domingo, 17 de outubro de 2010

Vencer as barreiras da cegueira

Há ainda um longo caminho a percorrer para que pessoas com deficiências visuais estejam totalmente integradas na sociedade. Em entrevista, Carlos Lopes fala de alguns aspectos a melhorar.

Ainda não estão garantidas as condições que permitam às pessoas cegas e amblíopes de «participar em sociedade em condições de plena igualdade», explicou o presidente da ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal. Na educação, formação profissional, acesso ao mercado de trabalho, acessibilidades, acesso à cultura, informação e desporto permanecem muitos obstáculos que o deficiente visual tem de ultrapassar.

Educação das crianças
«Em primeiro lugar, é importante que as próprias crianças e famílias assumam as suas limitações sem preconceitos, de uma forma realista», considera Carlos Lopes. É importante que definam métodos de estudo e aprendizagem de ferramentas que capacitem as crianças e lhes permitam ter acesso a uma educação de qualidade. «Muitas famílias têm ainda alguma rejeição ao facto de assumirem que os seus próprios filhos têm uma deficiência visual e que a mesma é real e tem que ser encarada e ultrapassada». Retardam a adopção de ferramentas fundamentais como o uso da bengala e o ensino do braille, sistema de leitura táctil, o que acaba por prejudicar o desenvolvimento das crianças.
«Há ainda muitos professores e educadores que estão a trabalhar com crianças com deficiências que não têm formação em braille e não têm formação sobre como trabalhar com uma criança cega. Temos que trabalhar muito a esse nível», explica o responsável. É necessário investir no apetrechamento de instituições de ensino. Várias escolas de «referência» não são mais do que «escolas mais bem preparadas para receber alunos com deficiência visual». Muitas não contam com máquinas de braille, nem professores devidamente formados.

Acesso ao mercado de trabalho
«Há três vezes mais pessoas desempregadas [entre os deficientes visuais] do que na população em geral», revela. As próprias agências de emprego recusam-se a recrutar cegos e amblíopes por este ser um critério previamente colocado pelos seus clientes. «Ainda hoje se olha para a pessoa com deficiência visual muito pela limitação que tem e não tanto pelas capacidades que com certeza também tem», constata o presidente da ACAPO. Contudo, «há inúmeras funções em que a limitação não tem qualquer impacto». Por exemplo, a área do ensino, psicologia, direito, fisioterapia e telecomunicações. Houve um «despertar» entre a população com estas limitações: aventuraram-se em áreas que há duas décadas estavam fechadas aos deficientes visuais.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apresentação pública do Estudo de Avaliação do Impacto dos Custos Financeiros e Sociais da Deficiência

A sessão de apresentação deste estudo terá lugar no próximo dia 19 de Outubro, às 14:30 horas, no Auditório da Associação Fernão Mendes Pinto, situado na Avenida Fernão de Magalhães, nº 233, 5º, na cidade de Coimbra, e contará com a presença da Senhora Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação.
Este Estudo resultou de um projecto do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.) financiado no âmbito do QREN / POPH e teve como principal objectivo avaliar os impactos financeiros e sociais da existência de pessoas com deficiências ou incapacidades nos agregados domésticos.
Este evento realiza-se em Outubro porque é o mês que o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social" (AECPES) dedica ao lema "Contra as Barreiras da Diferença (Deficiência)".

Eliminação da área de projecto da organização curricular

O Conselho de Ministros do dia 14 de Outubro aprovou um Decreto-Lei que permite a organização dos tempos lectivos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico em períodos de 45 ou 90 minutos e elimina a área de projecto do elenco das áreas curriculares não disciplinares, procedendo à segunda alteração ao Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro
Este Decreto-lei, aprovado na generalidade, estabelece os princípios orientadores da organização e da gestão curricular do ensino básico, bem como da avaliação das aprendizagens e do processo de desenvolvimento do currículo nacional.
No âmbito da melhoria e aperfeiçoamento na organização do currículo e das aprendizagens, e do desenvolvimento da autonomia das escolas, possibilita-se que, no âmbito da respectiva autonomia, expressa no seu projecto curricular de turma, estas possam organizar a carga horária semanal em períodos de 45 ou 90 minutos.
O diploma procede, ainda, à eliminação da área de projecto do elenco das áreas curriculares não disciplinares, decorrente, quer da experiência da sua aplicação, quer das opiniões expressas pela comunidade educativa que o consideram ineficaz.
As opções de organização que agora são conferidas às escolas pressupõem, dada a sua repercussão na vida da escola mas também dos seus alunos e encarregados de educação, que seja plenamente partilhada entre todos os agentes educativos, para o que se exige, na sua aplicação, a audição do Conselho Geral e do Conselho Pedagógico.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

