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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Criança de 3 anos comparada a Einstein

Menina de três anos, oriunda do estado norte-americano do Arizona, possui um Q.I. (Quociente de Inteligência) equiparado ao de Einstein. É mais inteligente que 99,9% da população mundial, relatam os media dos EUA.

Alexis Martin, de apenas três anos, natural de Queen Creek, no Arizona, é uma das pessoas mais novas de sempre a ser aceite pela Mensa Internacional, uma sociedade exclusiva para quem tem um Q.I. superior a 140.
A menina não é só mais inteligente do que os seus próprios pais: é mais inteligente do que 99,9% das pessoas no mundo. O Q.I. de uma pessoa dita normal é de 100 e os médicos que testaram Alexis afirmaram não ter conseguido calcular o valor exato do seu Q.I., sabendo apenas que é superior a 160.
Antes dos 18 meses recitava os contos de 20 páginas que os pais lhe liam na noite anterior antes de ir dormir. Mas não os recitava apenas: recitava-os palavra por palavra.
Começou a ler com dois anos de idade e atualmente o seu nível de leitura está equiparado ao 5.º ano. Aprendeu espanhol sozinha com o seu iPad e a mãe afirmou, numa entrevista ao canal ABC15, que a menina "consegue ler, traduzir e até corrigir-nos".
Os médicos que testaram Alexis dizem que não é aconselhável que frequente o ensino normal, uma vez que tem que ter acompanhamento especial e interagir com crianças como ela.
A menina já é um dos génios mais novos do mundo e o seu Q.I. é semelhante ao de Copernicus, Einstein e Bill Gates.

In: DN por indicação de Livresco.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Associação critica ausência de estratégias para alunos sobredotados

As criticas da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas são dirigidas ao Ministério da Educação. O Ministério responde e diz que as escolas têm mecanismos para responder a estes casos.
A Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas diz que o vazio é quase completo e critica a ausência de estratégia do Ministério da Educação para o acompanhamento de alunos sobredotados que frequentam as escolas públicas.
Em Portugal, um dos poucos sítios onde esta situação é contrariada é em Nelas, distrito de Viseu.
O projeto "Investir na Capacidade" nasceu na Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas e surgiu como uma necessidade de dar resposta a alunos com mais capacidades, que nem sempre são entendidas como tal, até porque o desfasamento entre as suas capacidades e a pouca exigência das aulas leva-os à desmotivação e a resultados muito aquém do que poderiam ter.
Este projeto, que já vai no segundo ano, é um caso raro em Portugal. Para além deste concelho, o programa de ensino destinado a crianças sobredotadas só está em prática em Vila Nova de Gaia, Beja e Lisboa, onde arrancou recentemente.
É muito pouco, diz a presidente da associação portuguesa de crianças sobredotadas. (...) Helena Serra diz que a tutela gizou um plano no papel e ficou por aí.
Helena Serra diz que a falta de acompanhamento adequado aos alunos sobredotados resulta, muitas vezes, em frustração e num bloqueio de capacidades que acaba em sofrimento.
Sem resposta no Ensino Público, a alternativa para estes alunos são as escolas privadas a que muitas famílias não têm acesso.
A Associação das Crianças Sobredotadas lembra que estas crianças tanto existem em agregados com capacidade económica como noutros de fracos recursos. A associação estima que em Portugal cinco por cento dos alunos sejam sobredotados.
Em resposta a estas críticas, o ministério da Educação (...) lembra que as escolas têm mecanismos para responder a estes casos.
«A legislação permite às escolas a criação de grupos homogéneos temporários (grupos de crianças que precisam de respostas diferenciadas dos restantes) onde se enquadram estes casos. E permite-lhes também a aplicação de pedagogias diferenciadas para certos casos», explica a tutela
«Mesmo em termos de avaliação», adianta o ministério, «o despacho normativo 24/A prevê a possibilidade de progressão extraordinária de alunos (transitar para anos mais avançados) de acordo com as capacidades que apresentem».

In: TSF com áudio

Comentário:
Relativamente a este assunto, o ordenamento jurídico educativo é pouco flexível quanto à progressão extraordinária dos alunos. O despacho normativo n.º 24-A/2012 apenas prevê algumas medidas restritas para os alunos do ensino básico. Assim,  um aluno que revele capacidade de aprendizagem excecional e um adequado grau de maturidade, a par do desenvolvimento das capacidades previstas para o ciclo que frequenta, poderá progredir mais rapidamente no ensino básico, beneficiando de uma das seguintes hipóteses ou de ambas:
a) Concluir o 1.º ciclo com 9 anos de idade, completados até 31 de dezembro do ano respetivo, podendo completar o 1.º ciclo em três anos;
b) Transitar de ano de escolaridade antes do final do ano letivo, uma única vez, ao longo dos 2.º e 3.º ciclos.
Estes casos especiais de progressão dependem de deliberação do conselho pedagógico, sob proposta do professor titular de turma ou do conselho de turma, depois de obtidos a concordância do encarregado de educação do aluno e os pareceres do docente de educação especial ou do psicólogo.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

“Usar o termo sobredotação é mau marketing”

Já observou uma criança de oito meses a proferir frases completas. O fenómeno atesta o extremo a que pode chegar a inteligência humana. Françoys Gagné, investigador na área da dotação e talento, veio a Portugal desvendar alguns mitos da sobredotação.
“Há muitas maneiras de se ser dotado, para além do intelectualmente brilhante.” Investigador na área da dotação e do talento, Françoys Gagné lembra o que a sociedade muitas vezes esquece. “Provavelmente um atleta muito bom em algum desporto é fisicamente dotado.” Mas isto não significa que qualquer pessoa possa atingir esse patamar. Os estudos apontam para uns modestos 10%. Professor honorário de Psicologia na Universidade do Quebeque, Canadá, Gagné passou por Lisboa para participar no Seminário Internacional Sobredotação: Mitos e Rumos. Em entrevista ao EDUCARE.PT deixou algumas considerações sobre o que é a sobredotação, ou antes, a dotação, como Gagné prefere designar. 

