segunda-feira, 18 de março de 2019

Monitor da Educação e da Formação de 2018 Educação e formação - Portugal

O “Monitor da Educação e da Formação de 2018 Educação e formação - Portugal” é uma publicação anual da Comissão Europeia sobre educação e formação na UE. Do relatório foi retirado o extrato seguinte:

São necessários recursos adicionais para identificar e apoiar o ensino de alunos com necessidades educativas especiais (NEE). O ensino dos alunos identificados como NEE é quase exclusivamente assegurado pelas escolas de ensino regular (88 %), sendo estes alunos totalmente integrados em turmas regulares. Uma rede de 93 centros especializados (Centros de Recursos para a Inclusão) complementa o apoio especializado prestado aos alunos NEE nas escolas, juntamente com 25 centros de recursos informáticos para o ensino especial. A qualidade da educação especial é dificultada pela insuficiência de recursos e pelo défice de competências pedagógicas (OCDE, 2018). Existem variações ao nível das regiões e das escolas quanto à percentagem de alunos identificados como NEE. É difícil assegurar um número suficiente de professores de educação especial para fazer face à procura crescente. No ano letivo de 2017/2018, os alunos NEE beneficiarão do apoio de mais 1 500 funcionários não docentes contratados para o efeito (Governo de Portugal, 2017b). (página 5)

sábado, 16 de março de 2019

A avaliação num contexto de flexibilidade curricular – Método VER


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No âmbito da Autonomia e Flexibilidade Curricular, muito se tem discutido a questão da avaliação das aprendizagens. De facto, esta é uma dimensão essencial do currículo, que tem que ser equacionada conjuntamente com as estratégias de ensino e de aprendizagem.
Longe de tentar simplificar excessivamente uma questão tão complexa como a da avaliação, proponho-vos um método que pode ajudar-nos a otimizar as nossas práticas: o método VER, que consiste em três passos: 

1.Veja as diferentes possibilidades de avaliar.
Há muitas e variadas, mas tendemos sempre para o teste escrito. Embora este instrumento de avaliação, quando bem construído, possa ser eficaz para a avaliação de determinado tipo de conhecimentos, ele não é, certamente, o instrumento mais adequado para a avaliação de todo o tipo de conhecimentos.
É, portanto, necessário inventariar todo um leque de opções possíveis (relatórios; projetos de investigação ou outros; realização de documentários, filmes, podcasts, vídeos, protótipos; escrita de uma peça de teatro, jornais, revistas; organização de conferências e outros eventos; dinamização de blogues, páginas web, página do Facebook; simulações; dramatização; portefólio digital ou em papel, …), para depois podermos fazer uma escolha com sentido.

2. Escolha a forma mais adequada de avaliar os conhecimentos que pretende avaliar.
Neste passo deve imperar o princípio da adequação. A escolha do instrumento de avaliação a utilizar não pode ser aleatória ou feita com base na tradição.
Será que a melhor forma de comprovar se alguém sabe nadar é pedir-lhe que faça um teste escrito sobre os 4 estilos de natação?... A resposta parece óbvia, tornando até um pouco absurda esta questão. Mas o facto é que todos os dias se praticam absurdos semelhantes nas escolas...

3. Retribua o trabalho dos alunos, com feedback detalhado, informativo e útil para as suas aprendizagens. 

As mudanças a que assistimos (e a que vamos continuar a assistir no futuro) relativamente à forma como aprendemos, como nos desenvolvemos e como vivemos, tornam uma mudança de paradigma ao nível das práticas de ensino / aprendizagem / avaliação um imperativo ético de qualquer profissional da educação.
Às escolas e aos educadores e professores cabe o desafio de resistir às práticas cristalizadas que nos tolhem o pensamento e nos impedem de ver o óbvio: que o modelo de educação que (ainda) temos está falido e agrilhoado a um tempo no qual já não vivemos. Consequentemente, cabe-lhes, também, o desafio de procurar as melhores formas de ajudar os alunos a demonstrar as suas aprendizagens, através de produtos e desempenhos que se adeqúem aos tempos em que vivemos e, principalmente, ao tempo em que eles vão viver...

Ilídia Cabral

sexta-feira, 15 de março de 2019

O professor como um gestor de recursos humanos

Um professor é, para todos os efeitos, um gestor de recursos humanos. Um gestor de conflitos. Um negociador. Um potenciador de talentos. Um facilitador de pessoas que querem voar. E um observador remunerado e privilegiado sempre e quando os seus alunos voam. E voam alto. E essa é a maior recompensa, minha modesta opinião, sobre a nobre tarefa do ensino.

