domingo, 29 de março de 2020

Encerramento das escolas: qual o custo para as crianças com perturbações da aprendizagem

À medida que a pandemia do coronavírus alastra, vários países viram as suas escolas a serem encerradas por tempo indeterminado. A UNESCO estima que cerca de metade de todos os estudantes do mundo, dos vários níveis de ensino, estejam a ser afetados por esta paragem.

Não existem estudos sobre o impacto nas aprendizagens e competências dos alunos de uma interrupção escolar devido a pandemia — é algo completamente novo. Mas existem estudos sobre o impacto das férias escolares, de cerca de três meses, e são unânimes em assumir uma perda nas capacidades leitoras, nas competências matemáticas e nas funções da escrita.

As escolas parecem estar a adaptar-se à conjuntura e à imprevisibilidade das próximas semanas, adotando novas modalidades de ensino à distância com bastante empenho e dedicação. Por outro lado, algumas famílias mostram-se sobrecarregadas ao tentar manter o ritmo, ora porque não têm recursos (computador, impressora, Internet disponível para alguns ou todos os membros do agregado familiar), ora porque não têm tempo (a repartir entre o trabalho doméstico, o ensino dos filhos e o seu próprio trabalho), ora porque não dominam as matérias e as estratégias de ensino necessárias.

Sobre o efeito da interrupção letiva na educação, colocam-se desde logo duas questões: 1) a desigualdade no acesso a recursos digitais de famílias de diferentes classes económicas; e 2) a desvantagem pessoal, escolar e funcional que se pode acentuar no caso das crianças com perturbações da aprendizagem. As desvantagens da interrupção das atividades letivas são claramente desproporcionais para alunos provenientes de meios desfavorecidos, assim como para alunos com dificuldades académicas.

Vejamos o caso dos alunos com dislexia, que em situação normal já partem em situação de desvantagem. A dislexia é uma perturbação específica da aprendizagem, de base linguística e que se manifesta ao longo da vida. Tem na sua origem um défice fonológico que se reflete em dificuldades de descodificação, fluência leitora e escrita. Os alunos com dislexia revelam menos autonomia, demoram mais tempo a completar trabalhos devido à baixa fluência leitora e mobilizam um esforço muito superior ao dos seus pares para levar a cabo tarefas escolares. Para além de o ensino à distância limitar bastante a supervisão e o apoio diferenciado que o professor pode prestar, estes alunos ficaram ainda na maior parte dos casos privados das terapias e apoios pedagógicos que tinham, agravando as suas dificuldades.

Na convicção de que os tempos atuais impõem um desafio acrescido às crianças com perturbações da aprendizagem e suas famílias, aqui ficam algumas propostas para minimizar o retrocesso nas aprendizagens:

Aos pais:
  • Crie um caderno da quarentena. Aproveite um caderno ou dossier que tenha em casa deixe que a criança o decore a seu gosto e comecem a registar os trabalho feito: fichas, leitura, produção escrita, desenhos, etc. Este documento poderá ser um registo útil para os professores, além de ser um registo pessoal histórico;
  • Mantenha as expectativas altas com objetivos razoáveis, claro. A dislexia não define o seu filho e ele tem uma capacidade para se adaptar que o pode surpreender;
  • Aceite dias-não. Dias-não são dias em que nada parece resultar e em que a leitura, por exemplo, que já costuma ser hesitante, se apresenta extremamente difícil. Seja paciente, positivo e recorde ao seu filho que amanhã voltarão a tentar. Esta inconsistência é comum na dislexia;
  • Comunique e peça ajuda. Contacte sempre que possível os professores e outros técnicos que habitualmente acompanham o seu filho. Peça estratégias, material e ideias para dar seguimento aos objetivos individuais em curso;
  • Leia com o seu filho diariamente. Este ponto pode ser difícil, mas está provado que é uma das medidas com maior efeito. Pode ler de tudo um pouco: revistas, banda desenhada, enciclopédias ilustradas, livros pequenos e grandes. O importante é manter a rotina de leitura e já agora dê você mesmo o exemplo, lendo;
  • Aproveitem o Dia Internacional do Livro Infantil (2 de Abril) e procurem um recurso diferente: audiolivros, ebooks ou até a leitura de uma história por algum autor no YouTube. Estes materiais são acessíveis para as crianças com dislexia e promovem a literacia e a linguagem em geral.

Aos professores:
  • Recorra aos colegas, à equipa multidisciplinar de apoio à educação inclusiva do professor de apoio e criem atividades adaptadas que permitam a prática diária e a continuação da promoção dos vossos objetivos;
  • Consultem os pais para saber se é preciso ajustar o trabalho fornecido. Às vezes, mais não é melhor;
  • Acreditem que o vosso trabalho mais do que nunca é fundamental e pode fazer a diferença, inspirem-se, motivem-se e motivem os outros. E, já agora, obrigada.

