terça-feira, 11 de novembro de 2008

Manuel Alegre lança críticas à política de educação do Governo

O deputado socialista Manuel Alegre lança hoje o segundo número da "Ops!", Revista de Opinião Socialista, ocasião em que deverá renovar algumas das suas críticas à política de educação do Governo.
Domingo, em declarações ao PÚBLICO, o ex-candidato presidencial comentou a manifestação de professores realizada na véspera e considerou que a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, revelou "pouca cultura democrática" ao referir-se à manifestação como "um acto de intimidação". O vice-presidente da Assembleia da República mostrou-se "chocado" com a intervenção televisiva da ministra da Educação durante o protesto dos professores, criticando a sua inflexibilidade: "Temo que isso mine a confiança dos professores na própria profissão", afirmou Manuel Alegre, que sexta-feira passada, juntamente com mais quatro deputados socialistas, votou contra a proposta do Governo de revisão do Código de Trabalho. (...)
Como alternativa à actual conduta do Governo no sector da educação, Manuel Alegre tem aconselhado a "ouvir a voz da rua", acrescentando que "se tantos [professores] estão na rua, terão as suas razões".
Comentário:
Tenho constatado que a questão da avaliação ainda não foi compreendida nem aceite pela generalidade dos cidadãos. Tem sido uma das questões fundamentais nesta polémica! Os pais, através das respectivas associações, têm vindo a aderir, tomando consciência das consequências que poderão advir para os seus educandos. Os partidos políticos da oposição têm, também, assumido uma posição contra a implementação do actual modelo de avaliação de professores. Finalmente, algumas figuras do partido do governo também estão assumir posições contra a inflexibilidade da ME, reconhecendo a legitimidade das manifestações dos docentes.
Falta, de facto, chegar junto da generalidade dos cidadãos, explicando o porquê destas manifestaçõe, justificando a oposição ao actual modelo de avaliação e desmistificando que os docentes querem ser avaliados mas, para isso, têm de ter condições para, em primeiro lugar, serem professores!

