terça-feira, 10 de janeiro de 2017

DGS diz que maus resultados escolares podem ser justificados com saúde mental frágil

A Direção-Geral da Saúde (DGS) acredita que “um sofrimento emocional acentuado” é um novo fator que pode explicar o mau aproveitamento dos jovens na escola.

A conclusão é de um relatório do Programa Nacional de Saúde Escolar, realizado pela DGS em parceria com a Direção-Geral da Educação, que aponta a saúde mental como “o eixo central da intervenção da Saúde Escolar”.

O mesmo estudo revela que “hábitos de sono e repouso, a educação postural e a prevenção de comportamentos aditivos sem substância” são essenciais para a saúde das crianças.

Os maus resultados escolares e este novo fator que os pode ajudar a explicar tem sido já uma das áreas com maior intervenção, existe já uma formação especializada em preparar profissionais para desenvolverem “projetos de promoção da saúde mental, orientados por uma tipologia de competências socioemocionais”, explicou a coordenadora do relatório (...)

Fonte: Ionline por indicação de Livresco

Psicomotricidade na infância em discussão na biblioteca de Olhão

A Biblioteca Municipal José Mariano Gago, em Olhão, é o local escolhido para a realização da palestra subordinada ao tema “Psicomotricidade na Infância – Um Olhar Sobre a Criança”, a decorrer na terça-feira, 17 de janeiro, a partir das 18 horas.

O orador é o psicomotricista Nuno Trindade, numa iniciativa destinada a pais, professores, educadores e público em geral.

Nos tempos que correm, a criança é vista como um ser complexo em constante desenvolvimento, onde as interacções assumem grande importância nas aquisições dos padrões individuais, sociais e de envolvimento.

Desta forma, adianta a organização, “torna-se importante um bom desenvolvimento do ponto de vista psicológico e motor para a harmonização das acções face a diversos contextos, situações e adversidades. É, assim, importante sustentar as aprendizagens psicomotoras, seguindo o processo maturacional inerente a todos os seres humanos, no sentido de promover uma melhor aprendizagem em diversas áreas, tais como as áreas comunicativas, sociais ou académicas”.

O objectivo desta comunicação passa por sensibilizar e consciencializar pais, encarregados de educação, professores, educadores, e outros profissionais nas áreas da educação e saúde, para a importância de um bom desenvolvimento psicomotor nas crianças.

Trata-se de uma iniciativa promovida pela Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve (APATRIS 21) que conta com a colaboração com Biblioteca Municipal de Olhão.

Fonte: Postal.pt por indicação de Livresco

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Delegação de poderes com procedimentos no âmbito da educação especial

Pela publicação do Despacho n.º 488/2017, são subdelegados, com faculdade de subdelegação, na Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares, Mestre Maria Manuela Pinto Soares Pastor Fernandes Arraios Faria, alguns poderes, destacando-se:

f) Autorizar a antecipação ou o adiamento da matrícula no 1.º ciclo do ensino básico, em situações excecionais devidamente fundamentadas, nos termos legais e regulamentares;

j) Decidir sobre os recursos relativos a medidas educativas propostas pela escola, nos termos do n.º 3 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, na sua redação atual;

k) Autorizar a participação de alunos em jornadas, intercâmbios e peditórios levados a efeito no território nacional;

l) Autorizar, em situações excecionais e devidamente fundamentadas, o acesso de alunos, dentro da escolaridade obrigatória, a estabelecimento de Educação Especial das redes privada e solidária, nos termos das Portarias n.os 1102/97 e 1103/97, ambas de 3 de novembro, nas suas redações atuais e demais legislação complementar, devendo as autorizações concedidas ser objeto de relatório a enviar trimestralmente ao Gabinete do Secretário de Estado da Educação;

m) Decidir e autorizar os pedidos relativos a alunos totalmente dependentes que frequentam estabelecimentos de ensino especial, nos termos e para os efeitos do disposto na alínea c) do n.º 2 do artigo 9.º da Portaria n.º 1102/97, de 3 de novembro, devendo as autorizações concedidas ser objeto de relatório a enviar trimestralmente ao Gabinete do Secretário de Estado da Educação.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Menino cego vê pela primeira vez após cirurgia

Até há pouco tempo, Criscent Bwambale fazia parte das 18 milhões de pessoas de países em desenvolvimento com cegueira curável. A cegueira comprometia o futuro do menino mas uma simples cirurgia mudou a sua vida.

