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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Escola de Ciências da UMinho promove metodologias de ensino inovadoras

A Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a promover metodologias activas de ensino, aprendizagem e avaliação, aproximando alunos e professores, com o objectivo de aumentar a motivação e humanizar o conhecimento.

A iniciativa tem a colaboração do Centro IDEA-UMinho, com os professores Rui Oliveira, Cacilda Moura e Teresa Malheiro. A sessão inicial discutiu o uso da inteligência artificial, casos de sucesso de algumas disciplinas e as opiniões e perceções dos estudantes.

“Pretendemos que os professores pensem no que fazem nas aulas e reflitam sobre a maneira como ensinam. Queremos ajudar nas metodologias de ensino e tecnologias de apoio, de modo a tentar ultrapassar problemas identificados e a aumentar a aprendizagem”, diz Rui Oliveira, que é também professor do Departamento de Biologia da ECUM e tem abordado o tema na aliança europeia Arqus.

Para envolver mais os alunos nas aulas e a sua utilização dos materiais de estudo, recorre-se por exemplo à plataforma online Perusall, à aprendizagem baseada em equipas (team-based learning), à tecnologia de resposta em tempo real com telemóveis (audience response systems), aos questionários Google Forms e a quizzes interativos, entre outros.

Os docentes podem adoptar estratégias de acordo com as suas matérias e turmas, substituindo a tradicional aula expositiva e pouco participada. Os alunos são incentivados a estudar as matérias antes das aulas, lendo os livros na Perusall em modo colaborativo, ou seja, com perguntas, respostas e comentários entre os estudantes.

As matérias podem então ser exploradas na aula com a aplicação de um teste individual, que é repetido em grupo e posteriormente discutido e resolvido pela turma e pelo docente, seguindo-se uma exposição clarificadora deste sobre a restante matéria.

“Isto é a aprendizagem activa, com metodologias para os estudantes pensarem e praticarem o que estão a aprender durante e não após as aulas. Isto implica interatividade entre professores e alunos e entre os próprios alunos”, avança Rui Oliveira.

á com os audience response systems e o Google Forms, o docente expõe uma matéria e lança uma pergunta para os telemóveis dos estudantes. As respostas destes são colhidas no computador do professor, que as projeta para todos e discute-se os resultados.

“É algo que dinamiza muito as aulas, ajuda a quebrar barreiras psicológicas de exposição pública dos alunos com insegurança e os estudantes pensam mais na matéria”, resume. O telemóvel passa de meio de distração a “aliado”.

“Os jovens recebem muita informação diária nos smartphones e computadores e são pouco recetivos a permanecer parados, a ouvir uma pessoa muito tempo. Usarmos estas tecnologias deixa-os mais à vontade e aproveitamos a sua contínua apetência por informação”, realça Rui Oliveira.

Fonte: O Amarense por indicação de Livresco

domingo, 20 de janeiro de 2019

Abertura de candidaturas para a Ação Qualidade de Vida 2019 | Associação Salvador

A Associação Salvador vai atribuir 130.000€ em apoios pessoas com deficiência motora, nas categorias: Equipamentos desportivos; Obras em casa; Formação e emprego; Criação do próprio negócio.
O objetivo deste apoio é contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência motora, através da atribuição de apoios diretos e pontuais a pessoas com deficiência motora, cuja integração possa estar limitada a diferentes níveis pela falta de recursos financeiros.
O período de candidaturas decorre de 15 de janeiro a 15 de março de 2019.
Fonte: INR

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Azambuja cria grupos de pais para uma Educação Positiva e Consciente

Programa pretende ajudar os pais a compreender as suas próprias necessidades e as dos seus filhos, no processo de desenvolvimento infantil.

A Câmara Municipal de Azambuja lança o primeiro grupo de pais e cuidadores do programa Educação Parental Positiva e Consciente, uma das acções enquadradas no Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar da Lezíria do Tejo (PIICIE), que é cofinanciado pelo Fundo Social Europeu.

Este grupo de pais, formado por 12 elementos, vai ter encontros dinamizados pelos técnicos da Equipa Multidisciplinar de Intervenção Comunitária (EMIC), constituída por dois psicólogos clínicos, uma educadora social e uma animadora sociocultural. As actividades de suporte e formação têm o objectivo de ajudar os pais a compreender as suas próprias necessidades e as dos seus filhos, no processo de desenvolvimento infantil.

O município refere em comunicado, que pretende formar mais grupos de pais ou outros adultos cuidadores de crianças entre os três e os oito anos de idade. "Pretende-se que sejam grupos com uma dinâmica colaborativa, de partilha, centrados na promoção de uma educação positiva e utilizando metodologias de intervenção essencialmente práticas", acrescenta em comunicado.

A inscrição é gratuita e o programa inclui um serviço de babysitting. Os interessados devem preencher uma ficha de inscrição (disponível em cm-azambuja.pt) e enviá-la para o email emic.azambuja@cm-azambuja.pt.

Fonte: O Mirante por indicação de Livresco

sábado, 20 de outubro de 2018

Festival Read On chega a Portugal e põe os jovens a ler

Durante três dias, de 19 a 21 de outubro, jovens acolhem outros jovens e põem-nos em contacto com escritores, ilustradores, músicos, autores de BD, profissionais de rádio e contadores de histórias. Sempre com as palavras e os livros em fundo. Estão programadas múltiplas actividades para conquistar para a leitura um grupo etário que dela tende a afastar-se — dos 12 aos 19 anos.

“É um festival feito por jovens e para jovens e que pretende explorar e valorizar a palavra escrita, falada, cantada, dançada”, diz Graça Carvalha, directora do Agrupamento de Escolas Carlos Gargaté, da Charneca de Caparica, e que integra a equipa coordenadora do projecto internacional de leitura Read On (Reading for Enjoyment, Achievement and Development of Young People), que junta sete parceiros europeus.

O encontro no Solar dos Zagallos (Sobreda) é gratuito, começa nesta sexta-feira às 10h, com a apresentação do livro Água Doce, Fluir com o Rio, e encerra no domingo, às 21h, com o concerto do grupo de rock Tontos. Pelo meio, haverá workshops de ilustração, desenho, escrita criativa, música e BD, gaming e multimédia, formação ambiental e clubes de leitura. 

“Os miúdos no 1.º ciclo leem bastante, leem muito em casa com os pais; no 2.º ciclo, vão lendo um bocadinho menos e, depois, chega ali uma fase da adolescência em que deixam de ler”, explica João Paulo Proença, coordenador interconcelhio para as bibliotecas escolares dos concelhos de Almada e do Seixal e que participa na organização do festival.

Conta ainda: “Os professores perguntam-se como é que podem pôr os alunos jovens a ler. E foi assim que sete parceiros de seis países resolveram fazer um projeto europeu na área da leitura. Cinco desses países fazem há vários anos festivais de literatura: Itália, Espanha, Noruega, Inglaterra e Irlanda. Os outros dois parceiros são uma escola secundária na Noruega e a Escola Básica Carlos Gargaté, que promovem outras atividades durante todo o ano.”

O professor bibliotecário sente e observa diariamente esse afastamento dos adolescentes da biblioteca. “Nessas idades, a leitura torna-se quase uma obrigação. Os professores de língua, sobretudo, indicam os livros mas não apoiam muito a leitura, que é o que as bibliotecas procuram fazer, proporcionando uma oferta diversificada que apele ao gosto pela leitura e pelos livros.”

Dez minutos de leitura por dia

Graça Carvalha, professora de Físico-Química, espera que o festival “perdure no tempo e atraia muitos jovens de Almada, mas também da área metropolitana de Lisboa”. Entre as iniciativas que fazem parte do projeto que acolheu no seu agrupamento desde o ano letivo passado, destaca a que introduziu a prática de os cerca de mil alunos – do pré-escolar ao 9.º ano de escolaridade – lerem dez minutos por dia durante as aulas.

“Fiz as contas e é o equivalente a ter uma disciplina anual de 50 minutos”, explica a diretora. A leitura faz-se em qualquer disciplina, roda os três turnos da manhã e da tarde e cada aluno escolhe o que lê e o suporte em que lê. Podem trazer livros de casa, requisitar na biblioteca ou recorrer à cabine telefónica desativada que foi transformada em depósito de livros, jornais e revistas.