A todos, confiem que o tempo em família e as interações que se mantêm são promotoras do desenvolvimento da linguagem e por isso têm um efeito benéfico nas aprendizagens.

Sílvia Lapa

Terapeuta da fala, técnica de Educação Especial do CADIn

Fonte: Público por indicação de Livresco

sábado, 28 de março de 2020

As rotinas e as dificuldades de crianças e jovens autistas em quarentena

Um deles tem 6 anos, o outro 17 e o Vasco já é maior de idade. São todos diferentes. Mas têm duas coisas em comum: Uma Perturbação do Espectro do Autismo e estão em quarentena.

Este abraço entre avô e neto, outrora dado com muita frequência, é agora mais raro. Vasco Franco é autista. Uma pandemia – uma coisa estranha para o jovem - veio impedi-lo de ir à escola, à canoagem no rio Lima e à natação, mas tem a sorte de viver no campo com a família. Mesmo em quarentena, sem aulas com professores e colegas na mesma sala e sem hora do recreio, pode respirar o ar puro de uma aldeia do Alto Minho. Nos tempos livres, ajudar o avô na quinta é um dos passatempos preferidos.

Entre revisões de módulos e os trabalhos enviados pelos professores, ocupa o resto dia a andar de bicicleta, a passear na mata ao lado de casa, vai dormindo a sesta e fala com os amigos pela internet. “Estou triste por não ir à escola. Tenho saudades dos meus amigos”, desabafou (...). Até fez uma lista. Eram mais de 20: “São muitos e são bons para mim. Os professores eram bons para mim. As pessoas do norte são boas”.

É feliz na escola há 2 anos. Está no primeiro ano de um curso profissional. Longe dos estabelecimentos de ensino onde sofreu de bullying. Cristina Franco, a mãe de Vasco, contou (...) que na aldeia para onde se mudaram, perto de Viana do Castelo, o filho é tratado como todos os outros jovens. Vasco ganhou liberdade e até já faz amigos na escola, na natação e na canoagem.

“UM NOVO CUMPRIMENTO”

Na conversa de 30 minutos com Vasco, deu para perceber que é divertido, gosta de conversar e de estar com pessoas. Em quase todas as mensagens, falava de amigos e de familiares. Está em casa com a família desde que a escola fechou, há mais de uma semana. Dias antes, já era cauteloso. Passou a cumprimentar os amigos “com o cotovelo e com os pés”, contou. Sabe que está em casa porque “há coronavírus”. É lá que todos os dias procuram novas formas de aprendizagem.

A mãe do jovem confessou que o maior desafio do isolamento social tem sido a alteração de rotinas do Vasco. “Queria que eu ou alguém lhe disséssemos em que dia volta a ser tudo como antes. Pergunta-me várias vezes quando vai poder voltar à escola. Começou também a querer saber o que vai fazer amanhã e depois”, relatou. No entanto, Cristina prefere ver o copo meio cheio. Esta família vai encarar os dias com calma e tranquilidade.

“ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO”

Dias caóticos. É assim que Ana Teresa Fernandes descreve a quarentena com o marido e os dois filhos em casa. Os pais em teletrabalho. Os filhos, Pedro e Joana, em telescola. Num apartamento a tempo inteiro. Todos com prazos a cumprir. A psicóloga tem de dividir o tempo entre o trabalho, as refeições, as tarefas domésticas e o tempo para os filhos. Um deles é autista.

Pedro, de 17 anos, é atleta de natação adaptada. Teve uns “resultados engraçados”, contou a mãe, no último campeonato nacional. Está sem treinos há 3 semanas. Também não tem contacto com os colegas da escola. “A relação com os outros é uma das coisas a que dá importância”, realçou Ana Teresa (...).

Em casa, os pais estão a ajudar Pedro a terminar os trabalhos de alguns módulos do curso profissional. Está a começar a ler e a escrever. Para já, não estão preocupados com este período letivo. No entanto, a mãe do jovem confessou que não sabe como será daqui para a frente. É que Pedro precisa de acompanhamento contínuo da terapeuta.

Segundo Ana Teresa, o jovem de 17 anos tem-se adaptado com “relativa tranquilidade” ao isolamento social. Mas fica mais agitado quando está algum tempo desocupado ou quando os pais, os dois a trabalhar a partir de casa, não lhe dão atenção.

Ana Teresa teme não conseguir continuar a trabalhar, mesmo em teletrabalho, se o cenário se prolongar. “Em casa, o horário de trabalho prolonga-se muitas vezes pela noite dentro, para tentar cumprir prazos”, desabafou. Mas por agora, a principal preocupação é a escola: “Como é que se vai organizar com os alunos com necessidades específicas de educação. Que desafios vai ter para promover a inclusão e o sucesso educativo de todos?”.

