Mostrar mensagens com a etiqueta Surdez. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Surdez. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Cidadãos surdos com novo serviço de atendimento no Gabinete do Munícipe

O Gabinete do Munícipe do Porto vai disponibilizar, a partir da próxima quinta-feira, 2 de novembro, um novo serviço dirigido aos cidadãos surdos. A comunicação entre o cidadão surdo e o colaborador do Gabinete do Munícipe que o atender, seja por via presencial seja através de chamada telefónica, vai passar a fazer-se por videochamada contando com a ajuda de um intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP).

A novidade insere-se no âmbito do projeto “Acessibilidade em Língua Gestual Portuguesa na AMP”, dinamizado pela Área Metropolitana do Porto, anunciou esta terça-feira o município.

Os contactos telefónicos poderão ser realizados a partir de um registo prévio no Portal do Cidadão Surdo ou através do telemóvel (marcando o número 12472, com o custo de 1 cêntimo/min) ou ainda via Skype (adicionando nos contactos a conta “Serviin – Intérprete LGP”).

“No atendimento presencial, o técnico do Gabinete do Munícipe, com recurso a um “tablet”, estabelece contacto (através do Serviin, via Skype) com o intérprete em LGP e este, através de videochamada, traduz-lhe a informação veiculada pelo cidadão”, explica a autarquia.

Anular as barreiras na acessibilidade à informação e contribuir para uma sociedade mais inclusiva, são os objetivos traçados, “permitindo aos cidadãos surdos contactar com o atendimento do Gabinete do Munícipe de uma forma mais autónoma e imediata”.

Informações adicionais encontram-se disponíveis no Portal do Cidadão Surdo.

Fonte: UP por indicação de Livresco

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Dia Mundial do Surdo

O Dia Mundial do Surdo celebra-se no último domingo do mês de setembro por iniciativa da ONU, para comemorar a criação da Federação Internacional dos Surdos, em 1951.

Este ano de 2017, o Dia Mundial do Surdo é comemorado a 24 de setembro e o seu objetivo é o de chamar a atenção do público em geral e da classe política em particular, para as conquistas da comunidade surda.

A par do Dia Mundial do Surdo, a Federação Mundial dos Surdos comemora também a Semana Internacional dos Surdos, na última semana de setembro, desde 1958.

Esta semana é celebrada através de marchas, debates, campanhas e exibições, cujo objetivo é reunir as organizações das pessoas surdas por todo o mundo, as suas famílias, as organizações políticas, os intérpretes de língua gestual e o público em geral, para dar visibilidade às necessidades das pessoas surdas, assim como reforçar os seus direitos.

No Instituto Nacional para a Reabilitação assinalam-se estas comemorações no dia 22 de setembro, através de exposições e projeção de vídeos sobre a surdez, a Língua Gestual Portuguesa e a vivência das pessoas surdas.

Fonte: INR

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Promoção, valorização e ensino da língua gestual portuguesa

Pela Resolução da Assembleia da República n.º 214/2017, recomenda-se ao Governo que:


1 - Proceda ao levantamento do número de docentes e técnicos de língua gestual portuguesa existentes nas escolas e das suas necessidades específicas.

2 - Crie um grupo de recrutamento de professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP) a aplicar no concurso de professores.

3 - Integre os atuais formadores de LGP no Estatuto da Carreira Docente, como «Professores de Língua Gestual Portuguesa», com a participação das associações representativas da comunidade surda.

4 - Garanta na escola pública, desde o início do ano letivo, a presença de docentes e intérpretes de LGP, contratando os profissionais necessários ao acompanhamento das crianças e jovens surdos.

5 - Elabore o conteúdo programático da LGP, estudando e implementando de forma faseada, a partir do ano letivo de 2017/2018, no âmbito da educação escolar ou extraescolar, um modelo de ensino de LGP que permita a todos os alunos ouvintes aprender esta língua, começando pelas escolas de referência e em diálogo com a comunidade surda.

6 - Avalie as necessidades de acessibilidade aos serviços públicos, por parte da comunidade surda, no sentido de lhe prestar o devido apoio, auscultando as associações representativas das pessoas com deficiência, e, em especial, a comunidade surda.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Fenprof entrega petição para passar técnicos de língua gestual a professores

A Fenprof entrega hoje na Assembleia da República uma petição com cerca de seis mil assinaturas a pedir que os técnicos que ensinam Língua Gestual Portuguesa passem a ser legalmente professores.

"A Federação Nacional dos Professores [Fenprof] e a Associação de Profissionais de Lecionação de Língua Gestual (AFOMOS) entregam, [...] às 15:30h, a petição 'Língua Gestual Portuguesa: a justa criação do grupo de recrutamento', que recolheu cerca de 6.000 assinaturas [bem acima das 4.000 necessárias para ser discutida em sessão plenária]", refere um comunicado da Fenprof.

No início do mês a Fenprof, tinha criticado, em comunicado, a "aparente paralisia" do Governo na criação de um grupo de recrutamento específico para estes professores que são legalmente considerados técnicos, não tendo por isso acesso à carreira docente, tendo isso motivado o lançamento de uma petição com recolha de assinaturas em todo o país.

Para a Fenprof, o reconhecimento destes profissionais como docentes é de "extrema justiça" e afirma que haver um compromisso para a criação de um grupo de recrutamento específico que lhes permita ser integrados na carreira não é suficiente.

"Se, para já, existe o compromisso de ser criado este grupo de recrutamento, o silêncio, de mais de três meses, sobre o que já foi feito nesse sentido, começa a ser preocupante, tanto mais que o adiamento desta medida poderá ter consequências negativas para o futuro destes docentes".

A Fenprof quer garantias de que a partir de 2018-2019 estes profissionais passam a ser colocados nas escolas no âmbito dos concursos de professores e que para o próximo ano letivo a colocação aconteça antes de 01 de setembro, "preferencialmente até ao final do próximo mês de julho".

Em março, o Governo criou um grupo de trabalho para estudar a regulamentação profissional para a docência da língua gestual portuguesa promovendo, obrigatoriamente, a auscultação das associações representativas destes profissionais.

A criação do grupo surgiu em despacho da secretária de Estado Adjunta e da Educação, publicado em Diário da República, e oficializou assim o anúncio do Ministério da Educação (ME) de fevereiro.

O novo grupo de recrutamento para os professores de LGP, atualmente contratados como técnicos especializados, não produzirá efeitos antes do ano letivo 2018-2019, uma vez que o grupo de trabalho pode apresentar o relatório até ao final do próximo ano letivo.

Em janeiro, a Fenprof convocou uma concentração de professores de LGP frente ao ME, na altura em que ainda se negociavam o novo diploma do regime de concursos de professores, com o objetivo de pressionar para a criação deste novo grupo de recrutamento na carreira docente, ainda no âmbito das negociações que decorriam.

Existem 150 professores de LGP em Portugal, mas apenas 87 estão neste momento a dar aulas aos mais de mil alunos surdos que existem no país, divididos por 23 escolas de referência, onde existe o ensino bilingue, e outras dez escolas que acolhem alunos surdos em turmas de estudantes ouvintes, não tendo muitas vezes o apoio e os técnicos necessários para acompanhar as aulas nestas turmas, de acordo com dados da associação de docente da LGP.

Fonte: DN por indicação de Livresco

sábado, 20 de maio de 2017

"A voz das nossas mãos" Encontro de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa

Docentes e estudantes da licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (ESE/IPS), promovem, no dia 27 de maio, o Encontro de Intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (ILGP), cujas as inscrições se encontram a decorrer em www.ese.ips.pt

Sob o tema "Percursos Profissionais e Partilha de Experiências", o encontro reúne profissionais para debater e partilhar conhecimentos nas diferentes áreas de intervenção da profissão de Intérprete de Língua Gestual Portuguesa, nomeadamente em contexto televisivo, social, judicial e no setor da saúde, desporto, educação, entre outros.

Em foco vão também estar as temáticas "A interpretação da Língua Gestual Portuguesa como mais-valia noutras profissões" e o "Associativismo dos ILGP-Defesa da Classe Profissional". O encontro, destinado também a estudantes desta área, consiste num momento de partilha e aprendizagem comum, que visa contribuir para o crescimento dos participantes como profissionais e proporcionar uma oportunidade de formação complementar.

