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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

UMA HISTÓRIA SOBRE EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Era uma vez uma escola que tem uma Unidade de Apoio Especializado a Alunos com Multideficiência. Certamente por algum estranho e raríssimo fenómeno, entre os alunos que frequentam aquela unidade não se vislumbravam situações de multideficiência. Numa tentativa óbvia de aproveitar os recursos ali colocados e numa situação que nunca, mas nunca, acontece, a Unidade é frequentada por vários alunos que por alguma razão não “cabem” nas salas de ensino regular mas que .. não apresentam quadros de multideficiência.
A sala de trabalho desta Unidade tem os vidros forrados a papel opaco e os estores a tapar o espaço ainda descoberto das janelas. A justificação para tal “protecção” é que, assim, os “outros”, os normais, não espreitam para dentro. Como se sabe as actividades nas salas de aula devem estar ao abrigo de olhares indiscretos.
À hora dos intervalos os alunos da Unidade ficam também na sala. A justificação é que “não gostam” de estar ao pé dos outros. Está certo, assim ficam onde se sentem bem, a escola é também para isso mesmo, para que os alunos se sintam bem.
Também é importante contar que esta escola é uma escola que “defende e pratica a inclusão”. Seja lá isso o que for.
Esta é uma história inventada e, como tal, não corresponde a nenhuma realidade conhecida. Se isso acontecer trata-se, evidentemente, de uma coincidência a que o escriba é alheio.

José Morgado

sexta-feira, 30 de março de 2012

Divulgação de trabalho realizado no âmbito do concurso Escola Alerta

No Agrupamento Vertical de Escolas de Arcozelo, em Ponte de Lima, a turma D do sétimo ano, participou num projeto no âmbito do Concurso Escola Alerta 2011/2012, do Instituto Nacional para a Reabilitação. 

Os trabalhos, para terem impacto e reconhecimento, devem ser partilhados. É esse, também, um desígnio deste espaço.

Na área curricular não disciplinar Formação Cívica, no âmbito do concurso Escola Alerta 2011/2012 do Instituto Nacional para a Reabilitação, gravamos um vídeo denominado “Rap da Inclusão”, que pretende divulgar a forma como a turma defende a inclusão de todos e combate a discriminação, esperando poder sensibilizar outros colegas de outras turmas a seguir este exemplo.
O nosso trabalho consiste num vídeo que ilustra a diversidade de alunos que integram a nossa turma, uma vez que no vídeo podemos ver alunos adolescentes com características diferentes, tanto a nível de aparência física, como de atitude e de funcionalidade. Uns de nós gostam de cantar, outros gostam mais de dançar; uns são mais extrovertidos, outros mais envergonhados; uns cantaram de pé, outros tiveram de participar sentados; uns puderam utilizar a fala para se expressar, outros apenas a expressão corporal e outros ainda tiveram de utilizar tecnologia (um digitalizador de voz) para poderem participar. Por sermos diferentes e todos termos participado, com o nosso vídeo pretendemos também demonstrar que respeitamos e defendemos uma Escola Para Todos. 
O vídeo pretende ainda informar sobre as características especiais dos nossos seis colegas da turma que têm multideficiência, bem como sobre as atividades que realizam na escola e fora desta, no âmbito do seu Currículo Específico Individual. Em relação às atividades que realizam connosco na sala de aula, escolhemos alguns trabalhos de Educação Visual e de Artes Decorativas, para demonstrar que os nossos colegas podem trabalhar os mesmos conteúdos que nós, realizando atividades adaptadas às suas capacidades. A canção do vídeo destaca ainda que depois de verificarmos as dificuldades que tivemos inicialmente para comunicar e socializar com estes seis colegas, foi-nos exemplificado pelas professoras de Educação Especial e pela Terapeuta Ocupacional que lhes prestam apoio especializado, como conseguimos comunicar com eles e que estratégias podemos utilizar para que eles consigam interagir connosco no recreio ou em contexto de aula. Esta informação foi também partilhada com alguns professores e assistentes operacionais da escola, bem como com outros colegas nossos de outras turmas que passam tempo com eles no recreio, no bar, na cantina e em outras atividades diárias realizadas na escola.
No geral, gostamos muito de fazer este projeto que esperamos seja bem recebido por todos o que virem o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=3FmVxymhjRA&feature=youtu.be e que inspire mudanças de atitude face à diferença. 
A turma 7º D do Agrupamento de Escolas de Arcozelo 




Nota: Informação recebida por correio eletrónico.

quinta-feira, 15 de março de 2012

‘Sala Multissensorial’ põe tecnologia ao serviço das crianças

O Agrupamento de Escolas de Mogadouro (AEM), em Bragança, instalou recentemente uma ‘Sala Multissensorial’ que pode ajudar alunos portadores de deficiência no desenvolvimento psicomotor.

