de Twitter.

Fonte: JN

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Viver com Asperger? "Não sou louco, nem freak"

Em um mês, o vídeo em que o menino colombiano de 8 anos explica, na primeira pessoa, como é sofrer da síndrome de Asperger já foi visto por 7,5 milhões de pessoas no Facebook.

"Ter Asperger não é uma doença. Não sou louco, nem freak, nem esquisito. Só que a minha maneira de receber e processar a informação é diferente", conta Federico García Villegas.

De acordo com o El País, que conta a história, além de ajudar a gravar o testemunho, a mãe do menino, Andrea Villegas, gerencia a conta do Facebook "Soy diferente, soy como tu" (Sou diferente, Sou como tu), que serve como rede de apoio para pais com crianças que sofrem de Asperger.

O vídeo surgiu, explica a mãe, porque o rapaz sentia necessidade de explicar a síndrome aos seus coleguinhas de escola

"Sou um menino como qualquer outro, com sonhos e esperanças. Só quero que me conheçam, me entendam e que me ajudem a encaixar na comunidade. Os nossos sentidos são mais aguçados. Eu ouço todos os sons ao mesmo tempo. Por isso, às vezes, fico em choque ou sinto-me sobrecarregado", conta. "Se quiser que eu saiba algo, use palavras. Não entendo muito bem a linguagem não-verbal", pode ouvir-se no vídeo.

A ideia inicial era postar no Facebook e no YouTube para que os 20 colegas da turma de Federico pudessem ver.

A chilena Pamela Zavala, com um marido e três filhos com síndrome de Asperger, viu a gravação e decidiu partilhá-la e foi assim que o vídeo se tornou viral.

Veja o vídeo na página do DN.

Fonte: DN

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O que é o síndrome de Asperger?

A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) estima que, em 2016, existiam cerca de 40.000 pessoas com Síndrome de Asperger, número que pode ser maior tendo em conta os casos que ainda não foram diagnosticados. Bernardo Barahona Corrêa, 42 anos, psiquiatra, diretor científico do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADin), investigador da Fundação Champalimaud e professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa explica quais as principais manifestações deste síndrome e como é um desafio grande entrar na idade adulta.

Muita gente confunde Síndrome de Asperger e Autismo, não é?
O síndrome de Asperger é, na verdade, uma perturbação do espetro de autismo. O autismo caracteriza-se pela dificuldade na socialização, na comunicação verbal e não-verbal. Pode haver também algum atraso na linguagem e uma restrição no leque de interesses. Mas estas são as características do autismo em geral; no caso do síndrome de Asperger é diferente. Este síndrome tem algumas características particulares que passam por serem indivíduos com um bom nível intelectual – enquanto no autismo clássico existe um défice cognitivo -, muitas vezes são miúdos que desenvolvem precocemente uma linguagem quase de adultos e às vezes parecem mesmo «pequenos doutores».

O que os distingue então?
São crianças que se destacam, que sabem muito sobre determinados temas pouco comuns para a sua idade. Têm uma capacidade muito grande de memorização de temas altamente complexos. Aquilo que falha nas crianças e adultos com síndrome de Asperger é depois a parte da socialização, quer na capacidade de se relacionar e manter relações recíprocas durante um período de tempo, ou criar amizades como cada de nós cria, quer até por vezes alguma falha no desenvolvimento das competências sociais, como por exemplo, compreender os sentidos implícitos, as pequenas nuances, perceber as regras sociais que estão estabelecidas, compreender a linguagem corporal do outro. Organizam a sociedade que os rodeia de forma taxativa. Claro que isto tudo depois gera um desajeitamento social.

Em que idade começa a ser notória alguma perturbação?
Todas as perturbações relacionadas com autismo são perturbações de desenvolvimento, ou seja, estão presentes desde o nascimento. Enquanto o autismo nota-se nos primeiros meses de vida – há mães que me dizem «eu notei logo que o meu filho tinha qualquer coisa de diferente, não mamava, não se aninhava no colo» -, o síndrome de Asperger não é tão óbvio, muitas vezes só mais tarde é que se manifesta porque são crianças precoces ou brilhantes na linguagem ou começam a ter dificuldades de interação em casa ou na escola.

