segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Psicólogos ainda não estão nas escolas

Muitos dos psicólogos selecionados para as escolas estão a ser contratados através de acordos renováveis todos os meses, denunciou hoje o sindicado, alertando também para o facto de a maioria ainda não ter sido colocada.

"À exceção dos psicólogos que trabalham nas escolas de intervenção prioritária (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária) e que têm contratos até ao final do ano letivo, todos os outros têm contratos que têm de ser renovados todos os meses", denunciou hoje Elsa Couchinho, dirigente do Sindicado Nacional de Psicólogos.

De acordo com a responsável, "o Ministério da Educação e Ciência coloca os psicólogos nas escolas através de contratos de duração máxima de 30 dias, renováveis enquanto a necessidade se mantiver".

Elsa Couchinho sublinha ainda que estes profissionais não têm direito a ajudas de custo nas deslocações, nem a subsídio de refeição ou apoio para comprar material pedagógico.

Além da instabilidade profissional, o sindicado lamenta que, ao contrário do prometido pelo ministério, a maioria dos psicólogos ainda não está a trabalhar, apesar de as aulas terem agora começado.

"O ano letivo começou hoje na maioria das escolas e a maior parte dos psicólogos ainda não foi colocada, penso que não chegam a dez os que já estão nas escolas. Todos os outros não estão, nem sabem quando para lá irão. No ano passado houve casos em que só começaram a trabalhar em janeiro", denunciou a dirigente do SNP.

Em agosto, o MEC autorizou a contratação de 176 psicólogos, mantendo assim o número do ano anterior.

De acordo com Elsa Couchinho, este número é insuficiente: "Os 176 psicólogos vão colmatar apenas algumas lacunas que existem. Claro que não é preciso um psicólogo por escola, mas estes números estão muito abaixo dos padrões esperados".

Aos psicólogos que estão agora a ser agora contratados "a conta-gotas", juntam-se cerca de outros 200 que pertencem aos quadros.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Novas metas curriculares para Português vão criar "novas dificuldades de aprendizagem"

A maioria dos alunos não conseguirá alcançar o que vai ser obrigatório em fluência da leitura, adverte investigadora.

Num primeiro momento, a psicóloga educacional e professora da Universidade de Lisboa Dulce Gonçalves, especialista em dificuldades de aprendizagem, regozijou-se. Finalmente ia chegar, já este ano, às escolas portuguesas o que descreve como "uma técnica maravilhosa" - medir a afluência da leitura - para ajudar as crianças com dificuldades a acreditar que também elas são capazes. Mas a euforia esgotou-se mal começou a ler o documento das novas metas curriculares de Português para o ensino básico, já em vigor, e concluiu que afinal aquela técnica chegará às escolas portuguesas "da pior das formas".

Dulce Gonçalves sabe do que fala. Nos últimos três anos tem coordenado o projeto Investigação das Dificuldades para a Evolução da Aprendizagem (IDEA) da Universidade de Lisboa, no âmbito do qual tem acompanhado várias escolas, tendo na base a avaliação e o acompanhamento da evolução precisamente em fluência da leitura, embora não só. Os resultados foram apresentados em Junho, em Avis. 

Na terça-feira, o IDEA voltou a promover novo seminário naquela vila alentejana, agora já na posse das novas metas curriculares, cujo aplicação este ano é já "fortemente recomendada" pelo Ministério da Educação e Ciência e que passarão a ser obrigatórias no próximo. 

No 1.º ano todos os alunos terão de conseguir ler 55 palavras por minutos; no 2.º ano 90; no 3.º 110; no 4.º 125 e por aí fora. Dulce Gonçalves não tem dúvidas de que tal é "impossível" e aponta como exemplo os resultados apresentados esta semana em Avis. Aterradores. O método de medição proposto pelo ministério é o mesmo que tem sido utilizado pelos investigadores do IDEA. Mas bastou sobrepor uma linha aos gráficos que davam conta das avaliações feitas nas escolas parceiras do projeto para ver o que poderá acontecer: com os novos indicadores impostos aos alunos, pelo menos mais de metade dos estudantes de todas as turmas e escolas avaliadas não conseguiriam alcançar os descritores de desempenho em fluência de leitura que o MEC dá como obrigatórios em cada ano de escolaridade. Há mesmo casos, como o descrito no gráfico que acompanha este texto, em que nenhum alcançaria o objetivo.

