domingo, 10 de junho de 2018

Seminário “Acessibilidades no Alentejo – Diagnóstico e desafios com vista ao desenvolvimento de uma mobilidade sustentável”

A Biblioteca Municipal de Beja José Saramago recebe no dia 28 de junho, pelas 10h00, o Seminário “Acessibilidades no Alentejo – Diagnóstico e desafios com vista ao desenvolvimento de uma mobilidade sustentável”.

Este seminário aborda três grandes áreas: A importância das acessibilidades no perspetiva do desenvolvimento; Portugal 2020 e os novos modelos de gestão da mobilidade e As Grandes Obras: O Aeroporto de Beja, o IP8 e o caminho-de-ferro.
Para mais informações contacte


Câmara Municipal de Beja | Gabinete de Comunicação Integrada | T:284 311 800 | M: 96 96 60 250 | @: info@cm-beja.pt

sábado, 9 de junho de 2018

Canoagem Adaptada promove inclusão social e desportiva

Durante a manhã desta sexta-feira, 39 utentes dos Centros de Atividades Ocupacionais da Secretaria Regional da Educação de São Pedro, Santo António, Machico, Santa Cruz, Camacha, São Vicente e Câmara de Lobos participaram no VI Encontro Regional de Canoagem.

A prova, organizada pelo CNF desde 2013, foi composta por provas de canoagem nas distâncias de 100 e 200 metros em kayaks monolugares e Kayaks bilugares.

Na prova de K1 Femininos, Ana Paula do Centro de Actividades Ocupacionais (Cao) de Câmara de Lobos foi a grande vencedora, seguida por Catarina Gonçalves do Cao de Santa Cruz e Ana Lisarda do Cao S. Pedro Já nos Masculinos, Paulo Lira foi o grande vencedor, utente do Cao Santo António, Décio Sá em segundo, também do mesmo centro e Sérgio Teixeira do Cao de Machico. Nas provas de K2 mistos ou femininos, a classificação foi a seguinte: 1.º lugar, Dúlio Aguiar e Paulo Lira do Cao de Santo António, 2.º lugar José Moniz e Sérgio Teixeira do Cao Machico e 3.º lugar Rodrigo Aguiar e Carlos Barradas do Cao S. Pedro.

A entrega de prémios decorreu no Centro Náutico de São Lázaro e contou com a presença da secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rita Andrade que deu os “parabéns” a todos os participantes e realçou a importância do “trabalho em rede” e “do esforço de todas as partes envolvidas para concretizar este projeto”, onde espera que todos se tenham “divertido muito, sendo isso o mais importante”.

A organização teve a colaboração da Associação Regional de Canoagem da Madeira e da Secretaria Regional da Educação, Administração dos Portos da Madeira e AAPNEM Associação de Amigos de Pessoas com Necessidades Especiais da Madeira.

Fonte: dnotícias por indiciação de Livresco

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Há Educação sem professores?

Foi com alguma incredulidade que li a resposta do ministro da Educação à reivindicação dos professores em relação à contagem do tempo que não contou para a progressão entre o final de Agosto de 2005 e Dezembro de 2007 e depois de Janeiro de 2011 a Dezembro de 2017. Foi quase uma década de serviço efectivamente prestado e que, a acreditar nas avaliações internacionais, foi em claro benefício do desempenho dos seus alunos.

Afirmou o ministro, fazendo de porta-voz do Governo, que ou os professores aceitam a proposta do Governo ou então não terão qualquer reposição de tempo de serviço. Este tipo de atitude é inaceitável na forma e conteúdo. E ainda é pior quando vinda de um governante que há pouco mais de seis meses afirmava que defenderia “radicalmente” os direitos dos professores e que em entrevista recente (Notícias Magazine de 27 de Maio) afirmou ter crescido num ambiente rodeado de professores. Eu percebo que terá feito mossa a crítica que lhe foi feita de ser demasiado próximo da Fenprof, assim como também compreendo que nem toda a gente é capaz de repelir com convicção e eficácia a acusação de as reivindicações dos docentes serem “corporativas”. Mas ninguém o obrigou a declarar o que declarou. Se eu acreditei na tal “radicalidade”? Nem um pouco, porque sei, desde que tomou posse, que o seu peso político neste Governo tende para zero.

