terça-feira, 13 de novembro de 2018

I SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DO ALGARVE - Autonomia, Flexibilidade e Inclusão


A Pró-Inclusão, vai realizar o I SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DO ALGARVE - Autonomia, Flexibilidade e Inclusão.

Este evento decorrerá no dia 26 de janeiro de 2019, no Auditório 1.5 do Complexo Pedagógico do Campus da Penha, em Faro, e estarão a participar conferencistas de reconhecido valor pelo trabalho desenvolvido, de entre os quais destacamos a Prof.º Doutora Ariana Cosme e o Professor José Pacheco, criador e coordenador do Projeto 'Fazer a Ponte', da Escola da Ponte. 

Poderão ser consultadas todas as informações sobre o mesmo em: https://cfpinandee.weebly.com/simposioalgarveprograma.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Ação de Sensibilização "Educação Inclusiva - práticas e desafios (O Decreto-lei nº 54/2018)

O Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto, Porto, tem o prazer de convidar V. Ex.ª para a  Ação de Sensibilização "Educação Inclusiva - práticas e desafios (O Decreto-lei nº 54/2018) ", que se realiza no próximo dia 14 de novembro pelas 14.30h, no auditório da EBS do Cerco do Porto, Porto. Esta sessão será orientada pela Ex.ª Sr.ª Dr.ª Filomena Pereira - DGE, focando a aplicação do decreto-lei n.º 54/2018 de 6 de julho.

A participação é gratuita e de inscrição obrigatória (https://goo.gl/forms/V41wek7B7WKHxAGS2 ) até ao próximo dia 12 de novembro (2ª feira).

domingo, 11 de novembro de 2018

Governo aperta regras do ensino doméstico, que cresceu 47% no último ano

Em 2012/2013 contavam-se 63 crianças inscritas no ensino doméstico. No ano letivo 2017/2018, eram já 909 — um aumento de 47% só num ano. Os dados do Ministério da Educação mostram que há cada vez mais famílias que optam por esta alternativa ao ensino convencional.

Mas a lei que regulamenta esta forma de ensino está prestes a mudar. Segundo avançam (...) este sábado, está em cima da mesa uma proposta de portaria que vai tornar mais exigentes e restritivas as regras do ensino doméstico. As alterações devem entrar em vigor no próximo ano letivo.

Neste momento, os pais que querem ensinar em casa precisam apenas de comunicar a decisão ao estabelecimento de ensino da sua área de residência. Com esta proposta, as matrículas vão passar a depender da autorização do diretor da escola e as famílias terão responsabilidades sobre o percurso da criança e operacionalização do currículo.

O Movimento Educação Livre é taxativo sobre o tema: "Somos absolutamente desfavoráveis a que se dê ao Estado, de forma despótica e ao arrepio do direito das famílias, o poder para assumir e impor um determinado ensino." 

(...) a Associação Nacional de Pais em Ensino Doméstico (ANPED) frisa que "não deve ser necessária qualquer autorização para que uma família possa escolher o percurso das suas crianças, tal como sucede quando se opta pelo ensino particular".

Além de propor a obrigatoriedade da autorização do diretor da escola, a proposta, que está em fase de consulta, estabelece ainda que o responsável pelo ensino da criança tem de ter, pelo menos, uma licenciatura. Neste momento basta que o adulto responsável tenha o ciclo acima daquele que a criança frequenta.

O modelo de avaliação deve permanecer inalterado. Os alunos continuam a ter de prestar provas no final de cada ciclo e realizar os exames nacionais.

Fonte: Público

sábado, 10 de novembro de 2018

Ryanair impede cego de viajar por estar acompanhado pelo seu cão-guia

Samuel Natário de 32 anos perdeu a visão há seis anos por causa de um quisto que lhe apareceu no cérebro. Aprendeu a viver com quatro sentidos: trabalha na Volkswagen Autoeuropa, está a tirar um curso de Serviço Social no ISCTE e faz tudo em casa. É independente desde que acompanhado por Yolo, o seu cão-guia que foi treinado nos Estados Unidos. Sem ele perde a autonomia, mas mesmo assim, no mês passado, foi proibido de viajar para Londres por estar acompanhado pelo seu companheiro de quatro patas.

A viagem Lisboa-Londres estava marcada para as seis horas de 17 de outubro. Avisou a Ryanair atempadamente sobre a sua condição e entregou todos os documentos previstos pela companhia aérea para permitir o embarque de cães-guia nos aviões, como costuma fazer nesta circunstância. Mas chegada a altura do embarque, os funcionários da empresa não estavam informados sobre a presença de Yolo e não permitiram que Samuel utilizasse o seu bilhete de avião.

