terça-feira, 4 de março de 2014

«APRENDER A LER E A ESCREVER: ATIVIDADES E ROTINAS»

No dia 6 de março, 5.ª feira, a partir das 15h00, poderá visualizar mais um webinar DGE subordinado ao tema «Aprender a ler e a escrever: atividades e rotinas».

Nesta sessão, da responsabilidade da Dra. Maria Encarnação Silva, professora adjunta da Escola Superior de Educação de Lisboa, serão apresentados exemplos de atividades e algumas sugestões de rotinas que podem contribuir para dar sentido à aprendizagem da língua materna no primeiro ano de escolaridade e promover o sucesso no âmbito da leitura e da escrita nas fases iniciais da escolaridade. 


In: DGE

Fábrica de bons alunos

Daniela Marcelino saía de casa todas as manhãs, mas quando chegava ao portão da Escola Sebastião da Gama, em Setúbal, mudava para o outro lado do passeio. "Chumbei quatro vezes por faltas. Faltava porque não me apetecia ir. Sentia-me desmotivada, não me apetecia entrar. Então, bazava: ia para o café, para a casa do namorado, queria estar em todo o lado menos na escola." Carolina Caetano deixava-se dormir todas as manhãs e "queimava" as aulas até à hora de almoço. Lisandro Gomes ficava "toda a noite" a falar no Face(book) e deixava o despertador a falar sozinho todas as manhãs. Gonçalo Pinto achava tudo "uma grande seca".

E, quando decidiam ir às aulas, era - na maioria das vezes - para "desfilar e avacalhar" - confessam quando o gravador está desligado e não há ‘perigo' de saber quem disse. Rute Camisola já tinha chumbado três vezes e quando começou a namorar reprovou mais uma. "Não vinha às aulas, e quando chegava o dia dos testes eu não fazia ideia, porque não tinha estado a assistir. Não era um bom caminho, mas era o meu, foi o caminho que naquela altura escolhi." O passado é usado com propriedade por todos eles. São 22. Têm entre 16 e 18 anos e um percurso escolar marcado por uma sucessão de reprovações, faltas às aulas, testes negativos, um ciclo que se alimentava a si próprio e sem fim à vista.

Até que a Escola Sebastião da Gama - confrontada com a reprovação de 45 alunos no 9º ano - efetuou uma candidatura ao Ministério de Educação para a abertura de um curso vocacional do ensino básico, um modelo que no ano anterior tivera noutros pontos do País as suas primeiras experiências-piloto.

O curso, que dá equivalência ao nono ano, não nasceu sozinho. Contou com a parceria do Projeto Epis (Empresários para a Inclusão Social) e da empresa setubalense Sapec Agro, através do programa de voluntariado Vocações de Futuro. Uma vez por mês, os alunos do curso vocacional rumam à fábrica de adubos, que nasceu em 1926 para explorar as minas de pirite no Alentejo pela mão de uma família belga, que já vai na terceira geração. A empresa tem um longo historial de ajuda à região (na construção do Estádio do Bonfim - do Vitória de Setúbal - e de uma ala no Hospital de São Bernardo), embora prefira evitar os holofotes.

VIDAS DIFICEIS 

Daniela Carreira está concentrada a despejar uma solução química para um tubo de ensaio. A ‘madrinha', a engenheira biológica Sónia Silva, olha embevecida para aquela "filha emprestada" a quem explica os procedimentos da profissão que escolheu. Na fábrica foram atribuídos a estes alunos padrinhos e madrinhas, que têm por missão ‘devolvê-los' à escola e abrir-lhes janelas de futuro. As notas positivas da turma têm animado os envolvidos.

"Tocou-me desde o primeiro dia, sei as dificuldades que teve no ano anterior, mas este ano está muito mais motivada, encara a escola de uma maneira mais positiva e já não acha uma seca passar 90 minutos dentro de uma sala." Dificuldades é um eufemismo para aquilo que Daniela enfrentou. A adolescente carregou a casa às costas depois de a mãe partir duas vértebras e ficar impossibilitada de fazer qualquer esforço. "Tenho oito pessoas em casa: a minha mãe, o meu padrasto, os filhos do meu padrasto e os meus irmãos. Nessa altura era eu que tomava conta deles todos, tinha de controlar aquilo tudo: lavava a roupa, limpava a casa, fazia o almoço e o jantar, levava os mais pequenos à escola." Daniela Carreira tem apenas 16 anos, é uma menina que aprendeu a ser mulher enquanto a maioria se debruçava sobre os livros da escola e as tropelias adolescentes. "Quando a minha mãe começou a melhorar fiquei eu com uma depressão, comecei a sentir-me cansada, tinha ataques de ansiedade, enervava-me; não consegui dar nada à escola." Antes disso já tinha reprovado três vezes - todas elas depois de sair do Alentejo rural, "onde tinha sossego e silêncio", na altura da separação dos pais.