Dulce Gonçalves frisa que entre os alunos avaliados não figura nenhum com necessidades educativas especiais e que nenhuma das escolas parceiras do IDEA se pode descrever como sendo problemática. Em vez de melhorar a qualidade do ensino e as aprendizagens dos alunos conforme anunciado, este tipo de descritores de desempenho incluídos nas metas curriculares vão levar a que "surjam novas dificuldades de aprendizagem", alerta a psicóloga, que desafia os pais a experimentarem fazer o que irá agora ser pedido aos filhos. 

Não obedecer

O susto levou-a a abdicar do mês de férias para escrever um livro - Metas, Mitos e Desafios - onde aplica o que é proposto pelo MEC aos resultados da sua longa investigação. Considera que esta "é uma obrigação moral" para quem andou "tantos anos a estudar" estas matérias e alarga o desafio. Fê-lo, aliás, já em Avis, frente a uma plateia de professores: um documento como o das metas curriculares de Português "devia suscitar uma resposta de não-obediência por parte dos professores". 

Segundo a psicóloga, o que irá passar a ser obrigatório, ao impor um critério único para todos, ignora "que o que caracteriza a escolaridade obrigatória é a diversidade e não o contrário". "Em vez de apontar uma faca, o ministério devia ter optado por fixar intervalos de valores", defende, lembrando que é isso que se faz, por exemplo, nos EUA, de onde vem precisamente esta técnica e onde "a medida de fluência de leitura é utilizada para perceber como os alunos estão a evoluir". 

Mas há mais perigos, adverte. Não foram fixados os momentos em que a avaliação da fluência da leitura é feita, nem sobretudo quais os textos que serão propostos para esta avaliação. O que significa que "a complexidade dos textos propostos poderá ficar totalmente dependente do critério de cada professor", alerta. E finalmente, frisa, continua também sem se saber o que irá acontecer aos alunos que não atinjam as metas curriculares. Chumbam? A avaliar pelo que se indica repetidamente no documento das metas curriculares de Português, talvez seja esse o destino. Ali se indica que os objetivos e descritores de desempenho "indicados em cada ano de escolaridade são obrigatórios". 

No seu livro refere, a propósito, que "a sanha do redator das metas curriculares de Português foi tal que, para cada ano de escolaridade, se repete sempre a reafirmação desta obrigatoriedade". Uma imposição que, nota Dulce Gonçalves, não se encontra expressa, por exemplo, nas metas curriculares de Matemática.

Questões relacionadas com os currículos específicos individuais em processo de transição para a vida pós-escolar

