quarta-feira, 24 de junho de 2020

A escola que cabe num ecrã deixou muitas respostas incompletas

Se em Março o factor surpresa obrigou a encontrar soluções de recurso, o início do próximo ano lectivo terá de trazer outras respostas que garantam um acesso universal e inclusivo para todos, dizem vários professores (...).

No meio da pandemia, o programa Estudo Em Casa, com conteúdos para os alunos do 1.º ao 9.º anos, fez com que a escola pudesse entrar dentro de casa de todos os portugueses através da televisão, lembra Paulo Almeida, director do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira, em Rio Maior.

"Mas é preciso voltar rapidamente à normalidade", lembra este professor de matemática chamado a dar aulas na televisão, que considera um "massacre" encher os alunos de aulas por videoconferência.

Quando começou a dar aulas em 1979, Helena Amaral foi colocada na então telescola, cujo programa era orientado pelas aulas transmitidas pela RTP. Nunca imaginou que, prestes a terminar a carreira, tivesse de voltar a socorrer-se do pequeno ecrã.

"Logo que as escolas foram fechadas, eu achei que o melhor era abrir aulas na televisão, porque acho que a televisão chega a todos", argumenta. Sem saber como será o próximo ano lectivo, esta professora primária elogia os professores que, quase sem tempo para se prepararem, se disponibilizaram para construir uma sala de aulas para as câmaras.

Mas, no próximo ano, estas aulas terão de ser repensadas. "Não há temas que vão crescendo. Há uma aula sobre um assunto. Acaba-se isso, passa-se à frente. E os pequenitos não aprendem assim. Aprendem quando nós estamos ali a moer", explica.

Helena passou as férias da Páscoa a experimentar as ferramentas que iria utilizar nas suas aulas à distância. Todos os dias faz uma videochamada com a turma do 4.º ano que acompanha na Escola Parque Silva Porto, em Lisboa, e todos os dias lhes envia um plano com fichas, questionários, jogos didácticos ou apresentações para eles prepararem. Para o ano irá começar um novo ciclo com uma turma de primeiro ano e este modelo não serve para os mais novos.

Na outra margem do Tejo, Alexandra Costa debate-se com o problema de tentar ensinar matemática do oitavo e nono anos através do Zoom, a plataforma de vídeochamadas que todos os professores passaram a conhecer nos últimos meses.

Há alunos que não estão a conseguir resolver os exercícios "mesmo com os vídeos explicativos que eu muitas vezes gravo, com os resumos, com as apresentações. Se já em aula, eles precisavam que estivesse constantemente a dar um empurrãozinho, agora eles não conseguem avançar."

Mas também há os alunos que se revelaram pela positivo durante o confinamento. Aqueles que já possuíam algumas competências, autonomia e capacidade de auto-regulação, "tornaram-se ainda mais autónomos" e "com maior capacidade de gerir as suas aprendizagens".

O ano lectivo termina esta sexta-feira, e ainda não se sabe como irão regressar as aulas em Setembro. Alexandra Costa acredita que terá de haver um plano para "agarrar os alunos que se perderam nestes meses".

Os que ficaram com matéria atrasada, os que não conseguiram ter um computador ou uma ligação à internet em casa, os que não têm no lar um ambiente propício para estudar, os que já estavam afastados da escola e que a pandemia atirou para ainda mais longe. "Nós perdemos esses alunos, muitos perdemos. E isto é inadmissível".

Fonte: Público com vídeo

terça-feira, 23 de junho de 2020

Há um linha telefónica que disponibiliza apoio nas aplicações de ensino a distância

Para além das aplicações de Comunicação, a “Linha Somos Tod@s Digitais” disponibiliza agora apoio nas aplicações de ensino a distância, através da linha de telefone gratuita 800 100 555, que está disponível diariamente entre as 12h00 e as 20h00.

Com uma nova normalidade imposta pela pandemia COVID-19 e o início do desconfinamento, a maioria das escolas continua a manter o ensino a distância. Contudo, com o regresso dos pais ao trabalho, muitas crianças ficam à guarda de avós ou outros cuidadores que, muitas vezes, não têm conhecimentos básicos sobre a utilização de meios digitais para poder apoiar estes estudantes na sua interacção com as escolas.