“Introdução à Análise Comportamental Aplicada”

O ABA Centro de Terapias Comportamentais promove, no dia 6 de Novembro de 2010, a acção de formação “Introdução à Análise Comportamental Aplicada”.

O modelo ABA- Análise Comportamental Aplicada - consiste na aplicação de métodos de análise comportamental e dados científicos com o objectivo de modificar comportamentos. 

Formadoras:
Nicole Dias - Psicóloga Clínica, Centro ABA
Reut Peleg - Analista Comportamental





Programa:

9h45 - Recepção 

10h - O que é a Análise Comportamental Aplicada
- O Modelo Tri-Comportamental 

11h - Cooffe-Break 

11h15 - O Reforço e a sua aplicabilidade
- A Aprendizagem sem erro
- A Aprendizagem Activa 

12h30 – Dúvidas

13h - Fim 

Preço: 20€
Local: Biblioteca Municipal
Rua Alão de Morais, nº36 
3700-021 S. João da Madeira 

As inscrições devem ser feitas através do Centro ABA.

Contactos:
ABA Centro de Terapias Comportamentais
Av. de Sintra, Lote 2 
2750-494 Cascais
Tel. +351 214 839 313
Fax +351 214 839 315
geral@centroaba.com
www.centroaba.com


Ajudas.com

Metodologia de Intervenção em Situações de Violência em Contexto Escolar


Encontram-se abertas as inscrições para a formação "Metodologia de Intervenção em Situações de Violência em Contexto Escolar", a decorrer no mês de Novembro de 2010, ministrada pelo Professor Doutor Francisco Machado.

Esta formação contempla dois módulos: (1) o módulo de formação [10 horas] e (2) o módulo de supervisão [9 horas]. Os formandos poderão optar por frequentar apenas o módulo de formação, ou ambos os módulos. A inscrição no segundo módulo sem frequência no primeiro é submetida a avaliação curricular.

Datas e horários:

> Módulo de Formação:
  19 de Novembro de 2010 :: 20:30h-23:30h
  20 de Novembro de 2010 :: 09:30h-12:30 | 14:00h-18:00h

> Módulo de Supervisão:

  26 de Novembro de 2010 :: 18:00h-21:00h
  03 de Dezembro de 2010 :: 18:00h-21:00h
  10 de Dezembro de 2010 :: 18:00h-21:00h

Poderá efectuar a sua pré-inscrição on-line (www.ipnp.pt), ou enviar as seguintes informações:

- Nome completo;
- Morada;
- Profissão;
- Local de Trabalho;
- E-mail;
- Telefone/Telemóvel;
- Forma de Pagamento (numerário, cheque ou transferência bancária. NIB: 0018 0003 1745 1857 02023).

Nota: Dado que as vagas são limitadas, a inscrição apenas será efectivada após a recepção do pagamento ou respectivo comprovativo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

641 crianças e jovens têm problemas de saúde mental

Além dos problemas de comportamento registados em 1221 crianças e jovens que estão em acolhimento, foram ainda detectados problemas de saúde mental em 641. Uma realidade grave que exige uma resposta adequada, reconheceu Álvaro Carvalho, coordenador da rede de cuidados continuados de saúde mental de jovens e adultos.
Actualmente, estes jovens estão em lares de infância e juventude ou até em comunidades terapêuticas, misturados com outros com diversas problemáticas e sem acompanhamento adequado. Muitos têm estes problemas porque foram submetidos a maus tratos físicos e psicológicos reiterados. Mas no futuro serão criadas unidades residenciais para jovens com problemas de saúde mental e perturbações de comportamento.
A primeira unidade para jovens com problemas de saúde mental será criada na Casa de Saúde da Idanha, afirmou Álvaro Carvalho. Terá lugar para 12 jovens, que passarão aqui um ano em reabilitação. "Uma vez que não há resposta nenhuma deste tipo na psiquiatria infantil, a unidade irá receber jovens que vivem com as famílias e possivelmente também alguns em situação de acolhimento."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Estudo dinamarquês associa icterícia e autismo