“Temos uma sala com alunos multideficientes e adquirimos um equipamento móvel que permite estimulação sensorial das crianças”, afirma o diretor do AEM, José Maria Preto, ao Ciência Hoje.

Este equipamento tem um conjunto de funcionalidades, desde o borbulhar da água, projeção de imagens, de sons, luminosidade, etc. e a criança entra na cabine e interage por estímulos que lhe são lançados.

“É interessante ver como as crianças se lançam para cima daquilo e tentam agarrar tudo o que está lá dentro e ficam altamente excitadas com o que se passa”, diz o responsável. E o objectivo é mesmo esse, a“estimulação do sistema sensorial a diferentes níveis”.

A ideia para equipar o AEM com este novo sistema “surgiu do conhecimento que tínhamos da existência de salas multissensoriais”(Snoezelen), conta José Maria Preto. “Tínhamos um projeto para criar uma sala dessas só que o equipamento custar-nos-ia á volta de 28 mil euros, o que significava que teríamos de fazer uma candidatura a fundações que investissem na instalação. Até já tínhamos o espaço cedido pela Câmara Municipal e houve contatos feitos para financiamento, mas não houve feedback”, continua. No entanto, no ano passado “soubemos que havia, a preços mais modestos, umas unidades móveis que substituíam a maior parte das valências dessas salas de multideficiência e avançámos para a sua aquisição”, esclarece.
O equipamento veio da Suécia e custou seis mil euros. “Tínhamos verbas da escola destinadas para o efeito e tivemos uma parceria da Câmara Municipal”, refere o diretor do AEM.

Assim, neste momento, a ‘Sala Multissensorial’ encontra-se instalada na Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância de Mogadouro e vai permitir a utilização aos alunos portadores de deficiência dos concelhos vizinhos de Miranda do Douro ou Torre de Moncorvo.

“Fica ao serviço não só das crianças da unidade de multideficiência mas da comunidade escolar e educativa pois é um equipamento móvel que pode ser transportado dali para outro sítio”, afirma José Maria Preto. Para além disso, se o Centro de Saúde ou a Santa Casa da Misericórdia, por exemplo, necessitarem de utilizar o equipamento, "nós com toda a vontade o cederemos”, acrescenta.

As quatro crianças da unidade de multideficiência do AEM já estão a utilizar o novo equipamento “todas as terças e quintas” desde o início do mês de Março. E os pais não têm de pagar “absolutamente nada” por isso. Inclusive duas dessas crianças fazem 80 quilómetros por dia para ir para a escola num transporte especial que é pago pela Direção Regional de Educação do Norte.

O objectivo “é muito nobre” e “não é barato” mas “vale a pena ver o trabalho que se faz com as crianças a nível do desenvolvimento psicomotor”, partilha José Maria Preto.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ajuda a alunos com deficiência

A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha atribuiu um subsídio de três mil euros ao agrupamento de escolas locais para aquisição de material pedagógico específico a alunos com multideficiências e que sofrem de surdez e cegueira.
A ideia de constituir a unidade especializada para apoio a alunos com multideficiência partiu de alguns pais, alarmados para o facto de não existir uma resposta adequada para os filhos.
"Foi pedido à autarquia para fazer um levantamento do número de alunos com multideficiências. No total foram sinalizados 11. Depois foi entregue um projecto à DREC [Direcção Regional de Educação do Centro], que aprovou a criação da unidade especializada", disse a vereadora de Acção Social da autarquia, Sandra Correia.
Depois da DREC ter disponibilizado um professor para o ensino especial, um terapeuta da fala e um terapeuta ocupacional, a autarquia cedeu uma sala e atribuiu o subsídio essencial ao projeto. "Foi criada uma sala totalmente equipada com materiais de estimulação, relaxamento e informático na Escola Básica. O projeto é direcionado para os alunos da Pré--escola e do 1.º Ciclo", acrescentou a vereadora.