Fonte: Mais Algarve por indicação de Livresco

sábado, 13 de maio de 2017

São surdos, mas têm música nas mãos e pelas mãos. E a sorte de cantar para o Papa

Cinco coralistas surdos, um maestro e uma intérprete de Língua Gestual Portuguesa ouvintes. É esta a constituição do grupo Mãos que Cantam, que se dedica à interpretação de música para promover a inclusão social. Na cerimónia do 13 de maio, interpretam a oração Magnificat para o Papa Francisco e para todos os peregrinos. (continuação)

Fonte: Sapo por indicação de Livresco

terça-feira, 21 de março de 2017

Mesa redonda sobre Educação e Surdez

Decorreu na passada terça feira, dia 15, pelas 14.30 horas, uma Mesa Redonda sobre “Educação e Surdez”, na Escola Básica de Santiago Maior do Agrupamento de Escolas Nº 1 de Beja. 

"A iniciativa foi organizada pela equipa da Unidade para a Educação de Crianças e Jovens Surdos de Beja, e pretendeu gerar dinâmicas de articulação entre os vários serviços do distrito para melhor sinalização e encaminhamento das crianças.

Estiveram presentes a Diretora do Instituto de Segurança Social, a Diretora do Centro de Saúde de Beja, a Direção do Agrupamento Nº1, equipas locais de Intervenção Precoce, departamentos de Educação Especial do distrito, profissionais de Psicologia e Saúde.

O Agrupamento de Escolas Nº1 de Beja integra uma rede nacional de escolas que detêm equipas multidisciplinares direcionadas para a Educação de Surdos. Estas equipas são compostas por docentes de educação especial especializados em surdez, terapeutas da fala, docentes de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e intérpretes de LGP que, em conjunto, trabalham no sentido de formar cidadãos surdos de pleno direito.

Foi realizada uma breve comunicação acerca do trabalho especializado que a Educação Bilingue de Alunos Surdos legalmente preconiza, onde se frisou que não se pode dissociar a aquisição da linguagem natural da criança surda das outras áreas do desenvolvimento pessoal e social.

Seguidamente, foram debatidos os constrangimentos que persistem no Alentejo quanto à definição de um percurso claro que permita encaminhar as famílias por forma a terem disponíveis todos os recursos benéficos para o desenvolvimento da criança.

Os participantes frisaram que se pretende que a família da criança surda receba toda a informação necessária, através do contacto precoce com técnicos especializados tanto na vertente médica como na vertente educacional. É importante passar às famílias a informação de que o seu filho/a deverá ter disponíveis todos os recursos simultaneamente, sejam auditivos ou visuais, para que possa desenvolver ao máximo as suas capacidades.

Como forma de ultrapassar as dificuldades de conexão entre os vários serviços de que a criança usufrui ao longo do seu crescimento, resultou desta mesa redonda a elaboração de um documento que procurará implementar a criação de protocolos de encaminhamento que uniformizem os procedimentos", refere a nota de imprensa, enviada à nossa redação.

Fonte: Rádio Voz da Planície por indicação de Livresco

sábado, 4 de março de 2017

Língua Gestual Portuguesa: “É preciso mudar muita coisa”

A Língua Gestual Portuguesa (LGP) foi integrada como disciplina curricular nas Escolas de Referência para surdos em 2008. Aos olhos de formadores, intérpretes e especialistas em LGP o facto constitui uma evolução, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

De acordo com o Ministério da Educação (ME), há mais de 500 alunos surdos em Portugal, distribuídos por 17 Escolas de Referência para a Educação Bilingue de Alunos Surdos (EREBAS) e 16 unidades orgânicas no país. A Língua Gestual Portuguesa é reconhecida oficialmente na Constituição da República Portuguesa desde 1997, mas o seu ensino continua a ser exclusivo para alunos surdos. As crianças ouvintes apenas aprendem LGP em atividades pontuais realizadas nas escolas.

A situação pode mudar. Em outubro do ano passado, o Bloco de Esquerda (BE) apresentou uma proposta de lei que visa a disponibilização do ensino da Língua Gestual Portuguesa aos alunos ouvintes e que esta seja incluída no leque de atividades extracurriculares.

“Não se compreende que os/as alunos/as ouvintes não tenham qualquer possibilidade consistente de aprender uma língua oficial do país, que lhes permite a comunicação com uma comunidade escolar significativa de colegas e amigos/as que todos os dias encontram na escola, com os/as quais interagem, mas com os quais têm profundas dificuldades de comunicação por não conhecerem a LGP”, lê-se no documento apresentado na Assembleia da República. O Ministério da Educação ficou de analisar a proposta.

Sofia Quintas é formadora de Língua Gestual Portuguesa numa das três escolas de referência bilingues existentes no Porto. Trabalha na Escola Básica Augusto Lessa, do Agrupamento de Escolas Eugénio de Andrade, onde estudam cerca de trinta crianças surdas, com seis intérpretes e oito formadores. Na entrevista com o JPN, foi Fátima Ferreira quem fez a tradução.

Sofia não hesita em concordar com a proposta e nos benefícios que esta poderia proporcionar. “Claro que era ótimo se lhes ensinássemos língua gestual [aos alunos ouvintes], porque mais tarde podia acontecer em qualquer lado cruzarem-se com surdos e, assim, a atitude deles seria diferente, porque já tinham conhecimento da língua gestual”, conta ao JPN.

A formadora destaca a importância desta proposta na promoção da igualdade de oportunidades no contacto entre as crianças surdas e ouvintes e fala da sua própria realidade. “É muito importante sentirmo-nos iguais uns aos outros, é muito importante a igualdade. Eu sou surda, as crianças quando olham se tivessem conhecimento [de LGP], agiriam naturalmente.”

Ao mesmo tempo, e apesar do interesse das crianças, o ensino de LGP a ouvintes pode ser um desafio, pois o trabalho com os alunos não é fácil. “É difícil a comunicação, é tudo muito baseado em imagens, exemplos, tudo o que consigo arranjar, preparar as fichas, preparar jogos de ligação, por exemplo, com um gesto, a palavra, muito vocabulário”, sublinha.

Durante uma visita ao Mosteiro de São Bento da Vitória, Catarina Martins, deputada do BE revelou ao Público a intenção de as propostas apresentadas serem aplicadas já no próximo ano letivo (2017/2018).

Segundo Miguel Augusto Santos, coordenador da Licenciatura em Tradução e Interpretação em Língua Gestual Portuguesa da Escola Superior de Educação (ESE) do Porto, a medida é fundamental e já deveria ter sido pensada mais cedo. No entanto, “é preciso mudar muita coisa” antes de começar a ser aplicada. O professor alerta para a necessidade de ter pessoas habilitadas para o ensino da Língua Gestual Portuguesa. “É preciso pensar se as escolas têm os formadores necessários e aí penso que poderá haver um obstáculo que é alguma falta de formadores, de professores de língua gestual nas escolas. Seria necessário recorrer a mais”, sublinha.

Para o coordenador da licenciatura, “a dimensão bilingue só é, de facto, concretizada quando dentro e fora da sala de aula as crianças têm acesso a esse contexto. E, portanto, a formação das crianças ouvintes é fundamental. As pessoas não estão preparadas, não sabem língua gestual e não conseguem comunicar enquanto não houver essa formação.”

“O meu trabalho é igual ao dos docentes”

A criação de um grupo de recrutamento para os professores de Língua Gestual Portuguesa é outra das propostas que os profissionais mais anseiam ver realizada. Atualmente, os formadores de língua gestual são contratados como técnicos especializados e não como professores, algo que pode ser prejudicial tanto para os profissionais como para as crianças.

“Temos um calendário escolar que agenda o início das aulas para meados de setembro e alguns dos atores essenciais para a educação de crianças surdas, nomeadamente o professor de Língua Gestual Portuguesa e o intérprete, são colocados em meados de outubro/novembro. Estamos a falar de um mês, um mês e meio a menos no calendário escolar”, aponta Miguel Augusto Santos.

Os técnicos são contratados “como figuras estranhas”, alguns com contratos que “nem têm duração de um ano, são contratos de nove meses, o que impede ou pelo menos dificulta a elaboração de um programa, de um plano de ação plurianual.”