Assim, através da linha de telefone gratuita estes cuidadores de crianças do ensino básico poderão colocar todas as dúvidas relativamente às aplicações do Microsoft Teams, Google Classroom e Google Meet, as mais utilizadas pelas escolas portuguesas. Através dos websites www.somostodosdigitais.pt ou www.somostodasdigitais.pt estarão também disponíveis vários tutoriais explicativos sobre estas aplicações.

Para a validação dos conteúdos das aplicações de ensino a distância mais utilizadas no ensino básico, o projecto conta com o apoio da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica Manuel António Pina (APMAP).

«Este apoio às Aplicações de Ensino a Distância é mais uma iniciativa que surge na sequência do trabalho que tem vindo a ser realizado pelo INCoDe.2030, no apoio à população com menos competências digitais, e que, neste contexto actual da COVID-19, faz ainda mais sentido. Sendo a educação um dos pilares da nossa sociedade, torna-se fundamental que todos tenham acesso à informação e sabemos que esta linha será um veículo essencial para quebrar esta e outro tipo de barreiras», explica Nuno Feixa Rodrigues, coordenador geral do INCoDe.2030,

O projecto “Somos Tod@s Digitais” é uma iniciativa do programa INcoDe.2030 que reúne esforços de diversas entidades nacionais para ajudar a população portuguesa, com menos competências digitais, a ultrapassar da melhor forma os constrangimentos sociais provocados pela COVID-19.

A iniciativa é coordenada pelo Digital Transformation Colab (DTx) e conta com o apoio da operadora NOS e da Fundação para a Ciência e Tecnologia, através da sua Unidade de Computação Científica Nacional (FCT/FCCN).

Fonte: DN por indicação de Livresco

Escolas integram projeto de Educação Inclusiva

A Escola Secundária de Viriato, na cidade de Viseu, e o Agrupamento de Escolas Latino Coelho de Lamego foram convidados para integrar o projeto piloto Educação Inclusiva nas Modalidades de Dupla Certificação. O convite para a participação foi feito pelo Gabinete do Secretário de Estado da Educação e pela Direção Geral de Educação (DGE), Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) e Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP).

Coordenado pela Escola Técnica Profissional da Moita, o projeto tem como objetivos principais promover o sucesso escolar dos alunos com incapacidade, inscritos em modalidades de dupla certificação (cursos profissionais), conduzindo à sua certificação; implementar um modelo de acompanhamento e de avaliação que é co-construído com a tutela, com as escolas e com os alunos e as famílias; potenciar uma transição com sucesso numa vida pós-escolar destes alunos.

Para garantir uma representatividade territorial e abranger um maior número de práticas e contextos, foram também convidadas a Escola Josefa d´Óbidos (Óbidos), Agrupamento de Escolas Monserrate (Viana do Castelo), Agrupamento de Escolas de Beja, Agrupamento de Escolas Padre Benjamim Salgado (Vila Nova de Famalicão) e Escola Secundária de Loulé.

Fonte: Jornal do Centro por indicação de Livresco

segunda-feira, 22 de junho de 2020

O Modelo de Ensino a Distância Pós-Covid VS Abandono Escolar Precoce

Nesta mudança súbita do ensino presencial para o ensino a distância, a formação dirigida aos jovens em risco de exclusão social depara-se com um enorme desafio: garantir o não abandono escolar precoce!

A substituição inesperada do ensino presencial pelo ensino a distância, na maior parte das instituições de ensino, demonstrou a inexperiência da maioria dos gestores e docentes no ensino com recurso à tecnologia. Porém, com um esforço coletivo, o sistema de ensino nacional respondeu de imediato ao obstáculo COVID 19. Todos os gestores, docentes e discentes demonstraram coragem e resiliência face à transição repentina do método de ensino! Mas como decorreu esta mudança em formação dirigida a jovens em risco de exclusão social? Jovens com insucesso no ensino regular, que agarraram uma última oportunidade, frequentando um curso de formação, com esperança de obter a escolaridade obrigatória?

