domingo, 10 de fevereiro de 2019

Nunca é tarde para melhorar as notas

Os primeiros testes do segundo período já começaram. E quando as coisas não correm bem, há sempre tempo para parar para pensar, fazer balanços, afinar estratégias, orientar métodos de estudo. Nunca é tarde para perceber o que está bem e o que está mal. Estudar não tem de ser uma tarefa monótona, pode ser um desafio constante. E tecnológico também. 

Os resultados do primeiro período já foram afixados nas escolas, o segundo período começou no início de 2019, e as escolas estão em mais uma fase de testes. Mais matéria, mais avaliações. O ano está a meio e é hora de perceber se há métodos a manter ou estratégias a mudar. É importante parar para pensar. Pais e filhos em conjunto. 

“O primeiro período já lá vai. Conturbado, à rasca, com professores a queixar-se da desatenção constante ou da falta de método. Com filhos pouco motivados, mais preocupados com o Facebook ou que chegue a hora do intervalo e pais preocupados, receosos com o insucesso escolar dos filhos”. Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica infanto-juvenil e de aconselhamento parental, descreve um cenário possível, até comum nesta altura. De qualquer forma, é preciso ânimo, organização, esforço, empenho para mais uma etapa do ano letivo. É necessário saber arrumar aprendizagens e fazer revisões. Tudo é importante. 

O tempo não dilata, há tarefas a cumprir, novas matérias para aprender, mais aulas, mais exames, mais apontamentos nos cadernos. Mais estudo. Há vários caminhos possíveis e o sucesso escolar é o principal objetivo. Há que resolver o que não correu tão bem. É como uma minimaratona. Rita Castanheira Alves dá alguns conselhos para pais e filhos. “Construam um calendário de tarefas, calendarizando as aulas, testes, entregas de trabalhos, outras atividades e os horários dedicados às tarefas escolares, dos trabalhos de casa ao estudo para avaliações”. Ver, em conjunto, cadernos e livros, perceber o que é preciso atualizar, o que está atrasado, o que deve ser melhorado. Voltar a fazer apontamentos, rever matérias, anotar na agenda o que não pode ser adiado. 

Trabalhar como uma equipa, pais e filhos, sem esquecer a motivação, acreditar que se é capaz. “Uma minimaratona intensiva e intensa de aquisição de bons hábitos e boas competências. Se bem aplicada, com uma boa dose de resistência parental, paciência e mimo, poderá ser uma excelente preparação para a maratona que se estende do Carnaval até às férias da Páscoa”, refere a psicóloga clínica. 

O problema não é a falta de ferramentas de estudo, a questão é o foco e manter a motivação em altos índices. Não dispersar, não andar às voltas e voltas, afastar-se dos objetivos, não acumular maus hábitos. Ser eficaz. Há muitas maneiras de atingir o mesmo fim. E quanto mais apelativas, melhor. Ter apontamentos em dia, cadernos sempre prontos a consultar, mochila organizada, cabeça preparada e motivada para adquirir novos conhecimentos. Aprender é isso. A Escola Virtual (www.escolavirtual.pt), por exemplo, é uma plataforma de estudo, digital, disponível em qualquer lugar e a qualquer hora, pensada para os alunos do século XXI, com os mecanismos e dinâmicas que lhes são familiares. Simples e construída para captar a atenção e não dispersar. 

Essa plataforma tem vídeos, exercícios, recursos interativos, jogos. Os conteúdos programáticos do 1.º ao 12.º ano estão devidamente tratados e as matérias são apresentadas de uma forma atrativa e fácil de explorar. Os modelos pedagógicos são inovadores para que o estudo não seja aborrecido. Aprender pode ser uma tarefa entusiasmante com recursos tecnológicos que funcionam como um complemento ao que se aprende nas salas de aulas. Para consolidar algum ponto, confirmar, rever, sustentar matérias de qualquer disciplina. 

Rita Castanheira Alves acrescenta mais alguns conselhos que fazem a diferença. Os pais devem ajudar a arrumar as aprendizagens dia após dia e a fazer revisões mentais. “Diariamente ajudá-lo a recordar-se do dia, conversando sobre o melhor do dia, o que não foi tão bom, o que mais gostou, o que aprendeu, o que se lembra melhor do que aprendeu”. Transmitir confiança e coragem é importante em qualquer altura. “Vibre com ele, transmita-lhe confiança e coragem, mostre que acredita no que ele é capaz e ajude-se a encontrar pontos positivos no empenho e trabalho”. Em todos os períodos, em todos os anos letivos. 

