terça-feira, 17 de abril de 2012

Concursos: Lista completa dos docentes colocados no grupo 910 - educação especial

Do Blog de Ar Lindo, retirei o seguinte texto e a informação complementar que poderão ajudar os colegas interessados em concorrer para o grupo 910 - educação especial.

A lista que apresento tem os 1670 colocados por renovação de colocação, pela lista de 31 de agosto e pelas 13 bolsas de recrutamento e está ordenada pela graduação do candidato.

A verde estão os colocados por renovação de colocação, a amarelo os colocados em 31 de agosto e a branco os que foram sendo colocados nas 13 bolsas de recrutamento.

Dos 1670 colocados 1316 têm possibilidade de renovação da colocação e apenas 354 docentes neste grupo foram colocados depois do dia 31 de agosto, e a quase totalidade dos horários que se encontram disponíveis para novas colocações encontram-se a sul do Pais.

Sendo este um dos grupos que pode vir a ter mais contratados em 2012/2013, por ainda não existirem docentes sem componente letiva neste grupo em número considerável, ficam as portas quase fechadas para novas colocações no próximo ano letivo.

Para quem concorre pela primeira vez ao grupo 910 e tiver curiosidade em saber o lugar que poderia neste grupo deve simular a sua situação nesta lista tendo como referência o tempo de serviço até 31 de agosto de 2010.



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Projeto Bullying NÃO

O Serviço de Documentação do Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança (CEDI) do Instituto de Apoio à Criança, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian deu andamento ao Projeto Bullying NÃO. O objetivo foi tratar o tema da violência escolar entre pares sob a forma de bullying e cyberbullying.

No âmbito deste projeto foram produzidas três publicações distintas: um desdobrável dirigido ao público jovem, um boletim bibliográfico onde consta o que será um dos mais completos e atualizados acervos de monografias a nível nacional sobre bullying e cyberbullying e uma extensa publicação sobre os recursos digitais disponíveis sobre estas temáticas. Esta última é composta por várias partes: a primeira é dedicada à definição de conceitos e enumeração de características distintivas de outras formas de violência escolar. Apresenta-se em seguida uma lista de documentos de cariz científico-pedagógico disponíveis on-line e por fim, disponibilizam-se as hiperligações para vários sites nacionais e internacionais versando estas temáticas.

Publicação sobre os recursos digitais disponíveis aqui.

Boletim bibliográfico aqui.

Desdobrável aqui.

domingo, 15 de abril de 2012

Fotógrafa invisual capta mundo com os olhos da alma

Amy Hildebrand nasceu cega devido ao albinismo, um raro distúrbio hereditário no organismo que impede a produção de melanina. Mas recuperou parte da visão - vê algumas cores, formas e sombras -, tornou-se famosa como fotógrafa, e está quase a concluir o seu projeto 1000 Fotos em 1000 Dias, publicadas diariamente no seu blogue 'With Little Sound'.
Para ver mais algumas fotografias, aqui.

sábado, 14 de abril de 2012

Os professores e os problemas de voz

Os professores representam cerca de 20 por cento do absentismo laboral por problemas relacionados com a voz, uma situação que resulta essencialmente da falta de formação sobre a correta utilização das cordas vocais, referiu este sábado um especialista.

Segundo Manuel Mendes Leal, do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de S. João, esta realidade acarreta «custos muito elevados» para o Serviço Nacional de Saúde e para o sistema de Segurança Social, uma vez que obriga a tratamentos «mais ou menos prolongados» e a baixas médicas.

«Tudo seria bem mais simples e mais barato se a aposta fosse na prevenção dos problemas, mas isso passaria desde logo pela formação dos professores quanto à correta utilização da voz, já durante o curso», acrescentou aquela especialista à Lusa.

Sublinhou que nos grupos «não profissionais da voz» o absentismo laboral por problemas com as cordas vocais não ultrapassa os quatro por cento.

O problema mais recorrente da má utilização da voz é o surgimento de nódulos nas cordas vocais.

O tratamento passa por sessões de terapia da fala, sendo normalmente necessárias «entre sete a nove», durante três ou quatro semanas.

