quarta-feira, 3 de junho de 2015

Perturbação auditiva afeta 5% das crianças

Segundo um estudo da Universidade do Minho (UMinho), 83% das crianças com baixo desempenho nos testes de perturbação de processamento auditivo ( PPA) feitos durante a pesquisa tinham notas inferiores aos restantes colegas. A PPA traduz-se na incapacidade em interpretar sons, sendo, por isso, diferente de surdez.

A autora, Cristiane Nunes, sublinhou que a PPA tem ainda consequências na socialização, na realização das tarefas do dia-a-dia, e, em alguns casos, na gaguez e na dislexia.

"Enquanto uma pessoa surda nem sempre consegue detetar os sons, a que tem PPA apresenta dificuldade em interpretar o que ouviu e em perceber mudanças acústicas rápidas. Além disso, costuma demorar mais tempo para processar a informação que passa pelo nervo auditiva", explicou a investigadora (...).

O trabalho foi realizado no âmbito do doutoramento feito no Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da UMinho, que começou pela elaboração de testes padronizados para a população portuguesa, recorrendo a uma amostra de 60 crianças dos 10 aos 13 anos, sendo que a base de dados contém atualmente mais de 500 pacientes.

Os resultados obtidos nos testes mostram que as crianças com problemas de audição apresentam maior dificuldade no desempenho escolar, na comunicação, na leitura, na escrita e na articulação.

"Algumas não conseguiram repetir, por exemplo, um conjunto de números depois de os ter ouvido ou distinguir entre sons curtos, longos, agudos e graves. Isso tem implicações na leitura, escrita, fala e na forma como a informação é interpretada", afirmou.

Os sintomas associados variam em função da idade e da intensidade da perturbação. Em crianças com menos de 5 anos, verifica-se um atraso na aquisição da fala e, especialmente, dos sons "r" e "l", o que as leva, muitas vezes, a pronunciarem "plato" em vez de "prato".

A partir dos 7 anos, recorrem a expressões como "hein?" e "quê?", são mais distraídos e não percebem de imediato o que dizem o professor e os colegas em contexto de trabalho de grupo.

"Sem tratamento, o problema arrasta-se para a vida adulta, tendo repercussões no sucesso profissional, social e amoroso", alertou Cristiane Nunes.

A investigadora revelou ainda que os diagnósticos de PPA podem ser obtidos a partir dos 6 anos e que a quase totalidade das crianças normaliza após a realização de exercícios e técnicas que estimulam a formação de novas conexões no nervo auditivo."O segredo está no tratamento precoce da perturbação", disse.

No CIEC há testes capazes de detetar os casos mais graves e que, se fossem aplicados no início do 1.º ciclo, contribuiriam para eliminar "pelo menos metade das ocorrências", acrescentou. "O objetivo é identificar os alunos mais afetados e reencaminhá-los para um audiologista ou terapeuta da fala."

O tratamento personalizado pode, por exemplo, ajudar em caso de gaguez e atraso na linguagem, além de munir as crianças disléxicas de estratégias para melhorar a sua leitura e escrita.

A investigação deu origem a um livro recentemente publicado que é o primeiro sobre este problema lançado no país. A PPA é discutida desde a década de 1950 nos Estados Unidos e, pelo menos, desde 1980 no Brasil. Em Portugal o tema ainda "é pouco abordado".

Fonte: JN por indicação de Livresco

Canais Disney com legendas para surdos

Os canais infanto-juvenis Disney Channel e Disney Junior legendaram algumas das séries, para que as crianças e pessoas surdas possam entender os programas.

Segundo José Serôdio, presidente do Instituto Nacional para a Reabilitação (INR), estava previsto que esta funcionalidade entrasse em funcionamento no próximo ano, mas a Disney Portugal antecipou a data para coincidir com o Dia Mundial da Criança.

A decisão surgiu depois do apelo feito por Rui Pinheiro, um pai que é surdo, aos canais, que queria assistir aos programas na companhia da filha. O pedido foi feito em dezembro de 2014 e gerou uma onda de solidariedade nas redes sociais.

Rui Pinheiro assumiu então a questão como "uma missão" e desafiou várias entidades a apoiarem esta causa, que responderam logo ao desafio. Uma dessas entidades foi INR, que supervisiona as políticas para a deficiência. Entre as séries que receberam legendas estão "Violetta" e "Star Wars Rebels", do Disney Channel, e "Doutora Brinquedos" e "A Casa do Mickey Mouse", do Disney Junior.

