sexta-feira, 13 de março de 2009

'Ler' as memórias de uma pessoa já é possível


Um estudo científico da Universidade de Londres afirma que pode ser possível "ler" as memórias de uma pessoa, através da observação da sua actividade cerebral, revela hoje a revista Current Biology.

A descoberta foi feita através de um aparelho de digitalização que permite detectar a actividade de uma zona específica do cérebro e pode ter aberto uma nova área de investigação do cérebro.
Demis Hassabis e Eleanor Maguire, autores do estudo, investigaram durante anos o papel do hipocampo, uma zona diminuta do cérebro, que permite que os seres humanos se recordem do passado e imaginem o futuro.
Hassabis e Maguire usaram uma ressonância magnética funcional para medir os fluxos sanguíneos do cérebro de um voluntário enquanto ele estava num cenário de realidade virtual.
"Surpreendentemente, apenas com a observação dos dados do cérebro (registados por um algoritmo informático criado por Hassabis) conseguimos indicar de forma exacta onde estava este voluntário, podíamos ler a sua memória espacial", explica Maguire.
"Perceber como os seres humanos guardam as memórias é fundamental para ajudar a perceber o seu esquecimento como acontece na doença de Alzheimer", explicou Hassabis.
Estudos anteriores feitos em ratos já tinham permitido descobrir que a memória fica gravada no hipocampo mas estas investigações concluíram que não era possível registar o momento exacto a que se referem as memórias, uma conclusão que Hassabis e Maguire refutam.
Para Maguire, esta investigação abre uma série de possibilidades para descobrir como são codificadas as memórias pelos neurónios, observando recordações mais completas e precisas do passado e até visões do futuro.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Programa Gulbenkian de Combate ao Insucesso e Abandono Escolares

No âmbito do Programa Gulbenkian de Combate ao Insucesso e Abandono Escolares, a Fundação Calouste Gulbenkian entendeu lançar, a partir de 2008, um Programa Inovador, dedicado a apoiar projectos que promovam o combate ao insucesso e abandono escolares e a melhoria do ensino e da aprendizagem. Estes projectos devem identificar, projectar e desenvolver experiências concretas, que permitam criar condições para uma efectiva melhoria da qualidade das aprendizagens das crianças e dos jovens.
As candidaturas podem ser enviadas ao Serviço de Educação e Bolsas, até ao dia 30 de Abril de 2009, por instituições públicas do Ensino Básico (Pré Escolar e 1º,2º e 3º ciclos) que apresentem projectos consonantes com o objecto do concurso, nos termos do Regulamento.
Só serão aceites candidaturas on-line.
A ficha de candidatura deverá ser preenchida em:
http://candidaturas.gulbenkian.pt/Pages/ViewPage.aspx?FORM=seb81
Toda a documentação está disponível na página www.gulbenkian.pt (Actividades e Apoios/Apoios/Subsídios a Projectos de Combate ao Insucesso e Abandono Escolares).
O Regulamento do concurso poderá ser consultado em:

Abertura do concurso de professores

Foi publicado o Aviso de Abertura do Concurso para Professores (Aviso n.º 5432-A/2009).

quarta-feira, 11 de março de 2009

Deficientes vão ter versão adaptada do 'Magalhães'

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu ontem ao DN que a maioria dos alunos com deficiências - como a cegueira e paralisia, que os impedem de operar os computadores Magalhães - "vai receber" estes portáteis já adaptados às suas necessidades, mas não se comprometeu com prazos para as respectivas entregas.

Confrontado com algumas acusações de discriminação a estes alunos que têm circulado na "blogosfera", o governante começou por criticar... os críticos: "Houve quem dissesse que os alunos com deficiências não recebem o Magalhães, o que é falso", disse. "Se o pedirem, recebem-no. O que se passa é que há estudantes com deficiências que os impedem de poder utilizar a versão disponível, o que implica adaptações que levam tempo."Segundo Valter Lemos, estas adaptações já foram feitas com os portáteis do programa E-escolas, para os estudantes do 3.º ciclo e secundário (o Magalhães é para o 1.º e 2.º ciclos), embora também com demoras. "Já foram entregues portáteis do E-escolas preparados para alunos deficientes", contou. "Ainda não foram satisfeitos todos os pedidos, mas o E-escolas é um programa que não acaba e vão surgindo novas solicitações."

