domingo, 7 de abril de 2013

Pedido de colaboração

Na sequência da tese de mestrado "Ver através da cegueira: avaliação da implementação das TIC nas escolas de referência para a educação de alunos cegos e com baixa visão" solicita-se a colaboração dos docentes que lecionem no presente ano letivo 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário a alunos cegos e com baixa visão em escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão, no preenchimento do seguinte questionário:

Código de acesso: 6q9iap (o código apenas serve para acederem ao questionário)

Se preenchem os requisitos para colaborar nesta parte da investigação e ainda não o tenham feito, solicita-se que preencham o questionário e acima de tudo, reencaminhem para quem conhecem que o possa fazer também.

Serão cerca de 20 minutos despendidos por uma boa causa... 

Sara Ramos

sexta-feira, 5 de abril de 2013

III Congresso Internacional "Educação Inclusiva e Equidade"

Encontram abertas as inscrições para o III Congresso Internacional “Educação Inclusiva e Equidade”, promovido pela Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial - Portugal. 
O Congresso realiza-se nos dias 31 de outubro, 1 e 2 de novembro de 2013 na Aula Magna do Instituto Piaget de Almada (Lisboa/Portugal), e a submissão de propostas de comunicação/poster's encontra-se aberta até dia 29 de julho de 2013.
Na página web http://proandee.weebly.com/ ou no blogue oficial do congresso http://congressospinandee.blogspot.pt/ estão disponíveis informações detalhadas sobre os objetivos, áreas temáticas, modalidades de participação, inscrição, prazos de envio de proposta (resumo) e texto completo. Se pretender efectuar a Submissão de Comunicações / Poster's para o III Congresso Internacional Educação Inclusiva e Equidade clique no link: Submissão de Trabalhos. 
Se for solicitado o nome de utilizador e password, por favor utilize os seguintes dados:
Utilizador: Congresso2013
Password: congresso
Qualquer informação e esclarecimento podem ser prestados através do e-mail: congressospinandee@gmail.com

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Resolução da Assembleia da República n.º 39/2013 - Uso da expressão "Direitos Humanos"

A Assembleia da República, através da Resolução n.º 39/2013, resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo e apelar, dirigindo -se a entidades públicas e privadas, a que doravante, sem prejuízo da utilização da expressão redutora para reportar a documentos do paradigma da exclusão:
a) Na produção de documentos oficiais, bem como em sede de revisão dos mesmos já em vigor ou futuros, seja substituída a expressão «Direitos do Homem» pela expressão «Direitos Humanos»;
b) No exercício de funções na titularidade de cargos em órgãos de soberania, das regiões autónomas e das autarquias locais, bem como no exercício de funções públicas de qualquer natureza e independentemente da natureza do vínculo, seja utilizada a expressão «Direitos Humanos» em substituição da expressão «Direitos do Homem»;
c) Na produção de documentos particulares, e nomeadamente em manuais escolares e académicos, bem como nos textos para publicação e divulgação, seja substituída progressivamente a expressão «Direitos do Homem» pela expressão «Direitos Humanos»;
d) Na oralidade, sobretudo no âmbito de ações de formação e de ensino, seja utilizada a expressão «Direitos Humanos» ao invés da expressão «Direitos do Homem».

Parlamento Europeu abre estágios para pessoas com deficiência

Até ao dia 15 de maio, os cidadãos europeus com deficiência podem candidatar-se a estágios de cinco meses no Parlamento Europeu.
Estão abertas as candidaturas para a 11.ª edição do Programa de Estágios Remunerados para pessoas com deficiência no Parlamento Europeu. As vagas são divididas entre Bruxelas e o Luxemburgo.
Os estágios, com cinco meses de duração, são dirigidos a cidadãos nacionais de Estados-membros, com formação universitária ou não, que tenham completado 18 anos até à data de início do estágio, agendada para 1 de outubro deste ano.
Os profissionais terão direito a uma bolsa mensal (cerca de 1200 euros), um subsídio adicional relacionado com a doença, re-embolso das despesas de deslocação no início e no fim do estágio e um seguro de saúde.
O Parlamento Europeu pretende contribuir, desta forma, para a inserção dos cidadãos portadores de deficiência no mercado de trabalho, proporcionando uma experiência profissional única que valoriza o currículo dos participantes.
In: Visão

Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental

A Portaria n.º 139/2013 estabelece a forma de intervenção, organização e funcionamento dos Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental. Este centro, designado por CAFAP, é um serviço de apoio especializado às famílias com crianças e jovens, vocacionado para a prevenção e reparação de situações de risco psicossocial mediante o desenvolvimento de competências parentais, pessoais e sociais das famílias.
O CAFAP visa a prossecução dos seguintes objetivos:
a) Prevenir situações de risco e de perigo através da promoção do exercício de uma parentalidade positiva;
b) Avaliar as dinâmicas de risco e proteção das famílias e as possibilidades de mudança;
c) Desenvolver competências parentais, pessoais e sociais que permitam a melhoria do desempenho da função parental;
d) Capacitar as famílias promovendo e reforçando dinâmicas relacionais de qualidade e rotinas quotidianas;
e) Potenciar a melhoria das interações familiares;
f) Atenuar a influência de fatores de risco nas famílias, prevenindo situações de separação das crianças e jovens do seu meio natural de vida;
g) Aumentar a capacidade de resiliência familiar e individual;
h) Favorecer a reintegração da criança ou do jovem em meio familiar;
i) Reforçar a qualidade das relações da família com a comunidade, bem como identificar recursos e respetivas formas de acesso.
Beneficiam do apoio prestado pelo CAFAP as famílias em risco psicossocial, designadamente, quando:
a) A situação de risco requeira uma intervenção, em tempo útil, que evite a declaração de perigo e a retirada da criança ou do jovem;
b) A avaliação do risco assinale a inadequação das dinâmicas relacionais e práticas formativas e educativas da família com consequências negativas para o bem-estar e desenvolvimento da criança ou jovem;
c) A aplicação de medida de promoção e proteção em meio natural de vida designadamente, medida de apoio junto dos pais, apoio junto de outro familiar e confiança a pessoa idónea, exija uma intervenção especializada junto da família;
d) A situação familiar tenha levado à aplicação de medida de promoção e proteção de colocação da criança ou do jovem em família de acolhimento ou em instituição;
e) O apoio especializado à família haja sido recomendado complementarmente a uma intervenção de natureza psicossocial ou terapêutica;
f) O contrato celebrado no âmbito do Rendimento Social de Inserção preveja uma intervenção especializada junto da família.
Considera-se em risco psicossocial, a família em que, por diversos fatores de natureza pessoal, relacional e ou ambiental, os responsáveis pela criança ou jovem ajam de forma inadequada no que respeita ao exercício das funções parentais, prejudicando ou pondo em perigo o desenvolvimento integral da criança ou do jovem.
O CAFAP pode, ainda, prestar apoio em situações de conflito ou rutura familiar que ponham em causa o bem-estar e o convívio familiar das crianças ou jovens.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Crianças com puberdade precoce tendem a ter mais problemas mentais

O estudo assinala que as crianças com puberdade precoce avançam muito menos “em termos do seu mundo emocional” que as outras da mesma idade, indicou George Patton, um dos investigadores.
Além disso, têm uma maior taxa de problemas mentais, sobretudo as raparigas que atingem a puberdade entre os oito e os nove anos, adiantou.
A investigação revelou ainda que rapazes e raparigas com puberdade precoce têm os mesmos problemas psicossociais, mas que os primeiros têm também mais problemas de comportamento que os seus pares.
Os problemas sociais, emocionais e de conduta são comuns durante a puberdade e incluem a ansiedade, a depressão, a agressividade e a tendência para o abuso de substâncias psicoativas.
Em caso de puberdade precoce a vulnerabilidade aquele tipo de problemas é antecipada, segundo o estudo realizado entre 3.500 menores australianos.
Dados históricos indicam que a idade média do início da puberdade nas mulheres passou dos 17 para os 13 anos entre 1830 e 1960, uma variação que os especialistas atribuem a uma melhor nutrição e a um índice de massa corporal mais elevado.
No entanto, desde 1960 já se registou outra queda, disse George Patton, defendendo que as crianças com puberdade precoce necessitam de maior ajuda para ultrapassarem este período difícil das suas vidas.

