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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O valor da estimulação cortical voltado para o déficit de atenção de alunos com síndrome de Down

Este estudo teve como objetivo demonstrar o valor de um programa de estimulação cortical, voltado para o déficit de atenção de alunos com Síndrome de Down, de ambos os sexos e idade compreendida entre 17 e 21 anos. A metodologia de trabalho foi desenvolvida por meio de pesquisa experimental, e a estratégia metodológica adotada foi a realização de um pré-teste e um pós-teste de processamento mental, que avaliou o tempo de reação a um estímulo programado. Entre esses testes, realizou-se a intervenção que ocorreu durante um mês, por meio de 20 sessões de estimulação cortical, sendo uma sessão por dia com duração de 40 minutos. Os resultados mostraram uma melhora significativa no tempo de reação (p = 0.0207), confirmando que a referida estimulação atua positivamente, ou de forma valiosa, no estado de atenção e de concentração prolongada de indivíduos com síndrome de Down.

Artigo completo aqui.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Projecto "Parents of Down"

Projecto "Parents of Down" foi considerado pela Comissão Europeia uma "ferramenta de grande qualidade". Obteve oito em dez valores possíveis. O DVD dirigido a familiares de crianças e pessoas com síndrome de Down é um guia precioso para quem quer educar - na verdadeira acepção da palavra.

É uma ferramenta importante para ajudar quem padece de síndrome de Down. Um DVD, um CD e um livro didáctico dão corpo ao projecto "Parents of Down", patrocinado pelo Programa Leonardo Da Vinci e desenvolvido pela Fundação Down de Saragoça, o grupo internacional Master.D. e o Instituto Aragonês de Serviços Sociais. O material pode ser adquirido através da Fundação Down de Saragoça. O contacto é info@downzaragoza.org

A Comissão Europeia reconheceu o mérito deste trabalho e deu oito em dez valores possíveis ao material elaborado propositadamente para os familiares de pessoas com o síndrome de Down. A nota positiva chegou acompanhada de um comentário. O projecto foi classificado como "uma ferramenta formativa de grande qualidade". 
O objectivo é ajudar quem lida de perto com pessoas com síndrome de Down, tendo em consideração os aspectos intrapessoais, biológicos e educativos de cada uma e não esquecendo que nos primeiros anos de vida há mais receptividade a quaisquer estímulos. O DVD tem indicações para ajudar a estimular e a educar durante o processo de desenvolvimento e aprendizagem, ou seja, nos primeiros anos de vida. 
O CD contém uma extensa informação sobre o assunto, recolhida de várias páginas da Internet, e com os contactos nacionais e internacionais mais importantes desta área. E no livro é feito um resumo dos recursos específicos adaptados a cada país. Com um aviso para os pais: é muito importante que a família conheça o seu filho, as suas limitações e os seus pontos fortes. 
A iniciativa, patrocinada pelo programa da Comissão Europeia no âmbito de um dos seus projectos multilaterais de desenvolvimento da inovação, inclui várias entrevistas com pais e profissionais, voluntários e crianças. Tudo gravado em cinco idiomas - inglês, espanhol, romeno, italiano e grego - com subtítulos para cada tema abordado e guiões desenvolvidos de uma maneira profissional. 
Material inovador, com uma forte componente educativa e acessível, é recomendado como um complemento das actividades realizadas por pais e profissionais dos centros especializados nessa síndrome. "Não como um substituto deste trabalho, mas sim como um instrumento útil para as famílias e educadores", explica, em comunicado, Manuel Fandos, responsável pelas relações externas da empresa Master.D. E acrescenta: "O objectivo final não é outro que o de melhorar a qualidade de vida deste colectivo e conseguir as maiores cotas de autonomia possíveis." 
Master.D é um grupo internacional que conta com uma equipa de 1050 trabalhadores e docentes colaboradores e que, neste momento, dá formação a mais de 55 mil alunos, através da aprendizagem à distância e semipresencial. A empresa tem 54 centros em Portugal, Brasil, Espanha, China e Grécia. No nosso país, está acreditada pela Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
Sara R. Oliveira