Constate-se que a atuação educativa em Portugal, até março de 2020, foi determinante para a redução gradual da taxa de crianças e jovens, menores de 18 anos, em risco de pobreza e de exclusão social, que em 2015 rondava os 30% e, em 2018, atingiu o valor de 21,9%.

A promoção de Cursos de Educação e Formação, Cursos de Aprendizagem ou Cursos Profissionais, tutelados pelo IEFP ou pelo Ministério da Educação (Segunda Oportunidade-Programa 20), foram cruciais para a inclusão, na sociedade, de jovens com mais de 15 anos, que não trabalham e não concluíram a escolaridade obrigatória.

Perante o novo método de ensino, acredita-se que estes jovens não estavam preparados para tais mudanças. Apesar de a maioria interagir nas redes sociais, grande parte deles apresenta iliteracia digital. Para além disso, a carência de recursos destes jovens impossibilitam, na maior parte das vezes, o acesso ao conhecimento, manifestando-se, assim, a desigualdade de oportunidades. Para formandos que, muitas vezes, não dispõem de telemóvel, computador ou internet, o ambiente de aprendizagem virtual é impossível. A alternativa de enviar os suportes pedagógicos por correio poderá colmatar tal impossibilidade. Contudo, o isolamento social destes jovens, ao longo do estado de emergência, culminou em dois fatores determinantes: por um lado, o aluno desiste facilmente perante qualquer obstáculo de aprendizagem; por outro, neste contexto pandémico, adquiriu novas rotinas de dificultam o processo de ensino/aprendizagem. Novos horários de sono, dificuldades económicas na família devido ao aumento de desemprego e/ou condição de lay-off, desmotivação perante o aumento de tarefas semanais pedagógicas (comparativamente com o ensino presencial), entre outros fatores.

A necessidade de reprogramar o plano de formação, de reorganizar a implementação do processo formativo e o sistema de acompanhamento e avaliação, surgiu inesperadamente no percurso formativo destes jovens, que só conheceram o insucesso escolar até então. E agora? Será que vão abandonar a sua última oportunidade para obterem a escolaridade obrigatória? Acredita-se que as instituições formativas, promotoras de formação para estes jovens, perante as evidências e resultados decorrentes desta experiência nos últimos dois meses, já assumiram a necessidade de adotar medidas especiais para um público-alvo especial. O isolamento social destes jovens, sem contato direto com formadores, assistentes sociais e psicólogos, pode desencadear um crescimento exponencial de abandono escolar precoce. O afastamento "escolar" do aluno impossibilita, de alguma forma, o diálogo genuíno e direto com a equipa que o apoia diretamente na instituição de formação.

Considerando a incerteza de até quando se manterá este modelo de ensino a distância na educação nacional, sugere-se, neste contexto, um modelo pedagógico adequado a jovens que, naturalmente, na fase pré-Covid, já estavam desmotivados para o ensino. A adoção de uma estratégia pedagógica mais próxima e individualizada, do formando, talvez permita contrariar o inequívoco abandono da escola.

Perante os resultados pedagógicos e evidências obtidos nos meses de abril e maio na formação dirigida a este público-alvo, considera-se que o novo ano letivo deverá ser reprogramado contemplando preferencialmente o sistema B-learning, que contempla a combinação do ensino a distância com sessões presenciais, garantindo, como é óbvio, a segurança das equipas docentes e técnicas, bem como dos formandos.

O Ensino B-Learning, dirigido a estes jovens, deve permitir intercalar momentos de ensino presencial com momentos de ensino a distância. A par das sessões assíncronas e síncronas, o discente deverá, no mínimo, reunir-se um dia por semana com cada um dos formadores, bem como com o assistente social e psicólogo. Em grupos reduzidos (máximo de 5 alunos), poderão ser promovidas sessões presenciais para esclarecimento de dúvidas, promoção de motivação para a continuidade no curso, apoio psicológico para a manutenção da sanidade mental, para além da continuidade das sessões de práticas simuladas. Em cursos profissionais, é fundamental estabelecer, nesta fase, um equilíbrio entre a componente teórica e prática, ou seja, os centros de formação poderão adotar um sistema rotativo que permite a cada formando deslocar-se à escola somente um dia por semana; numa semana assistirá um dia às aulas teóricas para esclarecimento de dúvidas; na semana seguinte, assistirá um dia às práticas simuladas e assim sucessivamente. A adaptação dos espaços físicos a esta nova realidade exigirá aos gestores de formação adotarem medidas de segurança e de proteção muito rigorosas.

