quinta-feira, 9 de maio de 2019

Mitos e realidades da profissão docente

Do muito que se escreveu e disse sobre os professores nos últimos dias, há uma conclusão evidente: vista do exterior, a realidade da profissão continua a ser mal conhecida. E há quem tire partido dessa ignorância. Este texto é o modesto contributo de um professor para o esclarecimento de alguns dos falsos mitos que rodeiam a profissão.

Os professores ganham muito. Uma frase feita em que, de tanto repetida, se corre o risco de acreditar. Abundam até os estudos e as comparações feitos com valores intencionalmente distorcidos e manipulados. Não sei se salários que rondam os mil euros líquidos no início da carreira e cerca de dois mil no topo – onde ainda poucos chegaram – se podem considerar elevados. Julgo que não: pagar menos tornaria a carreira docente ainda menos atractiva do que já é. E o topo, que alguns acham inflacionado, é o resultado de uma carreira demasiado longa, com muitos escalões e barreiras à progressão. Mas esta estrutura de carreira nunca foi pretendida pelos professores. Foi imposta à classe por uma ministra autoritária, respaldada numa maioria absoluta.

São os professores perto do topo da carreira que mais beneficiariam com a recuperação do tempo. Li isto várias vezes nas redes sociais e ainda não percebi de onde veio a ideia. A medida não afecta os que estão no topo, que já não têm para onde progredir. Os que estão nos escalões imediatamente anteriores podem ter algum benefício na antecipação das progressões, mas de qualquer forma chegariam lá. Recuperar o tempo é sobretudo uma medida de justiça para com os professores que estão, com 20 e mais anos de serviço, nos escalões iniciais de uma carreira com dez, com entraves à progressão e que exige no mínimo 34 anos de serviço para chegar ao fim. E isto não se repercute apenas nos vencimentos. Sem recuperação do tempo de serviço, muitos dos actuais professores irão aposentar-se com pensões inferiores aos mil euros líquidos, ao fim de uma carreira de mais de 40 anos de descontos.

Os professores trabalham pouco. Esta é uma atoarda que nasce da confusão, por vezes mal intencionada, entre horário de trabalho do professor – que é de 35 horas – e horário lectivo – 25 horas no 1º ciclo e no pré-escolar, 22 horas nos restantes níveis de ensino. A que há que acrescentar a componente de estabelecimento – 2 a 3 tempos semanais em que os professores ficam adstritos a tarefas administrativas ou de coordenação pedagógica. Só as restantes 7 a 11 horas podem ser cumpridas fora da escola: são o tempo, escasso, destinado a preparar aulas, corrigir fichas e trabalhos dos alunos, fazer formação, etc. É fácil perceber que muitas vezes não chega: quando o trabalho aperta, é frequente os professores sacrificarem o tempo familiar e de lazer, cumprindo muito mais horas do que as que constam no seu “contrato”. Aparentemente, trabalham pouco, porque boa parte do seu trabalho é invisível: é fácil reparar no professor que, depois das aulas, descansa na esplanada. Mas ninguém o vê pela noite dentro, ou ao fim de semana, a trabalhar em casa.

Os alunos cada vez sabem menos. Os alunos portugueses são dos que mais têm progredido, de forma consistente, nas avaliações internacionais feitas ao longo das duas últimas décadas. Os últimos resultados disponíveis dos testes PISA, referentes a 2015, colocam Portugal alinhado com a média dos países da OCDE, ligeiramente à frente de países como a Espanha e a aproximar-se de países de referência, como a Finlândia. Os políticos gostam de justificar os progressos invocando o acerto e o sucesso das respectivas políticas. Mas estas, como sabemos, são muitas vezes erráticas e contraditórias, mudando a cada mudança de governo. Se procurarmos um factor que, mantendo-se estável ao longo do tempo, tenha influído positivamente na melhoria dos resultados, ele só pode ser o esforço e a dedicação dos professores e a qualidade do seu trabalho.

Não há razões para os professores se aposentarem mais cedo. A docência é, reconhecidamente, uma profissão desgastante. O alargamento da escolaridade obrigatória e as políticas de inclusão escolar multiplicaram as tarefas e exigências que se abatem sobre os professores, tornando a profissão bem mais exigente e extenuante do que foi num passado recente. A pressão que hoje é colocada sobre uma geração de professores em torno dos 50 anos, a maioria com 30 ou mais anos de serviço, é muito grande e está a traduzir-se num elevado número de baixas por doença. Entre elas, doenças físicas e mentais decorrentes do exercício da profissão. O ME evita divulgar números, mas calcula-se que perto de 10% dos professores colocados nas escolas se encontrem de baixa. Destas, cerca de metade corresponderão a baixas prolongadas. Com o envelhecimento continuado da classe, e sem medidas que o contrariem, a situação só se poderá agravar.