A publicação da Portaria n.º 275-A/2012 teve o efeito de me provocar uma congestão emocional. Assumo que já a li e reli, analisei cuidadosamente, discuti com colegas mas ainda não a consegui digerir. 
A educação especial tem como objetivo, entre outros, a inclusão educativa e social. O normativo agora publicado, na prática, assume-se como um nítido e clamoroso retrocesso no processo da inclusão educativa, na medida em que os alunos com currículo específico individual (CEI) com plano individual de transição (PIT) que se encontram ao nível do ensino secundário são completamente retirados da turma, não tendo qualquer momento de partilha, de fomento das inter-relações com os restantes colegas. Se a realidade para estes alunos já não era totalmente inclusiva, pois, por norma, só frequentavam algumas disciplinas na turma, com estas medidas passa a ser meramente integrativa e ou segregadora. Talvez o mentor do normativo, aquando da sua elaboração, projectasse a criação de uma “turma fantasma”, um pouco à semelhança do funcionamento das unidades de multideficiência, onde todos estes alunos seriam inseridos. Se assim o pensou, mas não o escreveu, do ponto de vista formal, consubstancia um retrocesso no processo da educação inclusiva. 
A matriz imposta aos alunos com CEI com PIT de nível secundário é uma completa aberração e denota um total desconhecimento da realidade das escolas, ignorando as experiências já implantadas. 
Do ponto de vista político, o Estado, com esta medida, resolve duas situações. Ao rentabilizar a experiência acumulada ao longo de vários anos dos técnicos das escolas de ensino especial, através do estabelecimento de parcerias, viabilizando a sua deslocação para as escolas, está a corresponder às reivindicações, legítimas, destas instituições que se veem a braços com um excedente de profissionais. Por outro lado, as escolas passam, supostamente, a dispor de um conjunto de recursos humanos, com uma carga horária significativa, sem que exista qualquer vínculo laboral entre os técnicos e o Estado. 
Do ponto de vista educativo, a matriz impõe rigidamente uma carga horária global de 25 horas e um conjunto de componentes curriculares obrigatório. Transparece, desde logo, que a matriz foi desenhada baseada no perfil de funcionalidade de um jovem que possui algumas capacidades que possibilitem o desenvolvimento de competências laborais e, posteriormente, a sua potencial ingressão no mercado de trabalho. No entanto, as escolas deparam-se com alunos com diversas tipologias e perfis de funcionalidade aos quais é impossível aplicar as medidas previstas na portaria. Por exemplo, um aluno com paralisia cerebral severa, completamente dependente, que usa cadeira de rodas e não movimenta sequer os braços nem verbaliza e quase não interage com os outros ao nível ocular, como será possível desenvolver as componentes do currículo correspondentes ao à organização do mundo laboral e à cidadania?! O aluno nunca irá ingressar no mercado de trabalho, sendo, provavelmente, encaminhado para um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), se existir. Pura utopia! 
A matriz apresentada peca, assim, e também, pela sua rigidez. Neste contexto, aceitar-se-ia que a matriz constituísse mera orientação, sendo um ponto de referência que, com flexibilidade, se adaptasse e ajustasse ao perfil de funcionalidade de cada aluno, permitindo a gestão das componentes e a respectiva carga horária. 
Uma das propostas que tenho defendido, quer publicamente, quer em textos anteriores, consiste na possibilidade das escolas dinamizarem cursos de formação profissional especial para estes alunos. Naturalmente, nem todos os alunos reúnem o perfil para frequentar esta formação. Mas, por outro lado, seria uma forma de dotar os alunos de competências profissionais, frequentarem um estágio e, posteriormente, tentarem a sua ingressão no mercado de trabalho. Para além disso, seria uma forma de os alunos obterem uma certificação profissional reconhecida socialmente. 
Relativamente à questão da certificação, a portaria é omissa, ficando os alunos com um certificado de frequência do ensino secundário com a discriminação das competências desenvolvidas. No entanto, esta certificação está longe de corresponder às exigências do mercado de trabalho. 
Outras questões merecem ser abordadas, sobretudo ao nível da administração e gestão do processo de aplicação da portaria. Concluo, para já, com uma expressão musical popular adaptada por Fausto e Sérgio Godinho “Para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim!”

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Actual crise pode criar uma "geração de crianças problemáticas"

A actual crise pode criar uma "geração de crianças problemáticas", uma vez que as faixas etárias mais jovens "estão especialmente susceptíveis" aos efeitos da crise, avisou o presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho. 

Em declarações à Lusa, Leandro Silva Almeida afirmou ainda que as "solução circunstanciais" para os problemas financeiros actuais "podem comprometer seriamente o futuro emocional" das crianças portuguesas.

Para este docente e investigador, em Portugal, está-se a dar demasiada importância à "componente curricular" da educação infantil, e a "descuidar" outras áreas com "tanta ou mais importância".

Segundo Leandro Almeida, "a actual crise está a comprometer a educação", embora admita ser "necessário fazer escolhas face aos constrangimentos financeiros".

O investigador chamou a atenção para as consequências do actual momento de crise que Portugal atravessa nas crianças de hoje, "jovens do amanhã".

"A infância é uma das faixas etárias mais atingidas. Nesta altura os jovens estão especialmente susceptíveis aos efeitos vários de uma crise. Principalmente aos efeitos emocionais. O crescimento da criança não é só uma estimulação cognitiva", apontou.

Leandro Almeida lembra que a educação passa também por "questões alimentares, jogos" e que, "num momento em que há poucos recursos, os pais, vivenciando com drama as situações diárias, têm pouca disponibilidade afectiva".