Em relação ao Magalhães, admitiu o secretário de Estado, há "dificuldades" relacionadas não só com a dimensão reduzida dos portáteis mas também com o facto de estes "virem com software educativo, enquanto os computadores do E-escolas só têm o software operativo".

Mas, segundo garantiu o governante, "os serviços responsáveis do Ministério estão a trabalhar com as empresas no sentido de fazer as adaptações necessárias". Algumas das alterações, "como a substituição do texto por voz e o teclado adaptado [para invisuais], serão feitas com facilidade". Outras, reconheceu Valter Lemos, poderão ser impossíveis: "Não sei se existe tecnologia que possa ser adaptada ao Magalhães para responder a todos os desafios", disse.

Ainda assim, a promessa foi recebida com agrado pelas entidades que apoiam estes cidadãos. Para António Matos, da Associação portuguesa de Deficientes, " todos os instrumentos de trabalho, incluindo este computador, devem ser acessíveis a todas as pessoas com deficiências de modo a que todas as crianças estejam em condições de igualdade". Já Fernando Santos, da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal, lembrou que "é possível colocar em qualquer computador o programa para adaptar o sistema a deficientes invisuais".

Por outro lado, Vítor Gomes, responsável pela Federação Nacional dos Professores para o ensino especial, defendeu que "isto deveria ter sido pensado logo no início. Se era para todos os alunos de escolaridade obrigatória, é estranho só agora ser adaptado para estes alunos com necessidades educativas especiais".

Comentário:

As acessibilidades vão sendo resolvidas a conta gotas e perante os protestos! De facto, não houve uma planificação adequada e global no lançamento do programa e-escolas. Uns continuam a ser mais iguais nas oportunidades do que outros!

Manuais escolares digitais para alunos cegos ou com baixa visão

terça-feira, 10 de março de 2009

Professores obrigados a concorrer a agrupamentos específicos

O concurso nacional de professores começa sexta-feira. O objectivo do Ministério da Educação é ajustar os docentes às necessidades das escolas, por isso, os quadros de escola (QE) serão convertidos em quadros de agrupamento e os quadros de zona pedagógica (QZP) serão obrigados a concorrer para quadros de agrupamento ou de escola não agrupada.
Em última instância todos os professores estarão ligados a um agrupamento. Deste modo, se não houver necessidade do seu trabalho na escola onde estava inicialmente colocado, o docente terá de trabalhar onde os seus serviços são necessários, dentro do mesmo agrupamento.
As vagas que a tutela prevê disponibilizar são 20.603, mas apenas 2600 estão destinadas a professores contratados; as restantes serão sobretudo para os QZP: 18 mil para os que passarem para QE, sete mil para colocados em necessidades residuais e transitórias e mais cinco mil que ficarão à espera de colocação ao longo do ano lectivo na chamada bolsa de recrutamento, deixando de existir colocações cíclicas. Todos os professores colocados ficarão na mesma escola nos próximos quatro anos.
Só depois de dado início a este concurso é que as 59 escolas integradas nos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP), vão poder contratar directamente os docentes. Para as escolas problemáticas, “o ministério deixa de recrutar”, congratula-se Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, que classifica como um avanço deixar de haver listas graduadas para as escolas TEIP, abrindo-lhes a responsabilidade de fixarem os critérios de selecção dos professores. Para Valter Lemos, não há autonomia enquanto as escolas estiverem privadas de recrutar os docentes. E, já no próximo ano lectivo, os agrupamentos serão responsáveis pelo recrutamento directo dos professores, apenas para as necessidades que surjam depois de 31 de Agosto.
No que diz respeito aos QZP, se não forem colocados em nenhuma das circunstâncias previstas, deverão concorrer para as escolas da sua zona pedagógica ou para outras zonas. Para isso, a tutela identificou, por grupo de recrutamento, as zonas para as quais os QZP poderão manifestar as suas preferências para colocação em necessidades transitórias. Por exemplo, nas zonas pedagógicas do Porto, Coimbra e Lisboa Ocidental existem “eventuais necessidades” em quase todos os grupos, aponta Valter Lemos. Este quadro estará disponível no site do ministério.
Na Educação Especial há 937 lugares a concurso.