"Os padrinhos não foram escolhidos ao acaso: são pessoas que têm uma vida quase oposta à dos jovens que ajudam, para que haja um equilíbrio e ao mesmo tempo uma partilha", explica Nuno Palma, professor destacado pelo Ministério há seis anos para o Projeto Epis. É ele o coordenador desta turma, "24 horas por dia, para o que eles precisarem". Num prato da balança está por isso Daniela e a sua casa de oito pessoas, no outro Sónia Silva, 38 anos, que divide as quatro paredes apenas com o marido. "É muito reconfortante para mim perceber que consigo motivá-la, que conseguiria fazer isso com qualquer criança ou adolescente. No fundo, ela também me ajuda a mim."

"É O NOSSO AMOOOR"

"Estes miúdos não conhecem hierarquias, os pais têm muitas vezes medo deles. São seres fantásticos, mas falhou a exigência em casa, têm percursos de vida atribulados, são poucos os que vivem com o pai e com a mãe - estas coisas marcam", considera Olga Guerreiro, a diretora de turma deste curso vocacional e 39 anos de dedicação ao ensino público. No autocarro, entre a escola e a fábrica, os alunos desafinam, em jeito de provocação: ‘E a professora Olga é o nosso grande amoooooor'. Ela ri-se. "Desde que não sejam mal educados, têm tudo de mim. Quando têm fome levo-os a comer, sabem que o meu cartão está sempre disponível com dinheiro quando eles não têm." Já chegou a fazer de despertador de alguns alunos mais ‘adormecidos' e cujos pais estavam fora de casa a trabalhar.

Rute Camisola tem 18 anos e perdeu há muito o contacto com a mãe. Há uma mágoa controlada nos dedos entrelaçados. "Nem eu nem ela fazemos um esforço. Acho que não vale a pena." Vive por isso com o pai, um agente imobiliário que depois do desemprego abriu uma livraria online. Na Sapec, Rute ficou a ‘cargo' de Eugénia Pires, uma mãe-galinha de quatro filhos, o oposto da sua experiência pessoal. A ligação entre ambas já saltou os muros da fábrica de adubos. "Tinha vontade de conviver com ela fora do ambiente de trabalho e por isso já a levei para minha casa para passarmos um dia em família. Aproveitei que a minha filha de 27 anos que vive em Madrid estava cá para as apresentar." A funcionária da secção de embalamentos da Sapec Agro, de 50 anos, aproveitou também para acrescentar mais uns conselhos aos que já lhe tinha dado.

Rute responde divertida a cada ‘puxão de orelhas' de Eugénia: ‘encaixei, madrinha, encaixei'. "É muito madura para a idade. Ela é a mulher da casa, teve de crescer muito cedo, mas ainda assim acha que na vida são tudo facilidades." É por isso que Eugénia trá-la para o mundo real a cada devaneio e orgulha-se das positivas que a ‘afilhada' tem tirado este ano, tão diferentes das notas do passado. Rute sonha ser chef de cozinha "num hotel como o Hilton, talvez na Austrália". Sonhar é atirar para cima, nunca para baixo. E ela até pode ter tropeçado no caminho, mas não perdeu a capacidade de sonhar.

In: CM

segunda-feira, 3 de março de 2014

CURSO ONLINE «INCLUSÃO E ACESSO ÀS TECNOLOGIAS»

Encontram-se abertas até dia 30 de março de 2014 as inscrições para o curso online «Inclusão e Acesso às Tecnologias», promovido pela Direção-Geral da Educação em colaboração com o Centro de Recursos TIC para a Educação Especial de Santarém e o Centro de Competência TIC da ESE de Santarém, no âmbito do projeto europeu SENnet.