Dito isto e como o professor, ou como gestor de recursos humanos em várias idades, desde licenciatura a mestrados ou doutoramentos e, bem assim, a alunos executivos, há grandes desafios que se colocam nestas áreas, como sempre se colocaram, mas que muito têm a ver com a dinâmica da envolvente que hoje nos estrutura.

Deixo 5 temas/áreas que são e serão decisivos no presente e num futuro muito próximo:

Feedback – O feedback e a necessidade de feedback tornou-se mandatório. Não obstante, há que saber distinguir feedback que se gosta de ouvir de feedback que se gosta menos de ouvir. Habituam-nos os tempos a que o feedback deva ser positivo. Mas nem sempre há aspetos positivos embora seja defensor de que os aspetos positivos valorizam e potenciam as qualidades das pessoas. Dito isto, há aspetos a corrigir e quando os há, o feedback não é, e não pode ser, um mar de rosas (não sendo um rosário!). É aqui que entra o lado relacional para, em boa verdade, se conseguirem dizer coisas complexas de forma aceitável, tolerável e que faça crescer pessoas e desenvolver qualidades, trocando o menos bom pelo bom. Tal e qual como com um professor onde o feedback é, hoje, dos elementos mais requisitados. Onde falhei para poder melhorar? Ou onde estou bem para não perder esse lado bom que tenho?

Aprendizagem e Crescimento – É talvez nesta matéria que mais pressão é feita nos dias que correm. Desenganem-se os que julgam que uma formação ou um programa de formação simples chega para os apetites de quem trabalha nas empresas. É preciso que essa formação seja feita com cabeça, tronco e membros. Ou seja, para além do conteúdo precisamos da forma. E a forma, diria formato, é essencial. Entregar um conteúdo com um formato experiencial é cada vez mais fundamental. E fazer as pessoas participar de “pacotes” formativos onde a) possam aparecer e mostrar o que valem a quem os lidera; b) possam ser marcados pela experiência; c) possam sentir que participam na formação e co-criam; d) possam tornar a experiência como potenciadora do seu crescimento profissional…mas também pessoal. Diria que para um professor é exatamente o mesmo. Quanto mais experiencial for a formação, mais frutos e aprendizagem se podem colher. Desafios permanentes têm de ser lançados e, assim, conseguida uma performance de grupo e individual que seja assinalável.

Retenção – A retenção é, todos sabemos, uma dificuldade cada vez maior. E não é por ser a melhor empresa para trabalhar ou a melhor empresa por isto e aquilo que convence pessoas a ficar. Normalmente ficam aqueles que não têm para onde mudar e os que vão embora são, precisamente, os mais interessantes, criativos, com pensamento (até lateral) mais profícuo. Reter é apostar na formação, é apostar nos desafios, é fomentar mudanças e desconfortos explicados, é atribuir responsabilidades cedo, é procurar evolução lateral de carreiras, é ser, mais que tudo, criativo nas soluções e dar muito, muito tempo àqueles com quem se trabalha. É o mesmo com um professor. Quanto mais tempo entregar aos meus alunos mais eles se esforçam e sentem que vale a pena o esforço. Não por um salário e nem sempre por uma nota. Mas pelo processo.

Progressão – Progressão na carreira é fundamental. E não esqueçamos nem subestimemos as progressões não remuneradas. Há um salário psicológico associado à responsabilidade, à autonomia, ao ambiente de trabalho, à criatividade e participação, à intervenção na gestão. Desnecessário será dizer que, por vezes, esta gestão é mais consumidora de tempo mas, no final do dia, é uma progressão que também capitaliza a retenção. Como um professor que procura, a todo o custo, que haja progressão na forma como se faz, na autonomia, no “desmame” do mentoring permanente para passar a compassado, intervalado e, depois, meramente pontual.

Horários – Esta é uma matéria complexa. Difícil de entender e de seguir. Mas há uma flexibilidade que se deve oferecer às pessoas para que elas próprias sejam capazes de criar horários e entregar resultados. Nem sempre é fácil, é certo. Mas o horário rígido, mesmo para um professor, terá os dias contados. Há aulas que são feitas por Skype. Há aulas que são office hours. Há aulas que são para uns mas não para outros. Há aulas que são pontos de encontro e partilha e há aulas que são desajustadas relativamente ao excesso de carga letiva horária. Não será à boa maneira do Técnico que fiz nos anos 80 que se convenceria hoje um aluno a cumprir. Há que recriar todo o conceito de presença. Sendo que os horários, com este acréscimo de geometrias, se tornam mais e não menos penalizadores. É bem mais difícil viver assim do que dar 9 horas de aulas por semana e fechar a porta ao que possa vir a juntar-se a isto. E mais cómodo.