“Houve alguma resistência sobretudo da parte dos professores de Matemática e de Educação Física. Sentiam que estavam a perder tempo, mas rapidamente perceberam que não era assim”, conta Graça Carvalha e acrescenta: “Os miúdos aderiram de tal maneira que, se um professor se esquece de que é na sua aula que está destinada a leitura, eles lembram-lhe.”

A professora conta ainda que, nas “turmas com tendência para comportamentos desviantes, este momento inicial de leitura ajuda a que os alunos se acalmem”, tornando mais fácil ao professor seguir depois com a lição. Sabe que há alguns alunos “que fingem que leem”, mas a maioria “lê mesmo, até aqueles para quem isso antes era impensável”.

Duas centenas de alunos leram mais de cinco livros

João Paulo Proença dá-nos conta do balanço desta iniciativa, que foi apresentado aos professores do agrupamento em julho deste ano.

Os testemunhos de 580 jovens abrangidos pelos dez minutos de leitura completaram deste modo a frase “com esta iniciativa melhorei”: o gosto pela leitura (50%), a concentração (46%), o vocabulário e a compreensão (42%), a forma como escrevo (33%).

Desde o início da atividade (ano letivo de 2017/2018), uma percentagem de 25,7% (229 alunos) leu mais de cinco livros; 30,5% leram três a cinco obras; 39,5% leram de um a três títulos e apenas 6,2% (36 alunos) não leram qualquer obra.

Os livros que leem são sobretudo os que levam de casa, 18% requisitam na biblioteca e poucos recorrem à “cabine telefónica”, somente 8%. A maioria prefere ler nas aulas da manhã, 8h15 e 10h05.

João Paulo Proença partilha (...) algumas das reações dos alunos: “Eu acho que é uma iniciativa muito boa porque toda a gente deve ler. Os alunos devem ler para melhorar o bem-estar da aula, a concentração, o gosto da leitura, o seu vocabulário... A leitura deveria ser de 20 minutos”; “com os livros, nós aprendemos novo vocabulário e dá-nos imaginação”; “em tempo de aulas, termos mais tempo para ler [é] algo muito importante para o nosso desenvolvimento pessoal e educativo”; “podíamos relaxar um pouco antes de a aula começar, e também ajuda em relação às aulas de Português, porque a cada período tivemos de fazer apresentações orais sobre um livro que tenhamos lido, e assim aproveitámos para apresentar o que lemos nestas atividades”; “incentivar as crianças a experimentar outras formas de passar o tempo”; “[permitir] que a turma se conseguisse acalmar para termos uma aula como deve ser”. (...)

O projecto Read On é co-financiado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia.

Fonte: Público

sábado, 2 de dezembro de 2017

Projeto “Ser” ensina crianças de escolas de Albufeira a controlar emoções

O projeto “Ser”, que quer ensinar as crianças a controlar as suas emoções, está a ser desenvolvido no Agrupamento de Escolas de Albufeira (EB1 da Correeira, EB1 de Vale Pedras e EB1 dos Caliços). 
Este é um projeto piloto que tem, então, como «objetivo ensinar as crianças a controlar as suas emoções, através do desenvolvimento da inteligência emocional», diz a Câmara de Albufeira.
O programa, que se insere no âmbito da Área Curricular não Disciplinar “Educação para a Cidadania” que faz parte do currículo do 1º ciclo, teve início no passado mês de Outubro e prolonga-se até ao final do ano letivo, dentro do horário escolar.
Com esta medida, a Câmara de Albufeira «pretende contribuir para o melhoramento do sucesso escolar, para a diminuição da indisciplina, da agressividade e da desmotivação e, numa fase posterior, para a diminuição dos comportamentos de risco nas crianças e jovens do concelho».
«O programa recorre a metodologias como as dinâmicas de grupo e exercícios e jogos criativos, que permitem aos participantes tomarem consciência de si e do seu corpo, com recurso a técnicas de “respiração consciente”, relaxamento ou foco de atenção e concentração, automassagem, entre outras ferramentas utilizadas para o efeito», explica a autarquia.
No final de cada sessão, realiza-se um período de reflexão, em que são transmitidos valores essenciais para viver em sociedade, com o objetivo de ganhar «a noção do respeito por si e pelos outros» e solidificar «um comportamento ético e moral adequado».
Nesta primeira fase, o projeto abrange um total de 750 alunos, prevendo-se que futuramente venha a ser implementado em todas as escolas do concelho, refere José Carlos Rolo, vice-presidente da autarquia e vereador
responsável pelo pelouro da Educação.

«O programa, que faz parte de um conjunto mais alargado de medidas destinadas a promover o sucesso educativo, utiliza um conjunto de ferramentas que contribuem para uma melhor aprendizagem e convívio em ambiente escolar, ensina a libertar tensões e a gerar emoções positivas, treinar o foco e a atenção, saber respeitar-se a si e ao outro, desenvolver a autoestima e a autoconfiança, reduzir a ansiedade e a agressividade, promovendo a saúde e o bem-estar dos alunos a nível cognitivo, social e psicológico», acrescenta.
«As sessões contribuem para o desenvolvimento das competências sociais, assertividade, motivação e criatividade, ajudam a aumentar a força mental, melhoram as capacidades de comunicação e são um espaço privilegiado de partilha e reflexão», conclui.

Fonte: Sul Informação por indicação de Livresco

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Projeto diminui incidência de depressão e desemprego em famílias

Os casos de depressão e desemprego diminuíram entre as famílias com crianças que participaram no projeto-piloto Aprender Brincar e Crescer (ABC), que agora poderá ser replicado por todo o país, revelou a Direção-Geral de Educação. Há cerca de dois anos começou em Portugal um novo programa para as crianças até aos quatro anos que não frequentavam berçários, creches ou infantários: os Grupos Aprender Brincar Crescer (GABC).

Nos GABC, as sessões são dirigidas às crianças, mas também para os pais ou outros cuidadores, que estão sempre presentes.

Todos juntos, aprendem a brincar com materiais reciclados, como caixotes de embalar eletrodomésticos que se transformam em túneis ou divertidos meios de transporte, que foi o que o avô Ilídio fez com a neta Maria Rita na sessão desta terça-feira do GABC do Areeiro, em Lisboa.

Uma vez por semana, dez crianças e educadores reúnem-se numa das salas do Centro Intergeracional do Areeiro para brincar, mas também para que os adultos "possam conversar, trocar experiências e até angústias", contou (...) Cláudia Chambel, dinamizadora do grupo do Areeiro. Este é apenas um dos grupos ABC que existe em Portugal. No total, o projeto-piloto já chegou a cerca de 300 pares.

No Areeiro, as aventuras com brinquedos pouco prováveis só começam depois da "Hora do Conto". Nesta terça-feira a história foi contada pela comissária europeia responsável pelo Emprego, Assuntos Sociais, Competências e Mobilidade Laboral, Marianne Thyssen, que quis ver os resultados do projeto co-financiado pela Comissão Europeia entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2017.

Segundo um estudo feito pelo ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa e pela Universidade de Coimbra (UC), "participar nos grupos ABC trouxe benefícios cognitivos e sociais para as crianças e para os cuidadores, já que baixaram as taxas de depressão e aumentaram as taxas de saúde mental, de empregabilidade e de participação comunitária", contou (...) Pedro Cunha, da Direção-Geral de Educação (DGE), também presente no GABC do Areeiro.

Com o sucesso do programa-piloto, "estamos prontos para estender estes projetos, porque já está validado. Cada vez mais precisamos de investir em educação o mais cedo possível", anunciou o secretário de Estado da Educação, João Costa.

Segundo Pedro Cunha, este projeto pode ser posto em prática em "bibliotecas municipais, jardins públicos, mercados, feiras ou juntas de freguesia... O que não falta são espaços e a garantia de apoio do Ministério da Educação e das outras organizações que têm trabalhado neste projeto".

A DGE coordena este programa em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), a Fundação Bissaya Barreto (FBB), o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), através do seu Programa Escolhas, e as duas instituições de ensino superior.