Criscent Bwambale, do Uganda, tem apenas seis anos e até há pouco tempo fazia parte das 18 milhões de pessoas de países em desenvolvimento com cegueira curável. As cataratas comprometiam o futuro do menino mas uma simples cirurgia mudou a sua vida. 

Criscent Bwambale vive com sua avó numa casa de barro no Uganda. Em janeiro, a família respondeu ao anúncio de uma equipa médica, apoiada por uma ONG, que convidou as crianças da comunidade a fazerem exame à vista. 

A equipa médica e a ciurgia foram organizadas pela ONG Sightsavers, uma organização que tem como prioridade combater o flagelo da cegueira evitável em todo o mundo. No seu site, a ONG divulgou a comovente "viagem" de Criscent

Criscent nasceu com cataratas nos dois olhos e só conseguia distinguir vagas zonas de luz e escuridão. Através da Sightsavers, o menino foi submetido, com sucesso, a uma cirurgia em ambos os olhos num hospital de Mbarara, no oeste do país.

A cirurgia de Criscent aconteceu mais tarde do que os médicos gostariam. A visão humana deixa de se desenvolver aos 7 anos de idade, por isso as intervenções médicas devem ser prestadas antes desta idade crítica.

Mesmo assim, graças a um acompanhamento médico regular e a um bom par de óculos, Criscent já conseguiu recuperar cerca de 50 por cento da sua visão. 

“Sempre rezei e tive esperança, mas nunca consegui arranjar a ajuda que ele necessitava porque somos demasiado pobres. Com o tempo acabei por aceitar que a sua vida seria marcada pela cegueira.”

"Adquirir visão é um processo", disse o médico Magyezi. "Com os óculos, Criscent vai aprender a usar os olhos e o que vê com eles. Assim poderá interpretar o mundo". 

A Sightsavers é uma organização internacional que trabalha em mais 30 país, sobretudo no continente africano, para curar ou prevenir casos de cegueira.

Apesar de 80% dos casos de cegueira poderem ser evitados, graças à medicina atual, nos países em vias de desenvolvimento, sobretudo na África Subsariana, mais de 50% dos pacientes não recebem tratamento acabando por perder a visão, alerta a Organização Mundial de Saúde.

Fonte: Boas Notícias por indicação de Livresco

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Inclusion Europe: convite para um estagiário de comunicação

A Inclusion Europe está a recrutar um estagiário motivado para se juntar à equipe de comunicação.
O estágio deve começar entre 6 e 13 de fevereiro de 2017 (dependendo da disponibilidade do candidato selecionado).
Esta é uma grande oportunidade para alguém que é apaixonado por comunicações, tem excelentes habilidades de escrita e um interesse em deficiência.
O estágio será pago.
Mais informações podem ser encontradas em página web.
O prazo para apresentação de candidaturas é 12 de janeiro.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Para quem é a escola?

Para quem é a escola? É para os jovens, as crianças e os pais que todos os dias a procuram; para a população adulta que quer saber mais; para os desajustados que desejam ser reconvertidos; para os arrependidos que cobiçam reiniciar um novo ciclo da sua vida; para os que não tiveram oportunidade (porque a vida também sabe ser madrasta) e agora buscam o alimento do sucesso; para a sociedade e para o Estado que já não sabem (e não podem…) viver sem ela e é também para os professores e educadores que são a alma, o sal e o sangue de que se faz o dia-a-dia dessa grande construção colectiva.

