domingo, 9 de maio de 2010

Deficientes à beira de ter bairro especial


A lavandaria e as estufas já trabalham, com 27 trabalhadores, 15 dos quais deficientes. Ao lado, as 12 residências autónomas esperam habitantes, também eles "diferentes". As novas obras do MAPADI, em Terroso, Póvoa de Varzim, foram, ontem, inauguradas.
O projecto em Terroso, que se estende por uma área de 35 mil metros quadrados, foi "um sonho" e começou "a medo": hoje, a lavandaria já trata 200 quilos de roupa por dia de restaurantes e lares da região e, nas estufas, as rosas e as alfaces são vendidas para fora. "O homem sonha e o mundo avança", frisou Aparício Quintas, o "pai" do MAPADI (Movimento de Apoio de Pais e Amigos ao Diminuído Intelectual), que dirige há 33 anos, sempre com um mesmo objectivo: ajudar deficientes de famílias carenciadas a ter melhores condições de vida e, se possível, integrá-los no mercado de trabalho.
No Centro de Emprego Protegido (CEP) foram investidos 750 mil euros, 70% dos quais financiados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e, 100 mil euros, pela Câmara da Póvoa.
Já quase prontas estão ainda as residências autónomas, cada uma com um quarto, uma sala, uma pequena cozinha e uma casa de banho, num dos poucos projectos do género existentes em Portugal, a receber deficientes com autonomia suficiente para residirem sozinhos, com a privacidade de uma casa particular, mas em "comunidade fechada", com refeitório, a assistência médica e de enfermagem e fisioterapia conjuntos.
Cada casa poderá albergar duas pessoas, sejam casais ou familiares. O complexo custou 850 mil euros e foi cofinanciado pelo programa PARES.
"Desde 2004, passamos de 15 mil lugares para pessoas com deficiência para mais de 22 mil", referiu a ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, que inaugurou os novos equipamentos do MAPADI, acrescentando que em acordos de cooperação, só em 2009, foram empregues cerca de 1,1 milhões de euros.
Helena André mostrou-se satisfeita com os postos de trabalho criados, numa instituição que entre a formação, actividades ocupacionais, lar e CEP dá apoio a 240 deficientes.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Rastreio gratuito de terapia da fala

Em todos os jardins de infância do distrito de Bragança e do concelho de Foz Côa realizou-se desde há 3 anos o rastreio da terapia da fala. A iniciativa é do agrupamento de centros de saúde do Nordeste, e envolve todas as crianças, com mais de 5 anos. (...)
Este rastreio de terapia da fala é uma iniciativa inédita realiza-se há 3 anos com as crinaças dos três concelhos que fazem parte do agrupamento de centros de saúde do Nordeste. Todas as crianças que completam 5 anos, são submetidas a este teste de articulação.
"O nosso grande objectivo portanto é sinalizar precocemente, conseguirmos estas idades ver os que precisam de acompanhamento entre eles começarem. (...) Em 2009 o rastreio envolveu quase 800 crianças 188 continuam em vigilância. 117 foram encaminhadas para sessões de terapia da fala, que decorre em todos os centros de saúde do agrupamento. Este ano, já foram avaliadas mais de 300 crianças."