Fonte: Educare por indicação de Livresco

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Erasmus + | Curso de formação "Demystifying Disability: working towards inclusion"



Estão abertas as candidaturas, até 17 de fevereiro, para o curso de formação “Demystifying Disability: working towards inclusion” que decorre de 12 a 19 de junho, em Guimarães, Portugal.

O curso de formação aprovado dentro da Ação 1. Mobilidade para Jovens e Animadores de Juventude do programa Erasmus +, é promovido pelo Núcleo de Inclusão Comunicação e Media e entre outros objetivos, pretende, além de desconstruir mitos e preconceitos, dotar os participantes de competências, ferramentas e métodos de trabalho na área da inclusão social das pessoas com deficiência.

“Decidimos candidatar este curso ao programa Erasmus+ porque identificamos que as pessoas com deficiência muitas vezes não são incluídas nas iniciativas desenvolvidas pelas diversas entidades porque há um desconhecimento do que deve ter sido em consideração para acolher estas pessoas. A ideia do curso é apresentar o que é preciso ter em consideração para as atividades e os projetos serem mais inclusivos”, refere Cláudia Pires da organização.

A organização garante o alojamento e a alimentação gratuitos a um total de 14 participantes provenientes da Áustria, da Bulgária, de Espanha, de Itália, de Portugal e da Roménia.
 
Inscreve-te! Formulário de candidatura (preenchimento obrigatório): https://goo.gl/forms/5zrNPJDORDXb6p1x2
 
The specific objectives of this project are:
.Providing competences, skills, and methods to youth professionals in the area of
social inclusion and disability;
.Deconstructing existing myths and stereotypes in order to help to eliminate
existing prejudices among youth that may give rise to discriminatory attitudes;
.Promoting social inclusion and increasing the commitment to inclusion and
diversity from youth across Europe;
.Enhancing cooperation between organizations, share good practices of activities
and projects and promote Erasmus+ as an inclusive programme.


Mais informação:

ENTREVISTAS: 18 a 22 DE FEVEREIRO 
(Presencial, Skype ou Messenger)
SELECÇÃO: 25 DE FEVEREIRO*
*Existe a possibilidade de repescagem
Grátis: Alojamento e alimentação 
O Programa financia o alojamento e alimentação durante os dias da atividade.

Requisitos para participantes:
- Maiores de 18 anos;
- Residência em Portugal;
- Nível médio de inglês;
- Interessado/a em assuntos relacionados com a área da deficiência e a inclusão social e com 0 experiência na área (preferencial);
- profissional na área da juventude;
- Não elegível para voluntários ativos do serviço de voluntariado europeu.
Estamos disponíveis para responder a qualquer dúvida. Por favor, não hesite em contactar através do nucleo@pluralesingular.pt

Fonte: Recebido por correio eletrónico

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Quadro de Análise para o Mapeamento de Políticas de Educação Inclusiva


Este documento apresenta uma estrutura de análise que foi desenvolvida para mapear políticas de educação inclusiva. Especificamente, foi desenvolvido para registar sistematicamente evidências documentais disponíveis sobre políticas nacionais para a educação inclusiva de maneira altamente estruturada, como resultado dos diferentes aspetos do trabalho de análise de políticas realizado pela Agência Europeia para as Necessidades Educativas Especiais e a Educação Inclusiva.

Este quadro de análise foi utilizado de forma direta em alguns dos projetos financiados pelas actividades do Programa de Apoio à Reforma Estrutural da Comissão Europeia (SRSP). Ele tem o potencial de ser mais desenvolvido e usado em outros trabalhos de análise de políticas.

O material apresentado aqui é de código aberto e é fornecido como um PDF e um arquivo do Word editável. As partes interessadas do país podem adaptá-lo e desenvolvê-lo para uso em situações específicas em nível nacional, regional ou local, fornecendo uma referência à fonte original.

Selecione um arquivo abaixo para abri-lo em uma nova janela ou clique com o botão direito e 'Salvar link como' para baixar o arquivo no seu computador local ou clique na imagem acima (versão em inglês).