A Escola é uma organização muito complexa… É paixão e movimento perpétuo. É atracção e remorso. É liberdade e prisão de sentimentos contraditórios. É mescla de angústias e espontâneas euforias. É confluência e rejeição. É orgulho e acanhamento. É todos e ninguém. É nome e chamamento. É hoje um dar e amanhã um rogar. É promoção e igualdade. É mérito e inveja. É jogo e trabalho. É esforço, suor e emancipação. É convicção e espontaneidade. É responsabilidade e comprometimento com todos os futuros. É passado e é presente. É a chave que abre todas as portas das oportunidades perdidas. É acolhimento, aconchego, colo e terapia. É a estrada do êxito, mas também um percurso inacabado, que nos obriga a voltar lá sempre, num fluxo de eterno retorno.

Porém, também acontece muitas vezes ser o pião das nicas, o bombo da festa, o bode expiatório, sempre e quando a certos políticos dá o jeito, ou lhes apetece.

Sobre a Escola, há políticos que aprenderam a mentir: sabem que ainda não foi inventada qualquer instituição que a possa substituir. Sabem ainda que os professores são os grandes construtores de todos os amanhãs. E, por isso, têm medo. Medo, porque a Escola é das poucas organizações que todos os políticos conhecem bem. Habituaram-se a observá-la por dentro, desde a mais tenra idade. E, por essa razão, sabem-lhe o poder e a fatalidade de não ser dispensável, silenciável, transferível, aposentável, exonerável ou extinguível. Então, dizíamos, têm medo e, sobre ela, mentem.

Mentem sobre a Escola e sobre os professores. Cada vez lhes exigem mais e dizem que fazem menos. E não é verdade.

Em relação à Escola e aos professores, a toda a hora o Estado, a sociedade e as famílias se descartam e para aí passam cada vez mais responsabilidades que não são capazes (ou por comodismo não querem…) assumir. Hoje, a Escola obriga-se a prevenir a toxicodependência, a educar para a cidadania, a formar para o empreendedorismo, a promover uma cultura ecológica e de defesa do meio ambiente, a motivar para a prevenção rodoviária, a transmitir princípios de educação sexual, a desenvolver hábitos alimentares saudáveis, a prevenir a Sida e outras doenças sexualmente transmissíveis, a utilizar as novas tecnologias da comunicação e da informação, a combater a violência, o racismo e o belicismo, a reconhecer as vantagens do multiculturalismo, a impregnar os jovens de valores socialmente relevantes, a prepará-los para enfrentarem com sucesso a globalização e a sociedade do conhecimento, e sabe-se lá mais o quê…

Acham pouco? Então tentem fazer mais e melhor… E, sobretudo, não coloquem a autoestima dos professores abaixo dos tornozelos. É que não há Escola contra a Escola. Não há progresso que se trilhe contra os profissionais da educação. Não há políticas educativas sérias a gosto de birras e conjunturas que alimentam os egos pessoais de alguns políticos. E não há medidas que tenham futuro se não galvanizarem na sua aplicação os principais agentes das mudanças educativas: os educadores e os professores.
 
João Ruivo
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Educação sexual. Como se faz lá fora e com que resultados?

O tema é controverso, já se sabe. Desde que foi introduzida nas escolas portuguesas, a Educação Sexual gera reacções diversas na sociedade civil. Uns concordam, outros discordam. Uns gostariam que os conteúdos ensinados fossem mais longe e envolvessem aspectos sociais, outros acham que mesmo a limitação à biologia já é ir longe demais. Uns gostariam que as crianças tivessem Educação Sexual logo no 1.º ciclo, outros acreditam que antes dos 15 anos é demasiado cedo. É, digamos, um debate cristalizado e que, pontualmente, ressuscita – sem novidades ou novos argumentos. Foi o que aconteceu recentemente face às alterações apresentadas pelo governo (áreas da Educação e da Saúde). Nomeadamente, face a uma alteração em concreto: antecipar o contacto dos alunos com o tema do aborto, trazendo-o para o 2.º ciclo (i.e. para alunos entre os 10 e os 12 anos de idade). No debate público, voltou o braço-de-ferro entre apoiantes e críticos.