Olhando racionalmente o problema, deveria perceber-se que um incentivo moderado às aposentações antecipadas traria benefícios para todos. Aos professores mais desgastados, libertando-os para uma merecida reforma. Aos jovens, abrindo-lhes o acesso à profissão. Às escolas, proporcionando uma estrutura etária mais equilibrada e uma salutar convivência profissional entre gerações docentes, de forma a garantir a “passagem de testemunho”. Ao Estado, que desta forma substituiria professores mais caros e com horários lectivos mais reduzidos por outros mais jovens, mais produtivos e com uma carreira pela frente.

A profissão docente é uma profissão sem futuro. Eis um aparente paradoxo: tanta gente a referir os supostos “privilégios” da classe e afinal são cada vez menos os candidatos aos cursos superiores de formação de professores. Alguns destes não preenchem sequer todas as vagas existentes, outros conseguem-no apenas com a entrada de jovens que não tiveram lugar em escolhas mais aliciantes.

Querem saber a verdade? Dentro de uma década, ou talvez até antes, haverá falta de professores qualificados. A geração que predomina actualmente nas escolas começará nessa altura a aposentar-se em massa. Em poucos anos, cerca de metade dos actuais 100 mil professores dos quadros terão de ser substituídos. Nessa altura os professores habilitados e disponíveis não chegarão para as encomendas. Ser professor é, sim, uma profissão de futuro!…

António Duarte

Professor do ensino básico e secundário e autor do blogue Escola Portuguesa.

Fonte: Observador

Ser Voluntário … na APPACDM de Lisboa

Segundo o Inquérito Piloto ao Trabalho Voluntário, realizado em 2012, cerca de 12% da população residente com 15 ou mais anos tinha feito nesse ano voluntariado ou participado em acções de voluntariado. Um número, contudo, abaixo da média da União Europeia, que se situava nos 24%. Cada vez mais pessoas querem começar a realizar voluntariado regularmente, mas a questão muitas vezes colocada é: por onde começar? Nós damos uma ajudinha.

Área Geográfica: Lisboa, Almada e Cascais
Tema: Pessoas com deficiência

A APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Lisboa é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que procura, desde a sua génese, dar resposta às necessidades, potencialidades e expectativas das pessoas com deficiência intelectual e incapacidade e das suas famílias.

Assim, a Missão da APPACDM passa por promover a inclusão das pessoas com deficiência ou incapacidade na sociedade, com qualidade de vida, no respeito pelos princípios que consagram o direito ao exercício de plena cidadania.

Tendo em vista a prossecução dos objetivos definidos, a APPACDM de Lisboa conta com uma equipa de cerca de 250 colaboradores, destacando-se a sua multidisciplinaridade nas diferentes respostas que asseguram uma intervenção diferenciada e orientada para o cliente.

Qual o impacto da APPACDM?
A APPACDM Lisboa presta serviços, diariamente, a mais de 700 crianças, jovens, adultos, nos concelhos de Lisboa, Almada e Cascais.

Como podes ajudar?
Estas são as várias funções em que podes colaborar com a APPACDM:
- Informática para formação a colaboradores e utentes e para algum apoio a eventuais trabalhos em curso
- Formação nas áreas de comunicação, desenvolvimento pessoal, temas vários
- Acompanhamento e apoio em actividades de lazer
 Dinamização de actividades que possam ser avaliadas e consideradas de interesse para os jovens
- Apoio na manutenção, decoração e manutenção de espaços verdes 

Nota: A APPACDM tem delegações em vários locais do país. 

O que precisam de ti?
A disponibilidade é variável sendo que, para a APPACDM de Lisboa, ser voluntário é estar disposto a oferecer, graciosamente, tempo disponível, capacidade pessoal e profissional, bom contacto humano e vontade, apoiando, directa ou indirectamente, no desenvolvimento e bem-estar dos utentes.

Afonso Borga

Fonte: Público

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Adiamento de ingresso no 1.º ciclo do ensino básico

Relativamente ao adiamento de matrícula no 1.º ciclo do ensino básico, o Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, refere que a equipa multidisciplinar pode propor ao diretor da escola, com a concordância dos pais ou encarregados de educação, o ingresso antecipado ou o adiamento da matrícula, nos termos do disposto no artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 176/2012, de 2 de agosto.

Este último normativo determina que, em situações excecionais previstas na lei, o membro do Governo responsável pela área da educação pode autorizar, a requerimento do encarregado da educação, a antecipação ou o adiamento da matrícula no 1.º ciclo do ensino básico. O requerimento deve ser apresentado no agrupamento de escolas ou escola não agrupada pretendido, acompanhado de um parecer técnico fundamentado, o qual integra, obrigatoriamente, uma avaliação psicopedagógica da criança (cf. n.º 3 e 4).