O curso tem a duração de 10 semanas e decorrerá entre 31 de março e 8 de Junho 2014. 

O curso está aberto a qualquer interessado, embora tenha sido concebido para uma comunidade educativa que lida com alunos com necessidades educativas especiais.

As inscrições devem ser feitas na página web - http://inctec2014.blogspot.pt/ e para informação mais detalhada deve consultar a página «Para começar» onde se encontra o guião do curso.
In: DGE

Novas disciplinas podem "nunca sair do papel"

As 212 escolas com contrato de autonomia vão poder criar novas disciplinas a partir de setembro, que por fazerem parte do currículo têm avaliação e contam para os alunos chumbarem ou passarem de ano. Uma novidade de que as escolas ainda desconfiam e que até temem que não saia do papel. Para o Governo esta é mais uma possibilidade para as escolas se diferenciarem e adaptarem aos professores e aos alunos que têm.

O novo nível de autonomia permite às escolas usar 25% da carga horária anual para oferecer uma nova disciplina ou reforçar outras que já existem, mas ainda não convenceu as escolas. Para já, esta é uma possibilidade que apenas está ao alcance das que têm contrato de autonomia, cerca de um quarto. E para o presidente do Conselho das Escolas, as direções "numa primeira fase vão ser tentadas a reforçar a carga horária de algumas disciplinas, eventualmente aquelas que têm exames". José Eduardo Lemos, também diretor da Secundária Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, confessa que a sua própria escola ainda não decidiu o que vai fazer com esta flexibilidade de currículo.

O secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar sublinha (...) que o objetivo do Governo é que as escolas tomem a opção com que se sintam mais confortáveis. "O que se pretende é que exista faseamento e que as escolas possam de uma forma confortável, olhando para os seus recursos humanos e potenciando-os, reforçar disciplinas ou criar novas disciplinas, tudo dentro dos 25% da carga horária", justifica João Casanova de Almeida. Estes 25% podem ser retirados a todas as matérias menos Português e Matemática, que apenas podem ser reforçados.


In: DN

SÃO BRÁS DE ALPORTEL: ESCOLA SECUNDÁRIA GANHA PASSADEIRA ACESSÍVEL

A Escola Secundária José Belchior Viegas inaugurou, esta quinta-feira dia 27, pelas 12h00, uma Passadeira Acessível para Todos. Este foi mais um passo na construção de um município sem barreiras, desta vez num recinto escolar, em que, para além da Diretora do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas, Violantina Hilário participaram o Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vítor Guerreiro, o Delegado Regional da Direção de Serviços da Região Algarve do Ministério da Educação, Alberto Almeida e os vereadores Marlene Guerreiro e Acácio Martins.

Na perspetiva de dar seguimento ao Projeto “São Brás Acessível para Todos”, o Agrupamento de Escolas em parceria com a Câmara Municipal avançou com a construção de um corredor acessível no espaço público circundante à escola, uma passadeira com 270 metros de extensão, no interior do recinto escolar, incluindo uma rampa de acesso ao bloco de aulas e a adaptação de uma casa de banho para deficientes, com vista a permitir a circulação de alunos e professores com mobilidade reduzida, promovendo a igualdade de oportunidades e contribuindo para a construção de uma verdadeira escola inclusiva.

Esta intervenção vem quebrar barreiras físicas que se colocavam até à data naquele espaço, criando novas oportunidades e facilitando o acesso a várias zonas no exterior da escola para aqueles que têm limitações a nível da mobilidade, como é o caso de uma aluna que frequenta atualmente este estabelecimento de ensino e de todos os que venham a frequentar a Escola Secundária.

Durante a cerimónia, a Diretora do Agrupamento manifestou a sua alegria por, em parceria com a autarquia, ter sido possível realizar esta obra, não deixando de referir a preocupação perante a limitação que ainda se coloca a estes alunos para se deslocarem nos diferentes pisos do interior do bloco de aulas, uma vez que continua a aguardar a instalação de um elevador, já há muito solicitado ao Ministério da Educação.

A inauguração foi um momento revestido por muita emoção pela importância desta obra, uma vez que se trata de mais um passo no caminho de um município sem barreiras e, neste caso, acessível para todos os jovens que necessitam de condições especiais para continuar os seus estudos.