Esse braço-de-ferro é, sem dúvida, uma parte importante do debate (e a mais visível), onde se discutem visões sobre o papel do Estado na educação para a sexualidade. Mas é, sublinhe-se, apenas uma parte do debate. Sim, é fundamental discutir o papel do Estado na educação sexual e estabelecer os seus limites. Mas, depois, é igualmente fundamental escolher abordagens, definir idades, orientar os conteúdos, formar os professores. E, claro, colocar o tema em perspectiva: não sendo este debate um exclusivo nacional, como é que fizeram os outros países europeus?

É esta a pergunta que aqui se tenta responder. E ‘tentar’ é a expressão adequada. Porque o primeiro problema em lidar com este assunto numa perspectiva comparada é a constatação de que existe pouca informação para comparar entre países, de que esta nem sempre está actualizada e de que há matérias (como o conteúdo das orientações para a educação sexual) onde a comparação se aparenta inviável. Dito isto, há contudo pistas interessantes que a comparação dos dados disponíveis permite realçar. Tomando consciência dos limites, são essas pistas que aqui se exploram.

A partir de que idade é possível ter e com que idade os alunos têm Educação Sexual?

Quando é que é demasiado cedo? E quando é que fica demasiado tarde? Faz sentido exigir ao Estado que tome essa decisão ou deve confiar-se nas escolas? O timing é tudo e os factores em causa são muitos (maturidade, possibilidade de primeiras experiências sexuais, abordagem pedagógica adequada), pelo que a idade em que a Educação Sexual entra na sala de aula é uma das questões mais debatidas – pelos pais, claro, mas também nas próprias escolas.

Como lidam os países europeus com esse dilema? Os dados falam por si (Tabela 1) e realçam uma curiosa tendência: mesmo quando formalmente a Educação Sexual é possível desde muito cedo (por vezes aos 5/6 anos de idade), as escolas tendem a adiar (até cerca dos 11 anos de idade). Mais: se a idade mínima oficial for igual ou superior a 13 anos, nas escolas também se observa uma tendência para antecipar até aos 11/12 anos de idade). Ou seja, o Estado define um ponto de partida mas confia que as escolas saberão decidir quando iniciar a Educação Sexual. E isso é válido independentemente do limite mínimo fixado pelo Estado. Na prática, vai tudo dar ao mesmo ponto: as escolas tendem a introduzir a Educação Sexual, em média, aos alunos que têm 11 ou 12 anos.

Que designação se atribui à Educação Sexual e que orientações existem?

Na maioria dos casos, o Estado fixa orientações gerais ou conteúdos mínimos para a Educação Sexual. Mas calma. Não está em causa um projecto ideológico, não há programas escolares detalhados ou sequer manuais para adquirir e estudar sobre Educação Sexual. Tal como acontece com a idade, a opção acerca das orientações curriculares é quase sempre a mesma: o Estado define orientações gerais e, depois, confia nas escolas e nos professores para as implementar à medida do que consideram mais adequado para os seus alunos.

Dito isto, é a partir daqui que a coisa complica. Afinal, de que forma entra a educação sexual no currículo e nas salas de aula? Existe, geralmente, a percepção de que a Educação Sexual deve ser transversal no currículo, uma vez que aborda questões que estão relacionadas com diferentes áreas disciplinares. No entanto, no contexto europeu, é pouco comum encontrar situações onde essa transversalidade seja alargada a mais de duas disciplinas. A situação mais comum é a de um enfoque especial nas aulas de Biologia e, complementarmente, numa outra disciplina. Por exemplo, isso é muito claro no caso belga, onde as dimensões relacionadas com o corpo humano estão na disciplina de Biologia e onde as dimensões morais estão nas disciplinas de Ética e de Filosofia. Os exemplos multiplicam-se: de país para país, a complementaridade às aulas de Biologia pode surgir em várias disciplinas – na Holanda é através de uma disciplina chamada ‘Sociedade’, na Estónia através da disciplina de ‘Estudos Humanos’.