EDUCARE.PT (E): Prefere usar o termo dotado em vez de sobredotado, pode clarificar esta posição?
Françoys Gagné (FG): Não sei como surgiu o uso da palavra sobredotado. Os portugueses, os espanhóis e os franceses usam-na. E décadas de utilização tornam difícil apagar o termo. Mas eu prefiro falar em dotação. Quando usamos o termo sobredotado estamos a criar uma imagem para aqueles que não o são. E isso é determinante para a sua autoestima. Por isso, acredito que usar o termo sobredotação é mau marketing. 

E: Diz que uma pessoa dotada pode não ser criativa, mas muitos académicos insistem na associação entre dotação e criatividade?
FG: Insistem, mas eu discordo. Há muita pesquisa a explicar que dotação e criatividade surgem apenas em níveis de inteligência muito elevados. Alguma pesquisa mostra que pessoas muito proficientes, por exemplo, músicos muito talentosos, geralmente são intelectualmente dotados, mas estes serão perto 10%. Do mesmo modo, há estudos que mostram que alguns atletas de alto nível, que praticam desportos que requerem muita estratégia, planeamento e organização, são intelectualmente dotados e a sua elevada inteligência ajuda-os a compreender todos os tipos de acontecimentos no campo. 

E: Talento e dotação são coisas bem diferentes, pode explicar?
FG: A dotação tem a ver com potencial, com atitude. O talento tem a ver com realização. O potencial é algo que não é fácil medir de forma precisa. Por exemplo, na inteligência temos os testes de QI – que na minha perspetiva são a melhor forma de medir as habilidades intelectuais e, a um nível mais elevado, a dotação intelectual. Também existem testes para medir a criatividade, mas não são tão bons. 

E: Um indivíduo pode ser dotado mas não alcançar o talento?
FG: Sim, com certeza. 

E: Ouvi-o dizer que é melhor ser talentoso do que dotado...
FG: Se alguém é talentoso é porque demonstrou que pode alcançar sucesso. Está entre os 10% melhores da sua faixa etária. Se é identificado como dotado ainda não provou nada. Só sabemos que tem potencial mas ainda é preciso provar que o sabe usar efetivamente para alcançar alguma coisa. 

E: A sua pesquisa coloca a tónica nos fatores ambientais como a chave para ajudar uma pessoa dotada a tornar-se talentosa.
FG: Um indivíduo pode ser intelectualmente dotado, mas ter sérios problemas de personalidade, como ansiedade, bipolaridade ou tendência para a agressividade com os outros. Estas características da personalidade podem tornar difícil a adaptação do indivíduo dotado ao ambiente social e impedi-lo de alcançar o sucesso. 
Há uma sociedade internacional chamada Mensa que reúne pessoas intelectualmente muito dotadas, que se estimam rondarem os 2%, ou seja, não inclui os considerados intelectualmente dotados, os tais 10% de que falava... Através de um teste estas pessoas têm de mostrar possuir um QI no mínimo de 125, só depois se tornam membros. Mas muito deles são pessoas que nunca se tornaram talentosas. Estão apenas a fazer o seu trabalho na sua vida. Muitos até têm dificuldade em manter um emprego porque não são socialmente muito adaptados. Outros são capazes de olhar de alto a baixo as pessoas mais medianas e dizer que não são suficientemente inteligentes. E, claro, recebem reações negativas. 

E: O inverso também é possível? Quando uma criança sobredotada é vista pelos pares como o 'espertinho' da sala de aula, isso pode torná-la antissocial?
FG: A maioria das crianças dotadas não é antissocial. Adapta-se bem. São bons alunos na escola e, se tiverem boas maneiras sociais, terão bons amigos. Podem não falar muito sobre o seu talento, porque não vão querer ser demasiado notados, nem que os seus amigos reajam negativamente a isso. Mas a investigação confirma que, basicamente, os alunos talentosos são bem aceites pela maioria dos seus pares e têm uma boa vida social. 

E: Sugere o agrupamento dos alunos dotados por nível de capacidade, como forma de desenvolver o seu talento académico. Isso poderia ser feito numa escola que recebe qualquer tipo de alunos?
FG: Há muitas maneiras de fazer esse agrupamento. Através de escolas especiais para alunos talentosos, o que representa o exponente máximo do agrupamento. E da constituição de turmas especiais para alunos talentosos, em escolas gerais. 

E: Houve uma ideia do atual Ministério da Educação de constituir turmas de excelência que não foi bem aceite, porque foi considerada uma medida, a ser concretizada, elitista...
FG: É elitista, mas de uma maneira tão positiva como quando falamos de desporto de elite ou de um artista de elite. Porque é que aceitamos tão bem estes dois exemplos de elite e não o de turmas de elite? Se olharmos para a definição de elite, são um conjunto de pessoas especialistas num campo. 
O problema é o adjetivo elitista ser, geralmente, entendido de forma negativa. Como dar privilégios especiais a algumas pessoas que são identificadas com estatutos socioeconómicos elevados. Pessoas com pontos de vista mais socialistas ou comunistas olham para essa interpretação e preocupam-se que aqueles que têm o poder económico e político possam criar situações que favoreçam as suas crianças, para que estas possam ter um tipo de estatuto. Temem que as crianças dos ricos e poderosos sejam mais privilegiadas e que as provenientes de ambientes mais pobres sejam negligenciadas. 

E: Trata-se de um problema ideológico. Como se resolve? 
FG: É difícil. Quase todos os países andam a tentar resolver essa questão. Na Austrália, perto de Sidney, no estado de New South Wales, aceitaram o facto de que se tente ajudar os alunos mais brilhantes através da criação de uma rede de cerca de 40 escolas secundárias seletivas onde é preciso passar um exame com uma nota elevada para se ser aceite. 
Mas, sublinhe-se, existem 40 escolas com pelo menos mil alunos cada. Temos cerca de 40 mil alunos com um currículo enriquecido. Mesmo assim, ainda há quem diga que estas escolas são elitistas! Mas a maioria das pessoas que está na educação e no Ministério da Educação de South Wales aceitou a ideia e estas escolas existem há 20 anos. Portanto, o problema é como arranjar maneira de abrir a primeira? 

E: São escolas públicas ou privadas?
FG: Públicas e completamente gratuitas. 