José Serôdio lembrou que a RTP tem "desde há muitos anos" o sistema de teletexto que permite às pessoas surdas acompanhar alguns programas que não são legendados, nomeadamente os programas infantis e de informação que não têm intérprete de língua gestual.

"Com o surgimento das televisões por cabo começaram a surgir outras televisões que têm outro tipo de programação", disse o presidente do INR, dando como exemplo o Disney Channel e o Disney Júnior em que, numa primeira fase, as séries eram em inglês e tinham legendagem.

Posteriormente, "com a política de que as crianças devem aprender mais rápido" a Língua Portuguesa, passaram a ser traduzidos e dobrados para português, o que fez com que as crianças surdas deixassem de poder compreender os programas.

José Serôdio salientou a importância de os programas serem legendados para que possam ser seguidos pelos surdos, mas também por crianças com algum tipo de necessidades especiais.

O INR tem vindo a pugnar junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social para que fossem incluídas nos programas das televisões nacionais a áudio descrição, a legendagem, a língua gestual e a linguagem fácil.

"É um trabalho que tem sido feito nos últimos anos e que tem sido gradualmente introduzido nas diversas televisões de acordo com as disponibilidades", disse.

"Tem havido um grande aumento de língua gestual e da legendagem na televisão pública e que tem sido seguida pelos canais privados. Esperemos que também seja alargada a outros canais e às outras produtoras de programas que estão nos canais codificados", rematou o presidente do INR.

Fonte: JN por indicação de Livresco

BE quer estudo epidemiológico sobre hiperatividade e normas para prescrição de medicamentos

O Bloco de Esquerda propôs hoje ao Governo a criação de uma norma de orientação clinica (NOC), para a prescrição de medicamentos contra a hiperatividade, e a elaboração de um estudo epidemiológico sobre a prevalência e incidência desta perturbação.

A sugestão surge a propósito da controvérsia que envolve o aumento dos casos diagnosticados e da medicação de crianças e adolescentes com perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA), nos últimos anos.

O tratamento medicamentoso da PHDA passa pela administração de Metilfenidato, aprovado em Portugal desde 2001, ou de Atomoxetina, que passou a ser coparticipada em 2014, ambos os medicamentos classificados como estimulantes inespecíficos do sistema nervoso central.

Fonte: Destak por indiciação de Livresco

terça-feira, 2 de junho de 2015

Castelo Branco: ESE organiza Congresso em Educação, Pedagogia & Inovação


O Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento da Infância (CeADIn) da Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), realiza nos dias 5 e 6 de junho o I Congresso em Educação, Pedagogia & Inovação, que tem como objetivo dar a conhecer a investigação realizada no âmbito da formação pós-graduada disponibilizada pela ESECB, bem como projetos educativos desenvolvidos em instituições educativas com as quais a Escola tem protocolos estabelecidos.

A temática central do congresso é "A inovação educativa e os desafios da educação para o séc. XXI", pretendendo-se que este evento seja uma oportunidade para o debate e a reflexão entre investigadores, professores e outros profissionais especialistas nas áreas das ciências sociais e humanas.

A iniciativa conta com a colaboração de professores de Instituições de Ensino Superior, nacionais e internacionais (Universidade de Salamanca e da Extremadura), com os quais a ESECB tem desenvolvido um percurso de partilha e de construção de conhecimento.

O programa inclui duas conferências:
  • (Re)Creio: Brincar é Preciso - Profª Doutora Ana Cristina Almeida-FPCE,UC;
  • Contextualización de la Investigación cualitativa en las Ciências Sociales: dela confrontación al continuum - Profª Doutora Mª Cruz Sanchez-Gómez; Mª Victoria Martin-Cilleros – Univ. Salamanca

Vinte e nove comunicações integradas em quatro painéis temáticos:
  • Práticas Pedagógicas e Formativas – Relatos e experiências integradoras;
  • Respostas e Desafios de uma Educação Inclusiva;
  • Experiências Educativas Inovadoras;
  • Experiências Inovadoras em Educação de Infância;
Seis workshops;
Quinze posters.

As inscrições podem ainda ser feitas em http://cepi15.ipcb.pt ou presencialmente na ESECB.

Fonte: Diário Digital de Castelo Branco por indiciação de Livresco

“Por estranho que pareça, eu sempre gostei da escola”

Aulas sem problemas disciplinares. Alunos a aprenderem através de conexões entre conteúdos. Educação envolvendo a comunidade. Pais cooperantes. É assim que Pedro Lobo, presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Guimarães, imagina a escola do futuro. O desafio era simples: pensar a escola de amanhã. O que seria preciso mudar? As respostas foram surgindo ao longo do dia com os contributos dos oradores, presentes no debate “A Escola do Futuro, Quando o Futuro é já Hoje”, realizado no passado dia 29 de maio, na cidade vimaranense.