"Este projeto não é bom apenas para estas crianças que estão aqui, mas para todas as crianças que possam vir a beneficiar deste projeto", disse Marianne Thyssen, em declarações aos jornalistas depois de ler em português com sotaque belga a história "O Bolinha vai à Escola".

Por falta de vaga nas escolas, por incapacidade financeira ou por opção das famílias, as crianças que ficavam em casa têm agora a oportunidade de brincar com outras e assim estarem preparadas para quando chegar a hora de entrar para a escola.

Descalços e sentados no chão, a comissária, o secretário de Estado e o responsável da DGE também cantaram a música de boas-vindas a todos os presentes, participando assim no cerimonial que marca o início de mais uma sessão. Apesar dos convidados, para a Maria Rita, o avô Ilídio foi sempre a pessoa mais importante do GABC do Areeiro.

Fonte: Público por indicação de Livresco

sábado, 25 de novembro de 2017

PROJETOS DEDICADOS À PROMOÇÃO DA INCLUSÃO SOCIAL PODEM CANDIDATAR-SE A DONATIVO

A Missão Continente está a desafiar entidades a candidatarem-se ao Donativo Missão Continente, através da apresentação de projetos dedicados à promoção da inclusão social, através da alimentação. Procuram-se iniciativas nas vertentes de promoção do acesso a alimentos e/ou inserção de públicos vulneráveis, assim como de produção ou transformação de alimentos.

O Donativo Missão Continente propõe-se identificar e financiar projetos relacionados com a alimentação, desenvolvidos pela sociedade, que tanto podem ser de âmbito local como nacional. O objetivo é facilitar a execução dos projetos selecionados, que podem dirigir-se a diferentes idades e perfis de benificiários, podendo assumir diferentes formatos: educação, formação, sensibilização, capacitação, integração social, melhoria das condições de vida, ou então de melhoria de infraestruturas, desde que relacionados com a Alimentação. A título de exemplo, enquadram-se no perfil desejado, projetos de inserção profissional, através da cozinha ou horticultura, e clubes de cozinha para populações em situação de fragilidade, entre muitos outros.

Podem participar organizações nacionais, sem fins lucrativos, privadas ou públicas, legalmente constituídas e registadas, sendo que cada entidade promotora deverá ser dotada de personalidade jurídica e ter autonomia administrativa, financeira e patrimonial. Os interessados podem apresentar os seus projetos até ao dia 30 de novembro, através do site www.missao.continente.pt.

Os projetos serão, depois, avaliados através de uma votação pública, a realizar no site da Missão Continente, e por um júri composto por representantes das seguintes entidades: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Movimento Zero Desperdício, GRACE, Direção Geral de Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar e do Continente.

Os projetos selecionados para o Donativo serão revelados no primeiro trimestre de 2018 e o apoio será assegurado pelo valor angariado pela Missão Continente, resultante da venda dos presentes solidários e de chamadas de valor acrescentado, que acontecem na época de Natal.A atribuição de donativos vem dar continuidade ao apoio que a Missão Continente tem vindo a prestar a projetos de intervenção social. Em 2016, esse apoio traduziu-se no financiamento de 40 projetos de agrupamentos de saúde, com mais de 550 mil euros. 

Contactos:
GCI
Nuno Augusto

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Nos “ninhos”, “as coisas tornam-se mais fáceis de aprender”

Pedro tem oito anos e está a fazer de novo o 2.º ano de escolaridade básica na Escola Básica de Esgueira, em Aveiro. Gosta de ir para o “ninho” - um grupo reduzido de alunos que é desviado da turma para que possa, noutro local, ir usufruindo de um ensino mais personalizado - porque “a professora ajuda mais e as coisas tornam-se mais fáceis de aprender”.

Na biblioteca da escola, igual a tantas outras escolas deste nível de escolaridade com um recreio cheio de árvores que garantem sombra e as habituais composições e desenhos nas paredes dos corredores, Pedro lá vai explicando que, depois de um ano a sentir-se “diferente” por estar a repetir o ano, deverá dentro de pouco tempo transitar para o 3.º ano com alguns bons na pauta.

O seu percurso como aluno personifica a trajetória ascendente que esta escola, no concelho de Aveiro, percorreu num espaço de poucos anos em termos de repetências no 2.º ano de escolaridade: no ano letivo de 2013/14, a escola reteve 13,5% dos alunos que frequentavam aquele ano e, no último ano lectivo, as repetências circunscreveram-se já a apenas 3% dos alunos.

Por fim, no ano letivo em curso, “e a ter em conta as avaliações do 2.º período, a escola deverá chegar ao fim com zero repetências”, na expectativa da diretora do agrupamento, Helena Libório. Foi o bastante para que a Escola Básica de Esgueira passasse de caso de insucesso para um dos bom exemplos apontados no projeto Aprender a Ler e a Escrever, apresentado segunda-feira, na Gulbenkian, que procurou aprofundar o problema do insucesso nos primeiros anos de escolaridade.

O insucesso escolar no 1.º ciclo do ensino básico atinge 14% das 3886 escolas públicas deste nível, segundo o estudo coordenado pela ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues. No total, 541 escolas foram classificadas como “escolas de insucesso”. E a Esgueira foi, até há pouco tempo, um destes maus exemplos. “Tínhamos uma percentagem de retenções superior à média nacional”, recorda Helena Libório.

O que se passava?

Quando assumiu o cargo de diretora do agrupamento, em julho de 2013, uma das perguntas que se lhe colocaram foi: “O que é que um aluno ganhava ficando retido? Quando se lhes perguntava o que se passava, os professores iam dizendo coisas como: os miúdos não estudam, têm dificuldades, não aprendem a ler nem a escrever como deviam no 1.º ano, as famílias são por vezes desinteressadas… Eram razões que não tinham que ver com aquilo que a escola podia mudar, isto é, a escola não pode dar um emprego aos pais nem mudar as condições sociais deles. E sabemos, até porque todos os estudos apontam nesse sentido, que um aluno que fica retido acaba quase sempre por sofrer outra retenção ao longo do seu percurso e que acaba por acumular dificuldades. Então ficou claro que o que era necessário, e isso a escola podia fazer, era intervir logo que os alunos começassem a acumular dificuldades.”

A solução não implicou investimentos colossais de dinheiro nem o recurso a nada que não existisse já. “Introduzimos o projeto Fénix, ou seja, começámos a ter em conta a sua metodologia na forma como organizámos as turmas e os apoios educativos, em 2014/15 de uma forma ainda um pouco débil, e consolidámos depois em 2015/16”, descreve Helena Libório.

Na prática, o que mudou? “Cada turma tem dois professores, o titular e um de apoio. Quando o professor titular se apercebe que há alunos que evidenciam dificuldades num determinado conteúdo, chama-os para o "ninho", onde, numa sala diferente e até um máximo de seis horas por semana, estes alunos são ajudados a ultrapassar as respectivas dificuldades. Enquanto isso, o professor de apoio fica com o resto da turma dá continuidade aos trabalhos com os restantes alunos, ajudando-os a aprofundar as matérias dadas.”

E não, não há risco de estigmatização. “Pelo contrário, já me aconteceu ter alunos a perguntar-me se não podem ir também para o ninho porque eles falam entre si e apercebem-se de que ali têm um apoio maior da parte do professor”, garante Fernando Rodrigues, coordenador do departamento e professor de apoio nalgumas turmas. Mas o principal entrave ao estigma é a flexibilidade do método. “Os alunos que entram no ninho não são sempre os mesmos. Vão entrando e saindo à medida que evidenciam e ultrapassam as dificuldades face a determinadas matérias. A lógica é intervir logo que as dificuldades se instalem para impedir que elas impeçam as aprendizagens seguintes”, complementa Helena Libório.

O click necessário

Sendo o 2.º ano de escolaridade o primeiro em que são admitidas retenções no sistema português de ensino, é nesta fase que muitos alunos são travados pelas dificuldades de leitura e interpretação dos textos que vêm de trás. “Se um aluno vai para o 2.º ano sem ter adquirido o mecanismo da leitura”, explica Fernando Rodrigues, “não consegue ler os testes e os textos e isso tem implicações tanto no Português como na Matemática e no Estudo do Meio. E aquelas aulas do ninho, ainda que sejam apenas uma hora e meia, rendem muito com estas crianças, porque é naturalmente diferente ensinar um grupo de três ou quatro alunos”. “Por vezes”, reforça, “é só uma questão de mudar de estratégia pedagógica para se conseguir o click necessário”.