"Perdi o investimento que fiz na viagem e não cumpri o objetivo da mesma. Porquê? Pela falta de informação e profissionalismo dos colaboradores da Ryanair", explicou (...) por e-mail Samuel Natário.

Fonte: DN

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Congresso Internacional da Dislex - "Dificuldades e Dons"


Congresso Internacional da Dislex Dislexia "Dificuldades e Dons", com especialistas nacionais e internacionais da Dislexia, na ESEPF! 
Dias 23 e 24 de novembro de 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Maior parte dos trabalhadores não pode tirar o dia para cuidar dos filhos

A maior parte dos trabalhadores raramente pode ou não pode de todo ausentar-se do emprego por um dia para cuidar dos filhos e 42,2% não pode modificar a sua hora de entrada ou de saída para ir ao médico com as crianças, a reuniões da escola ou para amamentação. A conclusão é de um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre conciliação da vida profissional com a vida familiar, divulgado nesta quarta-feira, que ainda assim dá conta de uma evolução positiva face a 2010.

O inquérito teve por referência a população dos 18 aos 64 anos (6,3 milhões de pessoas), em particular os trabalhadores por conta de outrem com filhos a cargo ou outros familiares dependentes (1,6 milhões), a quem foram colocadas questões sobre o tema da conciliação e sobre a flexibilidade que têm ou não para cuidar dos filhos. Mas se as respostas às perguntas abertas foram surpreendentes - 84,3% dos inquiridos consideram que as responsabilidades parentais não têm efeito na sua atividade profissional -, já perante situações concretas as dificuldades foram-se revelando.

Desde logo, apenas 38,7% dos entrevistados responderam que podiam ausentar-se do trabalho durante um dia completo para dar assistência aos filhos, sem terem de tirar férias. A maioria, 58,5%, respondeu que raramente pode (20,4%) ou não pode de todo (38,1%).

Ainda assim, há uma melhoria face ao inquérito de 2010, quando 62,6% dos inquiridos não podiam tirar um dia para assistir aos filhos. Vasco Ramos, sociólogo do Instituto de Ciências Sociais que se tem dedicado à temática da família, assinala as melhorias registadas face a 2010 e avança com uma possível explicação. “Deve-se provavelmente ao facto de os mecanismos de contratação colectiva estarem a integrar estas matérias”, afirma.

Já a flexibilidade para entrar pelo menos uma hora mais tarde ou saírem uma hora mais cedo parece mais generalizada, com 55,9% a indicar que geralmente podem ajustar o seu horário diário para cumprirem as suas responsabilidades em matéria de cuidados. Contudo, 42,2% respondeu que isso é impossível ou raramente possível. Mais uma vez, os dados de 2018 representam uma melhoria face a 2010, quando apenas 31,7% respondeu que entrar mais tarde ou sair mais cedo era possível.

Apesar da evolução positiva, Vasco Ramos ficou surpreendido com a elevada percentagem de trabalhadores que não podem ajustar o seu horário em função das necessidades dos filhos. “Há áreas da indústria ou do comércio onde pode ser mais difícil porque os horários são mais rígidos ou porque existe mais resistência por parte dos gerentes, mas surpreende-me que este valor continue a ser tão alto”, sublinha (...).

Margarida Mesquita, socióloga e autora do livro “Parentalidade – Um contexto de Mudanças”, alerta que estas dificuldades ao nível dos horários vão ao encontro das principais preocupações identificadas pelos pais no estudo que fez em 2014, e que se prendiam com a resposta a situações imponderáveis relacionadas com as crianças.

O inquérito do INE conclui ainda que só 24,5% dos inquiridos interrompeu a carreira para cuidar dos filhos, a maioria mulheres, e que apenas 10,3% tiraram a licença parental alargada.

Aproveitando o inquérito ao emprego do segundo trimestre de 2018, o INE questionou o painel de entrevistados sobre as suas percepções e experiências em relação ao tema da conciliação, algo que já tinha sido feito em 2005 e em 2010. A diferença é que em 2018 foram introduzidas questões abertas sobre o tema, o que leva a que algumas das respostas a estas perguntas surpreendam.

A esmagadora maioria da população empregada que cuida regularmente de menores (84,3%) considera que as responsabilidades parentais não têm efeitos na sua atividade profissional e quando questionada sobre os obstáculos à conciliação da vida profissional com a vida familiar, 76,6% responde que eles não existem.

Pode-se concluir que perante estas respostas, os trabalhadores não têm dificuldade em conciliar trabalho e família? Para Vasco Ramos, estas perguntas podem levar as pessoas a dar respostas “politicamente correctas” e, por outro lado, as questões sobre situações do dia-a-dia mostram que há dificuldades.