Caberá aos docentes e gestores pedagógicos analisar, antes do início do ano letivo 2020/2021, a estratégia mais adequada para garantir a não exclusão social e escolar destes jovens, nomeadamente padronizar os suportes pedagógicos para um sistema de ensino B-learning, reorganizar os horários para formação assíncrona, síncrona e presencial, readaptar o espaço físico às exigências da DGS, lançar uma unidade móvel de formação, como medida excecional para jovens com mais dificuldade de aprendizagem, entre outras ações. Enfim, medidas especiais, para jovens especiais! Vamos abraçar esta causa e não permitir que a taxa de jovens em pobreza ou risco de exclusão social aumente neste contexto COVID 19!

Carla Luís

Fonte: DN por indicação de Livresco

domingo, 21 de junho de 2020

A verdadeira Liga dos Campeões é a educação

Muitas vozes se levantaram a denunciar o silêncio e inação do Ministério da Educação. Correndo o risco de esquecer algumas pessoas, Alexandre Homem Cristo, Carla Castro, Fernando Alexandre, João Miguel Tavares, Luís Aguiar-Conraria, Maria João Marques, todos escreveram, alguns repetidamente, sobre a forma como seis meses sem escola comprometem o futuro de uma geração. Hoje, junto-me ao coro de indignadas e indignados.

No site da UNESCO, há uma página dedicada aos encerramentos de escolas devidos à pandemia da covid-19. O mapa animado permite segui-los ao longo do tempo. No final de março, o mundo todo surge coberto por um manto roxo (escolas encerradas em todo o país), com muito poucas exceções cor-de-rosa (escolas encerradas em algumas regiões do país). Nessa altura, 91,3% das alunas e alunos do mundo estavam fora da escola. A partir de dia 10 de abril, começam a surgir manchas azuis, que é a cor dos países que reabriram escolas.

Na quarta-feira, sobravam 62,3% dos alunos afetados por encerramento de escolas. Uma parte substancial destes estão nos continentes sul-americano e africano, onde persiste um encerramento quase total das escolas. Em África, é uma catástrofe humanitária. Durante a epidemia do ébola, houve um aumento de abusos sexuais e gravidezes nas adolescentes. Esta semana houve um apelo de várias organizações, devido ao risco acrescido de mutilação genital por as meninas estarem fora da escola. Mas não é só em África que a escola é um instrumento de controlo social para situações de risco. Na semana passada, a Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil anunciou um preocupante aumento nas denúncias de situações de crianças que estão a trabalhar, sobretudo na restauração. Também há um agravamento da violência doméstica, que vitimiza especialmente mulheres e crianças.

Ainda segundo o site da UNESCO, neste momento, na Europa, a norma é ter escolas a funcionar. Vários países já abriram todas as escolas: França, Suíça, Áustria, Croácia, Estónia, Suécia, Noruega. Todos os outros, à exceção de Portugal, Itália e Irlanda, estão abertos de forma “localizada”, que é como quem diz, com algumas partes do país fechadas e outras não. Fazemos, portanto, parte da minoria de três países com escolas encerradas.

Em todos estes países, foi necessária criatividade para reorganizar o ensino em face da pandemia. Algumas escolas estão abertas em dias alternados, horários parciais, com aulas ao ar livre. Na Bélgica, a opção no ensino secundário foi chamar às escolas apenas os alunos que em fevereiro estavam com maior dificuldade de progresso na aprendizagem. Houve quem mudasse de ideias. De novo na Bélgica, onde inicialmente apenas os alunos do sexto ano iam regressar às escolas por estarem em fim de ciclo, o governo acabou por voltar atrás e colocar todas as crianças do ensino básico na escola com horário normal e turmas completas. Macron, que tinha as escolas abertas a meio gás, anunciou esta semana que a partir de segunda-feira todos os alunos do primário e secundário vão estar na escola de forma obrigatória, com horário completo.