Directora recusa culpa no ensino especial

A directora-regional de Educação do Norte (DREN), Margarida Moreira, admitiu ontem ao DN que há falta de professores do ensino especial em algumas escolas da sua área, nomeadamente para o apoio a alunos surdos. No entanto, rejeitou as acusações de "irresponsabilidade" que lhe foram movidas pela concelhia do Porto das associações de pais (FECAP), garantindo que "nunca se fez tanto" pelo alunos deficientes da região como nos últimos anos.
O líder da FECAP, Manuel Valente, chegou ontem a pedir a "demissão" da directora-regional de Educação, que acusou de "irresponsabilidade" e "incompetência" na gestão da rede de escolas públicas do Norte, no que respeita ao ensino especial.
Segundo esta federação, existem no Porto "30 alunos" com deficiência auditiva sem professores. E Manuel Valente deu ainda o exemplo da Escola do Bom Sucesso onde, acusou, "existem também sete alunos autistas para uma tarefeira".
A FECAP acusou o Ministério da Educação de ter desencadeado "um processo de coacção aos pais para que colocassem os seus filhos nas escolas de referência [unidades da rede pública especializadas por deficiência]", deixando "sem apoios" os que optaram por manter os menores em "escolas regulares".
Margarida Moreira (...) rejeitou as acusações e as conclusões que por este foram apresentadas, defendendo que os meios humanos da educação especial foram "melhorados em 40%" este ano, incluindo "em especialidades que nunca tinham existido".
Relativamente à situação com alunos autistas da Bom Sucesso, a directora-regional considerou a acusação "falsa", garantindo que esta gerou mesmo "indignação" na escola.
Já sobre às carências de especialistas do ensino gestual , admitiu faltarem técnicos em várias áreas: "Há situações que nem no mercado nacional conseguimos resolver, porque faltam pessoas com a formação certa", explicou, lembrando que "está aberto" um concurso para suprir essas falhas. Porém, disse também que o facto de alguns pais não optarem pelas escolas especializadas "torna mais difícil" dar resposta a todas as crianças.
Comentário:
Infelizmente, esta é a realidade da educação especial! Faltam meios e recursos para que se possa implementar a rede de apoios especializados tal como é preconizada no ordenamento jurídico educativo! É bom que os pais e encarregados de educação lutem pelos direitos dos seus educandos!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Viana: invisuais «conseguem» ler

Jornais em braille são uma raridade em Portugal mas os invisuais já podem «ler», diariamente, notícias frescas na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, graças a um inovador «scanner» com voz.
«É só pegar no jornal, digitalizá-lo e esperar que o "scanner" nos leia as notícias. Quem diz um jornal, fala num livro, numa revista ou num outro documento qualquer, obviamente», explicou, à Lusa, a responsável pela sala de leitura especial daquela biblioteca.
Ana Paula Pereira, 39 anos, invisual, garante que com as facilidades que a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo proporciona, ninguém tem desculpas para não ler. «Aqui, só não lê quem não quer», afirma.
Em braille, o espólio, para já, cinge-se a 37 títulos, sobretudo de romance e ficção, em que figura, à cabeça, o «Ensaio sobre a Cegueira», de José Saramago.
Para ler com os dedos
Mas, para ler com os dedos, há também, entre outras, obras de Inês Pedrosa, Pedro Paixão, Paulo Coelho, Luís Sepúlveda ou um livro de receitas do Pingo Doce. Há ainda uma edição mensal do Jornal de Notícias e das revistas Visão, Activa e Rosa-dos-Ventos.
Neste momento, Ana Paula Pereira está a trabalhar na criação de livros infantis em braille, com ilustrações tácteis, já que, como sublinhou, esta é uma das principais lacunas do espaço.
Na gráfica já está a ser ultimada a história «Os ovos misteriosos», que aquela responsável espera pronta em Abril, por ocasião do Dia Mundial da Literatura Infantil.
Enquanto isso, Ana Paula tem já em mãos a «confecção» de um segundo livro infantil, intitulado «Poemas para meninas e meninos pequeninos».
Livro no computador
«Digitalizo o livro, transporto-o para o computador, faço as correcções e trato o texto, deixando-o prontinho para a impressão em braille», afirma.
Mas aquele espaço de leitura especial da Biblioteca de Viana do Castelo dispõe ainda de 900 títulos em formato digital, que são enviados pela Internet aos leitores que os requisitarem, em qualquer parte de Portugal. «Até tenho leitores no Alentejo», assegura Ana Paula.
Outra das ofertas da biblioteca é uma lupa electrónica, para facilitar a leitura àqueles que, não sendo cegos, têm uma grande insuficiência visual.
Uma espécie de ABC
Ana Paula também já criou o chamado Laboratório da Grafia Braille, uma espécie de ABC daquele tipo de linguagem, que explica como é criada cada letra.
Ana Paula Pereira foi professora de Geografia, Português e História de Portugal, mas entretanto cegou e viu-se obrigada a abandonar a carreira docente, face à forma, que qualificou como «desumana», como decorrem os concursos.
«No primeiro ano depois de cegar, fiquei em Lanheses [concelho de Viana do Castelo], e correu tudo muito bem. O pior viria a seguir. Fui desterrada para um bairro social no Porto, para dar aulas à noite. Já viu o risco que era andar sozinha, com um portátil às costas, à noite? Achei que era absolutamente desumano e que não merecia aquilo e desisti», contou.
Entretanto, arrancou a construção da nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, com uma sala de leitura especial destinada a invisuais e Ana Paula candidatou-se ao lugar de responsável pelo espaço e ganhou o concurso.
A biblioteca foi inaugurada em Janeiro de 2008 e é desde então o seu posto de trabalho. Ana Paula Pereira vai para o serviço sempre acompanhada da sua cadela Lamy, «uma fiel companheira e uma excelente guia».