Comentário:
Apesar da crise e dos cortes orçamentais, ainda persistem, felizmente, alguns laivos de humanismo por parte de alguns responsáveis políticos!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma escola como não imaginamos

A Caravana VISÃO foi até Riachos, Torres Novas, e encontrou uma escola como poucos imaginarão em Portugal. Uma escola para onde confluem miúdos surdos de todo distrito de Santarém e onde surdos e ouvintes constroem todos os dias um sítio melhor, como diz a canção que interpretaram na festa de final de ano.
Uma escola como não imaginamos
A Escola EB2,3 dr. António Chora Barroso é uma escola de referência para a educação bilingue de surdos e para a multideficiência, e aqui confluem miúdos de locais longíquos como Coruche, chegados todas as manhãs de táxi e regressados a casa ao final do dia também de táxi. À festa de final de ano, a que a Caravana VISÃO assistiu, juntaram-se os alunos do Jardim de Infância e da Escola Primária de Riachos, no fundo da rua, que estão também de braços abertos a miúdos diferentes. Numa comunidade de quase 900 alunos, existem 18 miúdos surdos.
Cartaz na sala da direcção da escola
As diferenças são visíveis mal entrámos no pátio : um rapaz faz gestos depressa, e uma rapariga olha atentamente para as mãos do seu amigo. Quando o rapaz pára, começa ela uma dança de dedos semelhante. Aparece uma senhora, que se junta à conversa sem som. Estão animados. Ao entrar no edifício, descobre-se, numa porta, por baixo da indicação "Casa de Banho", fotografias com gestos - é a tradução da palavra para Língua Gestual, a língua natural dos surdos.
Mas as diferenças acabam aí - porque aqui os miúdos surdos são tratados da mesma forma que os ouvintes, tendo acesso exactamente às mesmas actividades. Trabalham todos juntos dentro da sala de aula e fora dela. Dentro da sala de aula, além do professor da disciplina (História, Português ou Matemática), por exemplo, há um intérprete de Língua Gestual Portuguesa, que vai traduzindo o que o professor está a dizer. Estes intérpretes acompanham também os alunos nas actividades extra-curriculares - e esta escola tem recebido distinções em várias áreas, da Dança ao Português -, trabalhando para lá do seu horário. Trabalho dificil o seu: têm de dominar todas as matérias leccionadas no currículo para saberem como explicarem as palavras que não existem em Língua Gestual. Não existe, por exemplo, um gesto para conde ou para nobreza.
Sinalética da casa de banho
Os alunos surdos têm a mesma carga horária de Língua Gestual Portuguesa que um ouvinte tem Língua Portuguesa - e isto porque esta é a sua língua natural, aquela que têm de dominar com perícia para conseguirem comunicar e exprimir. O Português é a segunda língua leccionada (a de um aluno ouvinte é o Inglês) e, a partir do 7º ano, frequentam uma terceira língua.
À tarde, os alunos surdos têm apoio, para reforçar a aprendizagem das matérias curriculares, com professores de Educação Especial. De uma forma geral, estes alunos lêem muito bem mas têm dificuldade em escrever. Frequentam a terapia da fala uma vez por semana.  Ao todo, trabalham no Gabinete da Escola de Referência quatro professores de Educação Especial, cinco intérpretes de Língua Gestual, três professores de Língua Gestual e uma terapeuta fala.
In: Visão online

terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Intervenção Educativa com Alunos com Multideficiência e Surdocegueira Congénita: Uma perspectiva curricular"

