quarta-feira, 26 de abril de 2017

Jornadas Apoio Tutorial Específico

Para dar resposta aos diversos pedidos recebidos informa-se que foi alargado o número de participantes nas Jornadas sobre Apoio Tutorial Específico que a DGE, em colaboração com a Inspeção Geral da Educação e Ciência, vai dinamizar. Podem inscrever-se Professores, Educadores, Psicólogos Escolares e também, Diretores de Agrupamentos de Escolas/ Escolas não Agrupadas.

Pretende-se com estas Jornadas incrementar os resultados do Apoio Tutorial Especifico, através da partilha de práticas. Constituem-se como objetivos Específicos destas Jornadas:

o Identificar as medidas implementadas nas escolas;
o Identificar os constrangimentos associados à implementação da Medida;
o Promover a partilha de soluções para ultrapassar os constrangimentos experimentados na implementação da Medida;
o Promover a reflexão crítica e o confronto de pontos de vista;
o Promover a transferibilidade de práticas;
o Apoiar as escolas na resolução de problemas associados à implementação da medida.

As Jornadas vão decorrer:

• Évora - 3 de maio - Escola Secundária Gabriel Pereira
• Braga – 4 de maio - Escola Secundária Alberto Sampaio
• Porto – 5 de maio - Escola Secundária Garcia de Orta
• Coimbra– 10 de maio - Centro de Estudos de Formação Autárquica
• Setúbal – 11 de maio - Escola Secundária D. João II
• Lisboa – 12 de maio - Escola Secundária Eça de Queirós


Inscrições até 2 de maio em: http://area.dge.mec.pt/jornadas-tutores.
A aceitação das inscrições está sujeita à capacidade das salas.

Fonte: DGE

Portugal tem a quarta taxa de abandono escolar mais elevada da UE

Portugal registou em 2016 a quarta taxa de abandono escolar mais elevada da União Europeia, com 14% dos jovens entre os 18 e 24 anos a deixarem prematuramente a educação e a formação, revelam os dados publicados esta quarta-feira pelo Eurostat.

Segundo os "Indicadores Europa 2020 sobre Educação em 2016", divulgados esta quarta-feira pelo gabinete oficial de estatísticas da UE, apenas Malta (19,6%), Espanha (19%) e Roménia (18,5%) apresentaram no ano passado taxas de abandono escolar superiores a Portugal, fixando-se a média da UE nos 10,7%.

Os dados do Eurostat mostram que nos últimos 10 anos Portugal registou uma acentuada redução da taxa de abandono escolar (percentagem da população entre os 18 e 24 anos que não foram além do primeiro ciclo do ensino secundário e não prosseguiram os estudos ou formação), já que em 2006 a mesma situava-se nos 38,5%, a mais elevada entre todos os estados da União Europeia.

Portugal poderá ainda cumprir a meta que fixou para daqui a três anos, no quadro do "Objetivo Europa 2020", de ter uma taxa de abandono escolar não superior a 10%, em linha com a média da UE (cada Estado-membro tem o seu próprio objectivo em função da sua realidade, e que entre os 28 Estados-membros varia entre os 4% e os 16%).

O outro indicador publicado pelo Eurostat, sobre a percentagem de pessoas entre os 30 e 34 anos que terminaram com sucesso os estudos superiores, revela que Portugal, com uma taxa de 34,6%, também ficou abaixo da média europeia (39,1%) em 2016, a mais de cinco pontos do seu objetivo no quadro do "Objectivo Europa 2020", de pelo menos 40% (também neste caso em linha com a meta da média da UE).

Também neste caso, Portugal registou uma evolução bastante significativa nos últimos 10 anos, já que em 2006 apenas 12,9% das pessoas entre os 30 e 34 anos tinham obtido um diploma no ensino superior, o que na altura constituía o quinto valor mais baixo da UE, sendo atualmente o décimo mais baixo.