Sofia Quintas fala da realidade do seu trabalho como sendo “tudo um pouco confuso. Seria positivo se tivéssemos [um grupo de recrutamento], porque nós somos contratados como técnicos, mas fazemos um trabalho exatamente igual aos dos professores diariamente. O meu trabalho é igual ao dos docentes das diferentes disciplinas. Eu preparo as avaliações, preparo as aulas, preparo as atividades, os planos, tudo como outros colegas professores fazem”.

Face a esta realidade, o Ministério da Educação (ME) anunciou na última quinta-feira que “vai avançar com a identificação e definição dos requisitos de habilitação e profissionalização para a docência da Língua Gestual Portuguesa (LGP) nas escolas públicas”. A medida passa pela criação de um grupo de trabalho que pretende estudar “o enquadramento e regime jurídico da habilitação profissional para a docência no ensino obrigatório”.

O grupo de recrutamento para os professores de LGP, acrescenta o ME no comunicado, “não produzirá efeitos antes do ano letivo de 2018/2019, uma vez que o grupo de trabalho pode apresentar o relatório até ao final do próximo ano letivo.

Como funciona a aula de uma turma bilingue?

“A matéria é exatamente a mesma que a das crianças ouvintes”, conta Sofia. Na sala de aula da Escola Básica Augusto Lessa, “está o professor especializado, o professor titular e o professor de língua gestual”, que trabalham em parceria e vão adaptando os conteúdos de acordo com as necessidades dos alunos. “Todos nós vemos quais são as necessidades de cada um, quais são as dificuldades e tentamos ajustar ao perfil de cada um”.

Os alunos têm aulas de português, matemática, estudo do meio e aprendem Língua Gestual Portuguesa como primeira língua, e o português escrito como segunda, “o que não significa que o português seja uma língua menos importante e que não se dê tanta importância ao ensino da mesma. Trabalhamos em igualdade as duas línguas.”, acrescenta a formadora.

Fonte: JPN por indicação de Livresco

sábado, 25 de fevereiro de 2017

"Uma solução auditiva que permite desfrutar do mundo dos sons"

É um dos mais prestigiados otorrinolaringologistas portugueses, João Paço, em entrevista (...), considera os implantes cocleares uma maravilha da tecnologia para quem sofre de surdez.

Quais são as principais vantagens do implante coclear?
O Implante Coclear é um grande avanço da medicina e destina-se a tratar casos em que há perdas no ouvido interno entre 60 a 70 décibeis e já existe uma fraca discriminação dos sons.
Está indicado para casos em que nenhuma outra solução auditiva tem resultados ao nível da reabilitação (à exceção do implante de tronco). É portanto uma solução sem a qual muitas pessoas não teriam a possibilidade comunicar, ouvir música, ver televisão, falar ao telefone, de disfrutar do mundo dos sons.

O que é que esta tecnologia trouxe de novo? Como funciona?
Um implante coclear é um sistema auditivo constituído por uma componente interna, o implante, e outra externa, o processador da fala que poderá ter uma configuração retroauricular ou fora do ouvido (por baixo do cabelo, ainda mais impercetível). O implante, encapsulado em titânio e revestido por silicone, é colocado por baixo da pele, alojado na mastóide, sendo a espira de 22 elétrodos inserida na cóclea através do ouvido médio. O processador da fala capta o som e converte-o em código digital; O processador transmite a informação por radiofrequência através da antena para o implante; Por sua vez, o implante converte o código digital em sinais elétricos que são enviados para a espiral de elétrodos; Os elétrodos estimulam assim as fibras nervosas da cóclea que transmitem a informação ao córtex auditivo. Com este processo é restabelecida a sensação auditiva do indivíduo. Quando fizemos o primeiro implante coclear no Hospital CUF Infante Santo, em 1996, o implante era ligeiramente diferente dos de hoje em dia. Antes era um dispositivo que se utilizava à cintura. Agora, é só um pequeno equipamento atrás da orelha, com a vantagem de ter ainda um comando que permite ligar, desligar, ajustar a situações com mais e menos ruído, conectar a outros dispositivos wireless (telemóvel, rádio, computador, TV, etc).

Atualmente, os implantes apresentam também grandes diferenças na qualidade do som.
Um surdo profundo pode mesmo começar a ouvir?
Um surdo profundo e também um surdo severo começam a ouvir, sim. Mas não se trata apenas de ouvir. Depois de ouvir, é preciso compreender e associar os sons a determinadas palavras. Para isso, após a cirurgia é necessário um processo de reabilitação e programação com terapeutas da fala e audiologistas. Dependendo do tempo de atuação, por exemplo, as crianças surdas profundas implantadas podem ser perfeitamente integradas no ensino regular e ter um desempenho escolar que lhes permite condições de acesso escolar e profissional similar aos ouvintes. Quanto mais precoce for a intervenção, melhores serão os resultados esperados. Em adultos, os melhores casos de reabilitação com implante coclear são os de surdez surdez súbita ou surdez progressiva. Nos casos de adultos com surdez profunda congénita sem estimulação prévia com prótese auditiva, a performance auditiva não será tão satisfatória como nestes casos que acabei de referir.

De que forma é que um paciente passa a ouvir depois de um implante?
Grande parte dos doentes implantados consegue recuperar uma audição útil, dentro dos parâmetros "normais" exigidos pela sociedade (tanto a nível social, profissional, familiar e comunitário).

Quais as principais diferenças entre os aparelhos auditivos e o implante coclear?
Um aparelho auditivo vai estimular o ouvido acusticamente e pode ser utilizado com sucesso até à surdez de grau severo, dependendo sempre da capacidade de discriminação vocal do paciente. O implante coclear tem indicação para ser utilizado em casos de surdez severa a profunda quando o paciente já não tem discriminação vocal e quando o ganho com próteses auditivas convencionais já não é satisfatório, objectiva e subjectivamente.

A quem é que é recomendado? A surdos profundos?
Os implantes cocleares estão indicados para casos de surdez neurossensorial severa a profunda. São, hoje em dia, uma solução para os doentes que não beneficiam com as convencionais próteses auditivas, nem outro tipo de soluções implantáveis. São candidatos ao implante as crianças com surdez pré-lingual decorrente de situações congénitas e crianças e adultos com surdez pós-lingual progressiva ou adquirida. De forma transversal, as indicações têm sido cada vez mais alargadas, uma vez comprovados os benefícios e ganhos auditivos. Neste sentido, os implantes cocleares, que há uns anos apresentavam indicações muito mais restritas, estão neste momento indicados para casos de surdez unilateral, havendo já casos operados no hospital CUF Infante Santo em que os doentes apresentam elevados graus de satisfação.

É aconselhável para alguma faixa etária em especial?
A idade mínima de implantação, segundo as recomendações da FDA, é o ano de vida (12 meses). No entanto, em situações de quadros de meningite em que se tenha iniciado o processo de ossificação, a cirurgia deverá ser antecipada. No geral, quanto mais cedo for o diagnóstico e consequente implantação, melhores serão os prognósticos de reabilitação, havendo já cirurgias realizadas a partir dos 6 meses de idade. O paciente mais novo que implantamos no Hospital tinha 7 meses de idade. Nos adultos, não existe uma idade específica. Existem casos de surdez que são fruto de doença de Meniérè ou de Meningites, entre outras doenças, nomeadamente hereditárias e traumáticas, e nestes casos as pessoas têm de ser operadas rapidamente.

Em Portugal, qual o retrato da doença. Quantos surdos existem?
Mediante as estatísticas publicadas a nível mundial entre 1 a 3 em cada 1000 crianças apresentam surdez congénita ou desenvolverão surdez.

Quantos implantes já foram feitos?
No Hospital CUF Infante Santo já fizemos cerca de 100 implantes cocleares. O número tem vindo a crescer nos últimos anos.

O serviço Nacional de saúde faz este tipo de cirurgias?
No SNS, existem em Portugal três centros onde se realiza esta cirurgia: o Hospital dos Covões, em Coimbra, que tem maior volume, o Hospital Egas Moniz e o Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Na CUF, quer o Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa, quer o Hospital CUF Porto fazem esta cirurgia.

Qual é o custo da cirurgia?
O valor por implante coclear, mais a cirurgia, tem um custo que pode variar entre os 20 a 30 mil euro, de acordo com o tipo de implante. No entanto, esta cirurgia já é comparticipada por alguns seguros e subsistemas de saúde.