Apoiando a liderança nas escolas inclusiva: revisão de literatura


O objetivo geral do projeto Apoiando a Liderança nas Escolas Inclusivas é investigar como desenvolver e promover de forma eficaz a liderança inclusiva no nível da escola por meio de estruturas de políticas nacionais e locais e mecanismos de apoio.

Esta revisão da literatura visa examinar a literatura internacional e europeia disponível (pós-2012 e literatura chave publicada anteriormente), a fim de:
  • identificar os principais conceitos que sustentam a política e a prática para a liderança escolar inclusiva;
  • concordar com as definições operacionais dos principais termos e conceitos a serem usados durante o projeto.

A revisão da literatura, assim como uma revisão paralela de políticas, também sustenta o desenvolvimento de uma estrutura conceptual para examinar e explorar a liderança escolar inclusiva, e uma revisão e "mapeamento" da política do país que impacta na liderança da escola.

Selecione um arquivo abaixo para o abrir numa nova janela ou clique com o botão direito e 'Salvar link como' para baixar o arquivo no seu computador local ou, ainda, clique na imagem acima (versão em inglês).

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Paralisia cerebral em crianças tem vindo a diminuir

A incidência da paralisia cerebral aos cinco anos de idade tem vindo a diminuir desde 2001, situando-se em 1,05 casos por mil nados vivos em Portugal em 2010. Em 2001, a taxa era de 2,01 por mil bebés.

Em 10 anos, somam-se 1657 casos. 33% destes revelam problemas complexos e 10% reportam a incidentes e acidentes ocorridos sobretudo até aos três anos de idade, explica Daniel Virella, coordenador do estudo sobre o retrato evolutivo da paralisia cerebral em Portugal de 2001 a 2010.

Nos 10 anos estudados, a média de incidência da paralisia cerebral é de 1,55 casos por mil nados vivos em Portugal, segundo o relatório "Paralisia Cerebral em Portugal no Século XXI". Considerando não só os nados vivos em Portugal, mas as crianças residentes, ou seja, que nasceram no estrangeiro, o valor sobe para 1,65 casos por mil habitantes.

Na síntese de Daniel Virella, "33% dirão respeito a problemas complexos e graves e 40% a casos leves, cujos danos podem ser perturbações motoras, dificuldade de visão, que, podem não interferir na autonomia". O estudo também contempla os casos provocados por doença posterior ao nascimento e acidentes, uma vez que avaliação é realizada aos cinco anos. Este conjunto de situações corresponde a cerca de 10%.

A declínio da incidência da paralisia cerebral (PC) aos cinco anos deve-se fundamentalmente à redução de risco de PC nos prematuros, explica Daniel Virella e Teresa Folha, outra das responsáveis pelo relatório. E porque é que isto está a acontecer? "A sociedade e a saúde da mulher hoje também é melhor, as condições pré-gravidez são melhores, os cuidados durante a gravidez melhoraram; no parto e pós parto, os cuidados neonatais também mudaram". De qualquer modo, ressalva o especialista, "ainda não tínhamos nesta altura passado pela crise económica de 2008. Vai ser interessante perceber o que se terá passado nos anos seguintes".

O estudo permite ainda perceber que o fator risco para PC é maior para filhos de mães mais velhas, que muitas vezes recorrem a procriação medicamente assistida, de que resulta também muitas vezes conceção de gémeos. "A causa é multifatorial. Mas uma gravidez tardia tem maior probabilidade de se associar à prematuridade, à gravidez de gémeos, e aos nascimentos de baixo peso", afirma Daniel Virella.

"Um bebé prematuro tem 7 vezes mais possibilidade de ter PC e uma criança gémea 3 ou 4 vezes mais probabilidade de risco exponencial", explica o especialista. Daniel Virrela alerta ainda para uma possível subnotificação dos casos, o que acontece sobretudo para os considerados leves.

Teresa Folha aproveita para esclarecer que estamos a falar de lesões cerebrais que provocam danos motores, nem sempre implicando défices cognitivos."Cerca de metade têm um nível cognitivo normal", diz. "Podem ter um problema de motricidade numa perna, numa mão".

Por regiões, as áreas metropolitanas do Porto e Lisboa registaram 277 e 681 casos (respetivamente) e 130 crianças nasceram noutros países. Num análise mais fina consegue perceber-se que, no Norte, há uma maior proporção de crianças com PC nascidas após técnicas de apoio à procriação.