Para Margarida Mesquita, o dado que mais surpreendente é os inquiridos acharem que não há obstáculos à conciliação. “A resposta pode traduzir a vontade de conciliar as duas coisas. Poderia ser diferente se perguntassem se é difícil conciliar trabalho e família”, nota.

Fonte: Público

domingo, 4 de novembro de 2018

Pais de autista fundam primeiro centro de apoio à doença

Patrick e Viviana Mendes podiam ter-se resignado, naquele dia em que chegou o diagnóstico do Rafael. Mas decidiram dobrar essa esquina e fazer tudo para que o filho tenha uma vida digna. Ele e os outros como ele. "Receber uma notícia daquelas é como levar com um martelo na cabeça. Ninguém nos prepara para a receber, muito menos para o que aí vem". Era o segundo filho dela e o primeiro do casal, "perfeitamente normal até aos 18 meses", conta a mãe (...).

Foi nessa altura que Viviana começou a observar alguns movimentos estranhos por parte do filho, que parecia regredir no desenvolvimento: deixou de fazer gracinhas, de falar, de olhar nos olhos.

O pediatra suspeitou logo que o bebé pudesse estar no espetro de autismo, mas foram precisos vários meses e muitos exames para um veredicto: O Rafael era autista, de facto. Naquele minuto concluiu-se a volta de 360º na vida da família, que até então morava em Coimbra.

Viviana deixou de trabalhar para ficar exclusivamente com o filho, o casal mudou-se entretanto para Pombal, onde a rede familiar garantia mais apoio. Tinha acabado de constituir uma empresa na área da comunicação quando tudo mudou, com o diagnóstico. "Dizem que o autismo é 50% de causas genéticas e 50% ambientais. Para nós é 100% mistério", conta (...) Patrick Mendes, no caminho para aquele que é uma espécie de sonho realizado: o PARA (Projeto de Apoio e Recursos para o Autismo), inaugurado em meados deste mês de outubro. Abriu portas no início do ano letivo, em setembro.

À procura de respostas

Foi a necessidade de encontrar respostas no apoio ao pequeno Rafael que levou Patrick e Viviana a mover montanhas, a pesquisar tudo o que havia (sobretudo o que não havia) no país para garantir um desenvolvimento saudável ao filho. "Fomos acumulando respostas e experimentando, pesquisando muito, quando percebemos que no público não havia quase nada adequado ao autismo, e que no privado havia pouco, e muito dispendioso". De resto, essa certeza começou cedo, quando o formulário para solicitar terapia da fala era o mesmo que aquele utilizado para portadores de paralisia cerebral.

Uma longa caminhada pontuada por siglas que até então desconheciam por completo. A primeira com a qual se familiarizaram foi a PECS (Picture Exchange Communication System), desenvolvido nos anos 1980 como "um sistema exclusivo de intervenção aumentativa/ alternativa na comunicação, destinado a indivíduos com perturbação do espetro do autismo". E depois cruzaram-se com o ABA, que permite uma intervenção precoce, mesmo antes da idade escolar, mas que por ser abrangente aplica-se também a todas as idades, seja após os 6 anos ou na idade adulta. Funciona com um técnico para cada criança, o que deixa adivinhar os resultados. "Foi quando percebemos que só havia em Lisboa, Porto e Condeixa instituições (privadas) que adotavam esse sistema que começámos a estudar a hipótese de o trazer para mais perto", recorda Patrick Mendes. Era o tempo em que se revezava com a mulher - e com os pais - para levar Rafael até Condeixa, num total de seis horas semanais, que custavam à família cerca de 300 euros mensais. Era tudo o que podiam pagar. Mas cada vez tinham mais certezas de como seria importante que o filho tivesse acesso àquela terapia comportamental todos os dias da semana. No meio das pesquisas, concluíram que o sistema é aplicado em quase todos os países da Europa, com destaque para o exemplo de França: "avançou em 2013, quando 70 famílias processaram o Estado por falta de apoio".

Terá sido esse o momento em que se fez o clique na cabeça de Patrick e Viviana. Estávamos em 2016, era a terceira vez que o Município de Pombal abria aos cidadãos o Orçamento Participativo. O casal decidiu concorrer, tentar a sorte de ver aplicados 100 mil euros num espaço para o filho, mas também para todas as crianças daquele concelho com a tal PEA - Perturbação do Espetro do Autismo.

A proposta apontava "um caminho para colmatar importantes carências de todas as freguesias do concelho de Pombal ao nível de respostas efetivas e estruturadas para as crianças e famílias que convivem diariamente com a problemática da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) e com os desafios da inclusão ao longo de todo o trajeto escolar". Votaram nela 212 pessoas, num concurso que ganharam por apenas um voto.

Um ano de projeto. E depois?