E: Existem escolas seletivas no Quebeque?
FG: A experiência é ligeiramente diferente, mas penso que mais similar à vossa. Em Viseu passei em frente a uma escola secundária que me disseram ser de elite. Todos os alunos a queriam frequentar, porque era a mais prestigiada. E, provavelmente, construiu esse prestígio ao longo de muitos anos, porque quem me acompanhava tinha lá andado em jovem e dizia que já nesse tempo a escola era conceituada. 

E: Diz que para um aluno dotado estar numa sala de aula é como estar preso numa fila de trânsito em hora de ponta…
FG: Quando dizemos preso em hora de ponta, significa que estamos numa autoestrada e há tantos carros que se demora 40 minutos a avançar 100 metros. Ninguém quer estar preso no trânsito, é muito frustrante, mesmo que possamos estar a ouvir rádio ou a olhar para o telemóvel, mas é muito tempo perdido para nada. Este é o mesmo sentimento que muitos alunos têm na sala de aula. Olham para a lição e ouvem o professor falar de algo que eles perceberam semanas atrás. 
É óbvio que eles não querem ouvir a mesma coisa por dez vezes. Fecham a mente e começam a sonhar ou a pensar em outras coisas e às vezes podem gerar distúrbios. A maioria não causa. Mas fico muito surpreendido por tantos alunos permanecerem vagamente atentos durante a aula, ou a fazer de conta que estão atentos e apenas ouçam ou pensem em coisas diferentes. Talvez leiam um livro às escondidas por debaixo da mesa. Mas não estão a aprender. É uma perda do tempo deles e devia ser mais produtivo. 

E: Que conselhos dá aos professores para lidar com um aluno destes?
FG: Devem começar a acreditar nas diferenças individuais e a aceitar que alguns alunos aprendem muito mais rapidamente que outros. Podem até saber coisas em algumas disciplinas, melhor que eles próprios. Depois, tentar dar a esses alunos flexibilidade relativamente ao que está a fazer na sua sala de aula. Se o aluno percebeu o que está a ser dado, o professor deve deixá-lo aproveitar o tempo para ler um livro ou trabalhar em algum projeto. Nunca forçá-lo a ouvir. 
Em algumas escolas, os professores permitem aos alunos ir até à biblioteca e ler lá. Esta e as outras atividades não constituem propriamente um enriquecimento, mas ao menos permitem ao aluno fazer alguma coisa que pode contribuir para o seu desenvolvimento pessoal. Tudo o mais, além disso, é pedir muito aos professores neste momento. 

E: Os professores ficam aterrorizados, mas os pais adoram saber que um filho é sobredotado.
FG: Não é bem assim. Há pais que ficam muito preocupados. Ontem, quando dei o seminário sobre dotação, um casal, cuja filha de 2 anos é dotada, veio falar comigo e deram-me exemplos de algumas situações vividas com a criança. Ela fala perfeitamente, com frases completas. Isto não é típico de uma criança desta idade. Conta os números até 20 e começa a ver as palavras e a perceber o que significam. Ora isto seria de esperar de uma criança com 4 anos de idade. E os pais, como só têm esta filha, não tinham base de comparação. 
Numa creche, um educador tem várias crianças de diferentes idades e pode ver as diferenças de desenvolvimento, mas aqueles pais não. Por isso, estes pais tiveram de ir à procura de saber qual o típico comportamento de outras crianças para perceber as diferenças da sua filha. Tive outra pessoa que veio ter comigo dizer-me que tinha a certeza que o filho dos vizinhos era dotado, mas que os pais ainda não tinham percebido. 

E: Educadores e professores estão numa posição privilegiada para despistar estes casos?
FG: Tanto uns como outros precisam de saber identificar a dotação mesmo antes da escolaridade, durante a permanência na creche. No Quebeque temos um bom sistema de creches - Centre de Petits Enfants - que abrange crianças a partir dos seis meses aos 5 anos. Cerca de 700 mil meninos e meninas com educadores todo o dia a tomarem conta deles. Se algum for precoce eles têm obrigação de notar. A precocidade deteta-se precocemente.
In: Educare por indicação de Livresco

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Situação dos alunos sobredotados

Os alunos sobredotados são 4% das crianças portuguesas e as famílias dizem que estão a ser mal acompanhados.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pais de sobredotados estão a emigar por causa dos filhos

A Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas alertou hoje que há pais a emigrar para proporcionar aos filhos uma aprendizagem que estimule as suas capacidades, que dizem não encontrar no ensino em Portugal.

O retrato é feito por Helena Serra, dirigente da APCS, em vésperas do seminário internacional "Sobredotação Mitos e Rumo", que a instituição promove, na sexta-feira e no sábado, em Lisboa.

Helena Serra admitiu à agência Lusa que há "famílias que procuram fora do país, para os seus filhos, um outro envolvimento educativo, mais enriquecido e que estimule as suas capacidades", assinalando que a associação tem recebido "inúmeros desabafos de pais que veem os seus filhos a entediar, a sofrer nas escolas por falta de desafios na aprendizagem".

A docente apontou, a este propósito, a ausência nos agrupamentos escolares de uma equipa com formação que "assuma o envolvimento psicopedagógico destes casos, identificando-os, orientando e formando professores, dando vida a programas de enriquecimento" que estimulariam e orientariam as crianças e os jovens sobredotados na sala de aula partilhada com outros alunos.

A APCS reconhece que "professores com muito alunos, eventualmente com défices e com elevadas capacidades", veem "dificultada a sua ação", pelo que sugere turmas mais pequenas e a presença de dois professores na sala, com as crianças a terem "planos de aula diferenciados".

A docente da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, no Porto, lembrou que a criança e o jovem sobredotado necessita, na sala de aula, de ser orientado para novas pesquisas, novas fontes de informação, novos desafios, sob pena de se desligar dos estudos e da escola "porque já sabe".

Para Helena Serra, não faz sentido, por exemplo, que um professor ensine repetidamente um teorema que não é novo para um aluno que o descobriu sozinho.

"Os pais sofrem, porque sentem os filhos deprimidos, talvez desencantados com a escola, agressivos, sem adquirir hábitos de trabalho, sem motivação", frisou, alertando que a falta do devido acompanhamento familiar e escolar pode levar os sobredotados a isolarem-se, a descrerem, a desinvestirem e a abandonarem a escola, ou a tornarem-se deprimidos.