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Açoriana é campeã mundial de atletismo para pessoas com síndrome de Down


A atleta Maria João Silva, que representa a Santa Casa da Misericórdia da Madalena do Pico, Açores, "obteve dois títulos de campeã mundial" nos primeiros Mundiais de Atletismo para pessoas com síndrome de Down, no México.
Segundo um comunicado da direcção regional do Desporto, a atleta açoriana integrou a selecção nacional da responsabilidade da Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual (ANDDI) e "venceu as provas de 400m Marcha - Trissomia 21 (com o tempo de 3:22:46) e 1500m com o tempo de 13:34:50 (recorde mundial), obtendo assim dois títulos de campeã mundial".
"A participação da atleta e treinadora contou com o apoio do Programa de apoio ao desenvolvimento do Desporto Adaptado, da direcção regional do desporto, o qual abrange também o seu treino regular proporcionado pelo CAO da instituição de enquadramento", acrescenta a nota.
Os primeiros Campeonatos do Mundo de Atletismo para pessoas com síndrome de Down decorreram este mês, em Puerto Vallarta, no México, com a participação de representações de 15 países.

Comentário:
Eis um bom exemplo a seguir e a apoiar! Parabéns à atleta e a todos os que contribuíram para o seu sucesso!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Pensamento e linguagem em crianças com síndrome de Down: um estudo de caso da concepção das professoras

O objetivo desse trabalho é analisar a concepção das professoras sobre a importância da linguagem verbal para o processo de interação social na sala de aula com os alunos que têm síndrome de Down.
O foco teórico parte da concepção de Vygotsky sobre pensamento e linguagem, para quem a estruturação do pensamento é resultado das interações sociais, nas quais a linguagem engloba os planos semântico e fonético. Nesse caso, a criança com síndrome de Down compreende satisfatoriamente as unidades semânticas da palavra, mesmo não as expressando verbalmente.
Fizeram parte dessa pesquisa três professoras de alunos com síndrome de Down da rede pública de ensino regular da cidade de Macapá. As informações foram obtidas inicialmente através de um teste de sondagem e posteriormente por meio de um roteiro de entrevistas feito com as professoras e transcrito cuidadosamente para uma caderneta de anotações reservada para cada participante.
Os resultados alcançados nos mostram que as professoras não interagem com as crianças com síndrome de Down porque não acreditam no aprendizado das mesmas, em função da ausência da linguagem expressiva. Logo, não têm ocorrido mediação e construção do conhecimento científico, permanecendo, assim, a fragilidade quanto ao desenvolvimento cognitivo e linguístico das crianças com síndrome de Down dentro do espaço escolar.

Artigo completo aqui.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Falar de Síndrome de Down é Falar em Capacidades, Potencial e Felicidade