Quando foi anunciada a votação já era dezembro, e apontava-se janeiro seguinte para implementar o projeto, o que se revelou manifestamente insuficiente. Depois era ano eleitoral, mudou a vereadora responsável por acompanhar esse projeto vencedor. Hoje, quando abre a porta do Centro para mostrar (...) o espaço onde agora é possível apoiar oito crianças, Patrick Mendes acredita que o atraso foi benéfico. "Isso permitiu-nos participar de todo o processo, desde o recrutamento das pessoas que aqui trabalham até à escolha dos materiais", sublinha.

O espaço foi alugado à Santa Casa da Misericórdia local, e abriu portas no início do ano letivo, em setembro. A 10 de outubro foi oficialmente inaugurado, com a assinatura de diversos protocolos com instituições locais. Ali trabalham três técnicas, num projeto que, para já, tem apenas a duração de um ano. E por isso o casal já pensa no passo seguinte: a criação de uma associação, sem fins lucrativos, que permita estender o apoio às crianças para lá do pré-escolar e do ensino básico, como está estipulado.

Entretanto Rafael cresceu, tem agora sete anos, está no primeiro ano "e é o único que já sabe ler e escrever lá na sala", contam os pais, atestando as capacidades intelectuais acima da média que tantas vezes caracterizam os autistas. Voltou a falar, muito à conta do ABA. E é por isso que os pais insistem tanto na possibilidade de tornar o sistema parte integrante do ensino público em Portugal.

Patrick e Viviana Mendes têm feito uma verdadeira cruzada junto de todas as instituições de que se lembram para falar da importância de apoiar as crianças (e os pais) autistas em Portugal. No último ano foram à Assembleia da República, falaram com todos os partidos e perceberam então que existe "um desconhecimento total", patente na lei 54/2018, relativa à educação inclusiva. Contudo, consideram que "existem algumas janelas de abertura" onde será possível incluir outro apoio para estas crianças.

Um Plano Estratégico para o Autismo

"O ideal seria que não fosse preciso este Centro, que não fossem precisos centros como este no país. Que a escola pública integrasse esse apoio", sublinha Viviana, que cinco anos depois de começar esta caminhada está quase especialista na matéria. Já reuniu com responsáveis de todos os organismos, já apontou as falhas no sistema que vai testando enquanto mãe. E qual cereja no bolo, o casal chegou ao Presidente da República. Marcelo prometeu-lhes uma visita ao Centro, em Pombal, e é nesse momento que o casal deposita esperanças, "para mostrar ao país que é possível, sem grande investimento, conseguirmos este apoio. Incentivarmos outros pais a fazerem o mesmo: apresentarem projetos semelhantes ao Orçamento Participativo das suas terras".

Em Portugal a Segurança Social assegura um apoio residual no ensino pré-escolar e no primeiro ciclo às crianças autistas. São 45 horas semanais (ou quinzenais) que dão para trabalhar muito pouco com as crianças. "Além disso, há apenas cinco pessoas credenciadas (em Lisboa e Braga) para dar formação a técnicos de ABA, cujos resultados se revelam tanto melhores quando mais precoce for a intervenção.

E é também aí que o PARA pode ter um papel importante, servindo como centro de formação, por exemplo", sustenta Patrick. Em suma, o que estes pais pretendem é transformar a sigla PEA: "que em vez de ser conhecida como Perturbação do Espetro do Autismo seja criado um Plano Estratégico para o Autismo, que acompanhe estes miúdos desde pequenos até serem idosos". "Eu quero que o meu filho tenha direito a pagar impostos e não seja um subsídio-dependente", conclui o pai.

O autismo é uma perturbação crónica e complexa do neurodesenvolvimento, habitualmente grave, muito frequente, de grande repercussão, e com graves alterações comportamentais, cognitivas, psicológicas e educacionais. Manifesta-se antes dos três anos de idade.

Fonte: DN

sábado, 3 de novembro de 2018

Técnica inovadora pôs três paraplégicos a andar

Pela primeira vez em anos três pacientes paraplégicos caminharam depois de lhe ter sido implantado um dispositivo eletrónico na coluna.

A experiência, anteriormente testada em ratos e depois em macacos, é da responsabilidade de investigadores suíços e chegou agora aos humanos.

Aos três homens foi implantado um pequeno aparelho que estimulou eletricamente – através de pequenos choques – a espinal medula e, passada uma semana, recuperaram o controlo das pernas, ainda que com a ajuda de muletas ou andarilhos.

Os aparelhos foram colocados em pontos específicos da coluna de cada um. “O momento exato da estimulação elétrica e a sua localização são fundamentais para o paciente de produzir o movimento pretendido ”, disse Grégoire Courtine, co-autor do estudo e professor da da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça. “O alvo tem de ser tão preciso como um relógio suíço.”