"É muito importante perceber onde estão os casos para podermos planear o apoio e atuar da melhor forma", afirma Teresa Folha.

Fonte: JN

“Portugal é um caso de sucesso na Educação Inclusiva”

Com 98,5% dos alunos com algum tipo de deficiência ou dificuldade presentes nas escolas regulares, Portugal é hoje uma das principais referências em Educação Inclusiva. Presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial (Pró-Inclusão), David Rodrigues aproximou-se do tema quando ainda era professor de Educação Física no Fundamental, ao ser convidado para lecionar em um centro de reabilitação para pessoas com paralisia cerebral em Lisboa. Autor de mais de 30 livros sobre o tema, muitos deles acessíveis ao público brasileiro, Rodrigues fala sobre a inclusão no sistema educacional lusitano.

NOVA ESCOLA: Por que Portugal é uma referência em educação inclusiva?
DAVID RODRIGUES: É preciso fazer um resgate histórico para compreender. O país teve um progresso na educação como um todo a partir de 1974, com o fim da ditadura e a Revolução dos Cravos. Junto à preocupação de desenvolver a educação, aconteceu o desenvolvimento de políticas que favoreceram a integração e, mais tarde, a inclusão de alunos com as mais variadas dificuldades nas escolas regulares. O resultado foi o progresso da escola pública. Hoje, Portugal tem uma escolaridade obrigatória de doze anos cumprida no sistema público, de tempo integral, e 98,5% de estudantes com deficiência e dificuldades em escolas regulares. 

NE: Qual o marco forte da educação inclusiva em Portugal?
DR: O país começou a ser considerado referência a partir de 2008, com o Regime Jurídico da Educação Inclusiva, que instaurou a presença de alunos com dificuldades na escola regular. É uma proposta inovadora em três aspectos. Primeiro, deixa de fazer referência à Educação Especial e às NEE, considerando que qualquer aluno pode necessitar de apoio. Por sua vez, esse apoio pode ser de três tipos: medidas universais (que usam exclusivamente os recursos disponíveis na escola), medidas seletivas (devem ser recrutadas quando as universais não se mostram suficientes) e medidas adicionais (para casos mais comprometidos e que implicam alterações mais profundas no currículo). O segundo aspecto tem a ver com a criação nas escolas de Centros de Apoio à Aprendizagem, com professores, psicólogos e terapeutas, dentre outros profissionais, que organizam medidas para apoiar a educação de todos. Por fim, o terceiro aspecto trata das equipes multidisciplinares, responsáveis pela caracterização dos estudantes e que propõem as medidas para a aprendizagem. 

NE: Como a escola de tempo integral contribuiu para a inclusão?
DR: Ela permite que os professores tenham mais tempo com os alunos que têm mais dificuldades e para planejar e realizar o apoio pedagógico e terapêutico necessário para cada um. 

NE: No que diz respeito à formação docente, o que foi feito para priorizar a inclusão?
DR: Desde 1986, é obrigatório em todos os cursos de formação de professores uma ou várias disciplinas sobre NEE. Talvez hoje também precisássemos de uma nova concepção de formação inicial. Em vez de uma disciplina, considerar que todas fossem organizadas numa lógica inclusiva. Afinal, como é possível ter uma disciplina de “Desenvolvimento Curricular” sem falar de “diferenciação curricular”?

NE: É possível replicar a experiência de Portugal?
DR: Portugal é uma fonte de inspiração, mas a transferência de boas práticas é muito contestada. O ideal é fazer um trabalho de tradução do que já foi feito, considerando a realidade local. Fui consultor para a Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e fiquei com a convicção de que a diversidade do Brasil tornava inviável a simples cópia de experiências estrangeiras. Mas isso não significa ser inútil conhecer práticas de outros países.

Fonte: NOVA ESCOLA

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Recomendação ao Governo da adoção de medidas em relação aos assistentes operacionais e assistentes técnicos das escolas

Pela Resolução da Assembleia da República n.º 19/2019, recomenda-se ao Governo a adoção de medidas em relação aos assistentes operacionais e assistentes técnicos das escolas

1 - Garanta que todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas vejam cumprido o disposto na Portaria n.º 272-A/2017, de 13 de setembro, que define os critérios e a respetiva fórmula de cálculo para a determinação da dotação do pessoal não docente.

