segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Meninos-prodígio devem ficar «fora do vidro de resguardo»

Por vezes, crianças com três anos já sabem ler. O que fazer com jovens dotados de capacidades excepcionais? Segundo Leandro Almeida, investigador da Universidade do Minho (UM), “a curva de desempenho vai se aproximando da idade, com o crescimento e os pais devem ser responsivos, sem exigir a excelência”.
O potencial, dificuldades e apoios de crianças que desenvolvem talentos especiais precocemente é um dos temas em foco nas II Jornadas de Pediatria do InstitutoCuf, que se realizam na Ordem dos Médicos do Porto.
O psicólogo da UM alerta para o facto de estes indivíduos poderem ficar “com depressões, ansiedade e desânimo”, caso sejam afastados de ambientes normais e introduzidos em instituições seleccionadas. “Não sou adepto de medidas de segregação. Escolas próprias para estes alunos podem não ser a melhor solução, porque em idade adulta não se conseguirão contextualizar socialmente. Não devem ficar dentro de ‘um vidro’, resguardadas”, salientou ao jornal «Ciência Hoje» (CH).
Uma criança “prodígio” é alguém dotado de uma habilidade especial muito desenvolvida, dentro de uma actividade socialmente reconhecida – seja esta de âmbito técnico, artístico, científico ou profissional, já que não se destacam tendencialmente numa área – e que manifesta uma capacidade intelectual acima da média, desde cedo, quando comparada com outras da mesma idade e cultura.
Usa-se frequentemente o Quociente de Inteligência (Q.I.) como medida que estipula uma fronteira entre estas e outras pessoas. Um Q.I. de 130 ou superior, demonstrado em testes específicos, determina que a criança é excepcional.
Leandro Almeida trabalha com meninos sobredotados há “pelo menos doze anos” e acompanha-os até à idade adulta. Faz pesquisa e intervenção, apoia a família e caracteriza perfis psicológicos e a dimensão cognitiva. “Um bom diagnóstico depende de medidas educativas precursoras e preditivas”, explicou. Nem sempre é fácil perceber que a criança é superdotada, mas tendem a demonstrar “sinais de precocidade que outras não têm”, continua.
Em ambiente natural
O investigador defende o acompanhamento por parte de um tutor, para ajudá-las no processo vocacional e acrescenta que “é fundamental incentivá-las, igualmente, para outras áreas, nomeadamente, a motricidade, expressão e sociabilidade” – considera ainda “um erro tendencial querer que estas crianças beneficiem de programas próprios”. Os meninos superdotados devem conviver naturalmente com todas as crianças e “a aposta é fazer com que estes não se afastem”.
Para o Instituto da Inteligência (Porto) há três níveis de crianças com elevadas capacidades e talentos. No nível três ficam as pessoas ditas "médias", as que se seguem (em quarto) são "muito inteligentes"; no quinto patamar estão as "sobredotadas" e, em sexto lugar, as "altamente sobredotadas" (ou "génios" como Einstein depois de comprovada capacidade e após muitos anos de vida e experiência).Um sobredotado já nasce diferente? Alguns pediatras acreditam que, com condições favoráveis e estimulação adequada, qualquer criança pode atingir algum nível de sobredotação, talento ou prodígio. Todas as crianças nascem com mais ou menos potencialidades mas algumas, por razões genéticas, estão melhor preparadas para superarem a maioria das outras, mesmo quando a estas se proporcionem as mesmas condições e os mesmos estímulos.
Emídio Carreira, presidente da comissão científica da reunião, adiantou ao «CH» que, em Portugal, existem “entre três a cinco por cento de crianças com características sobredotadas”. No entanto, o Instituto Cuf ainda não tem uma unidade dirigida a este tipo de público. Algumas das extensões que facultam apoio a estes pequenos génios são as Faculdades de Psicologia da Universidade do Minho e do Porto.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Conselho da Europa apela à desinstitucionalização de crianças com deficiência