Esta estimulação elétrica foi combinada com sessões de reabilitação quase diárias ao longo de cinco meses.

“Dar um, dois, três passos sem as mãos nas barras paralelas... foi uma loucura, porque antes, simplesmente, não conseguia andar”, afirmou David Mzee, um dos pacientes, citado pelo jornal El País.

“Este estudo é importante porque confirma que as pessoas com esta lesão têm capacidade de recuperar porque voltaram a treinar os circuitos da coluna vertebral”, referiu, Courtine. No entanto, acrescentou, “precisamos de mais investigações e ensaios clínicos para saber que tipo de estimulação e tratamentos são necessários para obter ainda melhores resultados”.

Fonte: Visão

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

"Aprender deve ser o mais divertido possível, mas é preciso ser honesto e admitir que há um limite"

Daisy Christodoulou, 34 anos, estudou Literatura Inglesa e deu aulas no ensino secundário. Foi nesse percurso que se interessou pela maneira como os alunos aprendem e o muito que se tem vindo a estudar sobre o cérebro nos últimos 50 anos. A sua investigação deu dois livros, Seven Myths aboutEducation (2014) e Making Good Progress: The Future of Assessement for Learning (2017).

Melhor a letras do que a números enquanto estudante, Daisy Christodoulou defende ainda assim que é importante para os alunos "serem bem-sucedidos no que não gostam". É ela mesma um exemplo. "Gostava mais de Inglês e de História, e estudei Literatura, e gostava de Educação Física. Algumas disciplinas eram mais difíceis do que outros, tive de trabalhar bastante na Matemática, não era natural em mim." Mas hoje a base do seu trabalho é um algoritmo que permite avaliar melhor, e mais rapidamente, o trabalho escrito dos alunos. "Estou mesmo contente de não ter desistido da matemática, porque, quando ultrapassamos as dificuldades, percebemos e apreciamos mais."

Vencedora do prémio de melhor aluna da Grã-Bretanha em 2007 na competição University Challenge, Daisy Christodoulou veio a Lisboa para a conferência Escolas Inovadoras, Crianças Criativas, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na Torre do Tombo.

Quando se fala das competências que os alunos do século XXI devem adquirir na escola, Daisy Christodoulou diz que quase sempre se chega à criatividade, sentido crítico, resolução de problemas, colaboração, comunicação e empatia. E concorda que são o mais importante. Mas sempre foram, sublinha. E não podem ser ensinadas sem um corpo de conhecimentos robusto, sem disciplinas formais, sem uma atenção focada. "Ninguém cria a partir do vazio."

Os alunos portugueses estão a receber os resultados dos primeiros testes. Acabou-se a ilusão para os pais: o ano letivo vai ser tão mau como sempre.

[risos] Durante a maior parte dos últimos cem anos, na maior parte dos sistemas educativos - não só em Inglaterra, Portugal ou nos EUA - caiu-se na crença de que é possível aprender sem praticar, que é possível apenas aprender com projetos, que os factos não são tão importantes como as competências. Vejo estas ideias até mais atrás, no século XVIII, até Jean-Jacques Rousseau. São ideias românticas de que é possível aprender sem ter de nos focarmos demasiado nos factos, conhecimento ou saber. São ideias muito persuasivas e estão entre muitos pensadores e em muitos sistemas educativos. Mas, em contraste com estas ideias, nos últimos 50 anos, sensivelmente, descobrimos muito sobre como funciona a mente e como o cérebro age. E vemos que os factos, a memorização e praticar são todos muito importantes. E, mesmo quando queremos desenvolver a criatividade e a inovação, o que eu quero, sem sombra de dúvida, precisamos de factos e conhecimento.

Nas suas palestras, aceita que criatividade, resolução de problemas e pensamento crítico são vitais no século XXI, e que sempre foram. Portanto, não temos de mudar assim tanto a maneira de ensinar. A sua abordagem é muito tradicional, o que nos leva a escolas onde se ouve e memoriza.

A razão por que não gosto de usar a palavra tradicional é porque a minha abordagem tem que ver com o funcionamento do cérebro, provas científicas e investigação. Aprendemos mais sobre como funciona a mente nos últimos 50 anos do que nos cinco mil anteriores. Portanto, estou mais focada no que a investigação moderna nos deu e o que mais me interessa é o trabalho desenvolvido por Herbert Simon - laureado com o Nobel em Economia e pioneiro da inteligência artificial nos anos 50 e 60. Ele desenvolveu as primeiras teorias sobre como podemos pôr as máquinas a pensar, tão relevantes hoje. Mas Simon, e as pessoas que estudavam com ele as origens da inteligência artificial, perceberam que para o fazer tínhamos de saber sobre a inteligência para a poder falsificar. Muita investigação apoia-se na ideia de que precisamos de memória. É uma infelicidade que algumas abordagens modernas da educação esqueçam isto, porque, na base, inteligência e tecnologia estão mais ligadas do que se possa pensar. Por exemplo, estamos habituados a ouvir dizer que as crianças não precisam de saber nada hoje, porque podemos googlar, e que, porque temos tecnologia, podemos não memorizar. Mas o trabalho de Herbert Simon prova o contrário. Para ser especialista é preciso conhecer uma grande quantidade de factos e tê-los armazenados na memória. Não há atalho.

