domingo, 11 de dezembro de 2022

A frase também merece atenção

Tal como o investigador da leitura Timothy Shanahan salientou, há muita investigação científica sobre a forma como os alunos aprendem a decifrar cada palavra escrita, e também acerca da compreensão global do sentido de um texto, mas não tanto sobre a tal «frase à qual ninguém presta atenção». Ainda assim, a verdade é que problemas de discernimento das frases podem criar entraves à compreensão.

Mais recentemente, Shanahan debruçou-se sobre a investigação que existe. Talvez a questão se prenda mais, como o autor aponta, com o aumento súbito dos estudos sobre a frase nos últimos anos, mas algumas das publicações que Shanahan refere remontam à década de 80.

Apesar de não haver conclusões definitivas, Shanahan afirma que os dados são suficientes para os professores «avançarem com alguma prudência» no ensino da frase. O autor oferece uma série de recomendações para o fazer, mas apenas uma delas implica a escrita.

Isto é natural, porque Shanahan se concentrou no que já foi estudado. Tal como referimos antes, a escrita não tem sido analisada de forma muito ampla, sobretudo se o compararmos com a extensa investigação de que a leitura foi alvo. Além disso, fez-se muito pouca pesquisa sobre a aprendizagem da frase, e menos ainda sobre frases acerca do conteúdo curricular. Mas dado aquilo que sabemos sobre o funcionamento da mente humana, essa escassez de investigação não deveria impedir os professores de avançarem nessa direção. E não diria que tem de ser «com alguma prudência». Defendo que devem ir em frente.

Razões para o êxito da instrução ao nível da frase

Está comprovado que é mais fácil adquirir informação nova — aprender — quando se tem conhecimento prévio relevante. Na leitura, podemos saber à partida alguma coisa sobre o assunto do texto que estamos a ler, mas também importa a cultura geral, o vocabulário e o nosso entendimento sobre o modo de construção das frases, a sintaxe.

Em termos sintáticos, a linguagem escrita é por norma mais complexa do que a oral. Em particular quando os textos se tornam mais elaborados, começam a incluir construções como cláusulas subordinadas, a voz passiva e uma maior distância entre o sujeito e o objeto (em vez de «O cão passou a correr pelo homem», podemos ter algo como «O cão com pelagem às manchas, castanha e branca, apesar de cansado de correr tanto, passou ainda assim a correr pelo homem de fato cinzento»). Mesmo que os alunos consigam entender conversas, ou até frases escritas em textos simples, podem ter dificuldades em interpretar o tipo de frases que surge muitas vezes em conteúdos escritos do ensino secundário ou nos jornais.

Isto pode acontecer mesmo que os estudantes já conheçam bem o assunto do texto. Há vários estudos que demostram que a compreensão de um texto é facilitada pelo domínio prévio do seu tema por parte dos leitores. Uma das investigações mais famosas nos Estados Unidos, conhecida como «o estudo do basebol», concluiu que na leitura de textos sobre este desporto, «leitores fracos» especialistas em basebol ultrapassaram «leitores bons» que não conheciam tão bem este desporto. Mas o excerto que lhes foi dado a ler era bastante simples: à exceção dos termos técnicos, tratava-se de uma descrição bastante clara de uma partida de basebol. Esses mesmos especialistas teriam certamente de se esforçar muito para conseguirem compreender uma tese de doutoramento sobre algum aspeto desse jogo.

Uma cientista que se tem vindo a debruçar sobre a frase, Cheryl Scott, partilhou num artigo o caso de um menino de dez anos que conseguia ler com propriedade e fluência, mas que tinha dificuldades em interpretar o que lia. O menino ouviu a leitura de um texto com a seguinte frase: «Rachel Carson, que era cientista, escritora e ecologista, cresceu na pequena cidade de Springdale, na Pensilvânia.» Os cientistas pediram depois à criança que lhes dissesse aquilo que tinha aprendido sobre Rachel Carson. «Elas cresceram juntas, na mesma cidade», respondeu ele. Para o menino, o sujeito da frase não era Rachel Carson, mas sim três pessoas diferentes: uma cientista, uma escritora e uma ecologista — porque estas palavras estavam mais próximas do verbo. Este tipo de erro não é incomum, como afirma Scott.