E no ano letivo que aí vem? Por enquanto, o que está anunciado é um programa de 400 milhões para equipamento digital. Mas caramba, se o ensino à distância funciona tão mal, será apenas por falta de equipamento? A equipa do economista Raj Chetty, da Universidade de Harvard, teve acesso a informação da plataforma de ensino de matemática à distância Zearn, que já era utilizada por muitas escolas antes do confinamento. O gráfico mostra o número de sessões completadas numa semana de confinamento, comparadas com o pré-confinamento, por código postal. Ou seja: 0% quer dizer que não mudou nada, -60% quer dizer que há uma quebra de 60% no progresso das crianças. Os resultados estão à vista: os códigos postais correspondentes a zonas mais ricas tiveram uma pequena quebra inicial, mas os jovens rapidamente se adaptaram à nova realidade e voltaram ao progresso pré-covid. Já nas áreas geográficas medianas ou pobres as quebras atingem 60%. Se isto se explicasse por falta de meios técnicos, seria demasiado fácil. O problema é que nas famílias com menos educação, empregos menos flexíveis e maiores angústias económicas ligadas à crise, as crianças estão sem ajuda frente ao ecrã.


Para colmatar o atraso das crianças desfavorecidas, são precisas horas de contacto presencial com docentes. É por isto que em Inglaterra o governo vai organizar programas de recuperação no verão e já anunciou um plano de contratação de tutores (se preferir, explicadores) para colocar nas escolas em setembro, ao serviço dos alunos que perderam o comboio da aprendizagem nestes meses de confinamento. Segundo a Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência, na publicação “Perfil do Docente” do ano letivo 2017/2018, os docentes com mais de 50 anos são 48% no terceiro ciclo, 52% no segundo, 38% no primeiro e 51% no pré-escolar. Em face do risco da covid-19 ligado à idade, por aqui é mesmo urgente reforçar recursos humanos, em vez de comprar Magalhães.

No meio disto tudo, onde está o ministro da Educação? Pode ser que tenha excelentes razões para não acompanhar os seus parceiro europeus na abertura das escolas. Mas então tem obrigação de as partilhar connosco. Pode ser que tenha informação sobre o sucesso do ensino à distância diferente da que tem sido anunciada, a última das quais pela própria Fenprof, que dizia que mais de metade dos professores não conseguia contactar com todos os seus alunos. Duvido. Uma das partes mais inaceitáveis do silêncio do ministro é a absoluta falta de estatísticas oficiais sobre o grau de cobertura do ensino à distância. Será mesmo que Tiago Brandão Rodrigues não quer saber? Ou será que os números que tem na secretária são tão maus como os da Fenprof e ele não quer que nós saibamos?

Afinal, não era preciso procurar muito para encontrar o ministro da Educação. Estava na quarta-feira em Belém regozijando-se com o país político em peso devido à escolha de Portugal para acolher meia dúzia de jogos de futebol. O espetáculo mediático, em direto do Palácio de Belém, foi confrangedor. Nada menos do que o Presidente da República, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o ministro da Economia, a ministra da Saúde e ainda o secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Para além de Tiago Brandão Rodrigues, claro. Que ele sabe o que realmente importa para o futuro do país e não ia perder esta festarola. Senhor ministro: a verdadeira Liga dos Campeões é a educação. Já chega de fingir que não é consigo.

Susana Peralta

Fonte: Público

sábado, 20 de junho de 2020

Como promover o processo de ensino-aprendizagem em crianças com dificuldades de aprendizagem?

Os alunos com dificuldades de aprendizagem, entre outras questões, tendem a sentir maior dificuldade na aquisição de aptidões importantes para melhorar os seus desempenhos académicos. Contudo, estes alunos são capazes de aprender, tal como qualquer aluno, mas a um ritmo diferente e através de ferramentas pedagógicas específicas, importantes de conhecer.

Por norma, quanto mais cedo forem diagnosticadas e implementadas as medidas mais adequadas para as ultrapassar, melhor será a capacidade de resposta da criança, ao nível da produtividade e da própria eficácia, muitas vezes, ilustrada nos resultados. Se conhece e contacta regularmente com crianças com este tipo de perfil, mãos à obra! Há imensas estratégias e metodologias que quando devidamente implementadas podem fazer a diferença e alcançar real sucesso.