A Direcção Regional de Educação do Norte, através do Gabinete de Acompanhamento à Educação Especial (GAEE), criou, no ano lectivo 2009/2010, um programa de formação dirigido a professores, educadores, terapeutas e familiares de alunos com Necessidades Educativas Especiais.
Sábados Especiais é um programa que pretende responder às necessidades de encontro, partilha e reflexão de todos os que se envolvem na Educação Especial de crianças e jovens.
O primeiro encontro da edição 2010/2011 é subordinado ao tema "Intervenção Educativa com Alunos com Multideficiência e Surdocegueira Congénita: Uma perspectiva curricular" e vai realizar-se no Porto, na Escola Artística Soares dos Reis, no dia 11 de Dezembro.
Inscrições abertas até ao dia 1 de Dezembro.
Destinatários:
- Docentes de educação especial em funções nas unidades de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita;
- Técnicos especializados em funções nas unidades de apoio especializado e coordenadores da educação especial dos Agrupamentos de Escolas com unidades de apoio especializado;
- Outros docentes de educação especial.
Nota

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pais e docentes reclamam mais apoios para ensino especial


Se o chamado plano de acção para a escola inclusiva afastou milhares de alunos da educação especial, os que ficaram no sistema também não estão a trilhar um caminho fácil.

Professores e pais denunciam que as escolas de referência criadas para as crianças cegas e surdas não estão a dar a resposta adequada. "Um ciclo que não se quebra sem uma aposta séria na qualidade do ensino", avisa Carlos Lopes, da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (Acapo). A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entregou esta semana um estudo ao Ministério da Educação (ME) onde denuncia a falta de professores para o ensino especial.

No ano lectivo passado, Maria José Salgueiro, coordenadora do Gabinete de Educação Especial da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), teve de decidir: no 9.º ano deveria manter o filho de 16 anos, surdo profundo, em Gaia, "onde não teria apoios garantidos desde o início do ano", ou enviá-lo para o recém-criado agrupamento de escolas de referência para alunos surdos, no Porto, onde supostamente se concentrariam todos os professores e técnicos?

Esta mãe não foi a única a quem se colocou o problema, de acordo com o inquérito da Fenprof às direcções de mais de metade dos agrupamentos de escolas do país; nem a única a decidir manter o filho no local de residência, contra as expectativas do ME que, através do Decreto-Lei n.º 3/2008, deu o mais polémico passo da reforma da educação especial.

Graças à adopção da tão contestada Classificação Internacional de Funcionalidade, a equipa liderada por Maria de Lurdes Rodrigues tirou apoios a milhares de alunos, tornando assim possível oferecer condições excepcionais aos restantes, supostamente crianças e jovens com limitações mais significativas. Nesse sentido, criou duas redes de escolas de referência (para os alunos surdos e para cegos e com baixa visão, respectivamente) e outra de unidades de apoio especializado a alunos com espectro do autismo, a crianças com multideficiência e surdo-cegueira congénita.

No caso das escolas de referência, a estratégia definida pelo ME passou pela concentração dos recursos humanos e materiais em 20 agrupamentos de escolas e 20 secundárias para a educação bilingue de alunos surdos e em 25 agrupamentos e 27 secundárias para a educação de alunos cegos e com baixa visão. No entanto, a dispersão dos alunos - e, consequentemente, de recursos - mantém-se, segundo denuncia a Fenprof e confirmam as associações contactadas pelo PÚBLICO.

Valéria está 13 horas fora

Segundo Manuel Rodrigues, um dos coordenadores do estudo que a Fenprof realizou, a rede de unidades de apoio especializado para crianças autistas e com multideficiência (479) tem uma malha "relativamente mais apertada, embora desequilibrada, pelo que chega a haver casos de sobrelotação". Já os estabelecimentos de referência mostram-se "ineficazes na atracção de alunos, entre outras razões por se situarem, principalmente e quase só, nas sedes de distrito". "Ou os alunos têm a sorte de viver naquelas cidades ou, então, para os frequentarem podem ter de percorrer, diariamente, largas dezenas de quilómetros", alerta.

Maria José Salgueiro sublinha a importância da questão: o filho João "não é, apenas, um estudante surdo, é um adolescente que tem um grupo de colegas e de amigos no local de residência, que gosta de praticar desporto e que não passa sem navegar na Internet, ver televisão ou entreter-se com jogos electrónicos, como qualquer outro rapaz da sua idade", afirma. Daí a decisão de o manter em Gaia. Uma decisão semelhante à dos pais de mais 40 crianças surdas do concelho e de muitos outros em todo o país, assegura a mãe.