Face aos resultados obtidos, e porque há nesta escola uma “consciência colectiva de que a retenção não é uma inevitabilidade nem a solução para que os alunos façam as aprendizagens necessárias”, como enuncia Helena Libório, a pedagogia Fénix foi entretanto alargada a outros níveis de ensino. E, mais do que isso, a outro tipo de alunos: “Nas turmas em que há uma maioria de alunos bons, os três ou quatro que são muito bons acabam por ficar um bocado estagnados porque o esforço do professor anda em torno do grande grupo. Então decidimos aproveitar a metodologia Fénix para criarmos também ninhos de alunos de alto rendimento e, como se diz na gíria, puxarmos por eles”.

Não se pense que a redução das retenções a zero resultou de uma maior benevolência na atribuição do "Suficiente” necessário para transitar de ano. Tomando como exemplo o desempenho a Português da turma do 2.º A, no 1.º período deste ano letivo, houve 14 bons e muito bons contra apenas seis suficientes e dois insuficientes. “O único segredo aqui está em intervir logo que surgem as primeiras dificuldades, porque estes dois primeiros anos de escolaridade são definidores de todos os anos subsequentes”, enuncia Helena Libório, para recordar as premissas de partida: “A retenção não é uma inevitabilidade nem a solução para que os alunos façam as aprendizagens. É, pelo contrário, geradora de exclusão.”

No caso de Pedro, que se situa agora no grupo de alunos de “Suficiente” ou “Bom”, o salto na leitura foi “absolutamente incrível”, nas palavras da professora Edite Carmo. O aluno, aliás, continua a merecer atenção especial, mas agora no ninho dos alunos de médio rendimento, que a professora decidiu experimentar para “tentar que alguns suficiente passem a bom”. E porque “seria um pouco chato’ continuar no 2.º ano, Pedro garante que já domina as contas de dividir e de vezes. Ao lado, o amigo, Rodrigo, aproveita apenas o microfone para deixar um único pedido: “Era bom termos um campo de futebol maior, insufláveis e um baloiço no recreio.”

Fonte: Público

Projecto Fénix já chegou a 110 escolas e a mais de 118 mil alunos

Desde que foi criado, em 2008, o projeto Fénix já chegou a mais de 118 mil alunos. No actual ano letivo, está em 110 escolas do continente, a que se somam mais 14 estabelecimentos de ensino nos Açores. Começou por se aplicar no primeiro ciclo do ensino básico mas, ao longo dos anos, alargou-se aos restantes ciclos, estando actualmente, em fase-piloto, numa escola secundária. A filosofia é sempre a mesma e resume-se, nas palavras da coordenadora do projeto, Luísa Moreira, em poucas linhas: “Desenvolver o potencial máximo de cada aluno, assegurando-lhe um ensino mais personalizado e de maior proximidade sempre que haja necessidade disso.”

Num país que é o segundo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico com mais reprovações precoces, e que em 2014/15 apresentava uma taxa de repetência de 10,3% no 2.º ano do primeiro ciclo do básico, tornou-se óbvio para Luísa Moreira que a escola nem sempre consegue eliminar a “concorrência desleal” que se gera entre os alunos que provêm de meios favorecidos e os que nunca saíram do seu bairro. “Os alunos de alto rendimento, cujos pais têm formação académica capaz de os ajudar, são capazes de aprender em qualquer lado. O projeto foi pensado para os outros, os meninos de baixo rendimento que a escola ia deixando pelo caminho, retendo-os, mas sendo incapaz ao mesmo tempo de lhes melhorar as aprendizagens e de os transformar em jovens confiantes e capazes de desafiar a vida e o mundo”, recua a professora.

E porque deixar os alunos passar administrativamente de ano letivo “seria outra mentira com repercussões igualmente negativas”, Luísa Moreira pensou numa organização diferente da escola, capaz de acompanhar “as diferentes velocidades de aprendizagem dos alunos”. Na prática, é simples. Cada turma tem, além do professor titular, um professor de apoio, o chamado professor Fénix. Sempre e logo que um determinado grupo de alunos evidencia dificuldades acrescidas na aprendizagem de uma dada matéria, esses alunos são “puxados” para um espaço exterior à sala de aula — o ninho — onde, até um máximo de seis horas por semana, o professor titular lhes garante um ensino mais personalizado. “Cria-se aqui um ambiente de calma e tranquilidade em que os alunos se sentem à vontade e não ficam envergonhados perante o que os outros possam pensar quando dizem 'Professor, não percebi’, porque está dentro de um grupo que tem as mesmas dificuldades”, explica Moreira.

Enquanto isso, o professor Fénix acompanha o resto da turma, aprofundado a matéria lecionada, mas sem avançar nos conteúdos. “Podem, por exemplo, lançar debates ou pegar em poesia para explicar sensações e sentimentos. Ninguém aprende conteúdo novo sem os meninos que saíram para recuperar os não saberes”, acrescenta Luísa Moreira, para acrescentar que, no fim, ganham todos: “É que os alunos de alto rendimento tendiam a ficar parados enquanto o professor investe na recuperação daqueles que precisam de mais tempo”. Por estes dias, o projeto Fénix está já em fase-piloto numa escola secundária e os seus coordenadores aguardam pelas conclusões da avaliação que pediram para ajudar a quantificar o impacto do projecto nas taxas de retenção apresentadas pelas escolas abrangidas.

Fonte: Publico

sexta-feira, 24 de março de 2017

‘Inov@louros’ sai da caixa na educação

Uma escola voltada para o futuro está a funcionar na Escola de 2.º e 3.º Ciclos dos Louros, a forma encontrada pela instituição de ensino para responder a um conjunto de alunos desmotivados que não encontrava na escola tradicional um caminho. Falamos do projeto ‘Inov@louros’, um formato inspirado na famosa Escola da Ponte em que mais de 60 alunos de currículos alternativos e de ensino de adultos encontra às quartas-feiras uma sala de aula diferente. A principal diferença é que é cada aluno quem define o que quer aprender, escolhendo no início do ano letivo um tema, desenvolvido depois em quatro salas de aula e várias atividades, sempre decididas pelos próprios. O resultado, diz um dos coordenadores, são alunos mais motivados, participativos e integrados. (...)

“Este projeto é uma tentativa de trazer a escola para o século XXI”, revelou Elsa Trindade. “Nós achamos que continuamos a trabalhar de forma muito tradicional dentro da sala de aula, que não dá resposta aos alunos”, disse a coordenadora, que com Francisco Pereira está à frente do projeto.

Na intervenção, Miguel Albuquerque reforçou a intenção do Governo Regional de trabalhar novas abordagens. “Um dos objetivos do nosso programa na área da Educação é pensar um pouco fora da caixa”, assumiu o presidente do Governo. Falando para a plateia, referiu a velocidade a que a sociedade evolui e que as mudanças serão cada vez mais rápidas.

Da parte do secretário, novos projetos que venham responder aos desafios da comunidade educativa são bem-vindos e mais do que modelos a adotar em todas as escolas, prefere modelos feitos à medida de cada instituição de ensino, explicou Jorge Carvalho: “Nós não atuamos na lógica da replicação dos projetos. Nós o que procuramos é validar, sensibilizar para a necessidade de encontrarmos projetos que possam responder de forma muito positiva aquilo que são os desafios da escola, os desafios da sociedade, mas acima de tudo as necessidades dos alunos”.

Fonte: Dnotícias por indicação de Livresco

terça-feira, 14 de março de 2017

Alunos apresentam projeto “Incluir pelo gesto e pelo som”

“Eliminar barreiras linguísticas e promover a inclusão de alunos surdos” são os principais objetivos do projeto “Incluir pelo Gesto e pelo Som: dois por todos e todos por dois”, dinamizado na Escola Básica de Lagoa, pertencente ao Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco.