O encontro promovido pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Guimarães ajudou para sinalizar alguns riscos do sistema educativo. A começar logo na primeira infância, do zero aos 6 anos. Teresa Sarmento, docente da Universidade do Minho, deixou claro que “brincar continua a ser a forma mais própria de as crianças viverem”. Por isso, pensar o seu futuro passa por perceber o erro de se lhes tirar a brincadeira “na tentativa de escolarizar a infância”. “É preciso viver com as crianças e deixá-las ser elas mesmas, na idade em que estão.”

Coordenadora de estágios em creches e jardins de infância, Teresa Sarmento não perdeu a oportunidade para criticar a organização do dia nestes espaços. “Assisto a uma constante parcialização do tempo, que se quebra para partir para outras atividades.” Sobre como deve ser a boa prática nestas instituições, a docente aconselha esta reflexão: “A criança faz escolhas ou obedece ao que já está estipulado pelos adultos?”

Partilhando o mesmo painel onde se abordava a primeira infância como pilar de um desenvolvimento sustentável, Margarida Silva Rodrigues, diretora de uma escola particular em Lisboa que recebe crianças de risco, lamentou as semelhanças ainda existentes entre a sala de aula do passado e do presente. E admitiu não ter grandes expectativas quanto a mudanças no futuro. “Os professores têm vontade de mudar, mas o ensino continua igual ao que sempre foi. As palestras ainda dominam o tempo de ensino.” A quem possa pensar o contrário, a diretora lembrou “a pressão imposta aos alunos e às escolas pelos exames nacionais, o aumento das horas curriculares e dos milhões gastos em quadros interativos que ninguém usa”.

Num cenário pouco animador, a também presidente da Associação High Scope Portugal ressalva a primeira infância como “a área onde se pode ter mais esperança”. Pois nela se encontram “os profissionais mais preparados para aderir à mudança”. O exemplo pode estar na escola que dirige, onde o futuro parece já ter chegado. Dos 4 meses aos 12 anos, a escola implementa o currículo High Scope, que parte da ideia de que a criança aprende a fazer. 

Num sistema educativo onde a pressão é muita, a saúde mental dos mais novos é outra das preocupações de Margarida Silva Rodrigues: “É fundamental que haja tempo nas instituições para criar vinculações sustentadas entre a criança e os educadores e as outras crianças.” Porquê? “Para que a criança possa ir construindo alicerces, independentemente do ambiente que tenha quando sai da porta da instituição.” Quanto à sinalização de situações de risco, a diretora advoga: “é preciso observar e compreender os sinais”. 

Sobre a adolescência, vista como um desafio à escola e um período de construção da identidade, Carlos Jorge Sousa, coordenador do Observatório das Comunidades Ciganas, constata que, apesar da formatação a que todos somos sujeitos, “nas escolas cada vez mais as diferenças emergem”. 

Por isso, “a questão não é o choque que nos causa, mas o modo como lidamos com as diferenças que nos abalam”, argumenta. Remetendo para o modo como os ciganos são ou não aceites na escola e na comunidade, Carlos Jorge Sousa criticou ainda o uso da expressão “de etnia cigana”. “A palavra etnia substituiu a palavra raça. Por isso, é bom que se tratem por pessoas ciganas ou ciganos.”

Luísa Moreira, coordenadora nacional do Projeto Fénix, cuja missão é auxiliar a aumentar o sucesso educativo, fez duras críticas à “cultura de retenção” praticada nas escolas portuguesas. Aos professores, pediu reflexão sobre o modo como trabalham: “Se os alunos não aprendem, muitas vezes o mal está no processo de ensino.” Ao Ministério da Educação e da Ciência (MEC), que “conheça a realidade das escolas com crianças mais desfavorecidas e entenda que precisam de reforços”. À assistência de técnicos da CPCJ, docentes e educadores, Luísa Moreira lembrou: “Os meninos com famílias desestruturadas não têm menos capacidade para aprender, apenas menos possibilidades.” 

Ouvir alunos e pais
A escola do futuro terá de ouvir o que alunos e pais têm a dizer. Ponto assente no painel de Educação e Cidadania que trouxe à assistência as opiniões de nove jovens entre os 17 e os 22 anos, com percursos educativos muito diferentes. Do ensino científico-humanístico ao profissional, do público ao privado. Das ciências às artes. Jorge Correia, membro da CPCJ de Guimarães, foi colocando as questões. Algumas respostas surpreenderam. Outras já eram esperadas. 