É óbvio que é importante conseguir identificar estes erros de interpretação. Podemos pedir aos alunos que expliquem, oralmente e por palavras deles, uma frase complexa que acabaram de ler ou que leiam a frase outra vez com uma entoação diferente — ambas práticas que Shanahan recomenda. Mas não seria ainda mais útil ensinar os alunos a construir frases complexas por si próprios? Se uma pessoa conseguir aprender a usar frases como a da descrição de Rachel Carson no exemplo anterior — em gramática chama-se um aposto —, não estará mais bem preparada para conseguir interpretar uma frase semelhante quando a ler?

Exercícios de escrita e compreensão de frases

Shanahan recomenda dois exercícios de escrita: a junção e a redução de frases. O primeiro implica transformar várias frases simples numa frase mais complexa. A redução de frases faz o oposto.

Estes exercícios são úteis até certo ponto, mas é claro que, para conseguirem fazer uma boa junção de frases, os alunos precisam muitas vezes de instruções detalhadas sobre as palavras que podem usar: um aposto, por exemplo, ou uma conjunção subordinada como «embora». Há muitos alunos que não conseguem ganhar habilidade para usar este tipo de estruturas frásicas apenas através da leitura.ndo escrevem sobre aquilo que estão a aprender, os estudantes reforçam tanto a compreensão como a memória.

Além disso, estas recomendações descuram a ligação entre a escrita e a aprendizagem. Vários estudos concluíram que, quando os estudantes escrevem sobre aquilo que estão a aprender, qualquer que seja o tema, reforçam tanto a compreensão como a memória. A ciência cognitiva explica porquê: um método muito eficaz de garantir que a informação é armazenada na nossa memória de longo prazo e que a conseguimos reaver mais tarde consiste em citá-la de cor e explicá-la a outra pessoa por palavras nossas. No fundo, isto é o que fazemos quando escrevemos.

Estudos sobre «escrever para aprender» poderão na verdade ter menosprezado os benefícios desta atividade porque, em termos gerais, não se debruçaram sobre a escrita ao nível da frase. Escrever é difícil, bem mais difícil do que ler, e escrever com pormenor é ainda mais difícil. É possível que os alunos tivessem mais capacidade cognitiva para compreender e reter informação se fossem orientados na escrita de frases curtas e isoladas sobre o tema.

Faria portanto sentido pedir aos alunos que se dediquem à junção e redução de frases sobre o conteúdo a aprender. Mas há outros exercícios sintáticos que podem ser ainda mais úteis à aprendizagem. Quando os estudantes juntam frases, ou as encurtam, as frases de que dispõem têm toda a informação de que precisam. Por exemplo, um exercício de junção de frases pode começar assim:
  • Rachel Carson foi cientista.
  • Rachel Carson foi escritora.
  • Rachel Carson foi ecologista.
  • Rachel Carson cresceu em Springdale, na Pensilvânia.
Um aluno seria capaz de juntar as frases anteriores para criar uma frase complexa, caso tivesse aprendido a usar o aposto:
  • Rachel Carson, cientista, escritora e ecologista, cresceu em Springdale, na Pensilvânia.
E se, em alternativa — e depois de ter aprendido quem foi Rachel Carson — se desse ao aluno a seguinte frase para completar:
  • Rachel Carson, ____________________________________, cresceu em Springdale, na Pensilvânia.
Para o fazer, o aluno teria de recuperar informação da qual talvez já se tivesse esquecido e de encontrar vocabulário para a expressar, aumentando a probabilidade de compreender e de recordar essa mesma informação. Ao mesmo tempo, o aluno estaria a aprender uma construção frásica que reforça as suas capacidades de escrita e de leitura.

Este exercício de criação de frases integra, com muitos outros, um método chamado «A Revolução da Escrita». (Sou coautora de um livro com o mesmo título; o método foi desenvolvido pela outra autora, Judith C. Hochman.) Este método vai além das frases, propondo a criação de textos argumentativos, mas as práticas ao nível da frase são alicerces fundamentais para a escrita autónoma de segmentos mais extensos.