2 - Proceda à revisão da Portaria n.º 272-A/2017, de 13 de setembro, tendo por base a efetiva aplicação dos seguintes critérios:

a) Em relação aos assistentes operacionais:

i) Garantia da existência de trabalhadores em número suficiente em todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, que assegurem a segurança das pessoas e bens, durante todo o horário de funcionamento;

ii) Acréscimo da dotação para a vigilância e acompanhamento dos alunos em centros escolares e em escolas de grande dimensão, em especial as que, depois de requalificadas, viram as suas áreas aumentadas;

iii) Garantia e reforço da necessária formação profissional dos trabalhadores;

iv) Existência de trabalhadores em número suficiente com a formação adequada ao acompanhamento de alunos com necessidades educativas especiais, nomeadamente, de caráter prolongado;

v) Existência de trabalhadores em número suficiente com a formação adequada para a correta manutenção dos equipamentos tecnológicos das escolas;

vi) Adequação do número de trabalhadores à tipologia dos edifícios escolares, à área dos respetivos recintos e ao funcionamento das instalações escolares, equipamentos desportivos e serviços de apoio, designadamente, reprografias, bibliotecas e papelarias;

vii) Garantia do normal funcionamento da escola em termos de oferta educativa e de regime, respondendo a necessidades específicas, designadamente, das escolas artísticas e das escolas agrícolas;

viii) Definição das necessidades permanentes das escolas e atenção às necessidades transitórias;

ix) Criação de um mecanismo que permita a cada escola, em caso de necessidade, adequar o número de pessoal não docente às suas especificidades, independentemente da dotação máxima de referência;

x) Criação de um mecanismo que permita às direções das escolas a rápida substituição de assistentes operacionais de baixa prolongada (mais de 60 dias) ou que se tenham reformado ou falecido;

b) Em relação aos assistentes técnicos, a atribuição de uma dotação que tenha em conta a totalidade dos estabelecimentos que integram o agrupamento de escolas e não apenas a escola sede.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

As políticas relativas à deficiência no Orçamento de Estado de 2019

O Orçamento de Estado para 2019, aprovado pela Lei nº 71/2019, de 31 de dezembro, que entrou em vigor dia 1 de janeiro de 2019, prevê a implementação de algumas medidas que promovem a inclusão das pessoas com deficiência.

Entre as principais medidas destacam-se as seguintes:

Contratação de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa 
O Serviço Nacional de Saúde contará com intérpretes de língua gestual portuguesa. 
O artigo 52.º da Lei do OE estabelece que, em 2019, o Governo procederá à contratação de até 25 intérpretes de Língua Gestual Portuguesa para o SNS, priorizando a resposta a episódios de urgência no contexto dos Serviços de Urgência Médico -Cirúrgica.

Prestação Social de Inclusão
A prestação social de inclusão, no ano de 2019, será alargada a crianças e jovens até aos 18 anos e àquelas pessoas que adquiriram a deficiência ou incapacidade antes dos 55 anos, mas cuja certificação ocorreu em data posterior.

Nos termos do artigo 132.º da Lei OE o Governo fica obrigado, no 2.º semestre de 2019, a tomar as medidas necessárias com vista ao alargamento da prestação social para a inclusão a crianças e jovens com idade inferior a 18 anos.

Em 2019 o Governo fica, igualmente, obrigado a promover as alterações necessárias a garantir o acesso à prestação social para a inclusão a quem tenha adquirido deficiência ou incapacidade antes dos 55 anos de idade, mas cuja certificação daquelas tenha sido requerida em data posterior.

Alunos com incapacidade igual ou superior a 60%
O OE consagra Bolsas de Estudo para alunos inscritos no ensino superior, no ano letivo 2019/2020, que comprovadamente tenham um grau de incapacidade igual ou superior a 60%.

O artigo 204.º da Lei do OE determina que a bolsa de estudo corresponderá ao valor da propina efetivamente paga até ao limite do valor da propina máxima para o grau de licenciado.

Preparação paralímpica
O OE/2019 prevê a convergência, até 2020, dos valores das bolsas, verbas e participação desportiva entre atletas Paralímpicos e atletas Olímpicos.
Nos termos do artigo 205.º da Lei OE, o Governo dispõe de um prazo de 60 dias para regulamentar a matéria. 