O que se aprende na escola? Há um sentimento geral de que só no ensino secundário começaram a aprender o que lhes faria falta. Quem frequenta cursos científicos-humanistas acredita que esse sentimento será adiado até à entrada na Universidade. A passagem do ensino básico para o secundário continua a requerer adaptações difíceis. Sobrecarga de horários. Muitas disciplinas. E pouco tempo para participar em projetos e concursos. Mas pelo meio, ainda há quem, como o Rafael, admita: “Por estranho que pareça, eu sempre gostei da escola”.

Mudar o quê? Para Miguel são necessárias grandes mudanças, à semelhança do “bom velho exemplo” da Finlândia. “Há 30 anos que não mudavam nada e agora vão mudar tudo, mas em Portugal andamos sempre a mudar coisinhas.” Mudanças curriculares é também a sugestão de Bruno. Tem um gosto particular pela aviação. Por isso, gostava de poder aplicar esse interesse aos conteúdos das aulas. Entenda-se: “Há uma determinada matéria que todos aprendem da mesma forma, mas depois cada um devia poder aplicar esse conhecimento às áreas da sua preferência.”

As notas e as avaliações são o que mais irritam Nadir: “Decorar, chegar ao teste e tirar um 18 não significa ter mais conhecimento do que quem tire um 15.” Rafael diminuía o tempo de aulas para 30 minutos, “mais do que isso é saturante para os alunos e os professores”. Inês concorda: “A média de atenção de um adulto é de 20 minutos, nós temos aulas de 90 minutos, façam as contas!” 

Reduzir programas é outra ideia que reúne consenso no painel, assim como uma organização diferente do calendário letivo. Por exemplo, que encurtasse os três longos meses de férias, para espalhar mais dias de folga pelos três períodos. Ou mesmo o fim da segmentação de conteúdos em disciplinas. “Na Finlândia vão passar a ter tópicos e neles trabalham as diferentes matérias”, explica Miguel. 

Não é preciso ir para os países nórdicos para encontrar um estabelecimento de ensino a funcionar assim. Como ficou claro pela apresentação de Ana Moreira, coordenadora geral do projeto da Escola da Ponte, que durante 37 anos esteve sediada na Vila das Aves. A escola recebe alunos do pré-escolar ao 9.º ano e o currículo está organizado em núcleos de projetos. Não há disciplinas. Também não existem turmas. Os alunos trabalham em grupos de três e os professores são antes facilitadores de conhecimentos. 

A organização curricular da Ponte é bastante popular e tem merecido muitas dissertações e teses de mestrado. Inserida no painel “A Dinâmica Escola-Família”, Ana Moreira fala, por isso, de um outro aspeto talvez mais desconhecido: o papel dos encarregados de educação. “O envolvimento dos pais não é dizerem-nos o que está bem ou mal, implica uma corresponsabilização.” 

Para explicar à audiência o que nas palavras de Isabel Moreira, representante dos encarregados de educação da Escola da Ponte, “é normal na escola mas não é normal no país”, Ana Moreira acrescenta: “Os pais da Ponte não ficam no portão da escola, têm um cartão de acesso, andam pelos corredores e entram nos espaços de trabalho.”

O movimento associativo de pais representa 20% do universo dos alunos, reunindo cerca de duas mil associações, segundo as contas do presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP). Jorge Ascenção aproveitou a ocasião para lembrar que a participação é um direito constitucional. “Portugal tem uma das melhores leis da Europa no que toca às associações de pais. Muitos países nem a têm. Mas se calhar contam com pais mais envolvidos.” Mesmo assim, para o presidente da CONFAP, a importância da participação parental continua a ser óbvia: “Somos os principais clientes do que a escola tem para oferecer.”

Fonte: Educare por indicação de LIvresco

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Novo teste da fala despista perturbações em cinco minutos

Um novo teste desenvolvido pela Universidade de Aveiro e pelo Instituto Politécnico de Setúbal permite avaliar, em cinco minutos, se as crianças desenvolveram a linguagem adequada à sua idade, anunciou hoje fonte académica.

O instrumento chama-se Rastreio de Linguagem e Fala (RaLF) e é o único preparado para crianças que tenham o português europeu como língua materna, sendo aplicado a crianças em idade pré-escolar.

Desenvolvido por investigadoras da Universidade de Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o teste destina-se a auxiliar os profissionais de saúde e de educação a identificar perturbações em fase inicial, evitando o insucesso escolar.