“Esta passadeira representa uma sociedade mais igualitária, onde todos têm as mesmas oportunidades e condições para enfrentar os desafios que a vida lhes reserva”, afirmou o presidente, Vítor Guerreiro, durante a inauguração.
In: Local.pt por indicação de Livresco

Câmara de Vila Pouca de Aguiar dá apoio psicológico e financeiro

A Câmara Municipal dá apoio psicológico e financeiro à comunidade escolar na sequência de dois protocolos assinados entre a autarquia e o agrupamento de escolas.

Relativamente à prestação de serviços de psicologia a toda a comunidade escolar, o apoio será prestado nas instalações de ensino em diversos pontos do concelho e aos alunos que necessitem desse apoio pedagógico. Este protocolo decorre até ao final do ano letivo.

Relativamente ao apoio financeiro, resulta de um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal e o Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, para o presente ano letivo, em que a autarquia assume 65% das despesas de luz, água e gás da Escola Básica Integrada de Pedras Salgadas, cabendo 35% das despesas ao agrupamento escolar.
In: Diário @tual por indicação de Livresco

domingo, 2 de março de 2014

Cortes condicionam Educação Especial

Assunto mais sério é o corte nas transferências do Governo Regional para as instituições da Educação Especial na Madeira. Só a 'Sagrada Família' perdeu 120 mil euros em dois anos. (DN Madeira)

74% do orçamento inscrito para a "promoção da educação e da reabilitação" 2010-2015 já foi gasto e 21% destina-se à renovação faseada do parque automóvel da Direcção Regional de Educação. O que sobra é para ajudar crianças e jovens com deficiência. (DN Madeira)

Via indicação de Livresco

Sexta, às nove

Sexta-feira, às nove da noite, estava em casa a ver um programa de reportagem na RTP com o nome que dá título a esta crónica. A essa hora fiquei com a certeza de que a sociedade faliu por decisão política. Há crianças pobres com necessidades especiais e com deficiências a quem o Estado está a recusar subsídios, que até aqui fornecia.

Para que não pareça apenas mais uma crónica contra a austeridade, devo recordar que eu sou dos que entendem que Portugal viveu acima das suas possibilidades, dos que entendem que o Estado tem de deixar de ter défices para poder pagar o que deve, dos que entendem que os cidadãos não podem exigir do Estado o que Estado não for capaz de pagar.

Mas não é do pagamento em autoestradas que um dia foram grátis que estamos a falar. Nem sequer de cortes nas pensões e nos salários ou da brutal carga de impostos que queima em lume brando a classe média. É pior, muito pior. É a desistência de seres humanos que, pela sua fragilidade, mais precisam da nossa ajuda.

Eu pago impostos e pago-os com gosto por ver neles a vantagem de estar a contribuir para uma melhor redistribuição da riqueza, mas, acima de tudo, porque sei que há determinadas coisas que só o Estado pode resolver e que para isso precisa de dinheiro.

Na reportagem da RTP havia, por exemplo, uma criança de seis anos que estava a dar os primeiros passos no mundo das palavras (apenas dizia carro). A família, com um rendimento de 900 euros, viu recusado um subsídio de 300 para pagar uma das terapias de que a criança precisa. E a outra família com um rendimento de 620 também foi retirado o subsídio. Não estamos, portanto, a falar de o Estado recusar ajuda a uma família que tem rendimentos que dispensam esse apoio.

Sexta, às nove, fiquei a pensar em jornalismo e a desejar que aquela reportagem seja suficiente para os governantes corrigirem o tiro. Não consigo perceber como alguém consegue dormir tendo responsabilidade nesta matéria, nem entendo como pode algum político aceitar como opção cortar nos subsídios a crianças que, tendo nascido com necessidades especiais ou deficiência, vivem em famílias com carências financeiras.

Sim, eu sei, sabemos todos, que o dinheiro não chega para tudo.

Num país que tem mais de 300 mil desempregados sem qualquer rendimento ou subsídio do Estado, é evidente que, pelo menos temporariamente, deixar pessoas para trás e sem qualquer apoio é uma opção política que alguns consideram válida. Incluir neste pelotão de deserdados crianças que tiveram a dupla infelicidade de nascer com deficiência e em famílias carenciadas não é apenas uma questão política, é uma questão civilizacional.

E ainda querem falar de natalidade? Haja vergonha!

