segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pela primeira vez, Mariana, sentiste o toque do giz…


Foi em setembro que te conheci, Mariana.

Lembro-me, Mariana, que estavas sentada na tua cadeira de rodas, já ultrapassadíssima, na fila da frente. Tinhas graves dificuldades de aprendizagem e como se isso ainda não bastasse, estavas presa àquela cadeira. 

Nas aulas, de Francês iniciação, quase não falavas e quando te colocava uma questão respondias muito, mas muito baixinho. Também tu tinhas medo! Tinhas medo da tua incapacidade física, tinhas medo de te expores, tinhas medo de responder às questões e falhar... falhar novamente, já não te bastava aquela cadeira. Aquela maldita cadeira que te separava da vida, que te impedia de sonhar, que te impedia de correr, de ires atrás de uma vida que, supostamente, segundo as leis da natureza, seria a tua. 
As tuas amigas, aquelas cujas pernas lhes permitiam voar, estavam na fase dos primeiros namoricos, na fase da troca dos bilhetinhos " Ana + Diogo = Amor para sempre". E tu Mariana? Tu eras... a Mariana da cadeira de rodas e ponto! Os rapazes nem olhavam para ti e pior... tu sabias! 

Mais uma vez fiz o exercício da inversão e não gostei do que senti! Imaginei-me da tua idade, com a tua condição física, imaginei o que poderia sentir, imaginei uma esperança limitada, umas expectativas frustradas. Não é fácil termos a consciência, que há sonhos que nunca poderão ser concretizáveis e que por tormento do destino são esses sonhos os mais desejáveis. 

Observava-te nos intervalos. Estavas sempre só e com um semblante triste. Observavas a vida dos outros, perdias-te na ilusão de imaginar que um dia também tu irias correr, saltar... que devido às tuas limitações, às barreiras arquitetónicas da escola e à urgência de viver das tuas amigas, tão característico destas idades, sempre se esqueciam de ti... Mas eu não! Tinha a responsabilidade de dar mais cor à tua existência! 

Lembras-te, Mariana? 

Lembras-te que um dia, numa aula de Francês, te mandei ao quadro? Para espanto de todos, tu, muito timidamente e ao mesmo tempo muito aflitiva, disseste-me, quase gritando num tom revoltado: 
"- Professora, eu não posso andar!" 

Ao qual eu respondi imediatamente, num tom confiante, mas intimamente apreensiva: 
"- Claro que podes Mariana!"

A turma parou muito preocupada meio estonteante com aquilo que estava a acontecer. Levantei-te e muito pacientemente, passo a passo, quase percorrendo uma eternidade, levei-te ao quadro muito agarrada a mim. 
Amparei-te e tu, pela primeira vez, sentiste o toque do giz, pela primeira vez sentiste a emoção de escrever no quadro. Pela primeira vez, estiveste em pé, de igual para igual. Pela primeira vez, sentiste-te o "quase" firmamento das tuas pernas e por momentos sentiste a magia de todos te aplaudirem. Foi um momento extraordinário para todos nós, sobretudo para ti. Tu sorriste! Sorriste com alma! Sorriste porque aquele foi o teu momento! Sorriste porque afinal, por segundos, foste capaz! 

Tenho a convicção que ainda hoje esta história é contada por todos que a partilharam, quanto mais não seja, quando se cruzarem na rua com uma pessoa de cadeira de rodas. O ensino, a aprendizagem é muito isto... 

Todas as vezes que tínhamos aulas, era o dia de a Mariana ir ao quadro. 
Esse dia mudou-te a vida! Mudou a nossa vida nas aulas! Os teus colegas já não se esqueciam de ti... deixaste o teu "canto solitário" e ganhaste amigos! 
Mas as coisas não ficaram por aqui, tu precisavas da tua autonomia... da tua liberdade... do teu voar. 