Um estudo publicado na revista “Pediatrics” revela que pode haver uma maior prevalência de autismo em recém-nascidos com icterícia, embora ainda não se tenha percebido de que forma estas duas condições estão relacionadas.
Apesar dos resultados obtidos, os cientistas da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, revelam que não há motivos para alarme, na medida em que a icterícia é muito comum e geralmente inofensiva. Apenas os casos mais graves desta situação podem causar danos cerebrais, algo que é raro acontecer.

Neste estudo, foram analisadas crianças nascidas na Dianamarca, entre 1994 e 2004. Aquelas que tiveram icterícia, apresentavam 67 por cento mais hipóteses de serem autistas. Segundo os investigadores, há alguma probabilidade para que os bebés geneticamente predispostos para terem autismo sejam mais vulneráveis a casos de icterícia com maior gravidade.
Além disso, verificaram que as crianças nascidas entre Outubro e Março e cujas mães já tinham tido filhos anteriormente apresentam um risco de autismo até três vezes maior. Em bebés primogénitos que nasceram entre Abril e Setembro não foi encontrada nenhuma associação entre as duas doenças.
Apesar da relação revelada por estes dados estatísticos, os especialistas advertem que este estudo deve ser reproduzido em outras partes do mundo, na medida em que há a possibilidade de existirem factores regionais que não se manifestam em outros lugares.
Icterícia ocorre em 50% dos recém-nascidos
A icterícia neonatal, que se caracteriza pelo tom amarelado da pele, ocorre em 50 por cento dos recém-nascidos, geralmente no segundo ou terceiro dia de vida. De uma forma geral, desaparece progressivamente ao longo da semana seguinte.
Esta condição é provocada, na maior parte dos casos, pela produção excessiva de bilirrubina, uma substância produzida durante a destruição de glóbulos vermelhos pelo organismo e cuja exposição prolongada torna-se tóxica e pode provocar problemas de desenvolvimento a longo prazo.

Surdez congénita pode beneficiar visão periférica

Existem vários casos relatados de pessoas surdas ou invisuais que informam sobre as suas capacidades melhoradas em outros sentidos, mas até agora ninguém sabia como e por quê acontecia. Uma descoberta, publicada na edição online da «Nature Neuroscience», explica que quem tem surdez congénita pode beneficiar de uma visão periférica incrível.
O estudo realizado em três gatos surdos, por uma equipa de investigadores canadianos do departamento de Fisiologia e Farmacologia da Schulich School of Medicine & Dentistry e do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências Sociais, revela que o cérebro tenta sempre compensar a perda de um sentido reforçando outro.Os investigadores compararam os gatos surdos com outros que dispõe de audição e descobriram que os primeiros têm melhor visão periférica e detecção de movimento. O cérebro é muito eficiente e nunca desperdiça espaço. Por conseguinte, o estudo explica que a partir do momento que o córtex auditivo é estabelecido à nascença e vai esperando por entradas auditivas que nunca vêm, opta por receber estímulos visuais. Sendo assim, as propriedades neurais dedicam-se a aumentar a visão.
A equipa confirmou que a parte do córtex auditivo que se dedica aos interruptores periféricos de audição está ligada à visão periférica. Os gatos são os únicos animais que para além dos seres humanos, podem nascer surdos.
O autor do estudo, Lomber, com a sua equipa, mostrou que apenas duas capacidades visuais específicas são melhoradas nos surdos: a localização visual no campo periférico e detecção de movimento. Chegaram à conclusão que o córtex auditivo, que normalmente se dedica a recolher sons periféricos, trata de melhorar a visão periférica, o que levou os cientistas a perceber que a função se mantém, mas troca a auditiva pela visual.
Agora, a equipa está empenhada em descobrir como é que um cérebro surdo difere de um auditivo para melhor entender como manejar implantes e como é que as mudanças ou falhas auditivas acontecem naqueles que inicialmente ouviam bem.

