quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Beatriz, uma vítima de bullying

Beatriz é vítima de agressões na sua escola, um fenómeno que está a aumentar. A estudante de 14 anos começou a ser alvo de bullying por parte de alunas de outra turma há seis meses e agora é protegida pelos seus colegas.
Beatriz é vítima de violência de maus tratos de forma continua e prolongada por parte dos seus colegas de escola, um fenómeno que estará a aumentar em todo o país, embora o Ministério da Educação e a Procuradoria-geral da República não tenham dados sobre o bullying.
Esta aluna de 14 anos da Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo, é vítima de agressões há seis meses e os seus olhos são o espelho do medo que sente, isto depois das ameaças psicológicas e verbais de colegas de outra turma que começou a receber em Junho.
As agressões físicas começaram a 1 de Outubro, com o regresso às aulas, tendo recebido uma suspensão idêntica à da agressora só por se ter defendido, contou o pai da jovem à TSF.
«Deu uma estalada na outra. Entretanto, juntou-se um grupo de três ou quatro e deram-lhe uma tareia. Das pessoas que lhe deram uma tareia, só uma é que teve seis dias de suspensão com pena suspensa», explicou Luís Carreira.
Beatriz passou pela urgência do Hospital do Montijo de onde seguiu um relatório anexado à queixa que os pais fizeram de imediato na PSP, algo que acabou por não valer de nada, pois a violência subiu de tom.
«Dão-lhe empurrões, chamam-lhe nomes. Mandam-lhe mensagens que estão entregues neste momento no Conselho Directivo com ofensas gravíssimas e com ameaças físicas. Essas miúdas, que são de outra turma, fizeram-lhe uma espera fora da escola e deram-lhe uma tareia grande», acrescentou Luís Carreira.
Depois desta agressão em Novembro, a Internet foi o alvo seguinte, com um «hi5 em nome da minha filha, com fotografias no nome dela» e com o seu número de telemóvel para lhe ligarem e «com palavras que não vamos referenciar porque são demasiado ofensivas», conta o pai.
Apesar de a página no hi5 ter estado apenas aberta pouco mais de 24 horas, a mãe Clara conta que «recebeu propostas do 'arco da velha'», ao atender o telemóvel da filha e que agora os colegas da turma da filha a protegem numa altura em que as notas de Beatriz estão a baixar.
«Hoje vai um levá-la a casa. No dia seguinte, vai outro buscá-la a casa. Depois no mesmo dia, vai um terceiro levá-la. Revezam-se até voltar ao mesmo. Sempre os rapazes. Se quiser ir à casa de banho, que fica na outra ponta da escola, vai sempre um colega com ela», acrescentou.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

“Ser Professor de Educação Especial” - conclusões do congresso


A Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, realizou de 27 a 29 de Novembro o Primeiro Congresso Internacional subordinado ao tema “Ser Professor de Educação Especial”, com a presença de alguns dos mais proeminentes académicos e investigadores nacionais e internacionais. Os cerca de 500 participantes, na sua maioria professores desta área, debateram, ao longo das mais de 70 conferências e comunicações, temas actuais relacionados com a Educação Inclusiva, Sistemas Educativos, Avaliação e Intervenção Educacional, Profissionalidade, Avaliação e Formação Docente, entre outros.
Da riqueza dos debates e das comunicações apresentadas, surgiram as seguintes conclusões.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