Esta situação é clarificada no Despacho Normativo n.º 6/2018, 12 de abril, que estabelece os procedimentos da matrícula e respetiva renovação e as normas a observar na distribuição de crianças e alunos. Neste contexto, em situações excecionais previstas na lei, o membro do Governo responsável pela área da educação pode autorizar, a requerimento do encarregado da educação, a antecipação ou o adiamento da matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico. O requerimento é apresentado no estabelecimento de educação e de ensino frequentado pela criança ou, se não for o caso, no estabelecimento de educação e de ensino que pretende frequentar, até 15 de maio do ano escolar imediatamente anterior ao pretendido para a antecipação ou adiamento da matrícula, acompanhado de um parecer técnico fundamentado, o qual integra, obrigatoriamente, uma avaliação psicopedagógica da criança.

O Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, aplica-se aos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, às escolas profissionais e aos estabelecimentos da educação pré-escolar e do ensino básico e secundário.

Redução de alunos por turma

Com regularidade, é colocada a questão relativa à redução de alunos por turma. O Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, é omisso quanto a esta situação. Para tal, temos de recorrer ao ordenamento jurídico decorrente da publicação do Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, que estabelece o regime de constituição de grupos e turmas e o período de funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino no âmbito da escolaridade obrigatória.

Este diploma refere que, globalmente, os grupos da educação pré-escolar e as turmas são constituídas por 20 alunos, sempre que no relatório técnico-pedagógico seja identificada como medida de acesso à aprendizagem e à inclusão a necessidade de integração do aluno em turma reduzida, não podendo esta incluir mais de dois nestas condições. Esta redução fica dependente do acompanhamento e permanência destes alunos na turma em pelo menos 60 % do tempo curricular.

No seguimento desta norma, nas questões frequentes sobre educação inclusiva (questão 12), constatamos que a redução do número de alunos por turma deve orientar-se por critérios pedagógicos entre os quais se sublinham: 

- o acompanhamento e permanência dos alunos com a medida adaptações curriculares significativas na turma em pelo menos 60% do tempo curricular; 

- a existência de barreiras à aprendizagem e à participação de tal forma significativas que exijam da parte do professor um acompanhamento continuado, sistemático e de maior impacto em termos da sua duração, frequência e intensidade, no âmbito da concretização das adaptações curriculares não significativas;

- a utilização de produtos de apoio de acesso ao currículo que exijam, da parte dos professores um acompanhamento e supervisão sistemáticos.

Neste contexto, para assegurar o critério de redução de turma, o relatório técnico-pedagógico deve incorporar expressamente essa determinação como requisito ou meio fundamental do aluno aceder às aprendizagens.

terça-feira, 7 de maio de 2019

5º Congresso "Desporto Adaptado: Atividade Física, Saúde e Ensino


O desporto é um meio facilitador para a inclusão e um meio motivador para as pessoas com deficiência e patologias específicas, renovarem a sua interação com a sociedade. Atualmente, o desporto e o exercício físico adaptado começam a ganhar maior destaque e relevância no panorama desportivo nacional. Evidência disso mesmo é o crescente número de estudos nesta área, bem como a notoriedade nos meios de comunicação social. 


A denominação do 5º Congresso, sofre nesta edição uma pequena alteração passando a designar-se: “Desporto Adaptado: Atividade Física, Saúde e Ensino”, indo ao encontro dos desígnios estabelecidos a nível nacional e internacional. O evento realiza-se nos dias 10 e 11 de maio, sendo que o primeiro dia do evento realiza-se na Aula Magna do Instituto Politécnico de Viseu com início às 09h00 e o seu términus às 18h00. O segundo dia do congresso é dedicado a dois workshops teórico-práticos e decorrerão no Pavilhão Cidade de Viseu.

Para mais informações, aqui.

Um informador da “PIDE”