Esta opção corresponde, também, à posição oficial da Confap, que não contesta a estratégia do ME, mas reclama o urgente apertar da malha da rede de escolas de referência e a respectiva dotação de recursos humanos e materiais.

A Acapo tem uma posição semelhante, mas o presidente, Carlos Lopes, realça "uma agravante": "No secundário, este modelo limita imenso a oferta de cursos disponíveis, já que nenhuma escola, isoladamente, pode corresponder à diversidade da oferta existente para os restantes alunos". Para além disso, "se haveria vantagem em concentrar e rentabilizar recursos materiais e humanos, a verdade é que, na esmagadora maioria dos casos, o apetrechamento das escolas de referência está longe de ser o ideal, o número de professores especializados é escasso e a formação dos docentes e do pessoal auxiliar manifestamente insuficiente", enumera.

Do mesmo se queixa a Confap e confirmam pais que optaram por fazer deslocar os filhos para as escolas de referência. Por exemplo, Fátima Ottati, que vive em Santa Maria da Feira, conta que Valéria, a filha surda profunda, de 18 anos, acorda às 5h30 e regressa a casa 13 horas depois. "O mais grave é que, apesar das consequências sociais e familiares do desenraizamento", na escola secundária do Porto que frequenta, dita de referência, não tem terapia da fala e "é obrigada" a faltar às aulas de Língua Gestual Portuguesa, porque ocupam o último tempo do horário e a impedem de apanhar os transportes públicos de regresso a casa. Ou seja, na prática, Valéria, que optou pela escola de referência, não tem mais apoios do que os conseguidos ("depois de muita luta, é verdade", frisa Maria José Salgueiro) por João, que também frequenta o 10.º ano, mas a cinco minutos de casa.

É este tipo de fragilidades que, na perspectiva da Confap e da Acapo, contribui, também, para colocar em causa o êxito do modelo. "Enquanto não oferecerem um ensino de qualidade, as deslocações - que embora desejavelmente menores serão sempre inevitáveis - não se justificam e a concentração de meios continuará a ser impossível", insiste Carlos Lopes, que apela ao quebrar do "círculo vicioso".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A multideficiência no contexto educativo