Estrasburgo, 04.02.2010 - O Comité de Ministros aprovou um texto que recomenda os Estados Membros a não colocar mais crianças com deficiência em instituições de cuidados e, em alternativa, dar preferência à vida em comunidade.
Existem muitas preocupações quanto à compatibilidade do cuidado institucional com o exercício dos direitos das crianças. Salvo circunstâncias excepcionais, nenhuma criança deve ser colocada numa instituição. Além disso, a oferta institucional deve ser substituída por serviços de base comunitária dentro de um prazo razoável, como parte de uma abordagem global.
O Comité de Ministros reconhece que os Estados-membros estão em fases muito diferentes nesta área e que a desinstitucionalização é um processo em curso e a longo prazo. O texto, portanto, realça a importância de salvaguardar os direitos das crianças com deficiência e jovens vulneráveis em instituições em todo o processo de transição.
Devem ser criados mecanismos para envolver as crianças com deficiência e suas famílias no processo de desenvolvimento de serviços, pois são partes vitais.
O Conselho da Europa tem estado activo desde há vários anos na defesa dos direitos das crianças e na ajuda à erradicação da violência contra as crianças, incluindo das crianças com deficiência.
Foi adoptado um plano de acção para a deficiência de 2006-2015 destinado a introduzir uma mudança importante na percepção das pessoas com deficiência e nas práticas que lhes dizem respeito. Um aspecto fundamental é proteger e promover os direitos e a dignidade das crianças com deficiência. Além disso, uma parte integrante do programa "Construir uma Europa para e com as Crianças" destina-se a proteger as crianças contra a violência.
Vários milhões de crianças e adultos com deficiência vivem ainda em instituições de cuidados por períodos muito longos nos 47 Estados-membros do Conselho da Europa.
Consulte o texto da Recomendação:
Recomendação CM/Rec(2010)2 (versão inglesa)
Recomendação CM/Rec(2010)2 (versão francesa)

Células estaminais usadas para tratar paralisia cerebral


O sangue do cordão umbilical poderá vir a ser usado no tratamento da paralisia cerebral, depois de provas dadas no tratamento de doenças do foro hemato-oncológico e de outras doenças do sistema sanguíneo e imunitário. Para testar a aplicabilidade das células estaminais naquela patologia, está a ser realizado um estudo pioneiro pela pediatra e investigadora norte-americana Joanne Kurtzberg.

Desde 2005 que no departamento de pediatria da Duke University, nos Estados Unidos da América, várias crianças com paralisia cerebral e traumatismo crânio-encefálico têm vindo a receber transfusões do seu próprio sangue do cordão umbilical (infusões autólogas), em regime experimental.

Em Maio deste ano, um bebé português de 18 meses, cujos pais guardaram o sangue do cordão umbilical num banco privado português, integrou o estudo da Duke University e recebeu uma infusão autóloga. Dois meses mais tarde, uma criança de nacionalidade italiana, que também tinha crio-preservado neste banco, foi considerada elegível para este mesmo estudo, tendo igualmente recebido a infusão de sangue do cordão umbilical.

Aguardam-se agora os resultados do estudo da Duke University e vários especialistas mostram-se entusiasmados com a possibilidade desta aplicação terapêutica. Rui Reis, director Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa, com sede na Universidade do Minho, e actual presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, considera que “no futuro, as células estaminais do sangue do cordão umbilical não serão só utilizadas no tratamento de doenças do foro hemato-oncológico, sanguíneo e imunitário”.

Segundo o responsável, “estes estudos, embora preliminares, começam agora a demonstrar o potencial destas células noutros campos de aplicabilidade terapêutica tais como a paralisia cerebral. Mas isso só será em muitos casos possível, sendo este um claro exemplo, através da realização de tratamentos autólogos, sendo por isso crucial o armazenamento dessas células à nascença em bancos privados que permitam o seu uso no próprio paciente”.

