segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sabem mexer num iPad, mas não seguram um lápis

As novas gerações ganham prematuramente contacto com os chamados «touch screens», mas não conseguem segurar num lápis. Podem não saber andar ou falar, mas os aparelhos que funcionam através do toque não constituem um segredo ou um bicho-de-sete-cabeças. Parece magia, mas eles dominam os smartphones e companhia com a mesma perícia dos adultos e até inveja para as gerações mais velhas. 


No entanto, ganham-se umas batalhas e perdem-se outras. Uma especialista em literacia chegou à conclusão de que a «geração iPad» não consegue executar tarefas básicas relacionadas com a motricidade fina, como sejam o pegar num lápis ou numa caneta para escrever.

Sue Palmer, citada pelo «Daily Mail», não concorda com a revisão dos objetivos para o pré-escolar e para o básico - as crianças devem saber reconhecer a tecnologia-, argumentando que as «crianças até aos sete anos devem ter vidas reais, num espaço real e num tempo real, ou seja, precisam de ter experiência tridimensionais». 

A «intoxicação» com nova tecnologia, que faz com que alguns infantários invistam em iPads para bebés, faz com que haja crianças hoje em dia com dificuldades em aprender a ler e a escrever. 

A investigadora explica que as crianças não conseguem focar-se em algo que leva mais tempo a aprender, em comparação com a gratificação quase instantânea que o sistema informático lhes oferece. 

A associação britânica de infantários (Daynurseries.co.uk) chama a atenção ainda para outros problemas, nomeadamente, o problema da sedentarização das crianças. «Expor crianças tão novas à tecnologia pode ser perigoso», alertam os especialistas, considerando que não há estudos exaustivos sobre o efeito da tecnologia nos bebés e apesar das diretivas governamentais irem nesse sentido. Pressionados, muitos infantários já gastaram milhares em tecnologia de ponta. 

O vídeo mostra como funciona uma escola «Steve Jobs», o fundador da Apple.


In: TVI 24

Deficiência: Dificuldades no acesso a edifícios ou transportes causa isolamento

As pessoas com deficiência em Portugal sentem dificuldades no acesso aos edifícios, aos transportes públicos e aos sistemas de comunicação, o que provoca situações de isolamento e discriminação, revela um estudo do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos.
O estudo insere-se no âmbito do projeto DRPI (Disability Rights Promotion International), que tem como objetivo a promoção da monitorização dos direitos das pessoas com deficiência à escala global.
Foram realizadas 32 entrevistas aprofundadas a adultos com diversos tipos de deficiência em três regiões do país (Lisboa, Porto e Algarve).
De acordo com o estudo, «as vidas das pessoas com deficiência em Portugal surgem fortemente marcadas pela discriminação resultante dos preconceitos e estereótipos negativos que subsistem face à deficiência».
Esta discriminação constitui uma limitação em todos os domínios da sociedade, com particular relevância no mercado de trabalho.
«A rotulagem com base na deficiência constitui ainda um elemento manifestamente perturbador no acesso ao emprego ou na progressão na carreira profissional», revelam os investigadores.
Os mesmos dão conta que da análise feita às histórias recolhidas surgiram «múltiplas situações de discriminação que se traduzem em vivências de negação ou violação dos princípios de direitos humanos».
Esta constatação acontece nos mais variados domínios, mas, segundo o estudo, acontece com mais incidência ao nível da participação social, do acesso aos serviços de apoio e do acesso e participação no mercado de trabalho.
«No domínio da participação social, as experiências de segregação e isolamento identificadas decorrem essencialmente da inacessibilidade ao meio edificado, aos sistemas de transporte e aos sistemas de comunicação», lê-se no documento.
«Apesar da existência em Portugal de um quadro normativo regulador e promotor das condições de acessibilidade ao meio e aos mecanismos de informação e comunicação, as pessoas com deficiência são frequentemente colocadas em situações de discriminação e marginalização pela falta de acessibilidade», acrescenta.
Aponta, por outro lado, que a garantia de acessibilidade está «comprometida» pelas medidas de austeridade, sublinhando que a falta de apoios para a concretização de uma vida independente representa outro «significativo constrangimento».
Diz mesmo que, nesta matéria, as opções oferecidas pelo Estado português são «insuficientes», quer pelo «valor irrisório do subsídio», quer pela «insipiência e fraca cobertura dos serviços de apoio domiciliário».
Alerta que esta questão assume particular relevância face «à situação de pobreza em que vive grande parte da população com deficiência em Portugal» e denuncia o «processo extremamente difícil, burocrático e longo» em matéria de tecnologias de apoio.
Outra constatação deste estudo é o facto de as pessoas com deficiência terem um «grande desconhecimento sobre os seus direitos e sobre as formas de os acionar».
Apesar das restrições orçamentais e de, com isso, a execução total da Estratégia Nacional para a Deficiência (ENDEF) poder estar comprometida, os investigadores sugerem a nomeação de um organismo independente que fiscalize a implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Propõem a introdução do voto eletrónico, a revisão da legislação relativa aos regimes de interdição e inabilitação, a recolha de dados estatísticos e a revisão da legislação sobre a educação das pessoas com deficiência, nomeadamente os critérios de utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade.