All in all, gerir uma turma é gerir recursos humanos. Com uma vantagem: são recursos humanos que fazem parte do “negócio”. E isso faz toda a diferença. Seria muito importante, por exemplo, que não fossem apenas – numa lógica de cross-fertilization – as universidades a solicitar a participação das empresas mas, também as empresas, a querer assistir às dinâmicas de uma sala de aula. Enriqueceríamos todos em conjunto. Porque o professor é, queira-se ou não, um gestor de recursos humanos. Mais: o professor é, e será sempre, o maior aprendiz em qualquer turma. Como o deve ser qualquer profissional de recursos humanos.

José Crespo de Carvalho

Professor Catedrático – ISCTE – IUL; Presidente Comissão Executiva – INDEG-ISCTE Executive Education

Fonte: Observador

III Colóquio internacional: Ler e ser | ajudaris

A AJUDARIS, IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social, em parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura, anuncia o III Colóquio Internacional, que se realizará no dia 13 de abril de 2019, no Auditório da Fidelidade (Rua Alexandre Herculano 53, 2º Piso, 1269 – 152 Lisboa), e que congregará representantes das áreas que melhor se cruzam com os princípios e os objetivos da AJUDARIS.

Este evento encontra-se acreditado pela Escola Superior de Educação de Setúbal, com a duração de 6 horas.


Público-Alvo:  Educadores, Professores, Encarregados de Educação, Assistentes Sociais, Encarregados de Educação, Auxiliares de Educação.

Todos os interessados nesta temática podem participar.

Fonte: RBE

quinta-feira, 14 de março de 2019

Curso de Direitos Humanos

A imagem contém várias mãos num circulo e a legenda
A Associação de Estudos Estratégicos e Internacionais (NSIS - Network of Strategic and International Studies) 
e a Amnistia Internacional Portugal promovem mais um curso de direitos humanos.

O curso, com a duração de 36 horas, terá lugar em horário pós-laboral e ao sábado durante um período de duas semanas.

Módulos e informações adicionais em anexo e no site www.nsis.org.pt 

Inscrições até 20 de março.

Fonte: INR


quarta-feira, 13 de março de 2019

A sala de robótica devia ser a sala de aulas normal

José Almeida é um jovem de 16 anos que estuda na Escola Vale do Tamel, em Barcelos, ganhou to reconhecimento de Microsoft Showcase School, fazendo parte de uma comunidade de escolas que está a transformar a educação e a integrar a tecnologia nas salas de aula. Utilizam uma a plataforma pedagógica All Aboard que apoia e motiva o ensino de conteúdos de programação em articulação com outras áreas curriculares.


José Almeida sempre gostou de computadores e de informática mas foi quando veio para escola Vale do Tamel que alguns colegas o influenciaram-me e desafiaram para entrar para o clube de robótica. "Fui, comecei a aprender e a participar e a gostar cada vez mais de robótica" diz José Almeida, que se tomou por uma paixão pela robótica. "O que me fascina na tecnologia é o processo de descoberta", confessa.


Esta sua imersão na tecnologia leva-o defender que a sua sala de robótica "poderia ser uma sala onde nos aprenderíamos assim, com desafios, com projetos. É muito mais cativante para os alunos e, ao mesmo tempo, aprendemos tão bem ou melhor do que sentados nas cadeiras a ouvir uma pessoa a falar. Acho que será assim o futuro das salas de aulas e o futuro do ensino".

A avaliação devia inspirar-se na estratégia da gamificação. José Almeida exemplifica com o clube de robótica e o desafio para construir a placa eletrónica de hardware. "Tínhamos de fazer códigos e programa-la e ganhávamos pontos que poderíamos trocar para obter outro componente para a placa como um botão e assim sucessivamente", diz José Almeida.

Este aluno chegou a fazer sessões de sensibilização à robótica aos seus professores. Explica que "os professores são pessoas e há umas mais abertas, mais fechadas e mais céticas. Por isso havia professores estavam mais abertos e outros mais apreensivos em relação ao que é que eu poderia ensinar. Mas eu sempre consegui, de certo modo, ensinar-lhes alguma coisa e cativa-los para este mundo com o qual alguns não estavam habituados a lidar, sobretudo os mais velhos".