No entanto, sublinhou, há casos que demoram muito mais a resolver, como o de uma professora que só ao fim de quatro meses é que começou a recuperar parte da fala.

«O problema é que os professores e outros profissionais têm uma noção irrealista da voz, pensam que ela aguenta tudo, e depois acontecem casos muito complicados», alertou.

Como conselhos básicos, Mendes Leal «receita» higiene oral, hidratação, aquecimento, atenção às infeções do nariz e cuidado com o tabaco, vincando ainda a importância de uma adequada postura corporal, de forma a que a voz seja projetada o mais longe possível com o mínimo de esforço.

In: TVI 24

Menina de quatro anos tem QI próximo de Einstein

Uma menina inglesa, de quatro anos, acaba de entrar para a prestigiada Mensa, uma organização que reúne as pessoas com os quocientes de inteligência (QI) mais elevados do mundo. Heidi Hankins entrou para a organização com um QI de 159, apenas um ponto abaixo de Albert Einstein e Stephen Hawking.

A pequena Heidi Hankins, da cidade de Winchester, aprendeu a ler sozinha e, quando tinha dois anos, já sabia contar até 40. Segundo disse o pai da menina à imprensa britânica, recentemente os pais ofereceram-lhe uma coleção de livros educativos da Oxford Reading Tree e a criança leu os 30 livros em cerca de uma hora. 

A destreza de Heidi com as palavras e os números chamou a atenção dos pais e da sua educadora de infância que resolveram testar o seu quociente de inteligência. O resultado foi de 159 pontos, apenas um ponto atrás de físicos como Stephen Hawking e Albert Einstein.

O teste de QI realizado por Heidi é especialmente desenhado para crianças da sua idade e abriu-lhe as portas da Mensa, uma sociedade para pessoas com QI elevado que reúne cerca de 100 mil membros no mundo inteiro. 

Citado pelos jornais britânicos, o pai da menina - professor na Universidade de Southampton - garante que além de escrever, ler e fazer contas, Heidi também adora brincar com bonecas e legos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Normas relacionadas com as matrículas, distribuição dos alunos por escolas e agrupamentos, regime de funcionamento das escolas e constituição de turmas

Pela publicação do Despacho n.º 5106-A/2012, são definidas as normas relacionadas com as matrículas, distribuição dos alunos por escolas e agrupamentos, regime de funcionamento das escolas e constituição de turmas.
Entre outros aspetos, destaco os seguintes:
- Continua a ser dada prioridade na matrícula das crianças e dos jovens com necessidades educativas especiais em todos os níveis de educação e ensino;
- Mantém-se que as turmas que integrem crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente, e cujo programa educativo individual assim o determine, são constituídas por 20 alunos, no máximo, não podendo incluir mais de 2 alunos nestas condições (n.º 5.4);
- Na formação das turmas deve ser respeitada a heterogeneidade do público escolar, podendo, no entanto, o diretor perante situações pertinentes, e após ouvir o conselho pedagógico, atender a outros critérios que sejam determinantes para o sucesso escolar.

"Nuno Crato autoriza escolas a separar bons dos maus alunos"



Numa primeira análise, a verificar-se tal situação, parece-me um retrocesso no processo da educação inclusiva. Penso que se deveria investir na formação em contexto dos professores, com realce para diversificação pedagógica e a gestão do currículo na turma. Regressamos ao sistema da escola tradicional, onde se ensina os alunos da turma como se fossem um só.