sábado, 7 de março de 2009

Alunos deficientes sem acesso ao programa e-escolas

As operadoras de serviço de Internet, Vodafone, TMN e Optimus ainda não podem dar resposta aos pedidos feitos pelos pais de crianças deficientes. Para que o portátil seja funcional para os alunos deficientes é preciso adaptá-lo às deficiências e isso é coisa que o programa e-escolas não faz. Por exemplo, o computador só pode ser útil a um aluno invisual se tiver uma linha de Braille, um OCR (um software que põe o computador a falar e a traduzir Braille) e um scanner (para fazer o processo inverso). E essa adaptação é cara. E é por isso que os pais dos alunos deficientes encontram um muro de silêncio quando telefonam para as empresas fornecedoras de serviços de Internet. Apesar de o primeiro-ministro ter prometido, há um ano, em Viseu, o alargamento do programa e-escolas aos alunos deficientes, essa realidade continua a ser apenas virtual.

Quem for a reuniões sindicais fora da escola não terá as faltas justificadas

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, avisou ontem que, "a partir de agora", os conselhos executivos ou directores de escolas e agrupamentos "não poderão considerar justificadas quaisquer faltas dadas por professores que participem em reuniões sindicais fora dos estabelecimentos de ensino". "Se antes se podia dizer que havia dúvidas e contradições, agora não pode. E quem não cumprir a lei responderá por isso", avisou o governante, que já determinou que seja enviada para todas as escolas a sentença do Supremo Tribunal Administrativo em que é dado provimento a um recurso do Ministério da Educação, naquela matéria.
O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof) Mário Nogueira assegura que o acórdão ontem conhecido só vale para o caso a que se refere. Ou seja, para o das três professoras, hoje reformadas, que em Junho de 2006 faltaram às aulas para participar numa reunião sindical fora da escola e viram as faltas injustificadas pelo presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas da Caranguejeira, Leiria.
Mas Valter Lemos faz outra leitura. Considera que, "se até agora havia, sobre o assunto, decisões contraditórias de tribunais de instâncias inferiores, a sentença do Supremo Tribunal Administrativo , de que não é passível recurso a não ser para o Tribunal Constitucional, passa a ser a referência". "É para isso que existem as várias instâncias", enfatizou, em declarações ao PÚBLICO (página 9).
O secretário de Estado desvalorizou, assim, o facto de em 2007 o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja ter dado provimento a uma providência cautelar interposta por um dos sindicatos da Fenprof. Naquele caso, tratava-se da suspensão da aplicação de um despacho de Valter Lemos que determinava que os conselhos executivos aplicassem a interpretação da lei feita pelos serviços do Ministério da Educação e que coincide com a do Supremo Tribunal Administrativo: as faltas para a participação em reuniões sindicais só são justificadas se realizadas nas respectivas escolas ou agrupamentos.
Com o argumento de que não quer "gerar crises", Valter Lemos não olhará "às decisões entretanto tomadas pelos conselhos executivos", mas sublinha que para futuro "não são admissíveis duas interpretações".