Mas esta resposta revela algo que vai para além da coerência política deste ministro transitório. Revela que a animosidade declarada há mais de uma década entre o PS e a generalidade da classe docente não ficou resolvida com o fim dos governos de Sócrates ou com a passagem da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues para o estatuto de “senadora” e reitora, apesar da sua recusa em ser avaliada em termos que considerou “burocráticos”.

Esta resposta revela que os congelamentos da carreira docente decretados pelo PS o foram com o objectivo de se tornarem um corte permanente e definitivo no horizonte de progressão da maioria dos professores que estavam integrados na carreira quando chegaram ao poder, seja em 2005, seja em 2015. Contra os protestos desses professores, apresentam medidas como o fim da PACC que o próprio PS criara ou a vinculação “extraordinária” de docentes, mecanismo criado por Nuno Crato e virtude de uma imposição comunitária. O resto, dizem, são medidas na defesa do “interesse dos alunos”, sendo usual que apresentem tal difuso interesse como contraditório ao dos professores. E repetem uma espécie de ladainha que afirma que sem alunos não existiriam escolas ou sequer o sistema educativo que emprega os professores.

Perante isso, o que questiono é se a Educação seria possível sem professores e se há quem leve mesmo a sério aquelas teorias neo-construtivistas que estão na origem de algumas das reformas promovidas pelo secretário de Estado João Costa e alguns micro-feudos associativos e académicos e que afirmam que o conhecimento é algo que pode ser construído pelos alunos ab nihilo, apenas com uma espécie de orientação que não carece de especial qualificação académica.

A sério que acreditam que os professores são seres menores no sistema educativo e que a defesa dos seus interesses legítimos de verem o tempo de serviço que prestaram ser-lhes reposto tem menor valor do que o de quaisquer outros “actores” no palco da Educação? Ou isso não passa de uma retórica demagógica e servida com argumentos falaciosos como o daquela senhora deputada que disse que o tempo não pode voltar atrás e mais umas coisas assim, com escasso nexo, pois ninguém quer regressar ao passado, mas apenas que lhe seja devolvido o que foi abusivamente retirado. Senhora deputada que, quase por certo, assinou uma resolução do Parlamento a recomendar isso mesmo.

As semanas que se aproximam podem ser das mais conflituosas da última década em matéria de Educação. Ao fim de dois anos e meio, parece que alguns sindicatos despertaram de um estranho torpor. Pessoalmente, acho que os professores devem reagir para além de quaisquer tacticismos político-partidários, assumindo com clareza a defesa do que é seu. Para isso, foi entregue no Parlamento uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos para recuperação de todo o tempo de serviço docente que não colide em nada com as regras do orçamento para 2018.

Porque os professores devem ter a coragem de assumir a defesa do que é seu, não recuando perante ataques demagógicos ou chantagens insuportáveis. Porque sem eles não há Educação, por muito que seja o deslumbramento com as novas tecnologias.

Paulo Guinote

Fonte: Público

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Redução de alunos por turma

Recentemente, foi publicado o Despacho Normativo n.º 6/2018, de 12 de abril, que estabelece os procedimentos da matrícula e respetiva renovação e as normas a observar na distribuição de crianças e alunos. 

No preâmbulo consta que, adicionalmente, são revogadas as disposições relativas à constituição de turmas e rede escolar, que transitam para diploma próprio, mantendo-se as mesmas em vigor até à entrada em vigor do diploma que proceda à sua revisão.

Assim, e de acordo com a disposição transitória inscrita no art.º 20.º, os artigos 17.º a 23.º e 25.º do Despacho Normativo n.º 7-B/2015, de 7 de maio de 2015, alterado pelo Despacho Normativo n.º 1-H/2016, de 14 de abril de 2016, e pelo Despacho Normativo n.º 1-B/2017, de 17 de abril de 2017, mantêm-se em vigor até à entrada em vigor do diploma que proceda à sua revisão.

