sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ir ao psicólogo, sim ou não?


Responder a esta questão é extremamente difícil, pois o normal e o patológico dependem muito do contexto. O que num contexto é anormal, num outro poderá não ser tanto assim.
"É sempre a mesma coisa: de cada vez que os pais pressentem que algo vai mal, em vez de tentarem compreender, marcam consulta para um psicólogo. Os psicólogos são os santos protectores dos pais do século XX. Recorrem a eles como se eles soubessem fazer milagres. Quase toda a malta que eu conheço já foi, vai ou arrisca-se a ir, mais tarde ou mais cedo, a um São Psicólogo dos Milagres. Nem quero pensar que me vai acontecer o mesmo... Até me dá vómitos!"
Gonzalez, M. (1994), A Lua de Joana - Editorial Verbo. Lisboa/São Paulo.

A Lua de Joana é um livro constituído pelas cartas que uma adolescente, a Joana, escreve à sua amiga Marta, que falecera devido a problemas com drogas.

A ida ao psicólogo parece ser, no universo onde a Joana se move, uma moda. Moda esta frequentemente usada por pais que se querem desresponsabilizar e desculpabilizar face ao problema dos filhos. O pai da Joana tinha muito pouco tempo para ela, talvez por isso ela temesse que ele procurasse um psicólogo para a ajudar. A referência à ausência do pai é frequente: "Aliás, o meu pai tem outra justificação: ele não tem tempo para se chatear. Uma discussão, um ralhete, um sermão são coisas que podem durar horas, e ele não se pode dar a esse luxo, tem coisas muito mais importantes para fazer...". Esta é apenas uma citação, pois as referências à ausência do pai são muito frequentes ao longo deste livro, que desde já recomendo.

Desresponsabilização?!... Sem dúvida que por vezes esta atitude está subjacente à procura de um psicólogo. Muito recentemente um pai, num estado de grande tensão, afirmava: "Veja se o trata, pois nós já não o conseguimos aguentar". Subjacente a esta afirmação a ideia de que o único que seria envolvido no processo terapêutico seria esta criança com apenas 10 anos. Na verdade, quando os adultos levam a criança a um psicólogo quem vai falar das dificuldades e vai ser aconselhado é o adulto. O adulto é que terá de assumir o papel principal, mesmo quando o que ele preferia era de ser apenas figurante.

A insegurança é também a "mola" que muitas vezes impulsiona a procura de apoio psicológico. Há pais que consideram que se agirem desta ou de outra forma irão traumatizar os filhos, por isso procuram os psicólogos para saber como 'se deve' agir nesta, naquela e na outra situação. O medo de falhar perseguem-nos e por isso só se sentem aliviados se ouvirem a opinião de pessoas ditas mais sabedoras...

Mas, afinal, quando é que é aconselhável levar uma criança ao psicólogo? Responder a esta questão é extremamente difícil, pois o normal e o patológico dependem muito do contexto. O que num contexto é anormal, num outro poderá não ser tanto assim. Apesar desta dificuldade existem alguns sinais indicadores da necessidade de apoio psicológico, aos quais deverá estar atento. São eles:

- Mudanças bruscas de comportamento, sem que para tal exista justificação. Por exemplo, ele era muito alegre e agora começa a chorar frequentemente, sem que para tal exista uma justificação. Neste poderá ser importante pedir ajuda.

- Existência de um comportamento disfuncional, num dos contextos onde a criança se move. Se em casa ela está bem, mas na escola tem atitudes 'estranhas' e 'inexplicáveis', a ajuda de um especialista poderá ser necessária.

- Sentimento de inquietação permanente e falta de estratégias para lidar com uma determinada situação, mesmo quando todos que o rodeiam afirmam que a situação é normal.

- Redução significativa da qualidade de vida, devido à incapacidade para lidar com as características pessoais, situações e opções de vida.