Há, por isso, em média, maior enfoque nos aspectos biológicos do que nos aspectos sociais e relacionais da sexualidade. Mas isso não significa que, em alguns países, não se tenha optado deliberadamente por ir para além da biologia e discutir os próprios relacionamentos e os afectos. Por exemplo, na Bélgica a educação sexual é intitulada de “Relacionamentos e Educação Sexual” – o que não será alheio aos escândalos sexuais e pedófilos que o país conheceu. Ou, por exemplo, nos países do leste Europeu, onde está culturalmente enraizado o conceito de planeamento familiar, devidamente reflectido nas orientações às escolas. Inevitavelmente, os contextos nacionais (históricos, culturais, religiosos) têm uma grande influência na forma como a sexualidade é encarada na sociedade e ensinada nas escolas. E esse contexto surge espelhado na própria designação oficial da Educação Sexual. Mas há, igualmente, uma crescente consciencialização de que a sexualidade é mais do que biologia e que a dimensão afectiva deve estar presente (Tabela 2).

Quem dá as aulas de Educação Sexual?

No final de contas, (quase) tudo na educação se pode resumir ao que acontece na sala de aula. Como tal, um dos aspectos mais discutidos sobre a Educação Sexual é quem a deve leccionar. Deve ser um professor designado e preparado para esse efeito? Devem ser vários professores? Deve ser um especialista de saúde? Ou, antes, deve ser uma equipa composta por todos estes? Olhando para os dados (Tabela 3), não parece haver uma resposta certa. Mas há pelo menos duas opções dominantes. Primeiro, não existe qualquer caso onde a Educação Sexual chegue aos alunos exclusivamente através de especialistas de saúde – isto é, sem a participação ou coordenação de um professor. Segundo, o cenário mais comum é, em conjunto, um professor designado e um especialista de saúde serem os responsáveis pela Educação Sexual perante os alunos – assim cumprindo o propósito de uma abordagem partilhada entre as áreas da Educação e da Saúde.

Isto leva-nos à questão que faz toda a diferença: estão os professores escolhidos para dar Educação Sexual preparados para o desafio? É difícil de fazer essa avaliação a nível internacional, uma vez que as realidades na formação de professores variam muito (e a informação sobre o tema em concreto escasseia). Mas, em Portugal, é um facto público que há muito que os professores se queixam de falta de formação no âmbito da Educação Sexual. De resto, num estudo de caso (2015) da implementação da Educação Sexual no Algarve, cujo artigo científico foi publicado em 2015 na Revista Portuguesa de Educação, essa situação emergiu com clareza. Inquiridos sobre a sua experiência com a Educação Sexual, os responsáveis queixam-se do pouco apoio do Ministério, da falta de formação e de experiência e, aliás, evidenciam algum pouco à-vontade com a matéria da Educação Sexual face aos constrangimentos sentidos. Ou seja, pelo menos em Portugal, parece haver um consenso à volta da necessidade de dar aos professores mais instrumentos e mais formação sobre Educação Sexual.

Que evidências existem sobre os resultados da educação sexual?

É comum que os debates marcados por algum activismo de ambos os lados, como acontece com a Educação Sexual nas escolas, sejam preenchidos por argumentos de resultados contraditórios entre si. Não é novidade que, se devidamente torturados, os números dizem-nos o que queremos ouvir. E esse parece ser o mote de ambos os lados da trincheira. Quem defende o alargamento da Educação Sexual nas escolas garante ter evidências dos seus efeitos positivos para o comportamento sexual dos alunos (através da acentuada diminuição dos factores de risco). E quem é contra a Educação Sexual assegura que esta formação tem o efeito negativo nos alunos de acelerar a sua iniciação sexual (e, pela imaturidade, aumentar os factores de risco). Sim, há estudos para todos os gostos. Mas há conclusões predominantes, acerca das quais é possível ter maior confiança sobre a sua fiabilidade.