Fonte: DN

À descoberta dos sons. Quando o silêncio se converte em palavras

Há 60 anos foi colocado o primeiro implante coclear, que permite a um surdo ouvir. São perto de 400 mil no mundo, e cerca de 1500 em Portugal.

"Agora consigo ouvir o som da tecla do piano e da corda da guitarra". Para quem esteve 30 anos sem conseguir distinguir os sons, o ser capaz de usar o sentido que permite converter o silêncio em palavras ou melodias é um ganho incalculável, que justifica os cerca de 30 mil euros que custa um implante coclear, quando não há seguro nem Estado a comparticipar. Pelo menos esta é opinião de Leonor Napoleão, de 72 anos, que teve três anos com uma surdez profunda num dos ouvidos e com muitas dificuldade no outro.

(...) Em Portugal, o primeiro implantado coclear adulto, em Portugal, data de 1985. Atualmente existem em todo o mundo perto de 400 mil implantados, dos quais perto de 1500 em Portugal, pessoas que nunca ouviram ou perderam a audição e que encontraram nesta tecnologia a solução para ultrapassaram a surdez e descobrirem (ou redescobrirem) os sons.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que a deficiência auditiva é incapacitante para cerca de 360 milhões de pessoas em todo o mundo. E segundo informação da Associação Portuguesa de Surdos, em Portugal, "estima-se que existam cerca de 120 mil pessoas com algum grau de perda auditiva, incluindo aqui os idosos, e cerca de 30 mil surdos falantes nativos de Língua Gestual Portuguesa, na sua maioria surdos severos e profundos".

O implante coclear é um aparelho, bem diferente das próteses auditivas, com capacidade para oferecer informação sonora a indivíduos com perda auditiva profunda bilateral. É um dispositivo eletrónico colocado através de uma cirurgia, que estimula o nervo auditivo.

"Fui operada em outubro, depois de ter sido avisada pelo médico de que em breve o cérebro já não iria reconhecer nada, nenhum som", explica Leonor, relatando a experiência que se seguiu: "Nos primeiros tempos, depois da cirurgia, só ouvia ruídos, depois ao fim de alguns dias, estes transformaram-se em palavras e depois passei a reconhecer a minha voz, a resdescobrir os sons. É todo um processo de adaptação e reaprendizagem. Agora, quatro meses após o implante já oiço quase tudo. Faço a minha vida normalmente, sem nenhuma limitação. O facto de me ter deixado de sentir isolada foi a maior conquista".

Hoje, dia mundial do implante coclear, sucedem-se os relatos sobre a forma como a tecnologia e a investigação nesta área provocou mudanças radicais na vida de pessoas com perda auditiva severa e/ou profunda. Natália Ventura, de 66 anos, também conta uma história de sucesso. Há dois anos sofreu uma meningite bacteriana bastante grande que a deixou em coma. Depois de um longo internamento percebeu que estava a perder a audição e em três meses ficou surda. A ex-auditora do Tribunal de Contas - beneficiária da ADSE, subsistema de saúde, que suportou grande arte das despesas - decidiu, em maio de 2016, submeter-se a um implante bilateral. "Estava completamente surda e agora já consigo ouvir os pássaros a cantar. É uma sensação maravilhosa. Tive uma vida profissional muito preenchida e ficar completamente surda de um momento para o outro, sem poder comunicar e numa idade já tardia para aprender linguagem gestual, é muito perturbador", comenta Natália, em conversa (...), momentos depois de fazer o "papel de avó" - ir buscar o neto ao futebol. "Voltei a ter a autonomia que perdi. De certa forma, é como se tivesse renascido", salienta.

Surdos pedem mais apoio

Esta técnica foi trazida para Portugal pelos médicos Manuel Filipe e o irmão Fernando Rodrigues, há uns 30 anos. Desde 2011 que se fazem em Portugal, nos hospitais privados, implantes coclear bilaterais simultâneos a surdos profundos, mas, nos hospitais públicos os doentes não podem ser operados aos dois ouvidos porque o Serviço Nacional de Saúde só comparticipa um implante.

Devido ao investimento inerente à colocação do IC, a verdade é que a cirurgia não está acessível a todas as carteiras. Aos 30 mil euros há que acrescentar outras parcelas: a mudança do processador de som do IC deve ser efetuada de 10 em 10 anos, e um processador novo custa uns 10 mil euros; cada avaria, por exemplo de um cabo, custa 200 euros.

Fonte: DN por indicação de Livresco

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Professores de língua gestual vão ter grupo de recrutamento

O Ministério da Educação (ME) vai criar um grupo de recrutamento para os professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP), enquadrando-os na carreira docente, criando para isso um grupo de trabalho que deve apresentar conclusões durante o próximo ano letivo.

“O Ministério da Educação vai avançar com a identificação e definição dos requisitos de habilitação e profissionalização para a docência da Língua Gestual Portuguesa (LGP) nas escolas públicas. Para tal, foi criado um grupo de trabalho que estudará o enquadramento e regime jurídico da habilitação profissional para a docência no ensino obrigatório”, anuncia um comunicado do ME divulgado nesta quinta-feira.

O novo grupo de recrutamento para os professores de LGP, atualmente contratados como técnicos especializados, não produzirá efeitos antes do ano letivo 2018-2019, uma vez que o grupo de trabalho pode apresentar o relatório até ao final do próximo ano letivo. Questionado (...), o ME não se comprometeu, no entanto, com a efetivação do grupo de recrutamento logo no arranque do ano de 2018-2019.

O comunicado explica que o grupo de trabalho será composto por representantes das secretarias de Estado da Educação; da Ciência Tecnologia e Ensino Superior; da Inclusão das Pessoas com Deficiência, sendo coordenado por um representante do gabinete da secretária de Estado Adjunta e da Educação.

O grupo de trabalho vai ainda envolver no trabalho as associações representativas do setor, e deve ainda, para além de definir os requisitos legais para lecionar LGP, “identificar e propor a regulamentação específica para outras situações que, neste âmbito, o justifiquem”.

“A definição dos requisitos de habilitação e profissionalização destes docentes poderá melhorar a qualidade de ensino de LGP nas escolas, garantindo a estes profissionais as condições necessárias para a valorização e estabilidade da sua função. Pretende assim o ME avaliar as condições necessárias com vista ao reforço da inclusão e promoção da igualdade nas escolas, não só através da valorização da classe docente, como também do reforço de qualidade da oferta aos alunos”, refere a tutela.

Em janeiro, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) convocou uma concentração de professores de LGP frente ao ME, na altura em que ainda se negociavam o novo diploma do regime de concursos de professores, com o objetivo de pressionar para a criação deste novo grupo de recrutamento na carreira docente, ainda no âmbito das negociações que decorriam.

Existem 150 professores de LGP em Portugal, mas apenas 87 estão neste momento a dar aulas aos mais de mil alunos surdos que existem no país, divididos por 23 escolas de referência, onde existe o ensino bilingue, e outras 10 escolas que acolhem alunos surdos em turmas de estudantes ouvintes, não tendo muitas vezes o apoio e os técnicos necessários para acompanhar as aulas nestas turmas, de acordo com dados da associação de docente da LGP.

Fonte: Público

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Professores surdos exigem carreira para deixarem de ser contratados como técnicos

A dois dias do fim das negociações entre a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e Ministério da Educação, os professores surdos exigiram, numa conferência de imprensa organizada pela Fenprof, em Lisboa, ser reconhecidos como docentes, que “em termos práticos” já o são, deixou claro o secretário-geral, Mário Nogueira. Querem deixar de ser contratados como técnicos especializados exigindo para isso o reconhecimento da sua carreira docente.

A presidente da Associação de Profissionais de Língua Gestual (Afomos), Alexandra Perry reforçou na conferência realizada esta quarta-feira a ideia de que fazem tudo como qualquer outro docente: “damos aulas, fazemos avaliações, sumários; somos professores”. O jurista da associação, Filipe Venade, afirmou em “três palavras-chave” o que estes professores exigem: “profissionalização, dignidade profissional e direitos”. No total, existem em Portugal 150 professores surdos, dos quais só 87 estão actualmente a trabalhar, e “mais de mil alunos nas escolas”, referiu Alexandra Perry.