15 ideias para educar pestinhas


Professores, pediatras e psiquiatras vêem a disciplina enquadrada numa relação baseada no encorajamento e na recompensa. Acreditam que se houver uma relação de confiança recíproca haverá pouco espaço para o castigo. Os pais, que quase todos os dias mordem os lábios para não reagir a quente quando os seus filhos teimam nas birras, têm outra opinião. Educar não é fácil e disciplinar também não... Eis 15 ideias para educar sem gritos.
1. Ensine inteligência... emocional. Mais importante do que saber ler antes dos amigos é saber lidar com as emoções.
2. Promova a colaboração. A infância não é um paraíso. Os mais novos devem cumprir tarefas e sentir-se integrados no núcleo familiar.
3. Responsabilize-as. As crianças devem ser encorajadas a assumir as responsabilidades dos seus actos.
4. Assuma o seu papel. Quando a criança desatar aos berros, não grite também. Alguém tem que ser o adulto nesta relação.
5. Fale com elas, muito e desde bem cedo. Aproveite todos os bocadinhos.
6. Dê o exemplo. Tanto nos comportamentos, como na linguagem e nas regras.
7. Conte histórias. O momento do conto é a forma clássica e efectiva de treinar as emoções. Leia os livros antes de os ler aos seus filhos.
8. Cure a razão, não o sintoma. A indisciplina pode ser um sinal de que algo não está bem. Proibi-los de jogar PlayStation ou ver televisão durante uma semana pode não ajudar nada. Perceba a razão por trás do comportamento.
9. Não seja amiguinha/o. Todos queremos fazer os nossos filhos felizes, mas às vezes é preciso tomar decisões difíceis e impopulares.
10. Ouça, ouça e volte a ouvir. Seja bom ouvinte, arranje tempo para falar e sobretudo para ouvir. É uma boa forma de os compreender.
11. Ajude a lidar com a frustração. É importante ter rotinas e fazer entender que não pode ter tudo o que quer.
12. Faça uma pausa. Os ânimos estão exaltados. O mais sensato pode ser ... uma pausa. Conte até dez antes de também perder o controlo.
13. Cuidado com as expectativas. Não compare, nem exija dos seus filhos aquilo que eles não podem dar.
14. Se tem mais do que um filho arranje nem que seja 15 minutos por semana para estar com cada um a sós.
15. Ame-os muito. O amor nunca é demais.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mundo Aspie - revista diversidades


A Revista Diversidades dedica o n.º 26 à temática do Síndrome de Asperger como título de "Mundo Aspie". No editorial, da autoria de Maria José Camacho, Directora Regional de Educação especial e Reabilitação, podemos ler:

O calendário relembra-nos que Dezembro está aí. Imersos no sentimento de recordação de um ano que se encerra e impelidos para a perspectiva de um outro que é sonho e promessa de realizações, a Diversidades escolheu para este número a incursão serena na Síndrome de Asperger (SA).
Nuno Lobo Antunes refere que "os professores deverão compreender que as crianças com SA têm um medo quase patológico do ridículo, por isso é preciso reforçar a ideia de que o erro é essencial ao conhecimento e à experiência, e evitar situações que podem resultar em humilhação. O estilo de aprender, as características peculiares quanto à escrita, leitura e cálculo deverão estimular os professores, com ajuda de técnicos experientes, a desenvolver técnicas pedagógicas que potenciem as aptidões e não sublinhem, as dificuldades".
Começa a ser comum a referência ao "Mundo Aspie". Enquanto cidadãos desse Mundo, o que os caracteriza? O que os distingue? Traços de personalidade, competências, peculiaridades, síndromes?
A constância desta indelével transitoriedade leva-nos a acreditar, cada vez mais, na sinergia que deve ser colocada no respeito e acolhimento da sua singularidade, enquanto pilar fundamental de intervenção.
Nos reflexos da sua imprevisibilidade, encontram o aconchego e o refúgio salutar nos outros e, por isso, precisam sentir-se compreendidos no seu saber estar, ser e agir e, simultaneamente, demandam que os aceitemos como são. Ser Aspie, ser… simplesmente ser… Não se trata dum mundo de uns e de outros, mas do Mundo que é de todos, com lugar para a igualdade na diferença.
Reconheçamos e deixemo-nos desafiar pela originalidade intelectual e emocional das diversas formas de comunicação e relacionamento, sem resvalar para o proteccionismo exagerado, indiferença ou discriminação exclusiva. (...)

"Sábados Especiais"

O Gabinete de Acompanhamento à Educação Especial da DREN e a Escola Secundária Alexandre Herculano, Escola de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos, organizam o 2º Encontro do Programa 'Sábados Especiais'. Subordinado ao tema Materiais Bilingues para Alunos Surdos - O trabalho em rede, o Encontro vai ter lugar na Secundária Alexandre Herculano, no Porto, no próximo dia 12 de Dezembro. 'Sábados Especiais' é um programa de (auto)formação dirigido a professores, educadores, terapeutas e familiares de alunos com Necessidades Educativas Especiais. (Ver mais)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Intervir para a inclusão escolar


No Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, 3 de Dezembro, urge falar de inserção social, mas também de inclusão escolar de crianças e jovens especiais que nem sempre vêem a educação ir ao encontro das suas necessidades e capacidades.
São contraditórios os números relativos aos alunos com necessidades educativas especiais (NEE) em Portugal. Segundo os dados do Ministério da Educação (ME) apenas 1,8% do total de alunos a frequentarem o sistema educativo se inserem nesta classificação. Os especialistas fazem outras contas: serão mais de 8% os alunos a necessitarem de intervenção na área da educação especial. Acusam o ME de ter apenas considerado naquela percentagem, os alunos com necessidades educativas especiais permanentes, com deficiências auditivas, visuais, com multideficiência e com perturbações do espectro do autismo. Deixando expostos ao insucesso muitos mais alunos carentes de apoio especializado devido a dificuldades de aprendizagem.
Na base desta disparidade percentual está uma indefinição de conceitos e de classificações. Luís de Miranda Correia, autor do Modelo de Atendimento à Diversidade (1995), é uma das vozes mais críticas às políticas educativas dos últimos anos na área da educação especial. Nicole Dias é psicóloga clínica e trabalha segundo o método da análise comportamental aplicada (ABA - Applied Behaviour Analysis) na resolução de patologias comportamentais, cognitivas e emocionais. Na celebração do Dia Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiência, urge falar de inclusão social, mas também escolar, de crianças e jovens especiais que nem sempre vêem reconhecidas as suas capacidades.
Repensar a forma como a educação especial tem sido tratada nos últimos quatro anos é "fundamental", diz Luís de Miranda Correia, professor catedrático do Instituto de Estudos da Criança, da Universidade do Minho. As críticas deste investigador estão voltadas para o Decreto-Lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro, um diploma que tem gerado muita polémica entre a comunidade escolar pela discriminação da maioria dos alunos com NEE, pelo processo de intervenção que prevê, mas sobretudo pela inadequada utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Recorde-se que a CIF foi criada pela Organização Mundial de Saúde para sinalizar problemas do foro físico e está a ser usada para determinar quem são os alunos passíveis de intervenção na área das NEE. Ou seja, para despistar problemas do âmbito educativo. Deixando assim escapar alunos com dificuldades de aprendizagem (DA) e problemas de comportamento, que, segundo Miranda Correia, constituem cerca de 60% do número total (8%) de alunos com NEE.
"É um facto irrefutável que a maioria dos alunos com NEE se encontram abandonados à sua sorte nas nossas escolas", diz Miranda Correia, "embora só se possa comprovar [esta realidade] quando o ME resolver fazer estudos de prevalência fidedignos ou os encomendar às universidades", esclarece o professor. "Se fosse possível passar um questionário aos professores nesta matéria, se eles fossem autênticos nas suas respostas, sem medo de represálias, ou de encobrimento daquilo que nunca perceberam, os resultados seriam assustadores", conclui.
Escola inclusiva
"Não podemos esquecer que os alunos com NEE passam parte significativa do seu dia-a-dia nas escolas, se tivermos em conta os princípios que a inclusão pressupõe. E, se assim é, durante esse período crucial do seu desenvolvimento, não só terão de interagir continuamente com professores e colegas, mas também estarão expostos às mais diversas estratégias e métodos de ensino", diz Miranda Correia. Para que estes alunos possam ter sucesso escolar, o professor defende ser "necessário criar ambientes educativos seguros e assegurar aprendizagens que se identifiquem com as suas capacidades e necessidades para que um dia venham a atingir um nível de independência, vida de qualidade e produtiva como membros activos da sociedade".
Com a mudança ministerial, Miranda Correia lança um apelo a Isabel Alçada, a nova titular da pasta da Educação: "Que o seu Ministério tenha sempre presente que as decisões educacionais e políticas se devem basear nos resultados da investigação e nas boas práticas."
Práticas de intervenção