In: Capa do DN

De novo e sempre a equidade



No dia 10 de Abril deste ano de 2012 foi publicado pela OCDE um relatório sobre Educação. Um relatório sobretudo sobre as reprovação, vulgo “chumbos”. Antes de mais este relatório lembranos que Portugal, juntamente com a Espanha, a França e o Luxemburgo, são os campeões dos chumbos. Que triste record ! E triste porquê? Por três razões:
Em primeiro lugar porque o “chumbo” (que lembra a morte de animais selvagens por caçadores), não tem qualquer relação com a qualidade de ensino. Poderíamos pensar que são os professores mais exigentes os que mais chumbam. Completamente errado! Os melhores professores são os que melhor ensinam e, ensinando melhor, originarão certamente menos chumbos. Lembro um caso verídico em que um colega meu da Universidade se gabava publicamente de ter 60% de chumbos na sua cadeira. Dizia isto com ar ufano e com uma crítica implícita aos “facilitistas” que tinham taxas de reprovação residuais. Foi então que um dos presentes na reunião que tinha estudado nos Estados Unidos lhe disse: “O colega tem muita sorte em ensinar em Portugal: se fizesse isso no MIT era despedido de imediato. Lá não se admitem essas taxas de reprovação”. É preciso e urgente que não associemos a reprovação à exigência ou à qualidade educativa.
Em segundo lugar há uma perspectiva ingénua sobre o “chumbo”: ele irá, castigando o aluno, dar-lhe mais motivação para estudar mais. Esta ideia pode estar muito difundida mas é errada. O “chumbo” não melhora a motivação: piora a auto-estima, potencia o abandono escolar e, falando em tempo de crise, é um enorme desperdício de dinheiro e recursos. Os efeitos da reprovação sobre a criança (abandono do seu grupo/turma, imagem de “burro”, representação da escola como lugar de punição, etc.) são de tal forma gravosos que não se pode chamar senão triste a este record.
Em terceiro lugar, sabemos que a reprovação tem destinatários anunciados. Sabemos que as crianças oriundas de meios socioculturais desfavorecidos são os alvos preferenciais dos chumbos disparados pela escola. E o que quer isto dizer? Quer dizer que a escola se presta à triste incumbência de certificar e de justificar “objetivamente” a exclusão que estas crianças e suas famílias são vítimas há muito tempo. O chumbo cria exclusão mas, em muitos casos é uma mera certificação da exclusão já existente.
A alternativa ao chumbo não é o “fechar os olhos e passar todos”. É o contrário: “é abrir os olhos para ver” que as crianças partem de vivências diferentes, aprendem de formas diferentes e que toda a tentativa de as homogeneizar dá asneira. Asneira porque cria chumbos – que são sinónimo de falta de qualidade e de justiça social - asneira ainda porque a procura da homogeneidade impossibilita ver a diversidade. A riqueza da diversidade. A alternativa é certamente criar nas escolas melhores estruturas de apoio à aprendizagem.
Sabemos que todos os alunos, em diferentes disciplinas e em diferentes fases do seu percurso académico, podem experimentar dificuldades. É preciso responder a essas dificuldades de forma atempada, preventiva e eficaz para que elas não se instalem e possam ser ultrapassadas.
O caminho para a melhoria da qualidade do nosso sistema educativo é incompatível com a taxa de reprovações que temos atualmente. Era importante que todos nós (responsáveis ministeriais, professores, pais, etc.) soubéssemos que os sistemas educativos que têm uma efectiva qualidade são aqueles que prestam mais atenção aos alunos que, por diferentes razões, podem ter dificuldades. E atender estas dificuldades não é falar mais alto ou dizer o mesmo mais vezes: é ir ao encontro do aluno e ensiná-lo de forma diferente. Penso que esta é uma boa reflexão agora que se fala que os alunos com necessidades educativas especiais vão ser avaliados com a mesma prova de todos os outros. Será para batermos o nosso próprio record?

David Rodrigues
Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial

In: Editorial da newsletter 38, da 1ª quinzena de abril, da Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Turmas vão ser maiores já no próximo ano

A partir do próximo letivo, as turmas do ensino básico e secundário vão ser maiores. 

Um despacho do Ministério da Educação e Ciência (MEC), que será publicado nesta sexta-feira em Diário da República, determina que, do 5.º ao 12.º ano, o número máximo de alunos de turma passará a ser de 30 em vez dos 28 atuais. Por outro lado, para a constituição de turmas será necessário um número mínimo de 26 alunos. Até agora eram 24.

Em agosto passado, o MEC já tinha aumentado de 24 para 26 o número máximo de alunos por turma no 1.º ciclo, tendo então justificado com uma “procura excecional de matrículas” neste nível de escolaridade. Este novo limite mantém-se.

Conforme já anunciado pelo ministro da Educação, Nuno Crato, o despacho confirma a possibilidade de, no ensino básico, os pais poderem escolher a escola dos seus filhos independentemente de qual seja o seu local de residência, mas as vagas existentes nas escolas continuarão a ser distribuídas como até agora, tendo prioridade os alunos com necessidades educativas especiais, os que têm irmãos matriculados no agrupamento e aqueles cujos pais residam ou trabalhem na área de influência da escola.

Clara Viana



Não basta assegurar o direito à inclusão, é preciso assegurar a inclusão

Num belo filme, que dá pelo nome de "Vermelho como o céu", um menino cego guia uma menina por corredores escuros. E uma metáfora de Saramago diz-nos que o grande crime é não cegar quando todos já são cegos. Do "Ensaio sobre a cegueira" ao "Ensaio sobre a lucidez", Saramago não faz outra coisa que não seja lembrar-nos a tragédia edipiana, que nos fala daqueles que, tendo olhos, não veem, e de cegos que conseguem ver. Em "Vermelho como o céu", somente quando alcançam a saída da platónica caverna, a menina reassume a missão de conduzir. 

Visitei uma escola, que me diziam ser "inclusiva". Numa turma da quarta série, encontrei um aluno "incluído". Copiava as frases escritas no quadro, tão lentamente que, no fim da cópia, a folha foi parar no lixo. Estava empastada em saliva, que ele não conseguia conter na boca. A professora explicou por que razão o "incluído" estava sentado no fundão da sala: Que quer que eu faça? Ele continua com a cartilha da 1ª série. Com mais de trinta alunos já é difícil ensinar normais. Agora, põem-me um deficiente na sala. Eu nunca tive formação para isto. Não dá! 
No fundão da sala, o "incluído" tornou-se invisível. 
À impotência e frustração de professores junto o desespero dos pais: Na hora de matricular é aquele abraço "Nós vamos dar conta da sua filha"  mas, depois, a minha filha passa o tempo todo passeando pela escola, ou no fundo da sala. Tem treze anos, mas não sabe fazer a tarefa que a professora manda fazer em casa. Ela está na terceira série, mas tem o livro da primeira série e passa as aulas a fazer cobrinhas... A professora é muito simpática, mas... Quando a professora me disse que não sabia trabalhar com a minha filha, eu disse à professora que trabalhasse como trabalhava com todos os outros. Mas a professora disse-me que a Bianca não se sabe explicar... 
No decurso de um congresso, alguém que eu muito respeito (e trabalha no MEC), afirmou: A organização em séries não combina com Inclusão. Ela viu, claramente visto, o logro de uma "inclusão de fachada". Mas há quem não queira ver. 
Todas as escolas incorporaram a "inclusão" no discurso. Na prática, são escolas inclusivas não-praticantes. A "olhómetro", a tia arriscou a sentença: A sua filha deve ser disléxica. Leve-a a um psicólogo. 
Depois de muito dinheiro gasto na psicóloga, a mãe da Rita entregou um relatório à professora. A psicóloga recomendava que se ajudasse a aluna a elevar a sua autoestima. Na prova seguinte, a vermelho, a Rita recebeu da tia a sua primeira "ajuda": Tens de estudar mais. Assim nunca vais conseguir passar de ano. 
A mãe insurgiu-se, protestou. No ano seguinte, a Rita foi transferida para outra escola, porque... "não havia vaga". 
O discurso que apela à integração dos diferentes nas escolas ditas regulares não basta. Não basta assegurar o direito à inclusão; é preciso assegurar a inclusão. A sabedoria popular tem sempre razão: o pior dos cegos é aquele que não quer ver. E, porque há quem recuse ver, em nome da inclusão, eu tenho visto cometer atos de segregação. 
O Almada Negreiros escreveu: Quando eu nasci, todos os tratados que visavam salvar o mundo já estavam escritos. Faltava apenas uma coisa: salvar o mundo. Quando me fiz professor, todos os tratados que visavam salvar a Escola já estavam escritos. Só faltava salvar a Escola. 
Eu sei que estou sempre a dizer o mesmo. Mas não desisto. Algum dia, os professores hão de compreender por que razão, para certos modos de ver, o céu pode ser vermelho.

José Pacheco