quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Considerações: avaliação dos alunos com NEE

O processo de identificação dos alunos com NEE, parece-me, do ponto de vista conceptual, razoável. Após a referenciação fundamentada, pressupõe que uma equipa multidisciplinar avalie a situação do aluno em causa e indique ou sugira as medidas que melhor poderão corresponder às suas características e necessidades. Até aqui, tudo bem!
O problema coloca-se na aplicação destas intenções e na visão política do que se entende por “aluno com NEE”!
O Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7de Janeiro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 21/2008, de 12 de Maio, indica que compete ao Departamento de Educação Especial e ao Serviço de Psicologia a elaboração do relatório técnico-pedagógico, podendo recorrer-se a outros serviços especializados, quando tal o justifique.
No entanto, poucos Agrupamentos possuem um psicólogo. Esta falha condiciona, à partida, a maioria das avaliações dos alunos, uma vez que as suas dificuldades estão, normalmente, associadas a problemas cognitivos.
A legislação em causa pressupõe o recurso a outros serviços, como centros de saúde, centros de recursos especializados. Acontece, porém, que este diploma restringe a sua acção à Educação e não interfere no domínio da Saúde nem da Segurança Social. A minha experiência leva-me a concluir que a legislação deveria ser conjunta aos três ministérios ou deveria haver articulação efectiva entre eles, para dotar ou facultar às escolas os recursos, sobretudo humanos, que permitissem dar respostas eficazes, integradas e articuladas. Os técnicos de saúde colaboram dentro da sua disponibilidade e sensibilidade para estas questões. A Segurança Social intervém nos casos de manifestas carências socioeconómicas.
Relativamente à caracterização dos alunos com NEE, verifiquei, aquando do processo de monitorização, efectuado pela Equipa de Apoio às Escolas, que estes devem ter, quase na sua totalidade, o rótulo directo ou eufemístico de “deficiente”.
Verifiquei, também, com muito desagrado e alguma revolta, que os alunos propostos com base na avaliação centrada ao nível da “actividade e participação”, independentemente do qualificador de desempenho, foram indicados pela equipa para nova reavaliação alegando falta de um relatório clínico que utilize o rótulo “deficiente”. Enquanto Coordenador do Departamento de Educação Especial, considero que, ao nível dos procedimentos propostos pela legislação actual, não existem as condições necessárias para os aplicar com eficácia! A realidade é esta! É-nos exigido mas não nos concedem as condições mínimas necessárias para podermos corresponder às exigências!

Ministério vai analisar avaliação no final do primeiro período

O Ministério da Educação concordou em reunir-se no final do primeiro período escolar com os sindicatos e com o Conselho Científico da Avaliação dos professores para perceber se o processo está a pôr em causa o funcionamento das escolas. A garantia foi dada ontem pelo secretário geral da Fenprof, Mário Nogueira, na ocasião que serviu para anunciar uma nova manifestação organizada pela Plataforma sindical de professores, contra as políticas educativas, a realizar a 8 de Novembro. (...)