“Nós temos os nossos programas curriculares, o próprio Ministério da Educação tem este programa curricular; somos obrigados a ter formação, damos aulas em língua gestual portuguesa e temos uma série de deveres que nos são colocados mas depois não temos direitos”, explicou Alexandra Perry, que realçou ainda o facto de muitos destes profissionais só serem colocados em finais de outubro ou no mês de novembro, o que “é um prejuízo para os professores surdos e para os alunos”.

Língua gestual reconhecida como disciplina

Carlos Martins leciona há 22 anos língua gestual no Centro Jacob Rodrigues Pereira, que pertence à Casa Pia, recorda as diferenças entre estes professores e aqueles que têm um grupo de recrutamento e as consequências que daí surgem: “Como não temos um código de recrutamento não temos garantias e estamos em desvantagem perante os outros colegas”. O professor recordou os colegas que lecionam há muitos anos, mas como não têm este grupo de recrutamento, “não têm segurança e acabam por ser postos de parte em concursos ”.

Desde 1997 que a língua gestual está reconhecida oficialmente na Constituição Portuguesa e desde esse período que tem o estatuto de disciplina. Ainda assim, só é lecionada nas escolas de referência e em escolas que tenham alunos surdos, por “iniciativa das direções das escolas” reforçou Alexandra Perry. Existem 23 escolas de referência, 10 escolas com alunos surdos e o Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira, em Lisboa.

O objetivo é que seja criado um grupo de recrutamento para estes professores poderem concorrer já no próximo ano letivo de 2017/2018, mesmo que seja “à contratação, mas já como professores que são”, explica Mário Nogueira líder da Fenprof. “Não se pode dizer que se tem uma escola inclusiva se os alunos não tiverem professores da sua língua e, se esses professores existirem, não forem considerados como tal”.

O secretário-geral da Fenprof esclareceu ainda que “se estes professores fossem contratados receberiam 1500 euros líquidos, mas neste caso como técnicos especializados recebem cerca de 1200 euros. Todos os meses perdem 300 euros de ordenado”. Para Alexandra Perry não se trata de uma questão financeira: “A nossa luta não é pelo salário. Somos profissionais, somos docentes, trabalhamos na educação e é importante que estejamos em igualdade perante os nossos colegas e que os nossos concursos não comecem tão tarde”. 

A Fenprof propôs também a criação de mais três grupos de recrutamento: no teatro, na dança e na intervenção precoce. Mário Nogueira mostrou-se confiante na aprovação destes grupos já nesta sexta-feira, na reunião que o sindicato terá com o ministério, em Lisboa. Ainda assim deixou o aviso: "Se este documento não for aprovado e deixado em ata, vamos organizar para dia 17 um plenário à porta do ministério para aprovar aí o documento que depois estes professores vão entregar lá dentro".

Fonte: Público

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ministério quer alargar língua gestual a todos os alunos

Língua gestual portuguesa pode ser aprendida pelo menos nas escolas de referência para surdos. Deputados votam amanhã vários projetos sobre o assunto. Governo está recetivo

Entre os cerca de mil alunos da Escola Artística Soares dos Reis, no Porto, há 15 estudantes surdos distribuídos por sete turmas. Neste momento, os ouvintes não têm qualquer formação para comunicar com os colegas surdos, mas esta realidade pode estar prestes a mudar. Amanhã, o Bloco de Esquerda, o PS, o PCP, o CDS-PP e o PEV levam à Assembleia da República vários projetos de resolução sobre o tema, que visam o ensino de língua gestual portuguesa (LPG) a ouvintes, pelo menos nas 17 escolas de referência para a educação bilingue. Uma medida que já está a ser estudada pelo Ministério da Educação (ME).

(...) o gabinete de Tiago Brandão Rodrigues adianta que o ME "recebeu a Federação Portuguesa das Associações de Surdos e disponibilizou-se para, no quadro do trabalho em curso sobre o currículo, estimular que, sobretudo nas escolas de referência para surdos, todos os alunos possam ter de aulas de LGP".

Cândida Amorim, responsável pelo grupo de educação especial/ surdez da Soares dos Reis, que é escola de referência, explica (...) que "há entendimento" entre ouvintes e surdos na escola, "mas de forma experimental." Enquanto os ouvintes "procuram saber como comunicar e perguntam aos interpretes o que têm de fazer, os estudantes surdos aprenderam a fazer leitura labial." Para a responsável, era "muito importante" que a comunidade escolar pudesse aprender a língua. "As escolas de referência são bilingues. Isso só faz sentido quando há uma maior equidade no tratamento das duas línguas."

De acordo com os dados do ME, existem 504 alunos surdos em Portugal, distribuídos pelas escolas de referência e por 16 unidades orgânicas onde existem "os recursos necessários". Nas escolas de referência contactadas (...) há turmas só de alunos surdos e há casos em que estes estão integrados em turmas com ouvintes. E há escolas onde é ensinada a língua gestual aos ouvintes, mas de forma pontual.

É o que acontece no agrupamento de escolas D. Maria II, em Braga, onde existem 81 alunos surdos. "No 1.º ciclo, damos formação de carácter facultativo aos alunos ouvintes e também fazemos ações para pais e funcionários. Mas isso está sempre dependente da sensibilidade e dos recursos das escolas", explica (...) João Luís Leite, diretor do agrupamento. Já no agrupamento João de Deus, no Algarve, onde estudam 35 alunos surdos, a língua gestual já faz parte da oferta complementar para o 3.º e o 4.º ano. "Sobretudo nos agrupamentos de referência, seria útil que os ouvintes aprendessem a língua gestual, porque tornaria a comunicação mais fácil entre todos os alunos. Além disso, podiam praticar com os colegas", refere Carlos Luís, diretor do agrupamento.

No distrito de Coimbra, o agrupamento de escolas Coimbra Centro é o único de referência para a educação bilingue. A diretora, Cristina Ferrão, adianta que está a "pensar seriamente introduzir, no próximo ano, uma atividade de enriquecimento curricular (AEC) de língua gestual". "Acho ótimo que os alunos aprendam. Sempre que possível já o fazemos, mas de forma pontual."

A criação de uma AEC de língua gestual é uma das propostas do BE, que também sugere o ensino de língua gestual aos ouvintes nas escolas de referência, aulas à comunidade em geral (já disponibilizadas por algumas escolas) e a integração dos atuais formadores no Estatuto da Carreira Docente, como "Professores de Língua Gestual Portuguesa". (...) o deputado Jorge Falcato explica que o objetivo dos três projetos é "normalizar a existência da língua gestual", que já foi reconhecida há quase 20 anos. "Para haver igualdade de oportunidades, é necessário que haja mais gente a falar língua gestual", afirma.

Jorge Falcato diz que é preciso que seja "uma língua de uso normal" para que haja "uma inclusão social efetiva". "Os alunos estão numa escola que se diz inclusiva, mas estão segregados, não comunicam com o resto da comunidade." Segundo o deputado do BE, a ideia é "institucionalizar" as aulas "como uma prática recorrente" para os alunos que queiram aprender.

O facto de os profissionais que dão as aulas de língua gestual portuguesa serem considerados técnicos e não professores é uma preocupação partilhada também por diretores de escolas e associações de surdos. Para Pedro Costa, presidente da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, um dos desafios "é conseguir o código de recrutamento para os docentes de Língua Gestual Portuguesa como primeira prioridade e depois criar um programa de ensino de Língua Gestual Portuguesa como segunda língua para as crianças/alunos ouvintes".

Para disponibilizar a LGP aos ouvintes será necessário, na maioria dos casos, contratar docentes. Na Soares dos Reis, Cândida Amorim revela que os alunos surdos "não têm sequer a totalidade do currículo de LGP" porque a professora partilha o tempo com a Escola Alexandre Herculano. "É difícil gerir a disciplina por falta de colocação de docentes."

Fonte: DN

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

7 coisas que não sabes sobre a língua gestual

A 15 de novembro, assinalou-se o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa. A VISÃO Júnior conta-te alguns factos super fixes sobre esta forma de comunicação tão especial!

Já reparaste naquela senhora que ocupa um pequeno quadradinho, no canto inferior da tua televisão, e que passa o noticiário a fazer gestos com as mãos? Ela é uma intérprete: está lá para ajudar as pessoas surdas a perceber o que se está a dizer na televisão, através da língua gestual.