A inclusão escolar de crianças com NEE permanece um tema controverso. Mas actuando ao nível da dinâmica de grupo é possível conseguir processos de inclusão eficazes, trabalhando competências que colmatem défices de atenção, dificuldade de compreensão da instrução, da linguagem e problemas ao nível da comunicação, tendo em vista o sucesso escolar.
Como explica Nicole Dias, directora do ABA, Centro de Terapias Comportamentais, a intervenção começa por ser individual, criando na criança os pré-requisitos e as pré-competências necessárias para funcionar em grupo. Segue-se a inclusão num pequeno grupo, de um ou dois pares da turma. "Mas para que isto aconteça é preciso que haja a colaboração dos pais das outras crianças e da escola em geral, no sentido de serem criadas as condições para este processo ser aplicado". Na fase de intervenção seguinte, alarga-se o número de elementos do grupo até seis crianças e faz-se uma simulação da sala de aula.
Começa-se, desta forma, a treinar a instrução em grupo. À qual se segue a introdução da criança no contexto de sala de aula regular. Neste nível deixa-se o trabalho directo com a criança e passa a haver uma transmissão de estratégias para os professores ou educadores. "Vamos acompanhando a sala toda e gradualmente fazendo a nossa retirada, assim se espera que a terapeuta já não seja necessária e esteja concluído um processo eficaz de inclusão", explica Nicole Dias.
O ABA, Centro de Terapias Comportamentais, intervém actualmente em 14 crianças e jovens com idades entre os 3 e os 19 anos que apresentam diversas problemáticas do foro comportamental e psicológico. São, na sua maioria, casos de perturbações do espectro do autismo, mas também de epilepsia, atraso mental, trissomia 21 e perturbações alimentares.
Os métodos e as técnicas têm por base a análise comportamental aplicada (ABA - Applied Behaviour Analysis) e podem, segundo Nicole Dias, ser usados em qualquer situação. Funcionam através do reforço, ajudas específicas e objectivos concretos. "A ABA tem uma vertente diferente das outras intervenções por ser extremamente objectiva, tudo é mensurável, portanto o progresso da criança ou jovem é acompanhado diariamente", refere a psicóloga. O trabalho é sempre realizado em contexto real, explica Nicole Dias. "Todas as intervenções acontecem no ambiente em que aquela criança precisa de funcionar, seja em casa ou na escola, e há sempre um trabalho complementar com a família e restantes intervenientes identificados na vida da criança, se não o processo não é viável."
Nicole Dias não tem dúvidas sobre os benefícios da inclusão de crianças com NEE na escola regular. "Desde que se atenda às suas necessidades específicas, com as devidas adaptações dos currículos e técnicos presentes que possam apoiar os agentes educativos". Mas alerta: "Muitas vezes é preciso haver um trabalho individualizado em que a criança está fora do grupo, embora depois ela tenha todos os benefícios em ser novamente inserida nele."
Esta inserção "tem de ser feita com muito cuidado e tendo em atenção as necessidades da criança e do grupo", sublinha Nicole Dias. Algo que nem sempre é tido em conta. "Acontece frequentemente que o processo [de inclusão] é feito de forma abrupta, sem que sejam estabelecidos objectivos concretos e depois anda tudo à deriva", critica. Algumas destas questões estarão em debate na Fundação Calouste Gulbenkian, no dia 5 de Dezembro, num colóquio intitulado "Inclusão: Um desafio entre o ideal e o real", organizado precisamente pelo ABA.
De modo geral, o centro ABA entra nas escolas através do apoio individualizado que presta a alunos com NEE cujos pais procuram o centro. Dessa experiência de trabalho, Nicole Dias tem verificado "que a escola, por si só, tem alguma dificuldade em dar resposta a todas as necessidades educativas especiais", nomeadamente pela falta de técnicos formados e de estruturas que permitam fazer uma inclusão eficaz.
No entanto, é "na fase de inserção no grupo que o apoio da escola se torna importante, porque temos mesmo de trabalhar com os outros alunos e em todos os contextos, seja no refeitório, recreio, salas ou ginásio", esclarece Nicole Dias. Apesar da falta de recursos nas escolas, a psicóloga não tem encontrado resistência à actuação do centro, "quando lhes é oferecido esse apoio, a receptividade entre professores e educadores é de ressalvar". E essa abertura é essencial ao trabalho de inclusão.