Fenprof marca nova manifestação para 8 de Novembro

Os professores regressam às acções de luta a 8 de Novembro, com uma manifestação nacional de protesto em Lisboa contra as políticas educativas e o ambiente vivido nas escolas, anunciaram hoje sindicatos do sector.
Em conferência de Imprensa promovida pela Plataforma Sindical dos Professores, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou a convocação de uma manifestação que será "um momento de partida para reiniciar a luta no período 2008/2009".
"Oito meses depois da manifestação de 8 de Março, os professores vão voltar à rua contra as políticas educativas do Ministério da Educação e contra o clima muito complicado e de sufoco que se vive nas escolas", afirmou Mário Nogueira. Actualmente, decorrem negociações entre a tutela e os sindicatos representativos dos professores, para alterar o diploma que rege o concurso de colocação de docentes, que termina a 30 de Outubro. Caso seja accionada a negociação suplementar, haverá mais duas reuniões, sendo que a segunda decorrerá, segundo os sindicatos, por volta de 10 de Novembro.
Mário Nogueira sublinhou que a manifestação convocada "não será comparável à de Março", que mobilizou cerca de 100 mil professores, porque não é esse o objectivo. A 8 de Novembro, os manifestantes vão concentrar-se no alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, e percorrerão o caminho até ao Ministério da Educação, na avenida 05 de Outubro. O sindicalista precisou ter sido muito importante escolher uma data que permitisse "expressar o descontentamento da classe", mas "também intervir caso o ME não tenha acatado as propostas apresentadas".
Mário Nogueira adiantou também que o Ministério da Educação aceitou a proposta de realizar uma "reunião tripartida com os sindicatos e o Conselho Cientifico de Avaliação dos Professores" para fazer um "balanço rigoroso do que se passa nas escolas". "Tem que perceber-se se a avaliação de desempenho está a por em causa o desempenho e a afectar o funcionamento normal das escolas. Se estiver, têm que ser tomadas medidas, que podem ir da simplificação à suspensão", frisou.
O porta-voz aproveitou ainda para se desmarcar da manifestação marcada para 15 de Novembro por vários movimentos cívicos de professores, em Lisboa: "É uma iniciativa que, pela forma como está a ser organizada e promovida, demonstra um tom anti-sindical", afirmou. "As manifestações e lutas devem sempre ajudar a unir e servir para construir. Os sindicatos já voltaram a construir essa unidade para os professores, pelo que apelamos que todos os movimentos se juntem à manifestação de 08 de Novembro".
Para Mário Nogueira, isto deve acontecer "sem qualquer sectarismo, sem qualquer exclusão e divisão", uma vez que nada se ganha a fragilizar os sindicatos: "Não há nada que se construa e não há unidade que exista sem sindicatos", frisou.
Comentário:
Perante a convocação de uma manifestação para o dia 15 de Novembro, a Fenprof antecipa-se marcando uma para o dia 8, afirmando que a primeira é encarada como um movimento anti-sindical. Não será a manifestação do dia 8 anti-movimentos cívicos de professores? Não seria mais sensato aproveitar esta onda de conjugação de esforços dos professores, e os sindicatos apoiarem-na, colaborando, incentivando à luta? Não contribuiriam, desta forma, para fortalecer a união da classe docente?
Ou, pelo contrário, querem colaborar com o ME, dando uma imagem de fragilidade do corpo docente? Alguém tem dúvidas do descontentamento dos docentes com a actividade sindical actual? Os factos confirmam-no! Alguns membros de direcções sindicais já manifestaram publicamente o descontentamento com o acordo celebrado pela plataforma sindical e a adesão à manifestação marcada para o dia 15!
Vamos aguardar pelascenas dos próximos dias...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Estudo revela que álcool reduz volume cerebral


Investigadores norte-americanos revelaram que quanto mais álcool uma pessoa ingerir, mais pequeno será o seu volume cerebral total, aumentando o risco de demência. Apesar de muitos estudos demonstrarem que o consumo moderado de álcool pode ser bom para o coração, esta pesquisa vem mostrar que a bebida não evita a perda do volume cerebral acarretada pela idade.
Carol Ann Paul, da Faculdade Wellesley College, em Massachusetts, e colegas estudaram 1.839 adultos, com uma média de idade de 60 anos, que fizeram parte do estudo "Framingham Offspring", que começou em 1971. Entre 1999 e 2001, os participantes submeteram-se a uma ressonância magnética e a exames de saúde. Os sujeitos do estudo relataram o número de bebidas alcoólicas consumidas por semana, assim como a idade, sexo, educação, altura, índice de massa corporal e perfil de risco de acidente vascular cerebral (AVC) de Framingham, que calcula o risco de AVC com base na idade, sexo, pressão sanguínea e outros factores.
O estudo, publicado na " Archives of Neurology", revelou que foi observada uma significativa relação linear negativa entre o consumo de álcool e o volume cerebral total.
Durante o estudo os cientistas perceberam que os abstémios convictos tinham a menor perda cerebral. Em seguida, e por esta ordem, vinham os ex-consumidores, os consumidores moderados e os consumidores abusivos.
A tendência era mais visível em mulheres do que em homens, o que se pode dever à maior sensibilidade feminina aos efeitos do álcool e à menor massa corporal.
Quem bebia mais do que 14 doses por semana tinha o cérebro em média 1 por cento menor do que os abstémios. Em geral, o volume cerebral diminui cerca de 2 por cento por década.
Vários estudos indicam os benefícios cardíacos do consumo moderado de álcool, mas o consumo excessivo pode provocar problemas graves e fatais, especialmente no fígado e cérebro.