É bom ver um investigador da área da leitura com a influência de Shanahan a defender a ideia de que precisamos de dar mais atenção à frase. Tenho esperança de que este e outros autores reforcem tal interesse e se concentrem em temas que vão além da instrução da leitura, tais como a ligação crucial que existe entre a leitura e a escrita, a construção de conhecimento e o desenvolvimento de vocabulário. O progresso nestes temas possibilitam tanto a escrita como a leitura.

Natalie Wexler

sábado, 10 de dezembro de 2022

Seminário 'Index para a Inclusão - 20 anos depois: O que estamos a fazer?'


A Pró-Inclusão, em parceria com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, e no âmbito do Doutoramento em Educação Inclusiva a decorrer neste Instituto, vai realizar o Seminário "Index para a Inclusão - 20 anos depois: O que estamos a fazer?".

Este Seminário terá lugar no Instituto de Educação, no dia 6 de janeiro de 2023, sexta-feira, entre as 14h30 e as 17h30.

Do Programa, destacamos a participação de um dos autores do Index for Inclusion, Professor Tony Booth, bem como do Professor David Rodrigues, fundador Pró-Inclusão e nome de referência no que à educação inclusiva em Portugal e no Mundo, diz respeito, profundo conhecedor do trabalho realizado pelos professores portugueses na construção de escolas progressivamente mais inclusivas. Contamos igualmente, com a participação de investigadores e diretor de Escola.

Procuramos, deste modo, trazer à reflexão, a visão e a expectativa dos seus autores, confrontando com a experiência de 20 anos, ao nível da investigação (academia) e utilização deste documento de trabalho e de referência (pelas escolas) para o desenvolvimento de comunidades educativas plurais, democráticas e equitativas: que desafios, obstáculos, oportunidades?

Inscrições através do QR Code ou acedendo diretamente ao formulário: https://forms.gle/jj5tugestZPPC4Zh8

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

A corrupção da Educação?

O empresário Sousa & Sousa, de Areias de Cima, telefonou para Silva & Silva, o político, cuja campanha Sousa & Sousa financiou.

– O meu filho tem de ter 20 valores a Matemática – diz o empresário Sousa & Sousa.

– Está decidido – diz Silva & Silva, o político.

O empresário e o político foram alunos na mesma turma, é uma amizade de longa data.

O político vai exercer a sua influência sobre o diretor da escola, escola que o filho do empresário frequenta.

Quem avalia o diretor é uma comissão nomeada por Silva & Silva, um político com grande influência na cidade de Areias de Cima.

Esta história até hoje é uma ficção, mas vai ser uma realidade em todas as cidades portuguesas quando as câmaras municipais forem responsáveis pelos agrupamentos de escola.

Quando a contratação e renovação dos contratos dos professores forem da responsabilidade das câmaras municipais, das autarquias, a independência dos professores acaba.

Os professores vão ser mais pressionados a atribuir avaliações para as quais os alunos não têm competências.

Começo a colocar algumas questões:

Já fui pressionada para passar alunos?

Sim, já fui pressionada.

Se as orientações vierem por escrito eu faço o que o diretor manda, já que no fim da linha é ele o responsável. Quem me avalia é o diretor e uma comissão nomeada por ele.

Quando esta história deixar de ser ficção e se tornar realidade eu deixarei de ser professora, vou só fazer a emissão de certificados.

Quando os alunos obtêm avaliações positivas porque alguém decide e não porque estudam, as pontes vão cair, os doentes vão morrer, os programas informáticos vão colapsar.

Eu não estou preocupada, estou preocupadíssima, mas durante anos os políticos pressionaram os professores, temos fama de nada fazer e receber ordenados milionários.

Os professores lutam, eu luto para fazer o meu trabalho e a minha assinatura não ser uma mentira, não posso fazer a emissão de certificados, tenho de preparar os jovens na área da Matemática.

Num futuro próximo as personagens desta história, o político Silva & Silva e o empresário Sousa & Sousa, passam da ficção para a realidade.

Eu tenho confiança em alguns políticos, mas com as notícias que têm saído na comunicação social sobre os níveis de corrupção no poder local e central, começo a ter muitas desconfianças. Os professores lutam até quando?…

Agradeço aos sindicatos a inércia de uma década.

