quarta-feira, 8 de junho de 2011

Encontro Superar Barreiras com TIC

As tecnologias são um aliado poderoso da educação. Quando se trata de alunos com Necessidades Educativas Especiais, adquirem ainda maior dimensão ao assumirem-se como a diferença entre o ser espectador e o ser actor no seu processo de aprendizagem. São ferramentas que superam barreiras e promovem o acesso e a participação daqueles que, por algum motivo, não acompanham o normal fluir da aprendizagem. O 1º Encontro Nacional “Superar Barreiras com TIC: Políticas, Ideias e Práticas” pretende reunir vários intervenientes na educação de alunos com Necessidades Educativas Especiais para apresentarem, debateram e demonstrarem como é possível conseguir que estes alunos aprendam mais e melhor com as TIC e as Tecnologias de Apoio a seu lado. Encontrar e difundir boas práticas, mas acima de tudo, contribuir para a modelagem de atitudes e fomentar a pro-actividade na exploração destas ferramentas para a supressão de barreiras na aprendizagem de todos os alunos constitui a ideia base deste 1º Encontro Nacional.

O evento, surge do esforço concertado do Centro de Competência TIC da Universidade de Aveiro e o Laboratório de Conteúdos Digitais, uma das estruturas funcionais do Centro de Investigação de Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) com sede no Departamento de Educação (DE) da Universidade de Aveiro. Estas entidades acreditam no potencial que as TIC possuem no auxílio de alunos com problemas de aprendizagem e pretendem sensibilizar e incrementar o conhecimento sobre estas ferramentas.

O Encontro irá realizar-se no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro, nos dias 17 e 18 de Junho de 2011.
Para mais informações AQUI

“Tiagolas e outras estórias”

“Tiagolas e outras estórias”

Um livro com estórias, os protagonistas são pessoas com deficiência 
“Heróis sem nome”

“Aos pais dos meninos com deficiência, os verdadeiros especialistas das suas crianças, este é o seu livro de bolso. Na estante ficarão os manuais teóricos e guias de orientação práticos, aqui ventilam-se emoções e procuram-se sucessos. A minha mais profunda gratidão por ter feito parte deste projecto de Amor.” Joana Sá Ferreira (Médica, Interna de Psiquiatria do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, Investigadora do Grupo de História e Sociologia da Ciência do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, CEIS20)
- Um livro para a dignidade e para a inclusão das pessoas com deficiência;
- Um livro com os direitos das pessoas com deficiência;
- Um livro para sensibilizar à problemática e à causa da deficiência, nomeadamente da mental e das suas implicações sociais e educativas;
- Um livro para professores e educadores que trabalham com crianças com deficiência.
- Um livro para as pessoas com deficiência e suas famílias.
Os proveitos desta publicação revertem para o projecto de construção de uma residência para deficientes e de um centro de actividades ocupacionais, a construir em terreno cedido pela Câmara Municipal de Coimbra, projecto de candidatura aprovado pelo POPH.

O livro será apresentado ao público no próximo dia 30, em Coimbra.

Contactos:
Manuel Miranda
Urb. Quinta das Relvas, Lt. 17
3045 – 241 – Coimbra
Tel.: 966 617 670
miranda.manel@gmail.com

terça-feira, 7 de junho de 2011

Inclusive Education – Raising the Bar Visita de estudo europeia

Teve lugar entre os dias 2 e 6 de Maio 2011 uma visita de estudo de professores e técnicos de educação europeus, ao abrigo do CEDEFOP, sob o tema da educação inclusiva, acolhida pela DGIDC.
Esta visita de estudo teve como objectivo o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre os participantes europeus e os seus pares portugueses, sendo aqueles provenientes da Alemanha, Noruega, Roménia, Letónia, Hungria, Grécia, República Checa, Polónia, Bélgica, Finlândia, Lituânia e Grã-Bretanha.
O âmbito da visita incidiu sobre a política e medidas de inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais de caráter permanente, integrados no sistema regular de ensino.