O Asperger pode então ser confundido com timidez?
Sim, facilmente. Às vezes, é difícil distinguir se um comportamento socialmente reservado se deve ao síndrome ou se é uma característica da personalidade da pessoa.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é meramente clínico, não há nenhum marcador biológico, ou seja, não há nenhum exame ou análise que se possa fazer. Faz-se uma história clínica detalhada para perceber o relacionamento do paciente com outras pessoas ou com o próprio médico. O fundamental é uma história de desenvolvimento bem feita e desde cedo. No caso deste síndrome, é típico surgir quando os miúdos vão para a escola. Ali pelos três, quatro anos quando acontecem as primeiras interações com os colegas, quando começam a ter de partilhar, é aí que se notam os primeiros problemas.

Depois do diagnóstico completo, qual é o próximo passo?
Essa é uma questão espinhosa, não há um tratamento biológico, não há remédios. É, portanto, um tratamento complexo e idealmente multidisciplinar e sempre talhado à medida das necessidades de cada caso. Há pessoas que vivem perfeitamente com o síndrome porque vivem num ambiente que os aceita bem ou tiveram uma família que lidou bem com a questão e outros que não tiveram a mesma sorte e sofreram bullying, uns dos problemas mais frequentes nas crianças com Asperger, sobretudo na adolescência.

Que acompanhamento é que deve ser feito?
No acompanhamento de Asperger, o papel do médico acaba por ser o menos importante. O médico pode ser um pediatra de desenvolvimento, um neuropediatra ou um pedopsiquiatra ou psiquiatra na idade adulta. Muito importante é o papel dos outros profissionais de saúde que fazem todo o trabalho de reabilitação e psicossocial com estas pessoas como, por exemplo, a psicoterapia virada para o controlo de ansiedade, intervenções para o treino de competências sociais, etc… Estão sempre a pensar na conquista da autonomia.

A entrada na idade adulta acaba por ser um desafio muito maior, não é?
Sem dúvida. A entrada na vida adulta é sempre difícil porque passam de ambientes protegidos como os colégios ou a família para a faculdade ou o mercado de trabalho, onde há uma necessidade de dominar as competências sociais e lidar com a imprevisibilidade. Regularmente, surgem casos que até aí não tinham sido diagnosticados.

É verdade que há uma propensão maior nos rapazes para este tipo de transtorno?
A literatura varia muito, mas sim, o síndrome de Asperger afeta entre 5 a 10 vezes mais rapazes do que raparigas. Terá naturalmente a ver com alguma questão biológica, podem ser fatores genéticos relacionados com o sexo masculino. Em geral, este género é mais frágil em termos de desenvolvimento neurológico.

Fonte: Notícias Magazine por indicação de Livresco

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O QUE É O SÍNDROME DE ASPERGER?


O psiquiatra Bernardo Barahona responde à pergunta, hoje, data em que se comemora-se o Dia Internacional do Asperger, uma perturbação muitas vezes confundida com o autismo.


A Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA) estima que, em 2016, existiam cerca de 40.000 pessoas com Síndrome de Asperger, número que pode ser maior tendo em conta os casos que ainda não foram diagnosticados. Bernardo Barahona Corrêa, 42 anos, psiquiatra, diretor científico do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADin), investigador da Fundação Champalimaud e professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa explica quais as principais manifestações deste síndrome e como é um desafio grande entrar na idade adulta.

Muita gente confunde Síndrome de Asperger e Autismo, não é?
O síndrome de Asperger é, na verdade, uma perturbação do espetro de autismo. O autismo caracteriza-se pela dificuldade na socialização, na comunicação verbal e não-verbal. Pode haver também algum atraso na linguagem e uma restrição no leque de interesses. Mas estas são as características do autismo em geral; no caso do síndrome de Asperger é diferente. Este síndrome tem algumas características particulares que passam por serem indivíduos com um bom nível intelectual – enquanto no autismo clássico existe um défice cognitivo -, muitas vezes são miúdos que desenvolvem precocemente uma linguagem quase de adultos e às vezes parecem mesmo «pequenos doutores».


