domingo, 23 de março de 2025

O trabalho pode ser um sufoco para quem tem PHDA: “Não sabia que isto tinha um nome”

Quando Carolina recebeu o diagnóstico, saiu do consultório e começou a chorar no meio da rua. Finalmente, tudo fazia sentido. “Foi um peso levantado do meu corpo inteiro, da minha cabeça. Foi um alívio muito grande”, conta ao P3. Era sobretudo no trabalho que sentia mais esta diferença na sua forma de pensar: interrompia as conversas, a sua cabeça era um turbilhão de pensamentos, sentia muita impulsividade, dificuldades em concentrar-se e em gerir o seu tempo. Trabalhava numa empresa de apoio ao cliente e atendia entre 40 a 70 chamadas por dia. Mas sentia-se pouco valorizada e ouvida no trabalho — e, pior, também sentia que se tinha de forçar a “ser igual aos outros”.

Até que um dia, numa saída à noite, uma amiga lhe falou da Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA, também conhecida pela sigla ADHD, em inglês). Ouviu-a com atenção e tudo batia certo com o que sentia. Em Maio do ano passado, depois de exames de diagnóstico, chegou o resultado positivo. Carolina Mota, agora com 27 anos, sentiu-se aliviada. “Não sabia que isto tinha um nome, pensava que era só a minha maneira de ser, a minha personalidade.”

Depois, decidiu contar à empresa em que trabalhava do seu diagnóstico. “Eles foram abertos e até deram os parabéns porque há muita gente que não vai à procura de diagnóstico, mas depois não senti que houvesse acções por trás dessas palavras”, diz. “Não senti o apoio. É muito difícil trabalhar com uma empresa que não dá o apoio que as pessoas com PHDA precisam.” Na empresa onde trabalha agora já se sente “muito mais à vontade”. Comunicou à sua nova chefe que precisa de estímulos e que lhe é difícil fazer tarefas muito repetitivas; passaram então a definir objectivos diferentes todos os meses — e tem resultado. (...)

Fonte: Continua em Público

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