Os alunos com multideficiência apresentam combinações de acentuadas limitações, as quais põem em grave risco o seu desenvolvimento levando-os a experienciar graves dificuldades no processo de aprendizagem e na participação nos diversos contextos em que estão inseridos: educativo, familiar e comunitário. Estas limitações e o seu nível de funcionalidade resultam da interacção entre as suas condições de saúde e os factores ambientais.
Segundo Orelove, Sobsey e Silberman (2004) e Saramago et al., (2004:213), as crianças com multideficiência, “...apresentam acentuadas limitações no domínio cognitivo, associadas a limitações no domínio motor e/ou no domínio sensorial (visão ou audição), e que podem ainda necessitar de cuidados de saúde específicos. Estas limitações impedem a interacção natural com o ambiente, colocando em grave risco o acesso ao desenvolvimento e à aprendizagem”.
Estes alunos podem apresentar características muito diversas, as quais são determinadas, essencialmente, pela combinação e gravidade das limitações que apresentam, pela idade em que surgem e pelas experiências vivenciadas.
De acordo com o Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro (art.º 4.º, n.º 1-3) e com a Portaria 1102 alíneas b) e c) do número 1, as escolas devem incluir nos seus projectos educativos as adequações relativas ao processo de ensino e de aprendizagem, necessárias a responder às NEEcp das crianças e jovens assegurando a sua maior participação nas actividades do grupo ou turma e da comunidade escolar.
O conceito “escola inclusiva” (Unesco, 1994) tem orientado para o meio escolar grupos de crianças e jovens tradicionalmente “excluídos” do ensino regular. De tal forma que muitas das dificuldades encontradas pelas crianças e jovens com necessidades educativas especiais (NEE), foram agravadas por um processo de exclusão e institucionalização que surgiu da participação em sistemas separados de educação e formação.
Para colmatar essa exclusão dos alunos com NEEcp da escola regular, surgem novas políticas educativas orientadas pelo princípio da inserção social. Esta nova política inclusiva pretende garantir que a criança e o jovem com NEEcp participem nos serviços comuns de educação, formação e emprego. Deste modo, a actual política segue a teoria formulada por Vygotsky (1993) que propõe que a criança com deficiência seja estudada numa perspectiva qualitativa e não como uma variação quantitativa da criança sem deficiência. A pessoa com deficiência não é inferior aos seus pares, apenas apresenta um desenvolvimento qualitativamente diferente e único.
O mainstreaming, designação actualmente utilizada para referir esta orientação, deve proceder de uma abordagem de nível sistémico que exige mudanças e ajustamentos às necessidades das pessoas com deficiências e incapacidade, promovendo a adaptação e a acção positiva.
Respeitar as diferenças individuais tem como principal objectivo a inclusão escolar que pressupõe a diversidade curricular, o uso de estratégias de ensino/aprendizagem diferenciadas e ainda uma gestão integrada dos recursos humanos e materiais. Fundamental ainda ao princípio mainstreaming é a participação e a implicação das instituições dirigidas a pessoas com NEEcp na construção do planeamento e na concretização de respostas e serviços comuns.
O Agrupamento de Escolas, com essa orientação integradora, representa o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, de criar comunidades acolhedoras, construir uma sociedade integradora e promover a educação para todos. Além disso, proporciona uma educação efectiva à maioria das crianças e melhora a sua eficiência com o recurso a serviços comuns.
Desta forma, a educação especial constitui uma resposta integrada da escola a alunos com NEEcp e a operacionalização destas prioridades implica uma procura constante de organização e funcionamento escolar, de modo a dar as respostas mais adequadas.
Portugal contempla, no seu quadro de política e estratégia educativa, o objectivo de inclusão das pessoas com deficiências e incapacidades, sendo patente a defesa de um modelo de escola inclusiva. A legislação em vigor reflecte essa orientação;
A Declaração de Salamanca (Unesco, 1994), o Decreto-Lei 3/2008 de 7 de Janeiro e Portaria 1102/97 alíneas b) e c) do número 1.
A Declaração de Salamanca recomenda especificamente às organizações não governamentais “que fortaleçam a sua colaboração com as entidades oficiais e que intensifiquem o seu crescente envolvimento no planeamento, implementação e avaliação das respostas inclusivas às necessidades educativas especiais”;
- Toda a criança tem direito fundamental à educação, e deve beneficiar da oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem,
- Toda a criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas,
- Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades,
- Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades,
- As Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos.
O artigo 30º do Decreto-Lei 3/2008 sustenta o trabalho em cooperação e parceria, entre as escolas / agrupamentos de escolas e instituições de ensino especial – os CRI.
Atendendo a que as dificuldades de desenvolvimento dos alunos decorrem não só da sua problemática, mas também da forma como são aceites e compensadas pelo meio ambiente, é necessária a prestação de apoios diferenciados e adaptados a esta forma específica de pensar e de aprender.
Maria Manuela Esteves - Professora
Educação Diferente

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Multideficiência: Que desafios? Educar, Reabilitar para Integrar

A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental de Viseu (APPACDM Viseu), em parceria com a Universidade Católica Portuguesa de Viseu (UCP Viseu), vai promover nos dias 20 e 21 de Novembro de 2009 na cidade de Viseu, um Seminário sobre Multideficiência, transversal a várias áreas, Educação, Saúde, Reabilitação, Formação Profissional.
Cientes da falta de espaço para este debate científico, estas duas Instituições propõem-se promover um evento neste âmbito e reunir especialistas nas áreas da Educação, Saúde, Reabilitação e Formação Profissional.

Pretendemos-se, deste modo, dialogar, problematizar, reflectir e partilhar experiências, num contínuo desenvolvimento pessoal e profissional, que envolvam as diversidades presentes na nossa sociedade e, consequentemente, no ambiente Educativo.

Mas, não podemos ficar passivos face a quem, diariamente, se vê envolvido nessa diversidade. A Família é a primeira a sentir esta realidade. É por isso que desejamos igualmente partilhar, ouvir e reflectir acerca dos medos, angústias, anseios, perspectivas e desejos por ela vivenciados. Também os Profissionais de Saúde apresentam um papel preponderante no processo de Reabilitação, global e dinâmico, estabelecendo estratégias com objectivos comuns e acções convergentes e sinérgicas orientadas para a recuperação física, psicológica e social da pessoa portadora de Multideficiência. Além de perspectivar a Educação e Reabilitação da pessoa com Multideficiência, o Seminário apresentará, ainda, um painel sobre a Formação como o grande princípio para a inclusão sócio profissional da pessoa portadora de Multideficiência.