Fonte: Público

terça-feira, 25 de abril de 2017

ASSOCIAÇÃO DE PARALISIA CEREBRAL ALMADA SEIXAL LEVA DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL À TURQUIA

A Turquia tem um longo caminho a percorrer para a inclusão da deficiência, através novas abordagens aos processos educativos. Com o projeto “Non4mall 4 all” Erasmus +, o intercâmbio de conhecimento entre profissionais de diferentes países vai permitir criar projetos assertivos, com mais interação entre alunos e professores em ambiente extracurricular, porque a educação e a inclusão vão além da sala de aula.

O projeto de intercâmbio na formação de professores “Non4mal 4all” Erasmus + (Não-formal para todos”), promovido pela Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal (APCAS) em parceria com representantes da Noruega, Estónia, Roménia, Hungria e Turquia, realizou em Istambul, de 2 a 8 de abril, mais um encontro transnacional.

Uma iniciativa realizada à semelhança daquilo que ocorreu no Seixal em fevereiro, quando a APCAS recebeu as instituições parceiras, com o objetivo de divulgar boas práticas para a educação inclusiva. “O primeiro encontro de seis, a realizar entre todos os países, num projeto que decorrerá até 2018”, destacou em fevereiro José Patrício, presidente da direção da APCAS, em declarações a O Seixalense. Agora, em Istambul, o encontro foi recebido pela Tuna Ilkokulu, escola sede do projeto na Turquia, com atividades direcionadas para a inclusão das comunidades refugiadas. No que José Patrício considerou ser “um verdadeiro sucesso de partilha fraterna, com a certeza que Istambul é uma cidade a revisitar”.

Embora uma das instituições visitadas, a Escola de Educação Especial, Remziye Yakup Kutsal Özel Eğt. Mes. Eğt. Mrk., tenha impressionado pelas “excelentes condições materiais e de equipamento para acolher 25 jovens com deficiência intelectual ligeira”, na perspetiva de José Patrício. A Turquia, assim como em todos os países participantes no “Non4mall 4all”, “na inclusão das crianças com necessidades educativas especiais, ainda está num patamar muito insipiente, faltando galgar muitos degraus até ao ponto em que estas crianças e jovens possam estar em igualdade de oportunidades”, afirma o professor.

A escola Tuna Ilkokulu, por outro lado, apresentou um papel muito ativo junto da população proveniente da Bósnia na década de 90. Atuando junto da primeira e segunda geração, com “projetos centrados na integração dos alunos e das suas famílias na cultura turca, mantendo sempre a sua identidade cultural e ligação às raízes” . Através de uma impressionante interação família-escola, “com a permanência constante de pais na escola, em ligação permanente com os docentes”. Na escola Șair Șinasi Ilkokulu, que também integrou o conjunto de visitas durante a semana, “presenciamos projetos de ensino da língua turca destinados às famílias provenientes da Síria, dotando-as de competências que facilitam a inclusão na comunidade e na escola.

Ensino inclusivo e o fluxo de refugiados

A visita à Turquia teve enfoque no contexto de proximidade que o país vive, em relação à Síria. Com a finalidade de passar formação sobre o desenvolvimento de atividades não formais em contextos de multiculturalidade, “esta visita decorreu sob o espectro da realidade que aquele país enfrenta na atualidade, com o crescente número de crianças refugiadas provenientes do holocausto que se vive na Síria, principalmente na cidade de Aleppo”, comenta José Patrício.

As questões do ensino inclusivo, na Turquia, têm por base o fluxo de refugiados, com necessidades ao nível de acompanhamento na aprendizagem e integração. Aos refugiados sírios “soma-se uma nova geração de Bósnios, descendentes daqueles que procuraram abrigo na Turquia, após a guerra dos Balcãs”. É esta complexidade cultural que o professor refere como “um desafio enorme para o sistema de educação turco”.