Cientistas dão mais um passo para a cura da surdez

Uma equipa de investigadores do Reino Unido conseguiu recuperar parte da audição de roedores, com a utilização de células estaminais. No futuro, espera-se que uma pessoa que é incapaz de ouvir o trânsito de veículos pesados passaria a poder ouvir uma conversa. 

Cientistas no Reino Unido conseguiram melhorar a audição de gerbos, através da reconstrução de nervos dos ouvidos, noticia a BBC. Contudo, apesar da descoberta marcar um importante passo no tratamento da surdez, a possibilidade de ser aplicada a humanos ainda está distante.

Uma em cada dez pessoas com surdez profunda sofre desta condição por ter nervos do ouvido danificados. Os investigadores da Universidade de Sheffield partiram daí para tentar substituir essas células nervosas por células estaminais, retiradas de um embrião humano.

As células estaminais são capazes de transformar-se em qualquer coisa, seja nervos, pele ou músculo. Os investigadores apenas tiveram que lhes juntar alguns químicos e injetar o resultado nos ouvidos de 18 gerbos surdos. Foram escolhidos gerbos, pois estes ouvem uma variedade de sons semelhante à dos humanos.

Os resultados foram animadores, pois passadas dez semanas a audição dos roedores melhorou e, no final do estudo, o alcance auditivo tinha sido restaurado, em média, até 45%. Alguns dos animais recuperaram mesmo 90% da audição, mas também houve menos de um terço que não registou quaisquer alterações.

Contudo, os cientistas reiteram que, a chegar aos humanos, a cura não é completa, sendo possível manter uma conversa num espaço fechado, mas sem se poder ouvir murmúrios, por exemplo. Além disso, a utilização de células estaminais levanta ainda questões éticas na comunidade científica.

Os obstáculos da aplicação do tratamento a seres humanos passam também pela dificuldade em chegar à parte do ouvido que deve ser tratada, pois é muito pequena.

Contudo, "para milhões de pessoas cuja surdez está a afetar a qualidade de vida, este avanço não poderia ter vindo mais cedo", afirmou Ralph Holme, da associação "Ação para a Surdez", citado pela BBC.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Regulação do ensino de alunos com currículo específico individual em processo de transição para a vida pós-escolar

Foi publicada a Portaria n.º 275-A/2012, de 11 de setembro, que regula o ensino de alunos com currículo específico individual (CEI), em processo de transição para a vida pós-escolar, nos termos e para os efeitos conjugados dos artigos 14.º e 21.º do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, na sua redação atual, e da Lei n.º 85/2009, de 27 de agosto, regulada pelo Decreto-Lei n.º 176/2012, de 2 de agosto.


O normativo aplica-se aos alunos com necessidades educativas especiais que frequentaram o ensino básico com currículo específico individual abrangidos pelo n.º 6 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 176/2012, de 2 de agosto, que refere " Os alunos com necessidades educativas especiais que frequentaram o ensino básico com currículo específico individual, nos termos da alínea e) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, frequentam o ensino secundário ao abrigo da referida disposição legal."

O diploma estabelece uma matriz curricular constituída por seis componentes com uma carga horária semanal de 25 horas letivas, nos termos constantes do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante. Atendendo a que os alunos com CEI e plano individual de transição (PIT) constituem um grupo heterogéneo e que os currículos são ajustados às suas necessidades individuais, a matriz curricular assenta em dois princípios fundamentais que devem ser observados na sua aplicação:
a) Flexibilidade na definição dos conteúdos curriculares no âmbito da construção de cada CEI, bem como na gestão da carga horária de cada disciplina;
b) Funcionalidade na abordagem dos conteúdos curriculares, atendendo aos contextos de vida do aluno.

Para a implementação e desenvolvimento do CEI os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas secundárias estabelecem parcerias, preferencialmente, com Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) acreditados pelo Ministério da Educação e Ciência, outras IPSS com valência de educação especial.

Para os efeitos previstos na presente portaria, são definidas as seguintes categorias de formadores e seus respetivos conteúdos funcionais: monitor, técnico e mediador.