Ensaio sobre a cegueira na Educação

Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?
Porque foi que cegou a Ministra da Educação, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegou, penso que está cega, Cega que vê, Cega que, vendo, não vê. - Reescrita livre de um passo de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Tentei compreender o que se está a passar no meu país ferido, fui à maior manifestação de sempre na história da educação portuguesa, na condição de professor apenas, sem olhar a estatutos, e sem ir a mando de ninguém a não ser da minha consciência cívica, mesmo que aparentemente esta não seja a minha guerra.
Um cego humilde, mesmo que não quisesse ver podendo ver, demitir-se-ia e pediria desculpa por se ter enganado num modelo de avaliação que tinha por justo, mas que se revelou, nas suas primeiras experiências práticas, um desastre nacional. O cego continua a não querer ver o que vi com os meus próprios olhos e que ele(a) podia também ter visto, se tivesse amor verdadeiro à causa que jurou defender. Assisti, incrédulo, às diversas explicações da Ministra - cega que, vendo, não vê -, dizendo, em delírio mental, que o que via era uma conjuração sindicalista de professores manipuladores sobre professores manipulados. Nenhum professor rejeita a avaliação, mas o discurso do(a) cego(a) que vê e não quer ver aponta sempre o mesmo dedo à falsa repulsa pela avaliação. Esse cego diz que as escolas estão, nesta data, a proceder à avaliação com normalidade, porém há registo de mais de 1500 escolas a contestarem formal e informalmente um modelo que promove a injustiça, a imparcialidade e a divisão.
Diz o(a) cego(a) que os professores só têm de se preocupar com uma ficha de objectivos, por isso não vê como se podem queixar de sobrecarga de actos administrativos. O mérito que se lhe pode reconhecer é o de ter criado um sistema de avaliação que nem no mais complexo processo de Bolonha no mais complexo sistema universitário alguma vez se viu. A ficha única da mentira do(a) cego(a) é uma sinédoque para dizer que, na prática, estamos a falar da elaboração de documentos e respectivas fichas de registo de competências, grelhas de análise e avaliação, porta-fólios, guiões de objectivos individuais, de auto-avaliação, correcção de testes, de trabalhos individuais e de grupo, trabalhos de casa, produção de fichas informativas e formativas, elaboração de fichas de avaliação formativa e sumativa, reuniões intermináveis e inconsequentes, etc. O que fica de fora - a preparação das aulas, a auto-reflexão sobre o que se ensina - é o que mais devia ocupar o professor. A responsabilidade da criação deste professor-escrivão é da Ministra, porque todos os professores se formaram para serem sobretudo educadores e oleiros do conhecimento.
A actual Escola Pública está mais inclinada do que a Capela de Suurhusen: a opção por aulas de substituição está errada, se se obriga um professor de Filosofia, por exemplo, a substituir um professor de Matemática; a introdução do Inglês no 1.º ciclo está errada, se os professores forem subcontratados no mercado livre, sem habilitações adequadas e ensinando um currículo descontextualizado do programa nacional; a promoção do computador Magalhães está errada, se se pede aos professores do Ensino Básico que sirvam de vendedores de propaganda informática, pois são eles que tratam de todos os pormenores da venda do Magalhães, quando deviam estar ocupados a pensar na melhor forma de o usar nas suas aulas; os critérios que nortearam o primeiro concurso de acesso a professor titular estão errados, se valorizam apenas a ocupação de cargos nos últimos sete anos, independentemente de qualquer avaliação da competência pedagógica, científica ou técnica desses professores; a avaliação do desempenho está errada, se estiver condicionada a parâmetros como o sucesso, o abandono escolar e a avaliação atribuída aos alunos (se se queria um modelo alternativo que não envolvesse uma correlação falsa - sucesso escolar dos estudantes = sucesso profissional dos docentes -, então recorria-se ao actual modelo das universidades portuguesas que fazem inquéritos anónimos anuais aos estudantes, por cada disciplina, e, nos casos em que se detectam problemas denunciados pelos estudantes, os professores em causa são convidados, construtivamente, a corrigir o que estiver mal, sem que com isso estejam a comprometer a sua avaliação profissional); se se constrói um modelo de avaliação em que é possível delegar competências, não se faz tábua rasa do código administrativo e se inclui subtilmente num Orçamento de Estado uma correcção duvidosa para legitimar essa delegação de competências; se queremos melhores professores, não se publica uma lei como o Decreto-Lei n.º 43/2007, que promove a iniquidade da formação de base, excluindo arbitrariamente uns licenciados e protegendo outros, sem que ninguém entenda a filosofia do legislador; se se quer promover a avaliação entre pares respeitar a hierarquia das habilitações académicas adquiridas, e não se monta um sistema em que um docente com o grau de doutor ou de mestre pode ser avaliado por docentes com o grau de licenciado; em vez de promover a aquisição de uma maior qualificação dos professores, embora se anuncie isso hipocritamente, não se publica uma Portaria como a n.º 344/2008, que privilegia a aquisição de mestrados e doutoramentos em Ciências da Educação como habilitação adequada a quem se exige que demonstre depois um desempenho excepcional em termos científicos na sua área de especialidade.
Testemunho de um professor: "Por obra e graça do famoso concurso que distingue os melhores e mais experientes, acedi à categoria (?) de titular (de quê não sei). Sou o professor mais novo (na escola, idade, escalão e tempo de serviço) do meu grupo. Não quero ser titular, só quero ser professor." Será pedir muito a um ministro da Educação, mesmo que seja o mais cego entre os que tudo vêem, que os deixem ser apenas isso, professores?

