sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ioga chega a todas as turmas do 1.º ano das escolas públicas

O projeto é ainda piloto, mas chegou a todas as turmas do 1.º ano da rede pública de São João da Madeira. Com um investimento de cerca de três mil euros, o município aposta no ioga para trabalhar a concentração, a gestão emocional e a autorregulação das crianças.

Dificuldades de concentração, de gestão das emoções e de relação com os outros fazem parte dos desafios identificados por docentes, psicólogos e outros profissionais que acompanham diariamente os alunos. O contacto com as crianças e as famílias levou o município a avançar com uma resposta dirigida ao 1.º ano de escolaridade, procurando trabalhar estas competências desde os primeiros anos numa lógica preventiva.
A adesão superou as expectativas. “Todas as escolas e todas as turmas do 1.º ano de escolaridade da rede pública aderiram ao projeto”, revela o vereador da Educação, para quem “este facto demonstra a necessidade que era sentida”. As sessões decorrem uma vez por semana, ao longo de um semestre, são adaptadas à idade dos alunos e orientadas por uma profissional com formação adequada à intervenção em meio escolar. O investimento ronda os três mil euros. Através de exercícios de respiração, relaxamento e consciência corporal, a iniciativa procura ajudar os alunos a conhecerem melhor o corpo e as emoções e a encontrarem estratégias para lidar com situações de maior tensão. Pedro Gual explica que o projeto nasceu da “sensibilidade diária dos docentes e dos técnicos do SJM EDUCA + 2.0” e pretende dar às crianças “ferramentas de autorregulação emocional” que as ajudem a gerir o stress.

Testar para avaliar

O “Ioga na Escola – Crescer em Equilíbrio” complementa o trabalho desenvolvido através do SJM EDUCA + 2.0, Programa Municipal de Promoção do Sucesso Educativo, financiado pelo Portugal 2030. O programa inclui uma componente psicossocial dirigida a crianças e famílias sinalizadas pelos agrupamentos de escolas, com avaliação e diagnóstico, acompanhamento psicopedagógico individualizado, apoio sociofamiliar e encaminhamento para respostas especializadas, quando necessário. O ioga assume um carácter preventivo e universal e não pretende substituir respostas de natureza psicológica ou psicossocial. “Não estamos apenas a reagir aos problemas; estamos a prevenir”, sublinha o vereador.
A opção desta prática em meio escolar é também sustentada, segundo Pedro Gual, por investigação realizada em Portugal. O vereador aponta trabalhos académicos sobre a utilização de mindfulness e ioga com crianças em idade pré-escolar e no 1.º Ciclo, entre os quais o estudo “Mindfulness na educação pré-escolar e no 1.º ciclo do ensino básico: um estudo exploratório”, de Sara Cabral, Isabel Piscalho e Sónia Seixas, publicado em 2022. Segundo a informação avançada pelo autarca a O Regional, a investigação incluiu atividades de mindfulness em jardim de infância e no 1.º Ciclo e entrevistas a especialistas, apontando para o potencial destas práticas na promoção do autoconhecimento e da autorregulação emocional.
Pedro Gual destaca ainda o “CuidaDaMente: exploração do mindfulness e do ioga na educação pré-escolar e no 1.º CEB”, de Lara Doutel Ribeiro, desenvolvido em 2024. O trabalho analisou a aplicação destas práticas em meio educativo, incluindo com alunos do 4.º ano. De acordo com o vereador, foram identificados, no universo observado, contributos ao nível do bem-estar, da calma e do relaxamento, além de uma perceção “muito positiva” das crianças relativamente às experiências realizadas. Pedro Gual ressalva, contudo, que o município não parte destes trabalhos para afirmar que estas sessões são uma solução para problemas de saúde mental ou que produzem, por si só, determinados resultados. “É precisamente por essa razão que optámos por um projeto-piloto. Queremos experimentar, acompanhar e avaliar, em contexto real, o impacto desta iniciativa nas crianças e na comunidade escolar, em vez de partir de conclusões prévias”, explica.

Fonte: O Regional por indicação de Livresco

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