RTP

Estão a aumentar os casos de violência contra crianças em famílias ricas



Estão a aumentar os casos de crianças e jovens em risco nas famílias mais ricas. A denúncia é da presidente da Comissão Ocidental de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Sintra. "Temos processos transversais a todos os estratos sociais, mas há cada vez mais casos oriundos dos mais elevados", diz Teresa Villas. A denúncia foi feita durante a apresentação dos relatórios das duas CPCJ de Sintra, a ocidental, que abrange a zona mais rural, e a oriental, que abrange as duas cidades de Agualva-Cacém e Queluz.
"Quanto mais elevada é a classe social, mais complicado é o nosso trabalho, porque esta gente tem uma influência política enorme, alguns até são de concelhias de partidos, outros são advogados que nos enfrentam ou têm sempre um escritório a representá- -los", diz.
Apesar de não poder entrar em pormenores, Teresa Villas diz tratar-se de famílias "que saem nas revistas cor-de-rosa", que vivem em zonas como a Quinta da Beloura, as quintas de Sintra ou o Casal da Granja.
A denúncia é corroborada por Helena Vitória, responsável pela CPCJ Oriental. "Não temos tantos, mas há casos sinalizados no Belas Clube de Campo, por exemplo, onde há maior resistência e todo um saber para contornar as coisas. São famílias que vêm às reuniões com advogados, e embora alguns tentem olhar para o que se passa com a criança, já houve advogados com uma postura ética extremamente má."
Segundo esta técnica, as situações ocorrem em famílias ditas normais e envolvem "maus tratos psicológicos e conflitos familiares como casos de violência doméstica".
Ao contrário das famílias mais pobres, que "são visíveis e deixam--se expor, estas não. Sabem resguardar-se, têm pediatra e psicólogo privado, encomendam os relatórios, pagam o que for preciso e chegam a ameaçar as comissões", acrescenta Teresa Villas.
A situação é do conhecimento da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, que diz estar a acompanhar o problema. "É um fenómeno transversal, mas é um problema muito sério em que vamos ter de pensar, porque há um conjunto de pessoas e instituições que acham que a lei não se aplica às crianças e jovens que pertencem a determinadas camadas da população", admite Maria de Fátima Duarte.
Em declarações ao DN, a representante da Comissão Nacional avança que "há situações gravíssimas em que as CPCJ pedem a colaboração a colégios particulares que se recusam terminantemente a dar qualquer tipo de informação". "Muitas vezes até escondem, o que coloca as crianças em situações de perigo ainda maior", lamenta.
Além disso, revela, há pressões directas sobre a comissão. "Quando não conseguem resolver as coisas ao nível das CPCJ recorrem à Comissão Nacional porque não querem a intervenção sobre as suas crianças e acham que por pertencerem a uma elite o sistema de protecção não funciona com elas. Chegam a pedir relatórios a psicólogos e pedopsiquiatras, o que dificulta o trabalho, mas não impede a protecção. Quando as famílias não colaboram os casos são remetidos para tribunal", assegura a mesma fonte.
Contactado pelo DN, o presidente da Comissão não quis comentar o assunto, remetendo qualquer análise para a apresentação do relatório nacional em Junho.
As duas CPCJ de Sintra registaram mais 1152 casos em 2009, valor que a somar aos casos transitados e reabertos soma 2814 casos em curso.
"A maior parte ocorre em famílias nucleares, com pai e mãe, ambos a trabalhar, e em famílias sem problemas sociais que não vive dos subsídios. O discurso dos pais separados e com dificuldades serve apenas para tranquilizar consciências", adianta Teresa Villas.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Conduzir uma cadeira de rodas só com o olhar