Antes de mais, nunca devemos esquecer que, em termos gerais, as dificuldades de aprendizagem específicas não têm cura na medida em que resultam de uma disfunção neurológica permanente. Representam assim, um enorme desafio para a educação em geral: como transmitir conhecimento a estas crianças? Na atualidade, já dispomos de métodos de ensino com resultados comprovados, assim como cada vez mais profissionais da área da educação capacitados para lidar com a diversidade e especificidade das diferentes dificuldades de aprendizagem.

Importa ter em consideração que educar os alunos para a vida não significa apenas transmitir conteúdos, mas também ensiná-los a viver de forma autónoma, a serem responsáveis, a se relacionarem com os outros e auxiliá-los na construção de um projeto de vida. Neste sentido, cada professor saberá encontrar, em simultâneo, a melhor estratégia para apelar à motivação e interesse de cada aluno procurando promover, não só o gosto pelo conhecimento, pela aquisição do saber, assim como desenvolver alguns vetores essenciais, inerentes à compreensão, à autoestima, ao respeito por si, pelo outro, à tolerância, à interajuda/cooperação, comunicação, de forma a tornar-se um cidadão realizado e produtivo. Trabalhar numa ótica inclusiva, mediante a integração de atividades lúdicas costuma ser uma boa ferramenta. O objetivo é estimular a criança a desafiar as suas próprias limitações, de uma forma despretensiosa e a aceitar que, apesar de todos serem diferentes, com características muito específicas, todos somos iguais na demanda de um objetivo comum, a aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem podem, todavia, manifestar-se, atenuar-se ou mesmo acentuar-se no decorrer das diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência e vida adulta), como tal, é essencial saber dominar um vasto leque de ferramentas para as conseguir colocar em prática sempre que se considerar necessário.

Existem várias ferramentas educacionais, (muitas até já pertencem às rotinas diárias de algumas salas de aula) que, quando corretamente elaboradas e implementadas, podem fazer a diferença no processo de ensino-aprendizagem. A título exemplificativo, salientamos apenas alguns aspetos aparentemente simplistas, mas muitas vezes capazes de marcar a diferença:

- Plano de Trabalho - Observação e compreensão: é fundamental que o professor conheça bem a turma para que consiga elaborar um plano de trabalho eficiente através dos meios adequados e ao seu dispor;

- Avaliação - É uma das principais formas para conhecer as reais dificuldades do aluno e as suas necessidades, permitindo depois, em função dos resultados, implementar novas estratégias específicas de aprendizagem capazes de ajudar a superar os problemas evidenciados.

- Contextualização - Além de relacionar os assuntos com o quotidiano dos alunos, é importante estabelecer uma relação entre os conceitos e conteúdos e as respetivas disciplinas.

Os professores são assim fundamentais na identificação de eventuais dificuldades de aprendizagem do aluno. Podem assim, assumir um papel essencial no futuro de cada aluno a vários níveis, quer como observadores e analistas, quer como figuras de apoio. É igualmente importante que os próprios alunos reconheçam essas capacidades no professor. Por exemplo, ao caminhar pela sala de aula e verificar de perto a forma como os alunos participam nas respetivas atividades, o professor está a exercer o seu papel de observador. E quando faz algum comentário em relação a uma eventual dificuldade manifestada por determinado aluno está a cumprir o seu dever de analista.

Por outro lado, quando dá uma orientação específica a um aluno com o intuito de que este consiga superar uma determinada dificuldade, orientando-o para o caminho para a respetiva resolução.

Para além da formação académica, durante o ano letivo, cada professor tende a desenvolver e a colocar em prática vários conhecimentos adquiridos através da sua formação contínua e/ou da sua prática pedagógica. No entanto, essa conjugação de saberes e competências, por si só, embora muito relevante, não encerra por si e nem sempre é capaz de conferir respostas adequadas a cada caso, até pela diversidade e complexidade de situações apresentadas que muitas vezes ultrapassam a área do ensino e cruzam-se com outras áreas do saber (como a medicina, a psicologia, a psicopedagogia, a psicomotricidade, o domínio da linguagem).