Neste contexto, as turmas da educação pré-escolar que integrem crianças com necessidades educativas especiais de caráter permanente, cujo programa educativo individual o preveja e o respetivo grau de funcionalidade o justifique, são constituídas por 20 crianças, não podendo incluir mais de duas crianças nestas condições. A redução de grupo prevista fica dependente do acompanhamento e permanência destas crianças no grupo em pelo menos 60 % do tempo curricular.

As turmas dos níveis escolares do ensino básico que integrem alunos com necessidades educativas especiais de caráter permanente, cujo programa educativo individual o preveja e o respetivo grau de funcionalidade o justifique, são constituídas por 20 alunos, não podendo incluir mais de dois alunos nestas condições. A redução de turmas fica dependente do acompanhamento e permanência destes alunos na turma em pelo menos 60 % do tempo curricular.

As turmas de cursos profissionais que integrem alunos com necessidades educativas especiais de caráter permanente, cujo programa educativo individual o preveja e o respetivo grau de funcionalidade o justifique, são constituídas por 20 alunos, não podendo incluir mais de dois alunos nestas condições. A redução de turmas fica dependente do acompanhamento e permanência destes alunos na turma em pelo menos 60 % do tempo curricular.

A constituição ou a continuidade, a título excecional, de turmas com número de alunos superior ao estabelecido acima carece de autorização do conselho pedagógico, mediante análise de proposta fundamentada do diretor do estabelecimento de educação e de ensino.

terça-feira, 5 de junho de 2018

1.ª Edição do Curso “Literacia Digital para o Mercado de Trabalho” para Jovens com Necessidades Educativas Especiais

O acesso de jovens com Necessidades Educativas Especiais ao Ensino Superior e o enquadramento dos estudantes com Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental (DID), apresentam-se como dois dos aspetos mais desafiadores do sistema de educação inclusiva em Portugal.

Tornar o ensino superior acessível a todos e mais democrático é uma tarefa do Estado e da Sociedade e exige medidas positivas no sentido de criar condições, não apenas para o acesso, mas para a sua frequência em condições de efetiva igualdade no sucesso educativo. Todas as iniciativas inclusivas, facilitadoras do acesso e da frequência de todos os estudantes no ensino superior, devem ser apoiadas.

É neste enquadramento que surge a 1ª Edição da formação “Literacia Digital para o Mercado de Trabalho” da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém, adaptada à realidade portuguesa e com a duração de quatro semestres (dois anos letivos), não conferente a grau. Há nesta formação a preocupação de responder também, à necessidade de aumentar o número de estudantes em Tecnologias no contexto nacional.

Com início em setembro/outubro 2018 e conclusão prevista para junho de 2020, a formação destina-se a jovens com dificuldade intelectual e desenvolvimental com um grau de incapacidade até 60%. É um programa inovador e solidário e é o primeiro modelo de formação de educação inclusiva em contexto de ensino superior para deficiência intelectual a ser realizado em Portugal.

Para mais informações sobre a formação “Literacia Digital para o Mercado de Trabalho” contacte a ESE/IPS através dos seguintes endereços de email: geral@ese.ipsantarem.pt | S. Académicos - sa@ese.ipsantarem.pt | HelpDesk - helpdesk@ese.ipsantarem.pt

Fonte: DGE

Alunos do segundo ano com dificuldades motoras: 40% não sabem saltar à corda nem dar uma cambalhota

Um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras no ano passado teve dificuldade em participar num jogo de grupo, 46% não conseguiram dar seis saltos consecutivos à corda e 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente mantendo a direção e levantando-se de pés juntos. Os dados foram divulgados (...) e fazem parte do relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que analisa os resultados das provas de aferição e é divulgado esta terça-feira.

“Os resultados reforçam a ideia de que a Educação Física não é dada no 1.º ciclo como devia”, defende o presidente da Confederação Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física (CNAPEF), Avelino Azevedo (...). Azevedo diz que “os resultados são inquietantes” e que deveria ser repensado o modelo de ensino da Educação Física no ensino primário, idades em que se desenvolvem capacidades como o equilíbrio ou flexibilidade, diz.