Alguns, de acordo com a presidente da Assembleia-Geral da APCS, "podem cair nas dependências, tentar o suicídio, ficando pelo caminho".

Helena Serra menciona, também, os "muitos casos bem-sucedidos" de crianças e jovens, que encontraram nos pais, num professor e nos colegas "alavancas para a procura do conhecimento e adequados suportes afetivos no crescimento".

Contudo, na hora da procura de emprego, alguns recém-licenciados ou doutorados vão para o estrangeiro, porque Portugal "não corresponde aos seus anseios", advertiu.

A Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas promove, entre outras ações, consultas psicológicas e psicopedagógicas. Tem em curso, no Porto, em Vila Nova de Gaia, Beja, Nelas e Lisboa, um programa de enriquecimento das capacidades dos mais pequenos.

O programa, que se realiza nas escolas, aos sábados, inclui uma série de atividades ligadas às ciências e às artes que, de acordo com Helena Serra, "dão alimento à curiosidade das crianças" e promovem "a aprendizagem e a socialização adequadas".

Regra geral, as crianças sobredotadas demonstram, segundo a APCS, excecional desempenho na linguagem, rapidez de aprendizagem, avidez pelo saber, interesse extemporâneo e vincado em temas de ciência, expressão criativa, habilidades artísticas ou psicomotoras e raciocínios lógico matemáticos.
In: DN

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Génio de 10 anos entra na Universidade de Zurique

Maximilian Janisch é um jovem prodígio da matemática a caminho do ensino superior.
Não é “especializado em fazer amigos” mas é um pequeno génio matemático. Maximilian Janisch é um suíço de 10 anos que concluiu as provas de bacharelato em matemática com a nota máxima e agora irá frequentar um curso especial na Universidade de Zurique, divulgou esta quarta-feira a instituição de ensino.
De vez em quando há crianças que conseguem reunir a atenção em si pelos seus conhecimentos e capacidades de gente grande, apesar da sua juventude. Exemplos disso sãoNatasha Binder, considerada "novo Mozart", e Kieron Williamson, um pintor milionário, ambos com apenas 10 anos.
O génio mais recente é Maximilian. Completou o ensino primário em três anos e, depois de quatro anos de escolaridade, quis candidatar-se à Universidade de Zurique, acesso que lhe foi negado devido à idade e por não ter concluído com sucesso todas as provas do bacharelato.
Após a insistência dos pais e depois de uma prova com resultados brilhantes, Maximilian conseguiu a entrada num curso especial dessa universidade. "É a primeira vez que recebemos um aluno tão jovem e tão dotado no nosso programa 'Junior Euler Society', direcionado para estudantes do liceu sobredotados", afirmou, em declarações à agência France Press, o professor Michael Hengartner, presidente da Universidade de Zurique.
Este estabelecimento de ensino superior reconhece no jovem de 10 anos um pequeno génio da matemática. Por isso, terá acompanhamento personalizado, que irá incluir reuniões, de duas em duas semanas, com um professor para analisar questões relacionadas com o curso.

QUEM SAI AOS SEUS É MATEMÁTICO

Maximilian é filho de um professor de matemática reformado, um alemão de 67 anos, e de uma economista de 48 anos. Filho único, o pequeno génio frequenta atualmente uma turma com alunos de 13 anos.
Maximilian tem aulas diárias de matemática com o pai e admite que, apesar da sua capacidade para estudar, não ter muitos amigos. "Não sou especializado em fazer amigos", afirmou a criança em entrevista publicada no jornal suíço ‘SonntagsZeitung’, em julho.
"Não encontro ninguém com quem possa falar sobre Arquimedes [matemático e físico grego] e a maioria não sabe quem é Gauss [Carl Friederich Gauss, um célebre matemático alemão que morreu em 1855]", disse Maximilian, ao jornal.
In: CM

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cerca de 40 mil crianças sobredotadas em Portugal, maioria não está identificada

Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas alerta para falta de estrutura nas escolas para apoiar os professores dos alunos sobredotados.
Cerca de 40 mil crianças até aos 12 anos em Portugal serão sobredotadas, mas a maioria não está identificada, segundo especialistas que apontam como principal lacuna a falta de formação para detetar estes meninos e encaminhá-los de forma adequada.
“A lacuna principal é a falta de conhecimento do fenómeno. Há muito tipo de crianças sobredotadas e temos poucos especialistas para as detetar. Devia haver formação específica entre professores e psicólogos que fizessem destrinça entre os diferentes tipos de sobredotados”, afirma o presidente do Instituto da Inteligência, Nelson Lima.
Para Nelson Lima, além da falta de informação e formação, há ainda muitos mitos, como o de que a criança sobredotada “tem de ser boa em tudo” e, caso não seja, já não se considera sobredotada.
Contudo, há crianças sobredotadas que manifestam uma inteligência geral, ampla, diversificada, enquanto outras dirigem o seu talento apenas para uma área específica, sobretudo para as artes, como a pintura, a dança ou a escrita.
“Geralmente, estes sobredotados talentosos definem uma área de vida e uma trajetória à qual se dedicam inteiramente. Apaixonam-se por uma área e dedicam-se a ela”, explica o mesmo responsável.
Para o presidente do Instituto de Inteligência, o problema existe no grande número de crianças sobredotadas que, finda a adolescência, “ficam sem saber o que fazer”.
“É importante ajudar a definir o projeto de vida, apelando à sua imaginação e à descoberta de quem são. E a forma como a inteligência se manifesta, se é mais analítica, mais prática”, disse.
Aliás, diversos estudos revelam que, apesar da grande expectativa gerada na infância, muitos dos sobredotados apresentam, mais tarde, um grau de insucesso igual ou maior do que o das outras pessoas.
Nelson Lima (...) garante que é a escola que tem o papel mais importante na trajetória das crianças sobredotadas, preparando um caminho para as orientar no futuro.
“Quando se fala de sobredotados, a atenção é centrada nas crianças. À medida que entram na adolescência, deixa-se de falar no assunto, mesmo que estejam detetadas. A partir de uma certa idade há um certo abandono, estão um pouco por conta própria. E não se potenciam as suas capacidades e inteligência”, adiantou (...).
Em 1998, o Ministério da Educação produziu um manual com instruções para os professores com indicações para detetar crianças sobredotadas.
“Ainda não encontrei um único professor que diga que o conhece. É altamente provável que os exemplares deste manual tenham ficado numa gaveta do Ministério da Educação”, lamentou Nelson Lima, defendendo que seja criado um novo manual atualizado, dirigido sobretudo aos professores do primeiro ciclo.
Também a Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas considera que falta nas escolas uma estrutura que tenha como função central apoiar os professores dos alunos sobredotados.
Helena Serra, presidente da associação, admitiu que há em Portugal uma baixa cobertura de “respostas de qualidade” ao nível da formação de professores e de apoios nas escolas para detetar e acompanhar os meninos sobredotados.
Mas, para esta associação, é também importante apoiar os pais destas crianças, que enfrentam várias dificuldades.
“São crianças cansativas, que fazem perguntas dificílimas e têm constante necessidade de respostas. E muito cedo afirmam a sua vontade própria e independência. É preciso ensinar os pais a gerir isso”, explicou (...).
A associação organiza, no Porto, a iniciativa “Sábados Diferentes”, que serve para que as crianças sobredotadas estejam com os seus pares numa perspetiva de “desenvolvimento pessoal e social”. Ao mesmo tempo, os pais também podem usufruir, recebendo formação e orientação.
O projeto deverá alargar-se a Lisboa, mas, por enquanto, no resto do país escasseiam iniciativas que deem este tipo de apoio a crianças e aos seus educadores.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Durante anos, Catarina sentiu-se culpada porque o filho era "diferente"