Um dia lembrei-me, um dia agi... Desenvolvi uma ação para a conquista da tua cadeira elétrica... Os alunos estavam eufóricos com a ideia e tu, Mariana, passaste da sombra para a luz da ribalta. Na escola todos falavam contigo, deixaste de pertencer só àquela turma e passaste a ser de toda a escola. Com muito esforço lá conseguimos, Mariana, conseguimos libertar-te... conseguimos mais um pouco da tua felicidade! Tudo em nome de ti! Tudo em nome da generosidade de todos, até mesmo daqueles que um dia desistiram do teu voar. 

Obrigada, Mariana, por me teres tornado uma pessoa melhor. 

E foi assim... foi assim que descobri a complementaridade do meu " eu". Foi assim que me tornei uma pessoa mais generosa, mais tolerante, foi assim que nasceu o meu sonho, o meu sonho impossível que se tornou possível! 

Para espanto de todos tornei-me uma de vós. Recordo-me, como se fosse hoje... os comentários à minha decisão passavam pela incompreensão de me tornar "A professora dos deficientes". Tanto preconceito... tanta ignorância! 
Mas é curioso... o Amor é um afeto altamente contagiante! A incompreensão dessa altura tornou hoje essas pessoas em verdadeiras forças no que concerne à luta pelos direitos dos "meus meninos especiais"! 

E foi assim... que fui embora dessa escola pois tinha de concorrer... trazendo comigo todos os Andrés e todas as Marianas que outrora desconhecia. 

E no ano seguinte... no ano seguinte concorri para uma escola onde havia uma vaga na educação especial. Hoje reconheço que foi um ato de coragem, pois não tinha qualquer formação ou experiência nesta área, à exceção do caso do André e da Mariana. Todavia, foram eles que me deram a força! 
E como não queria defraudar os meus futuros alunos (mesmo que nessa altura não fosse necessária qualquer formação) iniciei a minha especialização em educação especial, tinha urgência de abraçar não só emocionalmente mas também cientificamente este mundo que um dia me assustou. 

No ano seguinte... no ano seguinte... esperavam-me outros "meninos/jovens especiais", sem eu o saber "já estava escrito nas estrelas".
Manuela Cunha Pereira
In: Educare

O cidadão com deficiência numa sociedade em crise

A Organização Mundial de Saúde - OMS - estima que 10% da população é portadora de alguma deficiência e que dessa faixa de população, metade é portadora de deficiência mental. 
Assim, em Portugal, para uma população a rondar 10 milhões de pessoas, haverá um milhão de pessoas com deficiência. Um universo a ter em conta, mesmo que nesse vasto universo parte tenha uma vida com suficiente autonomia e independência pessoal. 
São muitos cidadãos os que, nesta sociedade em crise, submetida a cortes e a restrições cegas, estão sujeitos à exclusão e submetidos à pobreza. 
Estão em causa direitos elementares, fundamentais. 
E os cortes na saúde caem dramaticamente sobre essas pessoas, num silêncio marcado pelo fatalismo e perante a indiferença de muitos que consideram que para essa população não compensa investir. 
É uma população com especiais necessidades de cuidados de saúde, particularmente necessitada de medicação, pelo que mais sujeita e mais dependente das comparticipações e das deduções fiscais. 
É uma população com especiais necessidades de intervenção para corrigir ou minorar deficiências e limitações físicas. As restrições orçamentais que venham a cair sobre essa população serão violências inadmissíveis. Também a permanência nas listas de espera sem justificações técnicas são inadmissíveis. 
Os gastos com próteses e outros auxiliares como cadeiras não podem cair sobre essas pessoas ou sobre suas famílias. Estão em causa e ferem direitos fundamentais. 
Custa aceitar, revolta que um incapacitado tenha que contribuir com 50 euros para um Atestado Médico de Incapacidade Multiuso. 
A população com deficiência anda na vida com os estigmas que lhe fazem companhia permanente. Não deixam de ser sujeitos de direitos para que esses estigmas sejam minorados. 
A vida das pessoas com deficiência não pode ser atingida com restrições orçamentais. 
Os cortes e as restrições nos programas educacionais são atentados aos direitos fundamentais. 
Cortar nos apoios escolares, não dar possibilidade às escolas para proporcionarem aos alunos carenciados de técnicos especializados nas terapias da fala, fisioterapia, terapias ocupacionais e outras terapias específicas e que se considerem necessárias para o desenvolvimento da criança com deficiência transgride todas as normas internacionais, nomeadamente aquelas que estão bem expressas na Convenção das Nações Unidas que o Estado português assinou e a que se obrigou dar cumprimento. 
Mas se o cidadão com deficiência anda na vida enredado e excluído pelos estigmas que lhe são próprios, também no emprego a sua situação de deficiente tem limitações. Com mais probabilidade que os outros será desempregado, porque não pode acompanhar seus concorrentes com leis de trabalho centradas nos valores sagrados da produtividade e da competitividade. 
E nesta crónica não chamei ao assunto os impedimentos a empregos que se recrutam pelos aspectos físicos e de corpos bem feitos e com medidas estabelecidas, porque nesses a exclusão é total e sem recurso. 
O cidadão com deficiência anda na vida com muitas dificuldades. São poucos aqueles que por si mesmos podem superar as limitações. Assim terá que fazer uma vida dependente dos familiares, porque as pensões vitalícias e de invalidez são pequenas esmolas que não chegam para matar a fome. Essas pessoas, se no espaço familiar não encontram aceitação, nada mais lhes resta que compense continuar a viver. 
Não é possível viver com pensões de 200 euros. Também não são as promessas de aumentos de 3,5% que vão garantir o pão na mesa do deficiente. Recomenda-se aos nossos governantes a leitura atenta e comprometedora da Convenção da ONU sobre Direitos da Pessoa com Deficiência, assinada por Portugal.
Manuel Miranda
miranda.manel@gmail.com