- Se já usou diferentes estratégias e instrumentos e não foi capaz de solucionar esse problema que tanto o inquieta, então não hesite, procure mesmo ajuda...

Adriana Campos

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Educação especial: ministério acusa Fenprof de fazer acusações “ridículas e ignóbeis”

Do texto publicado no Público, com a reacção do ME às acusações proferidas pela Fenprof, retiro apenas o seguinte, que prova, uma vez mais, o desconhecimento ou a tentativa de iludir os pais e o público, em geral.
Na nota, a tutela defende-se explicando que tem “dedicado uma atenção particular e feito um esforço interno no que respeita à educação especial”. Recorda-se, ainda, o pedido do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, de que “se existir alguma criança que não tem apoio, e deva tê-lo, as famílias devem contactar os serviços, a escola, o Ministério da Educação, para conseguir esse apoio”. (destacado por mim)
De facto, com já frisei em textos ou comentários anteriores, há alunos com NEE que não estão a ser apoiados por um docente de Educação Especial! Há-os no agrupamento onde trabalho!
Mais grave ainda,esta situação é do conhecimento dos organismos do ME, pois tem sido referido em todos os levantamentos que têm sido feitos! A Equipa de Apoio às Escolas da zona a que pertenço é conhecedora desta situação!
Felizmente, foi aberta uma vaga para o concurso de professores, a decorrer. Não é o suficiente ainda para as necessidades reais! Pretende-se abrir mais um lugar para destacamento!
Desconheço a realidade dos agrupamentos do País! No entanto, penso que as vagas não vão ser suficientes!
Outra questão pertinente, e raramente abordada, prende-se com a colocação deoutros técnicos, sobretudo de psicólogos e de terapeutas da fala. Quanto a esta questão, não se ouvem vozes!

Educação especial: Fenprof garante que concurso de professores excluirá mais de 2500 docentes

A Fenprof diz que o actual concurso de professores só abriu 830 vagas para docentes do ensino especial, o que deixará de fora milhares de docentes com formação nesta área, e reitera críticas ao Governo pela adopção de uma nova forma de classificação dos estudantes com necessidades específicas.
Em conferência de imprensa, o líder da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), voltou a criticar o Ministério da Educação por ter decidido passar a identificar os estudantes com necessidades especiais através da Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), um sistema de classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que descreve, avalia e mede a saúde e o nível de incapacidade de uma pessoa.
Com a adopção deste sistema, "milhares" de crianças deixaram de ter acompanhamento especial nas escolas, o que está a afectar também os professores, sublinha a Fenprof. Segundo Mário Nogueira, a Sociedade Portuguesa de Pedopsiquiatria refere que as escolas portuguesas têm uma taxa de prevalência de necessidade educativa especial (NEE) na ordem dos 10 a 11 por cento. No entanto, e ainda de acordo com Mário Nogueira, que referiu dados do Ministério da Educação (ME), esse valor caiu no ano lectivo de 2007/2008 para os 3,9 por cento. "É evidente que o que está por detrás disto é poupar, poupar onde não se pode poupar e onde tem de haver investimento", sublinhou.
De acordo com os dados apresentados hoje pela Fenprof, com base em dados do ME, dos 5557 docentes em funções de educação especial, o concurso de 2006/2009 contemplou 2155, deixando, por isso, de fora 3402. Com as actuais 830 vagas para professores do ensino especial que o ME pôs a concurso para 2009/2013, tendo por base os anteriores 3402, ficarão de foram 2572 professores, destacou a federação sindical.
Tutela diz que todos os estudantes estão sinalizados
O Ministério da Educação já negou por diversas vezes que a adopção da CIF tenha excluído alunos com necessidades educativas específicas do ensino especial, garantindo que todos os estudantes com esse tipo de necessidades estão sinalizados. O Governo sustenta ainda que os estudos que apontam para entre os oito e 12 por cento de alunos com dificuldades de aprendizagem não têm relação com a realidade e destaca que a adopção da CIF faz parte de recomendações internacionais. Entretanto, no início deste ano o ME anunciou que vai avaliar a aplicação da CIF e que os resultados preliminares serão conhecidos dentro de seis meses.
Nessa altura, o secretário de Estado da Educação recordou os problemas "gravíssimos" que existiam na sinalização das crianças e jovens com necessidades educativas especiais. "Partir do pressuposto de que quantas mais crianças forem apoiadas melhor é errado. Tínhamos freguesias inteiras em que todas as crianças de etnia cigana estavam sinalizadas. Isso não é uma resposta adequada", afirmou Valter Lemos, rejeitando as críticas de que esta reforma foi puramente economicista.
O Ministério da Educação quer ter até 2013 todas as crianças com necessidades educativas especiais nas escolas de ensino regular, ao mesmo tempo que as escolas de ensino especial estão a ser transformadas em centros de recursos para a inclusão.
Comentário:
os alunos podem estar sinalizados, mas isso não significa que estejam a ser apoiados por um docente de educação especial. São as meias verdades... e facto, nem todos estão a ser apoiados!

