domingo, 4 de janeiro de 2009

ACAPO defende reactivação da Comissão de Braille para promover sistema de leitura e escrita

O presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) defendeu hoje a reactivação da Comissão de Braille, extinta em 2003, para promover este sistema de leitura e escrita em Portugal, onde ainda há poucos professores especializados.
Carlos Lopes falava a propósito das comemorações do bicentenário do nascimento de Louis Braille, criador deste processo de escrita em relevo para invisuais, que a ACAPO assinala a partir de hoje com um conjunto de iniciativas que decorrerão ao longo deste ano. "Essa comissão deve ser reactivada brevemente", afirmou Carlos Lopes, avançando que tem esta garantia da secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz. Para o presidente da ACAPO, é necessário haver uma entidade que "certifique, valide e defina as regras do Braille e que realize estudos que permitam saber porque muitas vezes não é utilizado".
Assinalou também a importância desta comissão a nível internacional, numa altura em que, "no âmbito da Organização Mundial de Cegos, está a ser criado um Conselho Mundial do Braille em função das diferentes línguas". "O Brasil tem uma Comissão do Braille e nós estávamos a trabalhar em estreita colaboração com aquele país, mas entretanto a nossa Comissão foi extinta e, neste momento, corremos o risco de a Língua Portuguesa ser representada no Conselho Mundial do Braille pelo Brasil", justificou.
Carlos Lopes defendeu que todas os deficientes visuais deviam saber ler em Braille, o que nem sempre acontece. "Tem de haver uma sensibilização das próprias pessoas com deficiência visual para a importância da utilização do Braille e do contacto directo com as palavras", frisou o responsável.
Louis Braille nasceu a 4 de Janeiro de 1809 na pequena cidade francesa de Coupvray, a 45 quilómetros de Paris. Após um acidente com um instrumento perfurante na oficina do seu pai, a inexistência de um apoio médico adequado e de um processo infeccioso que alastrou aos dois olhos, Louis Braille perdeu por completo a visão aos cinco anos. As dificuldades enfrentadas por Louis Braille nos seus estudos estimularam-no desde cedo a preocupar-se com a possibilidade de criação de um sistema de escrita. Os contributos e o interesse de outras pessoas, como Barbier, ofereceram uma série de circunstâncias para que Louis Braille criasse o seu sistema de escrita e de leitura que ficou terminado em Outubro de 1824. "Sem livros, os cegos não podem realmente aprender", disse uma vez ao seu pai Louis Braille.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Famílias de crianças com cancro vão ter casa grátis

A casa que a Acreditar está a construir junto ao novo Pediátrico de Coimbra tem uma missão: acolher, gratuitamente, as famílias de crianças com cancro, permitindo que acompanhem os tratamentos e suavizem a dor.
Naqueles 1200 metros quadrados, cabem 20 famílias. E a estrutura está preparada para receber mais dez quartos, se necessário. Partilham-se cozinha e sala de refeições, mas cada núcleo familiar conserva a intimidade num quarto com casa-de-banho privativa. As salas de convívio estão divididas por faixas etárias, prontas para receber bebés, adolescentes e jovens adultos. Ponto assente é que, na casa, nada vai fazer lembrar o hospital.
"A doença é uma bomba atómica que cai na família", sintetiza, em visita à obra, Margarida Cruz, directora-executiva da Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. "A casa existe para que as pessoas se sintam acompanhadas, num sítio confortável, alegre, bem disposto. A troca de experiências também ajuda muito", garante.
Esta é já a terceira casa que a Acreditar ergue (primeiro surgiram as de Lisboa e Funchal, na Madeira). Por isso, a associação não duvida da importância que terá para estas famílias. Sabe das dificuldades que enfrentam por viverem longe dos centros de tratamento e terem de suportar deslocações regulares e alojamentos. Sabem o desgaste físico que isso implica para as próprias crianças.
A "bomba atómica", como lhe chama Margarida Cruz, devasta as vidas destas pessoas e expõe-lhes todas as fragilidades. "A doença não só é grave, como prolongada. Muitas vezes, um dos familiares perde o emprego. Vemos muitas mães jovens, com empregos precários. E o endividamento das famílias. Tudo se reflecte", lamenta.
"Esta casa nasceu da necessidade", frisa Margarida Cruz. "Há crianças em tratamento nos Hospitais da Universidade de Coimbra e no Hospital Pediátrico e há sempre famílias de longe que não conseguem ir e vir todos os dias. Os sítios onde ficam, por vezes não são os adequados", sustenta. Neste momento, a Acreditar está a prestar apoio financeiro a pais que não têm dinheiro para o alojamento, em Coimbra. A casa - que vai ter uma governanta e voluntários em permanência - está quase pronta. Faltam apenas alguns materiais, que a associação espera obter através da sua única fonte de financiamento: o mecenato. Prevê-se que abra a 15 de Fevereiro, o dia internacional da criança com cancro.
"Para os pais que estão a viver uma situação destas, completamente desprovidos de tudo, inclusivé de esperança, é muito importante ter este apoio", realça Alexandra Correia, coordenadora do núcleo Sul da associação. Os pequenos também não ficam indiferentes. Segundo a responsável, muitos passam lá, curados, e perguntam: "Posso ir ao meu quarto?". Sinal de que aquela foi mesmo a sua casa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Físico de Oxford inventa óculos com lentes ajustáveis para os mais pobres