"Os pais educam com um 'sim' a tudo"

"Muitos pais não sabem ser pais. Educam com um 'sim' a tudo. Fazem o que podem, cansados, e com o pouco tempo que têm, dando tudo às crianças para compensar as suas ausências. Não admira que depois, em adolescentes, estes não tenham o mínimo de regras e de respeito pelos pais." A opinião é de Maria Saldanha Pinto Ribeiro, especialista em mediação familiar, que há muitos anos acompanha os "problemas de autoridade" dos pais em relações aos filhos. "As crianças crescem habituadas a querer e a ter tudo. Não são educadas com valores, mas com idas aos shoppings e com compras. Não crescem em ambientes onde há uma hierarquia e autoridade mas a achar que somos todos iguais", acrescenta a presidente do Instituto Português de Mediação Familiar. Maria Saldanha Pinto Ribeiro considera que ainda mais grave é a falta de autoridade nas escolas. "Ao retirar autoridade aos professores, o Estado só está a deseducar as crianças", acrescenta a mediadora familiar.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Escolas acompanharam 166 alunos por 'bullying'


Técnicos do Instituto de Apoio à Criança acompanharam em 19 agrupamentos mais agressores do que vítimas de intimidação continuada. E com bons resultados.
No ano passado foram acompanhados nas escolas 166 alunos por bullying. A maioria (93) eram agressores e os restantes 73 vítimas desta forma de violência continuada.
A coordenadora dos gabinetes de apoio ao aluno e à família (GAAF) nas escolas, Melanie Tavares, explica que "os agressores agem muitas vezes em grupo sobre uma única vítima", sendo por isso normal que o seu número seja superior ao dos alunos que sofreram intimidação.
O trabalho feito com os agressores, ao longo do ano, conseguiu que alguns se tornassem amigos das vítimas. "Não incentivamos a nada, nem a confessarem que são agressores, nem a pedir desculpa às vítimas. Mas muitas vezes eles tomam consciência daquilo que fizeram e acabam por pedir desculpa", adianta Ana Ferreira, coordenadora do GAAF de São João da Talha, Santa Iria da Azóia.
O principal objectivo das sessões organizadas pelos GAAF - que são coordenados pelo Instituto de Apoio à Criança - é levar os agressores a pensar nas suas atitudes, refere Ana Ferreira. "Conseguimos que eles tomem consciência através de actividades de turma em que alguns alunos fazem de vítimas e outros de agressores".
Na sua escola, Ana Ferreira já conseguiu reconciliar várias vítimas e agressores. João (nome fictício) é hoje amigo de quem antes lhe batia. "Era do pior que possamos imaginar. Percebemos em assembleia de turma, numa das actividades, que ele era vítima de colegas da turma. Mas conseguimos que ele se integrasse e que os agressores começassem a vê-lo como um par".
Hoje jogam à bola juntos e João até conseguiu passar de ano, melhorar as notas e a sua autoestima. "Agora até é um tagarela nas aulas e antes nem abria a boca", confessa orgulhosa a psicóloga.
A prevenção do bullying - violência física e psicológica de forma continuada sobre a mesma pessoa - foi uma das apostas dos gabinetes durante o ano passado e é uma das prioridades para este ano, explica Melanie Tavares. O objectivo é travar relacionamentos que são "grandemente marcados pela violência", quer entre colegas quer com os professores, justifica o relatório de actividades dos GAAF.
À prevenção de situações de bullying, estes gabinetes, que estão em escolas até ao 3.º ciclo, juntam este ano a prevenção do consumo de substâncias psicoactivas, a sexualidade e a segurança na internet.
Além destes casos, os gabinetes recebem e acompanham alunos com outros problemas. Ao todo, num universo de 20 557 estudantes foram sinalizados 1808 no ano passado. O fraco aproveitamento escolar é a situação mais frequente, seguido da desmotivação e de mau comportamento na aula.
Para os técnicos dos GAAF, muitos alunos têm "antecedentes de grande exposição a modelos de risco". De facto, muitas destas crianças são oriundas de famílias monoparentais, em que a mãe é a única responsável pela educação das crianças. A resposta está por isso no apoio às famílias. Ao longo do ano 2009/2010, os psicólogos e técnicos fizeram 346 visitas domiciliárias de forma a incluir a família na vida escolar dos jovens e realizaram 1204 reuniões com os encarregados de educação das crianças e jovens.