"A grande mais-valia deste instrumento é permitir a realização de um rastreio de linguagem e fala de forma rápida, [aproximadamente cinco minutos] que ajude pediatras, enfermeiros ou educadores de infância, a perceber se a criança já adquiriu as competências de linguagem e fala fundamentais para a sua idade", explica Marisa Lousada, uma das terapeutas da fala e investigadora que desenvolveu o RaLF.

Marisa Lousada, que dirige o Curso da Licenciatura em Terapia da Fala da UA explica que o RaLF tem exemplos concretos que ajudam a clarificar os diferentes itens em análise, permitindo aos profissionais que trabalham com crianças em idade pré-escolar encaminhar as crianças que deverão realizar uma avaliação por parte de um terapeuta da fala.

"A atuação ao nível da prevenção permite uma identificação das perturbações em fase inicial, evitando o insucesso escolar, na medida em que uma grande percentagem de crianças com perturbação na aprendizagem da leitura apresentou previamente uma perturbação da linguagem oral", reporta, por sua vez, Ana Mendes, investigadora e docente do Instituto Politécnico de Setúbal.

O RaLF contempla três faixas etárias - até aos 04 anos, até aos 05 anos e até aos 06 anos - que contêm indicadores, ou seja, capacidades de fala, linguagem ou metalinguagem que descrevem marcos típicos do desenvolvimento linguístico em cada idade.

O RaLF, que a empresa Edubox da Incubadora de Empresas da UA se prepara para comercializar, é construído com base em dados linguísticos normativos e foi analisada a sua validade e fiabilidade.

Fonte: Sol por indicação de Livresco

Crianças com necessidades especiais com apoios cada vez mais reduzidos

As crianças com necessidades especiais têm cada vez menos apoio. A Segurança Social cortou no número de casos com direito a subsídio e, por causa da crise, muitos pais, que ainda recebem essa ajuda do Estado, estão a gastar o dinheiro noutras despesas essenciais.


Fonte: SIC por indicação de Livresco

A excepção à regra

Nasceu para baralhar as estatísticas. Tem uma cromossomopatia única no mundo e os médicos não lhe davam mais que umas horas de vida, dois dias no máximo. Maria tem 15 anos, vai fazer 16. Para contar a história é preciso falar da mãe, dos médicos, dos hospitais, do seu irmão Tomás e de Bagão Félix. Sim, foi o primeiro a receber Ana Rebelo, já desesperada por não haver uma escola que aceitasse a filha

Soube que alguma coisa não estava bem às 27 semanas, numa ecografia de rotina, acabadinha de chegar de férias, sentia-se lindamente. Aparentemente, o bebé tinha parado de crescer. Mandaram-na ficar em casa em repouso absoluto e pediram uma bateria de exames. Foi então que começaram a desconfiar de um problema genético. Até que chegou o veredicto: uma cromossomopatia que não é rara, é única no mundo.

Ana Rebelo tinha 25 anos na altura e passou-lhe tudo pela cabeça. Nem sabe ao certo em que pensou porque os acontecimentos sucederam-se. Para Maria, que nasceu para contrariar as estatísticas, uma cromossomopatia era pouca coisa. “Disseram-nos que ela tinha o coração hipoplásico [o lado que bomba sangue demasiado pequeno para o fazer funcionar] e que iria viver, no máximo, 48 horas. Entrei em stop.”

A interrupção da gravidez foi discutida, foi tudo discutido. Mas na data prevista, na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), essa sim já falecida, “a Maria nascia, depois de um parto difícil”. A mãe foi aconselhada a não ver o bebé para não criar laços ou expectativas, além de que não se conhecia exatamente a extensão das malformações. As primeiras horas foram uma eternidade. Maria acabaria por ser operada ao coração já com um mês. Pelo meio, hipertensão pulmonar e uma hérnia do hiato, que provocava refluxo e a fazia deitar fora o que comia.

Quando chegou aos cinco meses pensaram em operar. “Queriam mandá-la para casa com uma sonda gástrica, mas eu não aceitei, porque eram os pais que tinham de a colocar. Um tubo que se enfia pelo nariz e se errarmos o alvo perfuramos um pulmão e matamos a criança. No hospital é feito por médicos e enfermeiros. Foi operada e aos sete meses veio para casa.”