Pais apelam ao bom senso e diálogo

Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais, diz ter pouco a dizer sobre as manifestações dos professores, até porque uma manifestação" é um direito legítimo e elementar".
O responsável considera mesmo que os professores, "ao defenderem os seus direitos, estão também a defender os direitos dos alunos".
No entanto, a greve que está na forja preocupa-o: "Não é benéfica e pode vir a prejudicar os nossos alunos, designadamente aqueles que irão ter exames no final do ano lectivo. Greves significam menos aulas, pior preparação para os exames", realçou.
Neste momento, a Confap lança o apelo: "Espero que as partes consigam conversar. Consideramos que há condições para isso", afirmou Albino Almeida, que garante que apesar dos protestos "há agora uma manifestação de vontade de Governo" para se chegar ao "tão necessário" diálogo.
Por sua vez, António Castela, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais, salientou ao JN que a federação tem apelado ao "bom senso" do Ministério e dos sindicatos para resolver os conflitos sem o recurso à greve.
"Aqui, e mais uma vez, fazemos esse apelo para que concertem posições no sentido de chegarem a um acordoantes de uma situação limite. Uma greve seria um grave prejuízo para os nossos alunos que iria ser prejudicados pois não poderiam ir às aulas", destacou o responsável.
António Castela não deixou, no entanto, de manifestar a sua própria preocupação no que concerne aos protestos dos professores, que considera ser um direito legítimo e lançou farpas: " A ministra devia dar mais atenção ao que se está a passar. Estão a investir demasiado na avaliação dos professores e estão a minimizar o que devia ser mais importante, que é o ensino", destacou, para acrescentar ainda em tom acusatório: "Este modelo está a criar graves problemas nas escolas. Quando discutimos o assunto nos conselhos pedagógicos começa a ficar claro que há burocracia a mais".

Jorge Pedreira: escolas “complicam” o processo

De acordo com o responsável, o processo de avaliação só terá de estar terminado em Dezembro de 2009, pelo que as escolas terão o "tempo necessário" para aplicar o regime de avaliação de desempenho, contando "com todo o apoio do ministério". Questionado sobre o excesso de burocracia que os sindicatos acusam de ter sido imposto por este modelo, Jorge Pedreira afirmou que algumas escolas estão "a complicar" o processo. "Sabemos que há algumas escolas que, por vontade de fazer bem, complicam o processo, com documentos muito vastos e muitas reuniões", admitiu.
Na opinião do secretário de Estado, "os professores têm várias razões para protestarem" e para estarem insatisfeitos, como o aumento da idade da reforma ou a transformação de um regime "que, na prática, era de progressões automáticas na carreira" para um modelo de avaliação de desempenho "mais exigente". "Os professores manifestaram-se porque estão a trabalhar mais e porque as condições de progressão na carreira são hoje mais difíceis", resumiu.
Apesar de reconhecer a "insatisfação" dos docentes, Jorge Pedreira considerou que o modelo de avaliação definido terá de ser, ainda assim, aplicado, "em nome do interesse da Educação", sublinhando que esta reforma pode prosseguir sem o acordo da classe. "Dizer que só se pode mudar o modelo de avaliação de desempenho dos professores para um mais exigente se houver o acordo dos próprios é o mesmo que dizer que só se podem aumentar os impostos com o acordo dos cidadãos. Se fosse assim, não se faziam porque, naturalmente, os próprios não estão dispostos a isso", afirmou o secretário de Estado.
Comentário:
Todos estes comentários e reacções, desde o PM à ME, demonstram um desconhecimento da realidade que eles próprios projectaram. Já que insistem tanto na "simplificação", nas "vantagens educativas" do modelo, nas suas "virtualidades", porque não vêm eles, sim, essas pessoas!!, às escolas e demonstram, na prática, tudo quanto afirmam?!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Movimentos de professores mantêm manifestação para sábado em Lisboa

Dois movimentos de professores mantêm a convocatória de uma manifestação para Sábado, em Lisboa, contra o processo de avaliação e pela necessidade de pôr fim ao memorando de entendimento assinado pela Plataforma Sindical com o Ministério da Educação.
Em comunicado hoje divulgado, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) diz que a manifestação, que será também organizada pelo Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), ganhou uma "legitimidade acrescida" depois da ministra da Educação ter reagido à manifestação de sábado [organizada pelos sindicatos e que, segundo os organizadores, juntou cerca de 120 mil docentes] como se fosse um pormenor irrelevante".
"A manifestação do dia 15 de Novembro, iniciativa que surgiu no seio dos professores (...) ganhou hoje uma legitimidade acrescida. Quando a Ministra da Educação reage ao enorme protesto que os professores fizeram hoje desfilar nas ruas de Lisboa como se 120 mil docentes em luta fosse um pormenor irrelevante, mostra que a nossa contestação não pode parar a 8 de Novembro", refere o comunicado, escrito sábado mas divulgado hoje.
Estas duas estruturas referem também que os movimentos independentes de professores "têm razão quando exigem da Plataforma Sindical a denúncia do memorando de entendimento que assinaram com o Ministério da Educação", "esse documento que a ministra continua a esgrimir para condicionar os sindicatos e a própria luta dos professores".
APEDE e MUP defendem uma "ruptura clara" com o acordo, considerando este outro "motivo fortíssimo para os professores regressarem às ruas de Lisboa no próximo Sábado". Na opinião das duas estruturas, "o combate dos professores, no momento político que hoje se vive em Portugal, já não é apenas uma luta centrada nos alvos já conhecidos (...) é hoje também uma luta contra o autoritarismo que se apropriou das formas de governação, ao reduzir os cidadãos a executores passivos de políticas que eles mesmos não aceitam".