domingo, 4 de dezembro de 2011

Associação Leque vence prémio de voluntariado


Associação Leque vence prémio de voluntariado



A Leque - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais, de Alfândega da Fé, distrito de Bragança, venceu a segunda edição do prémio Manuel António da Mota.
Este prémio, instituído pela Fundação Manuel António da Mota, tem o valor pecuniário de 50 mil euros, sendo que esta segunda edição tinha como objetivo premiar "organizações promotoras de voluntariado que se distingam no desenvolvimento de atividades e projetos inseridos em programas de voluntariado de relevante interesse social e comunitário".
O júri entendeu que a Leque se distinguiu entre 10 finalistas pelo facto de dar uma "resposta integrada", designadamente por apoiar diretamente crianças com deficiências, mas também dar apoio "psicossocial" às suas famílias.
Pesou também o facto desta associação estar instalada numa área do território nacional (zona sul do distrito de Bragança) pouco servida por equipamentos que deem resposta a este problema. (...)
O anúncio da candidatura vencedora foi feito este domingo à tarde, no âmbito de uma conferência no Palácio da Bolsa, no Porto (...).

Leque - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais

Criada em 2009, a Leque - Associação Transmontana de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais, de Alfândega da Fé, Bragança, inaugurou em Novembro a nova sede na antiga Casa do Povo. A criação de um centro de noite e de uma fábrica de brinquedos adaptados são os próximos projetos.