Diz-se que Picasso pediu cinco mil francos a uma cliente por um desenho feito em dois minutos. A compradora disse "mas só levou dois minutos a fazer". O pintor respondeu-lhe: "Não, minha senhora. Demorei a vida inteira." É também o que o pensa.

Absolutamente. E podemos encontrar exemplos similares em outros campos, alguns menos glamorosos [risos]. O canalizador é chamado porque há um problema nos canos, olha para um conjunto de canos, mexe num deles e pede 500 libras. Dizemos: tão caro por cinco minutos! Mas não são cinco minutos. É um corpo de conhecimento e especialização e prática que permitem fazer algo extraordinário em pouco tempo. Ele não vê um conjunto de canos, vê um padrão e esse é o poder da memória de longa duração. Portanto, Picasso tem toda a razão.

Também defende a existência de disciplinas em vez de projetos. Convença os pais que agora estão a debater-se com Ciências e História e veem os filhos serem obrigados a memorizar quantidades massivas de informação de que isto é bom.

O homem que mais trabalhou a prática foi o professor sueco K. Anders Ericsson, que fala muito sobre prática deliberada. Diz que para se ser bom em qualquer coisa temos de praticar não só o objetivo final, mas as pequenas partes, o pequeno conhecimento, que fazem o objetivo final. Se queremos ser bons a História temos de saber algumas datas. Se queremos ser bons em futebol, não podemos fazer apenas jogos, é preciso treinar passes. O ponto de Ericsson é que, para treinar uma grande competência, temos de a "partir" em pequenas partes e praticá-las. Portanto, no caso de uma disciplina como História, é preciso saber datas, os eventos-chave, e temos de as lembrar. Há maneiras de o tornar mais interessante. O grande desafio para os professores não é dar às crianças coisas que elas já acham divertidas, mas encontrar maneiras de tornar lúdico o que elas precisam de aprender. Herbert Simon diz o mesmo. Que a tarefa é encontrar maneiras de tornar o conhecimento o mais interessante possível, sem perder de vista o que é importante.

A tecnologia pode ajudar. Por exemplo, há aplicações que podem ser úteis. A minha favorita, e que uso agora, é Anki. Mas há outras. Quizlet, Duolingo, para as línguas. A tecnologia pode tornar o processo de aprender factos mais divertido. Mas também quero sublinhar que Ericsson diz que a prática deliberada é, muitas vezes, difícil. Ele fala em três tipos de prática: trabalho, jogo e treino deliberado. O trabalho é o que as pessoas pagam para fazermos. No caso do futebol, é o jogo. Na escrita, é a composição. E às vezes o trabalho é interessante. Mas no meio está o treino. Praticar as pequenas partes. Ericsson diz que é difícil, mas é necessário e não aparece espontaneamente. Ele fala muito sobre a música e como ser bom na música. O trabalho é a peça que se toca no concerto. O jogo é quando praticamos com amigos. A prática deliberada são as escalas, tocar as mesmas pequenas peças uma e outra vez para ser bom nelas. O que nem sempre é divertido. Aprender deve ser o mais divertido possível, mas é preciso ser honesto e admitir que há um limite. Podemos pensar no que a tecnologia pode fazer e eu estou interessada na tecnologia, e há possibilidade para a joguificação, tornar mais lúdico. Devemos tornar a aprendizagem o mais lúdica possível, sem perder de vista a essência.

Muitas vezes vemos que, apesar de desejarmos estas competências, os professores não têm criatividade, espírito crítico ou sentido de colaboração no que estão a tentar ensinar aos alunos. Os estudantes têm de manter-se sentados a ouvir o professor. Podemos mudar isto?

Temos de distinguir o professor que lidera a sala de aula e o que fala constantemente. Acredito que deve liderar a sala, mas também penso que é preciso envolvimento e interatividade. A melhor abordagem que encontrei é a instrução direta. Foi investigada durante décadas e frequentemente é apontada como a mais eficaz. Não obriga o professor a fazer palestras, é interativa, há um questionamento constante do professor e reação dos alunos. Admito que há um problema com o professor dar palestras o tempo todo, que é as crianças perderem o fio à meada, não perceberem o que se passa ou perceberem mal, mesmo estando com atenção. A ideia da instrução direta é que o professor interage constantemente e faz perguntas e constantemente tenta perceber se os estudantes estão a acompanhar. Também é muito focada em exemplos, pois os exemplos ajudam a aprender. Uma definição é difícil de compreender, com um exemplo é muito mais simples de entender.