Fonte: O Seixalense/Zoomonline por indicação de Livresco

Pais com filhos com paralisia cerebral reativam associação para ajudar famílias

Um grupo de pais, com filhos com paralisia cerebral, perceberam que em Santarém não existiam respostas necessárias para os seus filhos e decidiram pegar na Associação de Apoio à Deficiência Maria do Carmo Melancia (ADMCM), que apesar de ter sido criada no ano 2000 não tinha atividade. O grupo começou a dar nova vida à associação em março de 2014.

A Associação de Apoio à Deficiência Maria do Carmo Melancia conta com 17 elementos nos corpos gerentes, todos voluntários, e cerca de seis dezenas de sócios. O objetivo da instituição é preparar a comunidade para receber pessoas com deficiência. “As pessoas não têm problemas em lidar com pessoas com deficiência mas muitas ainda não estão sensibilizadas nem sabem como fazê-lo. E é isso que pretendemos fazer, que as pessoas aprendam a lidar com pessoas com deficiência”, explicou Helena Carona.

O grupo de pais que integra os órgãos sociais da associação apresentou um projeto ao Orçamento Participativo de Portugal. Os dirigentes pretendem, caso vençam, formar profissionais de diversas áreas desde a saúde à educação, desporto, empresas, entre outras.

“Por exemplo, há médicos que não sabem dar a notícia de que uma mãe deu à luz um filho com deficiência. É preciso que haja alguém que já tenha passado pela mesma situação, que ajude a dar a notícia. Nas escolas, os professores e auxiliares devem ter formação para que saibam lidar com pessoas com deficiência. Quando uma pessoa com deficiência envelhece não tem que ir para um lar para este tipo de pessoas. É fundamental desmitificar a relação entre todos. É o que falta. Essa é a nossa luta”, refere a dirigente associativa.

Fonte: O MIRANTE por indicação de Livresco

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PHDA e metilfenidato: mitos e realidade

Sobre o artigo “Hiperatividade e Défice de Atenção – o problema estará nas crianças?”, da autoria a vice-presidente da Ordem dos Psicólogos, entende a SPDA – Sociedade Portuguesa de Défice de Atenção prestar esclarecimentos já que as notícias em causa apresentam incorreções científicas que exigem ser retificadas publicamente.

O artigo assume como verdades incontornáveis uma série de equívocos e dados sem qualquer sustentação científica, nomeadamente:
  1. A PHDA é excessivamente diagnosticada em Portugal.
  2. É errado considerar a PHDA um problema médico e não um problema social e portanto suscetível de ser controlado por medicamentos.
  3. O problema não está na criança mas na família e na escola.
  4. A medicação, nomeadamente o metilfenidato é excessivamente prescrito, o seu uso é comprovadamente maléfico para as crianças, com impacto negativo no seu desenvolvimento.
  5. A duplicação de vendas é sinal de que tudo vai mal e não de que mais crianças estão a receber o tratamento adequado de que necessitam.
  6. A intervenção não farmacológica tem a mesma eficácia que a farmacológica.
  7. A solução deste problema está nos psicólogos portugueses

1. A PHDA não é excessivamente diagnosticada em Portugal, ao contrário do sugerido. Na verdade, a PHDA é uma perturbação que afeta, segundo os estudos epidemiológicos internacionais, 5-7% da população em idade escolar e 2,5-3% da população adulta. Os dados sobre o consumo de metilfenidato em Portugal apontam para percentagens de cerca de 1,7% de crianças medicadas. Este número é muito inferior ao que se verifica na maior parte dos países ocidentais.

2. A PHDA não é um diagnóstico criado com o propósito de medicar crianças “normais” por pressão dos pais ou dos professores devido à “excessiva competitividade na escola”. Ao contrário, não existe hoje qualquer dúvida na comunidade científica que a PHDA é uma condição neurobiológica, comprovadamente uma doença do cérebro com marcada etiologia genética, envolvendo disfunção de várias regiões específicas do sistema nervoso central, concretamente o córtex pré-frontal e suas conexões com os núcleos da base e cerebelo. Apesar da importância de fatores ambientais, nomeadamente o ambiente sociofamiliar, no agravamento ou proteção relativamente às queixas de PHDA, NUNCA são a causa primária do seu surgimento.

3. A PHDA não é um distúrbio benigno e, contrariamente ao que se pretende fazer crer, na ausência de diagnóstico e de acompanhamento adequado, pode causar problemas devastadores ao longo da vida. A disfunção cerebral associada à PHDA envolve importantes áreas neurocognitivas (função executiva, memórias de trabalho, linguagem, atenção e controle motor), prejudicando o funcionamento académico, familiar, ocupacional e social. Estas alterações neurocognitivas podem persistir ao longo da vida adulta com repercussão negativa nas taxas de produtividade e problemas no emprego e na família. Os adultos com PHDA que não foram devidamente acompanhados participam mais em atividades antissociais, consomem mais drogas ilícitas, são mais propensos a gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, múltiplos acidentes de viação, depressão, transtornos de personalidade, suicídio e criminalidade.

4. O metilfenidato (MPH) é o fármaco de primeira linha no tratamento da PHDA, de acordo com todas as guidelines internacionais, com efeitos positivos muito claros na redução da hiperatividade e impulsividade, no aumento das capacidades atencionais e cognitivas. Com mais de meio século de utilização regular em todo o mundo, o MPH é o psicoestimulante mais estudado e mais utilizado na criança, com um nível de eficácia próximo dos 80% e padrões de segurança ímpares no contexto dos psicofármacos. Atualmente está disponível em Portugal um segundo fármaco, não estimulante, a atomoxetina. Tem indicações clinicas precisas, como fármaco de segunda linha, concretamente no insucesso ou contraindicações ao MPH. Sabe-se hoje que o uso do metilfenidato (MPH) durante a idade escolar, tem um efeito protetor do sistema nervoso central, com redução da incidência de muitas complicações na vida adulta.

6. O enorme crescimento do uso de metilfenidato verificado nos últimos 10 anos não se deve a nenhum “problema de saúde pública” mas sim a um conjunto de fatores entre os quais: a) um maior reconhecimento dos sintomas por parte de pais, professores, psicólogos, médicos de família, pediatras, pedopsiquiatras, neuropediatras e da sociedade em geral; b) a intensificação do combate ao insucesso escolar e o acompanhamento mais próximo de alunos com dificuldades de aprendizagem; c) aumento do número de raparigas em idade escolar tratadas por sintomas de desatenção (que anteriormente não eram tratadas por não apresentarem hiperatividade); d) a enorme eficácia e segurança, a curto e a longo prazo.

7. Por fim alguns comentários sobre o papel dos psicólogos:
  • Sim, fazem falta mais psicólogos nas escolas portuguesas;
  • Sim, fazem falta mais psicólogos nas diferentes equipas das consultas hospitalares onde crianças com PHDA são avaliadas e acompanhadas:
  • Sim, os psicólogos podem ajudar na implementação da abordagem não farmacológica, isoladamente ou na grande maioria das vezes em associação à terapêutica farmacológica;
Mas que não persistam dúvidas quanto ao efeito do aumento do número de psicólogos na redução de diagnósticos e das taxas de medicação. Em países onde a falta de psicólogos não existe, a percentagem de crianças medicadas é superior. A nossa experiência confirma estes dados. Há uma muito maior referenciação de crianças para consultas de PHDA em escolas com maior apoio psicológico. Os psicólogos podem ajudar a detetar mais precocemente, avaliar e apoiar na implementação de medidas psicoeducacionais, mas não curam um problema que é biológico e não reduzem as taxas de medicação, nem em Portugal nem em nenhum país do mundo.

Não me podendo logicamente comprometer com a adequação de todos os casos medicados em Portugal, não tenho a menor dúvida que, tal como se sugere neste e noutros artigos recentes sobre o tema, não há má prática médica generalizada com prescrição desnecessária de fármacos perigosos a crianças que deles não necessitam.

Por fim, é importante que todos os profissionais envolvidos no acompanhamento de crianças com PHDA, possam melhorar a sua formação nesta matéria. Desde já convido os interessados e a comunicação social a estarem presentes no 7º Simpósio de PHDA, que terá lugar nos próximos dias 3, 4 e 5 de maio em Coimbra, contando com a participação entre outros, do Professor Luís Rohde, presidente da World Federation of ADHD, que falará precisamente sobre o aumento exponencial dos diagnósticos de PHDA no mundo.

A Direção da SPDA – Sociedade Portuguesa de Défice de Atenção

Fonte: Observador por indicação de Livresco

“Sobredotados exigem resposta equivalente à dos alunos com necessidades especiais”

Helena Serra é investigadora na área de educação especial e presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS). Com mais de 20 anos de trabalho na área, diz que o problema do país está na forma como se lida com os sobredotados nas escolas, mais do que na legislação existente. Todos os agrupamentos deviam ter equipas especializadas para trabalhar com estes alunos, defende.

Portugal está atrasado nas respostas que a escola dá aos alunos sobredotados?
Não se pode dizer que não se fez nada. O Ministério da Educação publicou há uns anos uma brochura sobre os aspetos práticos e teórico-práticos da sobredotação. Imagino que esteja em todas as escolas. Não estarão completamente de costas voltadas para a temática. Mas daí até haver um cuidado contínuo de atendimento das necessidades destas crianças vai uma grande distância.

Falta legislação específica ou a questão põe-se mais do lado das práticas?
Existe legislação generalista, sobre avaliações, que se destina a todos os alunos. A mais recente é o despacho normativo n.º 1-F/2016. Lá pelo meio há um artigo ou outro em que podemos enquadrar estes alunos, desde logo através do avanço escolar ou dos planos de apoio pedagógico individual, que podem ser criados para quem tem muitas dificuldades de aprendizagem ou grandes facilidades. Existe algum quadro normativo, mas o grande problema está em passá-lo para o terreno. Aí, percebe-se que as necessidades destas crianças estão desatendidas. Muitas das vezes, a resposta está dependente do facto de encontrarem ou não um professor que os entenda.

O que é preciso mudar?
A sobredotação devia ser matéria obrigatória na formação de base dos professores. Neste momento, existe uma abordagem muito superficial à questão nas universidades e escolas de educação. Estes meninos são 3% a 5% da população, o que implica que o sistema educativo leve este tema a sério. As crianças sobredotadas exigem uma resposta equivalente à que é dada aos alunos com necessidades educativas especiais. Tal como existem em todos os agrupamentos de escolas departamentos de educação especial, deviam ser criadas estruturas para dar estas respostas, com psicólogo e professores com formação específica.

Fonte: Público

Sobredotados: saltar um ano nem sempre é a melhor solução

A lei portuguesa prevê que os alunos com capacidade excecionais possam recorrer ao avanço escolar para poderem saltar um ano de escolaridade. Até ao 9.º ano, podem fazê-lo duas vezes, desde que seja cumprido um conjunto de requisitos. A solução pode ser positiva para alguns alunos sobredotados, mas nem sempre é a melhor.

O avanço escolar “é uma resposta, mas não chega”, avalia a presidente da delegação de Braga da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Área da Sobredotação (ANEIS), Cristina Palhares. Isto porque, contrariamente ao “mito” de que os alunos sobredotados são bons a todas as disciplinas, isso nem sempre corresponde à verdade. “Alguns são melhores em determinadas áreas e outros noutras. Por isso, passar um ano pode ser contraproducente”, afirma. A solução tem que passar sempre por “um trabalho diferenciador” junto dos alunos com capacidades extraordinárias.

A ideia de que o avanço escolar nem sempre é suficiente é partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima. “Não resolve o problema”, concorda. Para Filinto Lima, o desafio central do trabalho das escolas com sobredotados não está no facto de os conhecimentos destes alunos serem, muitas vezes, superiores aos conteúdos lecionados num determinado ano letivo: “A questão é que estes alunos querem saber é o que está para além do currículo.”

O Ministério da Educação não deu (...) informações acerca do número de alunos que saltaram um ano escolar ao longo dos últimos anos letivo. Cristina Palhares conhece apenas dos números do núcleo da ANEIS que dirige: em 42 crianças, apenas uma recorreu ao avanço escolar. Filinto Lima tem também a perceção de que esta figura “não é muito usada”. Sobretudo “por desconhecimento dos pais”.

É aos encarregados de educação que compete iniciar o processo para que seja pedida o avanço escolar do filho. A proposta tem que ser aprovada pelo conselho de turma e depois pelo conselho pedagógico da escola, tendo sempre por base um relatório do psicólogo escolar, que tem que comprovar que o aluno tem capacidades extraordinárias e maturidade suficiente para mudar de ano.

A lei prevê que um estudante possa avançar de ano escolar duas vezes ao longo do seu percurso. A primeira durante o 1.º ciclo, concluindo-o em três anos, desde que complete 9 anos de idade até 31 de dezembro do mesmo ano civil. A segunda durante o 2.º e 3.º ciclos, ao longo dos quais pode avançar uma única vez. O novo quadro legal, que entrou em vigor no ano passado, prevê ainda que os alunos que revelem sobredotação podem entrar no 1.º ano com 5 anos em vez de 6.

Fonte: Público

Sobredotados: para estes alunos não é difícil aprender, o problema é a escola

Ainda não eram 9h da manhã e o telemóvel de Ana César Aires já tocava. Era a professora do 1.º ciclo do seu filho com mais uma queixa: Pedro não tinha feito os trabalhos de casa. Não era a primeira vez que acontecia. “Era um massacre”, recorda esta mãe, “ligava todos os dias, muitas vezes mais do que uma vez”. A história tem cinco anos e o telefonema daquele dia foi o gatilho que fez a família procurar ajuda até descobrir uma resposta: Pedro é sobredotado. Tem mais facilidade do que a média para aprender. Mas os problemas de atenção e comportamento são um dos reflexos clássicos das dificuldades que estes alunos têm para lidar com as escolas. E estas não conseguem, muitas vezes, dar-lhes uma resposta.

Durante todo 1.º ciclo, Pedro Aires teve “um aproveitamento excelente”, recorda o pai, Renato. Os problemas com a escola não eram académicos, mas de comportamento. Não fazia os trabalhos de casa e não estava atento às aulas: “A escola estava sempre a reportar-nos chatices.”

Pedro Aires reconhece: “Os trabalhos não me ajudavam a compreender mais a matéria e então não fazia.” Tem agora 12 anos.

Por vezes, prossegue, fazia um ou dois exercícios e deixava o trabalho incompleto. Já tinha compreendido o necessário e ia dedicar-se a outra coisa. Hoje continua a deixar algumas coisas por fazer. Nas aulas, diz, não são raras as vezes em que sabe mais do que aquilo que os professores estão a ensinar. “Aprendo algumas coisas na escola, mas outras vezes ouço coisas que já sei e aí corto-me um bocadinho”, explica.

Distrai-se, fala com os colegas. Ou então senta-se sozinho “para não ter ninguém com quem falar”, continua, com um sorriso.

Os atritos com a escola, um externato em Rio Tinto, que ainda frequenta, levaram Ana César e Renato Aires a procurar ajuda para perceber o que se passava com o filho. Foram a um psicólogo, que fez uma avaliação e mediu as capacidades cognitivas de Pedro. E ficaram a saber que o filho tinha características de sobredotação, ou seja, uma facilidade em aprender que o distingue dos restantes colegas — e o coloca entre um grupo que a Organização Mundial da Saúde estima que represente entre 3% e 5% da população. Não foi propriamente uma surpresa para uma família que viu o filho começar a ler aos quatro anos e a escrever as primeiras letras com cinco. A resposta foi, isso sim, “um alívio”, explica o pai: “Finalmente sabíamos o que se passava.”

Os problemas de comportamento “são habituais”, entre as crianças sobredotadas, explica Cristina Palhares, que coordena o núcleo de Braga da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Área da Sobredotação (ANEIS) e trabalha há duas décadas na área. “Todos os dias, a escola é um sítio onde não aprendem e torna-se um lugar de fastio.”

A difícil relação dos sobredotados com a escola provoca frequentemente problemas psicológicos, que podem resultar em sintomas de ansiedade e depressão. Fomos conhecer outro caso: Pedro Alves, 15 anos. Não chegou a esse extremo, mas passou por problemas complicados de autoestima.

“Quando não se tem amigos, achamos que a culpa é nossa”, desabafa a mãe, Maria Tavares. O filho passou o 1.º e o 2.º ciclo praticamente sem fazer amigos. Quando os colegas falavam de futebol, Pedro só pensava em computadores. Aprendeu a programar, praticamente sozinho, aos dez anos.

Programas “fechados”

Na escola, “precisou sempre de mais qualquer coisa do que aquilo que tinham para lhe oferecer”, defende Maria Tavares, mas isso nunca aconteceu, nem num estabelecimento de ensino privado, em Viana do Castelo — onde fez o 1.º ciclo —, nem numa escola pública em Braga, onde esteve entre o 5.º e o 7.º ano.

As dificuldades da escola em trabalhar com estes alunos são atestadas por especialistas e diretores. “Os currículos são centrados na obrigação de todas as crianças aprenderem as mesmas coisas ao mesmo tempo. Isso nunca acontece”, enquadra José Morgado, psicólogo do Centro de Investigação em Educação do ISPA — Instituto Universitário. A resposta dos professores devia ser, em teoria, a diferenciação pedagógica. A realidade é, porém “bem mais complexa”.

“Há questões curriculares e questões educativas, como o exagerado número de alunos por turma nas áreas mais demograficamente carregadas, que o tornam muito complicado”, explica José Morgado.

Os programas “são ainda muito fechados” e os professores “estão muito preocupados em cumpri-los”, concorda o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima. Não há, por isso, grande margem para dar atenção aos alunos que têm facilidade em aprender: “Preocupamo-nos sobretudo com os alunos com dificuldades.”

Sem legislação específica

Portugal é um dos poucos países da Europa sem legislação específica para lidar com a sobredotação, diz Cristina Palhares. O enquadramento legal é dado por um despacho normativo publicado no ano passado, que estabelece as bases para os quatro mecanismos à disposição das escolas para dar respostas a estes alunos: atividades de enriquecimento, que a escola pode decidir oferecer como forma de aprofundar as disciplinas do currículo geral; o ensino diferenciado, que oferece aos jovens a possibilidade de estudarem ao seu próprio ritmo; atividades extraescolares como clubes, investigação académica ou atividades artísticas; e a aceleração escolar, que permite a um aluno com capacidades extraordinárias saltar um ano.

“O importante é que as escolas estejam alerta para as especificidades dos alunos”, faz saber o Ministério da Educação (...), e que entendam que os talentos que precisam de ser estimulados são “de todas as áreas de expressão”, não só académica, como física, social ou artística.

Professores que acreditam

Esta é a base formal do trabalho nas escolas. A prática “é uma coisa diferente”, diz Cristina Palhares: “São raras as escolas onde encontramos abertura para avançar para este tipo de respostas.”

Ao longo do seu percurso, Pedro Aires nunca teve uma resposta para a sua sobredotação no externato que frequenta. Só agora, depois de seis anos, o colégio se prepara para criar um plano de estímulo para si dirigido. “Têm sido anos de luta”, afirma a mãe.

A família ainda ponderou mudar o filho de escola: “Mas para quê? A maior parte das escolas não dá resposta de maneira nenhuma. Ao menos aqui ele tem os amigos de sempre.”

Já Pedro Alves, depois de três anos de dificuldades, mudou de escola, está agora numa pública no centro de Braga onde, “finalmente, encontrou professores que acreditavam” que a sobredotação podia ser um problema.

Quando chegou a este estabelecimento, há dois anos, entrou no 8.º ano, mas em janeiro recorreu à figura do avanço escolar e passou para o 9.º. O resultado não podia ter sido melhor. “Até então o Pedro não sabia o que era o desafio escolar. Era tudo fácil, fazer um teste era um pró-forma”, diz a mãe, Maria Tavares. A grande mudança para ele foi, contudo, psicológica. “Hoje está tranquilíssimo na escola.”

Fonte: Público

Recomenda ao Governo a avaliação e valorização da formação profissional para as pessoas com deficiência

Pela Resolução da Assembleia da República n.º 70/2017, recomenda-se ao Governo a avaliação e valorização da formação profissional para as pessoas com deficiência.

Neste sentido, a Assembleia da República resolve recomendar ao Governo que:

1 - Avalie, em conjunto com as instituições e entidades envolvidas na formação profissional para as pessoas com deficiência e suas organizações representativas, os programas de formação que lhes têm sido destinados nos últimos 10 anos, e em que medida corresponderam às respetivas necessidades e contribuíram para uma melhor inserção no mundo laboral.

2 - Garanta que não existem atrasos na transferência de verbas para as instituições e entidades que asseguram a formação profissional às pessoas com deficiência.

3 - Tome as medidas necessárias para que a região de Lisboa e Vale do Tejo não seja penalizada na atribuição de verbas para a formação profissional das pessoas com deficiência, garantindo que os percursos formativos são reconhecidos dentro das mesmas regras de financiamento do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego - POISE.

domingo, 23 de abril de 2017

Lenine Cunha eleito melhor atleta do mundo com deficiência intelectual

O paralímpico português Lenine Cunha foi eleito melhor atleta mundial da Federação Internacional para Atletas com Deficiência Intelectual (INAS), numa gala que decorreu em Brisbane, na Austrália.

"Estou muito satisfeito, não foi à primeira, foi à segunda. Os concorrentes deste ano até eram um bocadinho mais fortes", disse (...) o atleta, que em 2015 perdeu o prémio para o nadador Wai Lok Tang, de Hong Kong.

Lenine Cunha, de 34 anos, admitiu estar "quase em final de carreira", mas garantiu que ainda quer estar presente "nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020".

O atleta, que alcançou o bronze no salto em comprimento nos Jogos Londres 2012, assumiu que o seu principal objectivo é "chegar às 200 medalhas em 2018".

Lenine Cunha, que teve uma meningite aos quatro anos, é detentor de 188 medalhas internacionais, conquistadas em campeonatos da Europa, do Mundo e em Jogos Paralímpicos.

O atleta "partilhou" o prémio conseguido neste sábado com José Costa Pereira, seu treinador há 18 anos: "Sem ele, eu não conseguiria ser o que sou hoje".

Lenine Cunha, que em 2015 criou o seu próprio clube, com o objetivo de ajudar jovens a iniciarem ou prosseguirem carreiras desportivas, assumiu estar a atravessar uma fase difícil em termos de apoios. "Nos últimos tempos, perdi três patrocinadores grandes", referiu, admitindo que essas dificuldades já estão causar-lhe transtornos na vida pessoal.

Fonte: Público