Ateliês de cozinha, jardinagem e até estágios numa cabeleireira e esteticista da localidade são alguns dos projetos promovidos pelo Centro de Atividades Ocupacionais da Leque.
Ali, no edifício cedido pela autarquia e segurança social e recuperado pelo financiamento de 40 mil euros atribuído pela Fundação EDP, funcionam também, de segunda a sexta-feira, as várias terapias, como a psicomotricidade, literacia ou fisioterapia. Os utentes da Leque também têm a oportunidade de usufruir de asinoterapia e de balnoterapia (banhos turcos e massagens).
A associação conta com dois funcionários contratados. Dez voluntários garantem diariamente o funcionamento do centro. Quando há atividades especiais, chegam a ser entre 50 a 60 aqueles que se oferecem para ajudar.
Atualmente, são 17 os frequentadores da associação. "Leques", como a presidente Celmira Macedo lhes prefere chamar. A responsável contou que aquele nome foi escolhido para a associação porque se pretendia fazer face a um leque de dificuldades com um leque de soluções.
O primeiro projeto a arrancar foi a escola de pais, inédito em Portugal, cuja primeira experiência decorreu em Bragança. Ali se ensina aos pais a lidarem com a diferença dos filhos e falar sobre as suas preocupações.
Brinquedos inclusivos
Para o futuro, a Leque pretende avançar com a criação de uma fábrica onde se produzam jogos e materiais inclusivos. A unidade deverá ficar instalada em Alfândega da Fé e metade dos funcionários serão pessoas com necessidades especiais.
Em entrevista, Celmira Macedo exemplificou o tipo de materiais que se pretende produzir com um porco em miniatura. O brinquedo deveria ter marcado o nome do animal em Braille e emitir o seu grunhido. Assim poderia ser utilizado ao mesmo tempo por uma criança cega, uma criança surda e outra sem limitações.
Outro dos projetos é a criação de um centro de noite, para colmatar uma necessidade das famílias.

Manutenção do subsídio aos docentes de educação especial

Relativamente ao texto publicado no dia 11, com o título Manutenção do subsídio aos docentes de educação especial, convém fazer uma retificação. Pelos vistos, segundo informação divulgada pela colega Cristina Reis, via facebook, não foi, efetivamente, eliminada a alínea do Orçamento do Estado que revoga a gratificação dos professores de educação especial. Estes professores perderão mesmo essa remuneração.
A proposta registou os votos contra do PS, PSD e CDS e os votos a favor do PCP e do BE.

Olimpíadas para incentivar uso do Braille




Perto de uma centena de pessoas de todo o País participaram ontem nas primeiras Olimpíadas do Braille, uma iniciativa da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, que decorreu no Auditório do Metro, em Lisboa.

"O Braille caiu em desuso porque há software de voz que permite ouvir o que está no computador e há livros em áudio. Mas o Braille é fundamental para escrever bem", disse Graça Gerardo, da ACAPO.

Marta Costa, de 9 anos, que veio de Cuba, no Alentejo, cegou quando tinha 6 anos, devido a um tumor. "Desde o 1º ano que aprendo braille na escola, estou um bocado nervosa", confessou. A prova foi aberta a professores e familiares e no final houve prémios para os melhores.

sábado, 3 de dezembro de 2011

"Somos iguais, somos diferentes"


Vídeo selecionado e adaptado pela professora de educação especial Eliana Silva, da Escola Secundária Dr. Jorge Correia - Tavira.

«Somos iguais, somos diferentes», para comemorar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.


Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Veja como o poderá realizar



No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, nada melhor do que dar a palavra a estes cidadãos. Assim, publico a mensagem dos cidadãos com deficiência dirigida aos membros dos  governos de Portugal, difundida através da Associação Portuguesa de Deficientes (APD).

Vocês,
Construíram estradas, centros culturais, pontes mas… mantiveram as barreiras nos passeios, nas escolas, nos edifícios públicos, nos transportes.

Promulgaram uma lei sobre ensino que fala de inclusão mas … criaram turmas “especiais” onde só estão meninos com deficiência.

São pródigos em discursos onde abundam palavras como inovação, empregabilidade, sustentabilidade mas … que na prática se traduzem em despedimentos por inadaptação, controlo das contratações, mobilidade.

Investiram milhões no BPN mas … reduzem em milhões o orçamento da saúde, da educação, da justiça.

Concederam-se chorudas pensões vitalícias que podem acumular com vencimentos no sector privado mas… legislaram a suspensão da pensão social de invalidez a quem ganhar mais de 167,69 euros.

Mantiveram os benefícios fiscais da banca mas …reduziram os benefícios fiscais aos trabalhadores e reformados com deficiência.

Agora exibem-nos um Programa de Emergência Social que confirma a nossa condição de pobres.

Caridosa e apiedadamente vão-nos distribuir alimentos e medicamentos em fim de prazo, bastando para tal que façamos prova da nossa qualidade de indigentes.

Estamos certos que esperam o nosso reconhecimento e gratidão.