Um professor jubilado de Física da Universidade de Oxford, Josh Silver, inventou óculos ajustáveis às necessidades de visão dos seus portadores, que poderão, segundo espera, ajudar milhões de pessoas nos países pobres a ver melhor.
Para Eduardo Teixeira, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), trata-se de uma “óptima invenção, que irá beneficiar as populações mais carenciadas”.
“Há países onde as pessoas deixam de trabalhar entre os 35 e os 40 anos por perderem capacidade visual e que poderiam continuar activas pelo menos mais 20 anos se tivessem acesso a cuidados de saúde visual”, afirmou à Lusa o optometrista português.
Ao preço estimado de apenas um dólar (0,71 euros), estes óculos foram concebidos segundo o princípio de que quanto mais grossa for a lente, maior será a sua potência correctora, e têm dois tubos estreitos circulares cheios de fluido, cada um deles ligado a uma pequena seringa.
A pessoa que precisar de corrigir a visão deverá aumentar ou diminuir a quantidade de líquido introduzido pela seringa nas lentes, ajustando assim a sua potência. Logo que a visão estiver corrigida, basta fechar a entrada de líquido nos óculos e retirar as seringas.
“O princípio é tão simples que qualquer pessoa o pode entender facilmente”, diz o inventor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Feliz Natal

Após este primeiro período lectivo, é reconfortante ter alguma paz de espírito! Os dias conturbados ainda não terminaram, apenas se "suspenderam". Mas, deixemos essas preocupações para o novo ano civil. Para todos os amigos, colegas, visitantes
FELIZ NATAL
e um ano de
2009 pleno de felicidade!


domingo, 21 de dezembro de 2008

Inventores jovens ajudam vida de doentes de artrite

Uma mola de roupa e um carrinho de limpeza doméstica, adaptados às necessidades dos doentes com artrite reumatóide, venceram o concurso de design ‘Liberdade de Movimentos’, que visava o desenvolvimento de objectos que facilitem a vida quotidiana destes doentes.
Juliana Ferreira, da Universidade Lusófona do Porto, que desenhou uma mola de roupa que se adapta à forma da mão para facilitar o manuseamento, venceu o prémio do júri, num concurso promovido pela Associação dos Doentes com Artrite Reumatóide. Mariana Roque, da Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão, com um carrinho de limpeza doméstica adaptado, ganhou o prémio do público que votou através da internet.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Código ajuda daltónicos a decifrar cores

Não mata, mas mói. A incapacidade para distinguir as cores parece, para quem não a tem, um problema menor. E, no entanto, impede um décimo da população mundial de ser autónoma. O designer Miguel Neiva descobriu a luz para os daltónicos.
Cenário individual: como escolher uma peça de roupa em detrimento de outra sem distinguir as cores? O que responder ao filho que pede o lápis verde para pintar a árvore? Cenário social: como interpretar o mapa do metro se as linhas são representadas por cores? Como respeitar as bandeiras de perigo na praia? Cenário profissional: como cumprir uma vocação relacionada com a indústria gráfica, química, da moda ou da decoração, se todas estão ancoradas no domínio da cor?
Nos dois primeiros cenários, haverá a possibilidade de pedir ajuda a terceiros, ainda que isso crie uma dependência pouco confortável; para o terceiro não há solução. Os estudos estimam que 10% da população mundial sofra de daltonismo. Apesar da limitação que a designada "cegueira das cores" implica para os indivíduos, o daltonismo tem sido ignorado.
"Não é visto como um grande problema. E, se calhar, não é. Mas não é preciso ser um grande problema para ser resolvido", defende Miguel Neiva, mestre em Design e Marketing, cuja tese de mestrado, defendida há dois meses, na Universidade do Minho, versou sobre a aplicação de uma solução nunca até agora pensada. "Poderá não ser um problema", insiste, "mas ouvir alguém dizer que tem um carro azul-banana projecta inevitavelmente uma imagem que vai implicar juízos de valor pouco favoráveis. O daltónico sabe-o e sofre em silêncio".
Por isso, o designer do Porto desenvolveu um código gráfico monocromático que, a ser aplicado, prestará "um serviço público a uma pequena grande minoria". Para cada cor primária (vermelho, amarelo, azul) criou um símbolo (respectivamente, triângulo, barra diagonal, triângulo invertido), fácil de apreender, com custos de aplicação reduzidos, e passível de ser adaptado a vários cenários: desde etiquetas de roupa a transportes públicos. A partir do jogo dos três símbolos é possível identificar cores, tons, brilhos e misturas. "O código representa a autonomia dos daltónicos".
Os daltónicos - quase todos do sexo masculino, uma vez que a deficiência, hereditária, está relacionada com uma falha genética associada ao cromossoma X- vêem entre 500 a 800 cores; uma visão normal apreende cerca de 30 mil.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O caldo de pedra da educação