Finalmente em casa e a ganhar peso. Mas é a Maria, a que veio para desafiar as estatísticas. As coisas não ficaram por ali. Depois do terceiro dia, ao mudar-lhe a fralda, Ana reparou numa massa branca dentro do olho. “Pensei: estou louca, já estou a ver coisas. Desde que nasceu até aos sete meses no hospital vem para casa e vejo uma massa. Entrei em pânico, telefonei aos médicos todos que conhecia, marquei uma consulta no oftalmologista, levei-a de urgência e mal ele a observou viu logo. Sentou-se e nem foi preciso dizer nada. Encaminhou-a para o IPO – Instituto Português de Oncologia, e depois foi marcar a viagem para a Suíça, Lausanne – é lá que os olhos têm mais hipóteses de se salvar. Já não conseguimos fazer nada pelo da Maria. Que entretanto entrou em paragem cardíaca e em vez de dez dias ficou um mês e meio na Suíça. Veio medicalizada para Portugal e foi outra vez para Santa Marta. Ao contrário do que estávamos à espera, quando vieram os resultados das análises ficámos a saber que teria de fazer quimioterapia – seis ciclos.”

Foi nesta altura que Ana soube que estava grávida do Tomás, que tem uma diferença de 19 meses de Maria. “Fiquei feliz porque não calha duas vezes à mesma pessoa. E infeliz porque me disseram que não podia estar com a Maria ao colo por causa dos químicos. Mas tudo se gere.” E tudo se geriu.

“Isto é tão disparatado que me lembro de me chamarem ao Hospital de Santa Marta, a mim e ao meu marido, e pensar que por fim ia ter notícias da Maria, quando o médico chega ao pé de nós, muito sério, e diz: queria falar convosco por uma questão.

É que normalmente 95% dos casais que têm o primeiro filho assim divorciam-se. E eu pensei, isto não é normal.” Faz parte dos 5%.

Na verdade, nada era normal. Até ao ano e meio, Maria foi vivendo sempre a prazo, primeiro umas horas, depois umas semanas, depois uns meses. “Mas os prazos foram aumentando, já não me diziam que era mais uma semana ou até ao dia seguinte.”

Ana ficou na maternidade apenas as primeiras 24 horas após o nascimento de Maria. “Nos hospitais portugueses não há condições nenhumas. Era impossível, eu tinha pontos até às costas depois de ela nascer. Eles queriam que eu ficasse, mas ela já lá não estava, tinha sido transferida. Assinei um termo de responsabilidade e fui para casa.”

Ao quarto mês já trabalhava. “Fui eu que pedi à minha entidade patronal para voltar a trabalhar, porque pensei que ia ficar maluca, sempre sob uma carga tão negativa. Ia todos os dias de manhã ao hospital dar-lhe o pequeno-almoço, dar-lhe banho, ia trabalhar, voltava para almoçar com ela, regressava para o trabalho e voltava ao hospital no final do dia.” Num dia normal Ana passava cerca de seis horas no hospital.

A partir do ano e meio tudo começou a correr melhor. Mesmo assim, Ana lembra-se da relação cúmplice do Tomás com Maria. Afinal chegaram os dois a casa quase ao mesmo tempo. Ele assistiu a coisas que Matilde, agora com dez anos, não presenciou. A mãe lembra-se de entrar com Maria debaixo do braço e ir fazendo Tomás avançar com pontapés carinhosos no rabiosque para entrarem em casa porque não podia com os dois ao colo: “Vá lá, bebé, anda.”

“O Tomás viu a Maria muito mal. Viu a irmã a morrer. Volta e meia era uma questão de minutos chegar ao hospital para ela sobreviver. Ele tinha nove meses quando ela teve um problema grave e ficou internada. Penso que percebeu pela primeira vez que ela não voltava para casa e esteve três dias sem dormir, sem comer, sem sorrir. Pensei que também teria de ser internado. Quando a viu regressar começou a rodar, a rodar sentado no chão, até cair para o lado, parecia maluco. De alegria.”

O tempo foi passando e as ansiedades também. Nunca houve percentis ou planos, o que era preciso era viver o dia-a-dia, minuto a minuto. Mais tarde os problemas passaram a ser outros. “Não há qualquer sinal de ligação entre uma criança diferente e a sociedade, que não está preparada para a receber, para a incluir. Tivemos de enviar cartas à maluca, pedimos para ser recebidos até por Bagão Félix, que era então ministro da Segurança Social, e foi o único que nos recebeu e organizou todo o processo da Maria”, conta Ana.

Bagão Félix fica enternecido com a ideia de ter ajudado e quer recuperar esta memória. “Vivemos numa espécie de tecnocracia social. As dificuldades têm de ser resolvidas, mas o Estado não está preparado para isso, não tem omnisciência afetiva. É indispensável humanizar, mas a sociedade não está a tender para isso. Se eu tivesse de definir o principal mal da sociedade contemporânea, seria a indiferença e a banalização das coisas más”, diz.

