segunda-feira, 3 de março de 2025

A chave para a motivação dos alunos — e de qualquer pessoa

Os professores recorrem a várias estratégias para motivar os alunos: oferecem materiais de leitura diversificados, inventam problemas matemáticos relacionados com a vida deles, distribuem estrelas de mérito, elogiam o esforço — por vezes mesmo quando o resultado não merece elogios. Acreditamos que, se os alunos estiverem motivados, terão melhores resultados. Por isso, devemos sempre começar por perceber o que os motiva.

No entanto, um estudo discutido no Substack The Science of Learning lança dúvidas sobre essa premissa. Esta investigação tem por base uma experiência que acompanhou durante quatro anos cerca de 1500 alunos do ensino básico. Os alunos participantes manifestaram regularmente a sua motivação para aprender matemática, e os investigadores mediram e registaram os resultados por eles obtidos nesta disciplina através de testes. A principal conclusão é bastante interessante: o êxito criava sempre motivação, mas a motivação não garantia o êxito. Daqui se conclui que a melhor forma de motivar os alunos possa ser guiá-los através de etapas que eles consigam ultrapassar com êxito.

Este princípio também é válido fora da sala de aula. Quer adotar um hábito saudável ou gostaria de atingir um objetivo? Encontre uma forma de ir obtendo êxito progressivamente.

Matt Yglesias, um comentador político estado-unidense, escreveu recentemente no seu Substack que, apesar de detestar fazer exercício físico, se sente motivado a praticar musculação «super lenta» porque mede de forma consistente cada pequeno progresso. «Sinto-me realizado e otimista quando saio do ginásio», afirma. «Parece que estou pronto para voltar.»

Esta abordagem de Matt Yglesias ao ginásio está em linha com uma estrutura que vê a motivação como o resultado de um ciclo de feedback positivo. O sentimento de realização proporcionado pelo êxito cria a expectativa de que a aprendizagem futura proporcionará uma recompensa semelhante. Isso gera motivação para outra ronda de tarefas.

Recompensas intrínsecas e extrínsecas

Permanece ainda assim a questão de como instituir este ciclo auspicioso. Ao início, ainda sem o tal sentimento de realização ao qual se pudesse agarrar, Matt Yglesias deve ter-se obrigado a ir ao ginásio. Não sei que método terá utilizado, mas os professores que enfrentam alunos desmotivados podem recorrer às chamadas «recompensas extrínsecas».

Dizer que as recompensas intrínsecas — como o prazer de aprender em si mesmo — são mais eficazes do que as extrínsecas, tais como estrelas de mérito ou até mesmo as notas, tornou-se recentemente uma pedra de toque no campo da educação. Se o único objetivo dos alunos é obter nota máxima, é pouco provável que a sua motivação perdure depois de terem alcançado tal recompensa.

Um artigo publicado há pouco tempo veio defender que não é bem assim. Os autores baseiam-se numa análise da literatura para mostrar que é preciso abandonar a ideia de que as recompensas extrínsecas são sempre más, e que as intrínsecas são sempre boas.

Os autores alegam que oferecer recompensas extrínsecas aos alunos pode ser uma boa forma de ajudar alunos desmotivados a iniciar um ciclo de feedback positivo. Quando os alunos começam a empenhar-se numa tarefa, mesmo que o seu intuito seja a estrelinha de mérito ou o que quer que o professor lhes tenha prometido, têm a oportunidade de obter recompensas intrínsecas — como um sentimento de conquista — que podem levar a uma «transformação da motivação». Quando isto acontece, os alunos começam a aprender porque perceberam que gostam de o fazer.

Claro que isto pressupõe que os alunos têm êxito na aprendizagem — o que nem sempre é o caso. Se os alunos tiverem dificuldades logo ao início ou de forma continuada, esse ciclo de feedback positivo pode nunca chegar a começar ou estagnar passado pouco tempo. O que podem então os professores fazer para garantir a tal experiência de conquista que gera motivação?

A instrução clara favorece a motivação

Um outro estudo parece apontar para uma resposta. Estes investigadores dividiram em dois grupos aleatórios um total de 252 alunos que assistiram a aulas baseadas num mesmo texto: uma das explicações era muito clara; a outra, menos. Os alunos responderam depois a algumas perguntas, incluindo uma questão sobre o seu grau de motivação para aprender a matéria, e fizeram um teste baseado no conteúdo das explicações. Os alunos que assistiram à aula mais clara não só se saíram melhor no teste, como também se mostraram mais motivados.