“NOTO QUE ELE NÃO ESTÁ FOCADO”

Isabel Pereira fica em casa com os 3 filhos desde o dia 14 de março. O marido sai para trabalhar. Tem um filho de 6 anos que tem Síndrome de Asperger, uma Perturbação do Espectro do Autismo.

Com as atividades suspensas, as manhãs de Daniel são dedicadas às brincadeiras. À tarde, a mãe, sozinha em casa com os filhos e várias tarefas, tenta que o filho faça os trabalhos da escola. A criança recebe os trabalhos enviados pela professora titular da turma. No entanto, Isabel realçou que tem sido difícil: “Principalmente matemática, eu não sou professora, tento ajudar da melhor maneira que posso”. (...) avançou que o filho deixou de ter ajuda da Unidade de Ensino Especial. “Noto que ele não está focado, não está a absorver o que lhe ensino. Bloqueia muito e fica nervoso e ansioso”, explicou. As sessões de psicologia, o acompanhamento em várias especialidades no Hospital de São João, no Porto, e as terapias estão em suspenso. E esta altura de mudança de estação é especialmente complicada para Daniel.

Isabel sente-se professora, psicóloga, terapeuta e mãe. Ao mesmo tempo. Tem sido esse o maior desafio das últimas semanas. Numa altura em que uma pandemia para o país e o mundo, Isabel tenta ajudar o filho. O objetivo é continuar caminho.

Fonte: SIC Notícias por indicação de Livresco

Defender a escola pública perante a pandemia

Se quisermos colocar uma ordem de prioridades, embora isto seja sempre um jogo arriscado porque elas andam todas interligadas, pode-se dizer que neste tempo estranho que vivemos a primeira prioridade é a saúde, e logo a seguir têm de vir a economia e a educação.

Milhares e milhares de pais, encerrados em casa com os seus filhos, já perceberam o complicado enredo em que se transformou este ano lectivo. A multiplicidade de plataformas de ensino à distância, os diferentes métodos entre professores, as dificuldades próprias de tornar casas em salas de aula, foram obstáculos recorrentes para todos. Esta confusão não tira nem um ponto ao esforço notável, ainda que pouco sublinhado, que os professores fizeram ao longo destas últimas semanas.

Chegados às férias da Páscoa, passado o improviso a que a crise obrigou, impõe-se ponderar seriamente o que fazer em diante até porque os sinais não são muito bons. Desde logo, por que é muito pouco plausível acreditar que as escolas voltem a abrir, quando se prevê o pico da infecção para Maio. Sendo assim, é preciso perceber se estão reunidas as condições para prosseguir o ensino à distância.

O Governo acha que sim e já remeteu para as escolas o seu novo Plano de Ensino à Distância. Mas o Governo tem de se certificar que é mesmo verdade. Se não garantir que todos os alunos têm acesso à internet, está a ferir de morte o princípio básico da escola pública, que é assegurar a todos, independentemente da sua origem social, oportunidades iguais. Não ter um computador ou não ter acesso à rede, como referiam os economistas Hugo Reis e Pedro Freitas num artigo publicado nesta quinta-feira no site da Iniciativa Educação, poderá ser uma realidade, só no ensino básico, para cerca de 50 mil alunos. Sem resolver isto, estes alunos não têm as mesmas oportunidades dos outros e serão “deixados para trás”, algo que, como o primeiro-ministro se farta de repetir, não pode acontecer.

A ajuda das escolas e das comunidades educativas poderá ser preciosa, mas o Ministério da Educação tem mesmo de assegurar que estes meios existem e, a não existirem, tirar as devidas ilações. Nunca será fácil, mas poderá ser necessário ponderar se, face à situação excepcional da covid-19, não será de dar o ano como encerrado, como defendeu esta semana o ex-ministro da Educação Marçal Grilo.

Mas este é o último recurso, também ele gerador de uma série de injustiças que terão de ser sopesadas. Antes disso, o país deve mobilizar-se para garantir que vence mais esta frente da crise. É bem menos complicado que vencer o coronavírus.

David Pontes

Fonte: Público

sexta-feira, 27 de março de 2020

E onde ficam a “Equidade” e a “Justiça Social”?

Imaginemos que conseguimos – por manifesta singularidade do génio da lusitana raça – colocar em funcionamento até meados de Abril uma rede de ensino à distância com recurso aos meios de educadores, professores e famílias dos alunos. Alguém acredita que essa solução não agravará a pré-existente desigualdade de oportunidades entre os alunos que a Escola Pública tenta combater todos os dias dos portões para dentro?

Alguém acredita que, mesmo que as operadoras de telecomunicações reduzam os tarifários e alarguem a banda em todo o país e que o ministério consiga parcerias favoráveis para distribuir equipamentos pelos grupos mais desfavorecidos, a situação será vagamente equitativa ou justa do ponto de vista social?