Avaliação foi a gota de água do mal-estar nas escolas

O modelo de avaliação de desempenho foi apenas a gota de água que fez transbordar o copo do descontentamento que vem apoderando-se dos professores, à medida que as reformas do Ministério da Educação têm chegado às escolas. Nos últimos dois anos, o Governo encetou uma reforma profunda do sistema, sobrecarregando os docentes com inúmeras tarefas, muitas das quais vão para além da sua missão principal: ensinar.
Divisão da carreira
Com o novo estatuto da carreira docente, que entrou em vigor em Janeiro de 2007, o topo da carreira deixou de ser algo atingível por todos os profissionais e a classe foi dividida em dois tipos: professores e titulares. O Ministério abriu um concurso para que parte dos professores ascendessem a titulares. O concurso foi injusto, dizem os docentes, e fez com que algumas pessoas com menos experiência ganhassem mais pontos e progredissem em detrimento de outras. Exemplos: um professor que tenha tido um cargo executivo nos últimos sete anos (como presidente do Conselho Executivo) possui uma quantidade de pontos que um docente que tenha desempenhado a mesma função, mas há mais tempo, não possui. Ou seja, o segundo desempenhou as mesmas funções, tem até mais anos de serviço, mas não subiu a titular.
Estatuto do Aluno
Trouxe muito mais trabalho para os professores, especialmente para os directores de turma. Cada vez que um aluno excede o número de faltas a uma disciplina, o professor é obrigado a fazer uma prova de recuperação. Há alunos que faltam muito, por desinteresse, os professores fazem a prova mas muitas vezes estes nem aparecem para a realizar. Há ainda casos de alunos que faltam durante um período grande devido a um problema de saúde e depois são obrigados a fazer testes para recuperar matérias que nem chegaram a aprender.
Ensino especial
Ao integrar os alunos do ensino especial nas escolas públicas, o Ministério não transferiu muitos dos técnicos especializados para o seu acompanhamento, além de não ter reforçado o pessoal não docente. Ou seja, alunos com deficiências graves que, por exemplo, não se deslocam, não comem nem vão à casa de banho sozinhos, foram integrados nas turmas e os professores têm de ajudá-los nestas competências mais básicas. Além de que, fazê-los adquirir conhecimentos e competências ao mesmo ritmo do que os outros é uma tarefa quase impossível, lamentam os professores.
Nova gestão escolar
O novo modelo de gestão das escolas obrigou à definição dos regulamentos internos e à redefinição dos Projectos Educativos das escolas. Documentos estruturais que demoram a traçar exigem a realização de muitas reuniões e discussões. A nomeação dos novos directores escolares, que podem ser professores alheios à escola, tem de estar concluída até 31 de Maio, data em que estes terão de avaliar professores cujo desempenho demonstrado ao longo do ano desconhecem.
Avaliação
Só na fase de definição de objectivos os professores têm de prever o sucesso dos alunos e a redução do abandono escolar, parâmetros segundo os quais serão depois avaliados. Cada professor tem de olhar para as suas turmas, fazer o diagnóstico dos seus conhecimentos (através de um teste de diagnóstico, por exemplo, uma vez que não conhecem ainda os alunos) e estimar quantos vão passar e reprovar. O sucesso a atingir tem de estar de acordo com o projecto educativo da escola, que pode ser, por exemplo, melhorar o sucesso de 20% dos alunos. O professor tem ainda de traçar um plano para que os seus alunos alcancem estas metas. A redução do abandono escolar é ainda mais difícil de travar, principalmente em turmas com dificuldades. Depois, o professor tem de reunir com o avaliador e, numa entrevista, discutir os objectivos propostos. Os avaliadores têm de assistir às aulas dos avaliados. Se um avaliador tiver dez avaliados tem de assistir a dez aulas e reunir-se antes e depois com cada docente em avaliação. Se o seu horário não for compatível, o avaliador terá de faltar a uma aula sua e preparar uma aula de substituição, prejudicando assim os seus alunos.'
Magalhães'
Até o computador veio dar mais trabalho aos professores do primeiro ciclo que têm de tratar, com os pais, os papéis para a sua aquisição.