Política de prevenção, habilitação, reabilitação e participação de pessoa com deficiência
O OE/2019, no seu artigo 206.º, prevê a obrigatoriedade do Governo publicitar a informação relativa às verbas inscritas nos orçamentos de cada serviço, bem como a respetiva execução, referentes à política da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência.

Promoção da formação de cães de assistência
Em 2019 a resposta social escola de cães de assistência será uma prioridade para o Governo.
O artigo 207.º da Lei OE determina que, no âmbito dos acordos de cooperação atípicos a celebrar no ano de 2019, será dada prioridade à resposta social escolas de cães-guia, visando o alargamento da sua cobertura e, desta forma, o reforço do apoio às entidades que formam cães de assistência.

Barreiras arquitetónicas 
O Governo obriga-se a tomar as medidas necessárias de modo a ser cumprida a legislação sobre acessibilidades.
Nos termos do artigo 208.º da Lei OE, no ano de 2019, o Governo, em função das conclusões do relatório da situação das acessibilidades a nível nacional, tomará as medidas necessárias e adequadas para que seja cumprida a legislação sobre acessibilidades e para que sejam progressivamente eliminadas as barreiras arquitetónicas e efetuadas as adaptações necessárias a garantir o acesso aos cidadãos com mobilidade reduzida.

Contratação de pessoas com deficiência na Administração Pública
O Governo fica obrigado a publicar um relatório anual que reflita a evolução da contratação de pessoas com deficiência na Administração Pública 
Nos termos do artigo 256.º da Lei OE, o relatório, a ser publicado anualmente, deverá conter dados sobre o número de pessoas com deficiência que se candidataram, bem como sobre as que foram admitidas.

Produtos de apoio 
O OE/2019 prevê que, no âmbito do processo de atribuição de produtos de apoio, o prazo para a decisão seja de 60 dias.
O artigo 320.º da Lei OE introduziu uma alteração ao artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 93/2009, de 16 de abril, que aprova o sistema de atribuição de produtos de apoio a pessoas com deficiência e a pessoas com incapacidade temporária, na sua redação atual, passando o seu n.º 3 a dispor o seguinte:
"3 - As entidades referidas no n.º 1 têm o prazo de 60 dias para comunicar o deferimento ou indeferimento do financiamento dos produtos de apoio abrangidos pelo presente decreto-lei."

Fonte: INR

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

COMO MELHORAR A AUTOESTIMA DA CRIANÇA ATRAVÉS DE ATIVIDADES EXTRACURRICULARES

A autoestima é um conceito individual que se consolida com os anos. É essencial para o desenvolvimento de qualquer criança. E nós, adultos, pais, professores e amigos, podemos ajudar, transmitindo alicerces que promovam uma autoestima positiva, capaz de fortalecer a criança perante os maiores desafios.


A construção dos padrões de autoestima é fundamental para o equilíbrio emocional. Quanto mais cedo for feita essa promoção, melhor. Muitas crianças com dificuldades de aprendizagem e de atenção têm momentos em que sentem que "não são boas em nada", desenvolvendo, assim, um sentimento de baixa autoestima.

No mesmo sentido, os desafios escolares não superados tendem também a diminuir a autoestima e a transformar a escola num lugar pouco simpático e até mesmo assustador. É aqui que os pais e os professores devem assumir, ainda mais, o seu papel, procurando incentivar comportamentos de persistência e de positivismo: falhou hoje, amanhã acerta!

Há formas de ajudar a construir autoperceções saudáveis sem ferir a autoestima. Por exemplo, quando a Madalena erra é importante que seja chamada a atenção, mas apenas por esse comportamento errado e nunca pela pessoa em si. Ou seja, desaprove o comportamento e não a criança. Estas são efetivamente abordagens diferenciadas. A desconsideração da criança, pode, sem dúvida, desencadear estímulos opostos aos que se pretendem. 

As atividades extracurriculares são uma ótima forma de a criança se concentrar e de desenvolver as suas capacidades. Contribuem para aumentar a confiança, as habilidades sociais e desenvolver os seus interesses. São também uma boa forma de uma criança com dificuldades escolares aprender competências diversas num ambiente divertido e de baixo stress.

O que deve ter em conta na hora de escolher uma atividade extracurricular?