A língua gestual é a forma de comunicação utilizada pelas pessoas surdas e por quem comunica com elas. Em vez de palavras sonoras, esta língua usa os movimentos das mãos e expressões faciais para "falar". É uma língua especial, com palavras e gramática próprias, diferentes das que usamos na linguagem oral (a linguagem falada).

DESCOBRE SETE CURIOSIDADES SUPER FIXES SOBRE A LÍNGUA GESTUAL!

1. Assim como em diferentes países se falam línguas diferentes, também a língua gestual varia com o país. Cada país pode ter os seus gestos para a mesma palavra.

2. Quem inventou o alfabeto manual (em que que cada gesto corresponde a uma letra do alfabeto) foi um sueco chamado Pär Aron Borg que era professor. Teve a ideia ao ver uma peça de teatro em que um menino surdo comunicava por gestos. Foi também ele quem trouxe o alfabeto manual para Portugal

3. Apesar de existir um alfabeto manual, habitualmente os surdos não o usam. Costumam comunicar por gestos que correspondem a palavras inteiras ou expressões completas (já imaginaste como era difícil se tivesses que dizer letra-a-letra todas as palavras que falas?),

4. A primeira escola de surdos portuguesa nasceu na Casa Pia de Lisboa, em 1823, por ordem do rei D. João VI.

5. Portugal foi o 6º país do mundo a reconhecer uma língua gestual nacional. Desde 15 de novembro de 1997 que a Constituição da República reconhece a Língua Gestual Portuguesa (data quem se assinala o dia nacional desta língua).

6. A Língua Gestual Portuguesa também é aprendida em África. É ensinada em vários países, como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

7. Cada pessoa tem um nome especial em língua gestual. O nome gestual é uma espécie de alcunha e costuma depender de uma característica física ou psicológica da pessoa.


QUERES APRENDER LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA?

Na Escola Virtual de Língua Gestual Portuguesa - uma iniciativa da Associação de Surdos do Porto e da Escola Superior de Educação de Coimbra - podes aprender língua gestual online de forma gratuita! Só tens de fazer o teu registo no site e utilizar os materiais disponíveis para começar a aprender!

Fonte: Visão por indicação de Livresco

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Para lá de um mundo surdo

“Eu sei falar!”, surpreendeu-se Rodrigo. Este menino, de 12 anos, é surdo e, ao contrário do que se possa pensar, usa a voz diariamente. “A história do surdo-mudo é um mito”, dizem terapeutas e professores. Na escola Quinta de Marrocos, em Benfica, tenta-se estimular a oralidade dos alunos e orientá-los para um futuro e uma sociedade que não está preparada para os receber. Tudo isto sem nunca deixar de lado a Língua Gestual Portuguesa.


Aos três anos ainda ninguém sabia o que Rodrigo tinha. A mãe, Isabel, estranhava que a criança nunca acordasse com o barulho do aspirador ou não reagisse ao som dos tachos. Começou a desconfiar que algo não estava bem. Os primeiros médicos garantiram que o menino tinha uma audição a 100% e os exames não deixavam margem para dúvida. A mãe continuava a não acreditar. Durante meses, insistiu e persistiu até que o diagnóstico que mais temia (e ao mesmo tempo mais esperava) chegou: o seu filho era surdo profundo de ambos os ouvidos.

O olhar vivo por trás dos óculos vermelhos, cor do “seu Benfica”, refletem a energia e alegria de Rodrigo Lamas, hoje com 12 anos. O menino é um dos 85 alunos não ouvintes a frequentar a Escola Básica Quinta de Marrocos, em Benfica, uma das instituições de referência para o ensino bilingue de crianças surdas. Está no 7º ano, adora as TIC (Tecnologias da Informação) e a Língua Portuguesa dá-lhe dores de cabeça, algo que é comum entre as crianças com problemas de audição. Com orgulho, diz a mãe: “Ele por acaso é muito inteligente, agora só tem quatros e cincos”.

Em Portugal existem 17 escolas referenciadas para este tipo de educação especial. “Distinguem-se por serem espaços de ensino bilingue, nos quais os alunos surdos têm aulas em Língua Gestual Portuguesa (LGP)”, diz ao Expresso o Ministério da Educação. Além dos alunos surdos estarem em contacto com a língua que lhes é natural, também as crianças ouvintes podem “beneficiar de aulas de LGP”.

No total, são 504 (389 em escolas de referência e 115 em unidades orgânicas) os alunos inseridos em escolas com educação bilingue, ou seja, com Língua Gestual Portuguesa como primeira língua.

No recreio, a campainha faz-se ouvir e a luz alaranjada acende e apaga. É sinal que está na hora de regressar aos livros. Na turma de Rodrigo são apenas seis alunos, todos eles surdos.

A aula de Físico-Química vai começar. Ao contrário do habitual, estas crianças pouco olham para a professora. O seu foco de atenção deve ser a intérprete de língua gestual, que acompanha a turma em todas as disciplinas. A professora fala a um ritmo ligeiramente mais lento que o normal, enquanto a tradutora transforma o som da voz em gestos.

A simplicidade de vocabulário e o recurso a imagens são essenciais para explicar a matéria a crianças surdas, pois muitas vezes não sabem associar a palavra ao objeto. Por exemplo, sabem o que é um arame, mas podem não saber que aquilo se designa como arame.

“Tentamos estar sempre viradas para os alunos. Perceber que quando estamos a mostrar uma imagem ou a explicar algo temos de dar tempo. As aulas e avaliações dos alunos surdos têm adequações. O programa é igual, o professor é que tem de arranjar estratégias para os alunos aprenderem da mesma forma que os outros meninos aprendem”, explica Andreia Graça, professora de matemática. “Na matemática, os exercícios que propomos são muito semelhantes aos dos alunos ouvintes, mas temos de simplificar sempre o português. E o mesmo acontece com os testes”, acrescenta.

Rodrigo é curioso. Faz perguntas e quer respostas. E surpreende quando abre a boca e fala (ainda que com alguma timidez quando há desconhecidos por perto).

“ELES NÃO SÃO MUDOS, TÊM VOZ”

Um surdo não tem de ser mudo. É um mito e o conceito surdo-mudo acabou por se generalizar. O surdo só não fala porque não ouve e, consequentemente, não reproduz as palavras.

“Eles não são mudos, têm voz. Muitos surdos falam e os que não falam é porque não querem ou porque têm dificuldade. Têm voz, gritam e as cordas vocais não têm qualquer problema”, conta Deolinda Grilo, intérprete de língua gestual. “Não falam porque não têm oralidade, porque não têm feedback auditivo. Há muito esse conceito do surdo-mudo mas esse está completamente ultrapassado”, acrescenta Marta Proença, terapeuta da fala.

Atualmente, existem no mercado soluções para minimizar as limitações da surdez e que facilitam o desenvolvimento da fala. Os aparelhos auditivos estão indicados sobretudo para pessoas com surdez ligeira, moderada e severas. Já o implante coclear é apropriado a casos diagnosticados como surdez sensorioneural severa ou profunda, “em que as crianças ou os adultos não têm bons ganhos apenas com próteses auditivas”, explica o otorrinolaringologista Herédio de Sousa.

Depois de um ano a usar aparelho, Rodrigo foi sujeito a uma cirurgia. A caminho dos cinco anos, uma idade já considera tardia para as intervenções, no hospital de Santa Maria, foi colocado um implante só no lado esquerdo. O dispositivo eletrónico, que substitui a função das células no ouvido interno, estimula o nervo auditivo e recria as sensações sonoras.

“Quando o implante coclear é colocado precocemente, até aos dois ou três anos, os resultados são bons. Por exemplo, se for implantado com um ano, quando chega aos seis, sabe falar e tem uma audição e uma convivência a nível social como se fosse uma criança não implantada”, explica o médico. “O implante é o melhor que temos para reabilitar uma criança com surdez profunda e habilitá-la a ter uma linguagem como os ouvintes”, acrescenta.

Isabel Lamas lamenta a espera no diagnóstico do filho e acredita que isso tenha limitado um pouco o desenvolvimento de Rodrigo. “Após o implante, ainda demorou alguns meses até dizer as primeiras palavras. Era igual a uma criança de dois anos que tentava começar a falar, mas já tinha quatro anos e meio”, recorda.