In: Diário Digital por indicação de Livresco

Conferência Doenças Raras: Investigação e Inovação

A Genzyme, em parceria com o Jornal de Negócios, vai realizar no próximo dia 5 de Dezembro, no Hotel Sana Lisboa, a Conferência “Doenças Raras: Investigação e Inovação”.

Esta iniciativa celebra os 10 anos de actividade da Genzyme em Portugal ao serviço das doenças raras e tem como objectivo debater, durante um encontro executivo, as temáticas de acesso à inovação, modelos de financiamento de medicamentos para estas patologias e ainda sensibilizar e alertar a sociedade para este tema, em particular, para o papel da indústria farmacêutica.

A conferência vai contar com vários oradores nacionais e internacionais para discutir os vários temas.

Data: 5 de Dezembro, das 09h00 às 13h00

Local: Sana Lisboa Hotel

In: Jornal de Negócios por indicação de Livresco

Crato dispensa 20 mil professores da prova

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) chegou a acordo com a Federação Nacional de Educação (FNE), afeta à UGT, para a dispensa de cerca de metade dos 40 mil professores inscritos na prova de avaliação de conhecimentos e competências para a docência. O acordo, confirmado (...) por João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação, prevê a "dispensa de realização da prova de todos os docentes com cinco anos e mais de serviço".
Apesar de a FNE continuar a defender que "a prova em si não faz sentido", Dias da Silva confirmou (...) que o acordo alcançado será suficiente para esta estrutura sindical desconvocar "a greve marcada para 18 de dezembro, [data de realização da prova], bem como a participação em outras iniciativas de protesto relacionadas com esta", nomeadamente o protesto de professores na Assembleia da República agendado para quinta feira.
In: DN

Uma casa dentro da escola

Na Escola Básica de Vialonga, os alunos da Educação Especial encontram muito mais do que uma sala de aula. A TSF foi visitar esta escola onde os meninos com maiores dificuldades aprendem outras tarefas, como fazer a cama, cozinhar ou ir às compras.

Notícia com áudio.

In: TSF

VIII Seminário - "Exclusão Digital na Sociedade de Informação"

Nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2014 decorrerá, na Faculdade de Motricidade Humana, o VIII Seminário - "Exclusão Digital na Sociedade de Informação".

Com este seminário pretende-se promover a discussão e divulgar trabalhos que possam contribuir para o combate à info-exclusão e promover a acessibilidade das TIC. As anteriores edições deste seminário têm juntado cerca de 150 especialistas sendo cerca de metade dos participantes de origem estrangeira com predominância sul-americana.

Desde já vos convido a participar neste seminário e a apresentar comunicações submetendo resumos até ao dia 21 dezembro de 2013.

Mais informações podem ser obtidas na página do seminário em: http://www.fmh.ulisboa.pt/semimelisboa
Recebido por correio eletrónico

domingo, 1 de dezembro de 2013

Inclusão social no mercado de trabalho

Estima-se que cerca de 10% da população mundial vive com uma deficiência. Segundo a Organização Mundial do Trabalho, cerca de 386 milhões de pessoas em idade ativa são deficientes e, nestes casos, o desemprego chega a 80% em alguns países. No debate (...) [publicado abaixo] vamos tentar perceber qual é a situação de Portugal. O que diz a legislação sobre a inclusão no mercado de trabalho de portadores de deficiência? Continua a existir preconceito em contratar estes cidadãos? Há formação adequada para quem tem alguma espécie de deficiência?


Via correio eletrónico com agradecimento a Livresco.

Daniel já ouve a voz da mãe mas Estado só paga operação a um ouvido

Daniel Lucas, de três anos, nasceu com surdez profunda. Sem hipótese de pagar o segundo implante, que o Estado não comparticipa, valeu à família a solidariedade alheia e do Hospital dos Lusíadas.
Luísa Mesquita, a médica que vai operar Daniel, pela segunda vez, explicou (...) que, apesar de não estar escrito que o Estado não paga a colocação do segundo implante, "a verdade é que os hospitais não têm capacidade financeira, nem operacional para o fazer". Sublinha, porém, que uma das batalhas dos profissionais é realizar rastreios auditivos em todos os hospitais, aquando do nascimento. Hoje, esta é uma realidade, mas não aconteceu no caso de Daniel, cuja surdez só foi diagnosticada quando a criança completou um ano.
In: JN

Atribuição do Subsídio de Educação Especial

No seguimento do texto e da informação relativa ao protocolo celebrado entre os Ministérios da Educação e Ciência e da Segurança Social (Subsídio de educação especiale porque tenho sido abordado por alguns colegas via correio eletrónico, divulgo, com a colaboração de Livresco, a nota enviado às escolas pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, no dia 15 de novembro do presente ano letivo.