1. CONCENTRE-SE NOS PONTOS FORTES

As crianças com dificuldade de aprendizagem e ao nível da atenção podem ter maiores dificuldades na escola, por isso é importante que as atividades extracurriculares realcem os seus pontos fortes. Por exemplo, se gosta de desenhar ou de pintar, porque não frequentar aulas de arte? Se gosta de cantar ou de tocar um instrumento, porque não inscrevê-la num coro (escolar ou fora da escola) ou numa orquestra?

2. ESTIMULE OS GOSTOS DA CRIANÇA

Algumas crianças até gostam de várias matérias escolares, mas costumam ficar sobstress com a quantidade de trabalhos e de exigências escolares em torno das mesmas matérias. Se uma criança gosta, por exemplo, de ciências, mas fica ansiosa na sala de aula, pode inscrevê-la num clube de ciências. Verá que a aprendizagem será mais fácil e divertida.

As atividades extracurriculares são uma boa maneira para as crianças desenvolverem as suas capacidades sem a pressão dos testes e outras exigências escolares. Há cada vez mais ofertas interessantes para os tempos livres, entre elas fotografia, teatro, serviço comunitário, culinária e por aí fora.

3. INCENTIVE A ATIVIDADE FÍSICA

Se a criança gosta de desporto, existem atividades físicas que podem estimular os pontos fortes da criança a esse nível, aumentando a sua confiança e autoestima. O basquete ou o futebol costumam ser bastante procurados pelas crianças. Deixe-a juntar-se à equipa da escola ou a um clube desportivo.

No entanto, há que estar atento. Os desportos coletivos podem desenvolver habilidades sociais e oferecer oportunidades de orientação, mas podem também, por outro lado, ser geradores de sentimentos de ansiedade. Algumas crianças, sobretudo as que manifestam dificuldades de aprendizagem, podem sentir-se rejeitadas se não conseguirem cumprir com sucesso o mesmo que os colegas de equipa.

Se o problema persistir não deve forçar a prática de um desporto coletivo, havendo desportos individuais que podem também ser uma boa opção, tais como, andar de bicicleta, caminhadas, atletismo ou escalada. As artes marciais e a natação também podem ser boas escolhas.

4. ATIVIDADES CERTAS PARA AS HABILIDADES DA CRIANÇA

As atividades extracurriculares podem ser um importante contributo para o desenvolvimento das crianças. Se forem do seu agrado, permitem a promoção de competências ao nível físico e intelectual, de forma natural, divertida e sem qualquer pressão. Atividades como o ioga e a dança podem, por exemplo, ajudar a desenvolver a coordenação motora, entre outros aspetos. As aulas de teatro, por outro lado, estimulam a compreensão, a leitura e a expressão. Por sua vez, o xadrez contribui para desenvolver capacidades de resolução de problemas.

5. FIQUE ATENTO A UM TALENTO OCULTO

As crianças, por vezes, resistem em experimentar coisas novas por medo do fracasso. E essa hesitação pode ser ainda maior se existirem problemas de aprendizagem e de atenção.
Encorage a criança a experimentar uma nova atividade que lhe possa despertar interesse. Convença-a a experimentar, sem qualquer compromisso. Ao focar-se numa atividade extracurriclar poderá, quem sabe, descobrir o gosto por outras. Descobrir o prazer por uma nova atividade pode representar um grande impulso de confiança e autoestima.

6. PROCURE ATIVIDADES QUE DESENVOLVAM HABILIDADES SOCIAIS

Crianças com problemas de aprendizagem e de atenção podem, não raras vezes, evitar o convívio. Os desafios com que frequentemente se deparam podem dificultar as interações com outras crianças. Aquelas que já foram vítimas de bullying, por exemplo, podem também oferecer maior resistência a novas amizades.

Uma atividade extracurricular é uma boa maneira de as crianças adquirirem competências sociais num ambiente mais descontraído, conhecendo outras crianças com os mesmos interesses fora do ambiente escolar. Estar com outras crianças que gostam das mesmas coisas pode ajudar a ultrapassar várias barreiras.

Fonte: Sapo LifeStlyle por indicação de Livresco

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Só há problemas na escola?

Mas não em casa? E são sobretudo de comportamento, “porque até aprende bem, quando quer. Nem corre mal com os colegas, é líder, tem amigos”. Corre mal sobretudo com professores e auxiliares.