Comissão Paritária de Acompanhamento da Avaliação reuniu-se três vezes mas sem resultados

A Comissão Paritária de Acompanhamento da Avaliação, criada após o Memorando de Entendimento entre sindicatos de professores e Ministério da Educação assinado em Abril, reuniu apenas três vezes e nunca resolveu nenhum dos problemas relacionados com a aplicação do processo.
Depois de Maria de Lurdes Rodrigues ter acusado no sábado os sindicatos de nunca terem apresentado problemas na comissão própria para o efeito, ontem foi a vez de membros da Plataforma desmentirem a ministra da Educação, ao garantirem que denunciaram casos concretos que nunca foram resolvidos.
Entre Setembro e Outubro, das três vezes que a Comissão Paritária reuniu, duas delas foram apenas para discutir e aprovar o seu regulamento interno. Apenas a 17 de Outubro os sindicatos tiveram oportunidade de apresentar os problemas da aplicação do modelo transmitidos pelas escolas, ao mesmo tempo que alertaram para o vazio na liderança do Conselho Científico para o Acompanhamento da Avaliação. "Na verdade, a Fenprof fez chegar à Comissão Paritária, nos primeiros dias de Outubro, um documento contendo onze problemas relevantes que, no entanto, até hoje, não mereceram qualquer resposta. Em reunião realizada a 17 de Outubro, o director-geral de recursos humanos, que preside à comissão, tentou justificar, apenas oralmente, as irregularidades e abusos, entre outros aspectos referidos, não tendo mostrado abertura para solucionar um único que fosse", informa Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof e porta-voz da Plataforma Sindical.
João Dias da Silva, líder da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), confirma esta versão e afirma que a "comissão não cumpriu os objectivos a que se propunha porque o Ministério não transmitiu a informação que devia, apesar de os sindicatos terem transmitido informação genérica" sobre os problemas que estavam a decorrer nas escolas. "Mais", acrescenta Mário Nogueira, "a 14 de Outubro, em reunião com a ministra, a Fenprof tentou abordar os problemas, mas sem êxito, pois Maria de Lurdes Rodrigues afirmou não ser aquele o espaço para essa discussão". Razões que levaram a Plataforma a abandonar a comissão que tinha reunião marcada para amanhã.
O DN tentou, sem sucesso, contactar o Ministério da Educação (ME) durante o dia de ontem, mas foi o próprio primeiro-ministro quem se encarregou de atacar os sindicatos e defender as políticas educativas do Governo. No XIII Congresso da Distrital de Coimbra do PS, José Sócrates criticou o "lamentável oportunismo político da oposição" e não poupou os sindicatos, acusando-os de faltarem com o acordo assinado. "O que eu pergunto é se será pedir demais que cumpram este acordo, que honrem a palavra que deram, a assinatura que puseram neste memorando?"
Para Carlos Chagas, do Sindicato Nacional e Democrático de Professores (Sindep), o primeiro-ministro "repete uma mentira até se tornar verdade", porque foi o Governo que não cumpriu o acordado. "No Memorando ficou estipulado que o Conselho Científico para a Avaliação devia fornecer aos sindicatos estudos para aplicar o modelo. Não recebemos um único. Ficou também definido que o Conselho deveria reunir com peritos para aplicar as medidas necessárias para o bom funcionamento da avaliação. Também não houve uma única."
Dias da Silva diz que são tudo provas de que este modelo "não é remendável". E que para haver outro terá de ser aberto "um novo processo negocial, para o qual os sindicatos estão disponíveis". Mas "até o Ministério da Educação mudar a sua posição, não há nada a fazer".