Invisuais portugueses assinalam Dia da Bengala Branca com exibição de "Ensaio sobre a Cegueira"

O filme "Ensaio sobre a Cegueira", baseado na obra homónima de José Saramago, é hoje exibido no Fórum Lisboa por iniciativa da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) para assinalar o Dia Mundial da Bengala Branca.
Depois da estreia polémica nas salas de cinema nos Estados Unidos, no iníco de Outubro, o filme é hoje exibido publicamente pela primeira vez em Portugal, pelas 21:30, bastando apenas que o público faça um donativo de cinco euros à ACAPO para entrar no Fórum Lisboa, na Avenida de Roma.
A Federação Nacional dos Invisuais dos Estados Unidos organizou um protesto contra a imagem que estava a ser passada na longa-metragem, por associar esta deficiência física a um comportamento hostil que motivaria o fim da civilização.
Realizado pelo brasileiro Fernando Meirelles, "Ensaio sobre a Cegueira" - que conta as interpretações, entre outros, de Julianne Moore e Gael García Bernal - tem ante-estreia marcada para dia 29 de Outubro, na cidade da Horta (Faial), durante o Festival de Curtas-Metragens "Faial Films Fest", que decorre entre 27 de Outubro a 04 de Novembro.
De acordo com a distribuidora Castello Lopes, o filme estreia nas salas de cinema do país a 13 de Novembro.

Projecto Científico MHADI sobre a fiabilidade e utilidade da CIF

O Parlamento Europeu promoveu no dia 16 de Setembro, em Bruxelas, uma Conferência de Alto Nível para apresentação dos resultados da investigação conduzida pelo Projecto Científico MHADI sobre a fiabilidade e utilidade da CIF. MHADI é uma rede de Universidades Europeias que realiza estudos de ponta, tendo conduzido um projecto a nível internacional financiado pela Comissão Europeia do qual resultou um conjunto de Recomendações sobre a utilização da CIF pelos diferentes sectores, incluindo o da Educação. As Recomendações estão disponíveis em: www.mhadie.it. Espanha, Irlanda, Itália, Suíça e Portugal foram alguns dos países convidados a apresentar os seus processos de desenvolvimento em curso sobre a utilização da CIF.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

MP3 pode provocar perda de audição

A Comissão Europeia alertou hoje, em Bruxelas, que ouvir leitores de música pessoais com o volume elevado durante períodos prolongados pode provocar "lesões auditivas permanentes", nomeadamente a perda de audição.
Um parecer emitido pelo "Comité Científico dos Riscos para a Saúde Emergentes e Recentemente Identificados" mostra que 5 a 10% dos utilizadores de aparelhos tipo MP3 poderão perder a audição se o fizerem durante mais de uma hora por dia, todas as semanas, com o volume elevado, durante pelo menos 5 anos.
Os cientistas, que elaboraram o parecer a pedido da Comissão Europeia, confirmam que "há motivo de preocupação" e Bruxelas vai agora "analisar" com os Estados Membros e as partes interessadas as medidas que podem ser adoptadas para melhor proteger as crianças e os adolescentes da exposição ao ruído dos leitores de música pessoais e de outros aparelhos semelhantes.
"As descobertas científicas indicam um risco claro e temos de reagir rapidamente. Mais importante ainda, precisamos de sensibilizar os consumidores e tornar esta informação do domínio público", sublinha a Comissária Europeia responsável pela Defesa do Consumidor, Meglena Kuneva.
O executivo comunitário aconselha os utilizadores de leitores de música pessoais a tomar, desde já, "certas precauções muito práticas", como sejam verificar se é possível fixar no seu aparelho um limite máximo para o volume, a fim de manter o volume mais baixo, ou baixar manualmente o volume, devendo ter o cuidado de não utilizar o leitor de música pessoal durante períodos prolongados, para protegerem a sua audição.
Expresso Online

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Professores preparam nova manifestação em Lisboa

Vários movimentos de professores agendaram uma manifestação para 15 de Novembro, em Lisboa, em protesto contra o modelo de avaliação de desempenho que afirmam estar a provocar "enorme cansaço e saturação" entre a classe.
"A implementação do modelo de avaliação de desempenho está a provocar um cansaço e saturação enormes entre os professores, que passam horas e horas a preencher grelhas, fichas e planos que não têm nenhuma repercussão positiva na qualidade das aulas e no processo do ensino e das aprendizagens", afirmou Octávio Gonçalves, coordenador do Movimento Promova.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável adiantou que a iniciativa está a ser divulgada através de blogues, sms e e-mail, pelo que é de esperar uma "significativa" adesão dos docentes, sendo o lema do protesto "uma escola, um autocarro".
"O sentimento dos professores é que simplesmente não há nada para negociar. Rejeitam o modelo de avaliação de desempenho dos professores e o seu fundamento, que é a divisão da carreira em duas categorias hierarquizadas", acrescentou Octávio Gonçalves.
JN Online

