Israel Paródia, reconhecido como o primeiro médico cigano formado em Portugal, iniciou oficialmente a sua atividade profissional no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no início de 2026, dando mais um passo num percurso que tem vindo a assumir um forte simbolismo social e histórico.
A estreia na profissão aconteceu logo num turno de urgência de 12 horas, num domingo, cenário que o próprio descreve como exigente e marcado pelo ritmo intenso característico dos serviços de urgência. Numa publicação partilhada a 7 de janeiro, durante a madrugada, Israel registou o momento durante uma breve pausa, sublinhando a mistura de emoções vividas no seu primeiro dia de trabalho enquanto médico.
“Apesar do caos das urgências, que podem ser asfixiantes mesmo para os mais experientes, decidi numa pausa para beber café registar o momento com um sorriso no rosto”, escreveu.
O jovem médico destaca a consciência da responsabilidade que lhe foi confiada e a gratidão por poder estar na linha da frente do cuidado em saúde, mesmo perante a vulnerabilidade e o sofrimento humano.
“Sorrio, apesar de assistir na linha da frente à vulnerabilidade e sofrimento humanos, pois sinto-me grato e um privilegiado por me ter sido entregue esta grande responsabilidade de poder ser luz naquele que é muitas vezes o momento mais sombrio da vida dos doentes e familiares.”
Israel Paródia estudou Medicina pela Nova Medical School e foi bolseiro de mérito da Fundação Calouste Gulbenkian. Tem sido uma voz ativa na promoção da educação inclusiva e da literacia em saúde, desempenhando também funções como assistente pré-graduado de Anatomia e Neurociências e embaixador europeu da Educação Inclusiva.
A experiência vivida no Hospital de Santa Maria reforça, segundo o próprio, a paixão pela profissão que escolheu para a vida.
“É esta dualidade de sentimentos que me faz apaixonar cada vez mais pela medicina a cada dia de trabalho e aprendizagem.”
O início da sua carreira médica surge, assim, não apenas como uma conquista individual, mas como um marco inspirador para a comunidade cigana e para a sociedade portuguesa, evidenciando o papel transformador da educação, da perseverança e do compromisso com o serviço público.
Fonte: Notícias de Coimbra por indicação de Livresco
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