Rui Reis explicou ainda que estes estudos experimentais têm que ser analisados com cuidado, porque não são totalmente conclusivos, mas é clara a segurança de todo o procedimento efectuado pela Duke University, devendo-se aguardar por resultados a longo termo.
Contribuir para a saúde futura

Raul Santos, administrador da Crioestaminal (banco de crio-preservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos), congratula-se com o facto de a empresa poder contribuir para este estudo pioneiro e afirma que “investe muito na pesquisa de novas aplicações terapêuticas das células estaminais do sangue do cordão umbilical” e mostra-se por isso satisfeito por poder “contribuir para o desenvolvimento do estudo de Joanne Kurtzberg”.

Até ao momento, são mais de 30 mil os pais que aderiram no País a esta técnica e que a consideram uma opção preventiva da saúde futura dos seus filhos. Esta realidade confirma a solidez, experiência, qualidade e segurança que a empresa cumpre ao serviço da saúde e que a tornam uma referência no momento de optar pela crio-preservação.

Epilepsia: 2500 esperam cirurgia


Há 2500 possíveis candidatos a uma cirurgia de epilepsia, divuglou esta manhã a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, aquando de uma visita à unidade de monitorização da epilepsia pediátrica do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.
A mesma responsável afirmou que a exemplo de 2009, também este ano será realizado um esforço financeiro de 700 mil euros no 'Programa de Cirurgia de Epilepsia' para a realização de operações no Hospital São Francisco Xavier e Santa Maria, em Lisboa, Hospitais da Universidade de Coimbra e no Centro hospitalar do Porto.
No ano passado foram operados 19 pacientes no Hospital São Francisco Xavier, nove dos quais crianças, divulgou esta manhã Pedro Cabral, o coordenador do serviço que realiza estas intervenções. O hospital da zona Ocidental de Lisboa é o único do País com experiência em crianças.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Escola inclusiva: tumor a extirpar?


Na crónica do Público, Santana Castilho, a propósito da abertura das comemorações do centenário da República, faz uma análise da situação actual da educação, referindo-se à escola inclusiva, tal como tem vindo a ser implementada, como um tumor a extirpar. Segundo ele, “Os jovens não podem continuar a ser sequestrados nas salas de aula de manhã à noite. A escola não pode tratar de tudo. É preciso fazer escolhas, definir prioridades para cada ciclo de estudos e ser exigente em todos. A “escola inclusiva” e a “escola a tempo inteiro”, tal como têm vindo a ser postas em prática, a “área de projecto”, o “estudo acompanhado” e outras epígrafes pedagógicas diletantes são, também, bons exemplos de tumores a extirpar."
Nesta crónica, para além da opinião crítica, o autor limita-se a referir aquilo que considera uma constatação sem, no entanto, apresentar propostas de actuação para a melhoria do sistema educativo. No referente à escola inclusiva, surgem-me logo algumas questões basilares: que fazer com os alunos diagnosticados com necessidades educativas especiais? Remetê-los para instituições de ensino especial? Inverter o processo de inclusão escolar e social?
Creio que, por princípio, a filosofia da escola inclusiva é globalmente a melhor solução para os alunos com necessidades educativas especiais. No entanto, reconheço que, para uma minoria de alunos, concretamente aqueles que apresentam deficiências severas, a escola inclusiva nem sempre é a melhor solução. Como se costuma referir, cada caso é um caso!
A experiência profissional leva-me a afirmar que, na generalidade, a escola inclusiva, numa perspectiva epistemológica, ainda não está a ser totalmente aplicada. Os constrangimentos são de vária ordem, passando: pela falta de docentes suficientes para atender todos os alunos; pela exclusão de vários alunos com dificuldades específicas de aprendizagem aquando dos processos de monitorização; pela subjectividade com que a legislação da educação especial está a ser aplicada nos diversos agrupamentos e escolas não agrupadas; pela falta de formação dos assistentes operacionais que lidam mais directamente com os alunos com necessidades educativas especiais; pela ausência de técnicos auxiliares, como terapeutas de fala e ocupacionais, psicólogos e fisioterapeutas; pela falta de material específico nas salas de aula; pela ausência de uma rede social e profissional, sobretudo no interior periférico, que apoie os alunos aquando da saída do sistema educativo; etc. No entanto, não podemos esquecer que escola inclusiva é um processo em construção!