Professores desiludidos com a actual escola

Uma certa manhã, há mais ou menos um ano, Manuela Medina teve uma epifania. "Estava a ir para a escola e pensei: eu vou trabalhar… Eu, antigamente, nunca ia trabalhar, eu ia para a escola porque ser professor não pode ser encarado como um trabalho, onde se é obrigado a ir." Foi ali que decidiu pedir a reforma.
Essencialmente, tomou a decisão por causa da "desvalorização completa da função de professor". Manuela Medina, foi sempre activa na defesa dos direitos dos professores. Foi uma das fundadoras do Sindicato de Professores da Zona Norte e conseguiu com que, após o 25 de Abril, fosse aprovado "um dos mais avançados estatutos da carreira docente da época". Agora, "esta ministra veio dar uma marretada completa a tudo o que foi conquistado".
Discorda também das aulas de substituição. "São a maior fantochada que se possa imaginar. A medida teoricamente até é correcta, mas da maneira como são dadas não vale a pena." Os alunos e os pais também não saem muito bem na fotografia. "Há uma indisciplina, uma má-criação e um desinteresse total. Os miúdos não têm a noção do que podem dizer e fazer. Aqui, os pais têm muita, muita responsabilidade."
Todavia, na sua opinião, de há três anos para cá, a falta de respeito para com os professores "agravou-se com a desvalorização do seu papel levada a cabo pelo Ministério. Por esse motivo, considera que a ministra da Educação, e quem a escolheu, também se encontram entre os principais responsáveis pela grande indisciplina que actualmente se verifica.
Manuela confessa que quando recebeu os papéis da reforma sentiu "um alívio imenso" e beijou toda a gente. Um ano depois, não tem qualquer angústia e diz que muitos estão à espera de fazer o mesmo. "Encontro colegas meus, das mais variadas escolas, e estão todos à espera de vir embora, com uma ânsia enorme de abandonar a escola. Há cinco anos pensava: isto bateu no fundo, agora vai melhorar. Mas cada vez afunda mais e não vejo uma luz ao fundo do túnel. Estou muito pessimista para o futuro das nossas gerações".
Comentário:
Este é mais um exemplo, na primeira pessoa, do clima de desmotivação e de alguma angústia que vai grassando nas escolas portuguesas. É, também, o reflexo sintomático do rumo que a política educativa nacional está a seguir, fruto de mentes alucinadas que defendem hoje aquilo que anteriormente criticavam!

Mais 710 docentes entram na reforma em Novembro

Só em Novembro, serão 710 os professores que se vão aposentar. Muitos docentes pedem a antecipação da reforma mesmo sendo penalizados. Desilusão, desânimo e cansaço são alguns dos motivos apontados para as saídas precoces.
O êxodo dos professores continua e o mês de Novembro bateu todos os recordes, com 710 docentes a entrarem na reforma no próximo dia 1. Comparando os números da Caixa Geral de Aposentações relativos aos anos de 2007 e 2008, verifica-se que nos últimos dois meses, os pedidos de aposentação quadriplicaram em termos homólogos. No ano passado, tinham-se reformado nos meses de Outubro e Novembro 272 professores e educadores de infância. Este ano, o número é de 1032.
No total, já pediram a reforma 4531 docentes em 2008, o que dá uma média superior a 400 aposentações mensais. Este aumento não seria muito relevante se o motivo da aposentação fosse o limite de idade. No entanto e como o JN deu conta na semana passada, há cada vez mais reformas antecipadas.
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desvalorizou a notícia do JN dizendo que os aumento se deviam à alteração da lei que, por ter aumentado a idade da reforma para os 65 anos, motivou mais antecipações. Mas, só em 2014 é que esse limite vigorará, sendo que actualmente bastam 61 anos e seis meses de idade e 33 anos de serviço para um professor se aposentar sem penalizações.
Segundo várias opiniões ouvidas pelo JN junto de sindicatos e professores recém-aposentados, os principais motivos para as antecipaçõess prendem-se com as transformações levadas a cabo pelo Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues. No topo das críticas está o novo Estatuto da Carreira Docente, especialmente no que diz respeito à avaliação dos professores, mas o novo regime de gestão das escolas, as aulas de substituição, o alegado facilitismo e o aumento da carga burocrática que está retirar tempo para a preparação das aulas foram também frequentemente referidos.