Neste sentido, a chave para a promoção de práticas educativas cada vez mais inclusivas passa pelo trabalho em parceria, colaborativo, com equipas multidisciplinares capazes de conferir respostas eficazes e atempadas que vão ao encontro das reais necessidades de cada aluno. A conciliação de sinergias tanto na identificação como nos processos de avaliação e intervenção tornam-se fulcrais para o sucesso educativo e para o bem-estar de toda a comunidade educativa.

Fonte: lifestyle por indicação de Livresco

Mais que a tecnologia, Unesco defende a relação professor/aluno na educação pós-pandemia

Depois dos desafios colocados à educação, em todo o mundo, por causa da pandemia de covid-19, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) propõe que, de maneira a esbater as desigualdades, se disponibilizem recursos educativos e tecnológicos gratuitos para professores e alunos. O relatório denuncia que a pandemia veio expor “vulnerabilidades e desafios” em todo o mundo.

A crise da covid-19 expôs uma “imagem clara das desigualdades existentes”, diz o relatório Nove Ideias para a Acção Pública - Educação, Aprendizagem e Conhecimento num mundo pós-covid-19, realizado pela Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação (CIFE), constituída por 17 individualidades, entre elas o embaixador de Portugal na Unesco, António Sampaio da Nóvoa, e tornado público nesta sexta-feira. 

No mundo existem cerca de 1,5 mil milhões de estudantes. Contudo, nem todos têm acesso à educação e, em tempos de confinamento e ensino à distância, muitos ficaram para trás. O texto dá como exemplo os alunos da África subsariana: apenas 11% tem computador em casa e 18% tem Internet, quando a média mundial é de 50% para o equipamento e 57% para o acesso à rede. “É particularmente importante que o mundo apoie os países em desenvolvimento com investimento em infra-estruturas educacionais do século XXI; isso exigirá a mobilização, recursos e apoio dos países desenvolvidos, em particular com o cancelamento da dívida, reestruturação e novos financiamentos”, defende Sahle-Work Zewde, presidente da Etiópia, que preside à comissão, no prefácio do relatório.

O abandono escolar poderá ser uma das consequências graves desta pandemia, o que vai levar a uma regressão de “várias décadas”, continua a responsável, sem esquecer o impacto na educação das raparigas. Serão sobretudo elas que poderão não voltar à escola, alerta o relatório que começa por elogiar os professores, a sua resposta e adaptação rápida às circunstâncias do ensino à distância, embora façam parte de um leque de profissionais que são “frequentemente mal pagos”, apesar de terem “grande importância social”.

As escolas fechadas podem levar ao aumento das desigualdades já que este é um espaço que além do ensino oferece outros serviços como alimentação — por vezes, a única refeição “decente” do dia — e bem-estar. “As escolas são espaços de vivência colectiva que não podem ser substituídos por ensino remoto ou à distância”, defendem os especialistas.

Tecnologia mas com salvaguardas

Esta crise de saúde que, como consequência, se tornou também uma crise económica veio mostrar a importância do ensino público, como este é “crucial” no combate às desigualdades, defende o texto. No entanto, os especialistas estão preocupados com as possíveis consequências da crise económica. Se, por um lado, haverá famílias que não conseguirão manter os filhos na escola; por outro, o financiamento da educação pode vir também a sofrer. Por isso, é pedido aos governos para “resistir às pressões para restringir os gastos com educação no futuro”. A comissão apela, assim, a que não só os governos mas também as organizações internacionais, civis e os cidadãos se mobilizem na protecção do ensino público e seu financiamento, alertando ainda para a necessidade de evitar a corrupção ou o desvio de fundos que devem ser aplicados nas escolas.

Embora a educação não possa acontecer fora do âmbito pedagógico e da relação professor/aluno, também não pode ficar refém da tecnologia — como se poderia supor com o recurso ao ensino à distância. Esta é uma “ferramenta formidável”, mas não pode ser uma “panaceia” e deve ser usada com cuidados de maneira a não comprometer a privacidade e a liberdade de expressão. “É uma ilusão pensar que a aprendizagem online é o caminho a seguir para todos”, diz o relatório.