O historiador Paulo Marques da Silva (PMS) editou recentemente a obra A PIDE e os seus informadores. O caso de Inácio, sob a chancela da Palimage. Trata-se de um estudo alicerçado num minucioso trabalho de investigação, em especial, das fontes primárias existentes nos Arquivos. Um facto que merece ser enaltecido, na medida em que este esforço vai rareando, mesmo entre estudos académicos, mas também porque o investigador em causa, PMS, residente em Condeixa-a-Nova (distrito de Coimbra), desempenha uma actividade profissional desligada da historiografia e paga do seu próprio bolso as avultadas despesas inerentes ao processo de investigação em arquivos distantes, como sejam o Instituto dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional, ambos localizados em Lisboa.  
A obra em causa integra uma nota de apresentação do consagrado historiador da Época Contemporânea Luís Reis Torgal, possui cerca de 350 páginas e encontra-se estruturada em dez parte: I – “A PIDE e os informadores”; II – “O informador Inácio”; III – “Inácio e a Oposição ao Regime em Coimbra”; IV – “Inácio e as informações sobre militares”; V – “Inácio na Universidade”; VI – “Inácio pela região de Coimbra e pelo país”; VII – “Inácio nos espaços de actuação da Oposição”; VIII – “Inácio e os tempos da Oposição”; IX – “Inácio e as iniciativas de propaganda e de cultura da Oposição”; X – “Inácio (ele próprio) e os outros”. Já em anexo, é apresentado um breve apêndice documental, seguido de um sempre útil índice onomástico.
O estudo que inspira o presente artigo desenrola-se em torno de um prolífico informador da polícia política, que actuava, fundamentalmente, na região centro (em especial, Coimbra) e assinava com o pseudónimo “Inácio”. Este zeloso funcionário dos Caminhos-de-Ferro enviou informações à polícia política entre 1935 e 1971, denunciando, segundo PMS, mais de duzentas pessoas, entre as quais se contam nomes como Miguel Torga, Fernando Namora, Fernando Valle, Alberto Vilaça e Tomás da Fonseca (PMS – ob. cit., 2019, pp. 46-48). As informações eram prestadas através de relatórios escritos, mas também via telefónica ou talvez até mesmo através do contacto directo e representavam um rendimento extra para “Inácio”, cujo obsessivo trabalho de vigilância parecia ser apreciado e valorizado pelos funcionários da polícia política, em Coimbra. Tal como teve oportunidade de recordar Irene Pimentel (A História da PIDE, 1.ª edição, 2007, pp. 312-337), é possível constatar que as denúncias enviadas à “PIDE” não radicavam apenas em motivos políticos, mas, por vezes, decorriam também de rivalidades, invejas, questiúnculas pessoais e sede de vingança, o que, de certo modo, não pode deixar de fazer-nos recordar o que sucedeu em Portugal durante o longo período em que a Inquisição se manteve em funcionamento.
Dos relatórios elaborados por “Inácio” sobressai quase sempre o ataque pessoal do denunciante em relação ao visado e o – mais ou menos directo – apelo para que os agentes policiais intensificassem a vigilância e a repressão. E destas informações, não o esqueçamos, dependia muitas vezes a decisão sobre a concessão (ou não) de empregos públicos, de bolsas ou passaportes, para já não falar na própria demissão da Função Pública. Citemos apenas três exemplos. 
Num relatório datado de 31 de Agosto de 1966, “Inácio” tecia as seguintes considerações a respeito de Joaquim Cameira Calado: “comunista e bêbedo, sem qualquer espécie de vergonha”. Ainda nesse documento, agora a respeito de António Rodrigues Novo concluía tratar-se de um “simpatizante avançado, género ordinário e sem vergonha”. E sobre Maria de Lourdes Braga Temido, num relatório com a data de 16 de Abril de 1948, afirmava: “Possui carro que guia (o marido vai ao lado como lacaio e com atitude de anjinho pois nada percebe de automóveis)” (PMS – ob. cit., 2019, ps. 225, 226 e 279).
“Inácio” teria sido um informador especial, na medida em que não se limitava a desempenhar as funções habituais do delator. Tratava-se de um “homem que incorporava a ideologia e os valores do regime, situado até na sua ala mais conservadora”, que, na sua ânsia de garantir a ordem, ousava tecer algumas sugestões e críticas à actuação das autoridades (PMS – ob. cit., 2019, p. 267) e chegou mesmo a receber/coligir informações disponibilizadas por outros informadores. Desempenhou, por conseguinte, um importante papel ao nível da referenciação e da vigilância dos principais elementos da oposição em Coimbra, com especial enfoque no meio universitário.
            Compreender os motivos que teriam permitido que a identidade de “Inácio” não fosse revelada durante o longo período em que se manteve activo (1935-1971), ainda para mais numa cidade pequena como Coimbra, não é tarefa fácil. Poderia ser um “excelente actor”, como PMS sugere (p. 45), mas também é provável que o delator em causa não fosse tão íntimo das pessoas que denunciava, ao contrário do que pretendeu fazer crer, talvez até para justificar junto da polícia política o seu trabalho/remuneração. O que também nos ajudaria a compreender a inequívoca tendência daquele para exagerar cenários comunistas ou desferir violentos ataques pessoais aos visados nos seus relatórios/denúncias. 
            Face ao exposto, importa concluir que estamos perante um estudo meritório, que é redigido num estilo claro e fluido e atinge o seu auge quando a identidade do misterioso “Inácio” é revelada. Até pelo aturado e demorado trabalho de investigação subjacente, teria, contudo, sido importante proceder a um trabalho de depuração do texto, quer ao nível da virgulação, da acentuação, da ortografia e de pequenas gralhas. Outrossim, teria sido interessante desenvolver os dados biográficos a respeito de “Inácio”, de modo a que o leitor compreendesse melhor o homem e as suas circunstâncias. Essa opção, em articulação com um maior esforço de síntese e selecção de apenas alguns relatórios considerados mais significativos, enriqueceria, segundo penso, ainda mais a obra. Do ponto de vista metodológico, faltou introduzir a fundamental lista de siglas utilizadas, de modo a facilitar a tarefa do leitor. 
O legado de Abril de 1974 passa, sobretudo, pelo permanente desafio ao pensamento individual, para o qual se revela essencial, segundo penso, o contacto com os livros com inequívoca qualidade literária e científica. A obra do historiador PMS ajuda-nos a compreender um pouco melhor a dimensão do legado que herdámos de Abril, mas também a importância determinante que os informadores tiveram para a própria sobrevivência do Estado Novo, ao longo de mais de quatro décadas (1933-
-1974).
Comemorar Abril também deve passar por ler, partilhar e discutir livros como aquele que PMS nos deixou. Esta também é a minha forma de agradecer ao autor o seu meritório esforço para continuar a construir História, num país onde, nas mais variadas áreas da sociedade, o espectáculo do entretenimento se sobrepõe cada vez mais ao conhecimento e à reflexão.