O projeto, que visa “envolver todos os alunos da escola e a comunidade educativa”, destaca-se “não só pelas iniciativas desenvolvidas, mas primordialmente pelo facto de constituir uma ação preventiva e potenciadora de capacidade de inclusão plena”. “Com este trabalho, ambicionamos divulgar a Língua Gestual Portuguesa como meio de comunicação”, adiantou fonte da escola.

No dia 2 de março, os alunos, acompanhados pelas professoras, apresentaram este projeto na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, “cantando músicas gestualizadas, e partilharam com o presidente, Paulo Cunha, e vereador da Educação, Leonel Rocha, os desafios e conquistas do projeto”. 

No final do ano letivo 2015/2016, o projeto “Incluir pelo gesto e pelo som”, que surgiu no “âmbito da inclusão de dois alunos com surdez”, recebeu o 1.º prémio do Concurso Nacional Escola Alerta, promovido pelo Instituto Nacional para a Reabilitação. E foi a partir deste prémio que “construíram uma agenda com gestos da Língua Gestual Portuguesa”. Além da comunidade educativa da Escola da Lagoa, o projeto conta com o apoio de Luísa Peixoto, intérprete de Língua Gestual Portuguesa, Rui Loureiro, terapeuta da fala, e Fátima Dias, terapeuta ocupacional.

Fonte: Jornal do Ave por indicação de Livresco

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Projeto pedagógico da Gulbenkian: “Dantes não éramos unidos. Agora somos uma turma”

Passam poucos minutos das 9h00 na Escola Secundária do Cerco, no Porto. Numa sala de aula, os alunos espreguiçam-se em simultâneo, de pé, em torno de um conjunto de mesas que formam uma única, ladeada pelas cadeiras onde estavam sentados segundos antes. Comportamento pouco próprio para uma aula de História?


A coordenadora do projeto no Porto, Luísa Corte-Real, também responsável pelo serviço educativo do Teatro Nacional São João (TNSJ), explica que é apenas mais um exercício das “micropedagogias” criadas pela tripla composta por duas professoras, de Educação Física e História, e uma encenadora e atriz convidada pelo TNSJ, no âmbito do projeto pedagógico 10x10, levado a cabo pela Fundação Calouste Gulbenkian. Objetivo: desenvolver novas estratégias educativas em contexto de sala de aula.

“Era constrangedor fazer algumas figuras frente aos colegas”, diz Ricardo Dias, de 16 anos, que no início do ano não conhecia quase nenhum dos colegas de turma. Essas “figuras” são exercícios de concentração, de leitura ou de energização, como é o caso do espreguiçar. Para trás estão nove anos de frequência na escola, onde se habituaram aos métodos de ensino convencionais.À escola do Porto, situada numa das zonas mais desfavorecidas da cidade, esta abordagem ao ensino, que está na sua quinta e última edição, chegou há três anos, numa parceria estabelecida com o serviço educativo do TNSJ. No início os alunos estranharam. Progressivamente foram-se habituando e adaptando a uma nova forma de aprender. O (...) assistiu a uma destas “aulas” numa turma de 26 alunos do 10.º ano, que neste ano letivo foram escolhidos para fazer parte do projeto.

Na edição deste ano, no Cerco, a matéria foi articulada entre duas disciplinas: História e Educação Física. A escola programou o horário da turma de forma a que as duas “cadeiras” fossem lecionadas uma a seguir à outra, formando uma espécie de aula conjunta de 180 minutos. De acordo com Dárida Castro, professora de Educação Física há 37 anos, e há quase 30 no Cerco, numa fase inicial isso causou alguma “confusão e estranheza” nos alunos. Como se cruzam os programas de disciplinas tão distintas quanto estas? A matéria centrada na Civilização Grega e Romana, teria que ser de alguma forma encaixada no atletismo ou na ginástica acrobática.

Foi a partir do momento em que se realizou um peddy paper que misturou o exercício físico com a matéria de História que “os alunos entraram no espírito”, conta a professora de Educação Física. Como o ponto de partida são as duas civilizações, nas aulas fazem-se alguns exercícios de acrobacia “mais dramatizados”, na tentativa de recriar edifícios, como o coliseu romano ou esculturas e estátuas, e coreografias que simulam as deslocações em grupo e os ritmos da passada dos legionários do exército romano.

O projeto pedagógico 10x10 apresenta um modelo que recorre a métodos de ensino alternativos, no sentido de motivar os alunos e de os incluir no processo de aprendizagem. Essa participação é um dos aspectos que mais atrai os alunos. “Dantes não éramos unidos. Agora somos uma turma”, afirma Patrícia Silva, de 15 anos, que considera que esta abordagem criou uma maior união entre professores e alunos e com o resto dos colegas.

“Não há propriamente uma receita”

No dia em que (...) visitou a escola do Cerco, na sala de aula discutia-se em conjunto. Na aula de História estavam presentes, além da professora da disciplina e dos alunos, a professora de Educação Física, Dárida Castro, e a atriz e encenadora Rosário Costa. E tem sido assim desde o início do ano letivo.

Nos últimos dias, os preparativos centram-se na Aula Pública que será apresentada no dia 28 de janeiro na Gulbenkian, em Lisboa, a 11 de fevereiro em Loulé e a 25 de fevereiro no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, as três áreas geográficas onde o projeto funciona. Estão envolvidos o Agrupamento Dr.ª Laura Ayres, em Loulé, o Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro, em Oeiras, a Escola Seomara Costa Primo, na Amadora, e a Secundária do Cerco, no Porto.

A Aula Pública será o culminar do trabalho desenvolvido durante o primeiro trimestre do ano letivo. É uma apresentação pública que resume as “micropedagogias” desenvolvidas pela artista convidada, Rosário Costa, à volta das matérias do plano curricular das duas disciplinas. A atriz garante que “não há propriamente uma receita” para a criação dessas “micropedagogias”. É “necessário ter em conta todos os fatores envolvidos”, que passam pelo espaço, alunos e professores.

A metodologia desta abordagem difere da convencional, precisamente por existir uma parceria ativa entre os professores de diferentes disciplinas e o artista convidado, no sentido de proporcionar ao aluno “um ensino orientado, mas também autónomo”, muito diferente do que acontece no método convencional que é “meramente expositivo e de memorização”, explica Dárida Castro. Um método que, diz, está “desatualizado” e longe das necessidades dos alunos “que são muito diferentes dos de há alguns anos atrás”. A professora sublinha, que apesar de esta ser a última edição do projeto, o trabalho que foi desenvolvido não termina: “A ideia é que estes métodos continuem a ser utilizados e replicados por outros professores noutras turmas.”

De resto, garante, nesta escola alguns professores já mudaram as suas práticas por causa deste projeto. A começar por ela.

Fonte: Público por indicação de Livresco

terça-feira, 18 de outubro de 2016

APRESENTAÇÃO DO PROJETO INVESTIR NA CAPACIDADE (PIC)

Agrupamento de Escolas de Nelas 19 de outubro | 17h30-20h | Auditório do Pavilhão Multiusos da Câmara Municipal de Nelas
Este ano (e durante 30 meses), graças ao convite do Centro de Formação EduFor, o PIC tem uma dimensão europeia, ao integrar o Projeto Erasmus+ STEM for All Seasons - Irlanda, Portugal, Alemanha, Grécia e Eslovénia.
Convidamo-lo a conhecer um projeto inovador!
Entrada livre
 
Entidades Parceiras deste Projeto: 
  • Agrupamento de Escolas de Nelas 
  • Câmara Municipal de Nelas 
  • Fundação Lapa do Lobo 
  • Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas 
  • Universidade Católica Portuguesa: Departamento de Economia, Gestão e Ciências Sociais; Departamento de Ciências da Saúde – Ciências Biomédicas 
  • Instituto Superior Politécnico de Viseu: Escola Superior de Educação de Viseu; Escola Superior de Saúde de Viseu; Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu; Escola Superior Agrária de Viseu 
  • Centro de Formação EduFor 
  • Instituto Português do Desporto e da Juventude 
  • Cine Clube de Viseu

terça-feira, 26 de julho de 2016

BPI Capacitar 2016

Um prémio anual de 500 mil euros para apoiar as pessoas com deficiência.