Ouvi-la falar lembra os mestres e os aprendizes. Como os artesãos.

Sim, completamente. E essa abordagem de mestres e aprendizes é muito boa, porque nesses exemplos o aprendiz começa pelo mais pequeno, aceitamos que há um mestre com conhecimentos que vai passar ao aprendiz e que esse processo leva tempo.

Nas suas palestras diz "somos o que pensamos, pensamos o que aprendemos". Mas às vezes as crianças não gostam do que a escola ensina ou da maneira como o faz. Temos de nos conformar com a ideia de que há crianças não querem pensar ou que não são suficientemente inteligentes e que têm de ficar para trás?

O que é interessante nesta investigação é que temos mais em comum na forma como aprendemos do que temos de diferente. Sabemos que o corpo humano é igual, podemos confiar na biologia e o que agora sabemos é que o mesmo se passa com a forma como aprendemos. Temos uma arquitetura cognitiva semelhante. Todos temos memória de curta duração e memória de longa duração. Sobre a primeira, sabemos que é limitada. Podemos ter entre quatro e sete ideias diferentes ao mesmo tempo. Algumas pessoas conseguem mais do que outras, e é difícil mudar. Portanto, há diferenças. Mas lá está: sabemos que a memória de curta duração é limitada para todas as pessoas. Sabemos que toda a gente confia na memória de longa duração para completar tarefas intelectuais complexas. Portanto, sabemos que deve haver um denominador no ensino também. Claro que há diferenças, mas às vezes pensamos demasiado nelas. Se desenvolvermos uma boa base de instrução, conseguimos ver toda a gente a fazer melhor.

Pensamos tanto no futuro - quais são as competências para o século XXI - mas, se calhar, aquilo de que as crianças precisam é de que pensemos no presente. Paradoxalmente, se nos preocupássemos mais com o presente elas seriam melhores no futuro.

Sim, ouvimos dizer que temos de preparar as pessoas para trabalhos que não existem ainda, mas muitas estatísticas sobre trabalhos que ainda não foram inventados, quando aprofundamos, não são tão robustas como pensamos. Outro problema é que estas competências - criatividade, sentido crítico, colaboração, resolução de problemas - eram importantes no passado. E como é que se consegue ser criativo hoje? O problema que tenho com alguma retórica sobre competências no século XXI é que, muitas vezes, diz para esquecermos o conhecimento, os factos, o saber. A criatividade não nasce no vazio. O que é a criatividade? Talvez o processo de encontrar novas ideias com valor. De onde vêm? E, quando olhamos para a história, elas vêm de pessoas que aplicam duas áreas do saber de formas novas ou pouco habituais. As novidades não vêm de quem não tem conhecimento, mas de quem tem mais conhecimento do que os outros. Herbert Simon diz, na sua autobiografia, que usou os conhecimentos de matemática e economia. Outro exemplo que adoro é o de Shakespeare. É muito criativo e inovador e quebra muitas regras. Ele teve uma formação a que chamaríamos hoje tradicional, fez um grande trabalho de memorização de figuras de estilo e as suas peças mostram que, à medida que ele aplica melhor e melhor as figuras de estilo, se torna mais fluido. Ele, como Picasso, não quebram as regras por começar do nada, mas depois de compreender e saber as regras.

Portanto, as crianças têm de aprender Gramática.

Sim. E o mesmo se passa na Ciência. As grandes descobertas acontecem frequentemente na interceção de dois corpos de conhecimento. É o conhecimento que permite a criatividade. Quando as crianças estão a memorizar datas, factos e figuras de estilo ou poesia, estão a tornar-se mais criativas. Eu concordo com o que devem ser as competências para o século, discordo do método, como lá chegamos.

Como era como aluna?

Gostei muito da escola e da universidade. Gostava mais de inglês e de História, e estudei Literatura, e gostava de Educação Física. Algumas disciplinas eram mais difíceis do que outras, tive de trabalhar bastante na Matemática, não era natural em mim. Mas hoje a base do meu trabalho é um algoritmo que permite avaliar melhor, e mais rapidamente, o trabalho escrito dos alunos. Estou mesmo contente de não ter desistido da matemática, porque quando ultrapassamos as dificuldades percebemos e apreciamos mais. Precisamos de que os alunos sejam bem-sucedidos em áreas de que não gostam. E quanto melhor nos tornamos, mais nos apaixonamos por elas.