Estudo sobre doenças raras

O primeiro estudo observacional sobre doenças raras em Portugal vai desenvolver-se durante os próximos quatro anos. Os procedimentos e a metodologia utilizados serão anunciados no próximo dia 9, às 17h00, no auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Esta é a primeira das actividades que vão decorrer no âmbito das comemorações do Dia das Doenças Raras, que se celebra a 28 de Fevereiro, promovidas pela Federação das Doenças Raras de Portugal (FEDRA).
O estudo tem como objectivo determinar a prevalência e incidência das doenças raras e as formas como estas estão a ser identificadas, diagnosticadas e tratadas. Num período de quatro anos, serão recolhidos dados através do seguimento semestral dos doentes. Haverá assim monitorização da evolução da doença e suas consequências.
O projecto será apresentado por António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e membro do Conselho Científico da FEDRA.
Para que seja possível uma “gestão eficaz”, diz o especialista, “qualquer Serviço Nacional de Saúde (SNS) necessita ter um detalhado e actualizado sistema de informação sobre os doentes que a ele recorrem”.
Este projecto de investigação irá “registar todas as informações administrativas, demográficas e clínicas dos portadores de doenças raras em Portugal o que, dentro de quatro anos, poderá possibilitar ao SNS melhorar a qualidade dos seus serviços e efectuar uma correcta referenciação destes doentes”, explica António Vaz Carneiro.
A presidente da FEDRA e directora da Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, Paula Brito e Costa, explica que “não existe qualquer registo empírico de quantos doentes com patologias raras existem em Portugal e, por isso, é fundamental desenvolver este estudo”.
Através dele, será possível “conhecer melhor as consequências físicas, psíquicas e económicas causadas pelas doenças raras” e assim, apoiar “os doentes e seus familiares e orientar, de forma coerente, a investigação na busca de melhores tratamentos”.
A apresentação do estudo contará com a presença da Maria Cavaco Silva que, juntamente com a FEDRA, atribuirá uma medalha de distinção a um conjunto de profissionais de saúde que se tem empenhado no trabalho com os doentes das 23 associações que compõem a FEDRA.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Factores no comportamento de uma criança que podem levar à rejeição social


Um grupo de investigadores norte-americanos determinou três factores no comportamento de uma criança que podem levar à rejeição social. Estudos como este são cruciais para desenvolver testes que detectem este tipo de dificuldades, bem como propostas de tratamento.
Todos os factores apurados envolvem a inabilidade da criança para perceber e responder a mensagens não verbais enviadas por outros.
Além de causar problemas de saúde mental, as crianças que sofrem de rejeição social - tal como acontece no bullying - vêem aumentada a possibilidade de «ter más notas, abandono escolar, depressão ou ansiedade, bem como desenvolver dependência de drogas» consideram os investigadores do Rush Neurobehavioral Center, uma instituição de Chicago.
«A capacidade de uma criança para desenvolver relações positivas é crítica para o seu bem-estar» defende o investigador Clark McKown, o principal responsável pelo estudo.
«Comparadas com crianças que são aceites pelos seus pares, as que são socialmente rejeitadas têm um risco substancialmente maior de poder vir a desenvolver distúrbios de adaptação».
Os investigadores observaram dois grupos de crianças, num total de quase 300.
E demonstraram que parte do grupo revelava dificuldades em perceber sinais não verbais ou sociais.
Segundo McKown, «elas pura e simplesmente não notam que os ombros de alguém descaem com o desapontamento ou entendem se a cara de uma pessoa revela raiva ou tristeza».
O segundo factor mais importante, ainda segundo o estudo, é que algumas crianças percebem estes sinais, mas não têm capacidade para lhes dar significado.
O terceiro factor apurado é a capacidade de raciocinar sobre problemas sociais.
«Algumas crianças podem perceber o que está a acontecer, mas são incapazes de resolver adequadamente o problema», afirmou o investigador.
Por outro lado, uma criança que percebe os sinais sociais, reconhece o seu significado e lhes responde apropriadamente - e que é capaz de se auto-regular ou controlar o seu comportamento – tem mais possibilidades de manter relacionamentos de sucesso.
«É alarmante o número de crianças que não consegue resolver todas estas questões e que está em risco de rejeição social», considera.
Nos Estados Unidos, cerca de 13% da população escolar - perto de 4 milhões de crianças - tem dificuldades nestes capítulos.
«Como não se sabia exactamente que comportamentos levavam a criança a falhar, ou como medir as suas capacidades, era difícil ajudar», explica McKown.
«Agora será possível precisar as capacidades que uma criança necessita para se desenvolver».