Já é possível conduzir uma cadeira de rodas eléctrica, fazer chamadas de telemóvel ou acender e apagar a luzes ou a televisão apenas com a direcção do olhar. Tecnologia 100% portuguesa foi desenvolvida na Guarda.
O projecto chama-se "Magic Key" e é uma aplicação informática desenvolvida no Instituto Politécnico da Guarda, dirigida a pessoas com dificuldades físicas ao nível dos membros superiores, permitindo utilizar todas as aplicações de um vulgar computador.
A tecnologia foi agora aplicada a uma cadeira de rodas eléctrica, que já foi testada em pessoas que apenas têm a capacidade mexer os olhos. O sistema, de tecnologia portuguesa, utiliza uma câmara de alta definição e uma aplicação informática que determina a direcção do olhar do utilizador, que é depois enviada ao módulo de controlo da cadeira que permite transformar os parâmetros recebidos em movimentos da própria cadeira.
Para que a cadeira ande para a frente, o utilizador tem que olhar para cima de um ponto de referência que se situa próximo da câmara. Para a cadeira andar para trás, o utilizador tem que olhar para uma zona abaixo do ponto de referência.O mesmos se passa quando quer virar para a esquerda ou para a direita, bastando assim olhar para a direcção para onde quiser ir.
Uma câmara de alta-definição ligada ao computador capta as imagens da face do utilizador e transmite-as à aplicação desenvolvida, que determina o local do monitor para onde o utilizador está virado e posiciona nesse local o cursor do rato. Quando o utilizador fecha os olhos, a aplicação interpreta essa acção como se isso significasse o premir do botão do rato.
Para escrever sem as mãos, utiliza-se um vulgar teclado virtual no ecrã. O utilizador só terá que posicionar o cursor do rato na letra pretendida e piscar o olho. De imediato a tecla seleccionado será enviada para a aplicação.
Esta tecnologia tornou possível que pessoas com deficiências motoras graves possam utilizar qualquer programa instalado no computador, como navegar na Internet, fazer chamadas de telemóvel, conversar em chats ou fóruns, escrever em processadores de texto, entre outras.
Objectivo: ajudar pessoas com deficiências motoras
O projecto Magic Key começou há cerca de cinco anos. Luís Figueiredo, engenheiro de comunicações e telecomunicações pensou que poderia utilizar as potencialidades das novas tecnologias para melhorar a vida de pessoas com deficiências. "Queria que pudessem interagir com um computador de uma forma fácil, simples e económica", explica, acrescentando que, no caso dos equipamentos comandados apenas com o olhar, o grande investimento monetário está na câmara de alta-definição que tem de se aplicar ao computador.
Pensou em conjugar o mundo da electrónica, comunicações e informática e aplicá-lo às necessidades de pessoas com deficiência e fortemente incapacitadas. Luís Figueiredo, o responsável do projecto "Magic Key", afirma que vai até onde a imaginação e a criatividade o levar. Todavia, e apesar do apoio da Fundação PT, têm-se deparado com dificuldades para conseguir mais apoios financeiros que sustentem a investigação. "Estamos num Instituto Politécnico que ainda por cima fica no interior e nem sempre a investigação nestas unidades é bem apadrinhada. Não é fácil convencer as entidades. Prova disso é a Fundação para a Ciência e Tecnologia que nunca nos apoiou". As vendas dos produtos e serviços que desenvolvem são imediatamente investidas na investigação", explica. Garante que estão abertos à participação de empresas nos projectos de investigação mas avisa: "desde que entendam que o princípio deste projecto não é fazer lucros financeiros. Existem outros tipo de lucros, como ajudar as pessoas com graves deficiências".
Cada caso é um caso: não há duas pessoas iguais e cada uma têm as suas necessidades especiais. "É fundamental receber o retorno dos utilizadores para podermos adaptar a tecnologia a cada um", explica.
"Se tivéssemos design e marketing seria uma grande ajuda para tornar os produtos melhores e divulgar os nossos projectos. Para já interessa-nos a funcionalidade mas é importante, de futuro, adicionar um design mais apelativo e que se possa adequar melhor às necessidades do utilizador", diz.
Para saber mais ou pedir informações sobre o projecto Magic Key consultar: http://www.magickey.ipg.pt/ .

"É necessário promover mais informação"