O Prémio BPI Capacitar tem por missão a promoção da melhoria da qualidade de vida e a integração social das pessoas com deficiência ou incapacidade permanente.

Criado em 2010, o Prémio BPI Capacitar atribuiu mais de 3,2 milhões de euros a instituições sem fins lucrativos para a implementação de 106 projectos de inclusão social, que abrangem mais de 24 mil beneficiários directos. Esta é uma das iniciativas mais relevantes de Responsabilidade Social Corporativa em Portugal.


As candidaturas ao Prémio BPI Capacitar poderão ser efectuadas de 1 a 31 de Julho de 2016.

Fonte: BPI

domingo, 12 de junho de 2016

Alunos “aprovados” como mediadores de conflitos

O Agrupamento de Escolas de Valongo do Vouga, em Águeda, assume como “muito relevan­te” a promoção da participação dos alunos na vida académica com vista a uma melhor identi­ficação com a escola, razão que levou à constituição de um Clu­be de Mediadores, que terminaram o seu período formativo. Numa perspetiva preventiva, “esta necessidade foi aliada à importância de promover competências pessoais e sociais”, o que culminou na constituição de um Clube de Mediadores no ano lectivo 2013/2014. A mediação, enquanto meio construtivo de resolução de conflitos, oferece um espaço ideal para desenvolver, quer naqueles que desempenham o papel de mediadores, quer naqueles que como mediados trabalham em conjunto para a resolução dos seu problema, a capacidade de respeito mútuo, comunicação assertiva e eficaz, compreensão da visão do outro, aceitação da diferente percepção da realidade.

Fonte: Diário de Aveiro por indicação de Livresco

sábado, 4 de junho de 2016

'Erasmus+' já levou alunos especiais da Escola dos Louros a três cidades europeias

A EB 2,3 dos Louros integra desde setembro de 2015 um projeto bianual no âmbito do programa 'Erasmus+'.

Este projeto tem como objetivo mostrar como os alunos com necessidades educativas especiais transitam para a vida ativa nos diferentes países parceiros: Alemanha, Letónia, Polónia, Inglaterra, França e Portugal, partilhando experiências e mostrando aos alunos as semelhanças e diferenças entre as escolas.

As turmas envolvidas neste projeto são o 5.º A e 7.º A, de Percursos Curriculares Alternativos, com alunos de idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos.

Até ao momento decorreram três atividades de aprendizagem, que implicam a deslocação aos países parceiros. Em cada uma delas participaram três professores e três alunos de cada país.

As cidades visitadas foram Londres (Inglaterra), Riga (Riga) e Lódz (Polónia).

Nestas mobilidades os alunos participaram diversas atividades, nomeadamente em aulas de ciências, artes, culinária, jardinagem, desporto, geografia, hotelaria, entre outras. Os alunos tiveram também a possibilidade de visitar museus, frequentar workshops e explorar a cidade.

No tempo que medeia as atividades de aprendizagem, os alunos desenvolvem pequenas tarefas, previstas no projeto, e que são desenvolvidas na escola, tais como levantamento de tradições e reconhecimento orográfico da RAM, artes, desenvolvimento de competências na língua inglesa através da escrita de textos com temas definidos no projeto. Todo este trabalho é partilhado com os parceiros através da plataforma Twinspace.

Na opinião dos alunos estes projetos são muito importantes para a escola, pois permitem-lhes conhecer outros países, outras cidades, fazer novos amigos e desenvolver os conhecimentos de língua inglesa. Muitos focam também a possibilidade de andar de avião, metro e comboio, transportes que não existem na RAM.

No próximo ano letivo serão retomadas as atividades de aprendizagem nas cidades de Hanover (Alemanha) e Draguignan (França).

Fonte: Dnotícias por indicação de Livresco

domingo, 15 de maio de 2016

Jovens em risco de abandono escolar desafiados a descobrir competências

Desde o início deste ano que 14 jovens do concelho de Santa Maria da Feira, em risco de abandono escolar, integram um projeto-piloto da Câmara Municipal, que procura desafiar os jovens a descobrir e a desenvolver competências fora dos muros da escola, capacitando-os para o desenho e construção do seu projeto de vida.

O projeto Desafia-TE, que entra agora numa fase de avaliação, tem acompanhamento técnico da Rede Inducar e conta com a parceria de várias associações locais.

Antes de desenhar o modelo do projeto Desafia-TE, o Gabinete da Juventude da Autarquia esmiuçou dados estatísticos do concelho e da região; visitou outros projetos nacionais que procuram combater o mesmo problema; avançou com um diagnóstico concelhio em colaboração com os agrupamentos de escolas; envolveu os psicólogos, diretores de turma, encarregados de educação e alunos no processo de definição do modelo a seguir; e desafiou as associações locais a participar ativamente na implementação das várias ações – facto que se revelou diferenciador no universo de projetos com o mesmo fim.

O objetivo do Desafia-TE é que os jovens envolvidos contactem, de forma lúdica e pedagógica, com as mais variadas formas de aprendizagem, que os ajudem a descobrir quem são e o que gostam de fazer, e a adquirir competências que lhes permitam dar um passo rumo a novos percursos pessoais e profissionais, sempre com o envolvimento das associações locais, com as quais os jovens poderão um dia colaborar. 

Todas as quartas-feiras à tarde os 14 jovens do Desafia-TE encontram-se para trabalhar novas competências, como a atenção, a comunicação, o desenvolvimento pessoal, a aprendizagem e a valorização de histórias de vida, e explorar áreas de interesse, como a música, a dança, a oferta formativa e de emprego, tendo como base uma metodologia de educação não formal. 

Estes 10 rapazes e quatro raparigas, entre os 14 e os 18 anos, frequentam maioritariamente cursos vocacionais em escolas do concelho e muitos deles estavam na iminência de abandonar a escola, porque não encontravam no ensino formal um nível de motivação suficiente para continuar. Decorridos quatro meses, existe já uma perceção generalizada de evolução, estando o projeto em fase de monitorização e avaliação, quer pela Rede Inducar, quer pelos encarregados de educação, professores, psicólogos e técnicos municipais que acompanham o projeto em permanência no terreno.

“O nosso objetivo é que, através da inclusão, capacitação, participação, autonomia, criatividade e inovação, estes jovens fiquem mais preparados, mais motivados, mais confiantes e mais autónomos para descobrir o que o nosso território tem para lhes oferecer, explorando as suas capacidades e talentos e procurando o seu próprio caminho”, refere a vereadora da Educação, Desporto e Juventude, Cristina Tenreiro. 

Intervindo na linha da prevenção secundária, o Município de Santa Maria da Feira pretende travar o crescimento do número de jovens desocupados, que não estudam nem trabalham – a chamada Geração NEEF (Nem em Emprego, Nem em Educação ou Formação) – e cujos sonhos se vão perdendo numa espiral de desmotivação, desvalorização pessoal e exclusão.

Fonte: Notícias de Aveiro por indicação de Livresco

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Há uma rede para salvar os jovens que as malhas da escola deixam cair

Fábio Daniel chumbou no 5.º ano. Uma, duas vezes. Ainda fez 6.º, mas acabou por desistir, quando tinha uns 12, 13 anos. Agora, com 24, fala como se o período que decorreu entre o início e o fim da adolescência, que viveu num dos bairros sociais do Porto, não existisse. O que é que fizeste quando saíste da escola? A resposta é breve: “Nada”. Quer falar do que aconteceu depois de aos 22 ter entrado no Arco Maior, o projeto que salva as crianças que caíram por entre as malhas da escola. Foi por causa dele que voltou a estudar e que começou “a encarar a vida destemidamente”.

O Arco Maior não é uma escola. E também não é uma alternativa às escolas já existentes. É provável que nesta sexta-feira o coordenador daquele projeto e especialista em Educação da Universidade Católica do Porto, Joaquim Azevedo, insista nesta ideia.

Terá oportunidade de intervir, durante a cerimónia de formalização do apoio financeiro de Alexandre Soares dos Santos, do Grupo Jerónimo Martins, ao projeto lançado em 2013. E tem feito sempre questão de que isto fique claro: o Arco Maior aparece quando tudo o resto falha, quando a exclusão definitiva das crianças e dos jovens está a um passo, quando “eles já abandonaram a escola e foram abandonados por ela”.