Síndrome Down (Down nome do médico inglês Langdon Down que descobriu este Síndrome). Ter Síndrome Down significa que cada célula do corpo tem 47 cromossomas (é assim que se chama aqueles pequenos pacotinhos que contem toda a nossa informação genética) em vez de 46 qualquer pessoa “normal”.
Síndrome Down não é uma doença (muito menos contagiosa), é uma anomalia genética, por isso não tem cura. É como quando se está a fazer um bolo e ao bater as claras em castelo, cai um pouco de gema, as claras não sobem. Assim é com a Trissomia 21, na divisão das células quando o óvulo foi fecundado um dos pares de cromossoma em vez de ter 2, agarrou mais 1 e ficou um par de 3 cromossomas = trissomia 21. È afinal de contas ter um cromossoma a mais no par 21 que tem três cromossomas, ou seja ou dois do pai e um da mãe, ou dois da mãe e um do pai.
Pessoas com Síndrome Down também não são mais perigosas ou loucas do que as pessoas sem Síndrome. Não são doentes. Não são atrasados. Adoecem como as outras pessoas, algumas são mais sensíveis que outras. São por norma crianças mais sensíveis ao frio e às mudanças bruscas de temperatura, em especial quando descem, arrefecem com muito mais facilidade e intensidade, podem nascer com outras patologias associadas, sendo a cardiopatia a mais comum, que pode ou não ser tratada e corrigida, de resto, brincam, riem, traquinam, aprendem, caiem, choram e reclamam, como aliás qualquer criança. Devido a este quadro, são por vezes, mais lentos em certas coisas, aprendem tudo, também mais tarde na escola, aprendem a ler, a escrever e a fazer contas. Precisam, é de mais tempo, persistência e trabalho. Mas as crianças, sendo todas iguais no seu estatuto de criança, ou deveriam, são todas diferentes entre si, e numa turma não há dois alunos iguais, (nem sendo gémeos)! Algumas são mais rápidas que outras na aprendizagem e no desenvolvimento global, estas crianças quase sempre são mais lentas nas aquisições, aprendizagens e desenvolvimento em geral. As pessoas que vão estar com estas crianças, em casa, na escola, na vida prática e activa é que é que têm de ter mais paciência para ensinar e respeitar, que crianças assim, por vezes aprendem mais devagar que os outros meninos, mas até há crianças sem deficiência com muitas dificuldades de aprender e nem por isso deixam de ser crianças.
Também é errado falar de Mongolóides ou pessoas mongolóides. Pessoas com Síndrome Down têm por vezes os olhos mais rasgados, mas não pertencem, por isso, ao respeitável povo mongol. Muitas destas crianças quando forem crescidas vão querer e poder viajar muito, e talvez nessa altura, visitem a Republica Popular da Mongólia e encontrem lá mongóis com Síndrome de Down.
O convívio entre crianças com deficiência e sem deficiência, vai conduzir à educação na diferença, pois as que obtém as aquisições, aprendizagens e desenvolvimento mais rápido vão aprender a respeitar as que têm mais dificuldades e limitações em alcançar os mesmos patamares ou similares, e as crianças com deficiência vão constantemente a receber estímulos por parte das outras que vão fazer com que a sua evolução seja significativamente melhor, e mesmo as pequeníssimas conquistas, serão grandiosas etapas respeitadas, valorizadas e aplaudidas pelo grupo. Acima de tudo vão descobrir entre si, no seu grupo social, que são todos diferentes uns dos outros e o mais importante é que todos, independentemente de se chamarem Sara, Francisca, Miguel ou um outro nome qualquer, podem-se divertir e interagir juntos, começando na família, na ama, na creche, relacionando-se bem, aprenderem muito e serem grandes amigos para a vida.
Falar de Síndrome de Down, é de facto falar de Capacidade, Potencial e Felicidade, não fechem as portas a estas crianças, só porque têm a deficiência estampada no rosto, aliás não fechem as portas a nenhuma criança com deficiência, vejam para além do que a visão alcança, e dêem uma oportunidade de igualdade, aceitando-as, com a normalidade, naturalidade, solidariedade e Respeito que merecem.
“Porque o caminho faz-se caminhando, vendo para além do que a visão alcança tendo o Céu como Limite!”
Por tudo isto nasceu o livro “Sara, a Luz!”, a minha partilha sobre o meu fantástico desafio de ser mãe de uma menina com Síndrome de Down.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Síndrome de Down: estudo exploratório da memória no contexto de escolaridade