Carla Vieira Faria, fundadora do site www.ajudas.com, refere que a sociedade portuguesa tem ainda muito a aprender sobre reabilitação e ajudas técnicas a pessoas com deficiências.
Carla Vieira Faria é especializada em desenvolvimento web acessível e formadora na área. É também investigadora e técnica de reabilitação ao nível das tecnologias e fundou o www.ajudas.com há cinco anos. Um site com muita informação acessível a todas as pessoas, aos cidadãos portadores de deficiência. Um portal sobre reabilitação e ajudas técnicas, que promove iniciativas solidárias. E é o único portal nacional e mundial a oferecer brinquedos e computadores adaptados a crianças jovens e adultos com deficiência.
Privilegia-se a parceria. "Em Portugal, existe a cultura de cada um fazer por si e isso é o que tentamos demonstrar que não resulta" - revela. Dedica-se a desenvolver soluções universais e acessíveis a todos. Tem, por isso, uma empresa que desenvolve tecnologia para equipamentos móveis, para que a informação esteja sempre disponível. Rigor, bons conhecimentos, saber quais os constrangimentos no acesso à informação. Tudo é importante para construir sites acessíveis a deficientes. "Cada pessoa pode ter necessidades muito diferentes e, infelizmente, em Portugal não se trabalha para um conjunto de pessoas. Pensa-se num caso e faz-se para esse caso" - alerta Carla Vieira Faria.
Educare: A sociedade tem consciência das dificuldades de quem vive num universo de reabilitação?
CVF: A nossa sociedade tem muito que aprender acerca destes assuntos. Já se sentem evoluções desde que temos a Secretaria de Estado e o novo INR, antigo SNRIPD, Instituto Nacional para a Reabilitação. Estes organismos são muito importantes para que se fale, se debata e se discutam assuntos de deficiência, reabilitação, integração de pessoas com deficiência, seniores, etc. O INR, em particular, é hoje um organismo mais ágil, dinâmico e que já é muito mais conhecido do que o que era. Foi um bom e importante passo para que a sociedade em que vivemos esteja mais actualizada acerca destes temas que, no fundo, são a nossa realidade pois estamos num país que está a envelhecer. E que infelizmente continua a ter inúmeros casos de nascimentos de crianças com deficiência, para além das doenças como Alzheimer, Parkinson, etc., tão frequentes hoje em dia.
E: O que é necessário mudar para compreender os problemas da mobilidade condicionada e das próprias deficiências?
CVF: É necessário promover mais informação. Mas esta informação carece de rigor. Infelizmente notamos que, muitas vezes, se abordam as questões pela rama, não se aprofundam temas, nem se tem um discurso claro e objectivo. Isso penaliza quem quer saber e acaba por não esclarecer.
E: Hoje em dia, há soluções tecnológicas suficientes para pessoas com deficiência?
CVF: Nunca há tudo. Cada pessoa pode ter necessidades muito diferentes e, infelizmente, em Portugal não se trabalha para um conjunto de pessoas. Pensa-se num caso e faz-se para esse caso. Isto é contra o que defendo. Hoje temos de pensar de forma mais profissional, não resolver problemas no agora. Temos de planear, pensar que temos de conceber soluções para pessoas muito diferentes. É isso que fazemos no ajudas.com. É isso que faço na minha vida e promovo na minha empresa.
E: Que cuidados se deve ter na construção de sites que sejam acessíveis a portadores de deficiência?
CVF: Ser rigoroso, conhecer o que são, de facto, os constrangimentos no acesso à informação e o que os provoca, ter largos e bons conhecimentos de programação, não se acomodar a "pacotes pré-feitos", pensar no backoffice e fazer sites que possam ser actualizados por pessoas com deficiência ou baixa literacia tecnológica, saber o que são e utilizar tecnologias de apoio.
E: A nível pedagógico, há material tecnológico disponível para um público com características especiais? O que falta fazer?
CVF: Existe muito pouco e o que existe, como o que eu e o meu marido, Pedro Ivo Faria, fizemos e foi largamente premiado - recebemos, ao todo, 14 prémios nacionais e internacionais -, não foi divulgado nem apoiado por nenhuma instituição ou organismo nacional. Hoje em dia, o software pouco se vende, apesar de continuarmos com muito pedidos diários, como é o exemplo do Pocket Voice - que devido à existência de outros produtos mais complexos e pouco user-friendly voltou a ser muito solicitado.
E: O que a levou a "mergulhar" nesse mundo da reabilitação e das soluções tecnológicas a pensar nas pessoas com deficiência?
CVF: Questões pessoais, profissionais e o forte desejo que sempre tive de fazer por todos e para todos!
Entrevista orientada por Sara R. Oliveira. Para ler toda a entrevista, clicar Educare.

terça-feira, 4 de maio de 2010

“O Capitão AVAPE contra o Fantasma Autismo”

Por sugestão da Cristina, frequentadora assídua do Incluso, disponibilizo uma interessante história, cujo tema é explicar às crianças a problemática do autismo. Trata-se de um texto publicado pelo Grupo de Saúde Mental da Associação para a Valorização de Pessoas com Deficiência (AVAPE).
Uma nota explicativa sobre o texto.
Este manual foi elaborado pelo Grupo de Saúde Mental da AVAPE, em parceria com o Projeto Distúrbios do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da USP, com o objetivo de informar e esclarecer as pessoas sobre o autismo.
O autismo, para fins diagnósticos, é encontrado no DSM IV-TR e na CID 10, dentro da classificação dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento.
O conceito mais utilizada desde 2001 é “continuum autistico”, sendo também evidenciado como transtorno do espectro autista. Contudo, clinicamente, para pais e cuidadores, a linguagem coloquial de fácil entendimento usualmente utilizada é Autismo.
Por meio de uma linguagem simples e acessível, o Manual expõe as principais características de diagnóstico do autismo, que podem ser observadas pelos pais e cuidadores desde a primeira infância.
História "O Capitão AVAPE contra o Fantasma do Autismo"