Mas não, nós pessoas com deficiência não vos estamos reconhecidos. Vocês defraudam as nossas expectativas. Mantêm, no geral, os obstáculos à nossa inclusão na sociedade. Impedem-nos de fazer parte do desenvolvimento da sociedade. Relegam-nos para um plano secundário, indiferentes às nossas propostas, às nossas soluções. O resultado é que a nossa actual situação é a de sempre: marginalizados, isolados, pobres.

Usando do atributo de cidadãos de pleno direito que a Constituição da República Portuguesa nos confere, acusamos-vos:

De não respeitarem a lei

Não honrarem os compromissos internacionais que assumiram

Malbaratarem os recursos que tiveram à vossa disposição

E exigimos práticas e políticas que garantam o pleno e igual gozo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência e o respeito pela sua dignidade inerente.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Esclerose múltipla: Doentes jovens atirados para lares por falta de alternativas

Doentes jovens com esclerose múltipla são "atirados" para lares por falta de alternativas, uma lacuna que a Sociedade de Esclerose Múltipla quer colmatar, mas falta-lhe os meios para construir o equipamento, uma vez que já tem terreno e projeto. 

Nas vésperas de mais um congresso anual da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) e do Dia Nacional da Esclerose Múltipla (4 de Dezembro), a presidente da instituição apela às entidades públicas para que apoiem a construção de uma casa de cuidados continuados para acolher estes doentes.

A construção deste equipamento tem sido uma luta de há vários anos da SPEM, um "sonho" que, segundo Manuela Neves, está perto de se concretizar: "Já temos terreno doado pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e projeto, faltam os meios para construir e equipar. Esperamos que as entidades públicas sejam sensíveis a isto".

A Esclerose Múltipla, que afecta cerca de 6000 portugueses, surge em regra entre os 20 e os 35 anos, e é mais frequente nas mulheres. Por ser uma doença incapacitante, muitos doentes são encaminhados ainda jovens para lares de terceira idade.

"Uma coisa tão simples como pegar num molho de legumes e fazer uma sopa, há quem não o possa fazer e fica muito caro pagar a alguém para o fazer", elucidou Manuela Neves.

Muitos destes doentes têm poucos recursos financeiros porque já não trabalham e vivem de apoios sociais. Outros já estão reformados com pensões "miseráveis porque tiveram um carreira contributiva nula ou muito curta".

Muitas vezes, adiantou, estas pessoas acabam por ser tratadas pelos pais.

"Em muitos casos, os pais já precisam de ser cuidados e ainda são cuidadores", lamentou, acrescentando: "Estes doentes chegam a um ponto em que são atirados para lares de terceira idade porque são as únicas estruturas existentes".

"Uma médica da Covilhã contou-me o caso de uma doente na casa dos 30 anos que está numa cadeira de rodas, com uma capacidade inteletual de 100 por cento e que diz: Os meus amigos têm mais de 80 anos e, todos os dias, morre um", contou.

Manuela Neves reiterou a necessidade de avançar com a construção do lar, com capacidade para 50 utentes, para que estes doentes tenham um acompanhamento específico e possam conviver com pessoas da mesma idade e que sofrem do mesmo problema.

A escolha de Oliveira do Hospital para a instalação deste equipamento social deve-se à centralidade do concelho, mas também ao facto de ser um clima mais frio, que é bom para os portadores de esclerose múltipla, explicou.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica e degenerativa do sistema nervoso central que interfere com a capacidade de controlar funções como a visão, a locomoção ou o equilíbrio.

Os sintomas mais frequentes da esclerose múltipla são falta de força em um ou mais membros, alterações da visão (visão dupla ou perda de visão de um dos olhos), alterações do equilíbrio e da coordenação e alterações da sensibilidade.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Manutenção do subsídio aos docentes de educação especial

Segundo informações da colega Cristina Reis, via facebook, por proposta do PCP, mantém-se o subsídio mensal aos docentes de educação especial, nas condições em que vinha a ser atribuído. Ver a proposta de alteração 46C-1.