Não se percebe que, embora seja uma forma de remediar um 3.º período em evidente risco, esta tentativa de criar uma rede de tele-ensino irá potenciar a disparidade de meios materiais e de capital cultural ao dispor dos diversos estratos de alunos?

Nas escolas públicas, os professores tentam apoiar da forma mais equitativa possível os alunos e ajustar as estratégias (de ensino, de remediação de necessidades, de avaliação) de acordo com cada “perfil”, mas isso depara sempre com os elevados níveis de desigualdade dos contextos familiares, em especial na capacidade de apoiar os alunos no estudo e na realização dos famigerados trabalhos de casa.

Será apenas uma minoria a perceber que, à distância, esses fenómenos serão agravados? Que serão ainda mais sensíveis e quase inultrapassáveis as diferenças entre quem tem um meio social, económico e cultural favorecido e os “outros”? Que é por estes terem um ecrã à frente e net que toda a sua vida muda de configuração?

É este um problema inultrapassável e paralisante de qualquer iniciativa? É óbvio que não, mas não é ignorando estas questões – centrais para a missão da Escola Pública – que caminharemos para as soluções mais justas e equitativas. Ou fazendo inquéritos, depois da carroça já ir estrada abaixo.

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal

Fonte: Educare

quinta-feira, 26 de março de 2020

O verdadeiro exame à inclusão

As escolas receberam no início da semana uma indicação dos serviços do Ministério da Educação para fazerem o levantamento da situação dos alunos em relação aos meios disponíveis para acompanharem o ensino à distância, quer em equipamentos físicos (computadores, smartphones), quer em acesso à banda larga. A indicação foi passada, na generalidade dos casos, aos directores de turma que, em seguida, pediram aos encarregados de educação essas informações para as compilarem até final da semana.

Este tipo de “inventário digital” é muito importante e só é de estranhar que seja algo que está por fazer, atendendo a tanta informação que o ministério recolhe em tanta plataforma, ou não ter sido a primeira ou segunda medida tomada na situação actual, antes do avanço voluntarioso para o anúncio da passagem para o “ensino à distância” em formato digital. A busca do efeito político rápido sobrepôs-se à avaliação das condições materiais para desenvolver a medida. E agora, depois de se ter decidido o bolo a ser feito é que se está a tentar perceber se existem os ingredientes indispensáveis.

De acordo com números públicos, há cerca de 20-25% de agregados familiares sem condições mínimas para desenvolver o ensino à distância, sendo que esse valor tem forte assimetrias no país, mas de igual modo ao nível local, mesmo de turma para turma. Os entusiastas das vídeo-conferências e das aulas síncronas poderão ter turmas com esse tipo de dispositivos à disposição e sem necessidade de os partilhar com outras pessoas em casa, mas essa não é a realidade geral. E é aqui que as questões da “inclusão” se colocam porque não é novidade que o digital gap ou digital divide é um factor que potencia as desigualdades entre os alunos. Porque a exclusão digital em meio familiar é muito superior à que existe em contexto escolar.

Este tipo de medidas de ensino à distância e a forma como se querem colocar no terreno de forma apressada parece resultar de uma forma de pensamento mágico que desatende as questões tão proclamadas da “inclusão”. Já li declarações absolutamente aterradoras pela forma como menorizam qualquer pretensão de igualdade de oportunidades em prol de uma espécie de excitado projecto de “escola do século XXI” num país com parte substancial da população abaixo do limiar da pobreza e que, com a presente situação económica, irá por certo aumentar.

Onde estão os arautos da “inclusão” quando precisamos deles?

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico, doutorado em História da Educação. Autor do blogue O Meu Quintal
Por decisão do autor, o presente texto não segue o novo Acordo Ortográfico.

Fonte: Educare

quarta-feira, 25 de março de 2020

Realização da sesta a partir dos 3 anos nos estabelecimentos de ensino de educação pré-escolar da rede pública

Pela Resolução da Assembleia da República n.º 19/2020, recomenda-se ao Governo que garanta as condições para a realização da sesta a partir dos 3 anos nos estabelecimentos de ensino de educação pré-escolar da rede pública.

A Resolução recomenda ao Gover que:

1 - Facilite e promova a sesta das crianças em idade pré-escolar, contribuindo para o combate à privação crónica de sono das crianças nesta faixa etária.

2 - Promova o estudo e debate público, envolvendo os principais atores do processo educativo, para avaliação dos mecanismos de implementação da sesta nos estabelecimentos de educação pré-escolar, devendo aquele estudo:

a) Considerar questões como o princípio da não obrigatoriedade da sesta, o respeito pela autonomia pedagógica e administrativa dos estabelecimentos de ensino e a preservação de diferentes níveis de responsabilidade dos poderes públicos em relação aos diferentes níveis de ensino;

b) Incluir ponderáveis como a transversalidade da aplicação da sesta, os meios materiais e humanos necessários e as suas implicações nos direitos laborais, assim como na organização do sistema pré-escolar.