A comissão defende ainda que os alunos sejam ouvidos neste processo e envolvidos nas decisões que lhes dizem respeito. Aliás, este procedimento democrático visa combater o ressurgimento de “políticas autoritárias”. No mesmo sentido vai a recomendação de construir currículos que dêem prioridade “à pessoa como um tudo e não apenas [transmitindo-lhe] competências académicas”. Preocupada com as fake news e a falta de informação, a comissão defende que se dê prioridade à literacia científica, assegurando um currículo com “fortes objectivos humanísticos”, em que se explore a relação entre factos e conhecimento, ajudando os alunos a “compreenderem e a situarem-se num mundo complexo”.
pdf

Nove Ideias para a Acção Pública - Educação, Aprendizagem e Conhecimento num mundo pós-covid-19 - CIFE, Unesco (versão em inglês) Descarregar

Fonte: Público

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Prémios ALL DIGITAL 2020

Até ao próximo dia 31 de julho, estão a decorrer as candidaturas aos prémios ALL DIGITAL 2020.

Os Prémios ALL DIGITAL pretendem reconhecer projetos inovadores na área da inclusão e coesão social, através da promoção de competências digitais, que promovam o enriquecimento e transformação de vidas dos cidadãos. 

A All Digital (anteriormente conhecida como Telecentre Europe) é uma associação, com sede em Bruxelas, que representa organizações membro da União Europeia que trabalham com centros de competência digital.

Para mais informações, visite https://all-digital.org/awards-2020/

Fonte: INR

quinta-feira, 18 de junho de 2020

18 de junho – Dia Mundial do Orgulho Autista

O objetivo desta efeméride é afirmar e defender os direitos das Pessoas com Autismo - que possuem capacidades e características diferentes - à autonomia, qualidade de vida e inclusão, por forma a quebrar a visão negativa ainda existente.


Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, as Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) são “ um síndroma neuro-comportamental com origem em perturbações do sistema nervoso central que afeta o normal desenvolvimento da criança.

Os sintomas ocorrem nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: social, comportamental e comunicacional”.

O dia mundial do orgulho autista celebra-se para conhecermos melhor as diversas faces do autismo: a que não consegue falar, a que não conseguiu aprender a ler, a que não consegue interagir, a que se irrita com barulhos, a que não se sente a vontade com estranhos, a que pela primeira vez brincou com os pais, a que consegue ficar na escola... enfim, ter orgulho de não esconder que o autismo é algo difícil de lidar, mas que não define quem a pessoa é. O que precisamos é aceitá-la com as suas limitações e reconhecer o seu potencial inato, incluindo aquela com espectro do autismo.

Esta data foi criada, em 2005, pelo Grupo ASPIES FOR FREDOM(AFF).

Mais informação em www.aspiesforfreedom.com

Fonte: INR

Qualidade educativa e inclusão na UE

A Comissão Europeia publicou um memorando de políticas que visa esclarecer os decisores políticos, sublinhando a importância da qualidade da educação e cuidados na primeira infância através da inclusão, sugerindo algumas soluções. 

O memorando introduz o que significa inclusão na educação em geral e, principalmente, na educação e cuidados infantis. Discute igualmente como a inclusão na educação infantil é entendida no atual contexto político da União Europeia (UE). 

O documento alerta para a existência de muitos fatores de discriminação e marginalização, entre os quais os apresentados na seguinte imagem:


Realça que os esforços na implementação das estratégias de educação “para todos” têm incidido, em particular, nas crianças com deficiência ou necessidades especiais, mas advoga que a educação inclusiva deve criar estratégias para todas as pessoas que são excluídas devido às suas origens migrantes, origens socioeconômicas desfavorecidas, entre outras.

São também apresentadas as conclusões de projetos recentes a nível da UE sobre como a inclusão é integrada em diferentes aspetos da qualidade na educação e cuidados na primeira infância, o que continua a ser um desafio, especialmente nos contextos sociais desfavorecidos.

Para mais informações sobre esta temática, consulte memorando: Strengthening the quality of early childhood education and care through inclusion / Reforçar a qualidade da educação e cuidados na primeira infância através da inclusão.

Fonte: INR