Elisa Manero

Fonte: Observador por indicação de Livresco

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

​Braille, áudio, linguagem pictográfica. Na JMJ o terço é para todos


Incapacidade visual, física, auditiva ou até intelectual, não será impedimento para participar na Jornada Mundial da Juventude e rezar em conjunto. Esta segunda-feira foram apresentadas as ‘Meditações do Terço para Todos’, que incluem linguagem pictográfica, braille e versão áudio. “Isto nunca foi feito a nível mundial”, sublinha a responsável pelo projeto, que fica como “legado de Lisboa” para futuras jornadas.

“Hoje é um dia de alegria imensa para nós”. Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Instituto Politécnico de Leiria, não escondeu a satisfação pelas ‘Meditações do Terço em Comunicação para Todos’. A obra foi apresentada esta segunda-feira, numa parceria com a Fundação Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o Corpo Nacional de Escutas (CNE).

O projeto - que inclui também a Oração da Jornada Mundial da Juventude em braille e pictogramas - foi desenvolvido na sequência do trabalho que o Centro da ESECS, que lidera, já tinha realizado no Santuário de Fátima, em 2017, pelos 100 anos aparições.

“O Papa Francisco agradeceu muito, e foi isso que nos deu alento”, explicou aquela responsável, adiantando que a obra não diferencia “se é para pessoas cegas ou surdas, ou com incapacidade intelectual. É para todos. Queremos estar todos juntos e comunicar para todos ao mesmo tempo, usando apenas um texto”.

“Usamos o código pictográfico, que é um sistema de comunicação, são símbolos que são trabalhados para transmitir o conceito das palavras que estão escritas. Aqui o grande desafio foi que não podíamos mudar o texto (das meditações), e seguir as regras da escrita fácil, e muitas palavras são complicadas”, adiantou.

As meditações do terço estão em diferentes formatos de comunicação. “Estão em braille, em linguagem pictográfica, têm depois os respetivos códigos QR para língua gestual portuguesa e para o áudio. Através dos pictogramas tentámos adaptar toda a mensagem para que ela possa chegar a pessoas que não conseguem ler, que têm alguma incapacidade intelectual, dislexia, ou que não dominam a língua portuguesa, e têm ali um modo de conseguir aceder à mensagem que se pretende passar”.

Sublinhando que “isto nunca foi feito a nível mundial”, embora já se trabalhe na “comunicação multi formato para muitas áreas”, Célia Sousa revelou que o projeto demorou um ano a concluir.

“Adaptar os pictogramas ao texto é muito demorado, porque os pictogramas representam conceitos. É preciso numa primeira fase fazer essa adaptação, depois validar, e posteriormente é preciso que as pessoas com incapacidade intelectual testem, para saber se é possível e se entenderam, de facto, aquilo que pretendíamos. Por isso, a realização deste livro foi um trabalho de aproximadamente 12 meses”.

Carmo Diniz, responsável pelo Gabinete de Diálogo e Inclusão da JMJ – e recém-nomeada diretora nacional do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência - sublinha a importância desta nova ferramenta que “permite todos poderem rezar em conjunto”, e servirá de suporte para quem necessite, mesmo depois da Jornada.

“Não há meditações de terço em português neste formato de comunicação para todos. Fica um legado para quem quiser rezar o terço: daqui para a frente, em preparação, durante a semana da Jornada e depois disso, pode sempre rezar o terço com recurso a esta ferramenta”.

O livro hoje apresentado também vai ter formato digital, e a marca já foi registada. “É um produto feito na JMJ Lisboa 2023”, e que ficará como modelo para próximas jornadas.

“Foi um esforço de todo o COL (Comité Organizador Local) fazer esta publicação, e queremos que seja um sinal: pode não chegar a casa de cada um, mas queremos que chegue a todos os que precisem dela”.

D. Américo Aguiar, presidente da Fundação JMJ, congratulou-se com a obra hoje apresentada, que disse ser um passo mais no “caminho da inclusão que está a ser trilhado na Igreja”, para eliminar, por exemplo, os muitos obstáculos físicos que ainda existem.

“Lembro-me da Torre dos Clérigos, quando se permitiu que irmãos nossos subissem ao 4º andar, foi a conquista da lua, quase! E também em Almada, no Cristo Rei, o trabalho que está a ser feito para permitir o acesso de quem tem limitações. Ou seja, em cada dia e em cada lugar, muito perto de nós, há desafios permanentes que queremos provocar para que sejam resolúveis e cada um seja respeitado e feliz no acolhimento que cada comunidade lhe proporciona”, referiu aos jornalistas.