O texto abaixo, publicado na página 13 do jornal Público do dia 19 de agosto, conta o processo de Catarina, psicóloga e mãe de uma criança sobredotada, que só percebeu que esta tinha uma inteligência acima da média muito tempo depois (clicar na imagem para leitura).



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cientista nuclear aos 17 anos


 É considerado o "Mozart da Física", frequenta uma academia para sobredotados e até Barack Obama quis conhecê-lo.

Aos 17 anos, Taylor Wilson é considerado uma das maiores esperanças da física nuclear nos Estados Unidos e no mundo, tendo já realizado algumas conferências sobre o tema enquanto prossegue os seus estudos na Universidade de Nevada e numa particular academia ligada àquela instituição: a A Academia Davidson, onde a média de entrada é de 9,99 em 10. 

Os pais não sabem onde Taylor foi buscar o seu interesse pela ciência. O pai é um simples funcionário da Coca-Cola e a mãe é monitora de ioga. Mas desde muito cedo que Taylor mostrou interesse por questões técnicas e científicas. Aos cinco anos, pediu uma grua aos pais. Só que não queria um brinquedo, queria uma a sério, daquelas que movimentam toneladas e toneladas nos portos. 

O espaço foi o seu interesse seguinte. Aos nove anos, estudava propulsão de foguetões; e aos dez, conhecia de cor a tabela periódica e todos os seus componentes. 

A sua maior aventura começou aos 14 anos, quando disse aos pais querer construir reator nuclear. Taylor começou o projeto ainda em casa, mas foi já na Academia Davidson que o jovem terminou o seu reator de fusão. 

Até agora já recebeu nove prémios científicos, um dos quais pela construção de um modelo económico e altamente sensível para deteção de substâncias radioativas em pequenas quantidades. Um importante equipamento no combate ao terrorismo, pois grupos radicais podem tentar passar clandestinamente materiais radioativos para uma "bomba suja", divididos em quantidades ínfimas. 

Em fevereiro, foi recebido pelo Presidente Barack Obama no âmbito de um evento anual organizado pela Casa Branca e dedicado às ciências. 

Desde 2011, que colabora com a agência americana de energia atómica e o Departamento de Energia concedeu-lhe um subsídio para estudos. 

Nos tempos livres, Taylor, que se define como "um adolescente normal, que gosta de desporto e de convívio", coleciona materiais e fósseis radiotivos.

sábado, 14 de abril de 2012

Menina de quatro anos tem QI próximo de Einstein

Uma menina inglesa, de quatro anos, acaba de entrar para a prestigiada Mensa, uma organização que reúne as pessoas com os quocientes de inteligência (QI) mais elevados do mundo. Heidi Hankins entrou para a organização com um QI de 159, apenas um ponto abaixo de Albert Einstein e Stephen Hawking.

A pequena Heidi Hankins, da cidade de Winchester, aprendeu a ler sozinha e, quando tinha dois anos, já sabia contar até 40. Segundo disse o pai da menina à imprensa britânica, recentemente os pais ofereceram-lhe uma coleção de livros educativos da Oxford Reading Tree e a criança leu os 30 livros em cerca de uma hora. 

A destreza de Heidi com as palavras e os números chamou a atenção dos pais e da sua educadora de infância que resolveram testar o seu quociente de inteligência. O resultado foi de 159 pontos, apenas um ponto atrás de físicos como Stephen Hawking e Albert Einstein.

O teste de QI realizado por Heidi é especialmente desenhado para crianças da sua idade e abriu-lhe as portas da Mensa, uma sociedade para pessoas com QI elevado que reúne cerca de 100 mil membros no mundo inteiro. 

Citado pelos jornais britânicos, o pai da menina - professor na Universidade de Southampton - garante que além de escrever, ler e fazer contas, Heidi também adora brincar com bonecas e legos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Licenciado e autor bilingue aos 14 anos de idade

Um adolescente de 14 anos, filho de pai israelita e mãe chinesa, deverá este ano obter a sua licenciatura em Matemática na prestigiada Universidade da Califórnia (UCLA), tendo igualmente acabado de publicar a versão inglesa do seu livro intitulado “We Can Do”, que ensina os estudantes a terem sucesso académico.

Kai Cavalin adora estudar, tocar piano, jogar futebol, praticar artes marciais e ter a vida normal que têm os outros miúdos de 14 anos. Só há uma coisa de que não gosta: que lhe chamem génio. Diz que tudo é possível desde que se trabalhe muito e sem distracções. Por isso mesmo limita a televisão a quatro horas por semana e não perde tempo com videojogos.