O que os distingue então?
São crianças que se destacam, que sabem muito sobre determinados temas pouco comuns para a sua idade. Têm uma capacidade muito grande de memorização de temas altamente complexos. Aquilo que falha nas crianças e adultos com síndrome de Asperger é depois a parte da socialização, quer na capacidade de se relacionar e manter relações recíprocas durante um período de tempo, ou criar amizades como cada de nós cria, quer até por vezes alguma falha no desenvolvimento das competências sociais, como por exemplo, compreender os sentidos implícitos, as pequenas nuances, perceber as regras sociais que estão estabelecidas, compreender a linguagem corporal do outro. Organizam a sociedade que os rodeia de forma taxativa. Claro que isto tudo depois gera um desajeitamento social.


Em que idade começa a ser notória alguma perturbação?
Todas as perturbações relacionadas com autismo são perturbações de desenvolvimento, ou seja, estão presentes desde o nascimento. Enquanto o autismo nota-se nos primeiros meses de vida – há mães que me dizem «eu notei logo que o meu filho tinha qualquer coisa de diferente, não mamava, não se aninhava no colo» -, o síndrome de Asperger não é tão óbvio, muitas vezes só mais tarde é que se manifesta porque são crianças precoces ou brilhantes na linguagem ou começam a ter dificuldades de interação em casa ou na escola.


O Asperger pode então ser confundido com timidez?
Sim, facilmente. Às vezes, é difícil distinguir se um comportamento socialmente reservado se deve ao síndrome ou se é uma característica da personalidade da pessoa.


Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é meramente clínico, não há nenhum marcador biológico, ou seja, não há nenhum exame ou análise que se possa fazer. Faz-se uma história clínica detalhada para perceber o relacionamento do paciente com outras pessoas ou com o próprio médico. O fundamental é uma história de desenvolvimento bem feita e desde cedo. No caso deste síndrome, é típico surgir quando os miúdos vão para a escola. Ali pelos três, quatro anos quando acontecem as primeiras interações com os colegas, quando começam a ter de partilhar, é aí que se notam os primeiros problemas.


Depois do diagnóstico completo, qual é o próximo passo?
Essa é uma questão espinhosa, não há um tratamento biológico, não há remédios. É, portanto, um tratamento complexo e idealmente multidisciplinar e sempre talhado à medida das necessidades de cada caso. Há pessoas que vivem perfeitamente com o síndrome porque vivem num ambiente que os aceita bem ou tiveram uma família que lidou bem com a questão e outros que não tiveram a mesma sorte e sofreram bullying, uns dos problemas mais frequentes nas crianças com Asperger, sobretudo na adolescência.


Que acompanhamento é que deve ser feito?
No acompanhamento de Asperger, o papel do médico acaba por ser o menos importante. O médico pode ser um pediatra de desenvolvimento, um neuropediatra ou um pedopsiquiatra ou psiquiatra na idade adulta. Muito importante é o papel dos outros profissionais de saúde que fazem todo o trabalho de reabilitação e psicossocial com estas pessoas como, por exemplo, a psicoterapia virada para o controlo de ansiedade, intervenções para o treino de competências sociais, etc… Estão sempre a pensar na conquista da autonomia.


A entrada na idade adulta acaba por ser um desafio muito maior, não é?
Sem dúvida. A entrada na vida adulta é sempre difícil porque passam de ambientes protegidos como os colégios ou a família para a faculdade ou o mercado de trabalho, onde há uma necessidade de dominar as competências sociais e lidar com a imprevisibilidade. Regularmente, surgem casos que até aí não tinham sido diagnosticados.


É verdade que há uma propensão maior nos rapazes para este tipo de transtorno?
A literatura varia muito, mas sim, o síndrome de Asperger afeta entre 5 a 10 vezes mais rapazes do que raparigas. Terá naturalmente a ver com alguma questão biológica, podem ser fatores genéticos relacionados com o sexo masculino. Em geral, este género é mais frágil em termos de desenvolvimento neurológico.





quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dia Internacional da Síndrome de Asperger 2015

No dia 18 de fevereiro assinala-se o Dia Internacional da Síndrome de Asperger, uma doença do espetro do autismo que se caracteriza por alterações na interacção social, na comunicação e no comportamento do individuo.

De acordo com dados da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), "calcula-se que em Portugal existam cerca de 40.000 portadores de Síndrome de Asperger afectando maioritariamente os rapazes".