Fonte: Jornal de Negócios por indicação de Livresco

terça-feira, 12 de março de 2019

NOTÍCIAS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

No dia 8 li no Público que o ME recebeu até ao momento “apenas” 50 casos de reclamações relativas no âmbito da entrada em vigor do regime jurídico da educação inclusiva, ou seja, desde o início deste ano lectivo.
Diz ainda o ME que reclamações apresentadas “estão relacionadas na quase totalidade com a falta de funcionários por motivos de baixa”, um problema anterior à entrada em vigor do novo diploma e que se mantém.
Algumas notas sustentadas no cansaço de ver como a realidade continua a ser vista quase sempre como se fosse a projecção dos desejos de quem para ela olha e não do que ela tem para ser visto (e reflectido).
Em primeiro lugar e apesar de saber que a perfeição não existe e os processos educativos são complexos, mesmo que fosse um só caso, seria um problema. Não devemos relativizar o número pois certamente entraríamos na impossível definição do critério a partir do qual temos problemas ou “está tudo bem”.
No que diz respeito às queixas apresentadas pelos pais, sabemos todos que por variadíssimas razões, em que se inclui a relação profundamente assimétrica entre escola e pais e em particular no que toca aos alunos mais vulneráveis o número de queixas formais é bastante mais baixo que as dificuldades sentidas na realidade, lá está a maldita realidade.
Mas do meu ponto de vista, embora a questão dos funcionários seja crítica a questão central não é essa.
A questão central é como estão a correr em termos genéricos os processos de avaliação, planificação, intervenção de acordo com os princípios da educação inclusiva, a avaliação reguladora dessa intervenção, os recursos disponíveis em suficiência e competência, o trabalho com e o apoio aos docentes de ensino regular face ao seu papel central nos processos de inclusão, etc.
Quando falo destas questões e cada vez sinto menos motivação para o fazer sempre afirmo que a mudança da legislação era necessária e que o DL 54/2018 tem avanços importantes. Também sei e não me esqueço que, quer com o velho 319/91 (nesta altura eu já trabalhava neste universo há 15 anos), quer com o 3/2008 e com o recente 54/2018 existiam e existem professores e escolas a realizar trabalhos notáveis que devem ser conhecidos e reconhecidos.
No entanto sei e não me esqueço que no meio do mar de rosas que isto parece ser os poucos espinhos, “apenas” 50, não decorrem da falta de funcionários por mais importantes que sejam.
Os processos de avaliação, não, não é rotulagem, é avaliação de eventuais dificuldades que se reflictam na aprendizagem, na “ensinagem” ou no comportamento e que deve ser rigoroso e competente para que a planificação não se traduza num “objectivo” como “melhorar competências de leitura” constante num RTP (agora já não existe PEI) de uma crianças de 7 anos a frequentar o 1º ciclo como se qualquer criança a frequentar o 1º ciclo não deva “melhorar competências de leitura. Acontece que pela forma como foi colocado em prática, pelas dificuldades de recursos, pelos equívocos decorrentes do banho de doutrina no 54/2018 que nem o Manual de Apoio (era mesmo preciso chamar “manual” a orientações para intervenção em educação inclusiva?) esclarece, este processo de avaliação pelas equipas multidisciplinares decorre com inúmeros sobressaltos em muitas escolas.
Um dos grandes avanços anunciados era fim anunciado da categorização, deixamos de ter crianças e jovens com necessidades educativas especiais. Quando leio referências aos “universais”, aos “adicionais” ou aos “selectivos” já não se trata de um processo de categorização pela dificuldade identificada mas realizado pela resposta desenhada. Isto sim, é uma mudança de paradigma.
A ver se nos entendemos, identifica de forma competente a natureza de eventuais dificuldades não é um processo de “rotulagem”, só o será se daí decorrer discriminação negativa ou “guetização” e não a adequação da resposta educativa. E deste ponto de vista o 54/2018 não garante nada pois coexistem ambas as situações.
O espaço é curto mas ainda uma nota para a participação dos pais, as situações que vou conhecendo mostram como tanto ainda está por fazer sobretudo em situações de maior dificuldades ou severidade problemáticas.
Como disse acima, o cansaço já é muito embora sempre me anime quando conheço situações muito positivas que felizmente acontecem todos os dias em tantas escolas.
Não quero fazer o papel do miúdo que diz que o “rei vai nu”, primeiro porque já não tenho idade para isso e, segundo, porque não seria de todo justo.
Também não gosto de me sentir o Waldorf ou o Statler, os velhos dos Marretas que estão sempre na crítica, até porque, de novo, muita coisa de bom acontece, mas … a verdade é que julgo que só mudar, ainda que num caminho ajustado não significa … mudar.
Não, existem muitas coisas muito bonitas mas … nem tudo vai bem. Não torturem a realidade que ela não vai confessar.