3 - Garanta as condições para a efetiva possibilidade de realização da sesta a partir dos 3 anos nos estabelecimentos de ensino de educação pré-escolar da rede pública, assegurando o financiamento para a aquisição de todos os meios necessários.

terça-feira, 24 de março de 2020

Prorrogação do prazo para inserção de documentos na "Plataforma de Aplicação de Adaptações"

O prazo para inserção de documentos na "Plataforma de Aplicação de Adaptações na realização de Provas e Exames nos Ensinos Básico e Secundário 2019/2020" será prorrogado até ao dia 3 de abril às 23:59m. Caso não tenha inserido o documento Boletim de Inscrição na Gestão de Documentos, deve indicar no campo "Informação Complementar" as provas e exames que o/a aluno/a irá realizar e os respetivos códigos.

Fonte: DGE

A oportunidade de ouro para criar as escolas do século XXI

Todos os que temos filhos em idade escolar demos conta, estas semanas, das iniciativas de ensino à distância que foram lançadas, em escolas públicas e privadas de todo o país. Numa semana, os professores de todo o país tiveram a capacidade de alavancar os seus recursos e competências, para dar início a uma vaga de ensino remoto sem precedentes em Portugal.

Isto significa que, no “aftermath” desta crise, todos nós, como sociedade civil, mas em particular o Estado, temos obrigação de fazer o investimento necessário para consolidar e melhorar as boas práticas desenvolvidas:
  • dotar as escolas das infra-estruturas tecnológicas e equipamentos necessários – que, em boa parte, datam do Plano Tecnológico de há mais de dez anos –, e disponibilizar acesso de banda larga à internet a todos os colaboradores e alunos;
  • formar e treinar em tecnologias de informação os professores do 1.º ciclo ao secundário, com incentivos que assegurem massa crítica para que a cultura de ensino com recurso ao digital se consolide, em vez de “voltar tudo ao mesmo";
  • consolidar os conteúdos e “tools” digitais desenvolvidos, em parcerias amplas entre escolas, editoras, universidades e empresas, adotando as melhores práticas nacionais e internacionais;
  • rever os curricula, à luz do “Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”, apostando em novos modelos não formais e informais de aprendizagem e de capacitação, com a participação da sociedade civil e das empresas, possíveis neste paradigma digital;
  • ajustar o estatuto da carreira docente e a organização das escolas para modelos mistos de ensino presencial e à distância, que facilitem a vida aos professores e aos alunos, sobretudo em zonas e situações em que, atualmente, têm de percorrer muitos quilómetros por dia ou semana;
  • não menos importante será garantir a inclusão digital e a igualdade de acesso dos alunos de famílias mais desfavorecidas, em particular no que diz respeito às infraestruturas e equipamentos disponíveis nas suas casas, eventualmente compensadas pelo apoio de salas geridas pelas juntas de freguesia, que já existem um pouco por todo o país.
Esta revolução digital na Educação deveria ser potenciada pelo Estado numa primeira fase, mas criaria todo um novo ecossistema de parceiros públicos e privados – que já existe em outros países europeus e no resto do mundo –, que seria fonte de criação de valor económico para o país, mas também de novas eficiências em termos de gestão dos recursos alocados à Educação.

A crise da covid-19 criou a oportunidade de ouro para darmos o salto, finalmente, para uma Educação do século XXI. Devíamos todos começar a trabalhar neste projeto desde já, com a ajuda do Governo, mas também da União Europeia, que potenciaria o alinhamento pelas melhores práticas internacionais. Há recursos humanos disponíveis e talento suficiente no país para iniciarmos este caminho já. Mãos à obra!

Diogo Simões Pereira

Director-geral da Associação EPIS – Empresários Pela Inclusão Social

Fonte: Público

Ser professor e ser “covidado” a reinventar-se

É um facto que de um momento para o outro o ensino a distância e, naturalmente, o uso das tecnologias digitais se tornaram uma espécie de “Novo Mundo” para o sistema educativo. É uma verdade, que para alguns de forma natural e para outros de forma mais obrigatória, porque estão a ser obrigados a fazer uma migração rápida e pouco espontânea, levando naturalmente a “dores de crescimento” e a alguns erros naturais.

Sabemos que muitos são os professores que já faziam essa utilização com os seus alunos de forma proficiente e com grande naturalidade, criando cenários pedagógicos que não são uma réplica do “analógico”, mas uma forma de colocar os alunos a pesquisar e selecionar informação, ver e analisar vídeos, sistematizar conteúdos e produzir recursos que convocam as diferentes áreas do conhecimento e os conteúdos aprendidos. Os exercícios são diferentes, têm de provocar essa mesma diferença, se pensarmos que os alunos são mais ativos, sendo necessário dar resposta a essa forma de pensar e agir.