Aprender a ser pais!


É o terceiro congresso promovido pela Associação Lavoisier, uma instituição de solidariedade social que funciona em Lisboa.
Nos próximos dias cinco e seis de Fevereiro, muitos nomes de pediatras, psicólogos, investigadores e professores universitários vão passar pelo Centro de Congressos de Lisboa para transmitir linhas orientadoras para os pais. Mas não só, também para os profissionais de educação e de saúde.
O programa está aqui e foca diversos temas, desde a televisão à alimentação, passando pela autonomia das crianças e as dificuldades de aprendizagem.
É uma espécie de "escola de pais"!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Surdo e cego sem apoio na escola

Em Cinfães, um aluno surdo e cego está sem apoio na escola. DREN diz que técnicas no Porto devem ir dar formação às que acompanham o menino.
Clara Pereira viveu em Espanha e diz que o filho tinha apoio especial.
Leia mais na edição em papel do 'Correio da Manhã'.
CM

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Trabalhar apaixonadamente é fundamental para atingir a excelência

O texto que se segue não está relacionado directamente com a temática da educação especial. No entanto, a sua leitura remeteu-me para a paixão, a entrega que caracteriza muitos dos docentes de educação especial, pois só assim se conseguem ultrapassar as barreiras que constantemente nos surgem pela frente, na procura das melhores soluções e respostas para todos os alunos!


Trabalhar com paixão é um requisito fundamental para se atingir a excelência a nível profissional. A conclusão é de Liliana Araújo, uma psicóloga de 28 anos que realizou uma investigação pioneira em Portugal com o objectivo de descobrir o que têm em comum as pessoas excelentes.Num estudo de caso, com seis cientistas das áreas exactas (biólogos e físicos) e quatro bailarinos, Liliana Araújo procurou saber como são estas pessoas, "como funcionam e como foram os percursos até serem reconhecidas nas suas áreas".
"Quando estamos a falar de pessoas excepcionais, não podemos ter uma amostra muito grande porque à partida não é muito vulgar ter muitos no topo", lembra a investigadora, que iniciou o estudo há três anos e está agora a reflectir sobre os dados e a fazer as últimas análises.

À semelhança de estudos internacionais, a psicóloga constatou nos seus resultados que a excelência está associada a aspectos pessoais e de contexto. "Não se consegue ter uma definição exacta do que é ser excelente, mas parece que há uma convergência dinâmica entre estes dois factores", afirma à Lusa.

Da sua investigação em concreto, Liliana Araújo encontrou nestas pessoas "fortes características psicológicas". Ou seja, são "muito determinadas, muito confiantes, criativas, não têm medo de arriscar, vêem os problemas como oportunidades para fazer diferente e melhor". Além disso, constatou que são perfeccionistas, persistentes e auto-reguladas.

"Está também muito associada a ideia de que as pessoas estão completamente apaixonadas por aquilo que fazem. E sentem que a diferença que fazem é por aí, porque se envolvem muito, trabalham muito, mas fazem-no muito por prazer e paixão", acrescenta.

Trabalhar em equipa e saber gerir as tensões são outros traços comuns encontrados pela investigadora, que tem participado em diversos congressos e recentemente se deslocou a uma conferência na Nova Zelândia. "Foi fundamental para conhecer o estado da arte do estudo da excelência", conclui.