terça-feira, 31 de março de 2009

Abaixo-assinado: O "Autismo" não é um adjectivo, não deve ser usado pelos Políticos e Jornalistas de forma Pejorativa

Entre os visitantes do Blog, foi deixado este apelo. Penso que faz todo o sentido. Respondo, desta forma, ao apelo pela sua divulgação. Colaborem!
Vamos lá a ver, que os Politicos andem com troca de palavras que desconheçam o seu significado, eu até posso nem sem como dizer, compreender, pois parecem ser todos ignorantes.
Mas professores que lidam diariamente com as nossas ciranças, venham para a praça pública com este jogo de palavras já me parece indecente.
Meus senhores e senhoras desde País, vamos a ter vergonha e parar com isto.
Autismo, não um novo vocabulário Político. Se gostam tanto desta palavra e se sabem o seu verdadeiro significado, então, por favor, vamos respeitar todos aqueles que sofrem diáriamente com esta doença.
Senhores jornalistas, basta. Continuar a propagar a "moda" do uso da palavra Autismo como adjectivo é uma ofensa moral no minimo para com todos os que têm esta doença.
Querem ajudar?
Façam centros públicos de desenvolviemnto Infantil (...) e tornem as terapias acessiveis a todos os bolsos e deixem as nossas crianças em Paz.
Obrigado

Associação Portuguesa de Deficientes alerta para violação dos direitos

A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) alertou ontem para a legislação e práticas que "violam" os direitos das pessoas com deficiência. O presidente da APD, Humberto Santos, referiu a omissão em relação à acessibilidade dos locais de voto e do boletim de voto nos diplomas que regulam a participação política e ainda a escassez dos apoios às crianças com necessidades educativas. Humberto Santos frisou também que "Portugal, nesta área, não está no caminho certo e que as políticas tomadas só têm contribuído para o aumento da exclusão social, pobreza e desemprego".
Público (formato de papel, p. 8)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Televisões generalistas com novas regras destinadas a deficientes auditivos e visuais