A primeira dessas conclusões é que há uma relação entre ter apenas informação sobre abstinência sexual e uma menor utilização de contraceptivos. Ou seja, os alunos que, em vez de Educação Sexual com informação sobre contracepção, têm apenas informação acerca de abstinência sexual utilizam menos métodos contraceptivos fiáveis (comparativamente aos alunos que tiveram informação sobre contracepção). Dito de forma simples: o método de informar os jovens apenas sobre abstinência sexual não é tão eficaz quanto outros métodos de Educação Sexual, em termos de prevenção de comportamentos de risco.

A segunda das principais conclusões é que há, em média, uma diferença comportamental entre as raparigas adolescentes que tiveram Educação Sexual na escola e as que não tiveram. As que tiveram exibem uma menor probabilidade de engravidar do que as raparigas que não frequentaram aulas de Educação Sexual. Ou seja, utilizam meios mais eficazes de contracepção. Contudo, a significância dessa diferença (se é mais ou se é menos acentuada) varia bastante em função dos estudos.

A terceira das principais conclusões é que, apesar dos referidos efeitos a curto e médio prazo, a longo prazo não parece haver diferenças significativas entre os alunos que tiveram e os que não tiveram Educação Sexual, em termos de benefícios para a sua saúde. Ou seja, não existe associação de longo prazo entre esta formação nas escolas e uma vida mais saudável.

So what? Três pontos para o debate em Portugal

1. A Educação Sexual está consolidada em quase todos os países europeus e com particular incidência nos jovens a partir dos 11 anos. Independentemente da idade a partir da qual as escolas podem legalmente oferecer Educação Sexual aos alunos, esse parece ser o entendimento das escolas e dos professores sobre o momento adequado para introduzir o tema. Não tendo a Educação Sexual orientações muito rígidas em termos de conteúdo, isso permite aos professores tomar as melhores decisões para os seus alunos em termos de timing, abordagem e conteúdo. Traduzindo: o critério a preservar é o da confiança. Se, enquanto pai, está desconfortável com o tema ou tem dúvidas, nada como levar essas dúvidas aos professores do seu filho. E sem esquecer que é possível falar de temas sensíveis, como o aborto, sem se parecer com a Isabel Moreira ou a Isilda Pegado.

2. A Educação Sexual tem, como finalidade número um, educar para a saúde, para prevenir comportamentos de risco que exponham os jovens a doenças sexualmente transmissíveis ou a situações de gravidez indesejada. Daí que seja grande a tentação de abordar a Educação Sexual de uma perspectiva meramente biológica, neutra e quase mecânica. Será até, do ponto de vista de um professor, a perspectiva mais confortável. Mas talvez, hoje, isso já seja insuficiente e esse possa ser um debate que vale a pena ter: num tempo de exposição constante da intimidade e do sexo na televisão e internet, o que parece faltar aos jovens não é informação sobre a mecânica biológica do sexo ou sobre a contracepção, mas sim sobre os relacionamentos afectivos e a preservação da intimidade. Há, por isso mesmo, países europeus que já deram o passo de integrar a dimensão afectiva e relacional na Educação Sexual – como evidenciam as múltiplas designações que essa formação tem na Europa.

3. O professor é o elemento-chave da Educação Sexual. Sendo um tema delicado, a boa preparação de um professor pode fazer a diferença para melhor – por exemplo, para quebrar receios nos alunos de fazer perguntas e de expor as suas dúvidas. Isto serve para lembrar o óbvio: importa, claro, discutir as orientações para a Educação Sexual, mas importa tanto ou mais proporcionar meios para uma adequada formação dos professores. Se os professores não estão à-vontade com o tema e sentem que lhes falta formação para o abordar com os seus alunos, como reconhecem geralmente os professores portugueses, então aí está um problema. E a sua resolução deve ascender a prioridade.

Alexandre Homem Cristo 

Foi Conselheiro Nacional de Educação e, entre 2012 e 2015, foi assessor parlamentar do CDS na Assembleia da República, no âmbito da Comissão de Educação, Ciência e Cultura. É autor do estudo “Escolas para o Século XXI”, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2013.