Renato Nunes (renato80rd8918@gmail.com)

domingo, 5 de maio de 2019

Aliu e Celso não deixaram a cegueira roubar-lhes os sonhos

Aliu Baio veio para Portugal com apenas 10 anos à procura de um tratamento médico que lhe salvasse a visão. Já não havia nada a fazer e não foi possível reverter a cegueira total do jovem, mas Aliu garante não guardar qualquer mágoa por causa da sua sorte. "Para ser sincero acho que não tive mesmo trauma. Claro que há coisas de que tenho pena. Mas a minha cegueira foi lenta e permitiu-me ir habituando à ideia." E nota-se que o jovem de 24 anos encontrou o seu lugar. É estudante universitário, ganha campeonatos nacionais desportivos e é baterista numa banda que está a caminho de editar o primeiro álbum.

Tudo isto também é possível porque encontrou uma casa no Lar Branco Rodrigues, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma instituição que ajuda pessoas com cegueira congénita ou adquirida no caminho para a autonomia. Depois da reabilitação, é aqui que quem não vê encontra um porto de abrigo enquanto frequenta a escola ou faz formações profissionais em Lisboa.

Acidente obrigou a mudar uma vida

Celso Pessoa Pires, de 42 anos, é outro dos utentes do Lar. Ficou cego depois de um acidente de viação, em 2010. Veio de Cantanhede para Lisboa para fazer o processo de reabilitação, depois do acidente, e por cá decidiu ficar. Comprou casa em Cascais, há cinco anos, e saiu de debaixo da asa dos pais, a pensar "nas oportunidades de trabalho e nos transportes públicos" que a capital oferece, e que são mais escassos na sua terra natal.

A ideia era ficar na zona de influência do Lar, para contar com o apoio dos seus profissionais e ficar próximo de outras pessoas que por aí foi conhecendo.

Celso, que antes do acidente vivia com os pais e trabalhava na construção civil, não baixou os braços depois de a sua vida ter mudado radicalmente. À reabilitação no Centro de Nossa Senhora dos Anjos - onde aprendeu a organizar-se sozinho, agora sem ver -, seguiram-se várias formações profissionais. "Só tinha o sexto ano", conta, para explicar porque decidiu dedicar-se aos estudos em busca de um novo rumo profissional. No currículo já tem um curso de informática na Fundação Martin Sain, que terminou em 2014. Seguiu-se um curso Técnico de Apoio à Gestão, após o qual estagiou na Câmara de Oeiras. Mesmo assim não foi fácil encontrar trabalho e decidiu mudar para outra área que também lhe enche as medidas: tirou o curso de auxiliar de fisioterapia na A.P.E.D.V. e, no ano passado, regressou ao Lar como utente externo para frequentar o Curso de Massagem de Relaxamento e Bem-Estar, que terminará este verão, depois do estágio.

Celso admite que era nesta área da massagem e bem-estar que gostava mais de conseguir trabalho. "Não se passa tanto tempo sentado como no apoio à gestão", explica. Agora só falta mesmo que essa oportunidade chegue.

Veio da Guiné e ganhou uma vida

Aliu Baio é um caso bem diferente de Celso. Apesar de não ser cego de nascença, fala quase como se nunca tivesse visto. Quando nasceu, em 1994 na Guiné-Bissau, ninguém se apercebeu de que não via do olho direito. E aos 4 anos teve o acidente que o deixou também cego do olho esquerdo - a tenra idade justifica que Aliu não se lembre muito desse momento.