Projecto em consulta pública aumenta parâmetros de exigência na acessibilidade aos conteúdos televisivos em Portugal, a partir de Julho deste ano
As televisões em Portugal vão ter de aumentar em várias horas semanais os mecanismos que facilitam o acesso à programação por deficientes visuais e auditivos, já a partir de Julho deste ano, de acordo com um novo projecto da deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que vai entrar em consulta pública.
As estimativas da ERC apontam para um "núcleo duro" de 300 mil portugueses com deficiências mais profundas, sem contar com os espectadores mais idosos que sentem também dificuldades ao ver e ouvir televisão. Em conjunto, estes serão o público alvo do novo documento, indicou ao PÚBLICO Rui Assis Ferreira, membro do conselho regulador da entidade supervisora dos media. Em causa está um plano que se estende até ao fim de 2012, dividido em duas fases, que aumenta os mínimos de horas de emissão que devem ser acompanhados de legendagem especial (através do teletexto, por exemplo) e introduz a áudio-descrição, entre outras novas regras.
Uma hora semanal
Assim, entre o próximo mês de Julho e o final de 2010, o projecto define que os canais generalistas privados (SIC e TVI) vão emitir uma hora semanal de programas de ficção ou documentários com áudio-descrição - uma ferramenta em que as imagens que surgem no ecrã são oralmente descritas, útil para cegos e amblíopes.
O mesmo género de programas, num mínimo de oito horas por semana, terão de ser emitidos "com legendagem destinada especificamente a pessoas com deficiência auditiva". Este novo mínimo acrescenta três horas às regras actuais, baseadas num protocolo acordado entre os operadores televisivos em 2003 e revisto em 2005. A linguagem gestual passa também a ser obrigatória três horas semanais na grelha de natureza informativa, educativa, recreativa, cultural ou religiosa - mais meia hora por semana do que actualmente. Terá também de incluir, de acordo com o novo projecto de deliberação, a "interpretação integral" de um dos noticiários da noite, "com periodicidade semanal".
Outra novidade, face ao actual protocolo, será a aplicação específica de regras à SIC Notícias, RTP N e TVI 24, uma vez que são canais "temáticos informativos de acesso não condicionado com assinatura": pelo menos estes vão ter de garantir, entre as 19h00 e as 24h00, duas horas por semana de programas informativos acompanhados de linguagem gestual, incluindo "a interpretação integral de um dos serviços noticiosos", indica a ERC.
RTP antecipa
O projecto em consulta pública obriga também a transmitir as mensagem do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República ou do primeiro-ministro, tal como comunicações dos serviços de protecção civil, com legendagem especial ou língua gestual. Quanto à RTP, como canal de serviço público, vai ter de antecipar "em pelo menos um ano as condições definidas" para os canais privados, no que respeita à segunda fase do calendário.
Isto significa que já a partir de Julho próximo, com antecedência de um ano e meio, a televisão do Estado deverá duplicar os novos valores semanais aplicados aos privados, que só têm de o fazer a partir de 2011, explicou Rui Assis Ferreira. O novo projecto de deliberação da ERC "destina-se a dar resposta à Lei da Televisão (aprovada em 2007)", de acordo com o mesmo responsável, seguindo-se agora a consulta pública.
Público (formato de papel), p. 9

"Lembras-te daquele gordinho que cheirava mal?"