O seu livro “We Can Do”, de 100 páginas, explica como é que os outros jovens podem alcançar o sucesso escolar que ele alcançou. “As pessoas precisam de saber que não é preciso ser-se um génio. Só é preciso trabalhar no duro para conseguirmos o que quer que seja”.

De acordo com o “The Washington Times”, a mensagem essencial do livro é que o trabalho árduo deve ser sempre acompanhado da vontade de levar uma tarefa até ao fim. “Eu consegui atingir as estrelas mas outros poderão atingir a Via Láctea”, explica o jovem autor aos seus leitores.

Kai Cavalin diz que aprendeu essa lição de um ex-professor que lhe ensinou uma disciplina da qual ele não gostava mas à qual conseguiu ter A (a nota máxima) de qualquer maneira porque percebeu que bastava empenhar-se muito para conseguir.

Para as bancas saiu agora a edição inglesa do livro que já havia sido editado em chinês (por influência da mãe) e que teve boas vendas em Taiwan, Singapura e Malásia. Foi agora o próprio Kai Cavalin que fez a tradução para inglês.

Depois de se licenciar em Matemática na UCLA - vive no campus da universidade com os pais - pensa continuar os estudos e fazer um doutoramento. Depois disso já não tem certezas: “Quem sabe? Isso é um futuro demasiado distante e eu só estou a fazer planos para os próximos anos”, diz o adolescente, citado pelo “The Washington Times”.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Discriminação de alunos: os sobredotados

Atualmente, as salas de aulas são povoadas por pessoas de diferentes culturas, línguas, conhecimentos e capacidades cognitivas. Perante tal diversidade, o que se pode fazer ou o que têm feito as escolas para implementar um ensino diferenciado de forma a satisfazer as necessidades dos alunos, nomeadamente, daqueles que melhor desempenho intelectual manifestam?


Verifica-se que, na generalidade, para os alunos mais dotados, as aulas regulares não são estimulantes. Por que motivo os alunos, dentro de uma sala de aula, são tratados de igual maneira? o que fazer aos alunos que estão intelectualmente mais avançados do que os seus colegas, do que o curriculum, do que os manuais adotados e, algumas vezes, do que os professores? serão os piores alunos, a prioridade das escolas? que percentagem de bons alunos merece a atenção dos professores? que aproveitamento se tem feito do potencial destes alunos?

Normalmente os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem recebem mais atenção e cuidados. Tal como estes, os alunos com maior capacidade deveriam receber uma atenção equivalente de forma a explorar os seus conhecimentos prévios, interesses e capacidade de utilizar conhecimentos em situações novas, ou seja, de modo a elevar os seus níveis de realização. Que custos e ganhos poderão advir destas estratégias?

O bom senso/profissionalismo recomenda que nas salas de aula se tente responder às diferenças individuais, tais como conhecimento prévio, interesses, estilos de aprendizagem, nível de envolvimento. Mas a prática mostra que tal estratégia está longe de ser justa e real pois dificilmente se realiza um ensino diferenciado na mesma aula. O tratamento dado aos bons é igual ao dado aos menos bons, ou seja não se apoia uns nem outros como seria desejável. A classe heterogénea de alunos não é tratada de forma óptima.

Parece ser difícil focar a nossa atenção, de igual forma, sobre todos os alunos, sem ter em consideração os seus níveis de desempenho. Há que reconhecer que os bons alunos evidenciam uma boa base de conhecimentos e que as matérias apreendidas trivialmente não são estimulantes. Precisam de uma motivação intelectual que contribua para o aprofundamento do seu conhecimento, permitindo-lhes fazer uso dos seus talentos e aptidões. Para estes alunos, os professores têm obrigação, por exemplo, de desenvolver conteúdos/atividades orientadas para a “exploração” do seu pensamento crítico, tentando libertar-se das limitações ou tirania do programa que têm de cumprir. Esta filosofia de atuação, bem mais exigente para os professores, ajudará a levantar o tecto educacional dos alunos que, ao enriquecer o seu ambiente de aprendizagem, promove o seu desenvolvimento intelectual e crescimento académico. Os melhores alunos interiorizam mais profundamente os seus conhecimentos pelo que estão preparados para pensar, usando a lógica e o raciocínio de forma a perceber e gerar novos pontos de vista.

Diferenciar as competências de pensamento crítico é uma das mais importantes “avenidas” para os professores envolverem e desafiarem os alunos mais brilhantes. O pensamento crítico é uma competência essencial da nossa vida e um elemento chave num curriculum rigoroso, pois este não se centra apenas em factos e tarefas.

Se os ganhos alcançados pelos “maus” alunos forem os únicos indicadores de sucesso, então teremos que enfrentar grandes desafios e preocupações nos próximos anos. Para evitar tamanhas inquietações, os educadores deveriam entender as necessidades dos alunos melhores, mais dotados, evitar a inibição da sua aprendizagem e providenciar um curriculum com a complexidade adequada ao nível das suas competências. A título de exemplo, os manuais adotados deveriam conter, além de um programa mínimo, matérias e actividades facultativas, orientadas para alunos mais dotados. A avaliação seria, para todos, sobre o programa mínimo. Daqui poderia nascer um ambiente propício ao desenvolvimento de alunos dotados de pensamento crítico, argumentativo e profundo.

Diferenciar objetivos para alunos, de acordo com as suas aptidões, produziria, seguramente, resultados positivos nesse grupo. É claro que não é confortável lidar com a ideia de ter de escolher um grupo de alunos e dar-lhe tratamento especial, mas há que assumir e refletir que diferenciar curricula e ver os “bons” alunos com novas lentes pode ser um bom trampolim para uma discriminação positiva!

Maria Elvira Callapez
Dezembro 2011

sábado, 19 de novembro de 2011

Alunos sobredotados são ignorados nas escolas e vivem à margem da lei


É caso único na Europa. Congresso alerta para o desperdício de talento que, sem apoio, será formatado pelas escolas até à normalidade.



Quantos alunos sobredotados estão nas escolas portuguesas é um cálculo que só se faz por aproximação. Os professores não ouvem falar deles durante a sua formação, o ensino não consegue identificá-los e, no plano legal, nem sequer têm direito a existir. “Não há um decreto. Portugal é, aliás, caso único na Europa”, conta Cristina Palhares, da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), que promove hoje em Braga o segundo dia do congresso internacional “Sobredotação e Talento – Atenção da Escola à Diversidade”.