É um dos cenários mais difíceis, quando não há problemas em casa, mas só na escola e nas outras actividades. Será mesmo assim ou haverá aqui uma história mal contada?

As culpas são atribuídas à escola. Turmas com alunos problemáticos e repetentes, e professoras que são substituídas, não raro mais de uma vez no mesmo ano. Em casa recorda-se que ele era de facto difícil, mas só quando era mais pequeno, ao contrário da irmã mais velha, e fazia muitas birras, explosões de humor que apareciam do nada, com necessidade de negociar tudo, as horas de ir para a cama, a televisão ligada, etc.; “todas as noites uma guerra, tentámos tudo”; a educadora queixara-se repetidamente de que ele não conseguia ficar quieto, agredia as outras crianças e não lhe obedecia. Sugerira observação por psicóloga, que gostou muito dele (“é um miúdo muito afetivo”) e disse que não tinha hiperatividade nenhuma. Mas a pressão da escola foi maior, exigiu consulta médica e avaliação. Surgiu o diagnóstico de “perturbação de hiperatividade com défice de atenção”, moderada, mas sobretudo “perturbação do controlo dos impulsos ou comportamento de oposição” (DSM5) e foi indicado tratamento com metilfenidato e risperidona, que os pais não quiseram dar depois de ler a bula. Mas estão preocupados agora com uma história de doença bipolar num primo.

Em casa as coisas acabaram por melhorar. Pelo menos os pais dizem que corre tudo bem. As birras passaram a ser raras. “Ele tem uma personalidade muito forte, desde pequeno, e precisa de que as coisas sejam explicadas, temos uma cultura em casa de falarmos abertamente entre todos. Tem as suas rotinas, come de tudo embora seja seletivo e, se agora não faz desporto nenhum, já esteve em muitos mas não gostou ou incompatibilizou-se com o treinador. Adormece mais tarde do que gostaríamos, é verdade, e na manhã seguinte nem tudo é fácil antes de sair de casa. E ele precisa de descansar da escola e por isso deixamo-lo jogar no computador quando chega.”

É em casa que está muitas vezes o problema. E não é pequeno, porque obrigou a uma configuração particular da dinâmica familiar, exigindo negociação para levar a bem tudo o que não lhe apeteça fazer e muita compreensão por parte de pais e avós porque, “coitado, tem um problema de comportamento de oposição e controlo dos impulsos, mas está melhor”. Que por isso lhe toleram agressões verbais e por vezes até físicas, agora já raras. Percebe-se que só são raras porque a “agenda” desde que chegou da escola foi estabelecida por ele; os clínicos que suportaram este diagnóstico que a escola exige confirmaram uma ‘checklist’ de queixas no DSM e propuseram apoio psicológico que ele não gostava e que os pais não podiam assegurar por falta de tempo.

Ninguém explicou porque é que ele parece insatisfeito com tudo, exceto quando está na Net, que é quase sempre; nunca se percebe porque é que as birras surgem — o que poderia dizer muito sobre o que lá se passa — mas apenas quantas vezes, quanto tempo e com que periodicidade no último semestre; com a atenção focada no próprio miúdo e não no peculiar contexto em que foi crescendo, com pais reféns do seu comportamento e reatividade, como não perceber que o problema não está nele e que não faz, de facto, sentido medicá-lo?

Ao contrário do que se pensa, nem ele se sente bem com tanto poder, que naturalmente conquistou e “treina” em casa, em que encontra uma tolerância que não existe na escola. A sua insatisfação permanente é um indicador poderoso do risco em que se encontra de não aprender a lutar por objetivos seus e de tirar prazer de os alcançar. Um problema hoje em dia. Ao expulsar a antiga pedopsiquiatria, que de facto cuidava pouco de objetivar as coisas, mas sabia ensinar a ouvir e entender as causas delas, tudo ficou entregue à nova ignorância das listas de critérios diagnósticos. Que não querem saber “porquê” mas apenas “quantas vezes”.

É quando só há problemas na escola que é mais importante perceber o que acontece e aconteceu em casa. E porventura mudar aí as coisas, reconstruir a distância geracional e o papel dos pais. Os miúdos precisam mesmo disso. Toda a gente precisa.

Pedro Cabral

Neurologista, neurologista pediátrico. CADIn - Neurodesenvolvimento e Inclusão

Fonte: Público