quarta-feira, 11 de março de 2026

Inclusão através da Língua Gestual Portuguesa

Numa sociedade verdadeiramente democrática, a liberdade de pensar, agir e contribuir não pode ficar condicionada apenas por lógicas partidárias ou movimentos que, tantas vezes, acabam por limitar a expressão individual e reduzir a capacidade de transformação que todos temos. Foi com esse espírito — livre, independente e construtivo — que decidi apresentar um conjunto de propostas na Assembleia Municipal de Ílhavo no passado dia 27 de Fevereiro sobre a inclusão e importância da Língua Gestual Portuguesa (LGP).

No final da minha intervenção, fui contactado de imediato pela adjunta do Presidente da Câmara para uma reunião, um gesto que importa sublinhar, pois revela proatividade, abertura e verdadeiro interesse em escutar contributos da sociedade civil. Este tipo de resposta institucional demonstra que vale a pena participar e que as ideias apresentadas com seriedade e responsabilidade encontram espaço de diálogo.

2026 foi definido como o Ano da Educação no concelho, conforme estabelecido nas Grandes Opções do Plano aprovadas pela Câmara Municipal de Ílhavo. Sendo a educação um pilar estruturante da nossa comunidade, entendi que era o momento certo para apresentar propostas concretas na área da inclusão, com especial destaque na valorização da Língua Gestual Portuguesa e no reforço de condições para alunos surdos.

Assim como referi na minha intervenção, é importante reconhecer o trabalho notável desenvolvido pela equipa da AEREBAS de Ílhavo (Agrupamento de Escolas de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos), que tem sido um exemplo de dedicação e competência na promoção do ensino bilingue e na defesa da Língua Gestual Portuguesa como instrumento de igualdade. O seu percurso demonstra que, quando há compromisso, os resultados surgem. Contudo, a inclusão é um processo contínuo. Há ainda muito trabalho a fazer — mas, na verdade, não é assim tão difícil tornar a sociedade mais inclusiva desde que exista vontade e visão estratégica.

Partilho as propostas apresentadas e que separo em quatro eixos fundamentais:

Reforço do número de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa nas escolas do concelho, garantindo acesso pleno ao currículo, participação nas atividades escolares e igualdade real de oportunidades;

Reforço do apoio psicológico especializado, assegurando acompanhamento adequado a crianças e jovens surdos, prevenindo dificuldades emocionais e promovendo bem-estar ao longo do percurso escolar;

Melhoria da sinalética e dos sistemas de alerta nas escolas, especialmente em contexto de emergência, para que a segurança seja verdadeiramente acessível a todos;

Presença regular de intérprete de Língua Gestual Portuguesa nas reuniões da Assembleia Municipal, reforçando o princípio de que a participação cívica é um direito universal.

Estas medidas têm impacto direto não apenas na comunidade escolar, mas na sociedade civil como um todo. Uma escola mais inclusiva forma cidadãos mais preparados, mais conscientes e mais solidários. Uma autarquia que garante acessibilidade reforça a democracia, humaniza, promove a coesão social e transforma vidas.

Esta é apenas uma das muitas formas de contribuir para a construção de uma comunidade mais forte e mais livre. Não substitui outras iniciativas, nem pretende monopolizar o debate, pelo contrário - soma, acrescenta e demonstra que a participação individual continua a ser um dos motores mais poderosos da transformação social.

Se há algo que esta experiência me confirmou é que intervir de forma construtiva e objetiva vale sempre a pena. Embora não se controle a reação, a ação realizada de forma elevada tem forçosamente de receber uma resposta ao mesmo nível. Acredito que a liberdade conquista-se todos os dias — e cada passo dado com coragem, conhecimento e visão pode abrir caminho para muitos outros.

Fonte: AveiroMag por indicação de Livresco

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