O recreio da Escola Secundária João de Barros, em Corroios, está animado. Enquanto um grupo de miúdos atira a bola de futebol para fora das grades da escola e acerta em cheio no vidro de um carro que vai a passar, Teresa e Carina, ambas de 14 anos, espreitam curiosas para o auditório onde se anuncia um documentário sobre bullying. Sabem o que é? Claro que sim. "Lembras-te daquele que era da nossa turma, aquele gordo, baixinho, como é que ele se chamava? Aquele com que toda a gente gozava, lembras-te? Que também cheirava mal... Esse era vítima de bullying."
Teresa e Carina acabam de fazer, sem saber, uma boa introdução ao documentário de Manuel Guerra, um estudante do ensino secundário, de 18 anos. Guerra filmou os depoimentos de cinco jovens vítimas de bullying. Um chama-se Diogo. Um dia, os colegas colaram-lhe nas costas um penso higiénico. Andou com ele, sem saber, durante o intervalo todo. Toda a gente no recreio ria e gozava. É apenas um episódio. Mas para Diogo foi um entre tantos com os quais nunca aprendeu a lidar. E ainda hoje, com 17 anos, não consegue estar na escola "como as outras pessoas". Já para Francisco, 18 anos, o pesadelo começava no final do dia. O caminho da escola para casa demorava cerca de meia hora e todos os dias acontecia o mesmo: um grupo de rapazes fazia-lhe uma espera, perseguia-o, ameaçava-o.
Há também as histórias de Catarina, que ainda hoje tem de lidar com o que alguém fez com as suas fotografias na Internet ("Dizem coisas sobre ela, na Net, que não são verdade", explica Guerra), de Tiago e de Mário. São cinco alunos do secundário, colegas de Manuel, que, no documentário, contam as agressões verbais e físicas de que foram alvo, quando andavam no 7.º e 8.º anos. Manuel Guerra, estudante da Escola Secundária Artística António Arroio, em Lisboa, apresentou o documentário há apenas algumas semanas e ficou surpreendido com o impacto que o seu trabalho teve. Tem recebido vários convites para ir a escolas apresentar o vídeo e falar do problema. Nunca foi vítima de bullying (enfim, passou um "mês mau", no 8.º ano, quando o elegeram alvo de todas as piadas, mas passou). Contudo, interessou-se pelo tema quando foi sabendo o que alguns colegas tinham vivido.
O PÚBLICO acompanhou uma dessas visitas: na Secundária João de Barros, Guerra tem mais de 60 miúdos do 7.º ano à frente. Parecem inquietos antes de o filme começar, mas depois faz-se silêncio. "Algum deles enlouqueceu com o bullying, ou coisa assim?", pergunta um, no final, com um ar muito sério. Miguel Guerra pergunta-lhes se alguma vez estiveram envolvidos numa situação parecida. Há quem levante o dedo no ar, mas poucos. Têm vergonha, comenta um professor. Se não tivessem, havia muito mais dedos no ar. Depois, Guerra explica-lhes que devem pedir ajuda aos pais, aos professores, a um adulto em quem confiem. Diz que mais do que concorrer a festivais para apresentar o seu documentário, quer contribuir para que ninguém passe o que os amigos filmados em vídeo passaram.
Público (suporte papel), p. 4-5

domingo, 29 de março de 2009

Escola trilingue vai abrir em Castro Marim com uma parceria público-privado


A antropóloga Eglantina Monteiro e outros pais idealizaram um “oásis no atribulado terreno da educação”: a Escola Internacional de Castro Marim. Será um “projecto contemporâneo”, parceria público-privado, a funcionar numa zona raiana, “equidistante de Faro e de Huelva” e a apostar “nas três línguas mais cosmopolitas para o 3.º milénio – inglês, português, espanhol”.

Segundo Eglantina Monteiro, a escola, que abrirá no próximo ano lectivo, será “um estabelecimento de ensino cooperativo” resultante de uma parceria com a Câmara Municipal de Castro Marim, e que adaptará “o plano curricular inglês”. Em Janeiro do ano passado, um grupo de pais de alunos ou de futuros alunos da Escola de São Bartolomeu, em Castro Marim, criou a Associação da Almoinha – Escola da Gente, sabendo que ela “corria o risco de fechar no ano lectivo seguinte”, pois só havia onze alunos.

Com o apoio do Agrupamento Escolar de Castro Marim, da autarquia e da professora, apresentaram um projecto curricular alternativo. Definiram “uma estratégia com vista ao reforço do corpo docente e um programa de actividades extracurriculares integradas no plano pedagógico geral”.O projecto baseava-se no método do Movimento da Escola Moderna – “aprende-se, fazendo”. Caberia à associação contratar um professor para ter dois por cada dez a 12 alunos. Só que a sociedade não respondeu. E em meados de Agosto havia apenas sete alunos inscritos. A escola fechou.

A associação reinventou-se. Nesse Verão, desenvolveu actividades extracurriculares para crianças entre os 5 e os 12 anos, formação de adultos. Agora, um punhado de pais quer ir mais longe. E a autarquia embarcou no plano, até porque é também uma forma de combater a desertificação, acredita Eglantina.