O bispo auxiliar de Lisboa não tem dúvidas de que obra hoje apresentada irá ser uma grande ajuda, e espera que a JMJ também deixe um legado ao nível da sensibilização para a inclusão e o acolhimento. “Que a experiência seja positiva para todos, e que no regresso às suas vidas todos tenham convertido o coração para aquilo que é encontrar um irmão ou uma irmã que por alguma razão nos parece diferente, mas não é um problema nem um obstáculo, mas uma oportunidade e uma riqueza. Isso também é a Jornada a acontecer naquilo que é uma pedagogia para o acolhimento daquele que nos parece diferente”, afirmou.

Hoje, simbolicamente as ‘Meditações do Terço em Comunicação para Todos’, já foram entregues aos representantes dos Comités Organizadores Diocesanos (COD) do Porto, Lisboa, Vila Real, Portalegre-Castelo Branco, Évora, Beja, Leiria Fátima e Setúbal, e ao Movimento Fé e Luz, Irmãos de São João de Deus, Irmãs Hospitaleiras, ‘Humanitas’ (Federação Portuguesa para a Deficiência Mental) e Corpo Nacional de Escutas (CNE).

Fonte: RR por indicação de Livresco

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Ministério confirma que alunos estiveram melhor em 2022 do que antes da pandemia

O Ministério da Educação (ME) confirmou, nesta quarta-feira, que os resultados das provas de aferição realizadas no ano lectivo passado “indiciam uma tendência de recuperação das aprendizagens”, uma vez que o desempenho dos alunos “revela uma melhoria global” face ao registado em 2019, antes do mergulho na pandemia.

Os resultados das provas de 2022 foram enviados em Setembro para as escolas, mas só nesta terça-feira foi divulgado publicamente o relatório nacional, que se encontra disponível na página do Instituto de Avaliação Educativa (Iave, responsável pela avaliação externa).

Conforme (...) tinha já antecipado, com base em dados cedidos pelo ME no início de Novembro, a “melhoria global” registada nestas últimas provas “abrange a maioria dos domínios curriculares aferidos”, destaca de novo o ministério numa nota enviada nesta quarta-feira. As provas foram realizadas pelos alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade.

No 2.º ano foram testados, nas provas de aferição, conhecimentos a Português, Matemática, Estudo do Meio, Educação Artística e Educação Física. No 5.º ano, incidiram nas disciplinas de Educação Visual, Educação Tecnológica, Matemática e Ciências Naturais. E no 8.º ano realizaram-se a Educação Física, Português, História e Geografia.

Motivo de preocupação: Matemática do 5.º ano, cujos resultados, apesar de acompanharem “genericamente a evolução [positiva], mantêm uma percentagem de desempenho esperado baixa”. O alerta principal veio, contudo, dos resultados do desempenho oral dos alunos medido pela capacidade de interpretar um texto que lhes é dado a ouvir: caiu para metade.

Estes alunos foram apanhados em cheio pelos confinamentos quer no pré-escolar, quer no 1.º ano. “Não se falou muito do pré-escolar, mas foi sempre uma das minhas principais preocupações”, disse o ministro João Costa numa entrevista ao PÚBLICO, para explicar de seguida as razões: “Porque sabemos que é um dos principais preditores de sucesso no 1.º ciclo e sabemos também que houve uma dificuldade enorme, apesar do esforço das educadoras. Estes são os anos da socialização, são os anos de uma série de coisas que são muito difíceis [de trabalhar à distância].”

Esta queda na oralidade não é destacada na nota desta quarta-feira do ME. Já o desempenho por regiões merece referência: “Verifica-se que as regiões Norte e Centro apresentam de novo os melhores resultados por domínios, sendo acompanhadas pela Área Metropolitana de Lisboa nos resultados a Português do 8.º ano.”