O plano de visitas a escolas da zona de Lisboa incluiu o Agrupamento de Escolas José Cardoso Pires, Agrupamento de Escolas de Mafra, Agrupamento de Escolas Quinta de Marrocos, Agrupamento de Escolas Maria Alberta Meneres, Agrupamento de Escolas Matilde Rosa Araújo e ainda a CERCICA, um dos Centros de Recursos para a Inclusão que presta serviços de natureza técnica e terapêutica a escolas da zona de Cascais.
As escolas visitadas organizaram sessões com a intervenção de vários actores da comunidade educativa, isto é, direcções de escola, docentes da educação especial, técnicos especializados, pais, alunos e responsáveis das autarquias. Visitaram-se as instalações dos estabelecimentos de ensino, salas de aula, unidades especializadas de apoio à multideficiência, unidades de ensino estruturado para apoio a alunos com perturbações do espectro do autismo, aulas de alunos surdos e mostra de tecnologias de apoio.
As escolas prepararam com empenho o acolhimento do grupo europeu, tendo envolvido vários elementos nas apresentações e testemunhos sobre as experiências de inclusão dos alunos com NEE, de carácter permanente, criando espaço para esclarecimento e discussão sobre os temas apresentados e proporcionando o diálogo directo informal ao longo das visitas entre os docentes das escolas e os colegas europeus.
Do relatório da visita do grupo europeu traduzimos algumas das impressões registadas por este:
Há evidência de excelentes práticas que, se os países tiverem capacidade financeira e empenho, podem ser disseminadas e adoptadas.
Foi inspirador ter a oportunidade de testemunhar, em contacto directo, a excelente relação entre o Ministério da Educação, os Municípios, o pessoal docente, os assistentes operacionais, os terapeutas, os alunos e as famílias. Considerando que este processo de inclusão generalizado em Portugal data de 2008, constatamos grande progresso num tão curto período de tempo.
In: Boletim da DGIDC n.º 12

Jogos de Portugal Coimbra 2011

Numa iniciativa da Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes, realizam-se, nos dias 10 e 11 de Junho, em Coimbra, os Jogos de Portugal Coimbra 2011.
Os Jogos contarão com a participação de mais de 800 atletas com deficiência, distribuídos por 15 modalidades.
Mais informações no sítio electrónico do evento.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

EPIS ajuda a reduzir abandono em 60 escolas

A associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS) está a promover projectos de parceria com 60 escolas de todo o País, que visam reduzir de forma significativa as taxas de abandono e de insucesso escolares.
Ao longo desta semana, a EPIS promove fóruns regionais de balanço do trabalho desenvolvido. O primeiro, dedicado à Região de Lisboa e Vale do Tejo, teve lugar hoje em Vila Franca de Xira. Seguem-se as áreas da Direcção Regional de Educação do Centro (terça-feira) e do Norte (quarta-feira).
O objectivo, segundo Diogo Simões Pereira, presidente da EPIS, é discutir de forma mais aprofundada as “boas práticas” existentes em várias escolas do país, avaliá-las e disseminá-las.
No fórum realizado esta segunda-feira na Escola Secundária e do 2.º e 3.º ciclos Professor Reynaldo dos Santos foram apresentados casos de estudo como a parceria desenvolvida por escolas do Médio Tejo para a organização de horário dos docentes que facilitem a aprendizagem e o sucesso educativo e o projecto de prevenção e controlo do absentismo escolar promovido na Secundária Fernão Mendes Pinto.
Em foco, estiveram também iniciativas de integração de alunos de etnia cigana, o marketing na afirmação da marca de uma escola e a parceria entre a Secundária Reynaldo dos Santos e a Central de Cervejas para desenvolver a área de comunicação interna.
Diogo Simões Pereira salientou que outro dos grandes objectivos da EPIS é desenvolver projectos-piloto de combate ao abandono escolar em 60 escolas de todo o País, que já têm objectivos definidos até 2013. “Creio que neste aspecto ainda há muito trabalho a fazer. Ainda não se assume o abandono como ele na realidade é. Para nós, se o jovem não vem à escola ou se não está a progredir, isso é uma situação de abandono escolar. É um desafio que ainda tem muito caminho a percorrer”, referiu.
De acordo com um balanço também ontem divulgado, a EPIS está a trabalhar em 88 escolas do País, já acompanhou mais de 6100 alunos desde 2007 e ajudou a criar 1074 novos bons alunos no 3º. Ciclo. Actualmente a associação tem cerca de 170 empresas e empresários associados e desenvolve projectos como o “Todos Bons Alunos”, “Abandono Zero” e “Escolas do Futuro”.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Projecto + aLER

Iniciativa que visa a criação de recursos de leitura para os alunos com Necessidades Educativas Especiais.



A Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), através dos Centros de Recursos TIC (CRTIC) sediados na Região, e em parceria com o Plano Nacional de Leitura (PNL) e o Programa Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE), deu início formal ao Projecto + aLER que visa a criação de recursos de leitura para os alunos com Necessidades Educativas Especiais.
O Projecto surgiu com o ensejo de criar uma cultura de inclusão na comunidade educativa adstrita a cada CRTIC – sob a égide do Ano Internacional do Voluntariado -, constituindo-se como ponto estratégico de acção a capacidade de assegurar a aplicação do PNL nos estabelecimentos de ensino, alargando o número de obras adequadas aos diferentes níveis de leitura dos alunos e à diversidade dos perfis leitores, designadamente dos que não têm acesso aos usuais suportes de leitura, por inibição física, mental ou outra. A transcrição de textos para escrita com símbolos permitirá a criação de uma biblioteca digital dedicada a estes produtos, tendo por base os trabalhos realizados nas escolas.
Como intervenientes nodulares do Projecto estarão os técnicos dos CRTIC, os professores bibliotecários e os alunos voluntários, que, no espaço da Biblioteca Escolar ou dos Centros de Recursos, dinamizarão as actividades que estarão previstas nos respectivos planos de actividades.
Nesta fase inicial, os Agrupamentos que possuem CRTIC nos seis distritos da Região Centro são os seguintes:
Aveiro Agrupamento de Escolas de EixoEscola Básica de Eixo 
Castelo Branco  Agrupamento de Escolas João Roiz   Escola Básica João Roiz
CoimbraAgrupamento de Escolas de Alice Gouveia   Escola Básica Dr.ª Maria Alice Gouveia 
Guarda Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Guarda  Escola Básica de Santa Zita
LeiriaAgrupamento de Escolas Gualdim PaisEscola Básica Gualdim Pais
ViseuAgrupamento de Escolas Grão VascoEscola Básica da Ribeira

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Colóquio - Deficiência e a Transformação Social: fronteiras e futuros

O CES - Centro de Estudos Sociais (Laboratório Associado), Universidade de Coimbra, vai dinamizar, no dia 8 de Junho, entre as 14h00 e as 17h00, o colóquio "Deficiência e a Transição Social: fronteiras e futuros". Este evento decorre no Picoas Plaza, Rua de Viriato 13, CES-Lisboa e Centro de Informação Urbana de Lisboa.


A realidade das pessoas com deficiência em Portugal tem sido dominada por uma abordagem reabilitacional e individualizada da deficiência. Perante os constrangimentos que este quadro de abordagem coloca, afigura-se urgente a consolidação de um questionamento cultural e sociopolítico capaz de confrontar as condições estruturais que obstam a efectivos horizontes de inclusão social.
Contrariamente a outros contextos, onde os Estudos Deficiência se têm configurado como o ‘braço intelectual’ do movimento de pessoas com deficiência, em Portugal esta área de reflexão caracteriza-se pelo seu carácter embrionário e pela desarticulação com o activismo. Um tal quadro — em conjugação com a realidade das condições objectivas de existência das pessoas com deficiência em Portugal — tem coarctado a politização da questão da deficiência em Portugal e, crucialmente, tem impedido o movimento social de pessoas com deficiência de forjar uma política cultural de identidade com impacto mobilizador.
O presente colóquio, consagrado ao tema “Deficiência e a Transformação Social. Fronteiras e Futuros”, integra-se nas iniciativas que irão ser desenvolvidas pelo projecto ‘Da lesão vértebro-medular à inclusão social: a deficiência enquanto desafio pessoal e sociopolítico’, a decorrer no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Procurando articular uma reflexão sobre a sociedade portuguesa com a contribuição de Colin Barnes, renomado activista e académico nos Estudos da Deficiência, propomos uma reflexão em torno da investigação sobre deficiência em Portugal. Quais são as condições presentes para a consolidação de um campo de investigação académico alicerçado na emancipação das pessoas com deficiência? Qual a pertinência e actualidade do modelo social da deficiência no contexto português? Estas são algumas das questões a que procuramos responder num debate alargado em que contaremos com a voz das pessoas deficiência, com as organizações que as representam, com investigadores a fazer trabalho na área, com profissionais de reabilitação e com o público em geral.