Ao não haver “suporte legal”, não há também maneira de promover formação, desenvolver currículos adaptados ou direcionar os recursos das escolas para apoiar esta população. Saber quantas crianças sobredotadas vivem em Portugal não tem uma resposta direta. Estima-se que sejam 3% a 5% da população mundial: “Num universo de mil alunos de uma escola, serão 50 crianças, mas não estão minimamente identificadas.”

Lá fora é diferente e o congresso da ANEIS trouxe dois exemplos que poderiam ser adotados nas escolas portuguesas. Brasil e Espanha têm estas crianças inseridas no grupo de alunos com necessidades educativas especiais: “Estes meninos são acompanhados pelos mesmos professores que apoiam as crianças com deficiências.” Isto faz todo o sentido, defende Cristina Palhares. Por serem diferentes da norma, precisam de atendimento especializado.

Falta de legislação e incapacidade das escolas de sinalizar crianças sobredotadas têm consequências, embora seja difícil algum dia virmos a saber quanto talento o país desperdiça. Como tudo na vida, a inclusão tem um reverso, avisa a secretária da direcção da ANEIS. E se, para o caso das crianças deficientes, estar nas mesmas turmas que outros colegas contribui por si só para subir o seu desenvolvimento, o mesmo não acontece com os sobredotados. “Se não existir um atendimento diferenciado, a escola vai formatando a criança até a normalização.”

Sem acompanhamento, a escola não faz mais que normalizar o talento que estas crianças desenvolvem mesmo em meios hostis. “Conheci um menino que sabia ler e escrever muitíssimo bem com cinco anos e não tinha um livro em casa. Há crianças que, mesmo em ambientes adversos, conseguem desenvolver os seus talentos.” Isso só não chega. Sem trabalho, o dom atrofia, como “qualquer músculo que não é exercitado”.
In: I online

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Recusa em ir à escola porque aprendem na TV e livros

Muitos sobredotados recusam ir à escola por considerarem que aprendem mais nos livros e nos programas televisivos do que nos currículos escolares, alertou o presidente da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS).
Alberto Rocha adiantou à agência Lusa que esta situação está a acontecer com "alguma frequência e começa a preocupar".
"Muitos alunos dizem que a escola não lhes interessa porque não aprendem mais do que aprendem nos livros, nos programas e nos temas que gostam", adiantou o responsável, que falava à Lusa a propósito do congresso internacional "Sobredotação e talento: atenção da escola à diversidade", que decorre na sexta-feira e no sábado em Braga.
Para muitas destas crianças e jovens a escola não está a ser uma mais valia, sendo necessário os professores e as escolas fazerem um esforço para que se sintam integrados.
"Temos de ter mais um bocadinho de trabalho, esforçarmo-nos mais como professores a procurar sempre as melhores respostas e as boas práticas para que se sintam integrados", sustentou.
Esta situação também constitui uma preocupação para os pais que pedem ajuda à associação para que estabeleça a ponte com o estabelecimento de ensino no sentido de perceber o que se passa e conseguir motivar a criança para regressar à escola.
As estimativas apontam para que três a cinco por cento das crianças e dos jovens portugueses sejam sobredotados. Um número que, para Alberto Rocha, já justificava ter uma legislação específica.
"Tentamos apoiar as escolas e os professores para que possam dar algum tipo de acompanhamento a estas crianças, nomeadamente na elaboração de currículos e planos de desenvolvimento, mas a falta de legislação específica não nos permite fazer muito mais", lamentou.
Apesar das dificuldades, Alberto Rocha disse que, com o apoio dos professores e das escolas, tem sido realizado "um trabalho bastante interessante com estas crianças", que sentem muitas dificuldades devido aos currículos escolares serem desadequados às suas capacidades.
"A aula está formada para o ensino da média e, muitas das vezes, as escolas e os professores querem colocá-las a esse nível, mas isso não é possível porque estas crianças têm capacidades superiores", disse, lamentando: "O que me choca é um aluno ter capacidade, e o professor saber que ele a tem e fazer com que desça para a mediana".
O que tem de ser feito, apontou, é dar-lhes ferramentas para poderem continuar a desenvolver as suas capacidades: "São estas crianças e jovens que nós precisamos no futuro para desenvolver projetos no nosso país".
Muitas vezes a identificação de um sobredotado é feita através da determinação do Quociente de Inteligência, que para muitos é um indicador questionável.
No entanto, muitos autores consideram sobredotadas as crianças que apresentam competências, talentos e habilidades acima da média para a sua idade.
A associação defende que pais e educadores deverão estar sensibilizados para esta situação e tentar aperceber-se se a criança reúne características como vocabulário muito avançado, interesses muito variados, domínio rápido da informação, curiosidade fora do comum e muito boa memória.
A par destas qualidades podem surgir dificuldades no desempenho escolar, desmotivação, frustração, desobediência e timidez.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobredotação e talento: atenção da escola à diversidade


18 e 19 de novembro, em Braga.

Um outro olhar sobre a diversidade, tantas vezes maltratado e esquecido no contexto de sala de aula. A quem interessar pode consultar o programa do congresso e aceder ao boletim de incrição. E para os interessados em conhecer a ANEIS - Associação nacional para o estudo da intervenção na Sobredotação.



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sobredotação e Talento: Atenção da Escola à Diversidade


Realiza-se a 18 e 19 de Novembro o Congresso Internacional 2011 da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), sob o tema "Sobredotação e Talento: Atenção da Escola à Diversidade". A iniciativa junta investigadores e professores de Espanha, Brasil e Portugal, experientes na identificação e na intervenção junto de crianças e jovens com características de sobredotação. O evento decorre no Instituto de Educação da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, em Braga.

Várias conferências e comunicações do congresso podem contribuir para demonstrar a importância da identificação e do atendimento a estes alunos, já que Portugal começa a dar os primeiros passos, em termos públicos, neste domínio, sendo os Programas de Desenvolvimento um instrumento importante, aos quais se acrescentam algumas medidas legislativas.