IPSS cria empresa de silvicultura


Cinco utentes da Casa de Santa Isabel, em S. Romão, trabalham desde ontem numa empresa de inserção dedicada à silvicultura preventiva, criada pela instituição de pedagogia curativa e socioterapia.
O projecto é financiado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), com o apoio da delegação de Seia, com vista a combater a exclusão social através da promoção e desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais dos trabalhadores envolvidos. O objectivo da empresa de inserção é aproveitar "os recursos florestais que integram o património da casa e oferecer, em mercado aberto, a prestação de serviços com práticas inovadoras e diferenciadas face à concorrência. Além disso, o potencial cliente também está a contribuir para uma causa social e solidária, já que ajuda a manter o emprego de pessoas com necessidades especiais", adianta Mário Cardoso, do Centro de Emprego e Formação Profissional de Seia.
A nova empresa faz plantações de árvores, limpeza de áreas florestais e manutenção de terrenos. A venda de lenha para consumo doméstico ou industrial e a produção de plantas florestais nativas são outras actividades propostas. "A equipa de cinco trabalhadores é coordenada por uma engenheira florestal, contratada especificamente para esta empresa de economia social", refere aquele responsável. Com 85 utentes, a missão da casa, fundada em 1981, é instruir e preparar os cidadãos com necessidades especiais para a sua integração na vida activa, procurando desenvolver as suas capacidades, nomeadamente, através de oficinas de diversas áreas profissionais.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Video explicativo do Síndrome de Asperger


Max escreve uma carta a Mary depois de anos sem mandar notícias devido ao seu problema de saúde, que logo saberia que é Síndrome de Asperger. O personagem faz comentários oportunos sobre suas dificuldades em relação a esse autismo 'leve'.

sábado, 1 de maio de 2010

Traje de astronautas ajuda crianças com paralisia cerebral a andar

Um traje diferente, cheio de elásticos, foi criado na década de 70 pelos russos para evitar que os astronautas sofressem de flacidez e atrofia muscular por causa da falta de gravidade. As tiras elásticas ligam tronco, cintura, joelhos e pés. Mesmo parado, o corpo faz esforço.
Os médicos descobriram que a roupa também poderia ajudar crianças com paralisia cerebral a andar e hoje esta roupa já é usada no mundo todo. Em Salvador, na Bahia - Brasil, o Núcleo de Apoio à Criança com Paralisia Cerebral – uma organização não governamental que dá assistência a 400 crianças com necessidades especiais – recebeu 60 trajes doados pela empresa russa que hoje detém a patente da roupa.
“Ela sente-se mais segura porque não fica com aquele medo, já ajuda na sua postura”, conta Nadjane de Jesus, mãe de Ana Vitória, uma das crianças atendidas pela ONG.
A médica Daniela Matsuda explica que o uso dos trajes forma um novo esquema no sistema nervoso, que gera padrões de movimento, permitindo então que as crianças possam “adquirir marcha”.
“Com fisioterapia convencional, eu demoraria um ano e meio, dois anos, para pôr uma criança a andar. Com o traje, nós conseguimos abreviar o processo e proporcionar uma maior independência à criança e à sua família, em termos de inclusão social, muito mais rápida”, diz Pedro Guimarães, presidente da ONG.
O ONG de Salvador é a primeira instituição da América Latina a trabalhar com este equipamento. A ideia é associar a terapia com o traje às outras formas de tratamento que a organização oferece desde que foi criada, há nove anos. Fisioterapia tradicional, fonoaudiologia, actividades desportivas e culturais complementam o trabalho com a roupa especial, que dura de dois a três meses, dependendo de cada caso.