Para efeitos de constituição de turmas, não se aplica o n. 5.4 do despacho n.º 5106-A/2012, de 12 de abril (As turmas que integrem crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente, e cujo programa educativo individual assim o determine, são constituídas por 20 alunos, no máximo, não podendo incluir mais de 2 alunos nestas condições.)

O diploma remete para o estabelecimento de protocolos com instituições abrangidas pela Portaria n.º 1102/97, de 3 de novembro. De facto, a estrutura curricular anexa ao documento define as instituições responsáveis pelas componentes curriculares a desenvolver.

Relativamente à componente letiva, define que compete aos professores de educação especial assegurar o planeamento, o desenvolvimento e a avaliação das componentes  do currículo de Comunicação e de Matemática. As restantes componentes do currículo serão desenvolvidas pelos "parceiros".

Levantam-se algumas questões às quais urge responder:
Encontrando-se o ano letivo a iniciar, ou já iniciado, irão ser criadas candidaturas para o estabelecimento de protocolos? Quando? Talvez seja um pouco extemporâneo.
Em caso negativo, podem ser afetos às restantes componentes do currículo docentes do agrupamento, com habilitação adequada, concretamente professores de educação física para Desporto e Saúde, de educação visual, de educação tecnológica e técnicos específicos do cursos profissionais para Organização do Mundo Laboral e, eventualmente, Desenvolvimento Pessoal, Social e Laboral? O diretor da turma onde está inserido para Cidadania?

O documento apresenta alterações significativas que merecem uma análise mais cuidada dado que se aplica no presente ano letivo... Fica aberto o debate!
(O texto foi atualizado às 18h30)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

Hoje, dedico este texto à divulgação da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial. Foi criada em Julho de 2008 por um grupo de professores de Educação Especial, que anteriormente dinamizavam o FEEI, Fórum de Estudos de Educação Inclusiva, devido à necessidade de aglutinar os docentes de educação especial numa associação profissional, até então inexistente.
Partilho, abaixo, o editorial da newsletter de setembro escrito pelo presidente Prof. Doutor David Rodrigues.

Caros sócios e amigos:

Há quem compare a vida de professor ao mito do eterno retorno… Quando se encontra, no final de um ano letivo, um certo equilíbrio de informação, conhecimento e relação, eis que tudo regressa ao princípio com um novo ano cheio de surpresas de… informação, conhecimento e relação.
Eu penso que esta é uma forma muito convencional e redutora de encarar a vida e sobretudo a vida de professor. Pensar que a vida é um eterno retorno apela a uma representação em círculo; quer dizer que andaríamos à volta, à volta, tendo só por certeza que no futuro havemos de voltar a passar pelos lugares que já passamos mil vezes antes. A vida de professor não é (ou não deve ser) um eterno retorno é talvez mais que um círculo, uma espiral em que sempre vamos vendo coisas diferentes de ângulos e perspetivas elas também diferentes. O facto de parecer que andamos em círculo não nos deve iludir: nunca passaremos pelas mesmas situações da mesma maneira: se virmos as situações iguais aos que já vimos é porque não estamos a ver claro e se pensarmos que os problemas de hoje ou do futuro se resolvem com as soluções que encontramos no passado estaremos certamente a “economizar” no esforço e no compromisso que precisamos de ter para os resolvermos.
Sei que os tempos não vão bons para a participação. Estamos no meio de uma crise que muitas vezes não percebemos nem como nela entramos nem como dela saímos. Estamos num buraco mas não sabemos quem tirou a terra nem para onde é que ela foi. (É verdade… a terra que falta no buraco foi para qualquer lado…). Nesta situação tudo nos convida a “esperar para ver” e a ter a ilusão que se ficarmos quietos talvez o assunto não piore ainda mais…
Queria iniciar este ano letivo de 2012 desejando a todos os professores em nome da direção da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, um ano lúcido, um ano de compromisso em que façamos ouvir a nossa voz certos que a participação democrática é imprescindível e é talvez o único reduto que temos de preservar a todo o custo. Porque a democracia, como muito bem nos ensinou o ideário do 25 de Abril de 1974, é a chave do desenvolvimento por muito trabalhosa que possa parecer.
Um bom ano profissional e pessoal para todos! E não se esqueçam: esta associação existe para amplificar a vossa voz. Não se afastem do microfone!