Também com a ajuda da Fundação LIGA, Maria esteve na escola Tartaruga e a Lebre, primeiro, e no Jardim de Infância de Telheiras depois. “Nessa altura ainda havia apoio de educadora de ensino especial, agora já não há nada. Tive de arranjar um colégio, bati a todas as portas, fui a todas as escolas, e ninguém tinha vagas. Todos tinham, mas ninguém a queria. Até que descobri que ia abrir uma escola nova, o Colégio Oriente, e fui lá inscrever os meus filhos, que então já eram três. A relação não começou nada bem, e tive de os ameaçar de que mandaria fechar a instituição porque me diziam que a inscrição da Maria estava mal feita. Mas tudo se resolveu, funciona às mil maravilhas e a Maria está mais que integrada. Eu não me preocupo com absolutamente nada, tudo é partilhado, tenho reuniões com a psicóloga que a acompanha e faz o processo dela, falamos com a direção, tenho uma equipa de terapeutas que é exterior a trabalhar dentro do colégio e que sou eu que pago, mas a que eles abrem a porta, e desde então têm incluído mais meninos e corre tudo muito, muito bem.”

Mas Ana Rebelo sabe o que é ter de fazer valer os seus direitos, os direitos de Maria, dar-lhe uma vida plena. “A inclusão em Portugal é uma realidade muito difícil de encontrar, mas estes 15 anos ensinaram-me que uma criança com problemas tem de ter médicos por trás e tudo o resto é melhor se ela puder partilhar normalmente. Eu não tenho um curso de mãe de deficiente, os meus filhos não têm curso de irmãos de criança deficiente, os professores também não precisam de ter curso de professores de aluno deficiente. Claro que tem de haver equipas, e aí sim, o Estado tem de dar apoio nas escolas públicas. Não faz sentido haver inclusão até ao seis anos e de repente, a partir daí, não haver mais nada a não ser unidades de multideficiência em que põem crianças deficientes a viver com deficientes. Se aprendemos por mimetização, quando temos oito crianças com deficiência o que vai acontecer é que vão repetir os comportamentos umas das outras. Isso não é bom, não é saudável.”

E por isso Maria está sempre bem. É uma miúda serena, carinhosa e que transmite muita calma às restantes crianças da turma. Está inserida na pré, nos cinco anos, no ensino regular, e é um deles. Em tudo. No Centro Helen Doron do Parque das Nações, onde tivemos esta conversa, está a aprender inglês e já diz muita coisa, como “I love you”, que repete seguido de uma gargalhada. “Consegue criar um espírito de equipa e de amizade e transmite valores como a persistência. Os amigos vão para casa e dizem aos pais: ‘A Maria ontem não conseguiu fazer uma coisa e hoje a primeira coisa que fez foi tentar outra vez.’”

As crianças não são sempre o problema. Mariana Torres, responsável pelos centros Helen Doron em Portugal, conta uma história que se passou no centro de Odivelas, numa aula de demonstração, e que ilustra também a crítica de Bagão Félix e Ana Rebelo. No final da aula, duas mães dirigiram-se à secretaria e disseram que gostariam de inscrever os filhos mas não os queriam na mesma classe que uma criança que viram ali, numa cadeira de rodas (um deficiente motor). Mariana Torres foi chamada e acabou por agradecer às duas senhoras a sua presença e explicar que os seus filhos não tinham ali lugar.

Houve uma altura em que Ana se revoltava com estas situações. “Agora vejo que não fomos ensinados e temos medo do desconhecido. Por isso em breve vou lançar um projeto para mostrar à sociedade que estas crianças não são umas coitadinhas. O objetivo é abrir mentalidades, através de uma campanha nacional dinâmica, que vai apontar caminhos, soluções.”

Mas Maria faz muito mais coisas, está na equitação, por exemplo. Dos três irmãos, é a que tem mais atividades extracurriculares, tirando as terapias. A Ana pode pagar e sabe isso. As suas despesas mensais são, no total, perto de 5 mil euros: “Se a Maria não tiver de mudar uma prótese, refazer uma operação mal feita pela qual o médico não quis responsabilizar-se ou não tiver de viajar por qualquer motivo de saúde”, bem entendido. Até setembro de 2013,

Ana foi responsável por uma multinacional em Portugal e trabalhava quase 17 horas por dia para conseguir pagar as contas, até ao dia em que o pai morreu e ela decidiu despedir-se. Hoje tem a sua empresa, trabalha que se desunha, mas tem tempo para pensar. “E sou uma cigana a negociar terapias: 45 minutos custam mais ou menos 50 euros, mas eu pago 25”, ri-se.

