sábado, 11 de abril de 2009

A dança do tempo e o medo das pessoas com necessidades especiais

O espectáculo - o primeiro de maior dimensão protagonizado pela CIM - estará em palco nos dias 16 e 17 de Abril, às 21h, resultado de uma co-produção entre várias entidades, explicou hoje Ana Rita Barata, coreógrafa e directora artística da companhia.
Em 'O Aqui', a noção de tempo e de medo «é muito pessoal, tem a ver com a realidade destas pessoas, portadoras de uma deficiência, mas em primeiro lugar humanas», observou Ana Rita Barata.
«Há certamente um contraste muito forte com a forma como o tempo é vivido actualmente, na nossa sociedade, em que tudo corre. Quando se é portador de uma deficiência como a paralisia cerebral, tudo acontece de forma mais lenta», apontou ainda.
A coreógrafa esclareceu que nesta companhia, criada há dois anos, a intenção não é fazer dança-terapia, mas sim concretizar um objectivo artístico: «No entanto, o processo e o resultado acaba por ser terapêutico para todos nós», admitiu.
Composta por 13 pessoas, quatro bailarinos profissionais, dois técnicos da área da deficiência e sete pessoas portadoras de paralisia cerebral, a companhia tem recebido apoios do Centro de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CPRCCG), da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL) e do Instituto de Inserção Social.
Para a criação deste espectáculo, houve uma co-produção com o Teatro Municipal de São Luiz (onde o espectáculo, afinal, não pôde ser apresentado por o espaço se encontrar em obras), a Vo´arte e com a co-apresentação do Teatro Camões.
Bailarinos, técnicos e pessoas com necessidades especiais com idades entre os 15 e os 41 anos, juntam-se em palco para abordar as noções de tempo e de medo, por exemplo, «de perder a autonomia, de perder pessoas amadas, medos comuns, afinal, a toda gente».
O desafio maior, segundo Ana Rita Barata, foi «não cair num falso sensacionalismo do triste e do coitado portador de deficiência e, em vez disso, conseguir potenciar a forma de estas pessoas se exprimirem, canalizando-a para o espectáculo».
Os objectivos da CIM envolvem, além da realização de espectáculos, fazer formação, abrir o trabalho da companhia à comunidade, e «fazer várias experiências do ponto de vista da dança, cruzando diferentes linguagens, das artes plásticas e visuais à música». (...)
Sol Online

1 comentário:

GatosMania disse...

Olá
A propósito deste post, gostava de divulgar aqui um trabalho que se tem vindo a desenvolver na CREACIL(Cooperativa de Reabilitação, Educação e Animação para a Comunidade Integrada de Loures)relacionado também com a dança e a ocupação dos tempos livres dos jovens com deficiência.

Não é tão profissional como esse, mas é um trabalho desenvolvido com muito voluntariado, "prata da casa", e que dá muita alegria aos nossos jovens.

visite este este espaço:
http://creacil.vndv.com/projectoseavtividades.htm

e o nosso site:
http://creacil.vndv.com/