"Disseram-me que quando nasci, nasci a ver mal de um olho, do direito, mas ninguém notou, não se fizeram aqueles testes que existem agora. Quatro anos depois houve uma guerra civil em Bissau e eu estava mais a sul, com os meus avós e com os meus irmãos. Estávamos a brincar na estrada - lá passam carros de hora a hora - e dizem que vimos um carro cheio de tropas vir na nossa direção e corremos todos para as plantações de caju. Só que eu não vi um pau que me picou no olho que estava bom." Aliu recorda-se que depois desse episódio foi perdendo a visão gradualmente e que a guerra impediu que fosse logo levado para o hospital. Mais tarde, quando chegou ao hospital, foi operado "umas quatro vezes, mas não deu em nada". Tinha glaucoma nos dois olhos.

O passo seguinte foi procurar ajuda em Portugal. E ainda houve alguma esperança de que pudesse recuperar parte da visão - "só que não deu resultado, mas também não importa", resume o jovem.

Em Portugal, Aliu foi operado apenas para que o seu estado de saúde não piorasse. Depois começou a frequentar o Centro Hellen Keller, para crianças com deficiência visual, onde era aluno de Excelente, e acabou por ir ficando pelo nosso país. Este ano conseguiu mesmo a nacionalidade portuguesa. Por cá, descobriu também o desporto adaptado. Começou no karaté e desde 2009 pratica também goalball, modalidade em que é federado no Sporting Clube de Portugal. Fez vela adaptada durante quatro anos, tornando-se federado do Clube Naval de Cascais, e já alcançou o 2º lugar na classe Access. Seguiu-se a esgrima adaptada, tendo conseguido um 5.º lugar no primeiro campeonato europeu. É ainda federado em judo adaptado.

Aliu fala com orgulho da sua carreira no desporto e frequenta agora o 1.º ano do curso de Psicologia, mas tem outra atividade que lhe enche ainda mais a alma: a música. Apesar de ser a última de que fala, é a sua paixão. "Foi num aniversário de um amigo, no primeiro ciclo, e o irmão dele tocava bateria. Eu nunca tinha visto uma bateria, nem sabia como era. Achava que era um instrumento com pratos e tambores todos espalhados. Sentei-me e do nada começo a fazer ritmos." Foi amor à primeira batida. Começou a ter aulas de música na escola e posteriormente frequentou a Escola de Jazz Luiz Villas-Boas - Hot Club de Portugal, onde aprendeu também saxofone e piano. Está agora a terminar aqui a sua formação, reconhecendo que teve um apoio extra dos professores, apesar de a "música não precisar de olhos".

Para o seu recital final, em junho, vai levar a banda - os Vertigem - e têm sido eles o seu pilar. "É o projeto com que quero trabalhar na música. Estamos a gravar um álbum. É um grupo muito especial para mim, pelo forma como nos conhecemos e como partilhamos a nossa energia nos ensaios. Somos quase uma família. Queria agradecer-lhes por não terem preconceitos."

É para ver os seus utentes encontrarem o seu caminho que o Lar Branco Rodrigues existe, como confirma a diretora Ana Silva. "O que nós queremos é que eles sejam autónomos e completamente independentes, que venham a ser pessoas que não dependam das instituições. Queremos desmistificar a questão da institucionalização da pessoa deficiente. São pessoas que só não veem, têm capacidades que lhes permitem desempenhar os mesmos papéis que nós e serem cidadãos completos."

Fonte: DN

sábado, 4 de maio de 2019

"Foi muito gratificante saber que o meu filho tinha milhões de recados para me dar"

O meu problema não se devia chamar paralisia cerebral, mas paralisia motora, porque paralisia cerebral todos temos às vezes." É assim que Mariana Sapatinha, de 22 anos, explica a sua condição. A jovem, que estuda Artes e sonha ser atriz, ainda faz fisioterapia através do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, onde foi acompanhada desde bebé. É precisamente no intervalo de uma sessão de fisioterapia que fala com o DN, reclamando os direitos normais de qualquer cidadão. Gostava que o Conservatório mudasse as regras de admissão para que pudesse concorrer, que os obstáculos à mobilidade não fossem tão grandes e que na rua não a abordassem para lhe falar de curas milagrosas ou para lhe dirigir um "coitadinha".

Até porque de coitadinha Mariana não tem nada. Todos os dias trabalha para transpor os obstáculos que lhe são colocados. Uma luta que começou ainda antes de ter completado um ano de vida, quando os pais descobriram que tinha paralisia cerebral e começou a ser seguida no Centro de Reabilitação. "Era a nossa primeira filha, portanto não percebemos nada. Ela ficou nos cuidados intensivos, depois trouxemo-la para casa e lentamente é que a família começou a dizer "ela já se devia sentar, ela já devia aguentar a cabeça", e a partir daí é que nós começámos a desconfiar. Éramos primeiros pais e não tínhamos outro exemplo." A Mariana acabou nos cuidados intensivos porque afinal era maior do que os médicos tinham previsto e a mãe, Carla Frade, "era pequenininha", nas palavras da própria, o que fez que tivesse levado muito tempo a nascer.