As provas de aferição não contam para a nota final dos alunos, mas o ME volta a frisar que os dados que se podem retirar desta avaliação “constituem informação muito importante para a consolidação das linhas prioritárias de actuação do ministério, relativas à qualidade das aprendizagens dos alunos, assumindo particular relevo no quadro da avaliação de impacto das acções do Plano de Recuperação de Aprendizagens”, lançado em 2021 para minimizar os efeitos da pandemia. A este respeito, o ministério adianta ainda que estas provas, “por conterem dados desagregados e qualitativos, têm permitido que as escolas adoptem, em função da análise dos resultados, estratégias próprias para o acompanhamento dos alunos.”

Fonte: Público

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

OMS pede projetos educativos para travar violência contra crianças na Internet e diz que educação sexual reduz a homofobia

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a adoção de mais projetos educativos de prevenção da violência contra crianças na Internet, num relatório divulgado hoje sobre estratégias para criar um ambiente online mais seguro para os jovens.

O relatório “What works to prevent online violence against children” (“O que resulta para prevenir a violência online contra crianças”) centrou a análise em dois tipos de violência: o abuso sexual infantil, no qual se inclui aliciamento e abuso de imagem sexual, e agressividade/assédio online, expresso através de ‘cyberbullying’, perseguição cibernética, intrusão informática e roubo de identidade.

“Esta estratégia assenta sobre outros programas educativos com sucesso comprovado numa grande variedade de desafios de prevenção relacionados com a juventude, tais como o abuso de substâncias e a delinquência. Este relatório concentra-se mais nesta estratégia, uma vez que tem uma literatura relativamente grande existente e gerou um conhecimento substancial”, pode ler-se no relatório.

De acordo com a OMS, uma ação dos estados no âmbito educacional e de formação evidencia “provas positivas na redução da agressividade online”, embora ainda não seja possível dizer o mesmo em relação à exploração sexual de crianças na Internet.

A agência das Nações Unidas referencia também “fortes provas” da eficácia da aposta em educação na redução da violência e dos riscos relacionados.

Entre outras possíveis estratégias encontra-se a intervenção por via legislativa e policial, que, para a OMS, não apresenta ainda eficácia na prevenção da violência contra crianças na Internet, embora uma maior visibilidade das forças de segurança resulte na prevenção de outros crimes. A mesma conclusão de ineficácia foi apontada a intervenções ao nível de consciencialização social e de serviços de apoio e resposta.

Por outro lado, a implementação de soluções tecnológicas na criação de ambientes digitais seguros – através de avisos sobre pesquisas relacionadas com conteúdos com abusos sexuais de menores – começa igualmente a revelar sinais de que pode ser uma estratégia relevante na prevenção da violência online sobre crianças.

Também o apoio a pais e cuidadores, inserido em programas de prevenção dirigidos tanto a crianças como a adultos, está a ser associado a melhores resultados no combate a estas formas de violência pela Internet.

O relatório realça a importância da formação das crianças e dos jovens em determinadas competências, nomeadamente, assertividade, empatia, resolução de problemas, gestão de emoções e procura de ajuda, etc. Em termos de execução, o sucesso destes projetos é superior quando se recorre a diferentes formatos, como vídeos, jogos, infografias ou debates.

Paralelamente, a OMS defende no documento o peso da educação sexual na redução da agressão física e sexual, em particular encontros e violência de parceiros e intimidação homofóbica. “A eficácia da educação sexual tem sido confirmada em países de todos os níveis de rendimento”, conclui a organização.

Fonte: Postal por indicação de Livresco

domingo, 4 de dezembro de 2022

Como a Finlândia usou aulas de Matemática e História para combater as fake news

Quando o regime de Moscovo anexou o território ucraniano da Crimeia em 2014, a Finlândia, que tem uma longa fronteira com a Rússia, assistiu a uma crescente onda de desinformação no país que fazia levantar os temores entre a população de uma possível invasão russa.

Rapidamente começaram a surgir notícias falsas em diversos sites informativos finlandeses, mas também nas redes sociais, que insuflaram o debate público, obrigando o governo finlandês a agir para evitar que mais mentiras se espalhassem ou subissem de tom.

Segundo o jornal The Guardian, a grande aposta foi a educação e em 2016 a alfabetização ou literacia mediática passou a constar do currículo escolar com o objetivo de desenvolver o pensamento crítico dos alunos.


Mas já antes o ensino finlandês apostava nessa vertente. No sistema educacional deste país da Europa, a educação mediática já é abordada no ensino desde a primeira infância, segundo dados da UNESCO.