Nasceu no Porto, onde há centenas de jovens em situação de abandono escolar sinalizados pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, mas podia ter nascido noutra cidade em que eles também existem. É “um local e um tempo que oferece a quem já caiu por entre malha de todas as escolas e centros de formação da cidade o tempo e a oportunidade de se reencontrar e recomeçar”, descreveu Joaquim Azevedo no relatório sobre o primeiro ano de atividade do Arco Maior.

Já tinha havido vários arranques em falso, quando o projeto se iniciou, em 2013, envolvendo, para além da Universidade Católica do Porto, a Santa Casa da Misericórdia, que ofereceu as instalações; o Ministério da Educação e Ciência (MEC), que cedeu os professores; o Instituto de Emprego e Formação Profissional, que pagou aos formadores; e vários mecenas que asseguraram o pagamento de equipamentos e despesas de funcionamento.

A ideia inicial era que abrangesse jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, em situação de abandono escolar efetivo. Mas estes só chegarão neste ano letivo. Naquele primeiro ano, o MEC determinou que deveriam ser acolhidas apenas pessoas com 18 anos ou mais. E foi com base nessa regra que, com a ajuda das Comisssões de Proteção de Jovens em Risco e instituições de apoio social, foram selecionados e convidados a participar no projeto socioeducativo 20 rapazes e raparigas. Em comum, para além de terem abandonado a escola sem completar o 9.º ou mesmo o 6.º ano de escolaridade, tinham o facto de fazerem parte das 24% de pessoas da cidade do Porto que vivem em bairros sociais e “ilhas”, espaços que concentram fenómenos de violência quotidiana, tráfico de droga e pobreza, como os caracteriza Joaquim Azevedo.

Na casa do Arco Maior, aqueles 20 jovens, entre os quais Fábio, comprometeram-se a fazer um percurso de formação de 30 horas por semana, ao longo do equivalente a um ano letivo, recebendo, caso tivessem sucesso, a respetiva certificação escolar. As áreas nucleares da formação seriam Linguagem e Comunicação, Matemática para a Vida, Inglês, Cidadania e Empregabilidade, complementadas com as práticas oficinais de Restauro, Restauração e Cozinha, Artes e Ofícios e Tecnologias de Informação e Multimédia. O objetivo era ensiná-los, sim, mas promover, também, a sua autonomia e a inserção social.

No final do ano letivo, havia apenas três baixas: “um desistiu, um foi para o estrangeiro e outro foi detido”, pode ler-se no relatório. Dos restantes, dez transitaram e continuaram em formação no ano seguinte; e sete atingiram os objetivos definidos para aquele período: três obtendo a certificação do 6.º ano e inscrevendo-se para o passo seguinte; e quatro concluindo o 9.º ano.

Os dados relativos ao ano letivo 2014/2015 (em que a equipa do Arco Maior trabalhou com 29 jovens) também deixam adivinhar casos de sucesso e de insucesso. Nos estudos, mas não só: uma pessoa abandonou o projeto depois de um furto naquela casa, outra viu suspensa a frequência no Arco Maior pelo tribunal, depois de ter praticado atos de violência sobre uma companheira que participava no projeto e com quem namorava.

“O Arco Maior não é uma varinha mágica que muda bairros, famílias, situações de pobreza e de exclusão”, escreveu Joaquim Azevedo no relatório que enviou para o MEC, em 2014. Alguns dos jovens que passaram pelo projeto, no entanto, falam como se fosse.

“Mudou a minha vida”, dizia, esta semana, Bruno Filipe, de 20 anos, a horas de iniciar uma semana de estágio do Curso de Cozinha e Pastelaria no Hotel da Música, no Porto. Bruno, que tem como colega no novo curso outro ex-formando do Arco Maior, refere-se à maneira como os professores ensinam e à sua “imensa paciência”, mas, principalmente, ao facto de ali ninguém ter “desistido” dele.

“Por exemplo, no Arco eu também faltei, como fazia na escola normal. Tinha arranjado uma namorada e estava a ser difícil conciliar as coisas. Mas eles não desistiram de mim. Procuraram-me, fizeram-me voltar, conversaram comigo, importaram-se, importaram-se mesmo. Acreditaram que eu podia ser alguém”, resume. Agora, explica, também ele acredita nele próprio. E apesar de às vezes ser assaltado por dúvidas - "Três anos é muito tempo e na nova escola também já faltei..." - acredita que em 2018 terá a equivalência ao 12.º ano e uma habilitação profissional.

Bruno inaugurou o projeto, à semelhança de Fábio, que completou o 9.º ano em abril e está a aguardar vaga num curso de Turismo “para começar mais uma jornada, desta vez até ao 12.º ano”. Também este fala da "importância" do Arco e dos professores na sua vida. “Quando uma pessoa se sente sem força e sem vontade, se alguém acreditar e depositar toda a sua fé nessa pessoa, ganha-se uma confiança e uma autoestima muito forte, e isso era coisa que eu não tinha em mim antes do Arco Maior”, explicou, numa conversa através do Facebook.

Como Bruno, refere-se às faltas às aulas e ao facto de os professores os procurarem. Por o fazerem e pela maneira como o fazem: “Reparamos na sinceridade deles, porque isso dá para ouvir na voz deles e também se lê nas mensagens deles”.

Sim, não é teatro, explica nesta quinta-feira Isabel Lagarto, uma das professoras coordenadoras do projeto, enquanto aguarda na fila para comprar o passe de transportes públicos para “os meninos”, na companhia de duas jovens do Arco Maior que, a seguir, há de acompanhar ao médico. Não sabe quando acabará o dia: “Aqui não temos outra hipótese senão envolvermo-nos profundamente. Ou era assim ou não servia de nada estarmos aqui”, comenta.

Este ano, o Arco Maior acolhe, pela primeira vez, crianças mais novas e talvez seja diferente, diz Isabel Lagarto. Mas, pelo menos com os mais velhos, não costuma haver exceções: “Chegam-nos muito castigados pela vida, muito desgastados, não esperam compreensão nem carinho. Normalmente, há um momento em que nos querem contar as suas vidas, as coisas menos boas que fizeram. E é nessa ocasião que eu aproveito para lhes dizer: “Para mim, o teu passado não existe, estamos a partir do zero. De bom e de mau, só me interessa o que fizeres a partir daqui”. Também lhes diz que não agradeçam. Fá-los crer - e é verdade, assegura - que vê-los felizes é a única coisa que lhe importa.

O sentimento de proteção ali é tão forte, conta Joaquim Azevedo, que alguns dos jovens fazem por retardar a saída faltando a algumas aulas, demorando, de propósito, a atingir os objetivos. Isso, apesar de os professores que fazem parte do projeto se desdobrarem para os apoiar e encaminhar nos passos seguintes (a procura de emprego, para uns, ou a continuação dos estudos, para outros).

Fábio diz que não é o caso dele, que é verdade que dantes “não tinha autoestima”, mas que agora já não tem medo. Escolheu o curso de Turismo porque é dos que têm mais saída no mercado de trabalho, explica, e está ansioso por começar: “O Arco deu-me a chance de encarar a vida destemidamente, vou agarrar este novo desafio com unhas e dentes”. Diz que o faz pelos pais. E também por ele.

Fonte: Público

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Candidatura às Bolsas Sociais EPIS Escolas de Futuro

A Associação EPIS, desde 2011 que tem vindo a desenvolver iniciativas de estímulo e apoio às escolas que pretendam promover a inclusão social de jovens em risco de insucesso ou de abandono.

Com o propósito de reforçar essas iniciativas, encontram-se abertas até ao próximo dia 20 de setembro as candidaturas às Bolsas Sociais EPIS - “Escolas de Futuro”.

O regulamento que estabelece as condições de acesso, os critérios de seleção, o processo e calendário das candidaturas para as Bolsas Sociais EPIS 2015-2018 – “Escolas de Futuro” estão disponíveis em http://www.epis.pt/homepage.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

“Os 5.ª Punkada tocam alguma coisa de jeito?”