Apesar do tema central desta página ser a educação especial, não resisto, porém, a divulgar alguns comentários ou crónicas, que merecem toda a minha consideração. Ainda sobre a malograda avaliação de desempenho, e a política educativa em geral, transcrevo parte de uma crónica de Manuel António Pina, que escreve habitualmente no JN.
Tendo-se os custos da coisa, principalmente os políticos, descontrolado, neste momento, a ministra já não quer saber do modelo para nada, só estando preocupada, ela e o Governo, que quem estejade fora acredite que a "reforma" vingou. Depois de todas as simplificações, alterações, excepções e derrogações em matérias que ainda no dia anterior eram "essenciais", agora são os professores que se reformarem até 2011 que já não "têm direito" a ser avaliados. O modelo de avaliação da ministra tornou-se numa sopa de pedra ao contrário. Vai-lhe tirando, um a um, todos os ingredientes e condimentos, desde que fique, ao menos, a pedra.

Professores desiludidos com profissão

Os professores portugueses estão desiludidos com a profissão e quase 75 por cento preferia exercer outra actividade. Mais: 81 por cento dos docentes admite que se pudesse pediria a reforma, mesmo com penalizações. Estes dados pertencem ao Observatório da Avaliação de Desempenho, órgão criado pela Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) e pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho (ISET) e resultam de um inquérito realizado entre 10 de Outubro e 15 de Novembro a 1018 professores a nível nacional.
O estudo revelou ainda que 40 por cento dos docentes não reconhece aos seus avaliadores "capacidade de avaliar com rigor e isenção", nem tão-pouco "conhecimento na sua especialidade".
Por outro lado, mais de 60 por cento dos professores considera que o processo de avaliação de desempenho vai "prejudicar" ou "prejudicar muito" a preparação e concretização das aulas.
Quase 70 por cento defende que o processo vai prejudicar a relação com os conselhos executivos, com os professores avaliadores e ainda a colaboração com os colegas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Deficientes que frequentam centros ocupacionais vão ter que pagar mensalidade

As instituições de solidariedade social que têm actividades ocupacionais para deficientes vão cobrar a partir de 2009 uma mensalidade que poderá ir até 30 euros, segundo revelou hoje o presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho.
Este responsável explica a decisão com a ideia de criar condições idênticas entre os centros privados e os que pertencem ao Estado. Adiantou também que as famílias mais carenciadas poderão ficar isentas ou pagar apenas cinco euros e que a medida abrange cerca de meia dúzia de centros pertencentes ao Estado.
Familiares de utentes do centro de Costa Cabral, no Porto, manifestaram-se surpreendidos com esta opção do Estado.
A mãe de um utente de 30 anos, com paralisia cerebral, queixa-se de que esta medida reduz ainda mais as poucas ajudas existentes.
Muitos dos adultos que utilizam estas instituições frequentam-nas há mais de 20 anos sem nunca terem pago mensalidade.

Ida ao médico nas transições do ciclo escolar


A alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, anunciou estar a estudar com o Ministério da Educação a obrigatoriedade das crianças irem a uma consulta médica sempre que haja transição do ciclo escolar.
"São indicadores nacionais de saúde as crianças terem uma observação médica aos 6 e aos 13 anos", afirmou Maria do Céu Machado, numa conferência no Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Segundo a responsável, aos 6 anos 67 por cento das crianças tem uma consulta de saúde, mas aos 13 anos apenas 37 por cento foi observada. "Há muitas crianças que vão a um médico particular, mas muitas não vão a lado algum", afirmou, revelando estar a articular com o ME para que seja "obrigatório que sempre que haja mudança de ciclo a criança seja observada".

Comentário:
À partida, vejo esta medida como muito positiva, sobretudo para as famílias mais desfavorecidas e para os meios mais rurais, com evidentes problemas sócio-económicos.
Penso, também, que seria positiva para as escolas e para os alunos com NEE, pois "obrigatoriamente" seriam acompanhados regularmente por técnicos de saúde. Vejo, nesta medida, uma porta aberta para uma maior articulação entre as áreas da saúde e da educação, numa perspectiva de análise pluridisciplinar da situação dos alunos, na procura de respostas mais eficazes e adaptadas a cada caso.
Haja coragem para implementar esta medida!