Porém a inclusão do tema no ensino obrigatório fez da Finlândia o país mais resistente à desinformação entre as nações da Europa, segundo o estudo anual do instituto Open Society.
Como funciona na prática?

Segundo explicou Kari Kivinen ao jornal britânico The Guardian, as aulas de Matemática ensinam, por exemplo, como estatísticas podem ser distorcidas; e as aulas de História abordam as campanhas de propaganda usadas ao longo dos tempos para mudar a opinião pública, como aconteceu nas grandes guerras, especialmente durante o regime nazi.

O intuito é mostrar aos alunos como o uso de determinados elementos - comparações distorcidas, bem como adjetivos, substantivos, imagens e metáforas - podem influenciar a população.

"O objetivo é criar cidadãos e eleitores ativos e responsáveis", disse Kivinen. "Pensar criticamente, verificar os fatos, interpretar e avaliar todas as informações que se recebe, onde quer que elas apareçam, é crucial. Fizemos disso uma parte essencial do que ensinamos, em todas as disciplinas", sublinhou.

Os alunos também são desafiados a investigar sobre determinados temas e apresentar fontes de informação sólidas, bem como a desenvolver o sentido crítico quando estão perante títulos "clickbait" através da comparação do viés mediático em várias notícias sobre o mesmo tema.

Fonte: Lifestyle

sábado, 3 de dezembro de 2022

Pessoas com deficiência podem viver até 20 anos a menos que a média da população, alerta OMS

O alerta consta do relatório da OMS sobre a equidade na saúde, que salienta ainda que as pessoas com deficiência têm duas vezes mais probabilidades de desenvolver tuberculose, diabetes, acidentes vasculares cerebrais e doenças sexualmente transmissíveis e cardiovasculares

As pessoas com deficiência têm um risco mais elevado de morte prematura, de até 20 anos em relação à média da população, devido a dificuldades de acesso à saúde, alertou esta sexta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O alerta consta do relatório da OMS sobre a equidade na saúde, que salienta ainda que as pessoas com deficiência têm duas vezes mais probabilidades de desenvolver tuberculose, diabetes, acidentes vasculares cerebrais e doenças sexualmente transmissíveis e cardiovasculares.

Muitos dos fatores que causam a morte precoce ou a doença destas pessoas são "evitáveis e injustos", sublinhou Darryl Barrett, responsável técnico da OMS para as funções sensoriais, deficiência e reabilitação na apresentação do documento.

O especialista destacou também a alta incidência que as doenças mentais têm entre pessoas com deficiência, que apresentam taxas mais elevadas de sintomas depressivos ou de ansiedade do que o resto da população.

O acesso aos serviços de saúde “é seis vezes mais difícil para as pessoas com deficiência", lamentou Darryl Barrett, ao apontar outros fatores como as atitudes negativas de alguns profissionais de saúde e as dificuldades na compreensão da informação de saúde.

Para resolver esta situação, a OMS propõe um pacote de 40 medidas aos governos, incluindo a formação especializada para profissionais de saúde ou melhoria da acessibilidade aos serviços de saúde.

Além disso, a organização lembrou que a maioria das pessoas com deficiência – cerca de 80% – vive em ambientes de pobreza ou de baixos rendimentos.

Atualmente, 1,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum tipo de deficiência, 16% da população global, de acordo com os dados da OMS.

Fonte: CNN Portugal por indicação de Livresco

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Autismo. Novo tratamento melhora competências sociais e função cerebral

Um estudo recente da Universidade de Tel Aviv, em Israel, revelou que a terapia por câmara de pressão melhorou significativamente as capacidades sociais e a função cerebral de pessoas com autismo.

Na investigação, cujos resultados foram divulgados recentemente na International Journal of Molecular Sciences, os investigadores descobriram alterações no cérebro, incluindo uma diminuição da neuroinflamação, que tem estado ligada ao autismo.

Recorrendo à análise de animais autistas, a equipa detetou que o seu funcionamento social melhorou também significativamente. O sucesso da investigação tem implicações significativas para a aplicabilidade e compreensão da terapia da câmara de pressão como tratamento para o autismo, noticiou o Sci Tech Daily.

Segundo os investigadores Inbar Fischer e Boaz Barak, da Universidade de Tel Aviv, a medicina hiperbárica é um tipo de tratamento em que os pacientes são tratados em câmaras especiais, nas quais a pressão atmosférica é maior do que a pressão que sentimos ao nível do mar e onde lhes é dado 100% de oxigénio para respirar.

A medicina hiperbárica já está a ser utilizada para tratar uma vasta gama de condições médicas e é considerada segura. Nos últimos anos, acumularam-se provas científicas de que certos protocolos de tratamentos hiperbáricos aumentam o fornecimento de sangue e oxigénio ao cérebro, aumentando assim a função cerebral.

“As causas médicas do autismo são numerosas e variadas, e acabam por criar o espectro autista diverso, com o qual estamos familiarizados. Cerca de 20% dos casos de autismo hoje em dia são explicados por causas genéticas, ou seja, as que envolvem defeitos genéticos, mas não necessariamente as que são herdadas dos pais”, indicou Boaz Barak.

De acordo com o especialista, “apesar da variedade de fontes de autismo, todo o espectro de problemas comportamentais a ele associados ainda estão incluídos sob o único título amplo de ‘autismo’, e os tratamentos e medicamentos oferecidos não correspondem necessariamente à razão pela qual o autismo se desenvolveu”.

Na fase preliminar do estudo, uma paciente portadora da mutação no gene SHANK3, que se sabe conduzir ao autismo, foi submetida ao tratamento. Ao completar uma série de tratamentos na câmara de pressão, ficou evidente que as suas capacidades sociais e as funções cerebrais tinham melhorado consideravelmente.

Na fase seguinte, e a fim de compreender mais profundamente o sucesso do tratamento, a equipa de investigadores procurou compreender o efeito da câmara pressurizada no cérebro.

Para tal, os investigadores utilizaram modelos de animais adultos portadores da mesma mutação genética no gene SHANK3. A experiência compreendeu um protocolo de 40 tratamentos de uma hora numa câmara pressurizada, que durou várias semanas.

“Descobrimos que o tratamento na câmara de pressão enriquecida com oxigénio reduz a inflamação no cérebro e leva a um aumento da expressão de substâncias responsáveis por melhorar o fornecimento de sangue e oxigénio ao cérebro e, portanto, a função cerebral”, referiu Boaz Barak.

A equipa, continuou, viu também “uma diminuição do número de células microgliais, células do sistema imunitário que indicam uma inflamação, associada ao autismo”

“Para além das descobertas neurológicas que descobrimos, o que nos interessava mais do que tudo era ver se estas melhorias no cérebro também levavam a uma melhoria do comportamento social, que se sabe estar prejudicado em indivíduos autistas”, acrescentou.

“Para nossa surpresa, as descobertas mostraram uma melhoria significativa no comportamento social dos animais com autismo submetidos ao tratamento na câmara de pressão, em comparação com os do grupo de controlo, que foram expostos à pressão normal e sem enriquecimento de oxigénio”, disse.

Os animais “submetidos ao tratamento demonstraram um interesse social crescente, preferindo passar mais tempo na companhia de outros animais aos quais foram expostos, em comparação com os animais do grupo de controlo”, sublinhou.

“A mutação nos modelos animais é idêntica à mutação que existe nos humanos. Por conseguinte, é provável que a nossa investigação tenha implicações clínicas para melhorar a condição patológica do autismo resultante desta mutação genética e, provavelmente, também do autismo proveniente de outras causas”, indicou por sua vez Inbar Fischer.

Como o tratamento na “câmara de pressão não é intrusivo e foi considerado seguro, as nossas descobertas são encorajadoras e demonstram que este tratamento pode melhorar estes aspetos comportamentais e neurológicos também nos humanos, além de oferecer uma explicação científica de como ocorrem no cérebro”, concluiu.

Fonte: ZAP

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Avaliação de Aprendizagens em Instituições Educativas

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Partilho o estudo "Avaliação de Aprendizagens em Instituições Educativassobre indicadores, modelos e experiências de monitorização e avaliação de aprendizagens e de desenvolvimento das crianças e jovens dos 3 aos 18 anos.

O estudo, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em como autores Carla Vieira, Carlinda Leite, Isabel Pinho, Júlio Pedrosa, Maria João Pires da Rosa e Paulo Marinho.