Destinatários do Seminário são:

- Profissionais da Educação e Ensino Especial

- Profissionais de Saúde e Reabilitação

- Profissionais de Formação Profissional

- Profissionais de Acompanhamento e Inserção Profissional

- Profissionais de Serviço Social e Psicologia- Estudantes

- Direcções e profissionais de Instituições ligadas à abordagem da pessoa com Deficiência

- Todos os interessados na temática do Seminário.

Para todas as informações, clicar aqui

sábado, 14 de março de 2009

Sala especial para crianças multideficientes

É a quarta sala do género numa escola pública do país e servirá de experiência-piloto à autarquia. Denominada "Sala Snoezelen", o espaço proporciona o conforto e oferece uma grande quantidade de estímulos sensoriais, desde efeitos de música, sons, luz, estimulação táctil e aromas. Na prática, as crianças com necessidades educativas especiais desenvolvem capacidades sensoriais sem necessidade de recorrer às capacidades intelectuais.
No Agrupamento Vertical das Escolas de Paredes entre os cerca de 2600 alunos do ensino básico há 60 com necessidades educativas especiais, das quais sete frequentam a escola básica e jardim-de-infância da Redonda, na freguesia da Madalena.
Esta pequena escola tem desde há muitos anos uma unidade de apoio a alunos com deficiência. Ontem, a escola inaugurou uma sala de aula mutisensorial destinada a promover a estimulação sensorial visando a diminuição dos níveis de ansiedade e de tensão.
A sala foi totalmente equipada com investimento municipal. O presidente da Câmara de Paredes, Celso Ferreira sublinhou ao JN a importância deste tipo de investimentos até porque "o sonho é ter um território educativo inclusivo e absolutamente exemplar". "Esta sala, sendo a primeira numa escola pública de Paredes funcionará como experiência-piloto. Queremos perceber o seu sucesso e analisar a frequência do seu uso para, se for o caso, criarmos salas do género noutros argumentos escolares", frisou o autarca.
Esta é a quarta sala do género numa escola pública no país, referiram os responsáveis da escola.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Página de Recursos

Neste espaço disponibiliza-se o acesso a diversos documentos organizados nas seguintes categorias: autismo, défice de atenção-hiperactividade, deficiência auditiva, deficiência mental, deficiência visual, dificuldades de aprendizagem, dislexia, epilepsia, espinha bífida, paralisia cerebral, problemas emocionais, problemas de linguagem e fala, síndrome de down.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

MULTIDEFICIÊNCIA: desafios


Foi publicado mais um número da revista Diversidades. Este número inside quase exclusivamente na problemática da multideficiência. Na introdução pode ler-se que "Podemos afirmar que os últimos tempos têm sido marcados por mudanças e desafios, traduzidos na implementação de práticas mais holísticas e inclusivas, na resposta à heterogeneidade intrínseca que cada estabelecimento de educação e ensino apresenta. Neste número quisemos perscrutar o mundo da multideficiência, partilhando com os nossos leitores uma realidade sensível, que nos interpela à exigência de uma intervenção próxima, humana e tecnicamente adequada, que não se limita à inclusão educativa, mas que se projecta em todas as dimensões da vida em sociedade. Acreditando que para os alunos com multideficiência, a inclusão e a diferenciação pedagógica se constituem em móbil impulsionador, susceptível de conduzir a respostas assertivas e emergentes, conducentes à autonomia, ao sucesso e à participação, foram-se consolidando experiências, contextualizando respostas e apontando rumos inovadores. (...)"