Por isso, para motivar os seus alunos, vale mesmo a pena tornar o seu ensino tão claro quanto possível. Um ensino acessível implica a utilização de princípios baseados em provas, tais como dar exemplos concretos de problemas antes de pedir aos alunos que os resolvam de forma autónoma, estruturar as aulas de forma lógica e coerente e garantir que os alunos têm oportunidade de exercitar a memória com conteúdo que aprenderam recentemente. Todas estas táticas ajudam a reduzir a carga cognitiva suplementar, que sabemos poder ser um entrave à compreensão, à análise e à aprendizagem.

Temos várias provas de que a utilização destes princípios melhora o desempenho dos alunos, pelo que faz sentido que também conduza a uma maior motivação. Ainda assim, há duas ressalvas importantes a fazer.

A primeira, que é referida pelos autores do artigo sobre recompensas extrínsecas e intrínsecas, é que é mais fácil saber quando começar a dar recompensas extrínsecas do que quando parar. As recompensas extrínsecas são úteis quando o ciclo de feedback positivo ainda não começou, ou quando ficou bloqueado porque o aluno deixou de sentir o êxito. No entanto, se o ciclo estiver a funcionar, manter as estrelas de mérito pode ser apenas um entrave. Os alunos podem duvidar de que a recompensa seja a razão pela qual estão a fazer a tarefa, minando a sua motivação intrínseca.

A segunda ressalva é que, embora queiramos que os alunos sintam o êxito, não queremos facilitar-lhes demasiado as coisas. Se os alunos acharem uma tarefa demasiado fácil, não sentirão conquista nenhuma — e com razão, dado que a aprendizagem exige esforço. Os professores devem tentar modular a carga cognitiva intrínseca à aprendizagem para que seja esta viável, em vez de a eliminar. Uma tarefa demasiado fácil irá certamente aborrecer os alunos.

Como motivar o pensamento de ordem superior

A aplicação de descobertas científicas à prática da sala de aula raramente é simples, mas a sua aplicação é mais fácil nalgumas disciplinas do que noutras. Dar «exemplos trabalhados» pode ajudar os alunos a compreender alguns conceitos matemáticos, tal como o ensino sistemático da fonética pode ajudar quem está a aprender a ler a compreender o «princípio alfabético». Em ambos os casos, os alunos podem sentir o tal êxito gradual que os motiva a continuar. Mas como é possível iniciar um ciclo positivo desse género ao analisar, por exemplo, as várias personagens de um romance ou as causas da Segunda Guerra Mundial?

Não há dúvida que um ensino claro é importante, seja qual for o tema. Os alunos precisam de compreender o enredo de um romance ou os acontecimentos históricos, e um ensino explícito e interativo ajudará a tornar isso possível. A realização frequente de testes de baixo risco pode proporcionar tanto a prática da recuperação, que consolida a aprendizagem, como um sentimento de conquista.

E as tarefas de pensamento de ordem superior, como a análise? Ser capaz de compreender e reter informação factual é um pressuposto para essas tarefas, mas os alunos podem precisar de orientação explícita para se dedicarem a elas — bem como de oportunidade de experimentar o êxito, para que se mantenham motivados.

Eu diria que a melhor aposta é ensinar os alunos a escreverem sobre o que estão a aprender — de uma forma explícita e fácil de gerir. A escrita pode ser uma alavanca poderosa para aprofundar o conhecimento e promover capacidades analíticas, mas também impõe uma carga cognitiva esmagadora aos escritores inexperientes. Esta é, sem dúvida, uma das principais razões pelas quais tantos alunos se sentem desmotivados para escrever.

No entanto, com orientação suficiente e através da prática coletiva, começando ao nível da frase e antes que se espere que escrevam de forma independente, os alunos podem começar a experimentar a sensação de conquista que desencadeia um ciclo de feedback positivo. Deste modo, não só se sentirão motivados para escrever, como a escrita que praticam impulsionará a sua aprendizagem — levando a mais e melhores resultados e, por conseguinte, a uma maior motivação.

Esta publicação é uma tradução e adaptação do artigo «The Key to Motivating Students--and Maybe Everyone Else Too», disponível aqui.

Natalie Wexler

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