Além da disciplina de Educação Física, há outras áreas em que os alunos apresentam dificuldades: 72% dos estudantes do 5.º ano não conseguiram identificar o rio Mondego na prova de História e Geografia de Portugal; nesta disciplina, as questões sobre o Tratado de Tordesilhas foram aquelas com menos respostas corretas, com 65% dos alunos a errarem todas as perguntas. Com base nos mesmos dados, (...) 45% dos 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo não conseguiram localizar Portugal no continente europeu.

Em Matemática, o insucesso é generalizado: na prova do 5.º ano, só 10% dos alunos conseguiram calcular a área de um polígono que envolvia a área de dois triângulos e de dois rectângulos.

Fonte: Público

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Lista retificada dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI)

Publica-se a lista retificada dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI) com reconhecimento definitivo, nos termos do artigo 43.º do Decreto-Lei n.º 129/2017, de 9 de outubro, que institui o programa "Modelo de Apoio à Vida Independente".

Fonte: INR

"Terminei o 9.º ano, e agora?" Novo site ajuda alunos a decidir

A poucos dias de terminarem as aulas, o Ministério da Educação lançou um novo portal para ajudar os alunos, em particular os do 9.º ano, a decidir qual a área que querem seguir. No portal, os alunos podem pesquisar os cursos e as áreas disponíveis a partir do 10.ª ano e por área geográfica.

O estudante pode pesquisar pelo nome do curso ou área de interesse. Se escolher, por exemplo, a palavra "informática" o portal mostra-lhe todos os cursos desta área em todo o país. O lançamento do site é acompanhado de uma campanha de divulgação junto dos alunos deste grau de ensino nas próximas semana, convidando-os a conhecer o portal. A campanha é suportada, segundo o mesmo jornal, por cartazes e brochuras de divulgação, que vão passar também a ser distribuídas nos estabelecimentos de ensino.

As escolas também estão a ser convidadas a usar o site nas suas estratégias de orientação vocacional dos alunos do 9.º ano, através dos psicólogos escolares.

Especialmente destinado para os alunos que querem seguir para o ensino profissional, o Ministério apresenta o portal como um "complemento" da informação sobre os cursos profissionais. Contudo, no portal da oferta educativa estão elencados mais do que este tipo de cursos.

Existem 2555 cursos, da oferta geral do ensino básico e cursos científico-humanísticos do ensino secundário, passando pelo ensino artístico especializado, até ofertas de Educação e Formação de Adultos.

Fonte: DN

sábado, 2 de junho de 2018

Técnicos especializados das escolas exigem integração após décadas de trabalho

Cátia Ramos trabalha há 14 anos na Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, onde é intérprete de língua gestual e garante que os alunos surdos possam comunicar com os seus colegas e professores. 

“Todos os anos concorro, todos os anos faço entrevistas e todos os anos fico na mesma escola”, contou à Lusa a técnica de 34 anos, que hoje participou na manifestação convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) com o objetivo de exigir o fim do trabalho precário de cerca de dois mil trabalhadores que, nas escolas, dão apoio a alunos com diferentes necessidades. 

Cátia Ramos participou na manifestação com a colega Joana Moreira, também ela intérprete de língua gestual no mesmo estabelecimento de ensino, que é uma das escolas de referência para alunos surdos.

Joana Moreira, 35, também está há 14 anos a trabalhar de forma precária naquela escola: “A surdez não se cura de um dia para o outro. Não vamos deixar de ser uma necessidade permanente”, sublinhou.

As intérpretes de língua gestual não são as únicas técnicas em situação precária nas escolas. Há também terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos de serviço social, educadores sociais e animadores socioeducativos.

Segundo o sindicalista Artur Sequeira, da FNSTFPS, serão cerca de duas mil pessoas em situação precária que concorreram ao programa de regularização dos precários (PREVPAV) mas continuam sem resposta. 

“As pessoas que são precárias no emprego são precárias na sua própria vida”, gritou Artur Sequeira para os cerca de cinquenta manifestantes que hoje à tarde se concentraram em frente a um dos edifícios do Ministério da Educação, em Lisboa.