Por outro lado, muitos foram, e são, os professores que foram negando a “nossa” vivência num mundo digital, considerando sempre que “para o ano é que é”, ou evitar o digital, tendo inclusive diabolizado o mesmo, evidenciando, claramente, o que grande parte do corpo docente ilustra: uma escola bastante atrasada nesse movimento de implementação de cenários pedagógicos com utilização do digital. Bem sei que as políticas educativas, os parcos recursos digitais e a falta de visão das direções de muitos agrupamentos de escolas, coordenadores de estabelecimentos e departamentos, também ajudam neste “movimento”.


Contudo, e felizmente, muitos foram também os professores que compreenderam de forma muito rápida, tendo em conta a necessidade e as vantagens, de colocar o “digital” em prática, convocando assim um conjunto de competências, muitas das vezes desprezadas nas centenas de horas de formação de professores sobre a utilização das TIC em contexto educativo, mas que se “covidaram” autonomamente para implementar o ensino através do digital eficientemente.

De uma maneira ou de outra, nunca a colaboração fez tanto sentido, se olharmos para o isolamento presencial, mas para a grande proximidade online de tantos professores que neste momento procuram ajuda para restabelecer aquele que será o próximo período letivo, totalmente online. Torna-se fantástico ver o movimento a crescer, aqui o contágio é o único aconselhável e permitido.

Para tal, há um conjunto de regras que é necessário entender quando falamos de trabalho online e a distância. O que devemos começar por evitar é transpor os mesmos exercícios que fariam de forma presencial para o online, mas também evitar a “digitalização” de modelos pedagógicos, porque o feedback e o apoio são diferentes, os tempos de concentração e empenho nas atividades também, assim como a autonomia dos alunos mais novos.

A acrescentar a isso, e considerando que o digital tem um potencial enorme devido à utilização da multimédia, são de evitar demasiados e extensos textos, muitas das vezes como recursos em exclusivo e apenas alguns exercícios do tipo quizz, que servem de pouco ao propósito de aprendizagem e sistematização de conteúdos.

Muitas vezes perdemos a noção que estar online não quer dizer que os exercícios possam ser em número superior a outros contextos, pelo que deve ser evitada a sobrecarga de exercícios e com pouca variedade, pois apenas resolve o problema hipotético dos professores, por ficarem de consciência tranquila, mesmo que não signifique que o aluno aprenda. Este é um exemplo típico de cumprimentos de currículo por parte do professor, mas não significa que haja apreensão por parte do aluno.

A não esquecer no desenho de trabalho a distância é a presença e a forma como o professor está presente online, porque se o canal de comunicação entre professor e aluno for complexo e houver demasiada ausência online (mais que 24 horas é demais), significa que o aluno pode ficar perdido e sentir-se desapoiado. É neste campo da comunicação que é necessário um grande investimento, pois sabemos que a comunicação não-verbal pode ser malentendida, pelo que esta deve ser objetiva e muito clara, com mensagens e propostas sucintas. A comunicação não deverá ser ambígua, nem se deve utilizar uma escrita com apenas letras maiúsculas, tal como o uso de abreviaturas.

Outra componente fundamental tem que ver com a utilização de recursos, pois deveremos evitar o uso de dezenas de apps e plataformas, que dependem de uma curva de aprendizagem por parte de professores e alunos, que quando se está a distância não facilita, além de obrigar a um conjunto de criação de contas e logins desnecessários, que deixam todo o processo de aprendizagem confuso e incoerente.

Também em relação aos recursos de hardware, é essencial que nos lembremos que nem todos os alunos e professores têm um dispositivo digital em casa ou acesso à Internet, ou mesmo não estão a determinada hora com as pessoas (pais) que podem dar algum apoio na aprendizagem e isso interfere com um fenómeno de equidade que não pode e nem deve ser deixado ao acaso, sobretudo, quando falamos tanto, hoje em dia, de educação inclusiva. Como tal, recomendo que a primeira fase seja de planeamento e diagnóstico, de modo a sabermos quando é que o aluno pode estar online, que recursos tem ao seu dispor, e qual o canal privilegiado de comunicação a usar.

Este diagnóstico fará com que se possa propor um desenho de plano de trabalho, determinando a plataforma de comunicação e interação, os recursos didáticos a utilizar (não selecione mais do que cinco se os alunos não têm esse hábito), devendo estes ser selecionados por diferentes tipologias, mas também tendo em consideração se haverá momentos síncronos ou apenas assíncronos (os momentos mistos seriam os ideais) e, por fim, como se avalia o processo de aprendizagem.

Outras questões a ter em conta de como proceder para uma boa dinâmica online, é a criação de tarefas curtas e dinâmicas, com mais atividades de projeto e de construção de conteúdos por parte dos alunos, sempre com feedback por parte do professor (é fundamental o feedback num ambiente online). Quando os alunos partilham vários professores, tenha em conta o esforço do aluno, partilhe com os outros professores as tarefas propostas ou integre-as em conjunto num projeto de turma, de forma a evitar o esforço e sobrecarga em tempo e em tarefas, provocando a desmotivação e “desconexão” do aluno.