Fonte: Observador

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

V Congresso Internacional EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E INOVAÇÃO

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A Pró-Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial vai realizar V Congresso Internacional EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E INOVAÇÃO, em Lisboa, nos dias 6, 7 e 8 de julho de 2017.

Temas: 
1– Organização da Escola e Recursos 
2– Direitos Humanos e Cidadania 
3– Inovação Educacional e Inclusão 
4– A relevância das Lideranças 
5– Políticas Educacionais, Inclusão e Inovação 

Data limite para apresentação de propostas de comunicação: 17 de março de 2017 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Educação especial: três contradições e três conceitos

A leitura da proposta do PCP relativa a um novo regime de educação especial e criação de um Instituto Nacional de Educação Inclusiva, que o PÚBLICO noticiou no passado dia 20 de Dezembro, leva-me a apresentar o seguinte comentário ao que considero serem três contradições e três conceitos desadequados e expresso nessa proposta:

Primeira contradição:
A proposta de criação de um “Instituto de Educação Inclusiva”
A educação inclusiva pressupõe que os serviços educativos se destinem a todos os alunos, para que cada um possa atingir o máximo desenvolvimento escolar e social possível. Ou seja, pressupõe uma perspetiva “centrada nas orientações pedagógicas”, capaz de se adequar da melhor forma às características de cada um.

Em 1979 foi publicada a Lei nº 66 que criava um Instituto de Educação Especial que, nessa época distante, pretendia, de facto, enquadrar de uma forma separada e o que era considerado educação especial. Devido à dificuldade de colaboração entre os diferentes serviços envolvidos, esse Instituto não chegou nessa altura a ser regulamentado e, mais tarde, com o despontar de uma nova orientação educativa denominada como “inclusiva” deixou de ser equacionado.

Propor-se agora, mais de uma década depois do Congresso Mundial de Salamanca em que se proclamou a educação inclusiva como o caminho a seguir, e depois de outras décadas em que em Portugal – como em muitos outros países – se foi prosseguindo nessa direção, o ressuscitar de um Instituto de Educação que se destinaria a encarar de forma separada dos serviços educativos comuns o atendimento dos alunos considerados como tendo necessidades especiais – chamando-lhe “inclusivo” representa, a meu ver, um retrocesso e uma clara contradição.

Segunda contradição:
A subordinação da ação educativa de alunos considerados como tendo Necessidades Educativas Especiais (NEE) a um Instituto de Educação Inclusiva
A proposta que comentamos propõe que caiba a um Instituto de Educação Inclusiva coordenar os Centros de Recursos para a Inclusão e os Gabinetes de Apoio à Inclusão o que consideramos uma medida com conceitos contraditórios.

Para que os “recursos para a inclusão” e os “gabinetes de apoio à Inclusão” possam cumprir a sua missão é indispensável que estejam intimamente ligados, diria mesmo fundidos, com as estruturas e com os profissionais que atuam na educação de todos os alunos: escolas, direções de escolas, direções de turma, professores, auxiliares de educação, e outros agentes que atuem nesta área. Pretender incluir alunos, separando os recursos que lhe são destinados e agrupando-os num organismo próprio, constitui de facto uma segunda contradição.

Terceira contradição:
O Instituto proposto iria “agregar uma série de responsabilidades e competências que hoje estão dispersas pelos Ministérios da Educação, do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social.”

Numa perspetiva inclusiva, cabe aos ministérios acima referidos incluir no âmbito das suas competências as crianças, jovens ou adultos que sejam portadoras de qualquer tipo de necessidade especial e não transferi-los para um organismo específico, intitulado como “inclusivo”. A coordenação entre estes diferentes departamentos deve ser garantida através da respetiva atuação e, para a tornar mais eficaz, foi criado em 1977 o Secretariado Nacional de Reabilitação, atualmente designado Instituto Nacional para Reabilitação. . 

A proposta de “agregação de responsabilidades” no referido Instituto de Educação Inclusiva contradiz assim o conceito de inclusão.