Nesta matéria, Bagão Félix não tem dúvidas: “É aqui que o Estado tem de aplicar o princípio da subsidiariedade”, diz. “É nisso que se baseiam as prestações sociais, é para isso que servem.”

Em breve Maria fará uma grande operação à boca. Detesta tratamentos, podemos todos imaginar porquê. Adora gelatina e foi uma das primeiras palavras que disse, depois de alguma chantagem, confessou Ana. A primeira, todos adivinham qual foi... “Mãe.” Pronto, também foi com chantagem.

E agora, enquanto a Ana vai pensando no novo blogue e falando com a professora de Inglês, a beneficiária sou eu. É que nesta altura a Maria está ao meu colo e, à vez, vamos dando abraços uma à outra e, entre risos, exclamando “tão bom!” Isto sim, é terapia. Vá, roam-se de inveja.

Nota: Destacado no texto pelo autor e editor do blog.
Fonte: Jornal I

e-Acessibilidades - Projeto ICT4IAL

Encontra-se disponível um documento sobre e-acessibilidades, produzido pela Agência Europeia das Necessidades Especiais e Educação Inclusiva, no âmbito do projeto europeu ICT4IAL - http://www.ict4ial.eu/ - que pode ser descarregado, em formato doc. e pdf. da página web - http://www.ict4ial.eu/guidelines-accessible-information

Fonte: DGE

Controvérsias na avaliação da pobreza infantil

A pobreza infantil diz respeito aos indivíduos considerados como crianças no sistema estatístico, ou seja, com idade inferior a 18 anos. Pese embora o facto de esta definição de criança poder ser contestada, na realidade quando falamos de pobreza infantil esta é a unidade estatística de análise.
Todavia, os indicadores que utilizamos partem da avaliação do agregado familiar. Este constitui assim a unidade de medida. Necessariamente desta situação resultam incoerências e problemas, uma vez que efetuamos um diagnóstico sobre um elemento — a criança — através de uma entidade — o agregado familiar — a que essa unidade pertence.

A taxa de risco de pobreza é o primeiro indicador normalmente utilizado para medir a pobreza infantil. De acordo com a metodologia que lhe está subjacente, uma criança é pobre, caso se encontre inserida dentro de um agregado familiar cujo rendimento por adulto equivalente seja inferior ao limiar de pobreza. Esta definição está imbuída de um conjunto de pressupostos que importa detalhar, nomeadamente: 1 — Considera que o bem-estar da criança depende exclusivamente do nível de rendimento do agregado familiar num dado momento do tempo; 2 — Que esse rendimento é repartido igualmente por todos os elementos que compõem o agregado familiar; 3 — Que um sistema de conversão previamente estabelecido (as escalas de equivalência) permita comparar agregados familiares com composições e dimensões diferenciadas, normalizando o rendimento do agregado familiar.

Pese embora a importância do rendimento corrente do agregado familiar no bem-estar da criança, esse bem-estar é condicionado por outros elementos, tais como os recursos acumulados da família, os serviços disponibilizados em termos de cuidados de saúde, de escolaridade e de lazer, a capacidade parental e o projeto de vida familiar, entre outros.

Finalmente, a análise das condições de vida subjacente aos indicadores de privação material também nos merece algum comentário. Ainda que esta análise alargue o leque de elementos de observação relativamente à metodologia unidimensional preconizada pela taxa de risco de pobreza, os indicadores utilizados não são específicos da criança e pressupõem a satisfação ou insatisfação em bloco de todos os elementos do agregado familiar, factos que necessariamente enviesam a mensuração do bem-estar da criança.

Posto isto, o que fazer?

Por forma a suprir a falta de dados que espelhem de modo dinâmico esta realidade recomenda-se, como ponto de partida, a criação de um sistema de informação centrado na caraterização deste problema, cujo repositório regularmente atualizado permita de forma permanente e rigorosa monitorizar as condições de vida das crianças. Só desta forma se conseguirá obter um diagnóstico preciso do seu bem-estar em todas as suas vertentes, que permita identificar as fragilidades existentes e daí preconizar o desenho de medidas que possam debelar o problema da pobreza infantil. Problema que a todos toca e a todos diz respeito.

Amélia Bastos

Professora do Instituto Superior de Economia e Gestão e investigadora do Centro de Matemática Aplicada à Previsão e Decisão Económica da Universidade de Lisboa
 
Fonte: Público