Quando o professor propuser uma atividade deve ser claro no objetivo que está a pretender atingir com esse exercício, mas também provocar a curiosidade, levando o aluno a usar diversos recursos multimédia (vídeos, apps, infografias, …) de forma diversificar as interações. Ainda no que respeita às tarefas, privilegie modelos ativos, como o flipped learning, que pressupõe a visualização de um pequeno vídeo, autonomamente, sobre um tópico a compreender (aplicações como o TED-ED, Edpuzzle, Escola Virtual, Khan Academy, RTP Ensina, …), depois atividades que visem a aferição e ou reflexão do que foi visualizado ou compreendido (aplicações como quizz, fóruns, …) e num terceiro momento a discussão, que pode ser síncrona com a turma (aplicações como o ZOOM, Teams, Hangout, Skype,…) ou assíncrona, com a criação de fóruns de discussão sobre o tema (aplicações como o Edmodo, Escola Virtual, Google Classroom, Teams,…) em que a dinâmica é moderada pelo professor.

As atividades devem contemplar a função de avaliação da dinâmica de ensino e aprendizagem, podendo ser realizada com a produção de um trabalho multimédia, narrativas digitais, infografias, esquemas mentais, murais interativos, vídeo-aulas explicativas para os colegas ou outras turmas (aplicações como Classflow, apresentações eletrónicas, Goconqr, Popplet, BirdBlue, Toonstatic, Animoto, Powtoon, Padlet, …).

Para que a presença online do professor seja notada, deve tentar dar feedback e acompanhar cada uma das fases com inputs nos trabalhos dos alunos, incentivar o progresso nas tarefas e criar chats ou fóruns de dúvidas para os momentos em que os alunos pretendem colocar dúvidas individuais ou coletivas, estes devem ser momentos formais e informais, para apelar à participação online. Este apelo de participação autónoma e motivadora é conseguida pelo tipo de comunicação, pela linguagem utilizada, devendo esta ser simples e persuasiva, podendo ser com pequenos vídeos orais deixados pelo professor (é sempre bom ver e ouvir o professor, para colmatar a distância) e ajudar com o uso de emotions (conexão emocional).

Se possível atribua tarefas para diferentes momentos de entrega, pequenas tarefas diárias, mas outras que possam ser realizadas com mais tempo, permitindo ao aluno gerir o seu tempo com a ajuda do professor. Neste aspeto é fundamental o professor perceber que o aluno a distância terá sempre menos apoio que teria num sistema presencial, pelo que não deve colocar exigência em demasia, levando à desistência de uma presença online. 

O fenómeno da gamificação é algo que pode ser explorado de uma forma muito interessante na aprendizagem a distância, uma vez que se o professor desenhar uma “história” de aprendizagem, ou seja, um bom “argumento” cinematográfico que “prenda” o aluno ao processo, pode ter bastante sucesso na aprendizagem online. Construa uma narrativa, uma viagem, um percurso para a semana ou para o mês de aprendizagem, com pontuações diversas pelas tarefas que vão sendo realizadas, que lhes permitam ter pontos e crachás que lhes poderão dar acesso a ajudas extra, redução de tarefas, aumento de tempos de entrega, conduzindo por níveis de exigência que vão aumentando ao longo do desenrolar das tarefas, de forma a concluírem os seus projetos, como se dentro de um jogo estivessem (aplicações como o Classcraft, Classdojo, ou Google Classroom, …).

Este já era o momento de redefinição do que era ser professor, ser aluno e ser escola. Porém, esta pandemia veio apenas acelerar uma migração que estava a ser feita a espaços. Também é chegado o momento em que cada professor, com as suas condições, melhores, piores ou inexistentes, se vão ter de reinventar e desenhar, com a criatividade que caracteriza o professor português, novas formas de ensinar e aprender. Estão todos os professores “covidados” a reinventar-se! 

Marco Bento

Coordenador do projecto SUPERTABi, investigador e consultor pedagógico

Fonte: Público

segunda-feira, 23 de março de 2020

Educar em tempos de emergência

A ameaça de saúde pública é demasiado grande o medo altera-nos as prioridades de forma radical. As escolas fecharam. As crianças e jovens foram “devolvidos” às famílias e provavelmente assim se manterão nos próximos meses.

As crises afetam primeiro os mais desfavorecidos. A educação não vai ser exceção, e esta crise vai ser longa e profunda. Deixará cicatrizes sociais incuráveis. Talvez consigamos antecipar algumas feridas e agir para proteger grupos de risco, neste caso as crianças e jovens que estão em casa e não têm como continuar as suas aprendizagens.