sábado, 8 de novembro de 2008

Avaliação dos professores compromete aprendizagem dos alunos, defendem pais

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considerou que o processo de avaliação de desempenho dos professores "pode comprometer a qualidade das aprendizagens dos alunos", exigindo ao Governo um modelo "menos burocrático e pesado".
"Na realidade, o que está a acontecer em muitas escolas do país torna evidente que esta complexa operacionalização do processo está a desviar os professores da sua tarefa de educar e ensinar", afirma a CNIPE, em comunicado, garantindo que "em muitas escolas as entrevistas aos professores estão a realizar-se durante o horário lectivo". Para a CNIPE, "muita da energia dos professores está a ser desviada para o plano excessivamente burocrático do processo com prejuízo da acção pedagógica que os docentes devem privilegiar".
"Esta situação é preocupante já que tenderá a agravar-se nos períodos escolares seguintes, com a aplicação integral e extensiva do modelo, o que terá implicações graves nos resultados finais dos alunos e das próprias escolas, no que ao sucesso diz respeito", afirma a confederação.
A CNIPE exige que seja desencadeado ainda no decurso do ano lectivo um processo que conduza "à criação de um modelo menos burocrático e pesado, que potencie a melhoria da acção pedagógica". Os sindicatos de professores já exigiram a suspensão do processo de avaliação de desempenho, disponibilizando-se para iniciar de imediato um processo negocial tendo em vista alterações ao modelo proposto pelo Ministério da Educação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ferreira Leite quer suspender avaliação dos professores e criar novo modelo

A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje a suspensão do actual modelo de avaliação dos professores e a aprovação de um novo modelo de avaliação externa e sem quotas administrativas.
Numa declaração na sede nacional do PSD, em Lisboa, Ferreira Leite defendeu também o fim da divisão da carreira docente em duas, a de professor e a de professor titular.
"A avaliação dos professores é um princípio que o PSD defende intransigentemente", salientou Manuela Ferreira Leite. "O modelo em vigor assenta em princípios inadequados e injustos e num esquema de tal forma burocrático e complexo que está criar uma enorme perturbação nas escolas e a desfocar os professores da sua função essencial", afirmou, na declaração sem direito a perguntas.
"O Governo impôs um processo que tem dado origem a um clima de tensão e crispação entre todos os intervenientes, que está a prejudicar o sistema educativo. A teimosia com que tem tratado esta questão está a afectar seriamente o que é essencial para a qualidade do ensino: a motivação dos professores", acrescentou. Manuela Ferreira Leite anunciou que, "por isso, o PSD defende a suspensão imediata deste modelo de avaliação" e entende que, "desde já, se deve começar a trabalhar num novo modelo de avaliação, sério e eficaz".
"A avaliação tem de ser externa, retirando das escolas e dos docentes a carga burocrática e conflitual que os desviam da sua função primordial que é ensinar. A avaliação tem de procurar a efectiva valorização do mérito e da excelência, devendo por isso pôr-se fim às quotas administrativas criadas por este Governo", defendeu.
De acordo com a presidente do PSD, é preciso também "acabar com a divisão da carreira docente, iníqua e geradora de injustiças, entre professores titulares e professores que acabam por ser classificados de segunda". "Insistir no actual modelo é pura perda de tempo. Os professores não são justa e verdadeiramente avaliados e, principalmente, os alunos e as suas famílias estão a ser prejudicados com o clima de intranquilidade que se vive nas escolas", concluiu Manuela Ferreira Leite.
A ex-ministra da Educação e actual líder social-democrata falou aos jornalistas depois de se reunir com professores militantes do PSD que são dirigentes sindicais, na véspera de mais uma manifestação de professores convocada para Lisboa contra o actual modelo de avaliação.
Comentário:
É de salientara oportunidade desta intervenção, em vésperas de uma manifestação! Porque não reagiu há mais tempo?! Bem, vale mais tarde do que nunca! No entanto, esperemos que estas palavras não tenham como finalidade, apenas, o aproveitamento político mas se baseiem em convicções políticas, para bem do país!