Ingressou logo no Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira, da Casa Pia, onde começou a aprender LGP. Depois dos dois anos de pré-primária e o primeiro ano concluídos, Isabel achou que o melhor era transferir Rodrigo para a Quinta de Marrocos, mesmo que isso implique viagens diárias de 25 quilómetros (é a escola de referência mais próxima do local de residência da família, em Mem Martins).

Já se expressava pelos gestos. Estava na altura de começar a usar a voz corretamente.

“É um objetivo dar-lhes a oralidade possível. Vamos dar-lhes a comunicação que eles têm capacidade de ter. Uns são oralistas e conseguem compreender a oralidade, outros são gestualistas”, explica Marta Proença, terapeuta da fala na Quinta de Marrocos. “É importante serem inseridos na sociedade e queremos que ganhem autonomia e sejam ativos na vida fora da escola”.

Este é um processo que pode demorar, até porque há surdos que recusam oralizar. Ao começo, foi o que aconteceu com Rodrigo. A terapeuta lembra-se bem dos primeiros tempos difíceis. Certo dia, Rodrigo chegou ao gabinete de Marta. Vinha enervado e aborrecido. Falava, falava e falava.

“Estás a ver Rodrigo? Estás a conseguir transmitir tudo o queres sem usares os gestos! Estão tão nervoso que os gestos já não te chegam”, disse a terapeuta.
“Eu sei falar!”, surpreendeu-se Rodrigo.

Foi ali que o menino percebeu que era capaz e que não precisava de ter medo. “Parece que tudo se tornou diferente na cabeça dele, que se consciencializou de que conseguia falar e que era importante eu ter compreendido tudo o que ele queria transmitir. Para mim, isso foi tudo”, recorda Marta, que acompanha Rodrigo há quatro anos. É um caso excecional, normalmente no arranque do ano letivo é atribuído um novo terapeuta a cada aluno surdo.

Em casa e com a família, Rodrigo tem de falar. Insistem e evitam usar a LGP, para o obrigar a comunicar como comunicaria no exterior. A LGP é utilizada sobretudo entre os colegas de escola. “Apesar de quase todos saberem falar, preferem a língua gestual. Às vezes no computador por videochamada são cinco ou seis todos a falar ao mesmo tempo, mas não se ouve nada”, refere Isabel divertida.

Ainda hoje, apesar de falar com fluidez e de se explicar com relativa facilidade, o menino retrai-se e receia falhar. Nesses momentos, conta Marta, Rodrigo “lá vai para o seu mundo surdo” e defende-se gesticulado.

TURMAS SÓ COM ALUNOS SURDOS E OUTAS MISTAS

Carolina, 12 anos, e Raquel Estevam, 10 anos, são irmãs. Apenas 19 meses separam a data de nascimento das meninas. Filhas de pais ouvintes, ambas são surdas.

Ao contrário de Rodrigo, cuja origem da surdez é incerta mas se pensa que esteja relacionada com alguma infeção não detetada durante a gravidez, em Carolina e Raquel a resposta está na genética.

“Eu e o meu marido somos portadores a 50% do gene da surdez. Ou seja, até à sexta geração de ambas as famílias tinha de haver casos de surdez. No nosso caso, a criança nasce ouvindo, mas vai perdendo a audição gradualmente até aos 18 meses. E isso aconteceu com a Carolina”, justifica a mãe das meninas, Paula Estevam.

Se com Carolina, hoje com uma surdez profunda bilateral, os pais foram apanhados de surpresa, com Raquel isso já não aconteceu. Foi durante os exames à mais velha que nasceu a segunda filha e, devido aos antecedentes, a situação foi travada mais cedo. Logo aos nove meses começou a usar uma prótese.

Após centenas de consultas, exames e testes Carolina e Raquel receberam implantes cocleares. A mais nova usa ainda uma prótese, que lhe permite ter um nível de audição “como se fosse de uma menina ouvinte”.

Raquel fala e exprime-se sem dificuldade. Com Carolina é um pouco mais complicado. Apesar de ambas frequentarem a escola de referência em Benfica, foram encontradas soluções diferentes para cada uma: a mais velha está numa turma de surdos, a mais nova está integrada com ouvintes, sem ter uma intérprete na sala de aula.

A decisão relativa ao percurso escolar dos alunos surdos que chegam à Quinta de Marrocos passa por uma equipa multidisciplinar, que inclui professores do ensino especial, terapeutas, psicólogos, professores curriculares e interpretes. São pesados os prós e os contras de cada solução e tenta adequar-se cada menino à melhor solução.

Carolina está no 6º ano e Raquel no 5º. Apesar de não terem problemas com os colegas ouvintes, as dificuldades em comunicar ainda se fazem sentir. É normal no recreio os surdos conviverem com os surdos e ouvintes com os ouvintes.

“Enquanto pais, temos a perceção que elas não podem ser doutoras ao fim de seis ou sete anos. Talvez só o possam ser ao fim de dez ou 12. Mas chegam ao mesmo sítio que os outros, embora o ensino tenha que ser mais lento devido às capacidades”, refere Paula Estevam.

As capacidades intelectuais de um surdo são a mesma de uma pessoa ouvinte. A diferença está apenas em não conseguir ouvir. Até ao final do terceiro ciclo, existe as escolas de referência e os apoios. Ao chegarem ao secundário e à faculdade, deparam-se com a mesma realidade dos outros jovens.

“A única diferença é dificuldade na comunicação. Mas acho que essa parte já não tem só a ver com os surdos, porque eles fazem por conseguir ouvir alguma coisa e oralizar. Agora, falta da parte dos ouvintes saber comunicar com os surdos. A comunicação faz-se dos dois lados”, defende a intérprete Deolinda Grilo.

Há cada vez mais os surdos a seguir o ensino superior e a trabalharem nas suas áreas de estudo. Os pais das crianças surdas defendem a necessidade de melhorar os recursos na aérea da educação. Embora admitam que alguns avanços tenham sido feitos, continuam a ser “poucas as escolas” com intérpretes de língua gestual a tempo inteiro.

“As que existem são longe. Não consigo levar e ir buscar o Rodrigo à escola. Há meninos na Quinta de Marrocos que vêm todos os dias de Torres Vedras”, comenta Isabel Lamas. Até ao ano passado, uma carrinha fazia o transporte das crianças que moravam longe da escola. Este ano letivo, o serviço foi modificado e, além de ter demorado algum tempo a arrancar, foram definidos pontos de encontro para os alunos, uma espécie de paragens onde o autocarro faz a recolha das crianças.
Também os serviços públicos não estão totalmente adaptados. Há barreiras a derrubar e problemas que precisa de ser resolvidos.

Esta terça-feira, no dia em que se assinalou o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou a data para lançar uma nova funcionalidade na página da presidência. Embora não seja a necessidade que precisa de ser satisfeita com mais urgência, agora passam a estar disponíveis em língua gestual alguns dos mais importantes discursos presidenciais.

LÍNGUA OU LINGUAGEM?

Não se usa a designação ‘linguagem gestual’. A expressão correta é língua gestual, tal como se diz língua portuguesa - e nunca linguagem portuguesa. “As várias línguas gestuais do mundo inteiro possuem gramáticas complexas e expressões literárias diversas. Cada comunidade de surdos tem, portanto, a sua própria língua gestual, que surge no momento em que os surdos se juntam”, explica a Associação Portuguesa de Surdos na sua página.

TIPOS DE SURDEZ

- Surdez de transmissão/ condução: está relacionada com qualquer alteração na transmissão do som até ao órgão recetor, a cóclea. Diz respeito a problemas no ouvido externo ou no médio.
- Surdez sensorioneural: associada a um evento que acontece ao nível do órgão recetor, a cóclea, ou do nervo que transmite o som até ao tronco cerebral.
- Surdez mista: uma combinação dos dois tipos anteriores.

UMA ESCOLA COM 85 ALUNOS SURDOS

Na Escola básica Quinta de Marrocos existem duas tipologias de ensino para crianças surdas: em turmas exclusivas de alunos surdos (64 crianças) ou integrados em grupos de alunos ouvintes (21). Além das nove turmas (2 grupos de pré-escolar, 3 turmas de 1º ciclo e 5 grupos de 2º e 3º ciclo), há ainda um grupo de 12 bebés em intervenção precoce. Dos 85 alunos surdos, apenas três são filhos de pais não ouvintes.