José Morgado

segunda-feira, 11 de março de 2019

Quase metade das instituições de ensino superior sem acessos para deficientes

Quase metade das instituições de ensino superior continuam a ter edifícios não adaptados para alunos com Necessidades Educativas Especiais, alertou esta segunda-feira a Federação Académica de Lisboa (FAL) defendendo a urgência em corrigir estes casos potenciadores de exclusão social.

Depois de há um ano ter apresentado o "Livro Negro do Ensino Superior", a FAL lançou esta segunda-feira o “Livro Verde”, no qual faz uma avaliação dos problemas vividos pelos estudantes do ensino superior, dedicando um capítulo aos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

Ali estão descritas as principais dificuldades com que se deparam diariamente os estudantes com NEE, com destaque para a falta de infraestruturas e transportes que garantam o acesso aos estabelecimentos de ensino superior.

O Inquérito às Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior 2017/2018, elaborado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), identificou 1.644 estudantes a frequentar 112 Instituições de Ensino Superior (IES).

A maioria das IES (56,3%) garante acessibilidade total aos seus edifícios, havendo 36,6% das instituições que admitem ter apenas alguns dos edifícios acessíveis, sendo que nos restantes casos as instituições não têm qualquer edifício acessível.

Por isso, o Livro Verde recomenda a criação de condições que permitam o acesso total a todos os espaços de todas as instituições. Não apenas em termos de infraestruturas mas também de transportes.

Outro problema é o serviço de transportes públicos adaptados: Quase metade das instituições (47,32%) reconhece que não existem transportes públicos que garantam o acesso às aulas ou serviços.

“Situação preocupante”

Para a FAL esta é uma “situação preocupante”, com destaque negativo para a Região Autónoma dos Açores, “que não possui nenhum transporte público adaptado que ofereça acesso à IES”.

No entanto, a maioria dos estabelecimentos de Ensino Superior organiza regularmente transportes adaptados para trajetos específicos (49%) ou para situações regulares (31%). Uma em cada cinco instituições não organiza qualquer tipo de trajeto em transportes adaptados para estudantes com NEE.

A adaptação das infraestruturas e transportes devem permitir também a prática desportiva dos estudantes.

“A situação da inclusão dos estudantes com NEE é deteriorada no que toca à prática de desporto”, com apenas 13 IES a providenciar infraestruturas adaptadas, lê-se no relatório hoje divulgado, que aponta o Algarve e as regiões autónomas dos Açores e Madeira como os casos mais preocupantes.

Apenas na Área Metropolitana de Lisboa é possível realizar desporto adaptado providenciado por um estabelecimento de Ensino Superior.

A maioria das instituições (63) tem algum tipo de regulamentação para estudantes com NEE, mas apenas 35 têm estatutos ou regulamentos específicos para estes alunos. A maioria das instituições não tem serviços de apoio para estudantes com NEE: Só 45,5% das IES afirmam possuir estas estruturas.

O “Livro Verde do Ensino Superior” analisa várias temáticas que afetam a vida dos estudantes, desde o financiamento das instituições, aos apoios de ação social, alunos a estudar longe de casa ou com NEE. O Livro Verde foca também a relação entre o estudante e a garantia de qualidade no Ensino Superior, sendo defendido que ao aluno devia caber também a tarefa de monitorizar e avaliar o ensino.

“Introduzir inquéritos de avaliação da satisfação com a vida académica na avaliação interna e autoavaliação dos Estabelecimentos de Ensino Superior, que monitorizem os estudantes face ao ensino, aprendizagem, infraestruturas, socialização, métodos e processos de avaliação pedagógica dos estudantes, organização e funcionamento do ciclo de estudos, condições profissionais, habitacionais, logísticas, transporte e despesas em materiais escolares” é uma das recomendações.

O manual apresentado esta segunda-feira em Lisboa defende ainda que se devia criar uma plataforma online onde fosse possível conhecer a oferta formativa do Ensino Superior português, integrando indicadores de satisfação dos diplomados em relação ao Estabelecimento de Ensino Superior, empregabilidade e expectativa salarial.

Fonte: Público

Apresentação do CAVI da APCV

A Associação de Paralisia Cerebral de Viseu (APVC) vai apresentar o seu Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI), que será responsável pela disponibilização de assistência pessoal às pessoas com deficiência, entre 2019 e 2021.

A apresentação do CAVI, que contará com a presença da Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes e do Presidente do INR, Humberto Santos terá lugar no dia 12 de março de 2019, pelas 10h30, nas instalações do Centro de Atividades Ocupacionais da sede da APCV, em Vildemoinhos, Viseu.

Fonte: INR