Paulo Baldaia

In: DN por indicação de Livresco
Nota: A reportagem pode ser (re)vista no texto anterior.

sábado, 1 de março de 2014

Governo corta subsídios a crianças com deficiência

Este caso já motivou mais de 400 queixas ao provedor de Justiça. O Sexta às Nove investigou e descobriu que o governo está a cortar o subsídio de educação especial a crianças com deficiência. Nas dezenas de casos a que tivemos acessos constatámos que há pareceres das escolas a por em causa decisões médicas. Sessenta clínicos que acompanham crianças com deficiência deram voz à revolta e queixaram-se à Ordem dos Médicos. O bastonário, chocado, admite enviar a queixa para o ministério público por entender que pode estar em causa um crime de usurpação de funções, posto em prática por funcionários mandatados pelo governo. O agora ministro da Segurança social recusou dar-nos uma entrevista mas há três anos, Pedro Mota Soares, então deputado da oposição, criticava o governo socialista pelos atrasos na atribuição do subsídio que agora está ele a cortar. Os casos que se seguem são de crianças com deficiência provenientes de agregados familiares pobres ou muito pobres.

Recebido por correio eletrónico de Livresco.

Nota: Comentário sobre esta matéria no texto abaixo.

O subsídio de educação especial

Ontem, foi emitida uma reportagem sobre a problemática da atribuição dos subsídios de educação especial, expondo a situação vivida pelas famílias e pelas crianças e jovens (rever a partir do minuto 14 RTP). Inexplicavelmente, não foram ouvidos representantes das escolas.


Independentemente da questão lamentável da falta de apoios, considero que existe um problema grave a montante. O subsídio de educação especial existe para colmatar carências dos agrupamentos em prestar os devidos apoios complementares aos alunos que deles carecem, designadamente falta de técnicos especializados (terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos). A questão fundamental é: porque é que os agrupamentos não possuem estes técnicos?

O argumento de que esses apoios devem ser prestados pelos técnicos dos Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) é falacioso porque, como muito bem se sabe, as horas atribuídas para esse efeito são manifestamente insuficientes. É facilmente verificável o diferencial das horas de apoio necessárias e solicitadas e das atribuídas. 

Existem dois argumentos essenciais que fundamentam a afetação dos técnicos às escolas, um de natureza funcional, outro financeira.

1.º Alguns agrupamentos viram-se privados de horas de psicologia, com a redução dos horários completos para meio tempo. Esta situação replica o recurso a técnicos externos, normalmente através de gabinetes ou clínicas. Todos os anos os agrupamentos são contactados por diversos gabinetes a disponibilizarem os seus serviços.
Por outro lado, os técnicos dos CRI, para além de disponibilizarem horas insuficientes, deslocam-se às escolas em determinados dias pré-estabelecidos. Nesses dias, nem sempre é possível uma gestão articulada dos horários dos técnicos e dos alunos de modo a contemplar os apoios, sobretudo para aqueles que frequentam o currículo regular. Sendo técnicos afetos ao agrupamento ou, eventualmente, a dois agrupamentos vizinhos, tornar-se-ia mais fácil  a gestão articulada dos horários e dos apoios aos alunos.

2.º Os valores de subsídio de educação especial solicitados dariam para financiar a contratação de técnicos suficientes para atender a quase totalidade dos alunos com necessidades educativas especiais nos agrupamentos com poupança para o erário público. Dou um exemplo: dois técnicos que prestam quatro horas cada (45 minutos cada) de apoio de psicologia e de terapia da fala, uma tarde por semana, solicitaram uma verba mensal que, no total, ronda aproximadamente os 960€. Esta verba corresponde genericamente ao vencimento de um técnico em regime de contrato. Contas feitas por alto, o subsídio de educação pago a dois técnicos num dia daria para suportar a sua contratação a tempo inteiro.

Estranhamente, os ministérios envolvidos, apesar de terem conhecimento da situação, pouco ou nada fazem no sentido de agilizar os processos e de rentabilizar os recursos.

Poder-se-á depreender deste texto que existe implícita ou explicitamente uma crítica aos gabinetes ou clínicas que prestam apoio aos alunos. Pelo contrário, a existência do subsídio de educação especial e dos gabinetes são, por enquanto, o garante dos apoios necessários aos alunos.