Alunos com NEE e com deficiência vítimas da austeridade

Os pais de alunos com necessidades educativas especiais exigem professores, auxiliares de educação, terapeutas para as necessidades educativas dos seus filhos. 
Os pais destes alunos manifestaram-se em Lousã. Outras manifestações pelos mesmos motivos aconteceram em Oliveira do Hospital e por outros sítios. 
O descontentamento e os sentimentos de revolta andam pelo País. 
A austeridade imposta pelo governo, escudado pela troika, caiu sobre o ensino com violência e atinge os mais necessitados, os mais frágeis. 
É contra esta brutalidade que os pais das crianças protestam e reclamam. 
A educação especial perde mais de 17 milhões de euros no orçamento do Estado para 2014. Um corte brutal a somar aos cortes dos anos anteriores.
Nesta aniquilação do ensino inclusivo junta-se o aumento de alunos por turma. Alunos carenciados de apoios especiais e individualizados perdidos em turmas que engordaram, porque o número de professores foi reduzido.
A austeridade a que nos sujeitaram está a provocar o esmagamento da dignidade de muitas pessoas com deficiência, a matar sonhos de inclusão, a colocar em pobreza gritante as famílias com pessoas deficientes.
Com os cortes, a educação inclusiva perde sentido, como fosse favor de épocas de abundância. Não estamos na era dos favores, são direitos, direitos irrevogáveis.
No início da década de 90, as Nações Unidas alertavam que competia às autoridades responsáveis pelos serviços de educação assegurar que a educação das pessoas com deficiência fosse realizada numa perspectiva de integração, fazendo parte do sistema educativo nacional, e que a organização escolar assegurasse a existência de serviços de apoio adequados.
Em 1994, a Declaração de Salamanca reforçou os deveres na área das NEE e a obrigação das escolas acolherem todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras.
Já neste milénio, a Convenção da ONU, no Artigo 24.º, sobre Educação: “Os Estados Partes reconhecem o direito a um sistema de educação inclusivo a todos os níveis e a uma aprendizagem ao longo da vida”, “ com as “adaptações razoáveis para as pessoas com deficiência”.
A interpretação está ao alcance de todos: “educação inclusiva ao longo da vida” e “com adaptações”!
A Convenção foi aprovada na Assembleia da República por todos os partidos, também pelos partidos da actual maioria, também pelo partido do ministro Nuno Crato. Ratificada pelo Presidente da República. 
Também ratificada pela União Europeia, parte da troika, mandante da austeridade.
Coerências! 
A educação especial não é um favor, está bem expressa na Convenção da ONU, que o Estado português assinou e se comprometeu a cumprir perante a comunidade internacional. 
A educação de alunos com necessidades educativas e com deficiências não é caso “administrativo”, é assunto pedagógico e civilizacional.
Os pais, os professores, os terapeutas que trabalham com estes alunos sabem bem da importância da educação. A criança, mesmo com limitações, é sempre um receptáculo de aprendizagens. E se para alguns nada representa, representa muito para os pais, para os familiares e para sociedade.
Representa muito para a dignidade dessas pessoas, porque as faz mais independentes, menos dependentes das outras pessoas.
As tentativas para retirar meios de desenvolvimento a estes alunos não podem ter a aceitação dos pais, nem das escolas.
Os pais de alunos com NEE e com deficiências, os professores e educadores manifestaram-se na Lousã, exigem apoios para as crianças com necessidades educativas.
A representante das associações de pais, Ana Cristina Neves, disse que “a manifestação era o sinal da insatisfação dos pais que não aceitam que os seus filhos voltem ao tempo em que as crianças com deficiências ficavam em casa entregues aos cuidados da família”, que o assunto não é “um problema individual de cada pai, é um problema social que afecta e preocupa toda a gente”. 
Os pais recusam-se aceitar. A revolta percorre o País. Recusam o silêncio e a resignação. 
Começa a ser assustador o que se passa na escola pública e não serão as escolas dos mercados a garantir uma educação inclusiva.
Para este assunto, um livro a sair ao público no próximo da 6, com título: “Autonomia para a Inclusão, a importância da educação”. 
Um convite!

Manuel Miranda
Recebido por correio eletrónico