Espasticidade


A espasticidade é a rigidez muscular que dificulta ou impossibilita o movimento, em especial dos braços e das pernas. Acontece quando se verifica uma lesão numa parte do sistema nervoso central que controla os movimentos voluntários, e pode ter origem no cérebro ou na medula espinal.
As lesões provocam uma alteração no equilíbrio dos sinais transmitidos entre o sistema nervoso e os músculos. Este desequilíbrio origina uma actividade acrescida ou espasmos nos músculos.
Os sintomas da espasticidade podem variar desde uma leve contracção muscular até uma rigidez severa. A impossibilidade de controlar os músculos voluntários poderá aumentar o grau de dificuldade para realizar actividades diárias tais como vestir, comer, escovar os dentes ou os cabelos.
A espasticidade nos músculos dos membros inferiores pode interferir com a capacidade para andar ou sentar, por exemplo, enquanto que a espasticidade nos pés pode impedir o uso de sapatos pela deformidade causada.
Entre as condições habitualmente associadas à espasticidade em crianças encontram-se a paralisia cerebral e, em adultos as lesões traumáticas da medula espinal e a esclerose múltipla.
Aproximadamente, 80 entre cada 100 pacientes com paralisia cerebral têm espasticidade, de maior ou menor intensidade. A espasticidade afecta, negativamente, os músculos e as articulações das extremidades, causando movimentos e posturas anormais e é especialmente prejudicial nas crianças em crescimento. Todos os anos surgem aproximadamente 200 a 250 novos casos de paralisia cerebral em Portugal.

Cirurgia para o tratamento da espasticidade
A espasticidade pode dificultar as actividades do dia-a-dia e afectar negativamente as funções normais do doente.
Um dos métodos possíveis para tratar a espasticidade é a medicação antiespástica. No entanto, embora a medicação oral resulte em milhares de pessoas, alguns doentes podem necessitar de doses elevadas para controlar eficazmente a sua espasticidade.
Uma dose elevada do medicamento antiespástico pode causar efeitos secundários intoleráveis, como náuseas, vómitos, sonolência, confusão, problemas de memória e de atenção e, contudo, não produzir os resultados desejados. Para alguns destes doentes é mais eficaz administrar pequenas doses do medicamento antiespástico directamente no local onde este é necessário, através da implantação de uma bomba de infusão de medicamento.

A utilização deste tratamento é recomendada para o tratamento da espasticidade grave que não é possível de controlar devidamente com a medicação oral.
A bomba é implantada cirurgicamente por baixo da pele do abdómen e ligada a um cateter fino e flexível que passa por baixo da pele até ao espaço intratecal na medula espinal, onde administra continuamente doses de medicação controladas de forma precisa para controlar a espasticidade do doente.
Como o medicamento é administrado directamente no local de actuação, são necessárias apenas pequenas doses (geralmente 100 vezes inferiores à dose oral equivalente). Como a quantidade de medicamento que passa a circular no corpo é muito reduzida, diminui a possibilidade de ocorrência de efeitos secundários indesejáveis.
Este sistema é colocado durante um procedimento cirúrgico que exige um curto internamento. A cirurgia demora habitualmente cerca de 1 hora e é executada sob anestesia geral.
Este tratamento diminui a espasticidade em 92% dos doentes e melhora a sua qualidade de vida.

Benefícios da bomba de infusão de medicamento
O tratamento da espasticidade através de uma bomba de infusão de medicamento implantada pode:
• melhorar as funções, incluindo a marcha quando possível, a higiene, as actividades diárias e facilitar a prestação de cuidados;

• diminuir a frequência dos espasmos, a dor e a fadiga;

• promover a redução do tónus, a amplitude de movimentos e melhorar a posição das articulações;

• aumentar a mobilidade;

• deve ser complementada com outros tratamentos, como a fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala.
Pode ser utilizado para tratar a espasticidade associada a uma série de doenças, como a paralisia cerebral ou a esclerose múltipla.

Paralisia Cerebral
A bomba de infusão de medicamento implantada ajuda a promover a autonomia nos cuidados pessoais e na interacção social e participativa.
Se for disponibilizada no momento certo, esta terapia pode reduzir a extensão das correcções de cirurgia ortopédica ou eliminar a necessidade de intervenções cirúrgicas futuras.
Os resultados de estudos realizados têm demonstrado que a redução do tónus muscular obtida com esta terapia pode atrasar ou impedir o desenvolvimento de problemas na anca, e inclusive da luxação.
Proporciona um controlo a longo prazo (>3 anos) da espasticidade de origem cerebral, sendo os efeitos secundários habitualmente controlados por ajuste na dose.