Na sala de música da Quinta da Conraria, nos arredores de Coimbra, dez crianças batem com os pés no chão, ao ritmo que o baterista da banda da 5.ª Punkada impõe, cada vez mais intenso.

O workshop, que faz parte das atividades do campo de férias, está a terminar, e duas das meninas mal podem esperar para correr para o único elemento feminino da banda. Uma é Raquel, de 9 anos, que, assim que a música se cala avança com os olhos sorridentes presos nas tranças finas de Fátima: “Tens um estilo muito giro!” Maria Inês, mais nova, e também mais baixinha, tem uma pergunta a fazer sobre aquilo que está ao nível do seu olhar: “Por que é tens o braço amarrado à cadeira?”

Fátima Pinho, de 50 anos, nem pestaneja. Agradece o elogio a Raquel e mostra que, de facto, não pode mexer o braço direito até que alguém lho liberte: “Não controlo os movimentos e podia atirar o teclado pelos ares, entendes?” Inês faz que sim com a cabeça. Depois, franze os olhos, a observar o vocalista, que também está numa cadeira de rodas e igualmente rodeado de crianças: “Mas o Fausto também não controla os movimentos e não tem os braços presos…” 

Como é que se passou de um tradicional workshop de música – em que as crianças aprendem a letra de uma canção, exploram as vozes, ensaiam ritmos e experimentam instrumentos – para esta sessão de perguntas e respostas sobre os limites de um corpo que é diferente de outros? “Com a naturalidade própria das crianças”, responde Fátima.

“Já nasceste assim?” “Gostas de outras bandas de música?” “Dormes na cadeira?” “Preferes carne ou peixe?” “Como é que passas para a cama?” “Quantos anos tens?” – depois de Ana, é a vez de Fausto ser bombardeado com perguntas.

Ele ri-se, brinca. Diz dele próprio que tem uma grande "punkada". Fátima afirma que não lhe doem os olhares nem as perguntas dos outros, ali, na Quinta da Conraria. Está em casa, numa zona rural onde se concentram uma residência e vários centros de apoio e de atividades pedagógicas da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC). “Duro é lá fora. É ouvir adultos a dizerem “coitadinha…”, como se eu fosse surda. Ou a comentarem que não me deviam deixar sair de casa”.

Paulo Jacob, o musicoterapeuta, nem incentiva nem trava a conversa entre as crianças e os músicos. Diz que também não costuma intervir no início das sessões, quando grupos maiores, de alunos de escolas do país, se deslocam à Quinta da Conraria para os ateliers de música, uma das muitas atividades pedagógicas oferecidas pela APCC durante o ano lectivo.

Espanto ou susto

“Vejo-os entrar descontraídos e depois estancar. Há sempre uns segundos de silêncio. Olho para as caras deles, de espanto ou mesmo de susto. Às vezes de gozo. Mas a única alusão às características diferentes da banda está numa pergunta, que faço a abrir e que repito no fim da sessão. Inclino-me, assim, para a frente, e pergunto, como se estivesse a segredar: “Vocês acham que os 5.ª Punkada tocam alguma coisa de jeito?”. Diz que no início a resposta é, invariavelmente, um não. 

No fim, quando as crianças respondem que sim, Paulo Jacob sente que "a missão está cumprida”: “Mais tarde, numa qualquer situação em que se cruzem ou tenham de lidar com uma pessoa com deficiência, há de dar-se um clique. Estes miúdos hão de lembrar-se destas pessoas e do que elas são capazes de fazer. Nesse momento, saberão como agir”, diz o professor. 

Paulo Jacob sabe do que fala. Se inventasse a história não seria mais incrível, para quem hoje ampara crianças no embate com a diferença. Ainda andava a estudar “para ser professor de música”, quando debaixo de chuva intensa entrou por engano no autocarro que normalmente é usado pelos utentes da Quinta da Conraria. “Foi uma experiência aterradora. De repente vi-me rodeado de pessoas estranhas, muito estranhas. Tive um sentimento de rejeição daquilo. Saí na paragem seguinte e perguntei a mim mesmo como seria se viesse a trabalhar com deficientes. A resposta foi que isso não iria acontecer nunca. Nunca”. 

Calcula que seja parecido, o choque que as crianças sentem quando entram na sala de música da APCC. Ele, Paulo Jacob, anda por lá, de guitarra elétrica, sorridente, falador, acolhedor. Mas é o corpo de Fausto que primeiro prende os olhares. Quase deitado na cadeira de rodas, aquele corpo move-se permanentemente e de forma descoordenada, com esticões involuntários. Num primeiro momento também não é fácil entender o que Fausto diz, mesmo que seja uma simples saudação. As palavras soam como se fossem arrancadas, uma a uma, com esforço, e se soltassem de repente para se juntarem ao resto da frase.

Apenas música

Para calar o espanto ou o susto dos meninos, os 5.ª Punkada só oferecem música. Paulo Jacob não conta às crianças que aquele corpo, que tem dificuldades em articular as palavras e em controlar os braços e as pernas, é do autor de quase todas as letras das músicas originais dos 5.ª Punkada; que esse corpo pertence a alguém que em menino teve o sonho de ser vocalista de uma banda de rock, como o Bon Jovi, mas que ouviu mil vezes que esquecesse essa ideia, que não era possível. E que, apesar disso, criou uma banda que atuava em playback. E que um dia, há 24 anos, contra todas as expectativas, se tornou, mesmo, o vocalista da banda de rock e pop da APCC, os 5.ª Punkada. “Houve alguém que apostou em mim, o terapeuta Francisco. E desde aí nunca mais deixei de cantar".

Ninguém conta isso às crianças. Não há ali aquela coisa moralista de aproveitar a situação para fazer passar a ideia de que vale a pena perseguir os sonhos. Durante o workshop, elas ficam a saber que Fausto escreveu a letra de uma música, mas a mais básica, infantil, inventada para que elas possam cantar que vão “para a quinta /trabalhar/ e jogar/mas também cantar/ na quinta”.

Também ninguém lhes explica, antes de a sessão acabar, que as pessoas com lesões no cérebro podem ter uma inteligência normal, como Fausto e Fátima. Ou que alguém como Márcio Reis, o baterista, que tem a síndrome de Williams, pode conciliar problemas cognitivos graves com uma sensibilidade extraordinária para a música, que lhe permite tocar os mais diversos instrumentos e o tornou vencedor de dois festivais europeus da canção para pessoas com deficiência mental.

As crianças saem dali sem saber que aquela é uma banda a sério, com 24 anos de atividade, três ensaios por semana e músicas originais, covers e energia suficientes para dar um espetáculo de duas horas. Só não entra no circuito de concertos de Verão, diz Paulo Jacob, porque nem todas as pessoas estão preparadas para ver num palco gente como Fausto. Ou como Fátima, com o braço esquerdo preso à cadeira e o direito a terminar numa estranha estrutura com um longo ponteiro, que, ao contrário dos dedos, não lhe falha quando percorre as teclas do órgão sem errar uma nota.

Essas informações não são necessárias, à partida, para os miúdos, acredita o professor. Assim como não foram para ele, que à terceira música de um ensaio dos 5.ª Punkada, a que aceitou assistir, sentiu ruir o “nunca” que jurara anos antes. Precisamente à terceira música, conta, aceitou o lugar que fora inicialmente ocupado pelo terapeuta Francisco Sousa, que entretanto morrera.

Como nesse dia, também hoje o diálogo se faz assim, através da música, diz. Ele acredita que basta e aparentemente é verdade. Quem tiver acesso apenas à gravação dos sons não deteta nada que distinga aquele de qualquer outro workshop de música. A não ser, talvez, quando há um corte no fornecimento de energia eléctrica que cala o órgão, a guitarra elétrica e o microfone e têm de ser as crianças (que ao contrário de Fausto e de Fátima podem bater as mãos e os pés e conseguem projetar a voz e saltar) a fazer a música que falta. 

É essa a música que agora soa. A que fecha uma sessão e abre a outra, que, se não fosse a primeira, nunca teria lugar. Os sons calam-se e Raquel e Maria Inês avançam para Fátima: “Tens um estilo muito giro!” “Por que é que tens a mão amarrada à cadeira?”

Fonte: Público