A chegada ao centro foi para os pais da Mariana o primeiro passo no caminho certo. "Quando encontramos o caminho ficamos mais seguros e pensamos nas várias etapas que temos a percorrer", recorda Carla Frade. No centro, Mariana foi fazendo, ao longo dos anos, fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional.

Ao mesmo tempo, acompanhava os pais na companhia de teatro e circo contemporâneo que estes dirigiam. "Fazíamos espetáculos para famílias e a Mariana andou de camarim em camarim, de teatro em teatro, viu a mesma peça vezes sem conta." E a paralisia da Mariana nunca foi entrave. "Era como se fosse uma criança qualquer", garante a mãe.

Carla Frade acabou por sair para dar aulas de dança e mais tarde o marido também deixou o teatro. A vida "aconteceu" e hoje Mariana está a terminar o 12.º ano na Escola Artística António Arroio, o que a mãe descreve como "algo maravilhoso". "É uma escola que dá valor à diferença."

Mariana parece ter herdado a veia artística dos pais. Além de querer seguir teatro, está também a escrever um livro. Ainda que admitindo alguma "preguiça", o que a tem feito arrastar o projeto, a jovem está a escrever histórias que viveu com pessoas importantes da sua vida e vai também partilhando episódios do seu dia-a-dia com paralisia cerebral. O seu objetivo: "Abrir mentalidades."

Não há cura, há trabalho

Todas estas conquistas de Mariana Sapatinha só foram possíveis graças ao acompanhamento precoce que teve por uma equipa especializada. Rosário Costa Lopes, diretora do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, sublinha que não se pode prometer curas, mas que é possível reabilitar e habilitar os portadores de paralisia cerebral. Como? Com muita terapia, através de atividades como a fisioterapia, a terapia da fala e a ocupacional - em que aprendem a executar tarefas diárias, numa casa simulada - ou a terapia aquática. No centro, os utentes têm ainda acesso a uma sala com técnicas aumentativas e alternativas à comunicação, com soluções tecnológicas para as crianças que não conseguem falar, e ainda o núcleo que recebe os doentes mais pequeninos e mais difíceis.

Crianças que tornam os pais especiais

Aos 14 anos, João Pedro controla a sua cadeira de rodas com mestria usando apenas a cabeça. Além do sorriso rasgado para a câmara, o rosto do jovem do Seixal ilumina-se de forma especial quando vê chegar o irmão mais novo, de 7 anos. Um irmão que ele pediu aos pais, conta Helena Grilo. "Nos primeiros anos sentimo-nos assoberbados pelas terapias e pela atenção que lhe queríamos dar, mas quando o João Pedro entrou para a escola achámos que era o momento para termos um segundo filho", conta.

Agora, os dois fazem corridas, jogam xadrez e brincam como qualquer outro duo de irmãos. E também há zangas e acusações de batotas, principalmente quando o resultado não agrada ao perdedor. Helena Grilo acredita que essa interação "muito especial" entre os irmãos ajudou também o filho mais velho. Já o mais novo adora falar do irmão aos colegas. E a primeira coisa que reparou no refeitório novo na escola, a seguir à Páscoa, foi que tinha uma rampa de acesso para cadeira de rodas.

João Pedro nasceu sem respirar e terá sido essa a causa da sua paralisia cerebral. "Não era algo com que estivéssemos a contar, mas mãos à obra. Teve de ser um desafio, continua a ser um desafio. Vivemos um dia de cada vez e a apreciar também as alegrias que ele nos dá, porque não são só situações desagradáveis que nascem com o nascimento de uma criança especial. Também há outras coisas que nós vamos descobrindo até sobre nós próprios, que temos mais força do que realmente imaginamos que teríamos. Foi um processo um bocadinho agridoce, partes dolorosas, mas também muito recompensadoras, dar mais valor às pequenas coisas que ele fazia, aos sorrisos, fomos ganhando força", sublinha Helena Grilo.

João Pedro não fala. Usa o computador para comunicar, embora os pais e o irmão já lhe adivinhem muito do que quer dizer. Chegou ao Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian quando tinha 16 meses e foi aí que aprendeu a comunicar. As técnicas trabalharam com ele o reconhecimento de símbolos e antes de ensinarem a mãe - primeiro as crianças têm de estar à vontade com o sistema e só depois os pais aprendem a comunicar com eles - já ele contava coisas do fim de semana e o que queria de presentes. No fim, "foi muito gratificante saber que o meu filho tinha milhões de recados para me dar", conta Helena.