“Continuamos sem saber se vamos passar a integrar os quadros do Ministério da Educação ou se vamos continuar em situação precária”, desabafou Conceição Sims em declarações à Lusa.

Conceição Sims está há 24 anos na mesma escola, no Agrupamento de Escolas Terras de Larus, no Seixal, onde é terapeuta da fala. “Todos os anos, no dia 31 de agosto o meu contrato acaba e em setembro ou outubro, na melhor das hipóteses, faço um novo contrato”, contou a técnica de 57 anos, que tem um ordenado exatamente igual ao de uma colega que este ano comece a trabalhar numa escola nas mesmas funções.

António Fachada é animador socioeducativo há 11 anos na Escola Básica 2.3 de Perafita, em Matosinhos, onde trabalha diariamente com “crianças desfavorecidas, sem rumo, com problemáticas sociais”.

Aquela é uma escola TEIP - Território Educativo de Intervenção Prioritária com um “número elevado de casos de indisciplina, abandono e absentismo escolar”, com quem António Fachada lida diariamente e muitas vezes tem de fazer “o trabalho de mediador de conflitos”. 

Também presente na manifestação, Marta Ribeiro é o rosto das psicólogas. Exerce há 17 anos em estabelecimento de ensino público e continua sem qualquer vínculo efetivo. “Temos projetos continuados anos após ano e o trabalho com crianças não pode ser interrompido e retomado em setembro, na melhor das hipóteses”, criticou.

Fonte: Educare por indicação de Livresco

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Leonor é diferente, mas não é fácil dar por isso

A Leonor vai à escola, faz ginástica rítmica, nada, pratica ténis, anda de bicicleta, está a aprender a patinar e tem um canal no YouTube com 1200 seguidores. Chega a casa e prepara sozinha as suas torradas bem barradas com manteiga, antes de se sentar a ver os vídeos favoritos no canal da internet, onde meninas de outras geografias fazem desafios e brincadeiras como aqueles que ela faz em casa com a mãe e outros convidados. A Leonor tem 14 anos, mas parece mais nova. É mais pequenina do que as colegas do colégio que frequenta no Porto, não tem trabalhos de casa e demora um bocadinho mais de tempo a fazer tudo. A Leonor tem Trissomia 21 e não é uma menina exatamente como as outras, mas, às vezes, é difícil percebê-lo.

A culpa é da família, que desde o primeiro momento, luta para que o cromossoma a mais da Leonor não a limite. Não foi uma notícia fácil. Helena Bela, a mãe de Leonor, já tinha dois filhos quando soube que o bebé novo que ia chegar era diferente. Diz que nunca pensou em não levar a gravidez avante, porque, simplesmente, isso jamais faria parte dos seus planos. Para ela, qualquer interrupção de gravidez equivale a “matar um filho” e diz que não seria capaz de o fazer. O momento do parto, diz, foi “o maior alívio” da sua vida.

Porque a Leonor nasceu de parto normal e sem qualquer complicação. Perante as hipóteses de o bebé nascer com outros problemas associados, a descoberta de que “só” teria de lidar com a Trissomia 21 foi uma benesse. “Agora, podia arregaçar as mangas e ir para a guerra”, diz a mãe de menina, de 47 anos, no campo de ténis da Foz do Douro, onde Leonor tem mais uma das aulas habituais. “A gravidez foi uma experiência muito rica e muito dura. Para termos experiências muito ricas, elas têm de ser duras, o que é um bocado irritante”, diz, a sorrir.

Leonor soube que era diferente desde o primeiro momento. Ao mesmo tempo que lhe tentava dar uma vida o mais normal possível, a família nunca lhe escondeu que ela tinha Trissomia 21. Helena diz que lhe explicou a condição com que iria viver de forma simples. “Disse-lhe que as pessoas com Trissomia 21 são mais carinhosas, dão abraços melhores, são mais doces, mas não são tão boas a Português e Matemática. Ela ficou radiante”, conta.