Resumo do artigo
Indivíduos com síndrome de Down (SD) são cada vez mais incluídos no sistema regular de ensino, no entanto, poucas pesquisas foram realizadas para investigar a influência no desenvolvimento da memória e o tipo de matrícula. Este estudo compara nove indivíduos com síndrome de Down matriculados em escolas especiais (grupo EE) e nove indivíduos no sistema regular de ensino (grupo ER). Os testes utilizados para a análise dos sujeitos foram o span de dígito, o de recordação livre e de reconhecimento de palavras e subtestes do WISK-III. Os indivíduos do grupo ER obtiveram maiores pontuações no teste de span de dígito (p=0,001) e nos subtestes do WISK-III. Nos testes de recordação livre e de reconhecimento de palavras nenhuma diferença foi encontrada. No entanto, os dois grupos demonstraram comportamentos diferentes em relação ao teste de reconhecimento de palavras. No total dos testes, o tempo de reação (TR) entre o estímulo auditivo e a resposta do sujeito no grupo ER apresentou uma média de 2.041ms, enquanto o grupo EE alcançou uma média de 4.306ms. Essa diferença foi estatisticamente significativa em algumas etapas do teste. Este estudo indica que o tipo de matrícula pode influir no desenvolvimento da memória dos indivíduos com SD e claramente aponta para a necessidade de futuras investigações.

terça-feira, 23 de junho de 2009

sábado, 21 de março de 2009

Escolas normais para crianças com trissomia 21


Henri, 18 anos, tem uma motivação invulgar para o trabalho de tratador de cavalos, que adora. De manhã, alegre da vida, apanha um autocarro, um comboio, mais um autocarro e ainda anda 15 minutos a pé para se deslocar sozinho, de Lisboa, para o seu local de trabalho, um centro hípico em Caxias.
Filho de mãe portuguesa e pai francês, Henri personifica o exemplo de alguém que, apesar de ter nascido com síndrome de Down, conseguiu caminhar para a autonomia, estudar até onde as suas possibilidades permitiram, aprender uma profissão e ter um trabalho. Essa é, de resto, a mensagem e o apelo que se procura hoje transmitir com a celebração do Dia Mundial da Trissomia 21.
"Para este nível de desenvolvimento foi determinante o meu filho ter sido sempre rodeado da maior normalidade possível, estudando até ao 8º ano em escolas do ensino regular," acredita a mãe, Carmo Teixeira. "O relacionamento com os outros miúdos correu sempre muito bem. E só se notou um maior desfasamento em matérias como a matemática e a partir de um certo grau de ensino".
Apesar de ser uma firme defensora da integração destas crianças nas escolas regulares, Carmo não dispensa o papel "fundamental"do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças, onde paga 126 euros por mês, nos progressos do seu filho. Para além das terapias específicas orientadas para o desenvolvimento cognitivo, "a psicóloga do centro deu um apoio excepcional para reforçar a sua autonomia, foi com ele para a rua, ensinou-o a comprar um bilhete de comboio, a cozinhar ou ir às compras", conta Carmo Teixeira.
Francisca, de 3 anos - também nascida com um cromossoma a mais no par 21 -, é acompanhada por terapeutas daquele centro desde os 15 dias de vida. "Ela está óptima", confirma a mãe, Francisca Prieto, que soube da condição da sua filha pelo diagnóstico pré-natal.
Também a Francisca, que entrou este ano para o infantário, tem beneficiado das "vantagens" da escola regular. "Ela sente-se bem, foi recebida de braços abertos pela escola, e são os próprios pais que valorizam a presença da Francisca na escola para educar os seus filhos na aceitação da diferença", disse Francisca Prieto, dirigente da associação Pais 21. No âmbito das recentes alterações ao ensino especial, a quase totalidade das escolas já integra, de resto, este tipo de crianças, adianta aquela responsável.
A pequena Francisca faz terapia ocupacional duas vezes por semana e uma terapeuta do centro desloca-se à escola uma vez por semana para dar formação aos professores e acompanhar a criança. "A colaboração com as escolas de ensino regular é um traço marcante do serviço prestado pelo centro", sublinha o seu presidente, o pediatra Miguel Palha, que gere um dos maiores e maus reputados centros do género na Europa.
Ali são acompanhados por 100 técnicos um total de 9 mil crianças e jovens, sendo que 1200 com trissomia 21 e os restantes com autismo e outras perturbações cognitivas, como deficiências de aprendizagem ou hiperactividade.
Tal como as mães ouvidas pelo DN, Miguel Palha considera que "estas crianças estão cada vez melhores e mais integradas". E dá como exemplo o facto de ali, 80 por cento das crianças até aos oito anos estarem a ler e escrever. "Isto significa que elas poderão vir a exercer uma profissão no futuro", acrescentou o defensor da integração nas escolas regulares.