Desde que entrou para a escola que João Pedro já só é acompanhado à distância. "Com muito carinho, as pessoas aqui do centro também veem o que é que ele precisa a nível de equipamentos e produtos de apoio." Tudo graças a um acompanhamento desde cedo e também às boas capacidades cognitivas que desde logo lhe foram diagnosticadas. Na escola tem feito o percurso normal e está agora no 8.º ano.

Para poder seguir de perto este percurso do filho, Helena também decidiu mudar de vida. Engenheira civil, quando ficou sem trabalho na empresa em que estava, decidiu procurar um emprego diferente que lhe permitisse gerir melhor os horários. É consultora imobiliária e faz avaliações de casas. "Posso estar mais disponível para o meu filho, é o ideal para mim."

Hoje vê o filho mais velho ser uma criança como qualquer outra. Até nos interesses: "Adora ajudar animais abandonados e participa nos grupos de ajuda, arranja donos para os animais e ele próprio até já adotou uma cadelinha." Cadelinha essa que está na avó e que João Pedro visita todas as sextas-feiras e para onde estava desejoso de ir, depois da entrevista.

Fonte: DN

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Nova plataforma ajuda alunos a descobrirem a sua vocação profissional


A Escola Virtual, em parceria com a Design the Future tem, a partir de agora, uma nova ferramenta de trabalho. ‘O teu futuro’ é uma plataforma, dentro da Escola Virtual, de acesso gratuito, e que permite orientar e auxiliar os alunos do 9º ano e do ensino secundário a descobrir a sua verdadeira vocação profissional. 

A parceria agora desenvolvida entre a Escola Virtual e a Design the Future vai permitir ao aluno um processo de autoconhecimento, com recurso a inúmeras opções formativas e descoberta de profissões. Através de uma dinâmica de questionários, exercícios e dicas, o aluno tem acesso a esta nova área da Escola Virtual onde o perfil individual é traçado de acordo com as características de cada aluno.

"Tendo em conta que passamos grande parte da nossa vida a trabalhar, é importante que isto ajude os alunos a descobrir o seu verdadeiro eu e quais são as suas opções de futuro", afirma Isabel Rangel, diretora pedagógica da Escola Virtual e coordenadora deste projeto. 

"Quando surgiu a possibilidade de parceria entre a Escola Virtual e a plataforma Design the Future, percebemos que esta era a motivação que faltava uma vez que a nossa missão é apoiar os alunos e ajudá-los a ser bem-sucedidos no universo escolar", refere Isabel Rangel acrescentando "ser bem-sucedido não é só apresentar boas notas mas sim pensar o que vamos fazer no futuro. Futuro esse que só faz sentido se houver um horizonte e um objetivo onde nos possamos sentir realizados profissionalmente e sermos pessoas mais felizes!"

Num espaço habitualmente usado por alunos para ajudar a estudar, a Escola Virtual funciona como uma porta de entrada para a plataforma Design the Future, criando uma área de exploração específica que dá pelo nome de ‘O teu futuro’, permitindo que os alunos, com base nos materiais Design the Future, consigam, através de diversas atividades interativas, chegar às profissões. Nesta área é disponibilizado um guia de profissões, completo e aprofundado, permitindo ao aluno e aos pais explorar todas as opções e tomar decisões mais informadas sobre o futuro profissional. 

‘Se não formos felizes, não somos bons profissionais’, afirma Inês Menezes, mentora e autora da Design the Future. O desafio está lançado. ‘É necessário que cada aluno se conheça para que possa fazer uma escolha que vá ao encontro daquilo que quer ser. É preciso ter em conta os seus interesses, perceber as suas aptidões e ponderar os seus valores. 

Criado em 2015, Design the Future nasce a partir de uma necessidade pessoal. Ao procurar informações para um familiar sobre construção de carreiras e saídas profissionais, Inês deparou-se com as mesmas dificuldades que tivera nos seus tempos de estudante e percebeu rapidamente que esta lacuna deveria ser preenchida. Após uma recolha exaustiva de informação que servisse de base ao trabalho que estava disposta a levar a cabo, a maior dificuldade foi mesmo perceber como juntar toda a informação adquirida e de que forma poderia ser trabalhada para o seu público-alvo. Este esforço resulta na Design the Future, uma plataforma de exploração vocacional com recurso a mais de duas centenas de vídeos e reportagens de pessoas reais com as profissões mais variadas, onde, num curto, mas assertivo depoimento, é possível ter uma ideia mais concreta do que cada um faz e as suas principais motivações. 


Fonte: Educare

quinta-feira, 2 de maio de 2019

NOVA NORMA DGS - Abordagem Diagnóstica e Intervenção na Perturbação do Espetro do Autismo em Idade Pediátrica e no Adulto


Foi divulgada a Nova Norma da Direção-Geral de Saúde sobre a Abordagem Diagnóstica e Intervenção na Perturbação do Espetro do Autismo em Idade Pediátrica e no Adulto.