Governo pioneiro na formação de cidadãos com deficiência nas novas tecnologias

O Governo dos Açores, através da Secretaria Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos disponibiliza, pela primeira vez nos Açores, um concurso para a formação na área das novas tecnologias a cidadãos portadores de deficiência.
Uma das prioridades do executivo açoriano, na área das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) passa pela inclusão digital de todos os açorianos que a ela ainda não tenham acesso, não só através da criação de espaços equipados e distribuição de equipamento tecnológico, como tem sido feito, mas também garantindo a formação necessária à utilização dessas ferramentas.
Inédito na Região, o concurso - uma medida de apoio à formação na área das tecnologias de informação e comunicação - arrancou hoje e destina-se à apresentação de candidaturas ao apoio individualizado para formação e organização de acções de formação dirigidas a cidadãos portadores de deficiência.
“Não pretendemos apenas dotar as entidades, as associações e as pessoas com equipamentos modernos e adaptados às necessidades de cada um, queremos formá-los para poderem usar esse tipo de tecnologias”, referiu o secretário regional a propósito desta iniciativa pioneira no arquipélago.
São vários os objectivos da SRCTE com a abertura desta medida, desde logo o combate à info-exclusão, promovendo a igualdade de oportunidades no acesso às TIC, bem como contribuir para a satisfação das necessidades pessoais e sociais, a par da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos portadores de deficiência, que com estas acções de formação reforçam ou adquirem competências ao nível da utilização das TIC.
É ainda intenção do Governo dos Açores promover a qualificação dos cidadãos portadores de deficiência, bem como contribuir para a formação de técnicos especializados em TIC.
Existem dois tipos de beneficiários desta medida: o cidadão portador de deficiência ou, consoante o caso, a instituição que por ele se responsabiliza, e as associações privadas sem fins lucrativos que tenham como objecto, consignado estatutariamente, o apoio a cidadãos portadores de deficiência e as unidades orgânicas do sistema educativo que integrem alunos portadores de deficiência.
Os interessados devem apresentar a referida candidatura a esta medida na Direcção Regional da Ciência, Tecnologia e Comunicações até às 24 horas (hora dos Açores) do dia 31 de Dezembro de 2009, ou através do site http://www.azores.gov.pt/Gra/sctr/.

Várias iniciativas assinalam hoje Dia Internacional da Pessoa com Deficiência


Várias iniciativas assinalam hoje o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, quando o número de pessoas com deficiência inscritas nos centros de emprego subiu 32 por cento entre Dezembro de 2007 e Outubro de 2009, segundo dados oficiais.
Os dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSS) à agência Lusa indicam que estavam 6490 pessoas inscritas em Dezembro de 2007, enquanto em Outubro de 2008 eram 8587.
Os dados não disponibilizam o número total de pessoas com deficiência no desemprego. O Governo salienta contudo que, em média, o investimento financeiro em medidas de emprego e formação profissional específicas abrange anualmente cerca de 13 300 pessoas com deficiência.
O MTSS lembra que as empresas que contratem pessoas com deficiência recebem subsídios de compensação, de adaptação de postos de trabalho e um outro para eliminação de barreiras arquitectónicas.
Hoje, para assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, realiza-se no Centro Cultural de Belém a Conferência Internacional subordinada ao tema ‘A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: Um desafio para a igualdade e autonomia’, organizada pelo Instituto Nacional da Reabilitação.
Por seu lado, a CP - Comboios de Portugal oferece hoje viagens em todos os seus comboios aos «clientes com necessidades especiais e a um acompanhante». O objectivo da iniciativa, nota a CP em comunicado, é «contribuir para uma maior compreensão dos assuntos relativos» à causa das pessoas com necessidades especiais, e também «mobilizar para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem estar das pessoas com deficiência».
Paralelamente, a empresa Metro do Porto anunciou que tem disponível um serviço «inédito a nível mundial» destinado a auxiliar invisuais e amblíopes nas suas viagens de metropolitano.
O serviço NAVMETRO - informação e navegação na rede do Metro do Porto, disse à Lusa fonte da empresa, é «uma ferramenta altamente inovadora», que permite aos clientes invisuais serem 'conduzidos' nos vários momentos de utilização do sistema - escolha de título, validação, encaminhamento no interior da estação -, disponibilizando igualmente informação genérica sobre o Metro - linhas, horários, títulos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Mais atenção à literacia