Vale a pena consultar e ler a revista!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Escolas vão integrar mais 500 alunos autistas e multideficientes

Cerca de 500 alunos autistas ou com multideficiência serão integrados, no próximo ano lectivo, em unidades especializadas nas escolas públicas, anunciou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. No total, ficarão abrangidos 714 autistas (mais 43% do que este ano) e 1204 multideficientes (mais 30%). Os agrupamentos contarão com 137 unidades dedicadas ao autismo, quase o dobro das actuais, e 220 à multideficiência.
Valter Lemos elencou ainda outras medidas, como a formação especializada de pessoal auxiliar - que diz estar já "a decorrer" -, ou a promessa de que muitos dos 5000 docentes em funções nesta área serão integrados definitivamente no grupo da Educação Especial, actualmente restrito a 2200 profissionais. Porém, frisou que a reforma da educação especial, prevista no decreto-lei 3/2008, passa também pela "melhor identificação dos casos", defendendo a opção do Governo em usar como referencial a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), da Organização Mundial de Saúde.
De acordo com um documento entregue ontem pelo director-geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, Luís Capucha, dos 49877 alunos que este ano lectivo integraram este subsistema - cerca de 3,9% de toda a população escolar -, "deverão estar a ser erradamente identificados como tendo necessidades educativas especiais de carácter permanente cerca de 27 mil".
Este tipo de estimativas tem sido criticado por especialistas em educação especial, como Miranda Correia, que numa entrevista ao DN em Fevereiro acusou o Governo de, influenciado pela CIF, excluir dificuldades de aprendizagem associadas a desordens, como a dislexia e a discalculia.
As unidades especializadas criadas nas escolas abrangem um conjunto restrito de áreas de actuação: intervenção precoce, autismo, multideficiência, cegueira ou visão reduzida, surdez. Mas Valter Lemos classificou como "uma aldrabice" a acusação de que o sistema exclui outras desordens como a dislexia, garantindo que esta é "reconhecida".
O que provoca as disparidades nos cálculos, disse, são diagnósticos "que não são verdadeiros" e problemas de aprendizagem para os quais há "outras respostas, como currículos alternativos, cursos de educação e formação ou os territórios educativos de educação prioritária".
Contactado pelo DN, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considerou no entanto que o "erro" do Governo, ao recorrer à CIF, é precisamente a exclusão destes últimos casos: "A incidência de alunos com necessidades educativas especiais vai muito além do que está definido na CIF", disse . "E se forem acompanhados, não precisam de ser empurrados para currículos alternativos".
A Fenprof, que entregou no Parlamento um abaixo-assinado a pedir a suspensão do decreto 3/2008, promete divulgar hoje depoimentos "críticos" de entidades como a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria".

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Aprendizagem Activa na Criança com Multideficiência - Guia para Educadores

O livro Aprendizagem Activa na Criança com Multideficiência - Guia para Educadores constitui um guia prático orientador da prática educativa, a ser utilizado por educadores que trabalham no domínio da multideficiência. Sugere estratégias que os educadores poderão utilizar na sua intervenção educativa junto da criança com multideficiência, com idades compreendidas entre o nascimento e os 6/7 anos de idade. É um contributo para que se proporcionem oportunidades educativas mais adequadas às necessidades da criança com esta problemática.

ALUNOS COM MULTIDEFICIÊNCIA nas Escolas de Ensino Regular

Nas últimas décadas têm-se verificado mudanças significativas que se traduzem em práticas educativas mais humanistas e inclusivas, por oposição aos modelos segregadores de cariz assistencial e proteccionista proticados desde há séculos.
Neste contexto, a brochura ALUNOS COM MULTIDEFICIÊNCIA nas Escolas de Ensino Regular procura clarificar alguns aspectos da educação de crianças com multideficiência e a importância da sua participação nas actividades normais da escola onde estão inseridas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

APRENDER TODOS JUNTOS: Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência

Sendo a escola uma estrutura social, alicerça, constrói e forma a criança e o jovem do amanhã. Não esquecendo o papel fundamental da família que faz parte da comunidade educativa e do dia a dia no processo educativo pretende criar Homens capazes de uma sociedade condigna, de respeito, de valores e de tolerância.
A Escola EB 2/3 Serra da Gardunha, tem-se assumido como escola de eleição com a abertura de uma Unidade de Apoio à Educação de Alunos com multideficiência no ano lectivo 2003/2004, com práticas de qualidade e de sucesso, desenvolvendo projectos que passamos a contextualizar e a descrever.
APRENDER TODOS JUNTOS: Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência