quinta-feira, 15 de novembro de 2018

O que faz uma professora de Língua Gestual Portuguesa?


Tal como as crianças que ouvem começam por aprender a língua que se fala no seu país antes de aprenderem qualquer outra, um menino surdo deve começar por aprender Língua Gestual. Bruna Rodrigues e Sandra Loureiro são professoras na Escola Básica de Santiago Maior, em Beja. Sandra é surda desde nascença. Fomos entrevistá-las, para percebermos o que fazem

O que é a Língua Gestual Portuguesa?
Sandra: É a língua através da qual os surdos comunicam em Portugal. Tem palavras, letras, uma gramática, e usa também a expressão facial e o movimento do corpo. Toda a informação é recebida através da visão. Aprender esta língua é muito importante para uma criança surda criar a sua identidade.

O que faz uma professora de Língua Gestual Portuguesa?
Bruna: Ensina a Língua Gestual aos alunos surdos, tal como os professores ensinam Português aos que ouvem. A Língua Gestual é a primeira língua que os surdos aprendem.

Como se ensina?
Bruna: Por exemplo, mostramos um lápis e ensinamos como se diz a palavra em Língua Gestual, através de gestos. Além disso, nesta escola ensinamos a Língua Gestual aos alunos ouvintes que querem aprender.
Sandra: Tudo o que se diz em Português, a falar, é possível dizer em Língua Gestual. Todas as palavras têm um gesto próprio. Quando não há, soletramos com o alfabeto próprio da Língua Gestual (chamado datilologia). Quando surge uma palavra nova, cria-se um gesto para aquela palavra.



Porque decidiram ser professoras de LínguaGestual?
Bruna: Antes de começar a estudar, não conhecia nenhum surdo, lembro-me de que, quando era pequenina, ficava fascinada ao ver um surdo na rua a falar com alguém.
Tive imensa sorte, porque, até eu entrar para a faculdade, a licenciatura em Língua Gestual Portuguesa era apenas aberta a surdos.
Sandra: O meu caso é diferente, porque eu nasci surda. E quis ser professora para ser um exemplo para todas as crianças surdas.

O que tem de se estudar?
Sandra: É preciso fazer a licenciatura. Também implica um estudo contínuo, porque estão sempre a aparecer palavras novas. Estamos sempre a aprender e a criar gestos novos. Além disso, é preciso gostar muito daquilo que se faz!



Como é o vosso dia a dia?
Bruna: Igual ao de qualquer professor.
Temos de ensinar o que está no programa curricular, tal como acontece com outra disciplina qualquer. A única diferença é que os testes dos alunos surdos são filmados.

Fonte: Visão por indicação de Livresco

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Portugueses com síndrome de Down derrotam campeões do mundo de futsal e seguem líderes

A seleção portuguesa de futsal de síndrome de Down entrou a vencer no Campeonato Europeu FIFDS (Federação Internacional de Futebol para Síndrome de Down), que decorre em Itália de 12 a 15 de novembro: a equipa venceu na segunda-feira por 5-3, derrotando a Itália, equipa anfitriã e campeã do mundo na modalidade. “O objetivo é sermos campeões da Europa”, garante (...) o selecionador da equipa, Pedro Silva. Algo que pode acontecer já nesta quinta-feira, durante a final contra Itália.

Depois da estreia, a equipa portuguesa jogou já nesta quarta-feira contra a Turquia, vencendo por 3-2, e novamente contra Itália, perdendo por um golo (4-3) — neste último jogo, a culpa foi do “cansaço”, acredita o presidente da Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual (ANDDI), José Costa Pereira, que está a acompanhar a selecção portuguesa. “Há uma limitação em termos de tempo”, refere. (...)

Fonte: Público por indicação de Livresco

terça-feira, 13 de novembro de 2018

I SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DO ALGARVE - Autonomia, Flexibilidade e Inclusão


A Pró-Inclusão, vai realizar o I SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DO ALGARVE - Autonomia, Flexibilidade e Inclusão.

Este evento decorrerá no dia 26 de janeiro de 2019, no Auditório 1.5 do Complexo Pedagógico do Campus da Penha, em Faro, e estarão a participar conferencistas de reconhecido valor pelo trabalho desenvolvido, de entre os quais destacamos a Prof.º Doutora Ariana Cosme e o Professor José Pacheco, criador e coordenador do Projeto 'Fazer a Ponte', da Escola da Ponte. 

Poderão ser consultadas todas as informações sobre o mesmo em: https://cfpinandee.weebly.com/simposioalgarveprograma.html

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Ação de Sensibilização "Educação Inclusiva - práticas e desafios (O Decreto-lei nº 54/2018)

O Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto, Porto, tem o prazer de convidar V. Ex.ª para a  Ação de Sensibilização "Educação Inclusiva - práticas e desafios (O Decreto-lei nº 54/2018) ", que se realiza no próximo dia 14 de novembro pelas 14.30h, no auditório da EBS do Cerco do Porto, Porto. Esta sessão será orientada pela Ex.ª Sr.ª Dr.ª Filomena Pereira - DGE, focando a aplicação do decreto-lei n.º 54/2018 de 6 de julho.

A participação é gratuita e de inscrição obrigatória (https://goo.gl/forms/V41wek7B7WKHxAGS2 ) até ao próximo dia 12 de novembro (2ª feira).

domingo, 11 de novembro de 2018

Governo aperta regras do ensino doméstico, que cresceu 47% no último ano

Em 2012/2013 contavam-se 63 crianças inscritas no ensino doméstico. No ano letivo 2017/2018, eram já 909 — um aumento de 47% só num ano. Os dados do Ministério da Educação mostram que há cada vez mais famílias que optam por esta alternativa ao ensino convencional.

Mas a lei que regulamenta esta forma de ensino está prestes a mudar. Segundo avançam (...) este sábado, está em cima da mesa uma proposta de portaria que vai tornar mais exigentes e restritivas as regras do ensino doméstico. As alterações devem entrar em vigor no próximo ano letivo.

Neste momento, os pais que querem ensinar em casa precisam apenas de comunicar a decisão ao estabelecimento de ensino da sua área de residência. Com esta proposta, as matrículas vão passar a depender da autorização do diretor da escola e as famílias terão responsabilidades sobre o percurso da criança e operacionalização do currículo.

O Movimento Educação Livre é taxativo sobre o tema: "Somos absolutamente desfavoráveis a que se dê ao Estado, de forma despótica e ao arrepio do direito das famílias, o poder para assumir e impor um determinado ensino." 

(...) a Associação Nacional de Pais em Ensino Doméstico (ANPED) frisa que "não deve ser necessária qualquer autorização para que uma família possa escolher o percurso das suas crianças, tal como sucede quando se opta pelo ensino particular".

Além de propor a obrigatoriedade da autorização do diretor da escola, a proposta, que está em fase de consulta, estabelece ainda que o responsável pelo ensino da criança tem de ter, pelo menos, uma licenciatura. Neste momento basta que o adulto responsável tenha o ciclo acima daquele que a criança frequenta.

O modelo de avaliação deve permanecer inalterado. Os alunos continuam a ter de prestar provas no final de cada ciclo e realizar os exames nacionais.

Fonte: Público

sábado, 10 de novembro de 2018

Ryanair impede cego de viajar por estar acompanhado pelo seu cão-guia

Samuel Natário de 32 anos perdeu a visão há seis anos por causa de um quisto que lhe apareceu no cérebro. Aprendeu a viver com quatro sentidos: trabalha na Volkswagen Autoeuropa, está a tirar um curso de Serviço Social no ISCTE e faz tudo em casa. É independente desde que acompanhado por Yolo, o seu cão-guia que foi treinado nos Estados Unidos. Sem ele perde a autonomia, mas mesmo assim, no mês passado, foi proibido de viajar para Londres por estar acompanhado pelo seu companheiro de quatro patas.

A viagem Lisboa-Londres estava marcada para as seis horas de 17 de outubro. Avisou a Ryanair atempadamente sobre a sua condição e entregou todos os documentos previstos pela companhia aérea para permitir o embarque de cães-guia nos aviões, como costuma fazer nesta circunstância. Mas chegada a altura do embarque, os funcionários da empresa não estavam informados sobre a presença de Yolo e não permitiram que Samuel utilizasse o seu bilhete de avião.

"Perdi o investimento que fiz na viagem e não cumpri o objetivo da mesma. Porquê? Pela falta de informação e profissionalismo dos colaboradores da Ryanair", explicou (...) por e-mail Samuel Natário.

Fonte: DN

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Congresso Internacional da Dislex - "Dificuldades e Dons"


Congresso Internacional da Dislex Dislexia "Dificuldades e Dons", com especialistas nacionais e internacionais da Dislexia, na ESEPF! 
Dias 23 e 24 de novembro de 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Maior parte dos trabalhadores não pode tirar o dia para cuidar dos filhos

A maior parte dos trabalhadores raramente pode ou não pode de todo ausentar-se do emprego por um dia para cuidar dos filhos e 42,2% não pode modificar a sua hora de entrada ou de saída para ir ao médico com as crianças, a reuniões da escola ou para amamentação. A conclusão é de um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre conciliação da vida profissional com a vida familiar, divulgado nesta quarta-feira, que ainda assim dá conta de uma evolução positiva face a 2010.

O inquérito teve por referência a população dos 18 aos 64 anos (6,3 milhões de pessoas), em particular os trabalhadores por conta de outrem com filhos a cargo ou outros familiares dependentes (1,6 milhões), a quem foram colocadas questões sobre o tema da conciliação e sobre a flexibilidade que têm ou não para cuidar dos filhos. Mas se as respostas às perguntas abertas foram surpreendentes - 84,3% dos inquiridos consideram que as responsabilidades parentais não têm efeito na sua atividade profissional -, já perante situações concretas as dificuldades foram-se revelando.

Desde logo, apenas 38,7% dos entrevistados responderam que podiam ausentar-se do trabalho durante um dia completo para dar assistência aos filhos, sem terem de tirar férias. A maioria, 58,5%, respondeu que raramente pode (20,4%) ou não pode de todo (38,1%).

Ainda assim, há uma melhoria face ao inquérito de 2010, quando 62,6% dos inquiridos não podiam tirar um dia para assistir aos filhos. Vasco Ramos, sociólogo do Instituto de Ciências Sociais que se tem dedicado à temática da família, assinala as melhorias registadas face a 2010 e avança com uma possível explicação. “Deve-se provavelmente ao facto de os mecanismos de contratação colectiva estarem a integrar estas matérias”, afirma.

Já a flexibilidade para entrar pelo menos uma hora mais tarde ou saírem uma hora mais cedo parece mais generalizada, com 55,9% a indicar que geralmente podem ajustar o seu horário diário para cumprirem as suas responsabilidades em matéria de cuidados. Contudo, 42,2% respondeu que isso é impossível ou raramente possível. Mais uma vez, os dados de 2018 representam uma melhoria face a 2010, quando apenas 31,7% respondeu que entrar mais tarde ou sair mais cedo era possível.

Apesar da evolução positiva, Vasco Ramos ficou surpreendido com a elevada percentagem de trabalhadores que não podem ajustar o seu horário em função das necessidades dos filhos. “Há áreas da indústria ou do comércio onde pode ser mais difícil porque os horários são mais rígidos ou porque existe mais resistência por parte dos gerentes, mas surpreende-me que este valor continue a ser tão alto”, sublinha (...).

Margarida Mesquita, socióloga e autora do livro “Parentalidade – Um contexto de Mudanças”, alerta que estas dificuldades ao nível dos horários vão ao encontro das principais preocupações identificadas pelos pais no estudo que fez em 2014, e que se prendiam com a resposta a situações imponderáveis relacionadas com as crianças.

O inquérito do INE conclui ainda que só 24,5% dos inquiridos interrompeu a carreira para cuidar dos filhos, a maioria mulheres, e que apenas 10,3% tiraram a licença parental alargada.

Aproveitando o inquérito ao emprego do segundo trimestre de 2018, o INE questionou o painel de entrevistados sobre as suas percepções e experiências em relação ao tema da conciliação, algo que já tinha sido feito em 2005 e em 2010. A diferença é que em 2018 foram introduzidas questões abertas sobre o tema, o que leva a que algumas das respostas a estas perguntas surpreendam.

A esmagadora maioria da população empregada que cuida regularmente de menores (84,3%) considera que as responsabilidades parentais não têm efeitos na sua atividade profissional e quando questionada sobre os obstáculos à conciliação da vida profissional com a vida familiar, 76,6% responde que eles não existem.

Pode-se concluir que perante estas respostas, os trabalhadores não têm dificuldade em conciliar trabalho e família? Para Vasco Ramos, estas perguntas podem levar as pessoas a dar respostas “politicamente correctas” e, por outro lado, as questões sobre situações do dia-a-dia mostram que há dificuldades.

Para Margarida Mesquita, o dado que mais surpreendente é os inquiridos acharem que não há obstáculos à conciliação. “A resposta pode traduzir a vontade de conciliar as duas coisas. Poderia ser diferente se perguntassem se é difícil conciliar trabalho e família”, nota.

Fonte: Público

domingo, 4 de novembro de 2018

Pais de autista fundam primeiro centro de apoio à doença

Patrick e Viviana Mendes podiam ter-se resignado, naquele dia em que chegou o diagnóstico do Rafael. Mas decidiram dobrar essa esquina e fazer tudo para que o filho tenha uma vida digna. Ele e os outros como ele. "Receber uma notícia daquelas é como levar com um martelo na cabeça. Ninguém nos prepara para a receber, muito menos para o que aí vem". Era o segundo filho dela e o primeiro do casal, "perfeitamente normal até aos 18 meses", conta a mãe (...).

Foi nessa altura que Viviana começou a observar alguns movimentos estranhos por parte do filho, que parecia regredir no desenvolvimento: deixou de fazer gracinhas, de falar, de olhar nos olhos.

O pediatra suspeitou logo que o bebé pudesse estar no espetro de autismo, mas foram precisos vários meses e muitos exames para um veredicto: O Rafael era autista, de facto. Naquele minuto concluiu-se a volta de 360º na vida da família, que até então morava em Coimbra.

Viviana deixou de trabalhar para ficar exclusivamente com o filho, o casal mudou-se entretanto para Pombal, onde a rede familiar garantia mais apoio. Tinha acabado de constituir uma empresa na área da comunicação quando tudo mudou, com o diagnóstico. "Dizem que o autismo é 50% de causas genéticas e 50% ambientais. Para nós é 100% mistério", conta (...) Patrick Mendes, no caminho para aquele que é uma espécie de sonho realizado: o PARA (Projeto de Apoio e Recursos para o Autismo), inaugurado em meados deste mês de outubro. Abriu portas no início do ano letivo, em setembro.

À procura de respostas

Foi a necessidade de encontrar respostas no apoio ao pequeno Rafael que levou Patrick e Viviana a mover montanhas, a pesquisar tudo o que havia (sobretudo o que não havia) no país para garantir um desenvolvimento saudável ao filho. "Fomos acumulando respostas e experimentando, pesquisando muito, quando percebemos que no público não havia quase nada adequado ao autismo, e que no privado havia pouco, e muito dispendioso". De resto, essa certeza começou cedo, quando o formulário para solicitar terapia da fala era o mesmo que aquele utilizado para portadores de paralisia cerebral.

Uma longa caminhada pontuada por siglas que até então desconheciam por completo. A primeira com a qual se familiarizaram foi a PECS (Picture Exchange Communication System), desenvolvido nos anos 1980 como "um sistema exclusivo de intervenção aumentativa/ alternativa na comunicação, destinado a indivíduos com perturbação do espetro do autismo". E depois cruzaram-se com o ABA, que permite uma intervenção precoce, mesmo antes da idade escolar, mas que por ser abrangente aplica-se também a todas as idades, seja após os 6 anos ou na idade adulta. Funciona com um técnico para cada criança, o que deixa adivinhar os resultados. "Foi quando percebemos que só havia em Lisboa, Porto e Condeixa instituições (privadas) que adotavam esse sistema que começámos a estudar a hipótese de o trazer para mais perto", recorda Patrick Mendes. Era o tempo em que se revezava com a mulher - e com os pais - para levar Rafael até Condeixa, num total de seis horas semanais, que custavam à família cerca de 300 euros mensais. Era tudo o que podiam pagar. Mas cada vez tinham mais certezas de como seria importante que o filho tivesse acesso àquela terapia comportamental todos os dias da semana. No meio das pesquisas, concluíram que o sistema é aplicado em quase todos os países da Europa, com destaque para o exemplo de França: "avançou em 2013, quando 70 famílias processaram o Estado por falta de apoio".

Terá sido esse o momento em que se fez o clique na cabeça de Patrick e Viviana. Estávamos em 2016, era a terceira vez que o Município de Pombal abria aos cidadãos o Orçamento Participativo. O casal decidiu concorrer, tentar a sorte de ver aplicados 100 mil euros num espaço para o filho, mas também para todas as crianças daquele concelho com a tal PEA - Perturbação do Espetro do Autismo.

A proposta apontava "um caminho para colmatar importantes carências de todas as freguesias do concelho de Pombal ao nível de respostas efetivas e estruturadas para as crianças e famílias que convivem diariamente com a problemática da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) e com os desafios da inclusão ao longo de todo o trajeto escolar". Votaram nela 212 pessoas, num concurso que ganharam por apenas um voto.

Um ano de projeto. E depois?

Quando foi anunciada a votação já era dezembro, e apontava-se janeiro seguinte para implementar o projeto, o que se revelou manifestamente insuficiente. Depois era ano eleitoral, mudou a vereadora responsável por acompanhar esse projeto vencedor. Hoje, quando abre a porta do Centro para mostrar (...) o espaço onde agora é possível apoiar oito crianças, Patrick Mendes acredita que o atraso foi benéfico. "Isso permitiu-nos participar de todo o processo, desde o recrutamento das pessoas que aqui trabalham até à escolha dos materiais", sublinha.

O espaço foi alugado à Santa Casa da Misericórdia local, e abriu portas no início do ano letivo, em setembro. A 10 de outubro foi oficialmente inaugurado, com a assinatura de diversos protocolos com instituições locais. Ali trabalham três técnicas, num projeto que, para já, tem apenas a duração de um ano. E por isso o casal já pensa no passo seguinte: a criação de uma associação, sem fins lucrativos, que permita estender o apoio às crianças para lá do pré-escolar e do ensino básico, como está estipulado.

Entretanto Rafael cresceu, tem agora sete anos, está no primeiro ano "e é o único que já sabe ler e escrever lá na sala", contam os pais, atestando as capacidades intelectuais acima da média que tantas vezes caracterizam os autistas. Voltou a falar, muito à conta do ABA. E é por isso que os pais insistem tanto na possibilidade de tornar o sistema parte integrante do ensino público em Portugal.

