sexta-feira, 10 de abril de 2026

“Uma sociedade que não honre os professores é uma sociedade deficiente”

Sampaio da Nóvoa insta o poder central e a sociedade a apostar na valorização e na formação de professores, para que a escola pública se possa “renovar pedagogicamente” e cumprir o seu papel

António Sampaio da Nóvoa, professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, destacou, esta quarta-feira, a importância dos professores no processo educativo. “Há três grandes prioridades no contrato social de Educação. Primeira, os professores, segunda, os professores e terceira os professores", sublinhou António Sampaio da Nóvoa, na sua intervenção na 2.ª edição do Oeiras Education Forum, que se realiza esta quarta e quinta-feira, no Tagus Park, em Oeiras.

"Este contrato implica acima de tudo, uma valorização dos professores", repete.

O professor universitário sublinha que é preciso apostar na formação de professores e dar-lhes autonomia para se renovarem pedagogicamente. "Precisamos de novas políticas que tenham coragem de assumir a dúvida e a incerteza, que tenham a coragem de uma mudança profunda na ação política, assumindo que o mais importante hoje é criar as condições nas escolas, com liberdade e em liberdade, para que seja possível ensaiar novas abordagens. Não se trata de inventar, centralmente, novos projetos e novos programas. Trata-se apenas - e já não é pouco - de autorizar e de possibilitar a emergência de novas maneiras de trabalhar e de novos ambientes educativos, num quadro colaborativo entre professores", explicou.

Sampaio da Nóvoa destacou a importância das emoções e das relações humanas no processo educativo e garantiu que a Inteligência Artificial nunca poderá substituir ou ser equiparada ao papel dos professores: "Não podemos pôr no mesmo plano humanos e máquinas". Mas, diz, a Inteligência Artificial "veio demonstrar que, mais do que os resultados, o que conta é o processo". "A Educação é um processo de trabalho, de esforço, de compreensão, de tentativa, de erro e de procura. E nada substitui a qualidade humana deste processo", sublinhou.

"Há muitas coisas que podemos aprender sozinhos. Mas, para nos educarmos, precisamos dos outros - dos mestres e dos nossos colegas. Não há Educação fora de uma relação humana, de um encontro entre humanos. Pode haver aprendizagem, mas não haverá nunca Educação", assegurou.

Para Sampaio da Nóvoa, houve alguma "incapacidade de renovação pedagógica" nas escolas que visitou no último ano e meio, "como se não houvesse energia nem condições para ensaiar novos processos de ensino e de trabalho". O professor universitário e especialista em Educação diz que a "entrada abrupta das novas tecnologias", se fez com "pouca preparação e pouco cuidado".

Fonte: CNN Portugal por indicação de Livresco

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