Quando os pais têm condições emocionais, físicas e económicas, escolaridade elevada e boas infraestruturas continuarão as aprendizagens. Os alunos perdem a importante parte da socialização, mas prosseguem os seus caminhos. Quando voltarem à escola vão estar preparados e demonstrarão diminutas perdas de aprendizagem.

E os outros? Como sempre, os mais desfavorecidos sairão penalizados. Estes são os alunos para quem a escola faz toda a diferença. São os alunos que encontram na escola uma tábua de salvação para o presente e uma forma de alimentar os sonhos para o futuro. São muitos, e não podem ser esquecidos nem ignorados durante este estado de emergência. Alguns indicadores [1] que nos ajudam a compreender as condições em que os alunos estão em casa:

1. No geral, a qualificação da mãe é bastante reduzida: 46% estudaram no máximo até ao 9.º ano (7% não obtiveram qualquer qualificação, 12% concluíram apenas o sexto ano e 27% o nono). Olhando para o pai, a situação é ainda mais alarmante: 56% com o 9.º ano ou menos (10%, 17% e 29%). Estas famílias têm poucas condições académicas para trabalhar com os seus filhos e para validar a qualidade das suas aprendizagens. É fundamental que a escola continue a ter uma presença.


2. O rendimento global bruto dos agregados familiares é diminuto: 44% aufere menos de 14.000€ por ano, o que significa um rendimento de menos de 1000€ por mês para sustentar todas as despesas. Estas famílias não terão qualquer rede onde se apoiar caso o emprego lhes falte. É pouco provável que tenham poupanças e é muito provável que se vejam com os empregos suspensos ou com salários em atraso. Esta situação pode acontecer no imediato. É possível que muitos já não recebam os salários no mês de março. A miséria é rápida a instalar-se. Manter as cantinas das escolas abertas é uma medida louvável, mas insuficiente para manter estas famílias à tona da água.

3. A nível de infraestrutura doméstica, a situação parece ser um pouco mais favorável: 93% dos alunos declaram ter uma secretária para estudar e um computador com acesso à internet. No entanto, 34% dos agregados familiares tem um único computador em casa, o que pode ser uma limitação quando também os pais estão em teletrabalho. Poucos dispõem de software didático ou de livros para enriquecer a sua cultura, embora 88% tenham livros de apoio escolar. Esta infraestrutura pode ser favorável à aplicação de ensino à distância, contribuindo para manter algum contato com professores e colegas. É crucial garantir condições a todos os professores para adotar formas de manter o apoio presencial por canais digitais. Os 7% que não têm infraestrutura em casa devem ser autorizados a requisitar computadores da escola, ou a frequentar as salas de exceção que foram criadas para os filhos dos que não podem ficar em casa.

4. Quanto às condições emocionais dos alunos, temos de considerar que 30% declaram sentir-se assustados e miseráveis com alguma regularidade e mais de 70% dizem ter medo, isto numa situação de normalidade. Todos estes sentimentos se acentuam na fase que vivemos, logo seria também importante garantir apoio psicológico aos alunos e suas famílias. Temos ainda 7% de alunos que declaram não ter apoio das suas famílias a nível emocional ou escolar. Estes necessitam de auxílio imediato. Os diretores das escolas devem ser chamados a identificar os casos de maior risco. Meios de intervenção social têm de ser mobilizados para garantir a sanidade física e mental destas crianças e jovens.

Doutor Tiago Brandão Rodrigues, urge tomar medidas que possam conter as perdas de aprendizagem. É certo que a primeira prioridade é conter o vírus, mas não podemos permitir que a sociedade se desfaça. A escola é um dos eixos fundamentais de uma democracia. As crianças e jovens são também grupo de risco.

Algumas escolas já demonstraram capacidade para manter o ensino online, estimular a utilização de plataformas que foram disponibilizadas pelos editores, incentivar algum contato com pais e alunos. Este esforço deve ser reconhecido, aplaudido e alargado a todos. Os professores fazem parte do grupo dos indispensáveis. É necessário dar-lhes condições para continuar o seu trabalho.

Durante as próximas semanas, parte dos esforços políticos e sociais devem virar-se para as famílias com filhos em idade escolar. É uma prioridade nacional manter as aprendizagens e o bem-estar, garantindo que nos opomos à proliferação das desigualdades, especialmente em tempo de estado de emergência. Não sabemos quanto tempo vai durar. Cada semana que passa sem pensarmos na educação é tempo demais. As crianças e jovens não podem ser abandonados à sua sorte.


[1] Todos os indicadores foram recolhidos pela OCDE através do estudo PISA 2018, e tratados pela autora a partir das bases de dados originais. Os dados PISA são recolhidos junto dos alunos de 15 anos que frequentem o terceiro ciclo ou secundário.

Isabel Flores

Secretária Geral do IPPS-ISCTE

Fonte: Público