Fonte: DN

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Temos de mudar a abordagem da ciência na escola

É essencial que a ciência na escola se aproxime da comunidade e ultrapasse a barreira das salas-de-aula, os conteúdos programáticos das disciplinas e a importância dos testes de avaliação. A ciência na escola é vista como uma atividade circunscrita às quatro paredes da sala-de-aula ou aos laboratórios. Por norma, os laboratórios são os locais destinados à componente prática da ciência. No contacto que fui tendo com alunos que terminaram o ensino secundário e com os seus pais, tenho constatado que, para eles, a ciência se resume à resolução de exercícios e à realização de algumas atividades laboratoriais, com pouco impacto na vida diária.

A extensão e a complexidade dos conteúdos programáticos limitam o aprofundamento dos temas previstos no currículo e dificultam a aprendizagem. Um currículo menos extenso tem a vantagem de libertar tempo para a sistematização dos conhecimentos e para a sua aplicação em situações do quotidiano dos alunos.

Os testes de avaliação não avaliam algumas aprendizagens. No entanto, são a principal fonte de preocupação da maioria dos alunos porque, normalmente, são os instrumentos de avaliação que têm maior peso. É frequente os alunos questionarem “ó professor, sai no teste?”. Se sai no teste, estão atentos; se não sai, desligam. Os testes levam a que os alunos tenham um estudo intermitente, provocando o esquecimento mais ou menos rápido dos conteúdos, como mostram os resultados dos testes-diagnóstico realizados no início de cada ano letivo.

A escola tem de mudar. Tem de valorizar menos os testes escritos, porque não desenvolvem o pensamento crítico e criativo dos alunos e não fomentam a sua participação ativa na vida pública (científica, política, económica, social e cultural). A abordagem aos conteúdos programáticos tem de motivar os alunos e aproximar a ciência da comunidade, mobilizando competências que permitam a tomada de decisões conscientes e a intervenção proativa num mundo em rápida transformação. A criação de clubes de ciências pode contribuir para a mudança.

Os clubes de ciências permitem aos alunos desenvolver projetos, aprofundar conhecimentos experimentais com aplicação na resolução de problemas da comunidade e promovem a criatividade, o espírito crítico e o empreendedorismo dos alunos. Um clube que promove projetos ligados à comunidade é o “Clube do Ensino Experimental das Ciências”, destinado a alunos do ensino secundário do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, em Chaves. Neste clube foram desenvolvidos vários projetos com impacto na comunidade e custos muito reduzidos como, por exemplo, “Evitar os Incêndios em Portugal: uma contribuição pedagógica”, “Regar com a Humidade do Ar”, “Física e Química Experimental para os mais Pequenos” e “Ensinar e Aprender Física com Instrumentos Antigos”. O interesse dos alunos pelos projetos e pela aprendizagem ativa da ciência leva-os à escola, voluntariamente, às sextas-feiras à tarde e nas férias. As comunidades escolar e local e os media acolhem com agrado e admiração o trabalho realizado.

Alguns projetos foram desenvolvidos em articulação com a educação pré-escolar e o 1.º ciclo do ensino básico envolvendo, aproximadamente, 400 alunos por ano letivo. As atividades desenvolvidas permitiram obter vários prémios, melhorar significativamente as notas dos alunos nos exames nacionais e inspirar muitos alunos a seguirem carreiras científicas, estando alguns a trabalhar em empresas de topo mundial. Os alunos que não seguiram carreiras ligadas à área das ciências recordam, essencialmente, os conteúdos que abordaram nos projetos e nas atividades desenvolvidas no clube, bem como as competências transversais adquiridas e que utilizaram posteriormente. É com enorme satisfação que, após mais de uma década, encontro antigos alunos que se lembram pormenorizadamente dos projetos que desenvolveram.

Apesar dos benefícios dos clubes para o ensino das ciências, estes têm a limitação de não chegarem à totalidade dos alunos, pois são facultativos. Assim, na minha opinião, o grande desafio para a ciência na escola é mobilizar as boas práticas dos clubes para dentro da sala-de-aula, onde todos os alunos participem.

Se a ciência ultrapassar as barreiras da sala-de-aula, se não dermos tanta importância aos testes de avaliação, se os conteúdos forem abordados de forma a irem ao encontro dos interesses dos alunos e se a ciência na escola interagir com a comunidade, de certeza que teremos melhores resultados, aprendizagens mais duradouras e uma escola mais humanizada.

Jorge Teixeira

Vencedor do Global Teacher Prize Portugal 2018. Professor e coordenador do projeto “Clube do Ensino Experimental das Ciências” no Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins.

Fonte: Observador