Abertura de candidaturas ao ensino vocacional no ensino básico

O Despacho n.º 4653/2013 procede à abertura de apresentação de candidatura à sua integração na experiência-piloto da oferta formativa de cursos vocacionais no ensino básico para o ano letivo de 2013-201. As candidaturas poderão submeter o seu projeto técnico-pedagógico junto da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares a partir da data da entrada em vigor do presente despacho e por um período que decorrerá até ao final do mês de junho.

O projeto técnico-pedagógico a apresentar nos termos previstos no número anterior deve conter os seguintes elementos:
a) Enquadramento geral do projeto;
b) Áreas vocacionais;
c) Matriz curricular;
d) Recursos humanos;
e) Recursos físicos existentes;
f) Envolvência da comunidade empresarial ou comercial local (entidades parceiras);
g) Previsão dos custos do projeto.
Para consultar o diploma do projeto-piloto, aqui.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Monumentos iluminam-se de azul em apoio a autistas

No Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, vários monumentos no mundo inteiro vão "vestir-se" de azul para alertar as populações para um distúrbio neurobiológico, que se estima afetar cerca de 67 milhões de pessoas, fazendo que seja mais comum em certos países do que o cancro, a diabetes e o VIH juntos.
Além de ícones mundiais como o Empire State Building, nos Estados Unidos, ou as Cataratas do Niágara serem iluminados de azul, também em Portugal locais como o Cristo Rei, em Almada, ou o Estádio do Dragão, no Porto, vão estar iluminados com essa cor.
Segundo a associação Vencer o Autismo, esta ação ajuda a desenvolver e aumentar o conhecimento sobre o autismo e fornecer mais informação sobre a importância do diagnóstico e intervenção precoce.
Mais de 30 autarquias do país juntaram-se à Federação Portuguesa de Autismo (FPDA) e aderiram à campanha mundial "Acendam a Luz Azul".
A FPDA e as suas 13 associações federadas irão promover sessões, seminários e outros eventos
A Tuna de Engenharia da Universidade do Porto (TEUP), em conjunto com a Associação Vencer o Autismo, também se associou ao movimento, organizando o evento "Dia Azul na FEUP", na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e o IV Encontro Solidário de Tunas, cujas receitas revertem na totalidade para a associação.
Em 18 de dezembro de 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou o dia 2 de abril como Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.
O autismo é uma perturbação neurobiológica complexa que afeta a comunicação, o comportamento e as relações sociais, afeta uma criança em 110 nos Estados Unidos (Center of Disease Central 2009), cinco rapazes para uma rapariga.
O autismo não está ligado a nenhum grupo social, cultural ou geográfico.
In: DN

segunda-feira, 1 de abril de 2013

As famílias especiais e com necessidades especiais

A Madalena tem 14 anos e é irmã do Miguel com 15 anos que tem défice cognitivo e necessidades educativas especiais. Estão numa fase de transição das suas vidas, agora que se irão separar no dia-a-dia. Até aqui frequentavam o mesmo estabelecimento de ensino, agora o irmão vai passar a integrar uma escola de ensino especial, mais adaptada e vocacionada às suas necessidades. A Madalena parece viver esta mudança com ambivalência...

“Eu sempre achei que o Miguel devia estar numa escola especial, mais preparada para desenvolver as suas capacidades... mas agora... não sei... como é que ele vai estar nos recreios sozinho... sem mim... Às vezes eu defendia-o, porque ele se humilhava a si próprio. Nunca suportei que gozassem com ele (chora)... Era como se gozassem comigo também... Mas depois quando ele ia ter com os meus colegas também me irritava porque ele chateava-os! Mas também não conseguia mandá-lo embora...Eu adoro o meu irmão... Ele é só... diferente...”

Viver e crescer numa família onde uma das crianças tem características que a diferencia das outras – seja uma doença, um défice cognitivo ou deficiência física – será um caminho que trará a todos desafios e recompensas. Irmãos e pais serão chamados a adaptar-se e ajustar-se a uma nova forma de vida, ou pelo menos, uma vida diferente da das famílias comuns.

Sabemos que estas são famílias com exigências particulares a vários níveis: ao nível das rotinas, pelos tratamentos ou dedicação às necessidades do filho diferente; ao nível financeiro, com despesas tantas vezes acrescidas por esta condição; ao nível das limitações das actividades sociais, pela impossibilidade de frequentarem certas atividades em conjunto; ao nível do constrangimento de tempo para os outros filhos; e ao nível do cansaço ou exaustão física e emocional que estes pais sentem muitas vezes, tornando-os emocionalmente mais vulneráveis ou menos disponíveis.