Crianças com trissomia lêem mais cedo


No Dia Mundial da Trissomia 21, Portugal tem razões de orgulho: estas crianças frequentam o sistema regular de ensino e lêem cada vez mais cedo. Mas ainda é preciso desmistificar a doença e garantir integração profissional.
O retrato optimista é traçado por Miguel Palha, médico e fundador da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21), tarefa em que se empenhou depois de ultrapassar o "choque" do nascimento da sua filha Teresa, portadora do síndrome de Down. Hoje com 22 anos, Teresa preside à associação, enquanto o pai assume a direcção clínica do Centro de Desenvolvimento Infantil "Diferenças", um dos mais avançados da Europa e do Mundo, garante o pediatra.
Criado em 2004, em Chelas, Lisboa, o centro desenvolveu vários programas específicos de intervenção para a trissomia 21 e outras perturbações de desenvolvimento. Tem a maior casuística mundial de trissomia (apoia actualmente 1200 crianças) e uma das maiores a nível europeu de dislexia, perturbações da linguagem e perturbações do espectro do autismo. Ao todo, os cerca de 100 profissionais que ali trabalham - entre pediatras do desenvolvimento, psicólogos e terapeutas ocupacionais e da fala - acompanham nove mil crianças de todo o país e são também procurados por pais do estrangeiro.
A aprendizagem da leitura e o desenvolvimento da linguagem são os grandes avanços apontados por Miguel Palha. "Quando começámos a trabalhar, apenas 5% dos miúdos com trissomia 21 liam. Neste momento, 80% estão a ler até aos 8 anos", disse ao JN, congratulando-se com o facto de, aos 10 anos, virtualmente, todos os meninos com trissomia 21 estarem integrados no sistema regular de ensino. "São os melhores resultados em qualquer parte do mundo", afiança.
Contudo, o médico não esconde as dificuldades. "Estes meninos são vulneráveis. Estão em desvantagem na sociedade", nota, lançando um apelo aos pais para se "anteciparem", por forma a iniciar-se uma intervenção "o mais precoce e eficaz possível".
Foi o que fez Francisca Prieto, 37 anos, mãe de uma menina com trissomia 21 e fundadora do grupo Pais 21. Pelo facto de estas crianças serem muito sensíveis a infecções e problemas respiratórios, Francisca decidiu que, nos primeiros dois anos, a filha ficaria com ela em casa. Mas assim que a pequena Francisca atingiu os 3 anos (a menina, terceira de quatro filhos, herdou o nome da mãe), os pais decidiram inscrevê-la no infantário. "Estava na altura de ir brincar com os amigos", explica a mãe, que "todos os dias" se surpreende com o seu desenvolvimento.
Apesar de reconhecer que "hoje as pessoas estão mais abertas para olhar o que é diferente", Francisca não esquece os comentários de espanto dos amigos, quando lhes respondia que ia levar até ao fim a gravidez, mesmo sabendo de ante-mão que a sua bebé teria trissomia 21. Hoje, ainda são muitos os que se surpreendem quando Francisca lhes diz que a menina frequenta o ensino regular.
Foi para combater estes estigmas que, há um ano, juntamente com outros pais, Francisca decidiu constituir a Pais 21. Um grupo de familiares e amigos de portadores de trissomia 21 (actualmente, reúne cerca de 200 pessoas) que comunica diariamente através da internet, troca dúvidas, partilha experiências e organiza actividades, como a campanha que pôs agora na rua, para mostrar as capacidades dos seus filhos.
O seu objectivo é envolver o maior número de pessoas a "trabalhar para a inclusão" e garantir que, tal como conseguiram inscrever os filhos na escola, um dia eles também terão lugar no mercado de trabalho.