Primeiro conceito desadequado:
Nenhuma dessas turmas poderia ter mais de dois alunos com NEE
A organização das turmas e a colocação de alunos nas mesmas deve competir às entidades gestoras de cada escola em conjunto com o respetivo corpo docente. A característica de cada escola, de cada classe, de cada nível de ensino e, sobretudo de cada aluno, devem ser avaliados pelas pessoas diretamente implicadas e não por orientações externas.

Segundo conceito desadequado:
Proposta de que o programa educativo individual seja dado por uma dupla pedagógica com um professor de turma ou disciplina e um professor de educação especial
A organização do apoio a prestar aos alunos que dele necessitem deve ser equacionado por cada escola e o seu corpo docente, podendo revestir-se de inúmeras formas, dada a diversidade de cada situação. Por esta razão, é desadequado afirmar-se, em geral, qual a melhor estratégia educativa a ser adotada.

Terceiro conceito desadequado:
A categorização dos alunos como condicionante de orientações educativas
O conceito de inclusão veio apresentar uma forte contestação ao que que constituiu ao longo dos anos o suporte-mestre da educação especial: a classificação e categorização dos alunos considerados com deficiência (numa primeira fase) e, em seguida, com NEE.

A difusão em Portugal do documento da Organização Mundial de Saúde intitulado “Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde” (CIF) e a sua aplicação no setor da educação especial tem sido objeto de numerosas críticas por parte de diversas entidades, nomeadamente diversas Escolas Superiores de Educação (ver referências aqui e aqui). No entanto, a proposta que aqui comentamos, considera que a sua atual aplicação unicamente aos casos de alunos com NEE de caráter permanente irá prejudicar o apoio aos que não se enquadrem nesta categoria o que podemos interpretar como o desejo de que venha a ser alargada a mais categorias de alunos, de modo a favorecer a sua inclusão.

Este tema é certamente controverso, mas considero que fomentar e ampliar a aplicação da CIF contraria claramente o conceito de inclusão e constitui uma proposta desadequada.

Ana Maria Bénard da Costa

Fonte: Público

Inclusão 2017 - ​SIMPÓSIOS

A Inclusão é, presentemente, um valor transversal da nossa sociedade. Ainda que a Educação - por força da sua intervenção precoce e exemplar na vida das pessoas - tenha tido um papel de liderança neste processo, o certo é que cada vez mais nos apercebemos que a Inclusão não pode ficar confinada à escola e deve tornar-se um valor transversal e prevalente nas nossas sociedades. 

Este ciclo de simpósios convida palestrantes com uma reflexão feita e de valor no campo da Inclusão, para apresentar e debater as suas ideias. Incluímos temas mais caros à escola - como sendo a Formação de Professores, o Currículo e os Apoios escolares - mas focamos a nosso interesse em outras realidades bem atuais como a dos refugiados e os Direitos Humanos. 

Contamos consigo para estar connosco. Este ciclo de simpósios é organizado na lógica de um "curso livre", isto é a melhor maneira que se pode imaginar de passar um fim de tarde a conviver, a aprender e a trocar ideias. 

Cá os esperamos. Fizemos este ciclo a pensar em cada um dos nossos participantes. 

Até já! 

Simpósios INCLUSÃO 2017 

Auditório 2 do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa 
Das 17h30 às 19h00 

Dia 18 de janeiro – Formação de Professores e Inclusão - António Sampaio da Nóvoa & João Costa 

Dia 15 de fevereiro – O Currículo e a Educação Inclusiva - Maria do Céu Roldão 

Dia 15 de março – Direitos Humanos, Cidadania e Inclusão - Jorge Lacão & David Rodrigues 

Dia 19 de abril – Educação Inclusiva e Refugiados - João Couvaneiro 

Dia 17 de maio – Mudar a escola para ser mais inclusiva - Laborinho Lúcio 


Inscrição gratuita, mas obrigatória em https://goo.gl/forms/79zSSNer5iF0jlZx2

Mais informação disponível no WebSite da Pin-ANDEE http://proandee.weebly.com/