A câmara cedeu o edifício da antiga escola de Rio Seco para pré-primária e o edifício da antiga escola primária de São Bartolomeu para primeiro e segundo ciclo, requalificados há pouco. E paga a manutenção de ambos, o que inclui água, electricidade, limpeza, transporte, alimentação. A cooperativa paga os professores, com a propina, que ficará muito abaixo do que é típico nos colégios privados.

Entre o 1.º e o 6.º ano, as disciplinas-chave – como Ciências, Geografia, História e Matemática – são em inglês; e as outras – como Música, Teatro, Desporto, Trabalhos Manuais e Artes Visuais – em português. Haverá aulas das 9h00 às 16h00. Entre as 16h00 e as 18h00, a escola abre-se a todas as crianças a comunidade. Podem participar nas actividades previstas para os alunos, dentro do plano: fazer pão, cestos, jardinagem, hortas, tudo orientado por pessoas da terra. “Isto é uma escola para e a partir do lugar”, resume a antropóloga. Aproveita o património que existe, de algum modo recicla-o.

sábado, 28 de março de 2009

Candidato invisual na freguesia de Cedofeita

António Mourão é o primeiro cego a disputar eleições autárquicas no Porto. Candidato (...) aponta casos que limitam circulação de deficientes.
Nasceu em Trás-os-Montes, mas aos nove anos veio estudar para o Porto. Cidade que o acolheu e que hoje, aos 62 anos, António Mourão tem como sua. É nela que o antigo professor de Filosofia não se cansa de calcorrear as ruas para lhe sentir, "atento", o pulso. (...)
Na escadaria da igreja, António elogia o empenho da comunidade na preservação do edifício. "É pena que, neste momento, uma das torres esteja tapada. Mas, a que já está pronta ficou muito bonita", afirmou. Nos passos largos, de braço dado com a mulher, Maria de Fátima, o candidato sabe o que quer mostrar. "Vamos ali à passadeira e descemos para a Rua de Cervantes", aponta António Mourão. (...)
O puxão certeiro da mulher faz com que António perceba que chegou ao "local crítico". "A Rua de Cervantes, sem passeios, é perigosa para os jovens que a atravessam diariamente", sublinha o candidato, enquanto desabafa "que o piso está uma verdadeira vergonha".
A sua condição de cego deixa-o "mais atento às limitações dos deficientes". De carro, António Mourão não precisa das coordenadas da mulher para saber onde está. Na Rua de Brito Capelo, chama a atenção para a cabina telefónica, perpendicular à parede, onde já bateu "muitas vezes". "Conheço todas as ruas da cidade pelas curvas", solta em jeito de graça.
"São imensas as barreiras arquitectónicas", diz o candidato, que lamenta o facto de "o passeio estar sempre cheio de ambulâncias junto ao Hospital Maria Pia" ou de "não haver passeios rebatidos na Rua da Constituição". (...)

sexta-feira, 27 de março de 2009

AR aprovou projecto do CDS-PP para cartão de portadores de doenças raras

A Assembleia da República aprovou hoje por unanimidade um projecto de resolução do CDS-PP, que recomenda ao Governo a criação do Cartão para Protecção Especial dos Portadores de Doença Rara.
De acordo com o diploma, este Cartão da Doença Rara proporcionará aos seus portadores um "acesso diferenciado" aos serviços de urgência e a consultas de especialidade. O Cartão deverá ter um 'chip' onde constarão dados como a identificação do doente e a patologia que padece, a medicação habitual, bem como a medicação a administrar em caso de urgência e o contacto do médico assistente.
Segundo números fornecidos pelo CDS-PP, estima-se que existam entre cinco mil e oito mil doenças raras diferentes, afectando, no seu conjunto, entre seis a oito por cento da população, ou seja, em Portugal deverão existir entre 600 a 800 mil pessoas com este tipo de patologias.