A organização pretende dar a conhecer projectos de intervenção e enriquecimento em prática no Brasil, em Espanha e em Portugal, apresentar resultados de investigação na área, confrontar a legislação de enquadramento do enriquecimento escolar, partilhar vivências e mobilizar técnicos e pais para o tema.

Para mais informações, consultar as páginas da Universidade do Minho e da ANEIS.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Criança de 12 anos complementa teoria de Einstein


Um estudante norte-americano de 12 anos pretende criar uma versão "mais elaborada" da Teoria da Relatividade, de Albert Einstein. Jacob Barnett tem QI de 170 pontos, mais 10 que os 160 do criador da fórmula E=mc2, e cativou a atenção de professores universitários dos Estados Unidos pela sua rara inteligência. Veja o vídeo.
Jacob Barnett teve uma infância diferente dos demais colegas de escola. O pré-adolescente de Indiana, EUA, que tem aulas de astrofísica regularmente desde os oito anos, sofre da síndrome de Asperger, uma variação do autismo, e sempre se interessou por cálculos complexos de álgebra e pelo desenvolvimento de novos modelos para o estudo de trigonometria e geometria variáveis. Questões difíceis até para adultos.
Kristine Barnett, mãe do menino, não sabia, no início, se as conversas do filho sobre física e matemática eram disparates ou se a criança se tratava de um génio. Na dúvida, a mãe gravou um vídeo e enviou para professores da prestigiada Universidade de Princeton, Nova Jérsia, que ficaram impressionados com a inteligência do miúdo.
Para a mãe de Jacob, Kristine, de 36 anos, e o resto da família, matemática e física sempre foram assuntos complicados.
"Eu chumbaria em matemática. Sei que isto não vem de mim", disse a mãe de Jacob ao "Indiana Star", sem perder a boa disposição.
No seu projecto mais ambicioso, Jacob pretende criar uma versão "mais elaborada" da Teoria da Relatividade, que substitui os conceitos independentes de espaço e tempo pela ideia de espaço-tempo como uma entidade geométrica. Einstein tinha 26 anos quando publicou a sua teoria, sintetisada na fórmula E=mc2.
Os estudos do menino prodígio na Universidade de Indiana estão a evoluir de tal maneira que os professores estão a prepará-lo para uma tese de doutoramento.
Jacob está no caminho certo para criar "algo completamente novo", avançou o Instituto de Estudos Avançados de Princeton, casa de génios como Albert Einstein, John von Neumann e Kurt Gödel.
"Estou impressionado com o interesse de Jacob em física e a quantidade de coisas que já aprendeu até agora. A teoria em que está a trabalhar envolve alguns dos problemas mais complicados de física teórica e da astrofísica", observou o professor de astrofísica Scott Tremaine, num e-mail endereçado à família Barnett.
O professor sublinhou, ainda, que "qualquer um que resolva o problema em que Jacob está a trabalhar é candidato a ganhar um prémio Nobel".


segunda-feira, 21 de março de 2011

Lidar com sobredotados

As escolas do concelho de Vila Nova de Gaia vão ser as primeiras do País a ter actividades específicas para crianças sobredotadas. O objectivo é dar formação aos professores para lidarem com estas crianças, com capacidades acima da média, e melhorarem a sua integração escolar. A iniciativa partiu da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS) e visa estender-se a todo o País. Hoje é assinado o protocolo com a Câmara de Gaia. 

Nestes programas, os pais também são acompanhados. "O programa, que já existe na associação há 15 anos, pode ser feito numa das escolas do agrupamento que tenha sala e laboratório. Só precisa de dinheiro para comprar os materiais para as actividades com as crianças, tais como pinturas, produtos para arte e ciência", explicou Helena Serra, membro da direcção da APCS.
O facto de ainda ser difícil para os professores identificar e lidar com sobredotados fez com que a associação tomasse a iniciativa de bater à porta das escolas. "Estas crianças mostram desinteresse pela escola, têm problemas de concentração e nas relações interpessoais e baixa resistência à frustração. Os professores não são ensinados para isto. Em vez de estimulados e aceites, estes alunos disfarçam a sua inteligência para evitar maus-tratos dos colegas. Andamos a desperdiçar matéria-prima", disse Gil Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas.
ASSOCIAÇÃO CRIA SÁBADOS DIFERENTES
O programa da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas existe há 15 anos e tem o nome de Sábados Diferentes. Além de desenvolver nas crianças e jovens com capacidades superiores o seu potencial, presta apoio e dá formação a pais e professores. As sessões realizam-se uma manhã por semana nas instalações da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti. A escola recebeu o congresso internacional ‘Sobredotação, que respostas?’.
Há oito tipos de inteligência que estas crianças podem ter: linguística, lógico-matemática, ciências, psicomotora (por exemplo, os artistas), espacial (como os escultores e pintores), musical, intrapessoal e interpessoal.

sábado, 12 de março de 2011

Menino de 13 anos frequenta dois cursos em simultâneo

Aos 13 anos de idade o argentino Kouichi Cruz é o aluno mais novo da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física (FAMAF) da Universidade de Córdoba.
Kouichi, que é um nome budista (filosofia seguida pelos seus pais) significa 'o primeiro' e 'brilhante', um nome realmente feito para ele.
Na FAMAF o pequeno génio estuda engenharia informática e ciências económicas.
Filho único, mora com a tia, Alejandra Perez, que conta que:«quando era bebé, a família pensava que o menino era autista» e que seria apenas aos quatro anos de idade que exames médicos indicariam que Kouichi tinha o QI mais alto que a média das crianças da sua idade.
De acordo com Alejandra, a rotina deste rapaz é bastante diferente da dos rapazes da sua idade. «Estuda de manhã e também à tarde», não gosta de futebol, nem de qualquer outro desporto e só vê televisão quando não está a resolver problemas de matemática.
No primeiro dia de aulas desta semana o pequeno universitário declarou que as aulas foram mais fáceis do que imaginou, avança aBBC.
O reitor da faculdade, Daniel Barraco, afirma que é a primeira vez que um menino de 13 anos frequenta aquela universidade e explica que sente uma «enorme emoção por ter uma pessoa tão jovem e tão inteligente» entre os seus alunos.