Uma vida normal com direito a sexo

Otto Baxter tem 21 anos e trissomia 21. É jovem, frequenta clubes, vai a festas e tem amigos. Falta-lhe o amor. Otto Baxter anseia por uma namorada e não tem vergonha de assumir que gostaria de ter sexo com ela.
Num documentário apresentado pela BBC, Otto e a sua mãe, Lucy, explicaram o teor de uma campanha "caseira", com cartazes e um site na internet, para que o jovem consiga arranjar uma namorada. "Não consigo ver como é que alguém pode ser um indivíduo completo na sociedade sem participar em tudo", argumenta Lucy, que diz que gostaria que o filho tivesse "uma vida normal".
Num certo momento, Otto sentiu-se próximo de Hannah: "Gostaria de tomar um banho com ela, lavar as suas costas e passar um dia inteiro na cama com ela. E também ir ao cinema e fazer coisas assim". Hannah, porém, disse que queria ser apenas sua amiga.
Os pais de filhos com trissomia 21 são frequentemente confrontados com as questões da sexualidade e, segundo Miguel Palha, devem encará-las com normalidade. O médico realça que essa experiência faz parte da vida e terá de fazer parte das descobertas dos portadores de trissomia 21.

"De 'santa' a 'louca' já me chamaram de tudo"

Era um desejo que tinha desde menina: adoptar uma criança. Aos 20 anos, ligou para a Segurança Social para se informar do processo mas disseram-lhe que, tratando-se de uma adopção singular, teria que ter pelo menos 30 anos. Maria João Pereira esperou e, a 7 de Outubro de 2005, então com 34 anos e a certeza de que estava pronta para entrar na grande aventura, entregou os papéis do processo. Sempre disse que "queria uma criança que ninguém quisesse" e nenhuma diferença a faria desistir.
Dada a sua abertura, Maria João saiu da primeira entrevista "com a certeza de que iria ter uma criança de outra etnia e com trissomia 21". A sua previsão confirmou-se: menos de um ano depois, foi contactada com a notícia de que havia um menino pronto a ser adoptado. Bruno, filho de pais guineenses, a quem havia sido retirado pelo tribunal, e portador de trissomia 21, ia fazer três anos e aguardava que alguém o fosse buscar à "Ajuda de Berço" para lhe dar um colo, muito mimo e um lar.
Maria João confessa que teve algumas dúvidas. "Será que tenho capacidade para adoptar uma criança diferente?", questionava-se. Diz que o "maior disparate" que fez na vida foi pedir opinião à família. "Toda a gente estava contra". Só uma amiga, hoje madrinha de baptismo do Bruno, a apoiou sem reservas, embora a alertasse para as dificuldades. "Tens que esperar o pior", dizia-lhe.
As dúvidas dissiparam-se e a 4 de Outubro de 2006, dois dias antes de Bruno fazer três anos, Maria João foi com a mãe conhecê-lo à Ajuda de Berço. "Se eu já achava que o queria, depois de o ver acabou-se". Não se deixou intimidar pelas reacções do menino, que olhava as pessoas de lado, não sabia brincar nem beijar. "Já me tinha apaixonado por aquele menino. Era impossível dizer 'não'".
O processo de adaptação devia demorar um mês, mas uma semana depois Maria João, gestora de qualidade numa empresa de Castanheira do Ribatejo, levava Bruno para casa, no Algueirão, Sintra. "É o meu tesourinho", diz, nome do blogue que criou para o filho. Rapidamente a criança foi acolhida pela família - o avô só lamenta que ainda fale tão pouco - e Bruno aprendeu a dar beijos gostosos. Vai à escola e, para o ano, muito provavelmente, irá para o 1º ano.
Bruno é acompanhado por uma psicóloga e uma terapeuta da fala. A mãe acredita que, um dia, será independente. Não se sente uma mãe-coragem, mas admite que "de santa a louca" já lhe chamaram de tudo. Provavelmente, o que mais lhe custou ouvir foi este comentário discriminatório: "Foi para a cama com um preto e saiu-lhe aquilo". Ela não merecia.