De acordo com um estudo hoje divulgado, Portugal deve aumentar rapidamente o nível de literacia da população sob pena de enfrentar dificuldades na realização dos objectivos económicos e sociais.
O estudo realizado pela Data Angel, a pedido do Plano Nacional de Leitura (PNL), foi hoje apresentado em Lisboa pelo seu coordenador, Scott Murray, numa conferência com a presença da ministra da Educação, Isabel Alçada, e de alguns convidados para analisar o documento, como o economista João Salgueiro.
Com o título "A Dimensão Económica da Literacia em Portugal", o estudo aponta que o país "apresenta os níveis mais baixos de competências de literacia entre todos os países onde se realizaram inquéritos" neste âmbito.
"Portugal tem de dedicar muito mais atenção à literacia. As análises do impacto da literacia no desempenho económico durante os últimos 50 anos deixam poucas dúvidas de que o país pagou um preço significativo por não ter aumentado a oferta de competências de literacia ao dispor da economia", aponta o documento.Iniciativas como o Plano Nacional de Leitura ou as Novas Oportunidades "estão no caminho certo, mas não são suficientes", defendeu Scott Murray.
Se investir de uma forma mais eficiente, Portugal tornar-se-á mais competitivo, mas se não conseguir enfrentar o desafio poderá registar quebra no emprego e aumento da pobreza e da desigualdade social, concluiu o coordenador do trabalho.
O estudo refere que "a exigência em conhecimentos e em competências do mercado de trabalho português é baixa, numa perspectiva comparativa", e o mercado laboral "não parece compensar as competências de literacia na medida esperada".
Aliás, os alunos portugueses, com excepção para os melhores, "têm poucos incentivos para investirem tempo e esforço no aumento do seu nível de literacia".
O economista João Salgueiro discorda de algumas das conclusões do estudo e salientou que o país tem "um baixo nível de literacia e mesmo assim dois terços da economia não reconhecem a vantagem" de ter uma massa laboral com mais competências.
"Temos um problema de falta de competitividade da nossa economia" e o aumento da competitividade também passa pela literacia, mas esta é só uma das condições, que passam "por uma legislação que protege o passado e não o futuro a nível laboral, por uma fiscalidade pesada de mais, por um sistema de justiça demorada", defendeu João Salgueiro.
Para a ministra da Educação, as conclusões do estudo "demonstram que há várias medidas que já estão em curso, como o Plano Nacional de Leitura e as Novas Oportunidades, que são essenciais para o desenvolvimento da educação e permitem uma qualificação dos portugueses tanto ao nível das competências básicas como da formação profissional".
Isabel Alçada referiu ser preciso que "toda a sociedade portuguesa se mobilize para que a melhor oferta em termos de qualificações corresponda a um reconhecimento da parte do tecido empresarial de que a economia evolui se as empresas também melhorarem, se se modernizarem e se tiverem profissionais mais qualificados".
Entende-se por literacia a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita, de modo a atingir os seus objectivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e competências e a participar activamente na sociedade.

Livro Verde "Mobilidade dos Jovens para fins de Aprendizagem"

A Comissão Europeia colocou para discussão pública, até 15 de Dezembro, o Livro Verde «Mobilidade dos Jovens para fins de Aprendizagem», onde também é referida a mobilidade dos grupos mais desfavorecidos, nomeadamente, os jovens com necessidades especiais.

É necessário chegar aos grupos que tendem a ficar excluídos das oportunidades de mobilidade. Os argumentos a favor da mobilidade na aprendizagem (desenvolvimento de capacidades para enfrentar a globalização, reforço da competitividade e da coesão social) tornam-se ainda mais válidos no caso dos grupos mais desfavorecidos, uma vez que são também os grupos mais vulneráveis. Qualquer medida a favor da mobilidade deve visar, em especial, a inclusão daqueles que já se deparam com dificuldades específicas, como os grupos com maiores carências sociais e económicas, as pessoas com necessidades especiais e as populações migrantes menos favorecidas. Os programas Aprendizagem ao Longo da Vida, Juventude em Acção e Erasmus Mundus fornecem apoio específico às pessoas com necessidades especiais. Esta prática poderia ser alargada a outros programas e projectos de mobilidade, uma vez que os benefícios obtidos em termos de desenvolvimento pessoal com este tipo de mobilidade são particularmente importantes para estes grupos. (p. 13)
Se desejarem contribuir para a discussão pública poderão fazê-lo preenchendo o questionário em: http://ec.europa.eu/yourvoice/ipm/forms/dispatch?form=greenpaper&lang=pt