Também sabemos que nesta forma de vida, os irmãos saudáveis desenvolvem um sentimento de proteção e responsabilidade, face a múltiplos aspetos da vida do irmão diferente. Este facto não deverá ser olhado apenas com medo ou receio de ser um fardo demasiado pesado. Os irmãos de alguém que é diferente são geralmente mais tolerantes e respeitadores da diferença do outro, tendo um maior sentido de justiça social, uma maturidade superior pelos desafios do seu dia-a-dia, aumentando-lhes assim a compreensão das prioridades. E, sobretudo, por aprenderem e aceitarem que servir os outros faz parte da vida!

Ao longo do crescimento da família, os pais deverão estar atentos e permitir que os filhos “saudáveis” exprimam como sentem e vivem esta experiência, para que no fundo possam ter expectativas realistas acerca do impacto que esta condição tem na família.

Não falar, permite que se instalem vazios aos quais os filhos reagem de forma muito diferente, consoante a sua personalidade. Uns, mais inibidos, adotam muitas vezes atitudes de maior isolamento ou retraímento dentro da família, assumindo um papel quase ausente. Outros, mais extrovertidos, passam a agir através da agitação motora ou verborreia, por forma a ocupar este espaço de vazio ou de não ditos, encarnando o papel de “animadores” da família. Em ambos os casos, poderá ser um fardo demasiado pesado para carregar, e qualquer um dos papéis, terá custos grandes, que a todo o momento se poderão tornar evidentes, através de sintomas ou alterações de comportamento reveladores deste sofrimento e mal-estar.

Enquanto pais, ter presente a importância de estar atentos à tendência natural de “colocar” no filho saudável, as exigências ou expectativas que sabem não poder realizar com o filho “diferente”. Isto sim, poderá representar um grande peso!

Comportamentos que os filhos saudáveis apresentam, que apenas caraterizam as várias etapas do desenvolvimento, são muitas vezes sentidos por estes pais, como uma ameaça maior. Como se estes comportamentos comprometessem o alcançar da “perfeição” tão desejada ou projetada no filho saudável. Ter a capacidade de ir deixando este filho poder Ser, mais ou menos como É, ao longo da sua vida, irá contribuir para a afirmação da sua individualidade e autonomia.

Sabemos que neste contexto, esta é uma luta mais difícil de ser travada, quando alguém sabe que nunca poderá competir com a diferença do irmão. Por outro lado, também evitará maiores explosões de afirmação em fases de maior fragilidade, como por exemplo, a da adolescência. Nesta fase, poderá sair tudo aquilo que foi “calado” ou inibido até aqui, porque não lhe foi permitido ou porque este irmão tem geralmente a tendência de não querer ameaçar o equilíbrio e estabilidade familiar.

Socialmente, os irmãos saudáveis têm muitas vezes que assistir e suportar “agressões” ao irmão por parte dos pares ou da sociedade. Estes são momentos geradores de sentimentos de forte injustiça e impotência, pela sensação de que nunca o poderão proteger de tudo. Estes sentimentos são muitas vezes calados ou mantidos à margem dos pais, exatamente com um sentido de proteção, por saberem o quanto este é um tema que os preocupa e aflige, e que também lhes desperta os mesmos sentimentos.

As zangas ou momentos de agressividade que fazem parte do dia-a-dia e da construção da relação de irmãos, bem como de qualquer outra relação, são frequentemente sentidos pelos pais, como uma ameaça à estabilidade da relação e do amor entre irmãos. Nestes momentos, os pais confrontam-se com a sua finitude, bem como com a perspetiva futura de que os irmãos saudáveis serão os herdeiros do cuidar do irmão diferente.

Ter um irmão diferente é uma experiência que sabemos exigente e nem sempre fácil, tal como para os pais também é difícil terem que se adaptar a filhos com caraterísticas e necessidades tão distintas. Aqui há desafios acrescidos à parentalidade! Os filhos saudáveis precisam sobretudo, em alguns momentos, de serem olhados com fragilidade e vulnerabilidade, para que sintam que estas características também lhes podem ser devidas, sempre que precisarem de as manifestar.