Por enquanto, a diferença que sente em relação aos outros é algo que não pesa à menina, diz a mãe. “Por enquanto, ela ainda vê isso como uma vantagem. Ela percebe que a escola é mais fácil para ela do que para os outros. Ainda não sofre com isso”, diz Helena. Ainda assim, há coisas que a miúda já vai notando. “Ela sente-se sempre um bocado à parte, porque os outros são mais rápidos. Com os meninos normais, está sempre em esforço. Mas esteve, pela primeira vez, num encontro em que só havia praticamente meninos com Trissomia 21 e também se sentiu um bocado deslocada. Não está nem num lado nem noutro”, conta.

O grande receio é que a chegada da adolescência possa trazer à criança uma consciência mais dura do que é ser diferente, o que pode levar à depressão. Lá em casa, faz-se tudo para que assim não seja.

Desde o primeiro momento que lidar com Leonor foi diferente de lidar com os dois filhos mais velhos - um rapaz, hoje com 22 anos, e uma rapariga, de 18 - nas coisas mais simples. “Todos os brinquedos e jogos são pensados para o objetivo daquele momento. São os mesmos jogos, mas a maneira como se brinca é diferente, porque tudo é pensado e tem de ser ensinado”, diz Helena. Agora, chegou a vez do Youtube.

O Canal da Lê Belo começou há cerca de um ano e a menina tem agora 1200 seguidores. Não tem periodicidade certa nem um só tema. Às vezes Leonor conta cenas do seu dia-a-dia, outras vezes recebe convidados e faz jogos ou então pode estar com a mãe e os irmãos a realizar desafios. Desenrascada em frente a um computador - escreve em word, envia emails e acede à internet sem dificuldade - Leonor começou a seguir youtubers de livre iniciativa e a falar, entusiasmada, do que via, e a mãe viu ali mais oportunidade no caminho da autonomia da filha. “Não consigo ver nada sem olhar para a parte útil.”

Um dia desafiou-a a fazer os seus próprios vídeos, a criar o seu próprio canal. “Achei logo piada”, ri Leonor. A mãe gosta que a filha se divirta a fazer vídeos, mas quando lhe sugeriu a criação do canal, não foi com esse objetivo. “O canal é para quando ela for adulta. Não é para ser famosa nem para se divertir, embora ela se divirta. Os vídeos fazem com que ela fale com o público, pense e responda rápido, tente decorar algumas coisas. Quero que comece a saber falar em público. Começa com uma câmara para depois passar à fase seguinte. Não sei se ela vai querer, mas gostava que ela fosse uma oradora de superação. Para explicar aos outros como chegou aqui e dar forças às outras famílias. Não quero que ela esteja limitada”, diz a mãe de Leonor.

Nem sempre é fácil, até mesmo para ela. Foi preciso uma terapeuta dar uma ajuda a forçá-la no caminho da autonomia da menina. Em coisas simples. Deixá-la tomar banho sozinha. Dar-lhe a chave de casa. Permitir que ela faça algumas tarefas na cozinha.

Graças a esse empurrãozinho, é Leonor quem abre a porta do apartamento, em Matosinhos, depois de encontrar a chaves no fundo da mochila, quem prepara sem problemas as torradas com muita manteiga e corta dois grandes pedaços de limão para levar para o quarto onde se vai instalar a ver algumas das suas youtubers favoritas. “Adoro chupar limão”, explica a menina, ao mesmo tempo que diz que podem acompanhá-la, “desde que não façam barulho” para não quebrar a sua atenção.

Dos vídeos que vai fazendo, diz que os dos desafios são os que mais a entusiasmam e gosta particularmente do “Torta na Cara”. Um pequeno filme em que ela e a irmã mais velha levam com chantilly na cara de cada vez que erram uma pergunta. Terminaram as duas besuntadas. Leonor ri-se. A mãe diz que ela está sempre a querer fazer novos desafios. Nos vídeos que agora vê, podem nascer novas ideias para o próximo filme que Helena vai filmar e a filha, sorridente, protagonizar. Um dia destes, há um vídeo novo no Canal da Lê Belo.

Fonte: Público