Através da comemoração desta data pretende-se sensibilizar a população para a doença e promover a integração das pessoas com a Síndrome de Asperger.

Para saber mais, consulte:


Fonte: INR

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Casa de jovens Asperger abriu as portas e convida a usar serviços

A Casa Grande, no bairro de Benfica, abriu nesta quinta-feira as portas à comunidade, desafiando os lisboetas a ir ali lavar a roupa, comprar produtos hortícolas, flores e outros artigos feitos por jovens com Síndrome de Asperger.

Situada na Quinta da Granja, a Casa Grande é um espaço de formação, de treino de competências sociais e funcionais para jovens Asperger maiores de 16 anos. O objetivo é que “adquiram as ferramentas necessárias” de forma a serem encaminhados para o “mundo do trabalho” e construírem um “projeto de vida”, disse (...) a presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA), mãe de um jovem Asperger com 21 anos.

A casa tem ateliês de música, artes plásticas, informática, costura, horticultura e jardinagem, onde os jovens desafiam a sua criatividades e aprendem várias artes e ofícios. São os serviços, os artigos e os produtos desses atelieres que estão disponíveis à comunidade a partir desta quinta-feira.

“Podem vir à nossa lavandaria, podem fazer arranjos no nosso ateliê de costura, ter aulas de música, de informática, de artes plásticas ou fazer pequenas festas” nos pátios da casa, um velho edifício do século XVII recuperado pela associação, apelou a presidente da APSA.

Os primeiros passos já estão a ser dados, disse Piedade Monteiro, contando que as alfaces cultivadas nas hortas da casa já estão a ser vendidas numa loja do bairro.

“Depois do sonho de construir a casa, o sonho agora é se torne auto-sustentável para não cair naquilo que as instituições particulares de solidariedade social caem quase sempre, que é o mecenato e os subsídios do Estado, mas também para não sobrecarregar o Estado”, sublinhou.

Projeto pioneiro

Para mostrar o trabalho dos jovens e os serviços da casa, a APSA convidou a comunidade a conhecer o edifício. Nos pátios da casa estavam expostos para venda os produtos hortícolas e as flores plantadas pelos jovens, mas também quadros e vários artigos artesanais. “Os nossos jovens têm uma vida muito ativa e são os protagonistas do dia a dia da Casa Grande”, disse, orgulhosa, Piedade Monteiro.

Bruno, 26 anos, é um desses jovens. Está na casa desde janeiro e uma parte do tempo é passado no ateliê de jardinagem. “Não gosto muito do trabalho físico e, por isso, sou assistente da monitora e coordeno os jovens”, disse o jovem (...), comentando: “Uso mais a cabeça do que o corpo.”

A tarefa que mais gosta é “controlar os minutos e os segundos” no cronómetro. “Desde miúdo que sou assim, coordeno o tempo”, disse, com um sorriso. Contou que está feliz na casa, porque tem “mais liberdade” e já arranjou amigos. “No centro onde estava, não éramos todos iguais. Aqui somos livres e temos todos Asperger”, sublinhou o jovem.

Para Piedade Monteiro, “não é saudável” juntar pessoas com vários tipos de deficiência no mesmo espaço, porque estes jovens “copiam muito”. “Se há um ponto de referência para eles que é uma deficiência mais profunda, eles acabam por a imitar”, prejudicando o seu desenvolvimento.

Piedade Monteiro contou que alguns dos 11 jovens que estão na casa viviam em instituições, mas outros, com mais de 20 anos, estavam em casa sem atividade nenhuma. “Isto não pode acontecer. O que nós queremos é que os nossos filhos sejam de tal maneira iguais que consigam não ser um peso para o Estado”, frisou. “Temos de ir pelas capacidades deles e nunca pelas dificuldades. Se há dificuldades vamos colmatá-las ou tentar colmatá-las”, acrescentou.

“Em Portugal, dá-nos a ideia que só há duas condições, a normal e a anormal, não há o meio”, lamentou. Para a responsável, é preciso “dar a possibilidade a cada uma das pessoas, dentro da sua condição, a ter o seu espaço o mais adaptado possível para que tenha uma vida digna”, por isso é que a Casa Grande é “um projeto pioneiro”.