"Seria óptimo que eu fosse professor"


Foi a primeira pessoa com trissomia 21 em Espanha a terminar um curso universitário e, por estes dias, é uma referência e um alento para todos os pais que têm filhos com esta doença. Pablo Pineda, 34 anos, natural de Málaga, fez um curso superior e faltam-lhe apenas quatro cadeiras para se formar em psicopedagogia.
"Seria óptimo para a sociedade que eu fosse professor. As famílias continuam a ter medo das pessoas com Down, que sejam professores, que sejam namorados das suas filhas...", disse ao jornal "El Pais", numa visita recente a uma escola de Córdoba, onde foi falar sobre a sua participação no filme "Yo también" (Eu também).
O filme é uma história de amor parcialmente inspirada na sua vida e, segundo Pablo Pineda, "é uma forma de reafirmar os direitos das pessoas com síndrome de Down: 'eu também posso', 'eu também posso estudar', 'eu também posso apaixonar-me'".
Há 15 anos a dar a cara nos media pela integração e a falar da sua experiência, Pablo Pineda reconhece que isso pode ser "uma faca de dois gumes". "Os pais de meninos com Down podem pensar que todos podem terminar uma carreira e isso nem sempre acontece. As pessoas são diferentes". O importante é educá-los para a autonomia e para que sejam felizes, diz.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Orientações PNL – Alunos com NEE – Síndroma de Down / Trissomia 21

Ao longo das últimas décadas, temos assistido a mudanças significativas nas atitudes e nos comportamentos perante os indivíduos com síndroma de Down, verificando-se um interesse progressivo que se tem traduzido num aumento substancial de trabalhos de investigação sobre as suas características e possibilidades a nível escolar, social e laboral.
Os dados actuais permitem afirmar que a maioria dos indivíduos com síndroma de Down funciona com um grau de atraso ligeiro ou moderado, contrastando com descrições, que felizmente têm cada vez mais um carácter histórico, em que se afirmava que o atraso era de grau severo. Esta mudança relaciona-se, quer com programas específicos que se aplicam nas primeiras etapas de vida destas crianças, quer com uma atitude de maior abertura e enriquecimento ambiental que, globalmente, actuam sobre estas pessoas na sociedade actual. De acordo com Troncoso e Cerro (2004), diferentes estudos têm demonstrado que uma intervenção educativa precoce, contínua e adequada permite que a criança adquira competências em áreas diversificadas, nomeadamente:
- Um bom desenvolvimento da percepção e da memória visuais;
- Orientação espacial adequada;
- Uma boa compreensão linguística desde que se fale de uma forma clara e com frases curtas;
- Alguma capacidade em reter o que foi aprendido, embora seja necessário reforçar e consolidar as aprendizagens;
- Alcançam frequentemente um bom nível de adaptação social.
O texto, acima, foi transcrito do manual Orientações PNL – Alunos com NEE – Síndroma de Down / Trissomia 21. Penso que constitui uma boa ferramenta para quem trabalha com alunos portadores de Síndroma de Down/Trissomia 21.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Página de Recursos

Neste espaço disponibiliza-se o acesso a diversos documentos organizados nas seguintes categorias: autismo, défice de atenção-hiperactividade, deficiência auditiva, deficiência mental, deficiência visual, dificuldades de aprendizagem, dislexia, epilepsia, espinha bífida, paralisia cerebral, problemas emocionais, problemas de linguagem e fala, síndrome de down.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Empregabilidade da pessoa com Síndroma de Down


No artigo que publicamos anexo a este texto, reconhecendo os muitos desafios ainda existentes, Marina Almeida, psicóloga e pedagoga, reflecte sobre a questão do emprego para as pessoas afectadas por Síndroma de Down.