Programa

  • 14h15 – Abertura | Pedro Hespanha (CES/FEUC)
  • 14h30 – "Deficiência e emancipação social: o lugar da investigação científica", Aleksandra Berg (CES), Bruno Sena Martins (CES) e Fernando Fontes (University of Leeds/ CES)
  • 15h00 – Comentário | Paula Pinto (CAPP/ISCSP Universidade Técnica de Lisboa)
  • 15h10 – Comentário | Isabel Freitas (Númena, Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas)
  • 15h20 – Debate
  • 15h35 – Pausa para café
  • 16h00 – "The Social Model of Disability and its impact on our Understanding of Disablement in the UK and Beyond", Colin Barnes (Centre for Disability Studies, University of Leeds)
  • 16h30 – Comentário | Humberto Santos (Associação Portuguesa de Deficientes)
  • 16h40 – Comentário | José Arruda (Associação dos Deficientes das Forças Armadas)
  • 16h50 – Debate | Moderação: Adalberto Fernandes (Instituto Nacional da Reabilitação)
NOTA: O colóquio decorre em instalações acessíveis a cidadãos com deficiência. Existirá intérprete de Língua Gestual, assim como tradução simultânea. A entrada é livre.

Contactos:

Colégio de São Jerónimo, Apartado 3087 3001-401 Coimbra | Tel.: 239 855 570 | Fax: 239 855 589 | E-mail: aleksandraewaberg@gmail.com | Sítio web: http://ces.uc.pt
In: Rede Solidária

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Encontro Tecnologias na Educação Especial

Os docentes de Educação Especial do Agrupamento de Escolas de Santa Iria, em Tomar, vão realizar, no próximo dia 30 de junho, o primeiro encontro sobre tecnologias e educação especial.
O evento decorre no Auditório da Biblioteca Municipal de Tomar, entre as 10:00 e as 15:30.
Este evento tem o apoio do Cnotinfor. Está prevista uma comunicação sobre “Tecnologia e Inclusão na Educação Especial“.
Nessa comunicação dará dado destaque à utilização dos Símbolos para a Literacia da Widgit (SLW), como um valioso auxiliar na Comunicação Aumentativa e Alternativa, na dislexia e na aprendizagem em geral.
Os mais de 10.000 símbolos SLW foram estudados durante vários anos com o objetivo de atender a públicos muito diversificados.

Alunos do 2.º ano fazem testes intermédios para detetar dificuldades

Os alunos do 2.º ano vão realizar, na sexta-feira, um teste intermédio de Língua Portuguesa e na próxima semana um teste de Matemática. Apesar de os testes serem facultativos, aderiram cerca de 80% das escolas.

De acordo com o Ministério da Educação (ME), aderiram à iniciativa 793 escolas e agrupamentos. "Este nível de adesão abrange cerca de 80% do universo de alunos a frequentar o 1.º ciclo", contou à Lusa fonte do gabinete de imprensa do Ministério.

A finalidade principal dos testes é fazer um diagnóstico precoce das dificuldades dos alunos: "Os resultados contribuem para uma intervenção pedagógica e didática mais eficaz no 3.º e 4.º anos de escolaridade, podendo ser uma importante ferramenta na prevenção do insucesso no final do 1.º ciclo do Ensino Básico", sublinhou o Ministério de Educação em resposta escrita enviada para a agência Lusa.

Na sexta-feira os alunos do 2.º ano realizam o teste intermédio de Língua Portuguesa e na próxima quarta-feira fazem o de Matemática. Os testes, com a duração de 90 minutos, estão divididos em duas partes de 45 minutos cada, estando prevista uma pausa de meia hora entre as duas partes.

O resultado dos testes intermédios será partilhado com os encarregados de educação e deverá "contribuir para a preparação do ano letivo 2011/2012, dado que os resultados permitirão orientar e regular as aprendizagens dos alunos", explicou o ME.

Esta semana, os encarregados de educação começaram a receber informações das escolas sobre o material que as crianças devem ter no dia do teste. Os alunos do Agrupamento de Escolas Roque Gameiro, na Amadora, receberam uma "informação" dizendo que tinham de levar para a escola "caneta ou esferográfica, azul ou preta; lápis, borracha; régua graduada; seis lápis de cor (azul, verde, castanha, amarelo e duas outras cores).
In: Educare

terça-feira, 31 de maio de 2011

Os professores funcionam como uma "bateria viciada"

Durante duas semanas, no ano letivo passado, 100 professores do pré-escolar ao Ensino Secundário foram seguidos atentamente. Maria Alexandra Costa, professora do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), acompanhou os docentes e colocou-lhes várias questões em duas fases, ou seja, antes do início de mais uma jornada de trabalho e depois das portas da escola se fecharem. Na tese de doutoramento "Há vida para lá do trabalho - A relação entre a recuperação de recursos e o desempenho no trabalho", a investigadora analisou um grupo profissional com elevados níveis de stress e concluiu que os docentes não conseguem desligar o botão quando chegam a casa. 

A pesquisa revela que os docentes não conseguem recarregar baterias quando acaba um dia de trabalho, funcionando, por isso, como "uma bateria viciada". "A partir do momento em que têm níveis de stress muito altos, não conseguem recuperar de forma a não sentirem stress no dia a dia", refere a investigadora ao EDUCARE.PT. Quando o dia acaba e a porta de casa se abre, há muitos professores que têm aulas para preparar, testes para corrigir ou precisam de ajudar os filhos nos trabalhos para a escola. Nestas condições, é complicado interromper a rotina, desligar o interruptor e relaxar antes de ir para a cama. "Torna-se mais complicado, parece que o professor está sempre a trabalhar porque recorre a recursos semelhantes aos que usa no trabalho." 

E se, à partida, a segunda-feira poderia ser o dia mais relaxante, depois de um fim de semana para descansar o corpo e a cabeça, o estudo da docente do ISEP indica que o primeiro dia da semana é o mais complicado para quem tem de ensinar. Sexta-feira é o dia em que os professores começam a distanciar-se psicologicamente do trabalho, aplicando-se o efeito de contaminação de fim de semana, à segunda-feira é o momento de enfrentarem mais uma semana de aulas. "É ao fim de semana que mais recuperaram, que se sentem mais em forma, mas quando regressam ao trabalho, o confronto com a realidade parece provocar uma sensação de desgaste maior", afirma. 

Maria Alexandra Costa partiu da teoria da recuperação de recursos - cognitivos, psicológicos e emocionais - para tentar perceber se os professores conseguiam recarregar baterias nos tempos de lazer. A maioria não consegue encher o balão de oxigénio, descarregar todo o stress, recuperar em atividades que lhes permitam respirar tranquilamente. "Há três processos que têm impacto nesse carregamento de baterias: a capacidade de se envolverem em atividades que lhes permitam afastar-se psicologicamente do trabalho, o relaxamento e o sono", explica. 

"Apesar de os professores terem uma grande necessidade de recarregar baterias, até porque têm um desgaste muito grande ao longo do dia, têm uma inabilidade para o fazer", sustenta. Por isso, a investigadora defende que cada professor deve encontrar a sua própria forma de relaxamento que pode passar por praticar ioga ou um desporto, frequentar um workshop de teatro ou de dança, ir ao cinema, meditar. A escolha é de cada um. O processo de relaxamento de uma pessoa pode ser completamente diferente de outra. 

As escolas também podem dar uma ajuda neste processo. "As salas de professores são tudo menos espaços de relaxamento", observa. Portanto, a docente sugere que os responsáveis educativos se debrucem sobre o que pode ser feito para que os docentes consigam relaxar, nem que seja por alguns momentos, dentro do recinto escolar. Como, por exemplo, criar condições para que os professores façam todas as tarefas relacionadas com o ensino na escola, de forma a definir fronteiras entre a vida profissional e a vida privada. Em seu entender, a própria organização escolar podia incentivar os docentes a envolver-se em atividades que promovam relaxamento e bem-estar e assim criar clubes de leitura, classes de ginástica, sessões de relaxamento, tertúlias, entre outras. E para que o desempenho seja o melhor possível, o período antes do início das aulas deve ser o mais relaxante possível, com uma sala de professores simpática e, se possível, com música ambiente. 

"O que as pessoas fazem nos seus tempos livres tem impacto naquilo que é o seu trabalho", reforça a investigadora. O sono também faz milagres e naturalmente influencia o estado de recuperação matinal que, por sua vez, se reflete no desempenho ao longo do dia. "O efeito do sono, a quantidade e qualidade desse descanso, tem um impacto muito grande na recuperação." 
Sara R. Oliveira