In: Público por indicação de Livresco

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Susan Boyle sofre de Síndrome de Asperger

"Sinto-me aliviada", revela a cantora escocesa Susan Boyle, que descobriu há um ano que tem Síndrome de Asperger e não danos cerebrais, como lhe foi diagnosticado em criança.
A escocesa que deu nas vistas em 2009, no programa Britain's Got Talent assumiu, em entrevista ao jornal The Observer, que padece de Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Esta descoberta, feita há cerca de um ano, deita por terra o diagnóstico que lhe tinha sido feito em criança, segundo o qual Susan Boyle tinha danos cerebrais.
"Sempre soube que esse era um rótulo injusto. Agora entendo o que estava errado e sinto-me muito aliviada e um pouco mais descansada", afirmou este domingo, em entrevista, a cantora escocesa. O Síndrome agora detetado afeta a interação social e provoca problemas de comunicação.
Desde miúda, relatou ainda Boyle, que foi muitas vezes alvo preferencial de ataque por parte dos seus colegas de escola, em BlackBurn. Agora, a cantora afirma: "Procurei um diagnóstico junto de um especialista escocês. Ninguém me disse para o fazer. Pensei que tivesse uma doença mais grave e não conseguia estar bem".
In: DN

terça-feira, 9 de julho de 2013

VIVER COM A SÍNDROME DE ASPERGER

Gerhard Gaudard, técnico de informática, recebeu há dois anos o diagnóstico de portador da chamada síndrome de Asperger, um transtorno do espectro autista. À swissinfo.ch ele conta sobre o trabalho, as dificuldades do quotidiano e o segredo de um casamento feliz.

Gaudard, 38 anos, formou-se como técnico de informática e hoje trabalha na filial de Berna da empresa dinamarquesa Specialisterne, onde a maioria dos empregados sofre de alguma forma de autismo. A equipa ocupa-se de processamento de dados, programação de software e testes de projetos.

A jornada de trabalho dura oito horas, quatro vezes por semana, e ele faz diariamente o trajeto da cidade de Aarau (leste) até a capital suíça, gastando 40 minutos em comboio. É prolixo, amigável, divertido e aberto a compartilhar as suas experiências com outras pessoas. É o que explica a sua decisão de manter um blog dedicado ao quotidiano de uma pessoa que sofre da síndrome de Asperger. O único sinal visível da doença é o facto de nunca olhar os interlocutores nos olhos.

swissinfo.ch: Em que consiste o seu trabalho?
Gerhard Gaudard: Minha principal função é assegurar que todos os nossos clientes tenham trabalho, projetos ou algo a fazer. Eu também me ocupo do apoio técnico e faço todos os reparos. Além disso, eu também preparo os conceitos e as ideias de novos projetos e da negociação destes com os clientes. Habitualmente oito horas por dias não bastam!

Gosta do que faz?
Sim, bastante. Para mim é como ter ganhado na lotaria. Poder trabalhar sendo portador da síndrome de Asperger, com e para as pessoas que sofrem da enfermidade, é algo que só acontece uma vez na vida.

Já trabalha há quase 20 anos para empresas, podemos dizer, "normais". Como é essa experiência?
G.G.: Há dois anos soube que sofria da síndrome de Asperger. Antes não sabia o que era isso e praticamente toda a minha vida profissional foi uma catástrofe. Agora eu entendo porque não compreendia os outros e o que eles queriam de mim. Por vezes era um pouco como encontrar e perder o emprego.

Esse diagnóstico mudou a sua vida?
Virou-a de pernas para o ar. Eu tive de começar do zero, ou seja, de refletir que tipo de trabalho eu poderia fazer, onde poderia trabalhar, como organizar a minha vida privada, o meu relacionamento, tudo. Era muita coisa para fazer...

O que é mais difícil para alguém como você no quotidiano?
Nós precisamos de uma rotina e cada dia deve ser igual ao outro. Se alguma coisa muda, é terrível para mim. Por exemplo, ontem tive de ir para Zurique encontrar um cliente. Eu tinha sido prevenido na semana passada e assim passei quatro dias a refletir como ir para lá, a que horas iria chegar e o que deveria discutir. Eu tive de refletir quatro dias sobre o tema, pois tratava-se de uma mudança na minha vida.