David Rodrigues

Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

Editorial da newsletter de setembro de 2012 (1ª QUINZENA)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Criança autista precisa de apoio

Maria Inês, de três anos, não anda, não fala e não brinca. Os médicos dizem que sofre de perturbação do espectro autista. Os pais, Lara Páscoa, 23 anos, e Flávio Correia, 26 anos, de Sesimbra, não se conformam com o diagnóstico e decidiram experimentar tratamentos numa clínica de Guimarães, mas precisam de 12 mil euros. 

Lara Páscoa explica ao CM que a decisão foi tomada porque nos hospitais Garcia de Orta (Almada) e Santa Maria (Lisboa) lhes disseram que "não havia nada a fazer". A mãe de Maria Inês sublinha que os tratamentos na clínica, uma sucursal de unidades de Cuba, custam seis mil euros por mês e que a menina vai precisar de terapias durante dois meses. Os tratamentos, que começam hoje, incluem sessões de fisioterapia, terapias ocupacional e da fala, ozonoterapia e eletroterapia. Para suportar os custos, os pais de Maria Inês lançaram um peditório e foi criada uma página no Facebook – ‘Vamos Ajudar a Maria Inês’ – que já conta com mais de seis mil membros. O autismo é uma perturbação neurobiológica complexa.

domingo, 9 de setembro de 2012

Palestra “Organização de Respostas à Diversidade”

No dia 12 de setembro, vai decorrer uma palestra subordinada ao tema “Organização de Respostas à Diversidade”, dinamizada pelo Prof. Doutor Luís de Miranda Correia. A iniciativa, promovida pelo grupo de Educação Especial do Agrupamento de Escolas Viseu Norte, em parceria com a Porto Editora e o Jornal do Centro, decorre pelas 10h00 no auditório da Escola EB 2,3 Dr. Azeredo Perdigão, em Abraveses, Viseu. 

A Palestra é dirigida a docentes de todos os níveis de ensino e a profissionais de Serviços de Psicologia e Orientação a exercerem funções em Escolas/Agrupamentos.

Encontram-se abertas as inscrições, realizadas online, até dia 10/09/2012, aqui.

Anel com câmara dá assistência a invisuais

Uma equipa de investigadores norte-americanos, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), desenvolveu uma mini-câmara com voz integrada e de fácil transporte, aliás é um anel e poderá substituir a bengala branca dos invisuais.


O dispositivo, chamado de EyeRing, “é intuitivo”, segundo dizem os cientistas Suranga Nanayakkara e Roy Shilkrot. Para usá-lo basta colocá-lo no dedo, apontar para um objeto e carregar num botão. Assim, a câmara do EyeRing tira uma fotografia e, em segundos, redige uma mensagem áudio com pormenores como a distância a que fica o objeto.

As capacidades desta nova tecnologia não ficam por aqui, já que se o utilizador pronunciar as palavras “cor” ou “dinheiro”, o anel pode reconhecer a cor e dizer o preço de um objeto ou mesmo identificar de quanto é uma nota.

Portanto, se apontarmos para uma camisa numa montra e clicarmos duas vezes num pequeno botão na lateral e determinarmos a função desejada (identificar moedas, textos, preços em etiquetas e cores), a imagem é enviada via Bluetooth para o telemóvel, onde uma aplicação usa algoritmos de visão computacional para processar a foto e anunciar em voz alta o que ele está a ver (verde, 20 euros, etc.). Para tal, basta apontar, falar, carregar no botão e ter um smatphone no bolso.

O EyeRing é revestido de plástico, inclui uma minúscula câmara, um processador e ligação Bluetooth. A melhor parte é que nem sequer é necessário tirar o telefone do bolso e desbloquear o teclado.

Os engenheiros pretendem ainda melhorar o protótipo antes de comercializá-lo. O objetivo é reduzir o tamanho do anel, para que seja mais confortável usá-lo durante um período mais longo, acrescentar-lhe algumas funções, especialmente uma câmara em tempo real.

Os investigadores consideram que poderá ser um objeto com várias funcionalidades e mesmo ser usado como guia turístico interactivo.