Fonte: Expresso por indicação de Livresco

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Presidente aplaudiu as "Mãos que cantam" em Belém

O presidente da República recebeu em Belém a Federação Portuguesa das Associações de Surdos, aplaudiu o grupo "Mãos que cantam" e anunciou vídeos dos seus discursos com tradução para língua gestual.

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou assim o dia nacional da língua gestual portuguesa, numa cerimónia na Sala das Bicas do Palácio de Belém que contou com a presença do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência.

Perante uma assistência composta por dezenas de jovens surdos, o chefe de Estado referiu que a língua gestual portuguesa é "o terceiro idioma do país, juntamente com a língua portuguesa e o mirandês" e afirmou: "Nós somos todos diferentes, e essa é a nossa força".

"A estrutura do portal da Presidência da República já permitia aos utilizadores invisuais tirar o máximo o partido das tecnologias de leitura de ecrã. Hoje é dado mais um passo, com a disponibilização de vídeos com tradução para língua gestual portuguesa e também com legendagem", anunciou, em seguida.

Antes, interveio o presidente da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, Pedro Costa que, em língua gestual portuguesa, disse que "hoje é um dia de festa", mas falou das barreiras e desigualdades que persistem para a comunidade surda.

"Uma pessoa surda não tem forma de comunicar no Sistema Nacional de Saúde", exemplificou. "No ensino superior não existe um intérprete de língua gestual portuguesa, estamos a tentar há muitos anos", lamentou.

Pedro Costa acrescentou que a Federação Portuguesa das Associações de Surdos quer "trabalhar com a presidência da República na divulgação da língua gestual portuguesa entre os diferentes ministérios".

Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu em língua gestual portuguesa e começou por "cumprimentar o Governo pelas medidas já anunciadas e que estão em concretização em muitos domínios que têm a ver com as preocupações aqui expressas pelo senhor presidente da Federação Portuguesa de Surdos".

Depois, elogiou a intervenção de Pedro Costa e o ativismo do movimento associativo de surdos, relatando: "Cinco dias depois da tomada de posse já aqui tinha chegado uma carta a pedir uma reunião para apresentar uma ideia".

"E a ideia era esta: encontrar uma forma para que os cerca de 150 mil portugueses que têm, em diferentes graus, surdez, pudessem acompanhar o que o presidente da República quer dizer ao país. E para isso ofereciam os seus próprios meios, intérpretes e meios técnicos", contou.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se reconhecido por essa iniciativa, que levou o portal da Presidência da República a tornar-se numa "plataforma mais acessível".

Esta cerimónia terminou com a atuação do grupo "Mãos que cantam", um projeto musical desenvolvido pelo maestro Sérgio Peixoto com alunos surdos da Universidade Católica Portuguesa.

O grupo interpretou o fado "Com que Voz", de Amália Rodrigues, numa "adaptação poética para língua gestual portuguesa", como descreveu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa aplaudiu o grupo abanando as mãos na vertical, juntamente com todos os presentes. "Trata-se de um projeto inovador único em toda a Europa, a quem também agradeço a disponibilidade para estar aqui presente", declarou.

Fonte: JN



quarta-feira, 3 de agosto de 2016

PSP recebe formação em Língua Gestual

Um agente da PSP de Portalegre terminou esta semana o primeiro Curso de Língua Gestual Portuguesa dirigido a polícias. Uma formação onde participaram mais 21 agentes de todo o país.

Em declarações a esta estação emissora, o comandante da PSP de Portalegre Joaquim Simão afirmou que este curso tem como objetivo dar ferramentas básicas para que os agentes consigam “resolver potenciais problemas de comunicação”.

O comandante sublinhou a importância desta formação que irá facilitar a comunicação com a comunidade surda, aproximando assim a polícia de toda a população numa perspetiva preventiva, de comunicação pró-ativa e de proximidade com todos os cidadãos.

Joaquim Simão adiantou ainda que é intenção da PSP que os agentes continuem a formação nesta área.

A formação, "integralmente idealizada, concebida e realizada" por quadros da PSP, foi alvo de análise prévia e parecer positivo da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, através dos seus docentes da unidade técnico-científica de educação especial e inclusão.

Este foi o primeiro curso de Língua Gestual para polícias a ser ministrado na União Europeia, através de uma plataforma e-learning.

Fonte: Rádio Portalegre por indicação de Livresco

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Polícias de todo o país recebem formação de Língua Gestual

Vinte e dois agentes da PSP de todo o país terminaram esta quarta-feira o primeiro curso de Curso de Língua Gestual Portuguesa dirigido a polícias, para facilitar a comunicação e promover os direitos da comunidade surda.

"O grande objetivo do curso de iniciação à Língua Gestual Portuguesa para polícias foi potenciar e diferenciar os profissionais da Polícia de Segurança Pública, conseguindo assim uma melhor preparação para a comunicação com a comunidade surda", disse à agência Lusa o intendente Pedro Sousa.

Pedro Sousa explicou que o curso não visou formar intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, mas dar "algumas ferramentas básicas", para que em situações de "ocorrência policial ou atendimento presencial", os agentes consigam "resolver potenciais problemas de comunicação".

Para Pedro Sousa, este curso revelou-se "deveras interessante", considerando que funcionou em regime 'e-learning' (ensino à distância), através da utilização do portal de formação profissional do Ministério da Administração Interna.

"Por ser um curso 'e-learning', com extrema flexibilidade, os alunos aplicaram-se imenso fora do horário de serviço", disse o intendente, adiantando que a formação teve a duração de cinco semanas, com uma carga horária de cerca de 70 horas.

Fazendo um balanço da formação, Pedro Sousa disse que foi "fantástica a motivação, o empenho e a dedicação" que os agentes dedicaram ao projeto.

Foi "absolutamente gratificante" ver os resultados que os alunos atingiram e demonstraram hoje na avaliação prática presencial na Direção Nacional da PSP, adiantou.

Segundo Pedro Sousa, "é intenção da PSP continuar com esta aposta", utilizando esta plataforma 'e-learning', que permite "formandos de diferentes áreas geográficas" estarem a acompanhar a matéria que vai sendo disponibilizada.

A formação, "integralmente idealizada, concebida e realizada" por quadros da PSP, foi alvo de análise prévia e parecer positivo da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, através dos seus docentes da unidade técnico-científica de educação especial e inclusão.

O intendente Pedro Sousa assinalou ainda que este foi o primeiro curso de Língua Gestual para polícias a ser ministrado na União Europeia, através de uma plataforma e-learning.

A PSP sublinha que este curso de Língua Gestual Portuguesa, uma das três línguas oficiais em Portugal, "é uma oportunidade formativa e de interesse público, aproximando a PSP de toda a população numa perspetiva preventiva, de comunicação pró-ativa e de proximidade com todos os cidadãos".

Fonte: JN por indicação de Livresco

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A educação e as “Perspectivas” dos surdos em Portugal


Oliveira Dias trouxe ao Perspectivas o Dr. Joaquim Melro e em conversa amena discutiram as condições do ensino quando o aluno tem dificuldades auditivas (com vídeo).

Fonte: tvL por indicação de Livresco

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Fisco cria atendimento por videochamada para surdos

A administração fiscal criou um serviço de atendimento especializado para os contribuintes surdos que, através de videochamada, entrem em contacto com o centro de atendimento telefónico da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), passando a contar com intérpretes de Língua Gestual Portuguesa que faz a ponte entre o contribuinte e o funcionário do fisco.

O novo serviço começou a ser disponibilizado nesta quarta-feira, anunciou em comunicado o Ministério das Finanças, adiantando que o centro especializado “permite que o cidadão surdo, em videochamada, fale em Língua Gestual Portuguesa com intérpretes que asseguram a tradução simultânea para o local de destino”.

“A contratação deste serviço contribuirá para induzir o cumprimento voluntário num segmento de população que até então não tinha acesso a todos os canais de comunicação actualmente disponibilizados”, reforça o Ministério das Finanças.

O atendimento especializado está disponível “de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h”, refere o ministério, sublinhando que a AT, liderada por Helena Borges, é “a primeira entidade com administração directa do Estado, no âmbito do Ministério das Finanças, a disponibilizar este serviço em Portugal”.

Fonte: Público