Patrick e Viviana Mendes têm feito uma verdadeira cruzada junto de todas as instituições de que se lembram para falar da importância de apoiar as crianças (e os pais) autistas em Portugal. No último ano foram à Assembleia da República, falaram com todos os partidos e perceberam então que existe "um desconhecimento total", patente na lei 54/2018, relativa à educação inclusiva. Contudo, consideram que "existem algumas janelas de abertura" onde será possível incluir outro apoio para estas crianças.

Um Plano Estratégico para o Autismo

"O ideal seria que não fosse preciso este Centro, que não fossem precisos centros como este no país. Que a escola pública integrasse esse apoio", sublinha Viviana, que cinco anos depois de começar esta caminhada está quase especialista na matéria. Já reuniu com responsáveis de todos os organismos, já apontou as falhas no sistema que vai testando enquanto mãe. E qual cereja no bolo, o casal chegou ao Presidente da República. Marcelo prometeu-lhes uma visita ao Centro, em Pombal, e é nesse momento que o casal deposita esperanças, "para mostrar ao país que é possível, sem grande investimento, conseguirmos este apoio. Incentivarmos outros pais a fazerem o mesmo: apresentarem projetos semelhantes ao Orçamento Participativo das suas terras".

Em Portugal a Segurança Social assegura um apoio residual no ensino pré-escolar e no primeiro ciclo às crianças autistas. São 45 horas semanais (ou quinzenais) que dão para trabalhar muito pouco com as crianças. "Além disso, há apenas cinco pessoas credenciadas (em Lisboa e Braga) para dar formação a técnicos de ABA, cujos resultados se revelam tanto melhores quando mais precoce for a intervenção.

E é também aí que o PARA pode ter um papel importante, servindo como centro de formação, por exemplo", sustenta Patrick. Em suma, o que estes pais pretendem é transformar a sigla PEA: "que em vez de ser conhecida como Perturbação do Espetro do Autismo seja criado um Plano Estratégico para o Autismo, que acompanhe estes miúdos desde pequenos até serem idosos". "Eu quero que o meu filho tenha direito a pagar impostos e não seja um subsídio-dependente", conclui o pai.

O autismo é uma perturbação crónica e complexa do neurodesenvolvimento, habitualmente grave, muito frequente, de grande repercussão, e com graves alterações comportamentais, cognitivas, psicológicas e educacionais. Manifesta-se antes dos três anos de idade.

Fonte: DN

sábado, 3 de novembro de 2018

Técnica inovadora pôs três paraplégicos a andar

Pela primeira vez em anos três pacientes paraplégicos caminharam depois de lhe ter sido implantado um dispositivo eletrónico na coluna.

A experiência, anteriormente testada em ratos e depois em macacos, é da responsabilidade de investigadores suíços e chegou agora aos humanos.

Aos três homens foi implantado um pequeno aparelho que estimulou eletricamente – através de pequenos choques – a espinal medula e, passada uma semana, recuperaram o controlo das pernas, ainda que com a ajuda de muletas ou andarilhos.

Os aparelhos foram colocados em pontos específicos da coluna de cada um. “O momento exato da estimulação elétrica e a sua localização são fundamentais para o paciente de produzir o movimento pretendido ”, disse Grégoire Courtine, co-autor do estudo e professor da da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça. “O alvo tem de ser tão preciso como um relógio suíço.”

Esta estimulação elétrica foi combinada com sessões de reabilitação quase diárias ao longo de cinco meses.

“Dar um, dois, três passos sem as mãos nas barras paralelas... foi uma loucura, porque antes, simplesmente, não conseguia andar”, afirmou David Mzee, um dos pacientes, citado pelo jornal El País.

“Este estudo é importante porque confirma que as pessoas com esta lesão têm capacidade de recuperar porque voltaram a treinar os circuitos da coluna vertebral”, referiu, Courtine. No entanto, acrescentou, “precisamos de mais investigações e ensaios clínicos para saber que tipo de estimulação e tratamentos são necessários para obter ainda melhores resultados”.

Fonte: Visão