A saúde mental de uma família começa obrigatoriamente na saúde mental dos pais – a capacidade que tiverem para preservar o seu espaço de casal; a aprendizagem de que a diferença do filho não pode, nem deve ocupar todo o espaço da vida da família – revela-se fundamental no ajustamento e adaptação daqueles que vivem com alguém com necessidades especiais. Acreditando sempre, que todos vão naturalmente encontrando o seu espaço de poder Ser Diferente na Família!

Sofia Nunes Silva é psicóloga clínica e terapeuta familiar.

O que faz falhar um aluno?

Câmara de Odemira receia que o abandono escolar se agrave com o alargamento da escolaridade obrigatória para o 12.º ano.

A partir do próximo ano letivo, a Câmara Municipal de Odemira (CMO) vai fazer o que o Ministério da Educação e Ciência alega ainda não ter conseguido: seguir o trajeto individual de cada aluno, desde a sua entrada no sistema educativo. Estes dados têm sido considerados essenciais pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico para avaliar qual a real contribuição das escolas para o progresso dos alunos, independentemente da origem socioeconómica e da situação familiar destes.

Em parceria com a PT, a CMO está a construir uma "ferramenta eletrónica" que permita trabalhar a informação que atualmente é enviada pelas escolas ao MEC, contou (...) o vereador da Educação, Hélder Guerreiro. "O que no nosso entendimento tem faltado é a ferramenta que permita uma integração desta informação, a sua atualização e, essencialmente, o tratamento e disponibilização de dados".

Apesar de as escolas enviarem para o ministério informação sobre cada um dos seus alunos, aquela continua a ser difícil de utilizar por existirem diferentes plataformas, variando em cada uma tanto o código individual do estudante como o da escola. O MEC já indicou que está a trabalhar para a sua integração, Odemira, pelos vistos, irá dar o exemplo.

Entre o pré-escolar e o ensino secundário, estão matriculados naquele concelho cerca de 3600 alunos, metade dos quais nos 2.º e 3.º ciclos. A monitorização do seu percurso será um dos objetivos centrais do recém-criado Observatório das Política Educativas do Concelho de Odemira (OPECO). Para a sua concretização, a câmara tem contado com a colaboração dos diretores das escolas ali existentes (cinco agrupamentos, que abrangem cerca de 50 estabelecimentos de ensino, três secundárias e uma profissional).

Com a nova ferramenta eletrónica será possível não só uma gestão deste setor "mais eficaz e transparente", afirma, como também a obtenção de respostas sobre as razões que levaram a que ainda não tenham atingido as metas definidas para a redução do insucesso e abandono escolar no concelho, um fenómeno que, alerta, "tenderá a agravar-se com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano".

Segundo o INE, em Odemira a taxa de retenção e desistência no básico era, em 2010/2011, de 9,2% - superior em quase dois pontos percentuais à média nacional. Dois anos antes, estava nos 12,4%, mas a meta fixada era a de a reduzir em 50% até 2011.

Hélder Guerreiro aponta alguns exemplos de respostas que esperam vir a obter com a monitorização do percurso escolar dos estudantes. Perceber "se a variável distância/tempo casa-escola influencia e como o (in)sucesso dos alunos" - Odemira é o maior concelho do país, estendendo-se por 1719 km2 - ou se a frequência de Inglês nas Atividades Extracurriculares do 1.º ciclo tem ou não influência no desempenho nesta disciplina nos 2.º e 3.º ciclos, bem como detetar se serão necessários investimentos específicos para ultrapassar debilidades registadas no início do percurso escolar e que poderão ditar uma reprovação em ciclos seguintes.

A base de dados será alimentada por estes responsáveis, pela autarquia e pelos próprios alunos, uma vez que, acrescenta Guerreiro, o município pretende seguir também os estudantes de Odemira que frequentam o superior. Não só para permitir um olhar completo sobre o percurso escolar, mas também para incentivar o seu regresso ao concelho após o fim dos estudos, pela "manutenção de um vínculo" à sua terra de origem e pela prestação de apoios.

Para já, a câmara e a escola já definiram o perfil do aluno à saída do 12.º ano para o qual devem trabalhar. A fasquia é alta: querem "cidadãos informados, autónomos,responsáveis, empreendedores, com elevada consciência e participação cívica". Entre as apostas selecionadas para o efeito figuram a promoção das ciências experimentais e da área de expressões artísticas em todos os níveis de ensino.
Por Clara Viana