O ambiente de trabalho parece ser muito bom. Qual a sua opinião?
Se o Thomas (van der Stad, diretor da Specialisterne) diz que o ambiente é bom, é que ele é bom mesmo. Para mim não existe ambiente. Eu não sei o que é isso. Eu não posso senti-lo ou vê-lo.
É algo como um filtro que me impede de ver as emoções. Na verdade não vejo nada. Também não vejo os rostos. É quase como se eu fosse cego. Por isso não posso responder a essa questão.

Por que você começou a escrever um blog?
Por uma razão muito simples: quando recebi o diagnóstico de Asperger, eu comecei a procurar na internet os fóruns de debate sobre o tema, sites e informações, pois tinha necessidade de saber do que se tratava. Depois eu encontrei um fórum, registei-me e li o que era escrever. Assim comecei a comunicar com as pessoas.
Uma pessoa escreveu-me dizendo que eu era um imbecil, que estava completamente enganado e outras coisas. Era uma mãe neurótica (n.r.: termo utilizado por muitos autistas para falar dos não autistas). Eu engoli a história e pensei comigo mesmo que o fórum era feito para pessoas que têm Asperger e não para mães que não sofrem dessa doença. Acabei ficando bastante chateado.
Assim tive a ideia de escrever um blog. Mas como? Era possível fazê-lo com o Google, o que me facilitou bastante o trabalho. Sem ter nenhum conceito na cabeça, simplesmente comecei a escrever. É uma pequena história de sucesso: eu chego a ter 3.500 cliques por mês de todas as partes do mundo.

A maioria dos seus leitores também sofre da síndrome de Asperger?
Eu diria que a metade deles. Algumas pessoas escrevem e contam que o seu parceiro tem a doença e agradecem por um artigo. Outros contam que também sofrem da síndrome, que me compreendem e ficam felizes de saber que não estão sós no mundo.

Tem bastantes lazeres? Penso que o cinema, por exemplo, é difícil para se não é possível compreender as emoções...
O cinema é um dos meus passatempos favoritos! Os filmes de ação são perfeitos para mim. Eu também gosto muito de ficção-científica. Mas as comédias, dramas, histórias de amor e todos esses filmes com sentimentos são incompreensíveis para mim. É como se eles fossem falados num idioma que eu não compreendesse.
Eu também gosto de ler e ver documentários. A música também é uma paixão: eu toquei guitarra elétrica durante quase dez anos. Eu gostava de heavy metal. Para mim o Iron Maiden é o melhor grupo de rock do mundo!

Se  gosta de ler, dá para imaginar escrever um livro?
Certamente. Eu tenho um projeto na cabeça de transformar o meu blog em livro.

Costuma  encontrar-se nas horas livres com outras pessoas que sofrem da síndrome de Asperger?
Não. Eu já tenho contacto com eles durante o meu dia de trabalho. No meu andar só tem gente assim. Na minha vida privada não tenho contacto com elas. Eu praticamente não tenho contacto com outras pessoas a não ser a minha esposa.

Ela é autista também?
Não. Ela teve de aprender um monte de coisas. Uma vez ela informou-se sobre o tema e disse-me: "Bom, para mim não faz diferença se tens essa doença. Eu amo-te como és. Se há qualquer coisa que eu não entendo, então perguntar-te-ei."
Nós estamos juntos há quase um ano. Um dos nossos segredos é que não vivemos juntos: ela está aqui, perto de Berna, e eu vivo em Aarau. Antes eu estive com outra pessoa durante onze anos, dos quais dez em coabitação. Quando recebi o diagnóstico, ela abandonou-me afirmando que não poderia viver comigo sabendo que eu não poderia aprender coisas que eram importantes para ela. Eu tive de superar isso e, assim, decidi dizer à minha mulher desde o início que tinha Asperger.
Hoje, com meu trabalho e a minha esposa, eu estou muito feliz. Para mim essa é a fórmula perfeita para equilibrar a vida profissional e a vida privada.

Thomas Stephens, swissinfo.ch
Adaptação: Alexander Thoele
Texto adaptado para português nacional.